History of Activity
Doku Umarov: A Charismatic (and Resilient) Leader
A Confederacy of Militant Groups
In the Crosshairs
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Sem dúvida que o apoio russo às medidas mais duras contra o governo iraniano é um bom sinal dessa nova aliança, cuja integração à OTAN parece selar e, que a vitória Republicana nas últimas eleições sobre os Democratas parece ameaçar através da revisão do acordo de desarmamento (START) entre as duas potências. Apesar disto, esta vitória do governo Obama em se aliar ao Kremlin não deveria ser menosprezada. O próprio “guarda-chuvas da OTAN” na Europa Oriental, Polônia e República Tcheca elaborado no governo Bush foi redesenhado contra o Irã, inclusive com navios de guerra americanos estacionados no Mediterrâneo. Obviamente, as recentes insinuações ocidentais de apoio à Geórgia ou à Ucrânia serão deixadas de lado por tempo indeterminado, o que também significa suas possibilidades de autonomia e avanço democráticos.
Se por um lado esta perspectiva de deixar as ambições russas de lado e focalizar inimigos mais imediatos como o Irã se consolidam, nuvens negras se formam no horizonte sobre a China e a Índia, outros rivais regionais asiáticos que poderão colocar em cheque a solidez da aliança americana e russa dentro da OTAN se reagirem contra um novo expansionismo russo. No entanto, a história nos mostra que alianças entre estados democráticos e autocráticos não têm tido sucesso prolongado... Para a União Européia, por exemplo, as “revoluções coloridas” em países como a Geórgia e a Ucrânia significam também sua segurança econômica através de rotas de gás natural que lhes fornecem alternativa energética. A questão subjacente a boa estratégia de pressionar o Irã e forças insurgentes no Afeganistão é o que fazer com os sistemas políticos da periferia russa. Ignorar estes processos democráticos permitindo o avanço autoritário poderá significar uma fatura muito cara a ser paga num futuro não tão distante.Give us your thoughts on this report | Read comments on other reports |

Algumas guerras têm conseqüências apenas locais ou regionais, outras têm conseqüências globais, mas por um curto período. Não dá para buscar equivalência entre, p.ex., a Crise de Suez (1956) e a II GM. Este caso é um óbvio exemplo que mudou praticamente tudo que veio depois. Algumas guerras, no entanto, parecem ser episódios isolados e regionalmente autônomos, como foi o caso da Península Coreana para depois se compreender como estava ligada a um contexto mais abrangente da Guerra Fria.
A questão que eu proponho discutir e estará mentindo quem disser que tem a resposta, é se o Iraque tem a ver com a Guerra da Coréia no sentido de que não foi uma guerra que se encerrou em si mesmo, mas uma campanha contra o Islã radical,. Esta é minha visão, mas isto só poderá ser vislumbrado no futuro, evidentemente.
Os objetivos gerais dos EUA (para quem não leva em consideração o que chefes de estado dizem, mas o que fazem) seriam:
Pouco importa se Saddam não tinha as ADMs alegadas por GWB, mesmo porque já utilizara químicas e bacteriológicas contra os curdos, mas o Irã era o alvo verdadeiro, bem como a insuflação waabita na Arábia Saudita. A dependência regional como base de apoio da península arábica também fragilizava e deixava a ação americana com poucas opções. Só assim podemos entender outros movimentos regionais, em aparente desassociação, como foi o caso recente do Cáucaso envolvendo Geórgia, Ossétia do Sul e Rússia... A Geórgia queria um oleoduto passando por seu território (nacional), ao que os ossetas (russos) insuflados por Moscou bradavam por autonomia. Na verdade, este duto seria alternativa energética para a Europa aumentando a oferta e reduzindo a dependência de combustíveis russos a partir do Cáspio. A desculpa era a autonomia das regiões russófilas dentro da Geórgia, enquanto que o monopólio russo estava em jogo.
E a OTAN? Na região seria moeda de troca, pois não há como investir numa infra-estrutura tão cara sem defendê-la e a organização tinha mais legitimidade que qualquer ação individual. Ou era isto ou se ficaria a mercê de qualquer um com um lança-foguetes. Claro que se trata de uma ameaça aos russos, mas esta é uma ação decorrente da disputa energética pela quebra do monopólio de petróleo e gás e não uma ‘resposta’, como muitos querem, a autonomia do Kosovo.
Os russos deram seu recado, mas o fato é que a OTAN deslocou suas frotas ao Mar Negro cercando o Oriente Médio de norte a sul, pois já está situada no Golfo Pérsico. No oeste temos Israel e Turquia, o que falta é algo estável a leste...
Quem perdeu? A Geórgia. Quem ganhou? Moscou e Washington elevando a disputa para outro nível ou, se preferirem, área.

1. Por Chaman, no sudoeste, na região de Kandahar;
2. Por Torkham, no noroeste, na passagem de Khyber.
deverão exigir algo para garantir sua segurança regional. Após a invasão da Geórgia, a Rússia já insinuou, sutilmente, mas insinuou sobre a viabilidade das rotas utilizadas pela Otan em direção ao Afeganistão. E os governos uzbeque e turcomeno ainda são muito ligados a Moscou e, igualmente receosos da interferência americana na região. Uma alternativa pouco provável seria traçar um acordo com o Irã, rival do Talebã, mas nem tanto ao ponto de favorecer os interesses de Washington no Afeganistão.
blindados e infantaria motorizada russas apoiadas pela força aérea invadiram o território georgiano na Ossétia do Sul. Informalmente, esta região se alinhou a Rússia que operou para anular sua incorporação à Geórgia. Dada a velocidade da operação que, em questão de poucas horas, levou a reação russa, está claro que os russos já sabiam das intenções de Tbilisi. O contra-ataque, cuidadosamente planejado que forçou a retirada georgiana levou apenas dois dias. No domingo, dia 10, os russos já logravam consolidar sua posição de ocupação na Ossétia do Sul (veja o mapa ao lado). No dia seguinte, os russos atacaram forças georgianas como se fossem dois machados. Um deles em direção a cidade georgiana de Gori ao sul, o outro em direção a Abkhazia, região separatista da Geórgia alinhada com os russos. O objetivo foi cortar a ligação da capital georgiana, Tbilisi com os portos do país. A partir daí, os russos bombardearam as bases aéreas de Marneuli e Vaziani. Seu posicionamento, a cerca de 60 quilômetros da capital georgiana tornou, praticamente impossível seu reabastecimento de Tbilisi.
pois negavam à Abkhazia e Ossétia do Sul, o mesmo que defenderam para o Kosovo. Por razões políticas internas a Rússia, o fato era importantíssimo. Se para o ministro Putin, a queda da URSS fora um desastre, isto não significava que quisesse retomá-la nos mesmos moldes de antigamente, mas que a segurança nacional estava, a partir de então, em uma rota perigosamente descendente. Uma rota de insegurança patrocinada pelo Ocidente. Urgia, para ele, retomar a influência russa nos territórios da extinta União Soviética.1) Reconstruir o exército russo e restabelecer seu crédito como força de peso regional.
2) Anular a influência da Otan no contexto regional da periferia russa.
1) Os russos apóiam os americanos (por enquanto...) em regiões críticas como o Afeganistão e Irã (próximos de suas fronteiras).
2) Os europeus dependem de seu fornecimento de gás e padecem com o déficit de forças expedicionárias.
no oleoduto forçou o envio de petróleo ao Irã, comprometendo a intenção americana de isolar Teerã. Se o conflito começou por causa do Kosovo e chegou ao Cáucaso, agora ele se estende claramente ao Golfo Pérsico.Parece que os Estados Unidos se enganaram redondamente quando imaginaram ter alguma espécie de privilégio de superpotência em sua partida contra a Rússia[1]
O mundo testemunhou nesta semana uma miniguerra no Cáucaso, e a retórica tem sido intensa, embora em grande medida irrelevante. A geopolítica é uma série de gigantescas partidas de xadrez disputadas entre dois jogadores, nas quais estes buscam posições de vantagem. Nessas partidas, é crucial conhecer as regras vigentes que regem os lances. Os cavalos não podem andar na diagonal. Entre 1945 e 1989, a partida principal de xadrez era disputada entre os Estados Unidos e a União Soviética. Ela se chamava a Guerra Fria, e as regras básicas do jogo eram conhecidas metaforicamente como "Yalta". A regra mais importante dizia respeito a uma linha que dividia a Europa em duas zonas de influência. Essa linha foi chamada por Winston Churchill de "Cortina de Ferro" e se estendia de Stettin a Trieste. A regra dizia que, não importasse quanta turbulência fosse instigada na Europa pelos peões, não haveria guerra de fato entre os Estados Unidos e a União Soviética. Ao final de cada instância de turbulência, as peças voltariam a suas posições originais. Essa regra foi respeitada cuidadosamente até a queda dos comunismos, em 1989, marcada mais notadamente pela destruição do Muro de Berlim. É inteiramente verdade, como todos observaram na época, que as regras de Yalta foram anuladas em 1989 e que a partida disputada entre os Estados Unidos e (desde 1991) a Rússia mudou de maneira radical. O maior problema desde então é que os Estados Unidos não compreenderam direito as novas regras do jogo. Eles se proclamaram, e foram proclamados por muitos outros, a única superpotência mundial. Em termos de regras de xadrez, isso foi interpretado como significando que os Estados Unidos tinham liberdade para movimentar-se pelo tabuleiro de xadrez como bem entendessem e, especialmente, para transferir antigos peões soviéticos para sua esfera de influência. Sob Clinton, e mais notadamente ainda sob George W. Bush, os Estados Unidos passaram a jogar a partida dessa maneira. Só havia um problema nisso: os Estados Unidos não eram a única superpotência mundial -nem sequer eram uma superpotência.[2]
Mais jogadores
O fim da Guerra Fria significou que os Estados Unidos foram rebaixados. De uma das duas superpotências, passaram a ser um Estado forte em meio a uma distribuição realmente multilateral do poder real em um sistema inter-Estados. Muitos países grandes passaram a poder disputar suas próprias partidas de xadrez sem precisarem informar as duas antigas superpotências de seus lances. E começaram a fazê-lo. Duas decisões geopolíticas de importância maior foram tomadas nos anos Clinton. Primeiro, os Estados Unidos fizeram pressão grande e mais ou menos bem-sucedida para que os antigos satélites soviéticos ingressassem na Otan [a aliança militar ocidental]. Esses países estavam ansiosos por entrar, apesar de os países-chave da Europa Ocidental -Alemanha e França- relutarem um pouco em seguir esse caminho. Eles viam a manobra dos EUA como tendo o objetivo, em parte, de limitar sua recém-adquirida liberdade de ação geopolítica. A segunda decisão-chave dos Estados Unidos foi tornar-se jogador ativo nos realinhamentos de fronteiras dentro da antiga República Federal da Iugoslávia. Isso culminou na decisão de autorizar a secessão de facto de Kosovo da Sérvia e implementá-la com suas tropas. A Rússia, mesmo sob Boris Ieltsin, ficou bastante insatisfeita com essas duas ações dos Estados Unidos. Mas a desorganização política e econômica da Rússia durante os anos Ieltsin era tão grande que o máximo que ela pôde fazer foi queixar-se, em voz bastante fraca, é mister acrescentar. A chegada ao poder de George W. Bush e Vladimir Putin foi mais ou menos simultânea. Bush decidiu levar a tática da superpotência única (ou seja, os Estados Unidos podem movimentar suas peças da maneira como decidem por conta própria) muito mais longe do que fizera Clinton.[3]Regras próprias
Para começar, em 2001 Bush retirou o país do Tratado de Mísseis Antibalísticos firmado por EUA e União Soviética em 1972. Em seguida, anunciou que os Estados Unidos não ratificariam dois tratados novos assinados durante o governo Clinton: o Tratado de Proibição Total de Testes, de 1996, e as modificações acordadas no tratado de desarmamento nuclear SALT 2. Então Bush anunciou que os Estados Unidos iriam adiante com seu Sistema Nacional de Defesa Antimísseis. E, em 2003, Bush invadiu o Iraque. Como parte dessa iniciativa, os Estados Unidos buscaram e obtiveram o direito de construir bases militares e o direito de sobrevoar repúblicas centro-asiáticas que antes faziam parte da União Soviética. Além disso, os EUA promoveram a construção de dutos para o escoamento do petróleo e gás natural da Ásia Central e do Cáucaso, passando ao largo da Rússia. E, finalmente, os Estados Unidos fecharam um acordo com a Polônia e a República Tcheca para instalar uma defesa antimísseis, ostensivamente para proteção contra mísseis iranianos. A Rússia, porém, viu essas instalações como sendo voltadas contra ela. Putin decidiu reagir com muito mais eficácia que Ieltsin. Sendo um jogador prudente, porém, ele primeiro se movimentou para fortalecer sua base doméstica, restaurando a força da autoridade central e revigorando as Forças Armadas russas. Nesse momento, as marés da economia mundial mudaram, e, de uma hora para outra, a Rússia tornou-se a rica e poderosa controladora não apenas da produção petrolífera, mas também do gás natural tão necessário aos países da Europa Ocidental.[4]Adversário fortalecido
Então Putin começou a agir. Ele criou relacionamentos com a China, selados em tratados. Manteve relações estreitas com o Irã. Começou a expulsar os Estados Unidos de suas bases na Ásia Central. E assumiu uma atitude firme contra a ampliação da Otan para duas zonas-chave: a Ucrânia e a Geórgia. A fragmentação da União Soviética levara ao surgimento de movimentos secessionistas étnicos em muitas antigas repúblicas, incluindo a Geórgia. Quando, em 1990, a Geórgia procurou pôr fim ao status autônomo de suas zonas étnicas não-georgianas, estas imediatamente se declararam Estados independentes. Não foram reconhecidas por nenhum país, mas a Rússia garantiu sua autonomia de fato. Os fatores mais imediatos a incentivar o desencadeamento da miniguerra atual foram dois. Em fevereiro, Kosovo formalmente converteu sua autonomia de fato em independência de direito. Sua iniciativa foi apoiada e reconhecida pelos Estados Unidos e muitos países da Europa ocidental. A Rússia avisou, na época, que a lógica dessa iniciativa se aplicaria igualmente a secessões de fato ocorridas nas antigas repúblicas soviéticas. Na Geórgia, a Rússia imediatamente e pela primeira vez reconheceu a independência de direito da Ossétia do Sul, em resposta direta à de Kosovo. E, na reunião da Otan de abril deste ano, os Estados Unidos propuseram que Geórgia e Ucrânia fossem recebidas num chamado Plano de Ação para Ingresso (na Otan). A Alemanha, a França e o Reino Unido se opuseram, dizendo que isso provocaria a Rússia.[5]Jogada desesperada
O presidente neoliberal e fortemente pró-americano da Geórgia, Mikhail Saakashvili, se desesperou. Ele via a reafirmação da autoridade georgiana na Ossétia do Sul (e também na Abkházia) como perspectiva cada vez mais distante, de maneira permanente. Assim, escolheu um momento de desatenção da Rússia (Putin estava nas Olimpíadas, o presidente Dmitri Medvedev, de férias) para invadir a Ossétia do Sul. As insignificantes forças militares da Ossétia do Sul desabaram completamente, é claro. Saakashvili imaginava que forçaria os Estados Unidos (e também a Alemanha e a França) a sair em seu apoio. Em vez disso, houve uma reação militar russa imediata, superando o pequeno Exército georgiano de forma avassaladora. O que Saakashvili recebeu de George W. Bush foi retórica. Afinal, o que Bush podia fazer? Os Estados Unidos não são uma superpotência. Suas Forças Armadas estão inteiramente tomadas por duas guerras que estão perdendo no Oriente Médio. E, o mais importante de tudo, os Estados Unidos precisam da Rússia muito mais do que a Rússia precisa deles. O chanceler russo, Sergei Lavrov, em artigo no "Financial Times", fez questão de observar que a Rússia é "parceira do Ocidente com relação ao Oriente Médio, Irã e Coréia do Norte". Quanto à Europa ocidental, a Rússia, essencialmente, controla seu suprimento de gás. Não foi por acaso que foi o presidente Nicolas Sarkozy, da França, e não Condoleezza Rice, quem negociou a trégua entre Geórgia e Rússia. A trégua contém duas concessões essenciais da Geórgia. Esta se comprometeu a não mais recorrer à força na Ossétia do Sul. E o acordo não faz referência à integridade territorial georgiana. Assim, a Rússia emergiu muito mais forte que antes. Saakashvili apostou tudo o que tinha e agora esta geopoliticamente falido. E, como nota de rodapé irônica, a Geórgia, uma das últimas aliadas nos EUA na coalizão no Iraque, retirou seus 2.000 soldados desse país. Esses soldados vinham exercendo um papel crucial nas áreas xiitas e agora terão que ser substituídos por soldados dos EUA, que, para isso, terão que ser retirados de outras áreas. Quando se joga xadrez geopolítico, é aconselhável conhecer as regras, para não
ser derrubado pela jogada do rival.[6]
IMMANUEL WALLERSTEIN, pesquisador sênior na Universidade Yale, é autor de "O Declínio do Poder Americano"[7]
Nada a objetar. Mas, cabe lembrar que a lógica de dura retaliação aplicada pela própria Rússia à província separatista da Chechenia não foi respeitada quando a Geórgia fez a mesmíssima coisa em seu território reprimindo os movimentos separatistas na Abkhazia e Ossétia do Sul. Claro que para Wallerstein é conveniente lembrar apenas um dos dados do movimento de seu xadrez geopolítico...
Questões psicológicas, econômicas e políticas motivaram RússiaEntrevista com Marshall Goldman, PhD em estudos da Rússia pela Universidade Harvard, sobre a ofensiva russa na Geórgia.

Um pouco de perspectiva: A guerra maior é uma guerra por recursos energéticos e supremacia. O grupo anglo-americano buscando manter sua supremacia, como sempre, e a Rússia tentando tomá-la.
O novo teatro de guerra é este:
A área circulada com linha tracejada corresponde a regiões de produção e reservas de petróleo e gás. Inclui Irã, Geórgia, Armênia, Chechênia e, claro, a Arábia Saudita. A racionália anglo-americana é "manter o mundo livre". A racionália russa é "construir um mundo multipolar, livre da opressão americana".
A estratégia Russa é construir a Aliança Eurasiana, desde a China até a França. A estratégia americana é isolar a Rússia por meio de um cinturão de países da OTAN em torno da Rússia. A Geórgia faria parte deste cinturão e já aceitou fazer parte da OTAN. A Rússia está se antecipando à estratégia americana e está reagindo.
(Notem também, pelo mapa, a bobagem que é falar em "ameaça iraniana": O Irã está literalmente cercado por aliados americanos: Iraque, Afeganistão, Turquia, Arábia Saudita, etc. Cada aviãozinho daqueles no mapa é uma base aérea americana.)
A Geórgia não apenas faz parte do cinturão de detenção da Rússia, mas é um corredor importante para escoamento da produção de hidrocarbonetos do Azerbaijão, no Mar Cáspio. Planejava-se ali o oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan (BTC), operado por uma companhia britânica.
Aí entra o imprevsível: Mikhail Saakashvili, homem totalmente pró-Ocidente, mas impetuoso e intuitivo, eleito presidente da Geórgia em 2003, na chamada Revolução da Rosa. O erro de Saakashvili foi o mesmo de vários entusiastas do Ocidente. Sempre e sempre, deslumbrados, achando que os "valores" do Ocidente são idealistas, românticos, acima de qualquer cálculo político frio e também, mais importante, acima dos próprios interesses das nações ocidentais avançadas.Saakashvili, embalado pelas promessas americanas, pela entrada na OTAN, pelas suas peregrinações a universidades americanas e européias, pelos rapapés e elogios sempre oferecidos pelo Ocidente a seus aliados entusiasmados, achou que estava surfando a onda da História: Por que não invadir a Ossétia e a Abcázia e dar ao russos a lição que eles merecem ?
Certamente, nossos irmãos americanos e a Otan virão em nosso socorro.
Como aconteceu outras vezes, não foram, não. Saakashvili está agora isolado e prestes a ser deposto pelos russos, provavelmente morto. O Ocidente não virá em seu socorro. O Ocidente não entrará em uma guerra contra a Rússia pela Geórgia. Os "valores Ocidentais" são para os românticos como Saakashvili, não para os veteranos do jogo.
Uma bela demonstração deste drama, ao vivo, pelo Youtube, tempos modernos, Saakashvili, pede em vão pela ajuda do Ocidente, em nome dos valores, da liberdade, do empreendedorismo.
E recebe apenas uma resposta fria do repórter, que foi previamente informado pelos chefes: "Mas não foi você quem começou tudo ?". Cruel...
http://br.youtube.com/watch?v=Ai2yeTB1xIQ&feature=related
E assim morrem os românticos...
...
O "romantismo" ficou por conta do comentarista acima, como se tratasse disso... Evidentemente que não é o caso, mas que essa história está mal contada e desviada de foco para, de modo nada original, culpar os americanos em uma situação que não têm qualquer participação direta.
A questão não é o interesse em si na área produtora de petróleo “pelo grupo anglo-americano”, mas como este, efetivamente, se processa. Ao que eu saiba, não há imposição do “grupo anglo-americano” à Geórgia para que sirva de canal de escoamento dos hidrocarbonetos do Cáspio.
Apenas mostrar a disposição destas forças “anglo-americanas” (como se não houvesse a disposição das forças em contrário...) serve como subsídio parcial de análise, mas não como veredicto. Ou se é um ingênuo socialista ao pensar que tais recursos não têm que ser comercializados como qualquer commodity que é ou se é um ingênuo liberal que acha que os mesmos não têm que ser protegidos por forças armadas de países que os detêm ou que querem, simplesmente, comprá-los.
Assim, a “reação russa” é de que forma? Utilizando o pretexto do embate étnico, os russos buscam assegurar seu monopólio no fornecimento de combustíveis à Europa ao pressionar pela obstrução da rota alternativa de petróleo. Isto não é uma reação, qualitativamente, equivalente, mas justamente uma inversão do jogo comercial ora em curso. Se os russos quisessem mesmo manter sua primazia de acordo com as regras comerciais deveriam baratear seu produto. Coisa que, historicamente, são completamente avessos.
Não faço coro com os que acreditam numa aliança incondicional entre Moscou e Teerã, mas se a “ameaça iraniana” não se configura como realidade é, justamente, porque o país está cercado por bases americanas. E a justificativa para tanto existe devido ao currículo histórico dos aiatolás, como quando Khomeini mandou obstruir o Estreito de Ormuz em 1979 com minas submarinas e triplicando o preço do barril de petróleo. A lógica de um país basicamente mono-exportador é esta: a simples redução da oferta. Se há aqueles que discordam, a redução da oferta também pode se dar compulsoriamente, com um "bônus" de 1.400 mortes num só dia.
Mas, se esperar que a mídia brasileira adjetive a campanha russa de "imperialista" (tal qual faz com os americanos no Iraque...) é melhor sentar.
Também dizer que o presidente da Geórgia, Saakashvili “surfou na onda da história” ao invadir a Abkházia e a Ossétia do Sul que fazem parte do território georgiano, como se isto tivesse algo a ver com "liberalismo" e, supostamente, atendesse aos interesses americanos, é contar a história pela metade. É não considerar que houve influência e apoio russa nestes territórios, bem como infiltração de massa de manobra russa com outros povos.
Acho tão legítima a discussão sobre a autodeterminação destes povos (abkhazes o ossetas) quanto o princípio de autonomia econômica georgiano sobre como e para quem escoar o petróleo do Cáspio.
Só para nos refrescar a memória, quem definiu os rumos da secessão chechena se não os russos? Alguém teve moral para divergir disto dentro do quadro das nações?
Se for lícito dizermos que toda secessão é legítima dentro do princípio de autodeterminação dos povos, alguém ainda apóia o separatismo gaúcho? No dos outros é refresco, mas no nosso é pimenta...
Dizer que são “interesses de estado” é chover no molhado. A questão é como eles são geridos. Se Putin lembrou a necessidade da China considerar a questão do Tibet eu pergunto se isto se funda em bases verdadeiras ou só pela criação de mais um estado-tampão do qual a Rússia poderia estabelecer laços e influência? Ou se acredita que só americanos agem de acordo com seus interesses?
Óbvio que surgirão, mais e mais daqueles que darão um jeito de inverter totalmente a questão encontrando alguma "culpa anglo-americana". Se fosse doença seria sintomático como transtorno mental. Como não é, se trata de simples burrice.
No episódio em curso na Ossétia do Sul está a prova. Em uma demonstração de habilidade do ataque aéreo, as forças russas se fixaram no ponto estratégico do túnel de Roki que conecta a região à vizinha russa Ossétia do Norte. Em menos de 12 horas, quando as forças georgianas ensaiaram uma reação, uma coluna de blindados e artilharia russa surgiu no lado sul do túnel em direção à capital, Tskhinvali. Os veículos contavam com logística apropriada para sua manutenção com unidades do 58º exército e a 19ª divisão motorizada nos subúrbios da cidade. Prontos para uma guerra urbana de longa duração. A coordenação das forças terrestres com o poder de fogo dos helicópteros Mi-24 na retaguarda sustentou o bombardeio noite adentro. Os russos removeram os recursos georgianos baseados no porto de Poti onde se localizava sua marinha e a base aérea de Marneuli. Os combatentes georgianos de Su-25, que poderiam ter alguma reação foram eliminados do jogo. Na água, a frota russa do Mar Negro integrada pela Moskva de 11.000 toneladas obstruiu a possibilidade de qualquer apoio. Um cerco definitivo.
No mapa ao lado figuram duas regiões separatistas da Geórgia. A Abkhazia, onde os russos financiaram guerrilheiros chechenos como 'pacificadores' e a Ossétia do Sul, enclave russo desde os tempos de (sempre ele...) Stálin.
um governo cita um número destes é porque, provavelmente, tem mais... Suas táticas incluem câmaras de tortura subterrâneas onde famílias inteiras são alocadas.