Tuesday, October 08, 2013
A importância estratégica do Azerbaidjão
Friday, April 19, 2013
Sunday, November 21, 2010
Novos amigos, novas traições
Novos amigos e novas traições[i]
Sem dúvida que o apoio russo às medidas mais duras contra o governo iraniano é um bom sinal dessa nova aliança, cuja integração à OTAN parece selar e, que a vitória Republicana nas últimas eleições sobre os Democratas parece ameaçar através da revisão do acordo de desarmamento (START) entre as duas potências. Apesar disto, esta vitória do governo Obama em se aliar ao Kremlin não deveria ser menosprezada. O próprio “guarda-chuvas da OTAN” na Europa Oriental, Polônia e República Tcheca elaborado no governo Bush foi redesenhado contra o Irã, inclusive com navios de guerra americanos estacionados no Mediterrâneo. Obviamente, as recentes insinuações ocidentais de apoio à Geórgia ou à Ucrânia serão deixadas de lado por tempo indeterminado, o que também significa suas possibilidades de autonomia e avanço democráticos.
Se por um lado esta perspectiva de deixar as ambições russas de lado e focalizar inimigos mais imediatos como o Irã se consolidam, nuvens negras se formam no horizonte sobre a China e a Índia, outros rivais regionais asiáticos que poderão colocar em cheque a solidez da aliança americana e russa dentro da OTAN se reagirem contra um novo expansionismo russo. No entanto, a história nos mostra que alianças entre estados democráticos e autocráticos não têm tido sucesso prolongado... Para a União Européia, por exemplo, as “revoluções coloridas” em países como a Geórgia e a Ucrânia significam também sua segurança econômica através de rotas de gás natural que lhes fornecem alternativa energética. A questão subjacente a boa estratégia de pressionar o Irã e forças insurgentes no Afeganistão é o que fazer com os sistemas políticos da periferia russa. Ignorar estes processos democráticos permitindo o avanço autoritário poderá significar uma fatura muito cara a ser paga num futuro não tão distante.Wednesday, August 04, 2010
Rússia trai Irã
“O governo iraniano afirmou nesta quarta-feira ter comprado quatro mísseis antiaéreos S-300, apesar da recusa da Rússia em honrar o contrato de venda dos armamentos já acordado com Teerã após a aprovação de sanções pelo Conselho de Segurança da ONU que impedem este tipo de transação.
“O país recebeu dois mísseis S-300 de Belarus e outros dois de um outro país ainda não identificado. Um porta-voz do Exército de Belarus negou a entrega de mísseis à república nazista islâmica. ‘Ainda não houve conversas com o Irã sobre a entrega de tais sistemas de defesa antiaérea, e consequentemente não houve entregas ao Irã, nem destes equipamentos nem de partes dele’, informou Vladimir Lavrenyuk. O sistema de defesa antiaérea S-300 tem capacidade de derrubar aeronaves, mísseis de cruzeiro e ogivas de mísseis balísticos em um raio de 144 quilômetros em altitudes de até 27 mil metros. O presidente de Belarus, Alexander Lukashenko, tem laços próximos com Teerã e o ditador nazista islâmico Mahmoud Ahmadinejad o classificou como um de seus melhores amigos.”
Em Irã obteve quatro mísseis antiaéreos S-300
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Sunday, June 20, 2010
Desespero
Tuesday, January 19, 2010
Burguesias nacionais e imediatismo
Todo mundo sabe que o nazi-fascismo é a última esperança do capitalismo em bloquear o comunismo. Dizer que o comunismo e o nazi-fascismo são similares é o mesmo que dizer que Fulgêncio Batista e Fidel Castro são iguais.
Então me explique por que as burguesias nacionais aliam-se ao fascismo?
Thursday, December 03, 2009
Um tiro pela culatra
Em rápida sequência, passaram pelo Brasil os presidentes de Israel, Shimon Peres, da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, e do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Os três parecem acreditar que o governo brasileiro pode ter alguma influência sobre os impasses do Oriente Médio, depois de frustradas as expectativas de uma iniciativa relevante de Washington.
Lula recebeu bem a todos, reafirmou o direito do Irã a um programa nuclear pacífico, de Israel à paz dentro de suas fronteiras e da Palestina à independência. Prometeu retribuir as três visitas e convidou gregos e troianos das margens do Jordão a unirem forças contra a seleção canarinho em um inédito combinado. O treinador, se conseguir levar a proposta, merecerá o Nobel da Paz mais que o presidente dos EUA.
A recepção a Ahmadinejad pode ter sido uma “cotovelada” em Barack Obama e ter contribuído para minar o esforço do Ocidente para isolar o regime iraniano, como disse o New York Times. Mais discutível é se, como insistiu esse jornal e outros dos EUA e da Europa, tenha enfraquecido a projeção internacional do Brasil ao “macular” sua imagem e mostrar que “ainda não pode ser levado a sério como um personagem no cenário internacional”, como quis um deputado de Washington.
Horas antes da chegada do iraniano, Obama enviou um aparentemente inábil fax de duas páginas e meia a Lula cobrando sua posição quanto a direitos humanos e ao programa nuclear Irã e justificando as atitudes dos EUA em Honduras, OMC e Copenhague. O teor exato não foi revelado, mas caiu mal no Planalto. O assessor Marco Aurélio Garcia disse entender que o presidente dos EUA enfrenta dificuldades internas, mas ainda assim é uma decepção e foi lamentável sua atitude de legitimar o golpe em Honduras. No dia seguinte, o chanceler Celso Amorim jogou água na fervura: “Eles estão no Norte e nós no Sul. Vemos as coisas de maneira diferente, mas não há razões para tensão”.
Lula e a diplomacia brasileira ganharam importância não por acatar as opiniões das potências ocidentais, mas por conduzir uma política independente, respaldada em um arco de alianças mais amplo que o (cada vez mais relativizável) “Ocidente Desenvolvido” e por uma economia que reduziu sua dependência da boa vontade dos países ricos e de suas agências. Como apontou a revista Time, é natural para Lula defender o direito do Irã à mesma tecnologia nuclear que o Brasil possui e usa, e “isso o põe em alguma parte entre os dois lados – justo onde um mediador gosta de estar”.
(...)
Em terra de cegos, 03/12/2009 12:00:56 - Antonio Luiz Monteiro Coelho da Costa
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Tuesday, September 29, 2009
Guerras regionais e outras não tão regionais

Algumas guerras têm conseqüências apenas locais ou regionais, outras têm conseqüências globais, mas por um curto período. Não dá para buscar equivalência entre, p.ex., a Crise de Suez (1956) e a II GM. Este caso é um óbvio exemplo que mudou praticamente tudo que veio depois. Algumas guerras, no entanto, parecem ser episódios isolados e regionalmente autônomos, como foi o caso da Península Coreana para depois se compreender como estava ligada a um contexto mais abrangente da Guerra Fria.
A questão que eu proponho discutir e estará mentindo quem disser que tem a resposta, é se o Iraque tem a ver com a Guerra da Coréia no sentido de que não foi uma guerra que se encerrou em si mesmo, mas uma campanha contra o Islã radical,. Esta é minha visão, mas isto só poderá ser vislumbrado no futuro, evidentemente.
Os objetivos gerais dos EUA (para quem não leva em consideração o que chefes de estado dizem, mas o que fazem) seriam:
- Mudar a percepção regional através de uma vitória decisiva;
- Eliminar a possibilidade de construção ou utilização de ADMs;
- Usar o Iraque como centro de operações para a região (sua localização é bem privilegiada).
Pouco importa se Saddam não tinha as ADMs alegadas por GWB, mesmo porque já utilizara químicas e bacteriológicas contra os curdos, mas o Irã era o alvo verdadeiro, bem como a insuflação waabita na Arábia Saudita. A dependência regional como base de apoio da península arábica também fragilizava e deixava a ação americana com poucas opções. Só assim podemos entender outros movimentos regionais, em aparente desassociação, como foi o caso recente do Cáucaso envolvendo Geórgia, Ossétia do Sul e Rússia... A Geórgia queria um oleoduto passando por seu território (nacional), ao que os ossetas (russos) insuflados por Moscou bradavam por autonomia. Na verdade, este duto seria alternativa energética para a Europa aumentando a oferta e reduzindo a dependência de combustíveis russos a partir do Cáspio. A desculpa era a autonomia das regiões russófilas dentro da Geórgia, enquanto que o monopólio russo estava em jogo.
E a OTAN? Na região seria moeda de troca, pois não há como investir numa infra-estrutura tão cara sem defendê-la e a organização tinha mais legitimidade que qualquer ação individual. Ou era isto ou se ficaria a mercê de qualquer um com um lança-foguetes. Claro que se trata de uma ameaça aos russos, mas esta é uma ação decorrente da disputa energética pela quebra do monopólio de petróleo e gás e não uma ‘resposta’, como muitos querem, a autonomia do Kosovo.
Os russos deram seu recado, mas o fato é que a OTAN deslocou suas frotas ao Mar Negro cercando o Oriente Médio de norte a sul, pois já está situada no Golfo Pérsico. No oeste temos Israel e Turquia, o que falta é algo estável a leste...
Quem perdeu? A Geórgia. Quem ganhou? Moscou e Washington elevando a disputa para outro nível ou, se preferirem, área.
Friday, August 07, 2009
Uma História do Irã Moderno
A History of Modern Iran
http://www.meforum.org/2427/a-
The basic left-wing view about Iran is that Mohammad Reza Shah Pahlavi was truly evil while the Islamic Republic is a mixed bag—and the United States bears heavy responsibility for all Iran's problems, including the failure of the recent democratic movement. Abrahamian, a history professor at City University of New York, has produced a history firmly situated in this paradigm, almost to the point of parody.
Consider two issues about the Islamic Republic and Mohammad Reza's rule, issues that are deeply related to the important impact each had on the lives of ordinary Iranians. First is the Iran-Iraq war. Abrahamian devotes less than two pages to the war. He spends more space analyzing the shah's military buildup than on the war itself, in which hundreds of thousands of Iranians died. Long paragraphs deplore the social dislocation caused by the rapid growth of the shah's era, but Abrahamian does not find it worthwhile mentioning the millions of Iranians forced from their homes by the war. He tells the reader nothing about events seared on the souls of Iranians, such as the use of chemical weapons or the "war of the cities" in which millions fled Tehran each night in fear of missiles.
The second issue is the extraordinary economic growth under Mohammad Reza and the economic decline that took place under the Islamic Republic. Even a careful reading of Abrahamian's text fails to show that, from 1960 to 1976, the rate of growth of Iran's national income was among the fastest of any country in the world—faster than the Chinese economy has grown in the last fifteen years, for example. Nor would the reader learn that in the Islamic Republic's first decade, per capita income was cut in half. Instead, Abrahamian treats us to long discussions about the inequality of income distribution under Mohammad Reza. Evidently sharing poverty is, to Abrahamian, more worthy than creating wealth. And he goes on to praise the Islamic Republic for accomplishments that were well short of what Iran achieved under the shah, such as the increase in rural life expectancy, which has risen under the Islamic Republic but at a slower rate than during the shah's reign.
These two examples are hardly exhaustive. Whether about human rights issues, repression, cultural accomplishments, or foreign policy, Abrahamian's account is exhaustive on the shortcomings of Mohammad Reza's period and cursory on problems of the Islamic Republic while he is similarly brief about the shah's accomplishments and detailed about those of the Islamic Republic. In a similar vein, the 1926-41 rule of Reza Shah is painted in dark tones while what Abrahamian calls "the nationalist interregnum" of 1941-53 is described with starry eyes. And Abrahamian rarely misses an opportunity to cast U.S. policy in the most negative light possible, often ascribing to it an influence well in excess of what it actually exerted.
Abrahamian has an extraordinary command of the details of Iranian history, and he is a good writer. All of which serves to throw into sharper relief the anti-shah agenda and the soft-peddling of the problems of the Islamic Republic.
Sunday, July 19, 2009
Irã: Rafsanjani vs. Ahmadinejad

Friday, July 17, 2009
Rússia, Irã
Mudaram o cântico
Iran: Friday Prayers and Anti-Russian Slogans
…
Bulava mas não pulava
Míssil balístico russo falha
Russia’s newest submarine-launched ballistic missile, the Bulava, failed during a scheduled test launch on July 15, the Russian Defense Ministry announced July 16. This is the seventh failure out of 11 Bulava tests dating back to 2005 and raises questions about both the status of the Russian defense industry and the long-term future of the Russian nuclear deterrent.
Em Russia: The Bulava Struggle Continues
Monday, July 06, 2009
Obama vai à Rússia

Obama tem que provar aos russos que não é nenhum Kennedy[1]. De certa forma, esta viagem contém uma cilada: se Obama se mostrar fraco, ele poderá perder sua influência na Europa, particularmente com a Alemanha; se ele se mostrar forte, os russos o acusarão de agressividade ao levar ambos os países a uma nova Guerra Fria.
Um dos tópicos delicados é a presença de mísseis balísticos em solo polonês. Para Moscou, eles configuram uma clara ameaça, ao passo que para a OTAN, eles visam à segurança regional contra as ameaças iranianas. No entanto, o problema persiste sob a óptica russa não porque estejam apontados para Teerã, mas porque estão na Polônia. Isto é suficiente para acirrar a competição entre as potências pela hegemonia regional.
O que não se pode dizer é que os russos não estejam abrindo as portas para negociação. Recentemente, eles permitiram que os EUA venham transportar armas por seu território com destino às tropas no Afeganistão. Embora, os EUA não sejam dependentes desta passagem e nem querem ficar dependentes de rotas que seriam facilmente fechadas, há três temas importantes que suplantam o valor desta oferta:
1) As relações dos EUA com membros da antiga URSS (p.ex., a Geórgia);
2) O status da Polônia como base para ações dos EUA ou de uma zona neutra;
3) O apoio russo aos EUA em relação ao Irã.
Adaptado de Obama Goes to Moscow.
[1] Assim como Kruschev entendeu o ex-presidente americano e levou a ofensiva que desencadearia a Crise dos Mísseis em Cuba.
Saturday, March 21, 2009
Rússia vende mísseis avançados para o Irã
http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowVideos.action?destaque.idGuidSelect=CB9878B9415C48F18B3AB684E5EFF2FD
TV Estadão 19.3.2009
O jornalista Roberto Godoy, de O Estado de S. Paulo, comenta a venda de mísseis de última geração russos para o Irã, negócio que deve criar ainda mais instabilidade na região do Oriente Médio
Tags: TV Estadao, Mundo, Russia, Ira, Oriente Medio, Ameaca nuclear, guerra
PermaLink
Wednesday, January 28, 2009
Teerã e Washington*
Na proporção direta às bandeiras americanas queimadas em Teerã avançam as negociações com Washington. Assim como o Irã pretende afirmar a influência xiita no Oriente Médio, os EUA têm o Iraque como centro de suas preocupações na manutenção da estabilidade. Uma posição cooperativa mútua se delineia mais claramente. No horizonte das negociações, o Dept. de Estado Americano já tem um aceno de boas-vindas dos aiatolás mais extremistas à administração Obama. Simultaneamente a formação da equipe diplomática, o Irã terá suas eleições presidenciais em junho. Como sinal de confiança acenado por Washington está a redução da atividade militar americana no Iraque, mas não sua eliminação completa.
Só com a contrapartida de redução de apoio iraniano aos xiitas no Iraque isto se tornou possível. Como externalidade positiva nesta geopolítica, os EUA podem focar seus esforços no combate a al-Qaeda e ao Talebã no Afeganistão também. Uma dupla vitória em curso e a perda de um aliado para os jihadistas. De sua parte, os EUA terão reduzidas suas operações na fronteira com o Irã. O Pentágono já faz planos para redução dos efetivos no Iraque e previsão de retirada para o fim de 2010 – um ano antes do estipulado pelos EUA. Segundo o General David Petraeus, governador geral iraquiano, o Afeganistão é o ponto central do acordo com o Irã e a mudança da política do Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) que permite a livre passagem da al-Qaeda e dos talebãs pelo território nacional.
Outro teste para os EUA reside na cooperação ao e-Khalq Mujahideen (MeK), grupo marxista que atua com cerca de 3.000 membros baseados em Ashraf, na província de Diyala no Iraque. Teerã teme que os EUA os apoiassem contra sua teocracia e agora querem garantias de que não poderão se reorganizar. Se os EUA de Obama não quiserem um novo escândalo internacional contra os Direitos Humanos não poderão extraditar os membros do MeK ao Irã ou liberá-los aos iraquianos que, provavelmente, os matariam após torturá-los. A alternativa óbvia será encontrar asilo político na União Européia, o refugo de foras-da-lei que já os retirou da lista de organizações terroristas internacionais. Mas, úteis eles são. São coringas nas mãos da U.E. e dos EUA contra Teerã que quer sua eliminação política (sic) em troca da traição a al-Qaeda e ao Talebã.
Nem os árabes nem Israel poderão ver o Irã como eliminado do jogo, mas um entendimento deste com os EUA parece ter saído da mera retórica. Nada como uma boa troca de ameaças.
Wednesday, November 19, 2008
Avanço das negociações entre EUA e Irã beneficia Israel

Amos Yadlin, major-general israelense disse que não considera um diálogo entre EUA e Irã como negativo porque “diálogo não é apaziguamento”. Como o Irã está bastante fragilizado com a crise internacional, as sanções podem inclusive recrudescer. Não só se percebe uma mudança na postura israelense sobre o tema, como também o avanço nas negociações e intensificação das conversações da administração Bush com o governo iraniano. E a mudança pode ser duradoura se o aceno de Barack Obama se mantiver neste sentido. Do outro lado interessa aos iranianos que as negociações avancem. Não há nada de proveitoso em se tornar outro “estado-pária”, tal como o Iraque no passado recente ou a Coréia do Norte na atualidade. E, por mais paradoxal que possa parecer, não interessa aos israelenses, um conjunto árabe fortalecido. Para evitar isto, o contrapeso iraniano se faz necessário.
Outro sintoma da guinada iraniana é quanto o apoio a Rússia, inicialmente favorável a guerra na Geórgia, mudou pelo temor de que Moscou procurasse ampliar sua influência vendendo armas a Síria. Se isto ainda não significa uma posição eqüidistante entre Moscou e Washington, ao menos representa uma postura bem mais pragmática e centrada em objetivos que traduzem a necessidade de estabilidade regional.
Thursday, October 02, 2008
Irã - 1
Há uma crescente tendência entre os analistas políticos em atribuir as dificuldades diplomáticas com o Irã a grupos específicos em Teerã. Por exemplo, as expedições militares iranianas ao
Iraque não traduziriam o governo iraniano como um todo, mas a ação encampada de um núcleo de força dentro do governo. Quando 15 marinheiros britânicos foram capturados em área livre entre Irã e Iraque, pelo Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), a responsabilidade pelo ato foi sugerida mais como sendo de comandantes que atuavam independentes do que ao próprio governo. Portanto, torna-se fundamental discernir com exatidão de onde partem os ataques, sob o risco de se não o fizer, a diplomacia americana estar contribuindo para aquilo que querem seus verdadeiros adversários: insuflar a oposição internacional ao governo americano definindo-o como intransigente e refratário ao diálogo. Infelizmente, isto parece não estar sendo feito atualmente pelo corpo diplomático americano, que tem tratado reformistas islâmicos e parias revolucionários como se fossem de um mesmo grupo.Desde a morte de Ruhollah Khomeini em 1989, o aiatolá que liderou a Revolução Islâmica em 1979, os chefes de estado e oficiais ocidentais frequentemente procuraram assediar o presidente da república iraniana. Da mesma forma, a explicação para alguma ação mais agressiva por parte do estado, geralmente, era atribuída a ele. Isto é perturbador quando se pensa na defesa das reformas de mercado por Ali Akbar Hashemi Rafsanjani, ou a chamada de Mohammad Khatami para um “diálogo das civilizações,” ou a negação do holocausto de Mahmoud Ahmadinejad. Colocar todos “no mesmo saco” é um rotundo equívoco. Por outro lado, se os presidentes iranianos têm percepções e métodos distintos sobre a sociedade global, eles ainda permanecem submissos ao Conselho dos Guardiões e o Conselho de Discernimento de Expediente. São fundações com gênese revolucionária que juntas podem controlar mais da metade do estado iraniano escapando ao poder executivo. E sua magistratura também é um poder de grande influência para além do sistema jurídico.
Sobre todos estes núcleos, o “líder supremo” (rahbar) detém o controle final. Khomeini era o perfeito líder supremo que, após sua morte foi substituído pelo aiatolá Ali Khamenei. O artigo 107 da república islâmica de 1979 o diz: “Deve exercer a administração e todas as responsabilidades que decorrem dela”. O artigo 110 define tal líder como “comandante supremo das forças armadas”, com poder ainda para empossar e depor o chefe do estado maior e comandante-em-chefe do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.
Além disto, o líder supremo forma o Conselho de Defesa Nacional apontando os comandantes supremos do exército, da marinha, e da força aérea. Igualmente indica quem serão os cabeças da magistratura, o presidente da rádio e da televisão estatais, o editor do diário de Kayhan, executivos para vigiar editores dos jornais independentes do país e da oração de sexta-feira na qual atuam os representantes provinciais ou municipais. Extra-oficialmente, os inúmeros grupos de vigilantes igualmente permitem ao líder supremo e seus seguidores reforçar os parâmetros constitucionais de disciplina doméstica.
No dia a dia, o líder supremo exerce o controle através de um sistema de representantes. Pouco se sabe sobre seu modus operandi, mas existem, provavelmente, pelo menos 2.000 comissários que permeiam cada ramo de poder burocrático iraniano, algumas embaixadas iranianas e centros culturais fora das fronteiras da república islâmica. A rede de Ali Khamenei supremo da aiatolá permite que se controle a estrutura e a trajetória da política do estado sem dominar por completo cada “alavanca do poder”. Antes que qualquer problema político surja, a rede de Khamenei já o adverte muito antes que a notícia alcance a hierarquia formal do poder. Khamenei pode, contudo, manter o controle através de diversas proibições.
Se a vontade de Khamenei é suprema, o IRGC é seu protetor pretoriano. Emerge como contraponto privilegiado ao exército iraniano. Diferentemente do Paquistão ou Turquia, estados islâmicos onde as forças armadas detêm significativa presença política, o Irã disciplina estas em contato com seu clero. Herança da desconfiança de Khomeini... No século XX, o exército iraniano foi subordinado à figura do xá atuando na defesa do estado. Especialmente, após o golpe contra Mohammad Musaddiq, o xá se tornou bastante dependente das forças armadas para manter a disciplina e ordem social. Como todo “bom estado terceiro-mundista”, a época da monarquia, colocar membros do clã em postos chaves patrocinou a compra de lealdade de altos oficiais. No entanto, os níveis inferiores da hierarquia não sentiram a mesma disposição, o que contribuiu para engrossar as fileiras de ressentidos da Revolução Islâmica. Khomeini compreendeu com exatidão que muitos oficiais aderiram à revolução num instinto de auto-preservação. Posteriormente, o aiatolá removeu o alto oficialato que era leal ao monarca protegendo os revolucionários como guardiões da nova teocracia, como um contrapeso ao exército.
O IRGC aderiu aos pressupostos e objetivos da Revolução Islâmica no controle do regime que se impôs. Mohsen Rezai foi alçado ministro e continuou seu comando após Khomeini formar o IRGC como uma entidade completamente separada. Durante toda sua existência, o IRGC teve uma notável e estável liderança. Rezai ajudou a estabilizar o país após a morte de Khomeini e assegurou uma tranqüila transição ao comando de Khamenei. Somente em 9 de setembro de 1997, o líder supremo tirou Rezai do comando e, mesmo assim, de maneira a fornecer a estabilidade institucional. O deputado de Rezai, Yahya Rahim Safavi o substitui como novo comandante-chefe do IRGC. Safavi, por sua vez, comandou o IRGC por cerca de uma década até 1º de setembro de 2007, quando Khamenei o substituiu por Mohammad Ali Ja'fari, o antigo Diretor de Estudos Estratégicos do IRGC. E não o fez como sinal de desonra para transição da liderança do chefe aposentado... Hoje, Rezai é secretário do Conselho de Discernimento de Expediente, enquanto Safavi serve nas forças armadas e, como Conselheiro de Segurança no escritório do líder supremo.
As estruturas do poder no Irã são paralelas à república e, frequentemente, deixam confusos os analistas ocidentais.
(...)
* Tradução parcial e adaptada de Iran's Revolutionary Guards - A Rogue Outfit? by Michael Rubin. Middle East Quarterly. Fall 2008, pp. 37-48.
Saturday, July 19, 2008
Comprando o Irã
"Os membros do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido) e a Alemanha apresentaram uma proposta de cooperação econômica e política para que o Irã aceitasse encerrar o seu programa nuclear. Segundo a BBC, o pacote inclui uma série de medidas para ajudar o Irã a desenvolver um programa nuclear civil."
Saturday, June 21, 2008
Bote ou blefe?
Instalação nuclear iraniana de Natanz.Um país que esteja planejando um ataque de verdade, não o fará assim... Tão publicamente. Estes exercícios e os relatórios subseqüentes estão projetados para amedrontar os iranianos. Teerã sabe que estas são operações psicológicas.
Friday, June 20, 2008
Conexão Caracas-Teerã
“A guerra de guerrilhas já é parte da história”, “a guerrilha está fora de lugar”, “e os senhores das Farc devem saber uma coisa: que se converteram em uma desculpa do império (os Estados Unidos) para ameaçar a todos nós”, disse o caudilho Hugo Chávez recentemente. “No dia em que houver paz na Colômbia acabou a desculpa do império...” ainda asseverou.
Não é de estranhar esta mudança repentina na retórica do presidente venezuelano?
Um detalhe importante escapou nas declarações: ao comentar sobre o atual presidente americano, George W. Bush disse que “ficará ainda mais perigoso”.
Nada é de graça.
Em 17 de junho passado, o Departamento do Tesouro americano acusou Ghazi Nasr al-Din, um diplomata venezuelano e presidente de um centro islâmico xiita baseado em Caracas, de fornecer ajuda econômica ao Hezbollah. Outra acusação feita pelos EUA recai sobre duas agências de viagem venezuelanas sob controle de Fawzi Kanan e outros dois venezuelanos.
As acusações sobre as ligações Chávez-Hezbollah não são novas, mas agora existe seu aproveitamento em cima do enfraquecimento do caudilho: inflação em alta, desabastecimento de alimentos, queda da popularidade etc. Segundo Patricia Poleo, repórter venezuelana sediada nos EUA, não só o Hezbollah e al-Qaeda, mas outros movimentos árabes têm cinco acampamentos na Venezuela de onde podem lançar ataques contra os EUA.
Este tipo de informação é suficiente para ativar o Dispositivo Automático de Entrada (D.A.E.) que permite o ataque externo com direito à invasão. A corrupção endêmica no país latino-americano alia-se a presença do narcotráfico, fatores suficientes para ameaçar a segurança interna dos EUA. Desde que Chávez assumiu o poder no país, ele tem sido a principal porta de entrada para imigrantes ilegais do Oriente. E a estreita relação de Caracas com Teerã torna esta situação não só possível como bastante provável.
Mas, nem tudo que é prometido pelos governos é viável. O anúncio da criação de um banco comum, por exemplo, não tem passado da mera retórica. Não apenas falta dinheiro a ambos, como tecnologia e, sobretudo, a articulação de mercado para seu lançamento.
Os dois países se resumem as exportações de petróleo, o que indica quão pouco tem a trocar. Exceto, por um passe relaxado da imigração e campos de treinamento na selva venezuelana que interessa aos iranianos. Da parte de Chávez, como existe ainda o risco de alguma oposição das forças armadas ao seu governo, a formação de milícias que ofertariam apoio na hora necessária tem grande importância. Aí reside o interesse maior para Chávez, maior ainda que ameaçar os EUA é deter meios de se manter no poder, caso queiram chutá-lo para fora.
Saturday, June 14, 2008
A paz que vem do subsolo

Se há temor de uma guerra também há o desejo de que a situação favorável do petróleo dure com os US$ 130,00 por barril. Os sauditas sabem que isto não é permanente, só não sabem por quanto tempo ficarão lucrando assim. Se a situação de tensão com o Irã parece insustentável para manter tamanha lucratividade, as tensões têm que ser urgentemente afastadas, nem que seja com uma retórica diplomática religiosa unionista.
O aparente paradoxo dos sauditas reside na manutenção de seu alinhamento defensivo com os EUA ao mesmo tempo em que promovem uma união islâmica. A política saudita parece, portanto, ambígua. Internamente, buscam acalmar os ânimos conservadores antixiitas e contrários ao líder religioso Rafsanjani do Irã e, externamente, apóiam os grupos opositores do Hezbollah. Enquanto o Irã não desafiar os interesses de Riyadh com os lucros do petróleo, o que levaria a acionar o “gatilho yankee”, pode se deixar o país dos aiatolás em “banho-maria”.
Entre os planos de pacificação da região estão o envio de recursos à Síria e ao Líbano. Juntamente, com a Turquia, a Arábia Saudita busca uma estabilidade regional. Os sauditas também encorajam acordos entre israelenses e palestinos – o que pode, indiretamente, favorecer Damasco –, assim como há suspeitas de que estejam exercendo pressão sobre o Hamas. Não há nenhum interesse saudita no desequilíbrio e instabilidade entre Síria e Hezbollah com Israel.
Mas, sua estratégia pacificadora não reside apenas na manutenção de forças estabelecidas: cabe evitar ou eliminar que outras surjam... Os sauditas não querem ver o aumento de poder xiita no Iraque e marginalização dos sunitas no país. Assim como também não é bem vindo, o aumento da hegemonia da al-Qaeda entre os iraquianos. A partir de 2003 com exceção da região curda, o Iraque perdeu muito dinheiro devido à redução da exploração petrolífera e neste ponto é que entra a influencia e apoio saudita. Este súbito interesse pacificador saudita para assegurar a estabilidade regional implica em um reposicionamento em relação à política externa americana, o controle dos seus conservadores religiosos sunitas e uma relação de dissuasão com os xiitas iranianos.
Neste contexto de “diálogo inter-religioso”, cujos interesses por certo não são teológicos, é que tem que se entender a visita do presidente egípcio, Hosni Mubarak a Arábia Saudita na semana que passou. E não é de hoje que o Hamas tem no Sinai uma base de operações logísticas para ataques a Israel... Recentemente, dois egípcios, dois palestinos e um beduíno foram presos por carregarem artefatos militares pelo deserto e, após ser encontrado um esconderijo de mísseis terra-ar no Sinai, Mubarak sinalizou com seu interesse nos acordos de paz entre israelenses e palestinos. Cabe a ele evitar que o radicalismo do Hamas não se estenda ao Egito e permaneça retido na Faixa de Gaza. Com certeza, egípcios e sauditas têm muito a discutir.
Não se trata de um novo alvorecer no Oriente Médio, mas se as negociações de paz através do dialogo inter-religioso não tem suficiente poder, o óleo sim. Se uma paz duradoura e desejável não é possível, ao menos uma maior estabilidade pode durar tanto quanto verter o dinheiro do subsolo.
