interceptor

Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Monday, October 07, 2013

Secessões e unificações no Oriente Médio

NYT Publishes A New Map for ME: Syria into 3 States http://j.mp/18pSrGA

E

How 5 Countries Could Become 14 http://nyti.ms/17cZAKW

Monday, September 30, 2013

Tuesday, December 11, 2012

A periferia de Israel

Em mais este excelente texto de Stratfor, a periferia de Israel é analisada e se chega a aparentemente paradoxal conclusão, para uma democracia ocidental, como é Israel, era mais fácil quando se lidava com ditaduras árabes, mais estáveis e previsíveis. Mas, algumas coisas se mantém, como a necessidade de um tampão no Sinai e linhas de defesa mais ao norte. Estas, no entanto, frágeis e estreitas demais.

Friday, November 23, 2012

Diário da Rússia - Internacional - Rússia é contra mísseis da OTAN na fronteira entre Síria e Turquia


INTERNACIONAL

Rússia é contra mísseis da OTAN na fronteira entre Síria e Turquia

Aliança considerou pedido turco para a instalação de Patriots na divisa dos países



O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia se opôs à intenção da Turquia de implantar mísseis Patriot da OTAN na fronteira com a Síria. O porta-voz da pasta, Alexander Lukashevich, afirmou que a militarização da divisa turco-síria representaria um “sinal alarmante” que promoveria a instabilidade na região. “O que a Turquia deveria fazer seria usar sua influência sobre a oposição síria para trazê-la ao diálogo.” Embaixadores da OTAN se reuniram para considerar o pedido de Ancara de instalar o sistema de defesa antiaérea em seu território, depois de semanas de conversações sobre como proteger a fronteira de 900 quilômetros contra o transbordamento da guerra civil na Síria. A Turquia, que tem sido uma das mais duras críticas do Presidente da Síria, Bashar al-Assad, durante os quase 17 meses da rebelião, abriu fogo repetidamente contra Damasco nas últimas semanas, em retaliação aos bombardeios vindos do outro lado da fronteira. Lukashevich também negou relatos da mídia russa que afirmavam que o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, estaria planejando se encontrar com representantes da oposição síria no final de novembro.
A Rússia, assim como a China, já vetou três resoluções do Conselho de Segurança da ONU contra o regime de Assad. O Presidente russo, Vladimir Putin, prometeu no início deste ano que não permitiria a repetição do que aconteceu na Líbia, quando o ditador Muammar Khadafi foi morto após uma campanha militar da OTAN. Moscou, porém, nega estar apoiando o presidente sírio e diz que irá respeitar a vontade do povo do país.

Diário da Rússia - Internacional - Rússia é contra mísseis da OTAN na fronteira entre Síria e Turquia

Por que a Turquia precisa dos sistemas de mísseis da Otan? | Internacional | DW.DE | 23.11.2012


MUNDO

Por que a Turquia precisa dos sistemas de mísseis da Otan?

A Turquia precisa de mísseis Patriot para se defender de granadas vindas da Síria? Especialistas e críticos veem outros motivos por trás do pedido de ajuda à Otan, incluindo temores de um conflito entre Israel e o Irã.
A Otan deve atender em breve o pedido da Turquia para implementação de sistemas de mísseis do tipo Patriot ao longo da fronteira do país com a Síria. Com o provável envio dos armamentos dentro de algumas semanas, a Otan estará dando o passo mais ousado até agora em relação à crise da Síria e alçando o conflito, que já dura 20 meses, a um novo patamar.
Alguns políticos ocidentais consideram que a aliança está se deixando arrastar para o conflito. Já especialistas em segurança falam em intimidação e veem a medida como um meio de evitar que os combates atinjam o território turco.
"O pedido da Turquia por Patriots é uma tentativa de intimidação", afirma o acadêmico turco Mustafa Kibaroglu, especializado em segurança. "Afinal, será que Síria, Irã ou outro país ainda se atreveriam a lançar um ataque de mísseis contra a Turquia depois de ver que a Otan está claramente apoiando o país?", questiona, ressaltando que a implementação dos mísseis teria principalmente um significado político, mas também reforçaria a proteção da Turquia em caso de o conflito recrudescer ainda mais.
Medo de armas químicas
Abdullah Gül disse temer as armas químicas da Síria
Na semana passada, o presidente turco, Abdullah Gül, disse temer que a Síria use armas químicas contra a Turquia e sugeriu que os mísseis da Otan podem deter a ameaça. Gül disse ao jornal Financial Times que a Síria tem armas químicas e antigos sistemas soviéticos para usá-las. "Tem que ser realizado um planejamento mínimo de emergência, e isso é o que a Otan está fazendo", frisou. O governo sírio anunciou em julho que só usaria armas químicas ou biológicas se o país for atacado por forças externas.
Especialistas em segurança turcos não creem num ataque militar da Síria à Turquia, já que isso significaria um ataque à Otan, embora existam preocupações de que, caso o regime perca o controle da situação, certos grupos possam explorar o vácuo de poder. Os mísseis Patriot seriam uma significativa melhora nas atuais condições de defesa aérea de Ancara. Entretanto, por serem especialmente concebidos para a defesa contra mísseis e aviões, não fornecem proteção contra as atuais ameaças enfrentadas pela Turquia.
O Exército sírio continua sua luta contra os insurgentes na área de fronteira, e projéteis ocasionalmente têm atingido o território turco. Um explosivo disparado na Síria atingiu uma cidade de fronteira turca no início de outubro, matando cinco civis. Desde então, o Exército turco tem respondido a disparos vindos do outro lado, provocando preocupações de que o conflito possa se espalhar.
Zona de exclusão aérea
Devido ao grande alcance dos Patriot, o pedido da Turquia à Otan tem sido interpretado por alguns observadores como a primeira etapa de um plano maior para impor uma zona de exclusão aérea sobre a Síria. A Turquia tem sido uma defensora da criação de uma zona de exclusão aérea que salvaguarde os refugiados e também forneça aos insurgentes um refúgio seguro contra ataques aéreos sírios. Mas Ancara não conseguiu convencer seus aliados até agora.
Rasmussen sublinha que Patriots são apenas para defesa
Diplomatas ocidentais ressaltam que tal zona teria que ser apoiada por uma força aérea forte e que a sua criação envolveria sérios riscos, já que o regime sírio tem recursos avançados de defesa aérea. Para convencer os aliados europeus da necessidade da instalação dos mísseis Patriot, a Turquia sublinhou, na sua carta de pedido à Otan, que eles terão função apenas defensiva.
"A implementação não apoiará, de maneira alguma, uma zona de exclusão aérea ou qualquer outra operação ofensiva", garantiu na quarta-feira o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen. "Ela iria contribuir para o arrefecimento da violência da crise ao longo da fronteira sudoeste da Otan. E seria uma demonstração concreta de solidariedade da aliança", sublinhou.
Fim do isolamento
Muitos observadores turcos veem a implementação como um alívio para o governo de Ancara, que estava ficando cada vez mais isolado devido a sua política agressiva em relação ao regime de Assad.
De acordo com Kibaroglu, os membros da Otan estão avaliando positivamente a implantação dos Patriot como um sinal de solidariedade e como uma medida para intimidar a Síria, mas também esperam que a implementação venha a promover uma cooperação mais estreita com a Turquia e dar à Otan uma maior influência sobre o governo Erdogan em relação à sua política para a Síria.
"Os Patriots podem evitar uma escalada da crise e podem dissuadir qualquer reação descontrolada da Síria em relação a uma medida mais dura tomada pela Turquia", avaliou Kibaroglu. "Mas parece haver também expectativas de que a Turquia atenda às expectativas da Otan com relação à política para a Síria."
Soldados turcos falam com refugiados sírios através de uma cerca na fronteira perto da cidade de Ras al-Ain
Maiores preocupações na região
O pedido de Ancara à Otan tem sido criticado pela oposição turca, que acusa o governo Erdogan de grandes falhas na política externa, que teriam levado a um aumento das tensões na região.
"O governo está escondendo a realidade da população", acusa Faruk Logoglu, ex-embaixador da Turquia em Washington e deputado da principal força de oposição, o Partido Republicano do Povo. Na sua opinião, Erdogan decidiu solicitar os Patriots não devido à crise com a Síria e sim por causa de Israel. "Após a operação israelense em Gaza, aumentou a ameaça iraniana contra Israel. Os Patriots vão defender a nova estação de radar da Otan em Kurecik, que é essencial para a proteção do espaço aéreo de Israel", frisa. "Os Patriots vão servir à segurança de Israel."
Kibaroglu também afirma que preocupações regionais mais amplas desempenharam um papel na decisão da Turquia. "A instalação de mísseis Patriot pode ser vista como uma medida que não se limita a proteger a Turquia da Síria, mas também de uma possível ameaça futura do Irã", observa. "Após as operações de Israel contra Gaza, os próximos acontecimentos na região são imprevisíveis. Existe uma necessidade de se proteger o espaço aéreo da Turquia em caso de um possível confronto futuro entre Israel e o Irã."
Autor: Ayhan Simsek (md)
Revisão: Alexandre Schossler

DW.DE


Fonte: Por que a Turquia precisa dos sistemas de mísseis da Otan? | Internacional | DW.DE | 23.11.2012

Thursday, December 10, 2009

Guerra e Petróleo



Edward Luttwak se destaca entre os analistas de defesa por duas peculiaridades. Uma é a sua vivência prática em operativos militares e ações de inteligência no terreno, das quais participa até hoje, aos 63 anos. A outra é o teor politicamente incorreto de suas opiniões, destoante dos consensos em círculos intelectuais.


Numa de suas palestras na Escola de Guerra Naval, um analista da Petrobrás lhe perguntou sobre o papel das companhias de petróleo americanas na decisão de invadir o Iraque. “A visão de que as empresas de petróleo mandam no governo dos EUA é um mito”, descartou Luttwak. “A invasão do Iraque é prova disso.” Segundo ele, executivos do setor pediram ao ex-presidente George H. Bush, pai do atual, com vínculos estreitos com a indústria do petróleo no Texas, que intercedesse para que o filho desistisse da invasão, já que isso só desestabilizaria o Iraque e atrapalharia os negócios. 


“Desde 1948 as companhias de petróleo têm feito lobby para que os EUA não dêem nenhum apoio a Israel, porque isso fere os seus negócios”, recapitulou Luttwak. “Os EUA têm oscilado entre apoio passivo e muito ativo, mas sempre deram apoio.” 


Durante a escalada, em 2003, Luttwak escreveu um memorando contra a invasão do Iraque, e o entregou a Condoleezza Rice, então chefe do Conselho de Segurança Nacional. “Foi a primeira vez que me opus a uma guerra em 14 anos.” Ela respondeu que tinha recebido outro igual do Estado-Maior das Forças Armadas. Ignorou ambos. “A única coisa que vejo de bom no Iraque é que Saddam está com saúde, em boa forma, desempregado e pronto para o cargo, caso alguém precise de governo no Iraque”, ironiza Luttwak, que diz ter sido acusado até de racismo por não crer em democracia no Iraque. 


Numa de suas formulações politicamente incorretas, Luttwak observou que “nenhuma potência quer dar jeito na Somália”, um país entregue à anarquia, e perguntou: “Onde estão os colonialistas quando se precisa deles?” Para ele, a Somália está precisando ser administrada por uma potência colonial. “Não por muito tempo, só uns 150 anos.” Luttwak andou por lá: “Não é um lugar muito legal.”


Há uma semana, Luttwak conta que estava na Indonésia, numa operação antipirataria. O Maritime Security Bureau, uma associação privada de companhias de seguro e de navegação, encomendou-lhe um plano de combate às ações dos piratas no Sul da Ásia e Oceania. Ele sugeriu navegar o arquipélago indonésio num iate luxuoso, para atrair e surpreender os piratas.


Um funcionário do Ministério da Defesa da Malásia perguntou quem ia querer estar a bordo para servir de isca de piratas. “Eu vou”, respondeu Luttwak. “Quando os piratas atacavam, nós os prendíamos. Tínhamos metralhadoras camufladas. Em dois casos, tivemos de afundar os barcos.Mas o melhor mesmo eram as três policiais australianas de biquíni no deck. Foi muito divertido.”
Para consultor, lobby do petróleo foi contra invasão



Tuesday, September 29, 2009

Guerras regionais e outras não tão regionais


Algumas guerras têm conseqüências apenas locais ou regionais, outras têm conseqüências globais, mas por um curto período. Não dá para buscar equivalência entre, p.ex., a Crise de Suez (1956) e a II GM. Este caso é um óbvio exemplo que mudou praticamente tudo que veio depois. Algumas guerras, no entanto, parecem ser episódios isolados e regionalmente autônomos, como foi o caso da Península Coreana para depois se compreender como estava ligada a um contexto mais abrangente da Guerra Fria.

A questão que eu proponho discutir e estará mentindo quem disser que tem a resposta, é se o Iraque tem a ver com a Guerra da Coréia no sentido de que não foi uma guerra que se encerrou em si mesmo, mas uma campanha contra o Islã radical,. Esta é minha visão, mas isto só poderá ser vislumbrado no futuro, evidentemente.

Os objetivos gerais dos EUA (para quem não leva em consideração o que chefes de estado dizem, mas o que fazem) seriam:

  1. Mudar a percepção regional através de uma vitória decisiva;
  2. Eliminar a possibilidade de construção ou utilização de ADMs;
  3. Usar o Iraque como centro de operações para a região (sua localização é bem privilegiada).

Pouco importa se Saddam não tinha as ADMs alegadas por GWB, mesmo porque já utilizara químicas e bacteriológicas contra os curdos, mas o Irã era o alvo verdadeiro, bem como a insuflação waabita na Arábia Saudita. A dependência regional como base de apoio da península arábica também fragilizava e deixava a ação americana com poucas opções. Só assim podemos entender outros movimentos regionais, em aparente desassociação, como foi o caso recente do Cáucaso envolvendo Geórgia, Ossétia do Sul e Rússia... A Geórgia queria um oleoduto passando por seu território (nacional), ao que os ossetas (russos) insuflados por Moscou bradavam por autonomia. Na verdade, este duto seria alternativa energética para a Europa aumentando a oferta e reduzindo a dependência de combustíveis russos a partir do Cáspio. A desculpa era a autonomia das regiões russófilas dentro da Geórgia, enquanto que o monopólio russo estava em jogo.

E a OTAN? Na região seria moeda de troca, pois não há como investir numa infra-estrutura tão cara sem defendê-la e a organização tinha mais legitimidade que qualquer ação individual. Ou era isto ou se ficaria a mercê de qualquer um com um lança-foguetes. Claro que se trata de uma ameaça aos russos, mas esta é uma ação decorrente da disputa energética pela quebra do monopólio de petróleo e gás e não uma ‘resposta’, como muitos querem, a autonomia do Kosovo.

Os russos deram seu recado, mas o fato é que a OTAN deslocou suas frotas ao Mar Negro cercando o Oriente Médio de norte a sul, pois já está situada no Golfo Pérsico. No oeste temos Israel e Turquia, o que falta é algo estável a leste...

Quem perdeu? A Geórgia. Quem ganhou? Moscou e Washington elevando a disputa para outro nível ou, se preferirem, área.

Friday, August 07, 2009

TecFlex para geopolítica


O investimento em pesquisa e desenvolvimento para substitutos energéticos vai além das necessidades ambientais: trata-se de um imperativo geopolítico num mundo onde o transporte depende de mais de 90% de petróleo e cerca de 80% das reservas mundiais são controladas pelo Oriente Médio.

Os "veículos flex" precisam para isto de apenas $100,00 adicionais por veículo para serem fabricados e ainda se ganha o bônus de incentivar a produção de uma importante cultura por agricultores do mundo subdesenvolvido ao promover toda uma cadeia de produção, beneficiamento e distribuição.




Fonte: www.meforum.org
Review of Energy Victory: Winning the War on Terror by Breaking Free of Oil :: Middle East Quarterly

Monday, January 26, 2009

Obamis - 2


Acho que o DaMatta resumiu bem o que penso sobre o fenômeno Obama aqui. No fundo, eu queria que Obama ganhasse mesmo, embora minhas idéias e noções básicas sobre comércio internacional (tendo em foco o Brasil) se afinem muito mais com McCain... Acontece que o significado da vitória do ‘negro’ seria importante em termos mundiais e, politicamente, estratégico. Afinal, não é pouca coisa termos um ‘Hussein’ na presidência dos EUA.

Economicamente, consideradas as propostas de Obama, como detalhes que levem a um maior protecionismo das empresas nacionais vejo como um desastre. Não que eu seja um liberal tout court, pois não sou, mas assim como Bush (em seu primeiro mandato) estipulou cotas de importação de aço europeu, ao que foi confrontado pelos empresários que necessitavam de matéria-prima a preços competitivos e recuou, penso que Obama agradará a muitos com suas propostas demagógicas e “latino-americanas” ao estilo de “perfeito-idiota” nos primeiros meses para depois ver as taxas de crescimento declinarem relativamente. Enquanto que muitos louvam suas propostas de taxação do carvão e incentivo ao biodiesel de milho esquecem que poderá haver barreiras ao biodiesel brasileiro e cotas de importação dentre outras estratégias inibidoras para nossas exportações. Neste quesito, exceção feita ao combate ao narcotráfico, os EUA são campeões por que aplicam princípios de mercado que encorpam a economia no longo prazo. O velho McCain também tinha uma proposta para a imigração e a previdência social que combinava dois problemas com uma solução: legalizar cerca de 20 milhões de imigrantes incorporando-os ao fisco para financiamento de aposentadorias e benefícios sociais. Isto é, crescer o bolo para distribuir. Ao passo que Obama só pensa na faca para cortar o bolo e esquece seu fermento...

Quanto a Guantánamo, mesmo que extinga o centro prisional, não sei como será o realocamento de seus presos. Por certo que apenas soltá-los seria um desastre. Afinal, dezenas de presos soltos voltaram ao terrorismo e não seria exagero pensar que uma liberação em massa traria mais prejuízos ainda. No entanto, se isto significar uma aproximação ao país de Raúl Castro e extinção gradual do totalitarismo pela adoção da democracia e da economia de mercado na “ilha-cárcere”, talvez o sacrifício valha a pena.

Agora, as questões mais candentes estão no leste, como não poderia deixar de ser: Irã, Iraque e Israel. Alinhavar um acordo com Israel pode ser o mais difícil, mas isto não pode significar um trunfo para Ahmadinejad se seu prestígio crescer ao ponto de fortificar seus intentos sanguinários e fundamentalistas, como tentar aliciar países como a Arábia Saudita em uma nova jihad.

Entre Israel e Irã está o Iraque. Tirar as tropas agora, sem um bom e alinhavado plano seria temerário. A questão do Iraque envolve negociações com o Irã que, graças a presente crise serviu para baixar os preços do barril de petróleo e também a bola dos aiatolás. Com isto, Teerã voltou à mesa de negociações e a violência no sul do Iraque (Basra) diminuiu. Estão mais mansos, é verdade. Tanto que o Irã não deu apoio (não, explicitamente) à aventura russa na Geórgia. E, embora a campanha russa tenha parecido uma derrota da Otan penso que serviu de pretexto a um avanço tático no Mar Negro. Com o posicionamento da marinha americana e demais aliados da Otan ao norte somadas às tradicionais posições no Golfo Pérsico, o Iraque está cercado. Isto, sem contar com o apoio da peça-chave que representa a Turquia. Perde-se uma Geórgia para ameaçar (ou ganhar) um Irã/Iraque.

Resta saber se Obama saberá manter o jogo.


Wednesday, November 19, 2008

Piratas

Seqüestro de petroleiro marca escalada pirata na costa da África

O seqüestro do superpetroleiro saudita Sirius Star no último fim de semana é o ápice da escalada de ataques piratas na costa leste africana, considerada uma das rotas mais perigosas para navegação no mundo. Atualmente, os piratas mantém dezenas de navios seqüestrados, com mais de 200 tripulantes reféns.

Como estão bem armados, com metralhadoras, granadas e lançadores de foguetes, as forças estrangeiras na área evitam o confronto direto, enquanto os proprietários negociam o pagamento de resgates. O caos na Somália, onde forças islâmicas combatem o governo apoiado pelo Ocidente, permitiu o desenvolvimento da pirataria na região. No último dia 10, a União Européia aprovou a primeira operação naval de sua história para lutar contra os piratas em plena atividade na Somália e no golfo de Áden, onde aconteceram 63 dos 199 ataques de piratas registrados no mundo entre janeiro e setembro de 2008. Em 25 de setembro passado, piratas seqüestraram na costa da Somália o cargueiro ucraniano Faina, carregado com 33 tanques e diversos armamentos a bordo. O navio e a tripulação permanecem em poder dos seqüestradores, que exigem US$ 20 milhões para liberá-los.

http://www.videversus.com.br/index.asp?SECAO=80&SUBSECAO=0&EDITORIA=10912

...
Quanto querem apostar que os EUA serão chamados ou será insinuado que devem colocar ordem na região para depois os criticarem por um "injustificado intervencionismo"?

Tuesday, October 21, 2008

A crise e sua ironia




A ironia da crise econômica*

Como a China e os exportadores de petróleo têm salvo a economia americana.

Apesar da crise, os mercados e a economia continuam funcionando. Números catastróficos não foram divulgados pelas agências de risco à economias emergentes. Tampouco, nenhuma crise de liquidez se formou, na qual a demanda por dinheiro não é suprida. As ações do FED, p.ex., não se identificam por taxas de interesse de curto prazo. Para falar que houve ou não impacto de suas ações, só no longo prazo.

Muitas pessoas, no entanto, avaliam que estamos vendo somente “a ponta do iceberg”, “o início de uma reação em cadeia” e que “a economia iniciará um processo recessivo”. Acontece que os mercados agem com base na antecipação de eventos futuros e não no passado. Historicamente, os mercados declinam seis meses antes da recessão iniciar. Entretanto, uma crise de liquidez não reflete o longo prazo das taxas de investimento e, a recessão percebida não tem correspondido a um declínio significativo nos mercados globais.
Os preços do barril de petróleo salvaram os investimentos na década de 70, assim como boa parte foi transferida para os países em desenvolvimento incentivando a exportação de commodities. Como conseqüência, o custo de implantação de plantas industriais nos EUA aumentou em dois dígitos, o que favoreceu a expansão capitalista mundial.
Então, para onde vamos?
Parte desta resposta se refere aos últimos cinco anos, dos quais a China tem recebido montanhas de dinheiro. O país tem mais dinheiro do que seu mercado é capaz de metabolizar. As massivas reservas de dólares chinesas impelem os chineses a investir fora do país em mercados financeiros. Dado que os EUA são o principal consumidor chinês e a única economia mundial capaz de absorver tais reservas - não só por sua magnitude, mas também pela sua estabilidade -, podemos prever um novo fluxo de investimentos e financiamentos do mercado financeiro americano. Este é um dos fatores que mantém as taxas de investimento baratas e o mercado funcionando. Tampouco, se trata de nenhuma novidade: o fluxo de dinheiro asiático ao mercado americano remonta ao início dos anos 80.
Outra parte da resposta se refere na auto-estabilização dos preços do petróleo, cuja ascensão deveria devastar os mercados americanos em primeira instância. Os preços atuais sugerem que a estabilidade da demanda criaria excedente para ser absorvida somente em seus países exportadores. Os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, produziram muito dinheiro, particularmente em 2007, que foi investido em mercados estrangeiros.
E não importa de onde o dinheiro vêm. Dinheiro, óleo são fungíveis, o que significa que se todos os petrodólares que foram para a Europa migrassem para os EUA como investimentos, os europeus, provavelmente, se beneficiariam. Os produtores de petróleo do Golfo Pérsico e os chineses têm algo em comum - eles estão ligados ao dólar. Se o dólar baixa, investir em outros países se torna mais caro. Assim, é perceptível dois grandes movimentos de investimentos para os EUA, um da China e outro da indústria energética. As reservas de dólar chinesas derivam das vendas para os EUA e sua moeda, o yuan está atrelado ao dólar. A indústria energética, também inserida na zona do dólar, precisa encontrar um porto-seguro para seu dinheiro - e o maior, com maior liquidez de mercado do mundo ainda são os EUA.
Não somente a China e o Golfo Pérsico são carreados para a moeda americana, produtores de energia como a Rússia, Nigéria e Venezuela utilizam, sem problemas, seus dólares internamente. Mesmo que pague mais pelo petróleo, a dependência chinesa ao dólar lhe confere estabilidade. Complementarmente, a Península Arábica vende petróleo em dólares e contratos feitos em euros são, particularmente, difíceis de converter. Contratos feitos em outras moedas enfrentam um desafio e os árabes não poderão controlar outras moedas e cessar com contratos apertando um interruptor.
Esta situação sugere uma explicação para a resiliência dos mercados americanos. Toda vez que notícias da situação do subprime soam horrendas e os mercados americanos ameaçam quebrar, o contrário ocorre. De fato, os mercados americanos levantaram-se e estão se reagrupando. De onde vem o dinheiro?
No momento, da zona do dólar, do imenso caixa chinês e da Península Arábica. Este influxo acontece anonimamente através de ações ordinárias no mercado, embora ocasionalmente pareçam grandes, são simples operações que permanecem abertas. Nas últimas semanas, por exemplo, Dubai investiu USD 7 bilhões no Citigroup, ajudando a arrumar o balanço da companhia e, não por acaso, deixando claro que os dólares acumulados no Golfo Pérsico serão usados para estabilizar os mercados americanos.
Não se trata de caridade. Dubai e o resto da Península Arábica, assim como a China, têm que desovar suas gigantescas reservas de dólares e a última coisa que querem fazer é vender dólares em quantidade suficiente para baixar mais seu valor. Tampouco lhes interessa uma crise financeira nos mercados americanos. Ambos os chineses e árabes teriam muito a perder com uma crise destas. Um incontável número de transações de mercado aberto, assim como investimentos públicos, são movidos para apoiar os mercados americanos, muito embora por suas próprias razões não-filantrópicas.
Os especuladores devem estar loucos de investir numa hora destas, dado os problemas financeiros. Mas, não estão. Eles mantêm suas operações, não importando quanto foram duramente atingidos. O dinheiro não está vindo de instituições financeiras e fundos de pensão que foram estripados em hipotecas, mas sim de algum outro lugar. Está vindo da terra do barril de petróleo a USD 90,00 e dos brinquedos baratos.
Muitos enxergam nesta crise (por que desejam assim enxergar...), os suspiros de uma potência mundial em decadência. Mas, enquanto investirem nos mercados americanos, não são eles que têm o poder e sim quem os atrai, ou seja, os Estados Unidos da América. Para chineses e árabes há poucas opções de investimentos para reciclar seus dólares fora dos EUA e mesmo outras moedas que não o dólar também estão ligadas a esta. Estas são as duas fontes que mantêm o funcionamento do sistema financeiro mundial - China e Península Arábica. Portanto, chineses e árabes podem sair e especular ou manterem-se seguras investindo no mercado americano.
Assim como qualquer commodity, o petróleo não é exceção para o inerente ciclo de alta e queda dos preços. Tão logo o preço do barril caia, somado ao montante de dinheiro árabe e chinês que flui para os EUA, o sistema internacional produzirá um retorno agregado na distribuição de capital. Dado o tamanho da economia americana e a dinâmica do dólar, grande parte deste capital voltará aos EUA. A situação é relativamente simples: os Estados Unidos podem ter sua crise financeira que forças globais surgem para estabilizá-lo.
Chineses e árabes não estão investindo nos mercados americanos porque gostam dos EUA. Eles estão presos dentro do mercado americano. Não obstante os boatos de alianças contra os EUA, a história tem suas ironias. Quem diria que os mercados americanos seriam salvos por “rivais geopolíticos”, como a China e o mundo árabe? Esta têm sido sua missão e, até agora, têm feito um bom trabalho.

* China and the Arabian Peninsula as Market Stabilizers, www.stratfor.com.

Sunday, September 07, 2008

Dilema - 1

O Irã vive tensões internas entre a teocracia e o governo civil. Há um desejo paradoxal de modernização sem a ameaça de perda com seu vínculo religioso. Neste sentido, é que é possível entender o apoio interno a Ahmadinejad. É não é de duvidar que os aiatolás o vejam como um inconveniente necessário.

E
Os produtores de petróleo, como A. Saudita, Kuwait, EAU etc. se sentem ameaçados pelo Irã. O problema é que, se por um lado o Irã os ameaça, por outro, esta instabilidade diplomática joga o preço do barril de petróleo para cima (tal qual 1972). E os EUA estão na ambígua posição de defender aliados, mas ser contra interesses imediatos destes.
Este é o dilema. Ahmadinejad é só uma pedra daquelas que ficam no meio do caminho. Chutá-la é fácil, difícil é saber para onde jogá-la.

Wednesday, August 27, 2008

A balança de poder russa

...

A invasão russa da Geórgia ainda não mudou, substancialmente, a balança de poder na Eurásia. A ação americana no Iraque ou no Afeganistão, bem como a instabilidade no Paquistão permanecem as mesmas. Os americanos não auferiram nenhum poder a mais para influenciar no território da ex-União Soviética ou manter forças reservas terrestres para interferir no Cáucaso. De um ponto de vista exclusivo a partir de Washington, os americanos não ganharam muito no Cáucaso, mas podem perder.

Retomemos os eventos: dia 7 de agosto, forças georgianas fizeram incursão sobre a região separatista da Ossétia do Sul, que mantinha um status autônomo desde o fim da URSS. Sua capital, Tskhinvali foi ocupada. Na manhã seguinte, blindados e infantaria motorizada russas apoiadas pela força aérea invadiram o território georgiano na Ossétia do Sul. Informalmente, esta região se alinhou a Rússia que operou para anular sua incorporação à Geórgia. Dada a velocidade da operação que, em questão de poucas horas, levou a reação russa, está claro que os russos já sabiam das intenções de Tbilisi. O contra-ataque, cuidadosamente planejado que forçou a retirada georgiana levou apenas dois dias. No domingo, dia 10, os russos já logravam consolidar sua posição de ocupação na Ossétia do Sul (veja o mapa ao lado). No dia seguinte, os russos atacaram forças georgianas como se fossem dois machados. Um deles em direção a cidade georgiana de Gori ao sul, o outro em direção a Abkhazia, região separatista da Geórgia alinhada com os russos. O objetivo foi cortar a ligação da capital georgiana, Tbilisi com os portos do país. A partir daí, os russos bombardearam as bases aéreas de Marneuli e Vaziani. Seu posicionamento, a cerca de 60 quilômetros da capital georgiana tornou, praticamente impossível seu reabastecimento de Tbilisi.



O porquê da invasão georgiana

O ponto de partida de nossa indagação é qual o objetivo da invasão da Ossétia do Sul pela Geórgia na noite de quinta-feira? Após três noites precedentes de vigília osseta em vilas georgianas houve a troca da artilharia. Os georgianos, como é seu caráter, lutaram e resistiram, sob o claro intento de levar a ação da Geórgia para frente. Os EUA são os aliados mais próximos do país. Cerca de 130 conselheiros militares americanos e mais outros civis assessoravam o governo georgiano e empresários com os quais negociavam. Desta forma, torna-se inconcebível que os EUA não soubessem dos planos de Tbilisi. A inteligência americana, seus satélites e aviões espiões teleguiados também deveriam estar monitorando a movimentação de tropas russas. Estamos falando de milhares de soldados russos se deslocando em direção ao sul. Os russos sabiam claramente que os georgianos iriam contra-atacar. Como então, os americanos não poderiam saber igualmente dos russos? Da mesma forma, os americanos deveriam saber que a ação georgiana era o pretexto ideal para Moscou invadir e expulsar as forças da Geórgia. Se os georgianos se apoiavam nos americanos (e confiavam neles), não poderiam meter os pés pelas mãos e traçar uma estratégia que prejudicasse suas negociações regionais indo contra seus próprios interesses. Uma hipótese é que houve uma avaria na inteligência americana ou um péssimo calculo do poder de contra-ataque russo. Difícil crer que sua análise se baseasse no histórico da década de 90 quando o exército russo estava uma verdadeira bagunça e seu governo paralisado. Com a insuflação do separatismo nas regiões georgianos, os russos prepararam uma arapuca na qual os patos georgianos caíram direitinho.

Outro episódio em que os russos tomaram a dianteira foi na movimentação em território afegão nos anos 70 e 80, quando os EUA se viram forçados a buscar reforços e apoio nos guerrilheiros muhajedin de base ideológica talebã. E isto que os russos evitaram estes movimentos por anos... Ao contrário dos EUA, a Rússia não viu nenhum obstáculo militar. Economicamente, Moscou sabe muito bem de sua importância da exportação de seu gás para a Europa. Politicamente, os americanos necessitam dos russos, mais do que os russos necessitam dos americanos. O momento era ideal e o golpe, preciso.



O cerco ocidental a Rússia

Há alguns precedentes que explicam a motivação russa. Do ponto de vista ocidental e, americano em particular, a Revolução Laranja na Ucrânia (novembro de 2004), que levou um líder pró-ocidental ao poder, Viktor Yushenko, representou uma vitória da democracia. Para os russos, por sua vez, esta “revolução” era uma intrusão apoiada pela CIA para trazer a Ucrânia a esfera de influência ocidental e americana, leia-se Otan. O pai de George W. Bush – George H. W. Bush – e Bill Clinton prometeram que a Otan não se expandiria para os limites do ex-território soviético. A promessa fora quebrada em 1998 com a incorporação da Polônia, República Tcheca e Hungria ao seu sistema de defesa. Novamente, em 2004, não se contentando com a Europa Central, a Otan incorporou outras três ex-repúblicas soviéticas no Báltico, Lituânia, Letônia e Estônia. Os russos toleraram tudo isto até que chegou a vez da Ucrânia, cuja entrada no “guarda-chuvas” da Otan representou uma ameaça a sua segurança nacional. Se consumada sua entrada na Otan, a Federação Russa ficaria desestabilizada e indefensável. Quando, por fim, tentaram incorporar a Geórgia, a influência russa no Cáucaso seria, por fim, extirpada. A conclusão óbvia era que os EUA iriam partir a Federação Russa em diversos movimentos separatistas, descosendo-a como se rasgassem um velho cobertor cheio de remendos. Lembremos ainda que, pouco antes, Europa e EUA apoiaram a independência do Kosovo em relação a Sérvia. Os sérvios, antigos aliados dos russos não eram o problema, mas para Moscou desde o fim da II Guerra era condição de estabilidade que as áreas de influência não fossem alteradas. Com este princípio violado, outras regiões, dentro da própria Rússia poderiam seguir o exemplo. Os russos solicitaram que este status não fosse alterado, mesmo porque o Kosovo já tinha uma autonomia informal que equivalia, na prática, a esta nova independência formal. A Rússia foi simplesmente ignorada.

Desde o ocorrido na Ucrânia, os russos já concluíam que os EUA estavam cercando-os ostensivamente e estrangulando seu país em pontos estratégicos. Mesmo em episódios de menor importância estratégica – como foi o caso do Kosovo –, EUA e Europa não levaram a Rússia em consideração uma só vez. Chegara o limite para a ruptura. Se mesmo em um caso de pequeno significado regional (política e economicamente falando), a Rússia não tinha qualquer peso, para Moscou, o Ocidente já lhe declarara guerra. Para os russos não se tratava mais de entender o porquê disto tudo, mas sim em como responder a isto tudo. Se o Kosovo podia ser declarado como independente sob patrocínio ocidental, a Abkhazia e Ossétia do Sul também poderiam ter suas independências patrocinadas pela Rússia. Tratava-se apenas de jogar com as cartas que se dispunha. E os russos jogaram com quase todas.

Para os russos foi uma vitória moral: ao protestarem, EUA e Europa se revelariam hipócritas, pois negavam à Abkhazia e Ossétia do Sul, o mesmo que defenderam para o Kosovo. Por razões políticas internas a Rússia, o fato era importantíssimo. Se para o ministro Putin, a queda da URSS fora um desastre, isto não significava que quisesse retomá-la nos mesmos moldes de antigamente, mas que a segurança nacional estava, a partir de então, em uma rota perigosamente descendente. Uma rota de insegurança patrocinada pelo Ocidente. Urgia, para ele, retomar a influência russa nos territórios da extinta União Soviética.

Consideremos o seguinte: durante a Guerra Fria, São Petersburgo estava 1.930 km distante de qualquer país da Otan. Hoje está apenas 96,5 km distante da Estônia, um membro desta organização militar. A desintegração soviética deixou a Rússia cercada por países hostis ao seu antigo domínio e influenciados por americanos, europeus e, em alguns casos, pela China.[1]



A ressurreição da esfera russa

Putin não quis restabelecer a URSS, mas quis restabelecer a hegemonia russa dentro do ex-território soviético. Para tanto, ele teve que implementar as seguintes tarefas:
1) Reconstruir o exército russo e restabelecer seu crédito como força de peso regional.

2) Anular a influência da Otan no contexto regional da periferia russa.
Sua intenção não era o confronto direto com a Otan (mesmo porque, provavelmente, perderia), mas ter o poder de derrotar ou dissuadir qualquer país alinhado com a organização em sua periferia. Cabia a ele anular qualquer intento de ativar o Dispositivo Automático de Entrada (D.A.E.) que permite aos EUA avançar sobre território de outro país a partir de seus aliados regionais. Como demonstração de força neste sentido, a Geórgia foi a escolha perfeita para sua demonstração de força e coragem. “Coragem”, não contra a Geórgia, pois daí já seria covardia, mas em desafio a Otan mesmo, o que fez de modo competente.

O que Putin também revelou era o sabido de todos, mas não demonstrado empiricamente: como os EUA se acham atrelados a suas ações no Oriente Médio não poderiam oferecer muitas garantias no Cáucaso, ou em qualquer outra parte do globo.

No cômputo da operação até o momento, uma lição para ucranianos, georgianos, bálticos, europeus e centro-asiáticos digerirem, serviu como bônus. Especialmente, para a Polônia e República Tcheca.

Para o Kremlin, a defesa de mísseis balísticos que os EUA querem introduzir nestes países é uma ameaça clara a Rússia. Com o ataque a Geórgia, Putin e Medvedev querem demonstrar que as promessas e garantias dos americanos são vazias. Para os EUA, o Oriente Médio e, particularmente, o Irã lhe tomam muito mais atenção em detrimento do distante e inóspito Cáucaso. E os americanos querem a aliança russa contra o Irã, particularmente, não lhes vendendo armamento, como o eficaz sistema de defesa aérea S-300. Se os russos quiserem mesmo importunar os EUA, poderão vender armas não somente ao Irã, mas também a Síria.

O dilema americano consiste em priorizar o Cáucaso agora e deixar o Oriente Médio (o que parece fora de questão) ou limitar sua ação na Geórgia para evitar uma aliança russo-iraniana. Apesar dos interesses russos confluírem aos dos EUA na questão iraniana – o sistema de armas iraniano é mais ameaçador para a Rússia do que para os EUA considerando seu território mais próximo... O mesmo podendo se dizer sobre o Afeganistão, um acirramento do conflito no Cáucaso com maior ingerência americana pode alterar a situação para um quadro diametralmente oposto: uma aliança russa com o Irã e rebeldes afegãos contra os EUA.

Os ventos atuais são, aparentemente, favoráveis a Moscou. Seus coringas estão no fato de que:
1) Os russos apóiam os americanos (por enquanto...) em regiões críticas como o Afeganistão e Irã (próximos de suas fronteiras).

2) Os europeus dependem de seu fornecimento de gás e padecem com o déficit de forças expedicionárias.

Apesar de não ser uma potência mundial como os EUA, a Rússia é uma inegável força regional com reservas de armas nucleares e uma economia em ascensão, embora muito dependente de seus recursos naturais. Estes simples fatos compelem seus vizinhos a reavaliarem seus posicionamentos políticos em relação a Moscou.

No caso da Geórgia, provavelmente os russos exigirão a renúncia do presidente, Mikhail Saakashvili. Isto é o que querem e para isto estão se movimentando. Em uma escala mais ampla, a Rússia tem dado demonstrações de requerer o retorno ao status de grande potência. Em uma favorável combinação de fatores e eventos de médio prazo: o retorno do investimento e organização militares sob os governos de Vladimir Putin e, os gastos e envolvimento americanos no Oriente Médio ajudaram a consolidar o crescimento do poder russo. Uma “janela de oportunidade” se abriu para Moscou e o Kremlin a atravessou. Enquanto os americanos estiverem atrelados a sua geopolítica no Oriente Médio, a Rússia tenderá a crescer regionalmente. A guerra na Geórgia não foi uma surpresa, foi preparada por meses. Se as fundações geopolíticas que datam de 1992 fossem suficientes para deter o curso histórico de séculos em que a Rússia se sedimentou como poder imperial, não teríamos este conflito. Talvez, os últimos 15 anos tenham sido uma “aberração histórica” para o leste europeu. Se a retificação para um “eterno retorno” do Império Russo devesse ocorrer, ela está ocorrendo justamente agora.



[1] Mesmo que alguns insistam em acreditar numa suposta (e paranóica), aliança sino-russa...

Saturday, June 14, 2008

A paz que vem do subsolo





A Conferencia Inter-religiosa na Arábia Saudita, dia 4 mostrou quão dividido é o mundo islâmico atual. Acusações dos xiitas do Irã e Hezbollah contra os sunitas de “fingirem hostilidade aos EUA” estão entre algumas de suas manifestações. Pois, há que considerar que a rivalidade entre sunitas e xiitas força os primeiros a um alinhamento com os EUA – através da possibilidade de defesa militar mesmo – contra a centralização e força dos segundos no governo iraniano. Internamente, os lideres religiosos sunitas na Arábia Saudita consideram a al-Qaeda uma ameaça nem tanto por razoes teológicas, mas pelo “internacionalismo” do agrupamento religioso que põe em cheque a estabilidade regional dessas lideranças. No meio disto tudo, o dinheiro saudita é o meio de comprar a união religiosa entre os conservadores sunitas, o que faz com que se reduza sua oposição ao “ecumenismo islâmico” de Riyadh. Um complicador adicional reside no Irã que não tem se beneficiado da alta do petróleo como os sauditas restando aos aiatolás o reforço ao financiamento de atividades xiitas no Líbano e da insuflação do Hezbollah.

Se há temor de uma guerra também há o desejo de que a situação favorável do petróleo dure com os US$ 130,00 por barril. Os sauditas sabem que isto não é permanente, só não sabem por quanto tempo ficarão lucrando assim. Se a situação de tensão com o Irã parece insustentável para manter tamanha lucratividade, as tensões têm que ser urgentemente afastadas, nem que seja com uma retórica diplomática religiosa unionista.

O aparente paradoxo dos sauditas reside na manutenção de seu alinhamento defensivo com os EUA ao mesmo tempo em que promovem uma união islâmica. A política saudita parece, portanto, ambígua. Internamente, buscam acalmar os ânimos conservadores antixiitas e contrários ao líder religioso Rafsanjani do Irã e, externamente, apóiam os grupos opositores do Hezbollah. Enquanto o Irã não desafiar os interesses de Riyadh com os lucros do petróleo, o que levaria a acionar o “gatilho yankee”, pode se deixar o país dos aiatolás em “banho-maria”.

Entre os planos de pacificação da região estão o envio de recursos à Síria e ao Líbano. Juntamente, com a Turquia, a Arábia Saudita busca uma estabilidade regional. Os sauditas também encorajam acordos entre israelenses e palestinos – o que pode, indiretamente, favorecer Damasco –, assim como há suspeitas de que estejam exercendo pressão sobre o Hamas. Não há nenhum interesse saudita no desequilíbrio e instabilidade entre Síria e Hezbollah com Israel.

Mas, sua estratégia pacificadora não reside apenas na manutenção de forças estabelecidas: cabe evitar ou eliminar que outras surjam... Os sauditas não querem ver o aumento de poder xiita no Iraque e marginalização dos sunitas no país. Assim como também não é bem vindo, o aumento da hegemonia da al-Qaeda entre os iraquianos. A partir de 2003 com exceção da região curda, o Iraque perdeu muito dinheiro devido à redução da exploração petrolífera e neste ponto é que entra a influencia e apoio saudita. Este súbito interesse pacificador saudita para assegurar a estabilidade regional implica em um reposicionamento em relação à política externa americana, o controle dos seus conservadores religiosos sunitas e uma relação de dissuasão com os xiitas iranianos.

Neste contexto de “diálogo inter-religioso”, cujos interesses por certo não são teológicos, é que tem que se entender a visita do presidente egípcio, Hosni Mubarak a Arábia Saudita na semana que passou. E não é de hoje que o Hamas tem no Sinai uma base de operações logísticas para ataques a Israel... Recentemente, dois egípcios, dois palestinos e um beduíno foram presos por carregarem artefatos militares pelo deserto e, após ser encontrado um esconderijo de mísseis terra-ar no Sinai, Mubarak sinalizou com seu interesse nos acordos de paz entre israelenses e palestinos. Cabe a ele evitar que o radicalismo do Hamas não se estenda ao Egito e permaneça retido na Faixa de Gaza. Com certeza, egípcios e sauditas têm muito a discutir.

Não se trata de um novo alvorecer no Oriente Médio, mas se as negociações de paz através do dialogo inter-religioso não tem suficiente poder, o óleo sim. Se uma paz duradoura e desejável não é possível, ao menos uma maior estabilidade pode durar tanto quanto verter o dinheiro do subsolo.

Friday, January 04, 2008

Sobrevoando o expressionismo

Durante a 2ª Guerra do Golfo em 2003, a Arábia Saudita adotou um jogo, no mínimo, complexo. Na retórica se opôs à guerra, mas cooperando abertamente, em alguns casos e, secretamente, em outros. Pior do que isto, só o Brasil durante a Guerra das Malvinas que enviara instrutores de vôo de caças para a Argentina e permitiu o abastecimento de um bombardeiro britânico.
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O fato é que mesmo sem sucessão republicana à 'administração' dos EUA, os americanos podem permanecer por lá indefinidamente, assim como já criaram um governo fantoche. Com todas as letras... A própria Hillary Clinton apóia a defesa externa como se configura atualmente, mas com "mais diálogo". Sim, dialogando com mísseis apontados...
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A posição central do Iraque permite, como é fácil notar, o alcance pelos EUA e RU a qualquer ponto na região, em uma total redefinição geopolítica. A guerra custou muito, mas a tirar pelo que dizem, será um investimento a longo prazo. Isto é o que eu chamo de subsídio, já que o déficit público americano está relacionado à 'aventura'.
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Eu não tinha notado (ingenuidade e cegueira minha) como a Síria é prejudicada com esta ocupação. Com uma Turquia, uma Israel e uma Jordânia como aliadas dos EUA, ela está totalmente cercada. Um mapa temático assim com esta reconfiguração chega a ser um quadro expressionista. Isto sem contar com a frota naval no Mediterrâneo mais a Força Aérea no sul (Iêmen, Qatar e Bahrein). Dominando o Mar Vermelho a partir do Iêmen e o Golfo do Iraque, Bahrein e Qatar, os sauditas "dão e descem". Ou seja, são obrigados a caçarem os waabitas. Só falta redefinir claramente a posição egípcia. O único óbice é o Sudão, mas nada de tão difícil no longo prazo se apoiarem algum movimento meridional anti-Cartum... Uma beleza.
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O problema, como dizem, é o Irã, mais populoso e difícil de intimidar, mas tem o Afeganistão também ocupado. Daí que o Irã também fica cercado. O problema conjuntural é a definição política no Paquistão... A Turquia como tradicional e secular aliada ganha. Ganha também com o possível (em curso) enfraquecimento curdo. Sauditas e iranianos terão que se conformar, mesmo porque sem os EUA, a al-Qaeda poderiam crescer, o que implicaria numa desestabilização de suas instituições com movimentos claramente anti-establishment de seus países. Mas, com a vitória americana, eles também sofrerão pressão em seus sistemas políticos.
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Me parece claro que os EUA não invadiram por causa do óleo: muito mais fácil seria invadir a Venezuela se fosse o caso. Mas, haverá ganhos na reconstrução iraquiana por empresas americanas. Esta sim parece uma preocupação para Teerã e Riyadh, a competição em mercado mais livre na exportação de petróleo. Isto também explica a negativa russa à guerra, pois não há interesse do Kremlin em petróleo mais barato. Se Putin foi eleito o "homem do ano" pela Time, dificilmente o será pela década...

Wednesday, May 02, 2007

Estratégia e investimentos

A Petrobras se expandir interna e externamente é algo bom. O problema é quando outros investimentos não têm o mesmo tipo de apoio. Por outro lado, aliar-se a déspotas do Oriente Médio não é uma estratégia adequada com vistas à longo prazo.
A estratégia de investimentos do governo brasileiro para garantir a disponibilidade de gás e atender a crescente demanda interna se dá, como seria de esperar, via controle monopolístico.
Mas, será que estes terão a chance de viabilizar sua demanda?

A partir de 2008, a Petrobras investirá na Nigéria, cujas reservas são mais do que o dobro das jazidas brasileiras:

A empresa brasileira investirá US$ 500 milhões neste ano, o maior aporte desde 1998, quando chegou ao país. Desde então já foram investidos US$ 1,5 bilhão. Em projetos sociais, a Petrobras investe anualmente cerca de US$ 50 milhoes. Rudy disse que os investimentos sociais tendem a crescer com o avanço dos projetos.

E será que o governo brasileiro terá a mesma conduta que teve com a Bolívia no caso do confisco das instalações da Petrobras com relação ao governo americano, ou agirá de modo a afirmar sua "soberania" até então inexistente?

Wednesday, March 07, 2007

Curtas

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Da BBC Brasil

07 de março, 2007 - 23h21 GMT (20h21 Brasília)
Manchetes


Quando lemos algo assim, fica claro o hiato entre a cosmovisão dos fundamentalistas maometanos e a visão estratégica de alguns chefes de estado árabes:

Rei da Jordânia cobra liderança dos EUA no Oriente Médio

Abdullah disse que 'ciclo de crise está ganhando força' e EUA 'precisam se engajar'.



E qual é o problema? Por acaso dá para ser amigo de sujeitos como Evo Morales ou Hugo Chávez? Na hora H, o governo boliviano honra contratos? Caracas visa o livre comércio de produtos que não o petróleo? Os EUA fazem muito certo em nos "comprar". Ao menos assim há possibilidade de que sua demanda nos oriente a um surto de prosperidade. O verdadeiro problema (ou inimigo) é interno a países como o Brasil, que têm elites incompetentes e refratárias ao progresso que não seja estatalmente induzido. (Nos EUA, o planejamento estatal não prescinde de apoio aos investidores privados que é, exatamente a via e o método adotados para alavancar o etanol como commodity básica.)

Para EUA, Chávez tenta comprar apoio de vizinhos

Investimentos americanos na região tem caratér distinto, diz representante do país.


Por acaso, esta seria um exemplo de política econômica acertada para a América Latina?

Chávez manda fechar fábrica da Coca-Cola por 48 horas

Venezuela acusa empresa de não pagar impostos; companhia nega alegação.


Crítica americana não pode, já se fosse da ONU ou da França, aí a conversa seria outra...

BRASIL

Para Brasil, relatório dos EUA sobre direitos humanos é 'inaceitável'

Balanço americano apontou 'série de abusos por forças policiais' no país em 2006.


Digamos que sim, o que se tem a dizer sobre algo além de uma simples média? E os extremos, como ficarão?

São Paulo será 13ª cidade mais rica do mundo em 2020, diz estudo

Capital ultrapassará Miami, Hong Kong e São Francisco; Rio cairá no ranking.
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