Não é bem assim, mas não dá para ignorar esta variável...
Mapping the Glum Inequality of Happiness in the World - John Metcalfe - The Atlantic Cities http://www.theatlanticcities.com/jobs-and-economy/2013/10/mapping-glum-inequality-happiness-world/7075/
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Tuesday, October 01, 2013
Saturday, November 13, 2010
Mudança de ventos
Pequim se diz favorável à entrada de indianos no Conselho de Segurança da ONU; ideia foi apoiada por Obama.
Chineses dizem que é necessário haver uma reforma "razoável e necessária" do principal organismo da entidade.
China faz gesto conciliador para rival Índia. Folha de São Paulo, quarta-feira, 10 de novembro de 2010.
Se a China flerta com a Índia, país com o qual já disputou o controle da Caxemira (inclusive cedendo uma porção territorial ao Paquistão) e acusou a Índia de desestabilizar a região do Tibet ao fornecer asilo político ao dalai é porque, realmente, as coisas mudaram por lá. Provavelmente com vistas ao isolamento de grupos políticos separatistas (na Caxemira) e muçulmanos que talvez tenham ligações com o talebã. Apesar de toda rivalidade alegada entre China e EUA no plano militar por alguns analistas, que chegam a falar em uma "nova guerra fria", o que é verdadeiramente exagero, em termos de segurança global parece haver uma confluência clara entre as grandes potências. Talvez os separatistas uigures no Sinkiang sejam um dos motivadores disto. Pequim deve ter boas razões para temer um recrudescimento de um movimento que possa apelar ao terrorista fundamentalista islâmico em seu oeste.
...
Thursday, October 14, 2010
Boas intenções e privilégios
O Portal AMANHÃ não é apenas o meio digital da Revista AMANHÃ. Trata-se de um canal completo com notícias e opiniões sobre economia, gestão e negócios - com atenção especial ao que acontece na Região Sul do Brasil.
#1 Anselmo Heidrich 2010-10-14 15:05
Se a "legalidade é duvidosa" são outros 500, mas muito me admira a ONU servir de porta-voz aos interesses de elites patrimoniais tradicionais. O que um continente como a África, dentre outros, precisa é, justamente, uma reciclagem de suas elites. O que começa pela terra, já que sua especialidade se dá pelas matérias-primas. Querer transparência nos processos é perfeitamente legítimo, mas não uma desaceleração dos processos de compra e venda por preciosismos de tônica protecionista. Tática esta que diz defender a sociedade, mas pratica privilégios a quem não quer concorrer por recursos escassos.
Tuesday, November 11, 2008
Tuesday, July 08, 2008
Globalismo - 1
Globalismo, o que diabos é isto?*
Dias atrás assistia a um seminário sobre o movimento internacional de ongs destinado a atacar de forma virulenta a soberania nacional, as bases econômicas liberais e nossa tradição cultural e religiosa. Era unânime entre os expositores a acusação de que a ONU é o principal organismo internacional com interesses escusos nesta empreitada de significado histórico. Ao final, no debate, um aluno colocou uma questão que, para mim, resumiu toda a fragilidade da tese globalista, do domínio e hegemonia mundial sob auspícios da ONU. Vou puxar de memória:
Meus professores de cursinho eram todos esquerdistas, principalmente os de geografia e história e, eles diziam a mesma coisa de vocês, só que ao invés de afirmar que havia uma conspiração mundial “de esquerda”, ela era “de direita”.
Quer dizer... Que ao invés de dominar o mundo com ações da ONU, a ONU era submissa aos interesses dos países ricos e suas corporações mundiais. No fundo era o mesmo argumento de vocês, só que com conclusões opostas. Em vez de trazer o socialismo, elas estariam garantindo o capitalismo e monopólio mundial.
Agora, eu fiquei na dúvida, quem é que tem razão?
Estes são dos bons... Sempre gostei de alunos que me desafiavam. Para mim, um round se passara e a próxima aula seria uma demonstração de que eu estaria certo e, para tanto, tinha que me preparar. Mas, lá viria novamente o mesmo insistente e teimoso aluno com novas e novas considerações que me deixariam atônito. Boas aulas contêm dúvidas e motivação para o próximo capítulo. Mesmo quando eu tinha uma resposta ensaiada, sua inconsistência me atormentava durante anos e, lá me via, tempos depois concordando com o querelante.
Agora, eu vou bancar o aluno chato.
Por trás das ações coordenadas em nível mundial e sua declarada agenda de boas intenções, em uma conspiração a portas abertas (!) estaria a ONU e suas várias agências apoiando constelações hierarquicamente descendentes de ongs. Seu objetivo: reduzir a soberania nacional, especialmente dos EUA, na medida inversa em que finca os pilares de um “governo mundial” no coração de territórios outrora separados por nítidas e irretorquíveis fronteiras.
Em tese, isto estaria ocorrendo sem que percebêssemos o real perigo da situação, encantados que estamos pelo canto da sereia de uma sociedade justa e igualitária. Porém, se observarmos como as coisas realmente funcionam, a teoria do “globalismo” mais parece um boneco de palha. Como o globalismo é visto como um processo em pleno curso, outros exercícios de futurologia podem ser aventados para confrontar sua suposta eficácia. Permita-me utilizar do mesmo recurso de seus teóricos, a “arte do chute”...
Cenários possíveis
O Conselho de Segurança (CS) da ONU pode sofrer modificações nos próximos anos. A UE poderá substituir a França e o Reino Unido, caso sua constituição européia venha a ser consolidada. Um outro equilíbrio de forças se avizinha no horizonte histórico com os já garantidos assentos à China, EUA e Rússia. África do Sul, Brasil, Índia e Japão também são candidatos viáveis a membros permanentes do CS.
As alianças militares poderão ser ampliadas, como ocorre atualmente com a Otan rumo ao leste europeu. A Rússia, através de sua Comunidade dos Estados Independentes, CEI (não tão independentes assim) poderá reincorporar a Bielorrússia. Como contrapeso ao tacão russo, as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central (do Cazaquistão ao Afeganistão) procurariam reforçar alguma aliança. Outra interessante aliança que funciona como filial americana neste rimland continental é a do Sudeste Asiático que vai do Paquistão à Oceania, sobretudo, Austrália e Nova Zelândia. Tradicionais aliados americanos para conter a expansão russa ao sul. Esta, na verdade, uma reedição do que já ocorrera na Guerra Fria. Outros problemas às forças ocidentais se formarão com a evolução da Liga Árabe (não “tão árabe”, caso venha abarcar o Irã), o que levaria a concentração dos maiores esforços ocidentais, sobretudo americanos, mais do que os da Otan. E só a manutenção da estabilidade do Iraque e acordos com o Irã já serão suficientes para manter o Pentágono ocupado, seja McCain ou Obama o novo presidente. Uma Otan, por sua vez, já estará suficientemente ocupada com as investidas do “urso russo” na Europa Oriental e suas ameaças de embargo de combustíveis à Europa Ocidental. Ameaças apenas, pois se a Rússia detém o precioso recurso, os ocidentais são clientes indispensáveis. O que, em outras palavras, pode significar um relativo isolamento de Washington. A Organização da Unidade Africana (OUA) continuará uma mera quimera, cujo continente tem sido o maior celeiro de guerras civis no globo. Falar em “globalismo”, no sentido de uma ordem global centralmente conduzida e bem sucedida, neste cenário é coisa para quem abusa da liberdade de imaginação... No continente americano teremos a união indelével entre Canadá e EUA, mas com o “acorde dissonante” do México oscilando entre a atração econômica do norte e seu atrasado sul (Chiapas, p.ex.). Bem como a reserva de mão de obra na fronteira norte, contígua ao sudoeste americano. E a América Central continuará sendo assediada por Washington. A “sala de treino” em stand-by permanece na América do Sul, com um Brasil periclitante nas relações externas, mas com a consciência de possíveis sanções americanas contra “estados-pária” da Argentina, Bolívia e Venezuela a sinalizar as políticas do Planalto Central. A China permaneceria, contida em si mesma, um universo à parte que ainda terá que se definir melhor neste cenário global do ponto de vista político.
É fácil imaginar uma teoria contrária e nada inverossímil. Se tais considerações parecem gratuitas, qual a base empírica das assertivas que afirmam o contrário de modo igualmente voluntarista?
Demandas globais
Se a ONU é um organismo tão ruim que visa prejudicar os povos diminuindo sua capacidade de autodeterminação, porque tantos governos a apóiam? Se a pedra de toque do “globalismo” não se sustenta sozinha, algo não faz sentido. Mas, ainda assim vejamos como esta organização tem asseverado seus “tentáculos hegemônicos” sobre o globo.
Seis países sul-americanos, três centro-americanos, dois norte-americanos, dez países asiáticos, a Rússia, a U.E. e outros europeus não-membros, 17 africanos apóiam a organização, financeira, logística e militarmente. Chega a ser hilário pensar que é de “cima para baixo” que ocorre a influência. É justamente o contrário que se dá. Talvez seja na própria miríade de estados que tentam alcançar uma coordenação e organicidade, a razão da maior inoperância da ONU. Muito chefe pra pouco índio...
Nos anos 90 tivemos 16 ações com tropas da ONU para intervir nos casos de desastres naturais. Como sabemos, não são “tropas independentes”, mas mantidas através de contribuições dos países que a sustentam. Onde está o “globalismo”? Trata-se de uma ação calculada que busca otimizar ações ao redor do mundo, inclusive por estados concorrentes em influência e hegemonia global.
No mesmo período, se contarmos as intervenções para conter atividades guerrilheiras e/ou terroristas foram 21, ou seja, superando com vantagem os danos causados por forças naturais. Isto, antes de 2001, o que significa que esta discrepância tende a aumentar, com maior número de esforços conjuntos para deter este estado de anarquia. Bem que podíamos ter um pouquinho de “globalismo”... Digo, ordem.
Também tivemos 14 operações das tropas no período no papel de “forças de paz” ou ocupação, termo muito mais direto e sincero, como é do meu gosto. Se pensarmos no conjunto, as ações militares contabilizam mais que o dobro às destinadas a amenizar os efeitos das forças naturais.
Não há logística mundial suficiente para sustentar estratégias que levem a um domínio coeso de um pequeno grupo sobre bilhões. Nem sinergia de “metacapitalistas” (capitalistas que devido ao seu poder e monopólio estariam criando um mundo sob o escrutínio de sua “engenharia social” por intermédio da ONU) contra os interesses de dezenas de países e centenas de elites oligárquicas e suas burocracias. Desconsiderar isto significa comprar o mesmo erro marxista de ignorar o estado e suas ramificações internas como dotadas de interesses e vontade próprias. Dentre os inúmeros erros dos marxistas, este contribuiu sobremaneira para sepultar seus intentos revolucionários de acordo com a teoria marxiana, mundo afora perante a perenidade (e necessidade) dos estamentos burocráticos. Analogamente, a suposição de um conluio ONU-metacapitalismo trabalha com um “marxismo de sinal invertido” ao tomar os sintomas de funcionamento de um mercado imperfeito, como objetivos expressos de uma política global e as políticas de contenção de conflitos como expressão de ganho e sustentação das corporações quando, justamente, as próprias mega-empresas é que são ameaçadas em cenários nacionais conturbados por guerrilhas e insurgências várias. O marxismo aí reside na visão de uma “necessidade” e porvir que se implantarão de um jeito ou de outro, uma fé no “destino histórico” desejado pelos marxistas, amaldiçoado pelos teóricos do globalismo, mas que não passa de uma mesma fé social-evolucionista. Uma fé otimista ou pessimista não deixa de ser uma fé que não se põe à prova.
A idéia de que um movimento globalista seja a “face do mal” da globalização se encontra amplamente disseminada, não só entre a dita esquerda, mas cada vez mais por uma auto-proclamada direita que, de liberal, não tem quase nada. Tais “direitistas” podem até defender o liberalismo, mas não usam métodos de análise desenvolvidos por liberais. Na medida em que temem o avanço do capitalismo mundial e, equivocadamente, concluem que este decorre de um arranjo previsto e pré-determinado, o caos e anarquia política são vendidos como uma contraproducente planificação.
Se para evitar os malefícios da ONU, dos quais não duvido que existam, tenhamos que acabar com a própria instituição e suas ações de contenção da barbárie, se para sanar imperfeições de mercado tenhamos que acabar com o próprio mercado, o imaginário super-estado global terá que ceder lugar a estados nacionais cada vez mais repressivos. A título de conter o avanço de forças destruidoras de nossas sociedades, não duvido que seu remédio possa ser mais amargo que a doença levando o enfermo a própria morte.
Fontes:
1. Ian Pearson, Atlas of the Future, New York: Macmillan, 1998.
2. International Institute for Strategic Studies (IISS), The Military Balance 1996-97, London: IISS, 1997.
3. Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), Yearbook, New York and Oxford: Oxford University Press, various dates.
* Versão original deste artigo: Globalismo?
Agora, eu vou bancar o aluno chato.
Por trás das ações coordenadas em nível mundial e sua declarada agenda de boas intenções, em uma conspiração a portas abertas (!) estaria a ONU e suas várias agências apoiando constelações hierarquicamente descendentes de ongs. Seu objetivo: reduzir a soberania nacional, especialmente dos EUA, na medida inversa em que finca os pilares de um “governo mundial” no coração de territórios outrora separados por nítidas e irretorquíveis fronteiras.
Em tese, isto estaria ocorrendo sem que percebêssemos o real perigo da situação, encantados que estamos pelo canto da sereia de uma sociedade justa e igualitária. Porém, se observarmos como as coisas realmente funcionam, a teoria do “globalismo” mais parece um boneco de palha. Como o globalismo é visto como um processo em pleno curso, outros exercícios de futurologia podem ser aventados para confrontar sua suposta eficácia. Permita-me utilizar do mesmo recurso de seus teóricos, a “arte do chute”...
Cenários possíveis
O Conselho de Segurança (CS) da ONU pode sofrer modificações nos próximos anos. A UE poderá substituir a França e o Reino Unido, caso sua constituição européia venha a ser consolidada. Um outro equilíbrio de forças se avizinha no horizonte histórico com os já garantidos assentos à China, EUA e Rússia. África do Sul, Brasil, Índia e Japão também são candidatos viáveis a membros permanentes do CS.
As alianças militares poderão ser ampliadas, como ocorre atualmente com a Otan rumo ao leste europeu. A Rússia, através de sua Comunidade dos Estados Independentes, CEI (não tão independentes assim) poderá reincorporar a Bielorrússia. Como contrapeso ao tacão russo, as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central (do Cazaquistão ao Afeganistão) procurariam reforçar alguma aliança. Outra interessante aliança que funciona como filial americana neste rimland continental é a do Sudeste Asiático que vai do Paquistão à Oceania, sobretudo, Austrália e Nova Zelândia. Tradicionais aliados americanos para conter a expansão russa ao sul. Esta, na verdade, uma reedição do que já ocorrera na Guerra Fria. Outros problemas às forças ocidentais se formarão com a evolução da Liga Árabe (não “tão árabe”, caso venha abarcar o Irã), o que levaria a concentração dos maiores esforços ocidentais, sobretudo americanos, mais do que os da Otan. E só a manutenção da estabilidade do Iraque e acordos com o Irã já serão suficientes para manter o Pentágono ocupado, seja McCain ou Obama o novo presidente. Uma Otan, por sua vez, já estará suficientemente ocupada com as investidas do “urso russo” na Europa Oriental e suas ameaças de embargo de combustíveis à Europa Ocidental. Ameaças apenas, pois se a Rússia detém o precioso recurso, os ocidentais são clientes indispensáveis. O que, em outras palavras, pode significar um relativo isolamento de Washington. A Organização da Unidade Africana (OUA) continuará uma mera quimera, cujo continente tem sido o maior celeiro de guerras civis no globo. Falar em “globalismo”, no sentido de uma ordem global centralmente conduzida e bem sucedida, neste cenário é coisa para quem abusa da liberdade de imaginação... No continente americano teremos a união indelével entre Canadá e EUA, mas com o “acorde dissonante” do México oscilando entre a atração econômica do norte e seu atrasado sul (Chiapas, p.ex.). Bem como a reserva de mão de obra na fronteira norte, contígua ao sudoeste americano. E a América Central continuará sendo assediada por Washington. A “sala de treino” em stand-by permanece na América do Sul, com um Brasil periclitante nas relações externas, mas com a consciência de possíveis sanções americanas contra “estados-pária” da Argentina, Bolívia e Venezuela a sinalizar as políticas do Planalto Central. A China permaneceria, contida em si mesma, um universo à parte que ainda terá que se definir melhor neste cenário global do ponto de vista político.
É fácil imaginar uma teoria contrária e nada inverossímil. Se tais considerações parecem gratuitas, qual a base empírica das assertivas que afirmam o contrário de modo igualmente voluntarista?
Demandas globais
Se a ONU é um organismo tão ruim que visa prejudicar os povos diminuindo sua capacidade de autodeterminação, porque tantos governos a apóiam? Se a pedra de toque do “globalismo” não se sustenta sozinha, algo não faz sentido. Mas, ainda assim vejamos como esta organização tem asseverado seus “tentáculos hegemônicos” sobre o globo.Seis países sul-americanos, três centro-americanos, dois norte-americanos, dez países asiáticos, a Rússia, a U.E. e outros europeus não-membros, 17 africanos apóiam a organização, financeira, logística e militarmente. Chega a ser hilário pensar que é de “cima para baixo” que ocorre a influência. É justamente o contrário que se dá. Talvez seja na própria miríade de estados que tentam alcançar uma coordenação e organicidade, a razão da maior inoperância da ONU. Muito chefe pra pouco índio...
Nos anos 90 tivemos 16 ações com tropas da ONU para intervir nos casos de desastres naturais. Como sabemos, não são “tropas independentes”, mas mantidas através de contribuições dos países que a sustentam. Onde está o “globalismo”? Trata-se de uma ação calculada que busca otimizar ações ao redor do mundo, inclusive por estados concorrentes em influência e hegemonia global.
No mesmo período, se contarmos as intervenções para conter atividades guerrilheiras e/ou terroristas foram 21, ou seja, superando com vantagem os danos causados por forças naturais. Isto, antes de 2001, o que significa que esta discrepância tende a aumentar, com maior número de esforços conjuntos para deter este estado de anarquia. Bem que podíamos ter um pouquinho de “globalismo”... Digo, ordem.
Também tivemos 14 operações das tropas no período no papel de “forças de paz” ou ocupação, termo muito mais direto e sincero, como é do meu gosto. Se pensarmos no conjunto, as ações militares contabilizam mais que o dobro às destinadas a amenizar os efeitos das forças naturais.
Não há logística mundial suficiente para sustentar estratégias que levem a um domínio coeso de um pequeno grupo sobre bilhões. Nem sinergia de “metacapitalistas” (capitalistas que devido ao seu poder e monopólio estariam criando um mundo sob o escrutínio de sua “engenharia social” por intermédio da ONU) contra os interesses de dezenas de países e centenas de elites oligárquicas e suas burocracias. Desconsiderar isto significa comprar o mesmo erro marxista de ignorar o estado e suas ramificações internas como dotadas de interesses e vontade próprias. Dentre os inúmeros erros dos marxistas, este contribuiu sobremaneira para sepultar seus intentos revolucionários de acordo com a teoria marxiana, mundo afora perante a perenidade (e necessidade) dos estamentos burocráticos. Analogamente, a suposição de um conluio ONU-metacapitalismo trabalha com um “marxismo de sinal invertido” ao tomar os sintomas de funcionamento de um mercado imperfeito, como objetivos expressos de uma política global e as políticas de contenção de conflitos como expressão de ganho e sustentação das corporações quando, justamente, as próprias mega-empresas é que são ameaçadas em cenários nacionais conturbados por guerrilhas e insurgências várias. O marxismo aí reside na visão de uma “necessidade” e porvir que se implantarão de um jeito ou de outro, uma fé no “destino histórico” desejado pelos marxistas, amaldiçoado pelos teóricos do globalismo, mas que não passa de uma mesma fé social-evolucionista. Uma fé otimista ou pessimista não deixa de ser uma fé que não se põe à prova.
A idéia de que um movimento globalista seja a “face do mal” da globalização se encontra amplamente disseminada, não só entre a dita esquerda, mas cada vez mais por uma auto-proclamada direita que, de liberal, não tem quase nada. Tais “direitistas” podem até defender o liberalismo, mas não usam métodos de análise desenvolvidos por liberais. Na medida em que temem o avanço do capitalismo mundial e, equivocadamente, concluem que este decorre de um arranjo previsto e pré-determinado, o caos e anarquia política são vendidos como uma contraproducente planificação.
Se para evitar os malefícios da ONU, dos quais não duvido que existam, tenhamos que acabar com a própria instituição e suas ações de contenção da barbárie, se para sanar imperfeições de mercado tenhamos que acabar com o próprio mercado, o imaginário super-estado global terá que ceder lugar a estados nacionais cada vez mais repressivos. A título de conter o avanço de forças destruidoras de nossas sociedades, não duvido que seu remédio possa ser mais amargo que a doença levando o enfermo a própria morte.
Fontes:
1. Ian Pearson, Atlas of the Future, New York: Macmillan, 1998.
2. International Institute for Strategic Studies (IISS), The Military Balance 1996-97, London: IISS, 1997.
3. Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), Yearbook, New York and Oxford: Oxford University Press, various dates.
* Versão original deste artigo: Globalismo?
Monday, March 31, 2008
Kaplan em Os Confins da Terra:

Dias depois em Abidjan jantei com um embaixador que me falou da viagem que fizera ao extremo nordeste da Costa do Marfim, perto da Guiné e do Mali, para observar um projeto internacional de erradicação da oncocercíase (cegueira de rio), apoiado pelas Nações Unidas. Moscas pretas que enxameiam nos rios do interior da África picam africanos que tomam banho e lavam roupa, e as picadas transmitem a doença. O objetivo do programa era erradicar as larvas borrifando repelente nos cursos d’água.Dizer isto é fácil, fazer é que são elas. Os helicópteros borrifadores precisavam voar contra o vento a alta velocidade perto da água, sobre riachos não mais largos que as pás dos rotores, com árvores dos dois lados. Satélites transmitiam imagens computadorizadas indicando a condição de cada rio e riacho. Computadores de alta sensibilidade monitoravam a composição química da água do rio, o que requeria constantes ajustamentos na proporção dos seis elementos químicos do repelente. Os pilotos eram americanos, canadenses, peruanos, portugueses e antigos iugoslavos. O embaixador disse ter ficado impressionado com o espírito de equipe e a disciplina paramilitar dos pilotos. Eles tinham conseguido erradicar a cegueira de rio da região adjacente, porem ela podia voltar facilmente pela Libéria e Nigéria se o projeto parasse.
– Pense no esforço – disse o embaixador encantado com o que tinha visto. – Tecnologia do mais alto nível, atenção aos mínimos detalhes, os mais extraordinários talento e comportamento ético para erradicar uma doença em uma parte da África, e temporariamente. – Disse o embaixador que os pilotos levantavam-se todos os dias antes do amanhecer para receber instruções e estudar as imagens computadorizadas que orientariam seus planos de vôo, isso durante vários anos. Rações ocidentais eram mandadas de avião de Abidjan e depois levadas de caminhão para o alojamento dos pilotos, que tinham geradores próprios para eletricidade. A instalação mais parecia uma base na lua.
Thursday, February 28, 2008
Globalismo?
http://www.dbruce.org/wordpress/?p=48
A rica complexidade da realidade:
O CS da ONU pode sofrer modificações nos próximos anos. Espera-se para 2010, a substituição da França e do Reino Unido pela U.E., juntamente à China, EEUU e Rússia. África do Sul, Brasil, Índia e Japão também poderão vir a ser membros permanentes do CS.
As alianças militares se ampliarão, como se vê atualmente a Otan rumo ao leste (europeu). Por parte da Rússia, através da CEI, com a incorporação da Bielorrússia. Como contrapeso a este gigante, as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central (do Cazaquistão ao Afeganistão) procuraram reforçar “alguma” aliança (o que as une é o tacão russo em sentido oposto). Outra interessante aliança que funciona como filial americana neste rimland continental é a do Sudeste Asiático que vai do Paquistão à Oceania (leia-se Austrália e Nova Zelândia), contumazes aliados americanos cercando a expansão russa ao sul. Problemas (aos ocidentais) formam-se com a evolução da Liga Árabe (não “tão árabe” ao englobar o Irã) que concentrarão os maiores esforços ocidentais, sobretudo americanos, mais do que da Otan. Pois, esta estará suficientemente tomada pela oposição russa na Europa. O que, em outras palavras, pode significar um certo isolamento de Washington. A Organização da Unidade Africana (OUA) continuará uma mera quimera, como tem sido o maior celeiro de guerras civis no globo. Falar em “globalismo” neste cenário é coisa para quem abusa na cachaça... No “Novo Mundo”, o continente americano, temos a união indelével entre Canadá e EEUU, mas com o “acorde dissonante” do México oscilando entre a atração econômica do norte e os “compromissos” políticos com seu atrasado centro-sul (Chiapas, p.ex.). E a América Central continuará sendo assediada por Washington. A “sala de treino” em “stand-by” permanece na América do Sul, com um Brasil periclitante nas relações externas, mas com o tacão de possíveis sanções americanas contra estados-pária da Argentina, Bolívia e Venezuela. A China permanece, como sempre foi, contida em si mesma, um universo à parte que ainda terá que se definir melhor neste cenário global do ponto de vista político.
ONU
Seis países sul-americanos, três centro-americanos, dois norte-americanos, dez países asiáticos, a Rússia, a U.E. e outros europeus não-membros, 17 africanos apóiam a organização, financeira, logística e militarmente. Chega a ser hilário pensar que é de “cima para baixo” que ocorre a influência. Arrisco-me a dizer que é, justamente, pelo contrário, através desta miríade de estados que tentam alcançar uma coordenação e organicidade, a razão da maior inoperância da ONU: tem muito chefe pra pouco índio.
Nos anos 90 tivemos 16 ações com tropas da ONU para intervir em casos de desastres naturais. Como sabemos, não são “tropas independentes”, mas mantidas através de contribuições dos países que a sustentam. Onde está o “globalismo”? Ninguém obriga ninguém a integrar a ONU. Trata-se de uma ação calculada para otimizar ações ao redor do mundo, inclusive por estados concorrentes em influência e hegemonia global.
Só mesmo quem não entende absolutamente nada de logística e estratégia mundial para pretender que haja uma sinergia tamanha que coloque um pequeno grupo de “meta-capitalistas” (what shit is this?!) contra os interesses de dezenas de países e centenas de elites oligárquicas e suas burocracias.
No mesmo período, se contarmos as intervenções para conter atividades guerrilheiras e/ou terroristas foram 21, ou seja, superando com vantagem os danos causados por forças naturais. Isto, antes de 2001, o que significa que esta discrepância tende a aumentar, com maior número de esforços conjuntos para deter este estado de anarquia. Bem que podíamos ter um pouquinho de “globalismo”... Digo, ordem.
Também tivemos 14 operações das tropas no período no papel de “forças de paz” ou ocupação, termo muito mais direto e sincero, como é do meu gosto. Ou seja, se pensarmos em ações militares, no conjunto são mais que o dobro das destinadas a driblar os efeitos das forças naturais.
Vejamos agora as pobres nações ameaçadas em sua perda de soberania...
Já na aurora deste Bravo Novo Mundo do século XXI, as nações na lista de “capazes de desenvolver” mísseis balísticos, armas nucleares ou bacteriológicas, químicas etc. são Argentina, Brasil, Canadá, EEUU, Rússia, Japão, China, as Coréias, Indonésia, Austrália, Índia, Paquistão, Irã, Iraque (antes de 2003), Síria, Israel, Arábia Saudita, Egito, Líbia, África do Sul e o conjunto da U.E.
Em termos, especificamente, de potencial atômico temos, HOJE, EEUU, Rússia, China, França, Reino Unido, ou seja, o CS da ONU. Soa, portanto, ridículo pensarmos em “globalismo” contra esses países, quando são, justamente, TODOS eles os mais poderosos e que, justamente por isso, são os que sofrem mais ameaças. Não se têm bônus sem ônus... Mas, calma, não lamentemos que a democracia mundial avança e, com ela, a “democratização do medo”. Eh eh, pare agora agora, já já temos a entrada do Irã e as Coréias neste seleto clube. Em 2010, Egito e África do Sul; em 2050, Cazaquistão, Japão, Taiwan, Turquia, o restante da U.E., Noruega, Ucrânia e, ufa! Pensei que até agora seríamos os eternos “excluídos”, BRASILSILSILSIL! (Mas, não será completo sem a narração do Galvão Bueno...)
Porém, como toda alegria dura pouco, tão logo entremos no clube seremos acompanhados por “eles”. Sim, nuestros hermanos también! Argentina. Óbvio que não nos deixariam sós nesta.
Com a escassez de fontes energéticas tradicionais, a energia nuclear será cada vez mais usual e só sendo muito Poliana para crer que não se utilizará esta tecnologia com outros fins. Porém, quando uma vantagem se socializa, o diferencial passa a ser mais procurado. Uma nova modalidade ameaça terrorista consistirá em ataques eletrônicos por hackers aos países, seus sistemas financeiro, programação televisiva, tráfego aéreo etc.
Será o fim das forças convencionais? Claro que não.
Porém, se hoje, um soldado americano, tem um elevado custo de treinamento e é física e emocionalmente falível. Estes “detalhes” terão que sofrer alterações. Para as próximas décadas, a projeção é de um cibersoldado. Rifles terão miras direcionadas pela retina do próprio soldado com sensores instalados no visor do capacete; sua localização (dia e noite) terá margem de erro de um metro; câmeras instaladas no capacete trarão o cenário do front às bases; algumas armas portáteis poderão ter suas miras ajustadas a distância, pela base, quando o soldado for incapacitado de enxergar o alvo com precisão; binóculos conectados a satélites terão informações repassadas por estes.
Como a economia americana talvez precise de muito mais mexicanos do que já se faz hoje em dia, outros auxiliares ao cibersoldado estão sendo projetados, robôs. 100% subordinados... Eh eh. 24h de trabalho, com baixo custo de produção e zero de treinamento. Estupros, saques, processos, exposição da mídia? Esqueça! Basta cuidar para que não haja curto-circuito.
Calor ou frio extremos não serão problemas. Aquecimento global, Godzilla, pode mandar tudo junto, que o Tio Sam tem alguns segredos na sua caixinha de surpresas... Gelo, fogo, armas químicas, bacteriológicas, nucleares, no worries!
“Robôs-insetos” como espiões: já existem protótipos. Beleza... Entre outras utilidades, detecção de minas, armas de fogo e segurança geral.
Oh! "Pobres EEUU e sua tradição judaico-cristã, tão ameaçados pelos “poderes globalistas”! Oh!" Haja cachaça na Virgínia!
Cenários em 2050:
1. Nova Guerra Fria entre China e EEUU. Este com aliados na Coréia, Japão e Paquistão. Talvez, a Índia também. U.E. e Rússia, como aliados chineses. Eu acho pouco provável tal configuração;
3. Outros cenários mais fragmentados podem ser aludidos futuramente...
____________________
Ou o simplismo dos ignóbeis:
"Globalismo não é simples abertura de mercados: é introdução de regulamentações em escala mundial que transferem a soberania das nações para organismos internacionais."

A rica complexidade da realidade:
O CS da ONU pode sofrer modificações nos próximos anos. Espera-se para 2010, a substituição da França e do Reino Unido pela U.E., juntamente à China, EEUU e Rússia. África do Sul, Brasil, Índia e Japão também poderão vir a ser membros permanentes do CS.
As alianças militares se ampliarão, como se vê atualmente a Otan rumo ao leste (europeu). Por parte da Rússia, através da CEI, com a incorporação da Bielorrússia. Como contrapeso a este gigante, as ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central (do Cazaquistão ao Afeganistão) procuraram reforçar “alguma” aliança (o que as une é o tacão russo em sentido oposto). Outra interessante aliança que funciona como filial americana neste rimland continental é a do Sudeste Asiático que vai do Paquistão à Oceania (leia-se Austrália e Nova Zelândia), contumazes aliados americanos cercando a expansão russa ao sul. Problemas (aos ocidentais) formam-se com a evolução da Liga Árabe (não “tão árabe” ao englobar o Irã) que concentrarão os maiores esforços ocidentais, sobretudo americanos, mais do que da Otan. Pois, esta estará suficientemente tomada pela oposição russa na Europa. O que, em outras palavras, pode significar um certo isolamento de Washington. A Organização da Unidade Africana (OUA) continuará uma mera quimera, como tem sido o maior celeiro de guerras civis no globo. Falar em “globalismo” neste cenário é coisa para quem abusa na cachaça... No “Novo Mundo”, o continente americano, temos a união indelével entre Canadá e EEUU, mas com o “acorde dissonante” do México oscilando entre a atração econômica do norte e os “compromissos” políticos com seu atrasado centro-sul (Chiapas, p.ex.). E a América Central continuará sendo assediada por Washington. A “sala de treino” em “stand-by” permanece na América do Sul, com um Brasil periclitante nas relações externas, mas com o tacão de possíveis sanções americanas contra estados-pária da Argentina, Bolívia e Venezuela. A China permanece, como sempre foi, contida em si mesma, um universo à parte que ainda terá que se definir melhor neste cenário global do ponto de vista político.
ONU
Seis países sul-americanos, três centro-americanos, dois norte-americanos, dez países asiáticos, a Rússia, a U.E. e outros europeus não-membros, 17 africanos apóiam a organização, financeira, logística e militarmente. Chega a ser hilário pensar que é de “cima para baixo” que ocorre a influência. Arrisco-me a dizer que é, justamente, pelo contrário, através desta miríade de estados que tentam alcançar uma coordenação e organicidade, a razão da maior inoperância da ONU: tem muito chefe pra pouco índio.
Nos anos 90 tivemos 16 ações com tropas da ONU para intervir em casos de desastres naturais. Como sabemos, não são “tropas independentes”, mas mantidas através de contribuições dos países que a sustentam. Onde está o “globalismo”? Ninguém obriga ninguém a integrar a ONU. Trata-se de uma ação calculada para otimizar ações ao redor do mundo, inclusive por estados concorrentes em influência e hegemonia global.
Só mesmo quem não entende absolutamente nada de logística e estratégia mundial para pretender que haja uma sinergia tamanha que coloque um pequeno grupo de “meta-capitalistas” (what shit is this?!) contra os interesses de dezenas de países e centenas de elites oligárquicas e suas burocracias.
No mesmo período, se contarmos as intervenções para conter atividades guerrilheiras e/ou terroristas foram 21, ou seja, superando com vantagem os danos causados por forças naturais. Isto, antes de 2001, o que significa que esta discrepância tende a aumentar, com maior número de esforços conjuntos para deter este estado de anarquia. Bem que podíamos ter um pouquinho de “globalismo”... Digo, ordem.
Também tivemos 14 operações das tropas no período no papel de “forças de paz” ou ocupação, termo muito mais direto e sincero, como é do meu gosto. Ou seja, se pensarmos em ações militares, no conjunto são mais que o dobro das destinadas a driblar os efeitos das forças naturais.
Vejamos agora as pobres nações ameaçadas em sua perda de soberania...
Já na aurora deste Bravo Novo Mundo do século XXI, as nações na lista de “capazes de desenvolver” mísseis balísticos, armas nucleares ou bacteriológicas, químicas etc. são Argentina, Brasil, Canadá, EEUU, Rússia, Japão, China, as Coréias, Indonésia, Austrália, Índia, Paquistão, Irã, Iraque (antes de 2003), Síria, Israel, Arábia Saudita, Egito, Líbia, África do Sul e o conjunto da U.E.
Em termos, especificamente, de potencial atômico temos, HOJE, EEUU, Rússia, China, França, Reino Unido, ou seja, o CS da ONU. Soa, portanto, ridículo pensarmos em “globalismo” contra esses países, quando são, justamente, TODOS eles os mais poderosos e que, justamente por isso, são os que sofrem mais ameaças. Não se têm bônus sem ônus... Mas, calma, não lamentemos que a democracia mundial avança e, com ela, a “democratização do medo”. Eh eh, pare agora agora, já já temos a entrada do Irã e as Coréias neste seleto clube. Em 2010, Egito e África do Sul; em 2050, Cazaquistão, Japão, Taiwan, Turquia, o restante da U.E., Noruega, Ucrânia e, ufa! Pensei que até agora seríamos os eternos “excluídos”, BRASILSILSILSIL! (Mas, não será completo sem a narração do Galvão Bueno...)
Porém, como toda alegria dura pouco, tão logo entremos no clube seremos acompanhados por “eles”. Sim, nuestros hermanos también! Argentina. Óbvio que não nos deixariam sós nesta.
Com a escassez de fontes energéticas tradicionais, a energia nuclear será cada vez mais usual e só sendo muito Poliana para crer que não se utilizará esta tecnologia com outros fins. Porém, quando uma vantagem se socializa, o diferencial passa a ser mais procurado. Uma nova modalidade ameaça terrorista consistirá em ataques eletrônicos por hackers aos países, seus sistemas financeiro, programação televisiva, tráfego aéreo etc.
Será o fim das forças convencionais? Claro que não.
Porém, se hoje, um soldado americano, tem um elevado custo de treinamento e é física e emocionalmente falível. Estes “detalhes” terão que sofrer alterações. Para as próximas décadas, a projeção é de um cibersoldado. Rifles terão miras direcionadas pela retina do próprio soldado com sensores instalados no visor do capacete; sua localização (dia e noite) terá margem de erro de um metro; câmeras instaladas no capacete trarão o cenário do front às bases; algumas armas portáteis poderão ter suas miras ajustadas a distância, pela base, quando o soldado for incapacitado de enxergar o alvo com precisão; binóculos conectados a satélites terão informações repassadas por estes.
Como a economia americana talvez precise de muito mais mexicanos do que já se faz hoje em dia, outros auxiliares ao cibersoldado estão sendo projetados, robôs. 100% subordinados... Eh eh. 24h de trabalho, com baixo custo de produção e zero de treinamento. Estupros, saques, processos, exposição da mídia? Esqueça! Basta cuidar para que não haja curto-circuito.
Calor ou frio extremos não serão problemas. Aquecimento global, Godzilla, pode mandar tudo junto, que o Tio Sam tem alguns segredos na sua caixinha de surpresas... Gelo, fogo, armas químicas, bacteriológicas, nucleares, no worries!
“Robôs-insetos” como espiões: já existem protótipos. Beleza... Entre outras utilidades, detecção de minas, armas de fogo e segurança geral.
Oh! "Pobres EEUU e sua tradição judaico-cristã, tão ameaçados pelos “poderes globalistas”! Oh!" Haja cachaça na Virgínia!
Cenários em 2050:
1. Nova Guerra Fria entre China e EEUU. Este com aliados na Coréia, Japão e Paquistão. Talvez, a Índia também. U.E. e Rússia, como aliados chineses. Eu acho pouco provável tal configuração;
2. China e EEUU como poderes aliados, INDISCUTIVELMENTE, dominantes;
3. Outros cenários mais fragmentados podem ser aludidos futuramente...
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Ou o simplismo dos ignóbeis:
"Globalismo não é simples abertura de mercados: é introdução de regulamentações em escala mundial que transferem a soberania das nações para organismos internacionais."
Vocês escolhem.
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* Fontes:
1. Ian Pearson, Atlas of the Future, New York: Macmillan, 1998.
2. International Institute for Strategic Studies (IISS), The Military Balance 1996-97, London: IISS, 1997.
3. Press reports.
4. Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), Yearbook, New York and Oxford: Oxford University Press, various dates.
* Fontes:
1. Ian Pearson, Atlas of the Future, New York: Macmillan, 1998.
2. International Institute for Strategic Studies (IISS), The Military Balance 1996-97, London: IISS, 1997.
3. Press reports.
4. Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI), Yearbook, New York and Oxford: Oxford University Press, various dates.
Sunday, February 17, 2008
Kosovo independente: prós e contras

Putin diz ter plano, caso a independência do Kosovo seja reconhecida pela ONU.
[Entenda a disputa nos Bálcãs de fins do século XIX aos dias atuais aqui.]
Kosovares muçulmanos de origem albanesa, que correspondem a 90% da população da região atacaram manifestantes sérvios nos anos 80, o que levou o então presidente sérvio Milosevic a ameaçar a etnia majoritária.
Embora os EUA e a maioria dos países da UE proponham o reconhecimento de um Kosovo independente, alguns países da comunidade européia são contrários: Eslováquia, Espanha, Grécia, Chipre e Romênia.

Reuters
Albaneses do Kosovo exibem bandeiras a dias de província anunciar independência
...
O plano de Putin, provavelmente, consiste no corte de fornecimento de energia da Sérvia ao Kosovo, mas isto também atingiria a Macedônia, país vizinho e ex-república iugoslava. Cerca de 40% da energia da recém auto-declarada república independente nos Bálcãs depende da Sérvia. Isto seria o suficiente para devastar sua economia e fazê-los padecer de frio no inverno daquela região montanhosa.
À Macedônia ainda existem alternativas, como importar energia da Bulgária ou da Grécia. No entanto, a própria
Grécia não tem uma fonte de abastecimento estável e, vez por outra, vive às voltas com blackouts. Já a energia da Bulgária teria que passar pelos mesmos ramais sérvios. O Kosovo, por sua vez, poderia importar a sua da Bósnia, mas esta teria que passar pelo Montenegro, república até bem pouco tempo unificada à Sérvia e dominada pelo Republika Serbian - Srpska - e que conta com uma infra-estrutura sofrível. Ainda, tanto as redes de eletricidade kosovar e macedônia não apresentam compatibilidade com outras tendo que criar alguma forma de adaptação em um curto período.
Grécia não tem uma fonte de abastecimento estável e, vez por outra, vive às voltas com blackouts. Já a energia da Bulgária teria que passar pelos mesmos ramais sérvios. O Kosovo, por sua vez, poderia importar a sua da Bósnia, mas esta teria que passar pelo Montenegro, república até bem pouco tempo unificada à Sérvia e dominada pelo Republika Serbian - Srpska - e que conta com uma infra-estrutura sofrível. Ainda, tanto as redes de eletricidade kosovar e macedônia não apresentam compatibilidade com outras tendo que criar alguma forma de adaptação em um curto período. Se a Sérvia não tem, efetivamente, como fazer a roda da história girar para trás, sua expectativa consiste no desgaste ao levar kosovares a migrar para a Albânia. Nuvens negras no front...
Monday, November 12, 2007
Precisamos de mais energia

Relatório diz que fontes atuais são suficientes para próximos 40 anos
Em tempos de obscurantismo global, no qual ambientalistas de todo o mundo se unem para barrar o avanço tecnológico, o recente relatório da ONU que prevê a necessidade de duplicação da produção energética mundial para 2050 é um bom sinal.
Um exemplo de desinformação ingênua a que me refiro se encontra na "Agenda Elétrica Sustentável 2020" do WWF lançada em setembro de 2006:
"O estudo prevê economia de R$ 33 bilhões para os consumidores, diminuição no desperdício de energia de até 38% da expectativa de demanda, geração de 8 milhões de empregos, estabilização nas emissões dos gases causadores do efeito estufa e afastar os riscos de novos apagões se o cenário Elétrico Sustentável for aplicado no Brasil até 2020."
Ao que o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, questionou os índices utilizados para embasar a pesquisa, como taxas de crescimento e potencial energético de usinas hidrelétricas:
Não satisfeita em tomar esta bela paulada no cocoruto, a WWF envia uma carta aberta à EPE em 9/10/2006, respondendo as críticas e fazendo acusações ao presidente da empresa:
"Através deste comunicado público o WWF-Brasil e seus parceiros buscam esclarecer as dúvidas e rechaçar as afirmações feitas pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética do Ministério de Minas e Energia."
Mas, a EPE não se fez de rogada, enviando ofício em resposta à carta da WWF, em 19/10/2006.
"Inicialmente, manifesto minha surpresa pela carta aberta divulgada pelo WWFBrasil, que atribui a mim idéias que, absolutamente, não condizem com a verdade. É bastante estranha a visão de participação democrática dessa instituição, que pretende contribuir para o debate sobre o planejamento energético do país, mas não aceita críticas."
Não é uma delícia ver ignorantes que se fazem de doutos conhecedores da natureza apanharem de modo exemplar em público??
Wednesday, May 02, 2007
Eco-freaks

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Começam as publicações que se contrapõem ao "consenso científico" em torno do aquecimento global e já não era sem tempo. Mas, enquanto não temos um debate real neste campo, boa parte do planeta se solidariza com a idéia/teoria aquecimentista por duas razões, basicamente:
1º) Uma conveniência política com interesses econômicos em responsabilizar os países ricos pelo suposto problema:
2º) E, obviamente, uma base psico-social que, convenientemente, atribui a outrem, um mal externo, o "grande Satã", todos os problemas da sociedade.
Pobreza de raciocínio.
