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Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Thursday, December 27, 2007

Não importa a latitude - 2


Tomemos como exemplo nossa vizinha Argentina e o próximo Chile. O país platino é conhecido por suas vastas planícies de solos férteis e encontra-se localizado predominante em latitudes médias. O que, aliás, também ocorre com o vizinho andino, exceto por um território montanhoso na sua maioria e pequenas extensões de terra agricultável. Qual poderia ser, no entanto, a vantagem histórica do Chile sobre a Argentina? Em termos físicos, praticamente nenhuma, mas...

"O Ministro das Finanças nos apresenta, portanto, o balanço estritamente técnico da tentativa chilena de retorno à economia de mercado. É verdade que o Chile obteve alguns resultados dignos de interesse, que podem ser resumidos em uma única estatística: em 1973, por ocasião da queda de Allende, o país dependia, em 90%, de suas exportações de cobre; hoje, o cobre não representa mais do que 45% das vendas externas, graças a uma diversificação notável das pequenas e médias empresas na agricultura e na indústria. Essa reversão dos componentes do comércio exterior é essencial, porque demonstra que é possível superar o handicap fundamental da maior parte das nações do Terceiro Mundo: a dependência externa baseada na monoprodução de matéria-prima com cotação imprevisível.

"Bucchi observa que o Chile não fez mais do que aplicar uma das receitas da teoria liberal: deixar livre o jogo das vantagens comparativas. O país, portanto, voltou radicalmente as costas ao protecionismo recomendado pela CEPAL, reduziu todos os direitos de alfândega a 10%, suprimiu todas as quotas, desvalorizou a moeda e liberou, no mercado interno, todos os preços e salários. Essa terapêutica redundou numa reclassificação profunda das atividades. As indústrias que só prosperavam ao abrigo da concorrência estrangeira foram varridas, enquanto outras emergiram e prosperaram, tirando proveito do custo da mão-de-obra ou dos preços acessíveis dos recursos naturais. Foi dessa forma que as exportações de frutas, madeira e mecânica leve substituíram progressivamente o cobre. Durante esse período, os empregos e os salários tiveram sobressaltos consideráveis, causados em parte por essa política, mas, muito mais ainda pela crise mundial. No total, Bucchi e a maioria dos economistas chilenos consideram que seu país atravessou melhor esses anos que os outros países da América Latina: particularmente, o número de empregos aumentou no Chile, enquanto diminuiu na Bolívia ou na Argentina. O crescimento do Chile se revigorou, enquanto nos países vizinhos foi quase sempre nulo ou negativo."
Guy Sorman, A Nova Riqueza das Nações. Rio de Janeiro: IL: Nórdica, 1987, pp. 24-25. Grifos meus.


Bem... Eu acho que nasci para ser um jogador de rugby, mas não treinei e hoje só jogo pingue-pongue. O ‘determinismo’ não contempla todas as situações, ele depende de opções. “Possibilidades”, como diria Vidal de la Blache, geógrafo francês e grande missivista de Ratzel.

As Ilhas Cayman também “nasceram para balneário” como Cuba, mas optaram por uma especialização do Terciário que é o financeiro. As possibilidades existem, assim como a possibilidade de um decrépito ditador latino-americano fazer da ilha de Cuba seu quintal.

Voltando à “Down Under”, como é carinhosamente chamada a Austrália, a cidade setentrional de Cairns, na província de Queensland fica na latitude próxima da baiana Ilhéus. Se o grau de insolação decorrente desta localização dissesse algo, teríamos grandes similaridades. Mas, como se pode imaginar, isto não ocorre. Os pólos de desenvolvimento mais ao sul, Sydney e Melbourne poderiam ser tão inflados e deslocados em relação a sua periferia quanto São Paulo ou Rio de Janeiro, mas também não é o que se vê.

Ocorre que a federação australiana, diferentemente do caso brasileiro, é uma verdadeira federação. Até mesmo, normas como horário de verão não são decisões federais, e sim dadas pelas suas províncias. Isto é um pequeno exemplo de como uma cidade ou sua província não se sujeita aos mandos centrais postergando seu desenvolvimento. Desenvolvimento este que é, no limite, fruto de decisões políticas.

Se a teoria do desenvolvimento determinada pela localização aqui se fizesse valer, a ilha da Tasmânia na mesma Austrália lograria maior riqueza, coisa que definitivamente não ocorre. Nem alhures, como a localização tropical de Hong Kong que já chegou a deter 1/3 do PIB chinês é um problema.

Na atual conjuntura mundial da globalização, pouco importa ser ‘separado’ de uma região desenvolvida se o comércio for mantido. Basta ver o que era a Espanha antes e depois de se integrar a União Européia. Analogamente, se o Quebec se separasse do Canadá não perderia muito, exceto se juntamente a secessão também adotasse uma política protecionista aos moldes terceiro-mundistas.

A pior região do globo em termos de desenvolvimento social é a África Subsaariana, localizada predominantemente em Zona Intertropical, mas a maior população pobre do globo encontra-se em Zona Temperada Setentrional, como é o caso da multidão de países asiáticos. A própria Índia tem a maioria populacional localizada em latitudes medias. Mais uma vez, a teoria do subdesenvolvimento devido a localização em baixas latitudes é desmentida.

Desertos também podem ser considerados, mas nem eles não mais se constituem em grandes bloqueios ao desenvolvimento, como pode se observar no caso da “ilha de excelência” que é Israel envolta por um “mar de desesperança árabe”.

Não importa a latitude



Durante muito tempo, o prestigioso geógrafo alemão Friedrich Ratzel influenciou o mundo acadêmico com suas idéias. Antes de tudo, nada contra alguém acreditar em determinações físicas entre ambiente e sociedade, mas querer formular uma “teoria geral do desenvolvimento” a partir disto não passa de uma negação da incomensurável adaptabilidade e criatividade capitalistas que produz e sustenta uma comunidade em qualquer ambiente.

Há que distinguir “determinismo” de aspecto favorável que é o que podemos, eventualmente, encontrar em certos territórios. Cuba, por exemplo, pode ser favorável ao turismo, devido aos seus balneários e proximidade do maior mercado consumidor do planeta. Mas, nenhum aspecto ambiental é suficiente para barrar a insânia política como a de Fidel Castro que relegou sua ilha a condição de “cárcere” de toda liberdade de iniciativa e opinião.

Um argumento limitado do passado consistia em definir qualquer área da Zona Intertropical como fadada ao subdesenvolvimento devido ao clima desestimulador e presença de solos frágeis. Mas, uma rápida passada de olhos no mapa-múndi desmente isto. Se fosse verdade, a Austrália nada mais seria do que outra típica “republica das bananas”, pois cerca de 1/3 de seu gigantesco território encontra-se nesta faixa climática. O fato de 66% de o país ser constituído por desertos também não é suficiente para barrar a ascensão aos elevados índices de desenvolvimento humano que ostenta.

A cultura é a chave para entendermos o desenvolvimento.

Thursday, August 16, 2007

Gambling on tomorrow







Science & Technology

Statistics and climatology
Aug 16th 2007

From The Economist print edition
Modelling the Earth's climate mathematically is hard already. Now a new difficulty is emerging


Illustration by Dettmer Otto


“SCIENCE” is a recently coined word. When the Royal Society, the world's oldest academy of the discipline, was founded in London in 1660, the subject was referred to as natural philosophy. In the 19th century, though, nature and philosophy went their separate ways as the natural philosophers grew in number, power and influence.
Nevertheless, the link between the fields lingers on in the name of one of the Royal Society's journals, Philosophical Transactions. And appropriately, the latest edition of that publication, which is devoted to the science of climate modelling, is in part a discussion of the understanding and misunderstanding of the ideas of one particular 18th-century English philosopher, Thomas Bayes.


Bayes was one of two main influences on the early development of probability theory and statistics. The other was Blaise Pascal, a Frenchman. But, whereas Pascal's ideas are simple and widely understood, Bayes's have always been harder to grasp.

Pascal's way of looking at the world was that of the gambler: each throw of the dice is independent of the previous one. Bayes's allows for the accumulation of experience, and its incorporation into a statistical model in the form of prior assumptions that can vary with circumstances. A good prior assumption about tomorrow's weather, for example, is that it will be similar to today's. Assumptions about the weather the day after tomorrow, though, will be modified by what actually happens tomorrow.

Psychologically, people tend to be Bayesian—to the extent of often making false connections. And that risk of false connection is why scientists like Pascal's version of the world. It appears to be objective. But when models are built, it is almost impossible to avoid including Bayesian-style prior assumptions in them. By failing to acknowledge that, model builders risk making serious mistakes.
Assume nothing

In one sense it is obvious that assumptions will affect outcomes—another reason Bayes is not properly acknowledged. That obviousness, though, buries deeper subtleties. In one of the papers in Philosophical Transactions David Stainforth of Oxford University points out a pertinent example.
Climate models have lots of parameters that are represented by numbers—for example, how quickly snow crystals fall from clouds, or for how long they reside within those clouds. Actually, these are two different ways of measuring the same thing, so whether a model uses one or the other should make no difference to its predictions. And, on a single run, it does not. But models are not given single runs. Since the future is uncertain, they are run thousands of times, with different values for the parameters, to produce a range of possible outcomes. The outcomes are assumed to cluster around the most probable version of the future.
The particular range of values chosen for a parameter is an example of a Bayesian prior assumption, since it is derived from actual experience of how the climate behaves—and may thus be modified in the light of experience. But the way you pick the individual values to plug into the model can cause trouble.
They might, for example, be assumed to be evenly spaced, say 1,2,3,4. But in the example of snow retention, evenly spacing both rate-of-fall and rate-of-residence-in-the-clouds values will give different distributions of result. That is because the second parameter is actually the reciprocal of the first. To make the two match, value for value, you would need, in the second case, to count 1, ½, ⅓, ¼—which is not evenly spaced. If you use evenly spaced values instead, the two models' outcomes will cluster differently.
Climate models have hundreds of parameters that might somehow be related in this sort of way. To be sure you are seeing valid results rather than artefacts of the models, you need to take account of all the ways that can happen.
That logistical nightmare is only now being addressed, and its practical consequences have yet to be worked out. But because of their philosophical training in the rigours of Pascal's method, the Bayesian bolt-on does not come easily to scientists. As the old saw has it, garbage in, garbage out. The difficulty comes when you do not know what garbage looks like.

Thursday, July 12, 2007

Escondendo as cartas

É com prazer que reproduzo o texto do meteorologista gaúcho Eugenio Hackbart de seu site http://www.metsul.com/index.php. Nestes tempos de obscurantismo, nadar contra a correnteza dogmática é, no mínimo, uma tarefa solitária. Mas, aqui e ali começam as manifestações de dissenso científico. Salutar.
Não trato por "obscurantista" quem quer que defenda a teoria aquecimentista por razões antrópicas, mas trato sim e acuso aqueles que dizem que o assunto está encerrado, que não há como negar, que o aquecimento global com danos irreversíveis é um fato incontestável. A estes, cabe muito bem este preciso texto.
Boa leitura,
a.h


Comentário Eugenio Hackbart: "Por que estes dados são escondidos" ?


O que você vai ler agora, certamente, propiciará que você respire mais aliviado após uma sequência de dias em que palavras como "apocalipse" e "catástrofe" definiram o cenário futuro para o aquecimento global. Nenhuma tendência para o futuro, entretanto, pode ser considerada se não forem observados o presente e o passado. A resposta para o maior dilema científico hoje da humanidade está, ao meu ver, no passado. Antes de mais nada, gostaria de reiterar o meu posicionamento quanto ao aquecimento global ser um fato inquestionável. Não existe um dado sequer que sustente as afirmações daqueles que negam o aquecimento do planeta nos últimos trinta anos. Por outro lado, reitero igualmente o meu entendimento que tal aquecimento se produziu essencialmente sob causas naturais muito bem discerníveis e o que o cenário futuro não é aterrador e de desesperança como sugerido neste ambiente que se instalou de histeria midiática e científica. O que você vai ler neste post são fatos e dados proporcionados por uma instituição mundialmente conhecida pelo seu rigorismo científico, logo os gráficos a seguir apresentados não são produzidos pela MetSul Meteorologia ou pela minha pessoa e sim por um terceiro independente.


A NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço) dos Estados Unidos é uma instituição acima de qualquer suspeita em se tratando de excelência e conhecimento científicos. Entre os seus quadros está o climatologista Jim Hansen, um dos maiores e mais antigos defensores das teses assustadoras do aquecimento global e que denunciou ter sido censurado pela Casa Branca por suas posições. O instituto presidido por Hansen na estrutura da NASA mantém um acompanhamento de séries históricas de temperatura em estações meteorológicas espalhadas pelo planeta. Os dados destas estações acabam sendo utilizados nos chamados GCMs (modelos climáticos globais) que projetam estas cenários cataclísmicos paras as próximas décadas, logo a precisão dos dados destes postos de observação precisa ser muito grande para que não haja distorções nas simulações feitas pelos computadores.


A presente análise vai se concentrar na América do Sul que é a região de maior interesse do nosso público. Sabidamente, trata-se de uma das regiões do planeta que menos sofrerá as consequências nefastas previstas pelos cientistas que defendem cenários catastróficos. Se os tempos são de aquecimento global, nada mais valioso que observar o quanto a região se aqueceu. O gráfico distribuído pela NASA do comportamento da temperatura na cidade de São Paulo não deixa dúvidas que a capital paulista sofreu um processo de aquecimento impressionante desde o século XIX, o que em tese sustentaria as afirmações daqueles que enxergam um futuro sombrio para a humanidade.




Outra enorme área metropolitana que poderia ser um exemplo do aquecimento global é a cidade do Rio de Janeiro que apresentou uma forte elevação em sua temperatura desde a década de 40. Os valores, entretanto, apresentaram uma estabilização desde o começo da década de 60.




Enquanto o Rio de Janeiro apresentava uma estabilização em sua temperatura média a partir dos anos 60, Curitiba, por outro lado, passou a registrar uma forte elevação de sua temperatura média a partir desta época.




Seriam estas fortes elevações de temperatura nestas três cidades, de fato, evidências do aquecimento global ? A resposta é um rotundo não. Se atentarem para os gráficos é possível notar que o aquecimento tem início em períodos completamente distintos. São Paulo aquece desde o final do século XIX, quando não existiam milhares de carros liberando os seus gases do efeito estufa. A cidade do Rio de Janeiro passou a ficar mais quente na década de 40 para depois apresentar uma estabilização na temperatura. Curitiba somente foi registrar elevação da sua temperatura média a partir dos últimos anos da década de 50. O que explica este comportamento térmico não é o aquecimento global, mas o processos de urbanização. A expansão urbana se deu de forma e momentos diferentes nestas três grandes cidades brasileiras com São Paulo apresentando um crescimento exponencial nas construções desde o começo do século. O Rio de Janeiro passou pelo mesmo processo, mas a topografia da cidade impede um maior crescimento horizontal, o que se reflete no chamado crescimento da Grande Rio, mas não propriamente da cidade do Rio de Janeiro que está encravada entre a Serra Geral e o mar. Já Curitiba, assim como outras capitais, passou a sofrer um processo de expansão urbana acelerado especialmente a partir da metade do século XX. Se a causa fosse o aquecimento global, por que o aquecimento nestas grandes capitais se iniciou com décadas de diferença ? A teoria se confirma pelo comportamento da temperatura em Porto Alegre. Nos últimos cem anos, a temperatura na capital gaúcha não apresentou grandes variações. Nos últimos cinquenta anos, quando a estação meteorológica esteve localizada dentro de uma área verde (Jardim Botânico), não houve nenhuma significativa mudança nos padrões de temperatura. A grande cobertura vegetal ao redor da estação de Porto Alegre mitigou os efeitos da urbanização observada ao longo do século XX na cidade e explica a estabilidade.




Buenos Aires na Argentina é outro exemplo que se assemelha muito ao caso da cidade de São Paulo. Também na capital argentina o aquecimento é constante desde o final do século retrasado.




Se o aquecimento global fosse responsável pelo espantoso aquecimento observado em Buenos Aires ao longo dos últimos 120 anos, por que então a cidade de Mar del Plata, não muito distante da capital portenha, apresentou um relativo resfriamento nos últimos 20 anos ?




Questiona-se, igualmente, por que as cidades de Bahia Blanca (sul da Província de Buenos Aires) e mais ao sul Santa Rosa (capital da Província de La Pampa) ou apresentam temperatura menor que há cem anos ou médias estabilizadas ?





No "coração" da faixa central da América do Sul está a cidade argentina de Rosário com os seus mais de um milhão de habitantes. Assim como em Curitiba, Florianópolis e Campo Grande, além de outras capitais brasileiras, a cidade passou a apresentar uma elevação substancial em sua temnperatura média a partir de um determinado momento do século XX.




Se o aquecimento global é responsável pelo aquecimento em Rosário (Província de Santa Fé), como se explica então o comportamento da temperatura em duas cidades próximas e que estão logo a noroeste como Concórdia e Paso de Los Libres (fronteira com a cidade gaúcha de Uruguaiana) que não registraram nenhuma mudança de padrão de temperatura nos últimos 50 anos ?




Se formos um pouco mais para o norte, em direção à Província de Corrientes, a temperatura no aeroporto da cidade de Paraná não registra nenhuma tendência clara de aquecimento nos últimos 70 anos.




O mesmo cenário de diferenças entre grandes e menores cidades se repete no Uruguai. A capital Montevidéu apresentou uma forte elevação da sua temperatura média observada na estação meteorológica do Prado desde o final do século XIX.




Entretanto, se forem observados os dados de cidades do interior do país a tese de que o aquecimento global seria responsável pela elevação da temperatura em Montevidéu não se sustenta. Paso de Los Toros e Rocha ou tiveram médias estabilizadas ou resfriamento nos últimos 50 anos.





Frequentemente o degelo dos glaciares da Patagônia é indicado como um exemplo do aquecimento global. Agora, como tem se comportado a temperatura em algumas cidades da parte mais meridional da América do Sul ? Trelew não teve nenhuma grande variação média na última metade de século. Esquel registrava na década de 40 marcas mais elevadas que neste começo de século XXI.





E, claro, Bariloche, cidade muito frequentada pelos turistas brasileiros em busca da neve no inverno, não apresentou nenhuma tendência de aquecimento nos últimos 70 anos. A temperatura da última década em Bariloche é, inclusive, menor do que a média registrada nos anos 30 e 40, quando o planeta como um todo enfrentava uma fase de aquecimento atrelada ao comportamento da Oscilação Decadal do Pacífico (PDO) e a Oscilação Multidecal do Atlântico Norte (AMO).




O mais curioso ocorre que se cruzarmos a Cordilheira dos Andes em direção a oeste. A temperatura média mais alta no Aeroporto Pudahuel de Santiago do Chile foi registrada nas décadas de 40 e 50. Ao menos para os moradores de Santiago do Chile o aquecimento global não parece ser uma realidade.



O mesmo pode ser dito para outras duas conhecidas localidades chilenas mais ao sul como Punta Arenas e Puerto Montt, onde a temperatura média dos últimos 20 anos foi menor que há 50 anos atrás. Em Purto Montt, destino dos brasileiros que fazem roteiros pelos Lagos Andinos, há um resfriamento quase constante há meio século.




De um extremo ao outro do continente chegamos à região amazônica, onde o relatório do IPCC sugere haverá um aquecimento de até oito graus nas próximas decadas. Nada mais ilustrativo do que os dados de uma cidade encravada no meio da floresta para se avaliar o impacto regional do chamado aquecimento global. Manaus apresenta uma estabilidade em sua temperatura média há quatro décadas. Poder-se-ia questionar do pico de calor ocorrido em 2005 (época de estiagem e de Atlântico Norte muito aquecido), mas não se pode ignorar o pico de frio dos anos de 1999 e 2000 (La Niña e breve período negativo da Oscilação Decadal do Pacífico). Os dois picos tiveram causas naturais (variabilidade da temperatura no Pacífico e no Atlântico Norte).

A situação parece fora de controle ? Por que estes dados não são apresentados ao público ? Por que se sonega da população a variabilidade climática natural ocorida no continente ao longo dos últimos cem anos ? O clima realmente sofreu mudanças expressivas na América do Sul ? Como os dados das estações urbanas acabam alimentando os modelos que projetam os cenários futuros (GCMs), as simulações não estariam sendo distorcidas em seus resultados finais ? Chegou a hora de todos nós fazermos perguntas.

Eugenio Hackbart - 06/02/2007 00:46:42

Saturday, June 09, 2007

Snow season off to promising start ["notícias frescas"]




23 May 2007
Jessica Wright





Snow storm raging. Sergeant: "What's up with you; frozen feet?" Digger: "No, you -- fool; sunstroke!"

Tuesday, January 30, 2007

Uma deturpação conveniente

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O filme que tem o ex-vice presidente americano Al Gore como protagonista, resvala para o sensacionalismo ao incorrer em erros científicos. Típicos exageros com fins alarmistas para seus objetivos políticos. Em que pese o valor de chamar a atenção para uma problemática séria, este não é o caminho.

a.h





Meteorologista brasileiro analisa com exclusividade documentário norte-americano sobre aquecimento global




Pesquisador do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos (SP), o engenheiro eletrônico pelo ITA com doutorado em Meteorologia pelo Massachussets Institute of Technology (MIT) Carlos Nobre analisa, em entrevista exclusiva ao Instituto Ethos, o filme "Uma Verdade Inconveniente", de Davis Guggenheim, em cartaz no Brasil desde novembro passado.
Para o pesquisador e professor do Programa de Pós-Graduação em Meteorologia do Inpe e da Universidade Federal do Rio de Janeiro, o documentário é de extrema importância, muito positivo, mas traz algumas imprecisões científicas e de ordem filosófica, além de uma contradição em relação à prática 'carbon neutron' de seu protagonista, o ex-vice-presidente dos EUA Al Gore.

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Instituto Ethos: Quais as incongruências do filme "Uma Verdade Inconveniente"?

Carlos Nobre: Al Gore, como excelente político profissional que é, tem um discurso convincente e sedutor, mas, inova e se expõe ao se aventurar bem longe das meias-verdades, lugares-comuns e obviedades do típico discurso político ocidental. Conta uma história emocionante, repleta de dados científicos transmitidos com grande dose de didatismo, camaradagem e bom humor. Não perde, entretanto, a linha condutora mestra de chamar a atenção prioritariamente para a questão central: estamos tratando de um assunto onde devem prevalecer a ética e a moral para mudarmos coletivamente de atitude com respeito ao ambiente global. A mensagem foi feita com ajuste fino para a classe média norte-americana, para a qual o nível de consciência da gravidade do problema do aquecimento global é incrivelmente menor do que para todo o resto do mundo. Gerações e gerações de norte-americanos se acostumaram a viver com tamanho conforto material, aliado ao desperdício e à falta de privações, que lhes parece "natural" que os recursos da Terra sejam praticamente inexauríveis.

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Instituto Ethos: O desfecho documentário lhe causou que impressão?

Carlos Nobre: No fechamento do filme, Al Gore, com timbre de voz sério e levemente emocionado, nos convida a ter a vontade política para mudar o mundo para melhor, até mesmo através de atividades individuais e, nos agradecimentos/créditos, surgem várias sugestões práticas de como proceder como indivíduos a diminuir nosso 'ecological footprint' (pegada ecológica)[*] no planeta. Talvez, neste ponto, resida a única grande falha deste belo filme, que mostra Al Gore andando de carros (a gasolina, suponho) e aviões a jato. Portanto, a pegada ecológica de Al Gore é bem maior do que o cidadão norte-americano médio. Faltou que ele se declarasse neutro em emissões de gases de efeito estufa.

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Instituto Ethos: De que forma o cidadão pode contribuir para diminuir sua pegada ecológica? E as empresas, que contribuição poderiam dar no sentido da diminuição da emissão de poluentes?

Carlos Nobre: Hoje, há inúmeras atividades nas quais qualquer um pode se engajar para adquirir créditos de carbono de modo a reduzir ou anular nossa pegada ecológica de emissões. Quanto às empresas, me lembro inclusive de um debate pós-exibição desse filme, promovido em novembro último pelo Instituto Ethos, em São Paulo, em que um engenheiro perguntou sobre a saída proposta pela geoengenharia. Pra mim, a única solução seria colocar uma parte do gás carbônico que, por exemplo, as termelétricas emitem em poços exauridos de petróleo por 100, 200 anos. Já existem experiências empresariais bem-sucedidas nesse sentido no mundo, que aumentam o custo da energia, mas são ambientalmente paliativas, assim como os Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDLs).

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Instituto Ethos: Como o ex-vice-presidente norte-americano poderia dar o exemplo nesse sentido?

Carlos Nobre: Não faltariam recursos pessoais para ele ser 'carbon neutral' e, em sendo, daria um exemplo pessoal que seria convergente com seu persuasivo discurso.

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Instituto Ethos: Como o senhor avalia o filme do ponto de vista científico?

Carlos Nobre: Sob a ótica do rigor científico da narrativa, o filme passa no teste, não sem alguns arranhões. Cito alguns destes arranhões, que não lhe tiram o mérito educacional e nem chegam a comprometer a mensagem central. São eles:

1) A maioria dos ecólogos não concordaria que a atmosfera é o mais vulnerável dos sistemas ecológicos do planeta. Muitos subsistemas estão sob pressão e dão sinais de estarem à beira do colapso (e.g., estoques pesqueiros) ou já colapsaram. A mudança na composição da atmosfera pode e terá conseqüências globais, mas isto é algo diferente de defini-la como a mais vulnerável;

2) A descrição da física do efeito estufa é simplificada, como deveria ser, mas usar a linguagem de que as emissões dos gases de efeito estufa pelas atividades humanas "engrossam" ('thicken') a rala ('thin') atmosfera induz a pensar que a atmosfera está ficando mais espessa, o que não é o caso. Mais gases de efeito estufa significam que há mais elementos (moléculas) que dificultam o esfriamento radiativo (perda de radiação infravermelha ou termal para o espaço), aquecendo, portanto, a superfície ainda mais;

3) É exagerado o número de que 40% da população do planeta depende em 50% ou mais para seu abastecimento de água de degelo de geleiras;

4) A refletividade das áreas cobertas com gelo não é de 80%, mas algo entre 50% e 60%;

5) Se a parte mais instável das geleiras da Antártica Ocidental desaparecer, o nível do mar subiria 1 metro e não cerca de 6,5 metros, como mencionado no filme;

6) Não há indicação que se trata de degelo de verão, e não do ano todo, nas figuras que mostram o degelo na Groenlândia desde 1992;

7) A estimativa das emissões globais de CO2 provenientes dos desmatamentos tem um alto grau de incerteza ainda hoje e os números mais atuais a situam entre 12% e 24% das emissões globais, mas não tão alto quanto 30%, como diz o filme;

8) Em muitas passagens do documentário, mencionam-se vários extremos e direta ou indiretamente se está atribuindo todos eles ao aquecimento global. Por exemplo, número de furacões e tufões em 2004. Os estudos atuais mostram que, em um planeta mais quente, não haverá maior número destes fenômenos extremos, mas, sim, maior freqüência dos furacões/tufões de maior intensidade;

9) Menciona-se vagamente a emergência e re-emergência de doenças, mas fica no ar se elas estariam ou não relacionadas ao aquecimento global. De fato, emergência e re-emergência de doenças estão mais relacionadas a mudanças dos usos da terra e práticas agrícolas.

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Instituto Ethos: O senhor reconhece que, até pelo seu ineditismo, o documentário traz uma mensagem importante? Como o senhor resumiria o valor desse filme?

Carlos Nobre: Sem dúvida. O resumo da ópera pra mim é que este é um filme com uma mensagem simples, mas extremamente poderosa e que tem contribuído, em alguma medida, para que 2006 se tornasse o ano no qual a consciência sobre o que representa o aquecimento global atingisse seu ponto mais alto e que deverá desembocar em ações efetivas para a mitigação das emissões de gases, causadoras do aumento do efeito estufa.

Data: 29/01/2007
Fonte: Andrea de Lima/Instituto Ethos -
http://www.ethos.org.br/DesktopDefault.aspx?TabID=3345&Lang=pt-B&Alias=ethos&itemNotID=8149

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[*] "Já ouviu falar em pegada ecológica? Segundo o site Earth Day Network, a pegada ecológica é a soma das várias parcelas de terreno produtivo (terra e mar) necessárias para produzir os recursos utilizados e assimilar os resíduos produzidos por cada pessoa, servindo como indicador de sustentabilidade ambiental. Ou seja: quanta área produtiva é necessária para satisfazer minhas necessidades e absorver os resíduos que produzo?Pois este novo conceito está dando o que falar! No site do Earth Day tem um teste que calcula a pegada ecológica de cada pessoa. Vale a pena fazer, é rapidinho." (http://ambientalurbano.blogspot.com/2006/11/p-grande.html)
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Tuesday, December 12, 2006

"Ilha de calor" em Atlanta

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Urban Heat Island: Atlanta, Georgia




High-resolutionImages:
True-color (960 kB JPEG)
Temperature (1.1 MB JPEG)
Urbanization does more than just transform ecosystems, it also changes fundamental variables that influence weather and climate, such as land surface temperature, surface roughness, and evaporation. For many years scientists have documented the changes in land surface temperature that result when natural or agricultural vegetation is replaced with parking lots, streets, buildings. Urban areas can be up to 8 degrees warmer than surrounding suburban or natural landscapes. This urban heat island affects not only the amount of energy a city needs to keep its residents cool and comfortable, but it also appears to influence where and how much it rains in the vicinity.
This pair of Landsat satellite images provides two views of urban Atlanta, Georgia, on September 28, 2000; the urban core is in the center of the images. The top image is a photo-like view of the area, where trees and other vegetation are green, roads and dense development appear cement-gray, and bare ground appears tan or brown. The bottom image is a land surface temperature map, in which cooler temperatures are yellow and hotter temperatures are red. Because vegetation cools the surface through evaporation of water, the most densely vegetated areas (darkest green in top image) are the coolest areas (palest yellow in bottom image). Where development is densest, the land surface temperature is near 30 degrees Celsius (86 degrees Fahrenheit).
Scientists suspect that the urban heat island effect may be one of the factors behind several studies showing that cities influence rainfall in their surrounding area. The heating of the surface and the overlying air creates instability in the atmosphere that encourages air to rise. As it rises, it cools, and water vapor condenses into rain that falls downwind of the city. Since the launch of the Tropical Rainfall Measuring Mission satellite—a joint NASA-Japanese mission—, observations of rainfall in the Studies of regional rainfall patterns in the U.S. Southeast have shown that rainfall downwind of major urban areas can be as much as 20 percent greater than it is upwind areas. To learn more about how the urban heat island and other city traits such as pollution and topography may be influencing rainfall, please read the feature story Urban Rain.
NASA images by Marit Jentoft-Nilsen, based on Landsat-7 data.



http://earthobservatory.nasa.gov/Newsroom/NewImages/images.php3?img_id=17489