Tuesday, October 08, 2013
Privacidade na Alemanha
Monday, December 27, 2010
Viva a Europa, enquanto é tempo
Friday, December 17, 2010
Falência européia
(...) Hoje, há muita gente na Alemanha que pensa que nos deu demasiado e que se pergunta por que razão há-de pagar para países sem perspectiva de sobreviverem sem a sua ajuda. Por outro lado, também sabem que, de um ponto de vista estritamente racional, o euro foi uma enorme vantagem para eles. Mas as decisões políticas nem sempre são racionais.
Em termos políticos, e não económicos, como é que acha que a Alemanha está a olhar para o mundo?
Penso que os alemães ainda não têm uma visão coerente deste mundo. Sentem que devem fazer alguma coisa diferente, porque são um país grande e unido e um grande actor internacional. Já não precisam da Europa como precisaram antes. Algumas pessoas pensam a Alemanha como uma nova potência mundial com relações directas com a China, a Rússia, os Estados Unidos. A Europa pode ser útil para este propósito, mas não é o propósito.
(...)
Disse que a crise que vivemos é uma crise do Ocidente, que afectava os próprios fundamentos das nossas sociedades, não apenas em termos de poder e de lugar no mundo, mas da sua própria identidade. Quer dizer que a própria democracia liberal pode ser posta em causa?
Já está a ser. Há muita gente no Ocidente - estou a falar na Europa, e não na África ou na Ásia - e até partidos que pensam que a democracia não é assim tão eficaz e que talvez devêssemos olhar para alternativas. Aliás, a União Europeia não é uma democracia, é um clube de democracias e isso ajudou a alimentar uma cultura não-democrática. Os nossos "pais fundadores" diziam que devíamos fazer a Europa para os europeus e não com os europeus...
Mas isso já mudou imenso. Mudou, mas há efeitos e esses efeitos podem também ser que as pessoas acreditam menos na democracia. E algumas podem muito bem dizer que o sistema chinês pode ser mais eficaz...
Mas ainda somos o maior bloco comercial do mundo. Falta-nos ser um actor mundial? Isso também influencia o estado de espírito dos cidadãos europeus?
Penso que devemos confrontar os nossos povos com um teste. Devemos perguntar às nossas opiniões públicas nacionais: querem ou não querem ter um Estado europeu, com que fronteiras e para fazer o quê. Sim ou não? Se temos uma moeda sem termos um Estado, no fim, acabamos por falhar. Como sabe, para muita gente, o euro seria uma espécie de preparação para uma União Política. Aconteceu precisamente o contrário...
Sunday, July 19, 2009
O peão polonês

Saturday, January 31, 2009
Guerra de Propaganda
Wednesday, August 13, 2008
Caos no Cáucaso - 8
Questões psicológicas, econômicas e políticas motivaram RússiaEntrevista com Marshall Goldman, PhD em estudos da Rússia pela Universidade Harvard, sobre a ofensiva russa na Geórgia.
Saturday, July 19, 2008
Comprando o Irã
"Os membros do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido) e a Alemanha apresentaram uma proposta de cooperação econômica e política para que o Irã aceitasse encerrar o seu programa nuclear. Segundo a BBC, o pacote inclui uma série de medidas para ajudar o Irã a desenvolver um programa nuclear civil."
Monday, February 18, 2008
Xadrez balcânico*

Tomado isoladamente, o Kosovo não tem maior relevância geopolítica. Claro que em matéria de geopolítica, os efeitos de longo alcance são os que “dizem mais”... Foi através de um ataque de dois meses conduzido pela Otan que se criou ali uma “área quente” no cenário europeu. Formalmente, a investida da aliança atlântica serviu para dissuadir a Sérvia de seus ataques contra kosovares de origem albanesa. Uma vez bem sucedida a operação, com os sérvios expulsos da província, a Otan obrigatoriamente teve que ocupá-la.
As premissas da ação da Otan eram evitar que se repetisse o ocorrido na Bósnia durante os anos 90, quando a Sérvia achincalhou com os muçulmanos da Bósnia provocando um massacre e, para evitar que estados europeus desrespeitassem normas internacionais. A idéia subjacente era respeitar um consenso que tinha nos EUA seu "líder natural". E mesmo sem o consenso da ONU, os EUA mais o apoio de alguns países europeus tomaram as rédeas da situação. Cabe lembrar, no entanto, que os massacres eram perpetrados tanto pelos sérvios contra croatas e muçulmanos quanto estes contra àqueles. Algo comum do Danúbio ao Hindu-Kush. A Iugoslávia do Pós-Guerra sempre foi um "estado artificial" separado do Ocidente por uma tênue linha mantida pelos socialistas (mas, sem a influência soviética observada na Europa Central). Internamente se constituía por três grupos religiosos predominantes, católicos, cristãos ortodoxos e muçulmanos. Devido a sua posição anti-soviética cooperava com os EUA, embora pertencesse ao bloco comunista (a Iugoslávia foi o único país da região a aceitar o incentivo do Plano Marshall).
Com o fim da Guerra Fria e a morte do ditador Tito que comandava com sua mão de ferro as repúblicas constituintes, a "federação iugoslava" também caiu. Não imediatamente, mas após dez anos de sua morte. A democracia, realmente, não funcionou na região.
A missão da Otan visava acabar com o estado multiétnico da Iugoslávia substituindo-o por uma série de pequenos estados independentes e estáveis. O problema é que a maioria desses estados balcânicos tem minorias étnicas expressivas que precisavam ser contempladas com terra e que clamavam por autonomia. Não há nos pequenos estados, grandes maiorias étnicas que permitam tal estabilidade.
Mexer nas linhas fronteiriças do Pós-Guerra tem sido uma tarefa ingrata e perigosa. Do contrário, os húngaros que vivem na Transivâlnia romena, que ainda podem se reintegrar territorialmente à Hungria, turcos do Chipre à Turquia, a Silésia ser retomada pela Alemanha e a Irlanda do Norte separar-se do Reino Unido. Quando a Otan propõe alterar o princípio que contém estes rearranjos, ela está brincando com fogo e induzindo a um efeito-cascata.
Portanto, por melhor que seja a intenção de livrar pequenos estados de um artifício geopolítico chamado "Iugoslávia" implica em mexer em linhas de fronteira historicamente sensíveis. Se o desejo sérvio de agrupar suas porções étnicas na Bósnia foi duramente rejeitado devido às suas atrocidades, deslocando as linhas traçadas ao longo do tempo, por que não outras? Quando os sérvios quiseram repetir seus ataques à Bósnia no Kosovo, os EUA e a Otan se viram na obrigação de intervir.
No entanto, não se chegou no Kosovo ao mesmo nível de atrocidades cometido na Bósnia, apesar do que quer que tenha sido dito pela administração Clinton. Chegou-se mesmo a aventar que centenas de milhares haviam sido mortos para depois se afirmar que foram 10.000, cujos corpos foram dissolvidos em ácido. As análises posteriores nunca revelaram estes números. Mas, o ponto é que no Pós-Guerra Fria, os EUA queriam evitar novos massacres e fazer uma reengenharia dos pequenos estados.
Dois meses de bombardeios sobre o Kosovo serviram para afugentar os sérvios e permitir a ocupação das tropas da Otan. Mas, a força aérea não foi tão eficaz quanto se esperava, assim como a resistência sérvia superou as expectativas. Os EUA tiveram que por termo à guerra e aí entra em cena a Rússia.
Devido à inépcia russa, os EUA iniciaram uma estratégia de isolamento sérvio e persuasão para sua retirada. O acordo consistiu na participação russa na ocupação do Kosovo, os quais caíram direitinho no engodo. O que se configurou numa espécie de traição aos sérvios com a impressão vendida de que os sérvios teriam seus interesses garantidos no Kosovo. Uma força de ocupação Otan-Rússia deveria garantir que o Kosovo permanecesse como parte integrante da Sérvia, o que se sabe, não foi concretizado.
A guerra propriamente dita terminara, mas os russos nunca foram deixados sós neste cenário. Definitivamente, fizeram papel de tolos com uma cenoura amarrada em sua frente sem nunca a alcançarem... Depois, os russos foram excluídos da composição da Força de Kosovo (KFOR) e isolados pela Otan. Quando quiseram examinar o controle do aeroporto em Pristina foram cercados por tropas da Otan.
É importante notar que a ruptura do acordo da Otan e dos EUA com a Rússia significou uma humilhação para Yeltsin, o que ajudou em parte na ascensão de Putin, ex-diretor de política externa deste governo. O empenho atual do ex-presidente Putin no governo significou, também em parte, uma reação ao estado que foi relegada à Rússia. Um país que historicamente se projetou externamente, mas que internamente sempre foi fraco não teria muitas alternativas.
E, particularmente, porque a questão do Kosovo não encontra a mesma guarida teórica dos outros separatismos: trata-se do favorecimento territorial e fronteiriço a uma minoria nacional. Em que pese ser uma maioria local (no Kosovo), no contexto mais amplo é minoria (na Sérvia). Analogamente, seria como endossar um separatismo sérvio na Bósnia também. Outro detalhe não menos importante é que, ao invés de aproveitar a deixa histórica e deixar de mexer no vespeiro, se continua o processo de reengenharia territorial, o que atenta contra os interesses russos. Não há um mandato claro da ONU sobre a questão, apenas os intentos de nações poderosas, porém isoladas como Alemanha e EUA.
O argumento utilizado por Putin, de que esta independência abre um grave precedente ao separatismo checheno, dentre outros, não se sustenta: a Chechenia está acabada. A questão é que tratar o tema com indiferença põe a Rússia em uma posição de complicada desvantagem. A Rússia pode estar se lixando para a Sérvia, mas não admite uma presença mais ostensiva da Otan na região. Esta é a questão.
A posição adotada por Putin foi similar a de um juiz que observa o desrespeito a uma de suas decisões. Além dele, a Lei está sendo desrespeitada. Tal é o caso com o qual Moscou se debate. EUA e Alemanha fazem é desdenhá-lo, o que é inadmissível.
Nesta queda de braço, até agora Moscou está desmunhecando.
Um Kosovo livre fora da alçada da ONU e do poder de veto russo no Conselho de Segurança significa um desafio ao poder de Moscou e uma prova psicológica de sua fraqueza, caso a situação não se reverta. Caindo uma carta, outras podem cair dentro da própria Rússia.
O que é um jogo com possíveis perdas para a aliança atlântica é um jogo de vale-tudo para Moscou. O gás natural que flui para a Alemanha pode ser embargado. Mesmo que parcialmente, isto criaria uma grande crise. Pouco provável, mas isto implicaria em um alto custo aos alemães provando a importância da questão aos russos. Talvez os objetivos de longo alcance sejam estes mesmos, com Moscou levando a melhor num primeiro momento. Posteriormente, seu gás pode ser substituído pelos hidrocarbonetos provenientes do Iraque, parcialmente controlados pelos EUA, o que daria um input significativo a ocupação daquele país no coração do Oriente Médio.
Uma segunda opção é o que chamaríamos de "militarismo light". Suponhamos que Moscou envie para Belgrado, um batalhão ou duas tropas via aérea e depois as mandasse por terra até Pristina. E, para completar, uma esquadra naval pelo Mediterrâneo... Isto não é suficiente para fazer frente às tropas da Otan, mas o que os alemães poderiam fazer contra?
Mesmo que a Rússia não logre retomar o Kosovo para os sérvios ou o retorno à situação original em 1999, uma movimentação assim já seria suficiente para "dar um troco" e ameaçar a reintegração territorial dos estados bálticos. O que a Otan poderia fazer para se opor?
A aventura ocidental nos Bálcãs estaria partindo da premissa que não há um preço (alto) a pagar? Ou a Otan e seus aliados têm algum coringa na manga? A questão no momento é qual o risco visível e substancial envolvido na independência do Kosovo? Sinceramente, o Kosovo não tem lá grande valor, econômico ou mesmo estratégico, mas por a Rússia de joelhos convida Moscou a tentar capitalizar com alguma reação, algum ganho político, como, aliás, já se vem fazendo com outros assuntos há um bom tempo. Neste imbróglio, como ficará a delicada situação da Polônia entre forças opostas e, por extensão, de toda Europa Oriental?
Os alemães não têm cacife para peitar os russos. Não, por enquanto... Os americanos estão focados, como não poderia deixar de ser, no Oriente Médio e nas bordas do mundo islâmico. Para a Rússia, o Ocidente está em dívida com ela desde 1999 devido à traição de princípios e acordos estabelecidos. Por outro lado, uma dura oposição de Moscou levaria a uma, nada interessante, aproximação e fusão de interesses entre Berlim e Washington.
O Ocidente deveria repensar sua posição, mas com a declaração unilateral de independência kosovar, não adianta chorar sobre leite derramado. Uma crise foi deflagrada porque Washington não tem o tema como de grande importância, enquanto que para Moscou é uma oportunidade estratégica. Esta assimetria de percepções é um perfeito caldo de cultura para tensões entre Leste e Oeste. Mais uma vez...
* Traduzido e adaptado de George Friedman. The Asymmetry of Perceptions (just perfect…). http://execoutcomes.wordpress.com/. Acessado em 23 de março de 2008.
Wednesday, January 02, 2008
Novas tecnologias e leis na Europa
Tuesday, November 13, 2007
Grande Irmão: ter ou não ter
Tuesday, July 10, 2007
Um rio em cima de outro

Friday, June 15, 2007
Kosovo: Merkel vs. Putin

Putin and Merkel Face Off Over Kosovo
Russian Foreign Minister Sergei Lavrov lambasted Western leaders on Thursday for holding "secret talks" on the future of the Serbian province of Kosovo. Representatives from the United Kingdom, the United States, Italy, Germany and the United Nations met in Paris on June 12 for unscheduled talks to hammer out a common position on the issue. Notably absent from this meeting of the Contact Group on the Balkans were, of course, the Russians.
Moscow is outraged at the possibility of an independent Kosovo, not because it considers Serbia an ally but because a successful Western effort to impose its will upon Serbia against Russian wishes would signal the end of Russia's influence in Europe. It also would signal that Europe believes Russian objections can be easily swept under the rug.
Russia will attempt to convince the Europeans this is not the case. In Moscow's mind, if all it takes to become an independent state is for a local minority to agitate, then that rule could be applied elsewhere. If Kosovo can be independent, why not an independent Northern Ireland, or Basqueland, or Transylvania? For that matter, why shouldn't the Russians of Estonia and Latvia -- both members of the European Union and NATO -- be allowed to chart their own destiny (under Russian tutelage, of course)?
Put another way, Russian President Vladimir Putin feels he has little to lose in fomenting a crisis of confidence among both NATO and the European Union over the Kosovo issue. But another rising regional leader also sees some benefit in stoking the flames of the Kosovo crisis.
German Chancellor Angela Merkel is preparing for the end of her term as EU president. She has won a series of victories, largely in foreign policy, culminating in a successful G-8 summit last week. Merkel is seeking to help Germany re-emerge as a major European power, and what better way to do that than to publicly force the Russians into a confrontation and then make them retreat?
It was Merkel, not U.S. President George W. Bush, who said bluntly at the summit -- with a none-too-pleased Putin standing nearby -- that Kosovo will be independent. (Bush later echoed this statement during his trip to Albania.) Merkel, not Bush, has been steadily working European leaders to ensure that, when the time comes, Europe is on the same page about this issue. And it is Merkel, not Bush, who within the next two weeks will need to convince a recalcitrant Polish leadership that her vision for Europe is one worth agreeing to -- and what better way to impress the Poles than to show that Berlin can and will face down Moscow.
Merkel clearly believes that Russia will back down, since Kosovo is really not one of Moscow's core national interests, while Putin is convinced no one in their right mind would sacrifice anything of substance for the Kosovar Albanians. In other words, Kosovo will evolve into a crisis not because of the merits of the case but because both Putin and Merkel desire a crisis -- and Kosovo is conveniently on the table, with both sides convinced the other is not serious. The last time Germany and Russia faced off over an issue with this little effect on their national interests -- the assassination of an archduke in Sarajevo 93 years ago -- resulted in World War I.
There is still ample time for both sides to step down, but if this goes on much longer, they will not be able to do so without losing a great deal. Putin would lose the ability to impress Russia's desires upon Europe, and Merkel could lose legitimacy as the preeminent leader of both Germany and the European Union.
Source: Carol Guzy, Michael Williamson andLucian Perkins/ Washington Post
See also our pages on Peacekeeping , International Criminal Tribunal for Yugoslavia and Emerging States
http://www.globalpolicy.org/security/issues/ksvindx.htm

