interceptor

Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

Saturday, January 15, 2011

Ecologia e premissas


O que se lê aqui é um exemplo de premissa filosófica que está antes da investigação propriamente científica:

O homem, como ser vivo faz parte da biosfera, interage com os outros seres vivos mantendo relações ecológicas com eles, algumas vezes de forma harmônica mas na maioria das outras vezes de forma desarmônica, com isso causando constantes prejuízos para a vida da biosfera em geral. A devastação de até biomas inteiros, a pesca abusiva, a substituição dos ecossistemas naturais por áreas destinadas a monoculturas e pecuária, o agronegócio em geral. Os seres vivos não domesticados dependem uns dos outros nos ecossistemas e mantêm relações específicas entre uns e outros e todos eles também interagindo com o meio ambiente onde vivem, se o meio ambiente desaparece para ceder lugar aos agronegócios humanos todos aqueles seres vivos endêmicos daquela região, são extintos. O homem moderno e civilizado é adaptado apenas para viver em sociedade e dentro das cidades, ele consegue viajar e acampar temporariamente em quase todos os lugares do planeta mas, não consegue mais se adaptar à vida dos indígenas, ficou impossível para o homem moderno voltar a viver nú na natureza. Cada ser vivo tem um ambiente em que se adapta melhor e se o ecossistema em que ele vive for modificado pelo homem, a sobrevivência desses seres vivos fica ameaçada porque eles são dependentes desses ecossistemas que foram montados e organizados em teias alimentares estabelecidas durante milhões de gerações que fizeram a história da evolução genética dessas espécies que vivem por lá há milhões de anos, sendo por isso ecossistemas muito complexos dos quais pouco sabemos como funcionam realmente. Por isso, o homem tem uma responsabilidade acrescida na saúde da biosfera e compreender quão complexas e intrincadas são essas teias alimentares que demoraram milhões de anos em evolução para serem o que são hoje em dia, serem da forma como nós avistamos esses seres vivos que lutam pela sobrevivência nessas florestas e nesses oceanos cheios de vida mas que é uma vida frágil perante ao avanço do homem no afã de conquistar mais territórios para si mesmo sobre esses ecossistemas naturais e com isso causando a destruição deles.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Biosfera

Se a maioria dessas relações homem-natureza fosse realmente desarmônica, então já não teríamos mais a natureza em suas formações originais. E, mesmo parte do que se acha ser ‘original’, como as pradarias não o são. Em grande parte foram moldadas pelos indígenas. Além da própria idéia de harmonia ser contestável, como característica essencialmente ecológica. Depende do que se entende como ‘harmonia’... Na natureza nem todos os momentos, situações e períodos, ciclos são estáveis e harmônicos. Muito do que se compreende são sistemas de extrema competitividade e extinção natural de espécies. Claro que a ação humana pode acelerar e induzir outras espécies a extinção, mas isso não parece ser a regra. É verdade que em áreas habitadas, alterações profundas ocorrem, mas o que se vê também é uma maior devastação (como o desmatamento) justamente onde a sociedade apresenta um menor (mais primitivo) desenvolvimento tecnológico.
...

Problema e problema


Aqui, uma pequena matéria relaciona o Aquecimento Global Antropogênico aos desastres ocorridos entre 2010 e 2011 em diferentes partes do globo. Que o aumento da pluviosidade esteja relacionado ao aquecimento faz todo o sentido, mas relacionar o fenômeno global ao efeito local – “ilhas de calor” –, não. Não, porque as chamadas “ilhas de calor” podem existir de modo independente de um fenômeno em escala global. Elas são resultantes de causas locais como o aumento do volume de concreto e impermeabilização de superfícies nas cidades, enquanto que o AGA é resultado do aumento das emissões de carbono. Estas emissões também podem gerar “ilhas de calor”, mas a pavimentação e construções urbanas não provocam um significativo aumento de temperatura no planeta.
Não existem causas únicas para todos nossos problemas e algumas são problemas só porque atingem pessoas que antes não se localizavam em áreas de risco. Ou seja, a demografia, as migrações e concentrações humanas tornam, muitas vezes, o que antes era algo absolutamente natural em um ‘problema’.
...

Thursday, January 13, 2011

Videversus: Financial Times ironiza Guido Mantega

Videversus: Financial Times ironiza Guido Mantega

Videversus: Agronegócio ajudou a cobrir deficit de outros setores, diz ministro

Videversus: Agronegócio ajudou a cobrir deficit de outros setores, diz ministro

Portugal's drug policy pays off; US eyes lessons - FoxNews.com

Portugal's drug policy pays off; US eyes lessons - FoxNews.com - Difícil crer que o tratamento seja uma política melhor contra as drogas que a repressão. Acho que funciona como um incentivo. Em todo o caso, se for verdade é algo bom, sem dúvida. É que é difícil acreditar na recuperação, parece um conto de fadas.

Wednesday, January 12, 2011

Análise ambiental - 2

Queimar o lixo reduz a emissão de gases causadores do efeito estufa

Queimar o lixo reduz a emissão de gases causadores do efeito estufa: "Queimar o lixo pode ser mais ambientalmente correto e ajudar mais a diminuir a emissão de gases causadores do efeito estufa do que simplesmente armazená-lo em aterros sanitários. E materiais recicláveis nem sempre mantêm o balanço positivo."

Imagens da Terra na mais alta resolução já vista estão disponíveis

Imagens da Terra na mais alta resolução já vista estão disponíveis: "As imagens serão muito úteis para a comunidade científica internacional em aplicações como modelagem do impacto de mudanças climáticas, estudo de ecossistemas e análises de uso da terra para agricultura."

"Não estamos em um mundo sem esperanças"



Conferir em:

"A conclusão, bastante diferente da literatura catastrofista que tem tomado conta das pesquisas ambientais, é resultado de uma meta-análise de 240 pesquisas independentes feitas por cientistas de todo o mundo."
"Os pesquisadores descobriram que os ecossistemas florestais se recuperam em média em 42 anos, enquanto os fundos oceânicos podem se recuperar em menos de 10 anos."
"Quando examinados pelo tipo de agressão sofrida, os ecossistemas que passaram por múltiplos distúrbios interconectados recuperaram-se em média em 56 anos. Distúrbios menos graves, como invasão de espécies não-nativas, mineração, derramamento de óleo e pesca por arrastão, recuperaram-se em apenas 5 anos."


Análise Ambiental

Georges Bertrand

Saturday, January 01, 2011

Nova visão de desenvolvimento rural


Valor Econômico. Terça-feira, 29 de julho de 2003  -  Ano 4  -  Nº 810  -  1º Caderno


Nova visão de desenvolvimento rural



É preciso acabar de uma vez por todas com a falsa identidade "rural igual a agropecuário", que ainda confunde muita gente

É deplorável o provincianismo que domina o debate brasileiro sobre o desenvolvimento rural. Para se dar conta, basta ler o documento elaborado por dois experientes pesquisadores da área, Alexander Schejtman e Julio Berdegué, para o Departamento de Desenvolvimento Sustentável do BID, e para a Divisão América Latina e Caribe do Fida (Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola), (disponível na página www.rimisp.cl).
A mensagem essencial desse documento é que os organismos internacionais financiadores de boa parte dos esforços regionais em matéria de desenvolvimento rural devem dar exclusividade nos próximos anos a projetos que tenham sido concebidos com "enfoque territorial". Exatamente a abordagem que está ausente do debate público brasileiro, pois continua separado em arquivos do tipo "reforma agrária", "agribusiness", "pobreza rural" ou "fome". Não que falte no governo federal (e alguns estaduais), e na comunidade científica, pessoas bem informadas sobre a abordagem que há muito emplacou no âmbito internacional. O problema é que as idéias desses técnicos e pesquisadores têm sido sistematicamente marginalizadas pela desproporcional atenção que se dá à tragicomédia política armada pelo MST ao desempenho exportador dos agronegociantes, ou aos tropeços institucionais do "Fome Zero".
Segundo Schejtman e Berdegué, a pequena eficácia das políticas de desenvolvimento rural impulsionadas nos últimos trinta ou quarenta anos transmitem um inequívoco recado aos governantes, organizações internacionais, bancos de fomento, redes de extensão, sindicatos, ONGs, etc: fitar a rosa-dos-ventos e mudar de orientação (ou "evitar seguir haciendo más de do mismo"). Para tanto, é preciso acabar de uma vez por todas com a falsa identidade "rural igual a agropecuário", que ainda confunde muita gente. O fato de a agropecuária ter adquirido imensa participação nos territórios rurais durante o século passado não significa que as economias desses espaços tenham sido alguma vez monopolizadas pelo setor primário. Muito pelo contrário, nenhuma atividade mineral, florestal, pecuária, ou agrícola, alcança algum sucesso sem que estimule simultaneamente o transporte e o comércio, ramos que fazem parte do setor terciário. E é pura ignorância achar que as atividades industriais sejam exclusivamente urbanas. Há até países onde o setor secundário se localiza predominantemente em territórios rurais.
O que os autores chamam de "enfoque de Desenvolvimento Territorial Rural (DTR)" é a visão de um duplo processo de transformação - produtiva e institucional - de espaços bem determinados. A transformação produtiva deve articular a economia desses territórios a mercados dinâmicos, de forma competitiva e sustentável. A transformação institucional deve facilitar a interação e a construção de confiança entre atores locais, não somente entre si, mas também entre eles e os atores externos relevantes, com o propósito de ampliar as oportunidades participativas da população no processo e em seus benefícios. São essas as duas lições mais gerais que podem ser tiradas das duas principais experiências práticas que serviram de referência aos autores: a "Canadian Rural Partnership", e o programa da União Européia intitulado "Leader": "Ligações Entre Ações de Desenvolvimento da Economia Rural".
Além dessas duas referências básicas a países mais desenvolvidos, o documento preparado para o BID e para o Fida registra a alguns sinais de propostas parecidas que engatinham na América Latina. Principalmente na Bolívia, Colômbia, México e Brasil. E é curioso notar a importância atribuída a algumas iniciativas brasileiras com irrisória atenção doméstica. É particularmente o caso do esforço coletivo de formulação estratégica realizado em 2001/2002 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (CNDRS), agora desativado pelo governo Lula por exigência do MST. Há completa sintonia entre as propostas desse Plano elaborado pelo CNDRS e as principais idéias do documento de Schejtman e Berdegué.
Uma das semelhanças básicas é a tese de que qualquer política de desenvolvimento rural deverá se adaptar a quatro tipos fundamentais de territórios: a) os que avançaram na transformação produtiva e também lograram um desenvolvimento institucional que permite razoáveis graus de confiança entre os atores e inclusão social; b) os que conseguiram desencadear dinâmicas de crescimento econômico, mas com débeis impactos sobre o desenvolvimento local, por não ampliarem as oportunidades para os segmentos mais pobres; c) os que se caracterizam por robustas instituições, que costumam expressar fortes identidades culturais, mas que carecem de opções econômicas endógenas capazes de engendrar a superação da pobreza; d) os que estão em franco processo de desestruturação social e econômica.
Outra semelhança fundamental entre as duas contribuições está na importância estratégica que atribuem ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), não apenas devido às suas linhas de crédito a uma categoria de agricultores que sofreu lamentável discriminação negativa entre 1964 e 1995, mas, sobretudo por duas outras questões: a) sua ação estrutural de financiamento de infraestrutura em municípios rurais; b) sua prioridade à capacitação dos agricultores familiares e de suas organizações para que tenham mais acesso ao intercâmbio de experiências e mais acesso a conhecimentos e habilidades tecnológicas que levem à elaboração de bons planos microrregionais de desenvolvimento e a firmes articulações intermunicipais.
Todavia, mais do que as similitudes entre os dois documentos, o que realmente interessa é o aprofundamento de um intercâmbio que possa contribuir para a inovação institucional assim que o governo Lula conseguir sair dessa pasmaceira agrária a que foi condenado por ir a reboque de uma força política tão anacrônica quanto o MST. Daí a importância do painel que amanhã reunirá Julio Berdegué e Décio Zylbersztajn, coordenador do Pensa/USP, no âmbito do 41º Congresso da Sober, a Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural. Será uma oportunidade de ouro para se ter contato direto com a nova visão do desenvolvimento rural que já conquistou quase todas as organizações internacionais de fomento, mas infelizmente continua na penumbra por aqui.
José Eli da Veiga , professor titular da FEA-USP e autor de Cidades Imaginárias (Ed. Autores Associados, 2002), escreve quinzenalmente às terças-feiras. Home page: www.econ.fea.usp.br/zeeli/ 

...

Thursday, December 30, 2010

Videversus: Lula diz que é bom terminar mandato e ver Estados Unidos em crise


Videversus: Lula diz que é bom terminar mandato e ver Estados Unidos em crise

Assinale a alternativa correta sobre quem tem capacidade de pensar assim:

(a) um idiota
(b) um babaca
(c) um recalcado
(d) um presidente sem caráter
(e) todas as alternativas anteriores


Mas, fala sério... Dá para cobrar do Lula que ele entenda o que são capitais especulativos e que nossas reservas externas são salvas graças às importações crescentes de novos mercados? E dá para alertá-lo que parte dos capitais que entram, o fazem justamente porque nossa dívida pública é grande, logo, rentável? E que isto significa justamente que o estado brasileiro se encontra cada vez mais com menos capacidade de investimento?

Não dá, esqueça.

Tuesday, December 28, 2010

Global Geopolitics - IPS - POLITICS: Is Democracy Dangerous in Multi-ethnic Society?

Sobre Global Geopolitics - IPS - POLITICS: Is Democracy Dangerous in Multi-ethnic Society?
Ao contrário do entrevistado, não vejo a estabilização de conflitos étnicos no pós-guerra fria como consequência da ação de organismos internacionais. Acho que se houve estabilização foi justamente porque grupos minoritários ou mais fracos foram submetidos mesmo. Daí a estabilidade ...dos cemitérios.
Também a maior desigualdade inter-étnica na América Latina (em comparação com a África ou a Ásia) se deve a uma base hegemônica colonizadora que, diferentemente dos outros continentes pobres do globo, permite a suas populações ascender economicamente sem entraves linguísticos, culturais em geral ou religiosos especificamente. Insistir nestes quistos culturais tem um preço alto: os obstáculos criados mantêm suas populações em meios culturais que se isolam do desenvolvimento urbano, industrial e comercial.

Argentina: proyectan producir seis millones de celulares en 2011 sólo en Tierra del Fuego | AméricaEconomía - El sitio de los negocios globales de América Latina

Argentina: proyectan producir seis millones de celulares en 2011 sólo en Tierra del Fuego | AméricaEconomía - El sitio de los negocios globales de América Latina - isto é geopolítica. Há décadas que a Argentina tem litígios com o Chile no extremo sul e uma maneira de assegurar seus interesses, de forma inteligente, é desenvolvendo a indústria de produtos de grande crescimento no mercado interno e externo. Segue o princípio do que foi feito com a Zona Franca de Manaus, mas que não deveria ter parado aí, dada a enorme extensão de nossa região Amazônica, muito mais difícil de ocupar que a província da Terra do Fogo.

494 - It's a Dog-nosed World: Accidental Cartography Revisited | Strange Maps | Big Think

O continente americano em um nariz de cachorro, bem como outros belíssimos "mapas casuais". Confira: 494 - It's a Dog-nosed World: Accidental Cartography Revisited | Strange Maps | Big Think

Monday, December 27, 2010

Nova privatização na Rússia

Nova privatização na Rússia

Videversus: Fuligem de siderúrgica assusta moradores do Rio de Janeiro

Videversus: Fuligem de siderúrgica assusta moradores do Rio de Janeiro - Tenho dúvidas se a legislação em vigor, no caso do Rio de Janeiro em especial e, no Brasil em geral, prevêem a mudança meteorológica.
No aguardo...

Middle East Perspectives by Rick Francona: Nose under the tent - Iranian missiles in Venezuela


Middle East Perspectives by Rick Francona: Nose under the tent - Iranian missiles in Venezuela

Viva a Europa, enquanto é tempo



Em Abaixo os Céticos, Viva a Europa | De Nova York - VEJA.com, Caio Blinder faz uma análise sentimental, a Europa vai sobreviver, óbvio... Mas, não se expandirá economicamente se continuar, como defende, nesta muralha de segurança que criou em torno de si e, sobretudo, internamente. Digo isto porque o custo de manter tamanha estabilidade é o que, justamente, leva à expansão alemã para fora do perímetro da União Européia como prioridade que concorre com o fortalecimento do mercado comum do continente. Isto é o que falta a análise do articulista e não adianta vir com a herança histórica da Alemanha e seu sentido de obrigação em se redimir da II Guerra Mundial, os tempos são outros.
Claro que a Europa ainda usufruirá de seu status privilegiado enquanto o mundo não adotar reformas, especialmente as que não o engessem tal qual este velho continente, que já foi paradigma de desenvolvimento.
 ...

Malin "Linn" Berggren :: Lapponia (Lappland) - İzle, Dinle, İndir - VideoLife


Malin "Linn" Berggren :: Lapponia (Lappland) - İzle, Dinle, İndir - VideoLife

Friday, December 24, 2010

Conflito na Coréia

Não deixem de reparar no número de idiotas que surgirá após o conflito ser deflagrado com a justificativa de que "foi tudo uma armação dos EUA para atacar a Coréia do Norte". É... Vai ver tem muita riqueza escondida no subsolo daquela península famélica. Idiotas não precisam de lógica, apenas os mesmos motivos que já tem e que justificam independentemente dos fatos existirem ou não.

planobrasil.com
O ministro norte-coreano das Forças Armadas, Kim Yong-chun, disse nesta quinta-feira que o país está preparado para travar uma “guerra santa” contra o Sul, usando sua força nuclear, após o que ele considerou ser uma tentativa sul-coreana de iniciar um conflito.


Tuesday, December 21, 2010

Um mapa inter-urbano


Qual o tipo de cidade ideal? Tamanho ideal? Apesar de toda crítica que se faz às grandes cidades, eu não sei se as pequenas cidades são as melhores... Eu diria que viver em cidades médias ou grandes com até 2 milhões de habitantes é que é a melhor opção, combinando qualidade de vida com oportunidades de trabalho, lazer e fluidez do tráfego. Mas, depende, claro, do estilo de vida que se pretende ter ou manter.
Talvez, uma perspectiva de futuro mais racional não seja uma “cidade ideal”, com tudo, mas uma rede de cidades entremeada por áreas verdes, condomínios com fácil acesso etc. 
No livro Os Confins da Terra, Robert Kaplan fala das cidades constituídas ao longo da Rota da Seda e os mapas da época, que traçavam linhas entre pólos, estradas entre cidades como fato geográfico predominante. Estas foram substituídas pelas linhas de fronteira entre estados, cuja atual realidade (globalizada) parece fazer retornar. Ao invés das redes, o mundo assistiu a colcha de retalhos tomar conta da Terra com a modernidade. Talvez agora, com essa pós-modernidade assistamos, novamente, ao ressurgimento de antigas redes guiadas pelo comércio, com fluxo de pessoas, bens, serviços e idéias.
Não acredito em realização de utopias como harmonia praticável. Conflitos sempre existirão, mas as guerras podem ser bastante reduzidas se esse cenário de integração criar co-dependências que limitam os conflitos sanguinários por puro interesse econômico. Então, é bom que haja dependência e que soframos, eventualmente, com uma crise aqui e ali. Isso é o melhor dos mundos possíveis. Não precisamos de nenhum éden se temos isso, o mais cínico dos mercados Wal-Mart ou Carrefour são melhores do que a fé dos generais.
Mas, para chegarmos a isso, o próprio cenário interno já tem que estar integrado nesta rede. Ou é isto ou o Rio Grande do Sul se integrará a Argentina. Nada contra, mas eu prefiro que seja uma transição ao invés de, simplesmente, se bandear para o outro lado.
...

Mito


Alguém ainda pode nos sugerir que Cuba, apesar de todos 'contratempos' conseguiu desenvolver eficazmente um sistema social de saúde realmente popular... Bem, segundo a OMS, a relação médico/habitantes minimamente aceitável deve ser de 1 para 1.000, Cuba tem 1 para 220. Isso nos levaria a uma conclusão imediatista de que a ditadura castrista teria uma notória preocupação com a saúde de seu povo? Vejamos com mais vagar: a Dinamarca que é uma reconhecida nação de primeiríssimo mundo, tem cerca de 1 médico para cada 450 habitantes. O que isto significa? Que Cuba tem um nível social melhor do que a Dinamarca? Será que a Dinamarca teria que fazer uma revolução em direção a um comunismo sanguinário emoldurado pelo paredón para aumentar a oferta de médicos ou Cuba é quem tinha que aprender e aprimorar o conceito de eficácia de seus médicos não inflando a estrutura estatal de funcionários ineficazes? Mas o que se pode esperar de um país que tem como emprego 'entregador de senha' para ser atendido em seus botecos com o pôster de Che Guevara emoldurando as paredes? Insano, simplesmente insano.

Cidades verdes


Em arquitextos 126.08: Áreas Verdes: um elemento chave para a sustentabilidade urbana | vitruvius, as áreas verdes são tratadas como elemento chave para a “sustentabilidade urbana”:
  
Mundialmente, as cidades estão experimentando rápidas mudanças, resultado de um permanente processo de urbanização. O crescimento das cidades é um processo dinâmico e muito diverso, mas tem uma característica comum: é cada vez mais espaco-intensivo (1), isto é, há uma crescente demanda de espaço para usos urbanos: para acomodar moradias, indústrias, serviços públicos e áreas de recreação, infraestrutura (tratamento de água e esgoto, produção de energia) e construção das malhas de transporte, colocando sob crescente pressão paisagens culturais e naturais.
Um atributo importante no desenvolvimento das cidades, muitas vezes negligenciado, é o cuidado com as áreas verdes. Como a transformação da paisagem continua em ritmo acelerado, cada vez mais se perdem importantes espaços naturais ou os ainda restantes tornam-se verdadeiras ilhas nas “cidades-sem-fim” (endless cities) (2). Na Europa, o processo de urbanização, ocasionado pela necessidade de uma adaptação às condicionantes econômicas, demográficas e à situação política (por ex. o declínio populacional e o aumento da longevidade, desindustrialização, liberalização de mercado, etc.), traz implicações significativas, tanto para o ambiente natural como na composição das sociedades urbanas.
Muitos dos atuais programas de desenvolvimento buscam a melhoria da qualidade de vida no meio urbano. Isso significa, necessariamente, a melhoria do meio ambiente e do equilíbrio ambiental. Áreas verdes são elementos cruciais para alcançar estes objetivos. Elas são os elementos per se naturais dentro do ambiente extremamente artificial em que as nossas cidades se transformaram. Áreas verdes são igualmente relevantes para o bem-estar e as condições de saúde da população, por promoverem a biodiversidade, constituírem importante parte da paisagem urbana, por trazerem benefícios econômicos significativos e formar espaços estruturais e funcionais fundamentais para transformar as nossas cidades em áreas mais agradáveis de viver (3). Áreas verdes podem assim assumir um papel primordial nos esforços para melhorar a qualidade de vida e no desenvolvimento sustentável.
Na maioria das cidades existem, de alguma forma, instrumentos de planejamento que influenciam a quantidade e a qualidade dos espaços verdes, por exemplo, planos diretores. Em muitos casos faltam, entretanto, concepções e visões abrangentes e estratégias apropriadas, que venham a combinar o desenvolvimento e a gestão desses espaços com as políticas mais globais para o desenvolvimento urbano. Frequentes déficits em quantidade ou qualidade em toda a Europa e o baixo valor a eles atribuído exigem estratégias apropriadas para o desenvolvimento e melhoria do sistema verde urbano. Assegurar o desenvolvimento das áreas verdes, mesmo na era do desenvolvimento sustentável, é ainda um árduo trabalho, exigindo muitas vezes um dedicado engajamento pessoal.
(...)


Saturday, December 18, 2010

Emancipação e sem-vergonhice

Em 67 anos, Brasil criou 3.990 municípios, aponta Atlas do IBGE
Segundo o Censo 2010, país tem hoje 5.565 municípios. Em 2007, Minas Gerais e São Paulo possuíam, juntos, 1.498 cidades


A questão é quantos desses municípios têm receita que lhes garanta auto-suficiência? Tratar os municípios como “pobres coitados” que “se humilham com chapéu na mão” ao pedir recursos ao governo federal é esquecer que, na maioria dos casos, são unidades territoriais que agem pelo signo do clientelismo. Só porque são menores politicamente não quer dizer que não causem, em conjunto, grandes estragos ao orçamento ao buscarem uma “meia emancipação” que só funciona politicamente, mas não economicamente.
...

Cuba e o setor privado


 El presidente Raúl Castro dijo hoy que la ampliación del sector privado en Cuba es irreversible y pidió un cambio de mentalidad sobre el papel de los pequeños empresarios en el sistema socialista de la isla.
Castro defendió ante el parlamento un paquete de reformas económicas con el que espera revivir la frágil economía de Cuba y garantizar la supervivencia del socialismo.
(...) 
http://www.americaeconomia.com/economia-mercados/comercio/raul-castro-ampliacion-sector-privado-en-cuba-es-irreversible

Democracia e Liberdade: 1º SIMPÓSIO CURITIBANO DE GEOGRAFIA NÃO MARXISTA



Democracia e Liberdade: 1º SIMPÓSIO CURITIBANO DE GEOGRAFIA NÃO MARXISTA: "De acordo com a Wikipedia, 'Simpósio (em grego: συμπόσιον, transl. sympósion) é um termo que se referia, na Grécia Antiga, a uma festa onde ..."

Friday, December 17, 2010

Falência européia


Neste artigo Público - "A Alemanha já não está a agir apenas como um país europeu" da esquerda européia se começa com uma boa avaliação sobre o fracasso do Euro:

(...) Hoje, há muita gente na Alemanha que pensa que nos deu demasiado e que se pergunta por que razão há-de pagar para países sem perspectiva de sobreviverem sem a sua ajuda. Por outro lado, também sabem que, de um ponto de vista estritamente racional, o euro foi uma enorme vantagem para eles. Mas as decisões políticas nem sempre são racionais. 
Em termos políticos, e não económicos, como é que acha que a Alemanha está a olhar para o mundo?
Penso que os alemães ainda não têm uma visão coerente deste mundo. Sentem que devem fazer alguma coisa diferente, porque são um país grande e unido e um grande actor internacional. Já não precisam da Europa como precisaram antes. Algumas pessoas pensam a Alemanha como uma nova potência mundial com relações directas com a China, a Rússia, os Estados Unidos. A Europa pode ser útil para este propósito, mas não é o propósito. 
(...)
Disse que a crise que vivemos é uma crise do Ocidente, que afectava os próprios fundamentos das nossas sociedades, não apenas em termos de poder e de lugar no mundo, mas da sua própria identidade. Quer dizer que a própria democracia liberal pode ser posta em causa? 
Já está a ser. Há muita gente no Ocidente - estou a falar na Europa, e não na África ou na Ásia - e até partidos que pensam que a democracia não é assim tão eficaz e que talvez devêssemos olhar para alternativas. Aliás, a União Europeia não é uma democracia, é um clube de democracias e isso ajudou a alimentar uma cultura não-democrática. Os nossos "pais fundadores" diziam que devíamos fazer a Europa para os europeus e não com os europeus...
Mas isso já mudou imenso. Mudou, mas há efeitos e esses efeitos podem também ser que as pessoas acreditam menos na democracia. E algumas podem muito bem dizer que o sistema chinês pode ser mais eficaz...
Mas ainda somos o maior bloco comercial do mundo. Falta-nos ser um actor mundial? Isso também influencia o estado de espírito dos cidadãos europeus?
Penso que devemos confrontar os nossos povos com um teste. Devemos perguntar às nossas opiniões públicas nacionais: querem ou não querem ter um Estado europeu, com que fronteiras e para fazer o quê. Sim ou não? Se temos uma moeda sem termos um Estado, no fim, acabamos por falhar. Como sabe, para muita gente, o euro seria uma espécie de preparação para uma União Política. Aconteceu precisamente o contrário...

Notem que a observação inicial é uma espécie de lamento sobre a Alemanha estar perseguindo seus próprios interesses enquanto cogita abandonar os pesados subsídios que é obrigada a financiar aos primos pobres europeus. Enquanto que este combalido continente não reformula seus orçamentos, gastando mais do que suas economias suportam, a Alemanha está corretíssima em buscar uma forma alternativa de desenvolvimento.
E claro, a “solução” nada original proposta é um modelo chinês, isto é, centralizado e autoritário de desenvolvimento. Quanto mais falam, mais revelam que são feitos de almas totalitárias, lobos banguelas em pele de cordeiros.
...

Thursday, December 16, 2010

Nenhuma novidade


E agora? Nossos típicos idiotas latino-americanos não chamarão isto de "neoliberalismo" ou irão dizer que é diferente? Incentivos tributários com cortes de impostos. Corretíssimo, aliás, o que já vinha sendo feito pelo governo FHC. Na verdade na verdade, o governo Lula só ampliou a política no que há de pior, a mais deslavada corrupção desse país.

Brasil anuncia incentivos tributarios para financiar proyectos de infraestructura | AméricaEconomía - El sitio de los negocios globales de América Latina
El ministerio de Haciendo dijo que el gobierno eximirá a inversionistas individuales de impuestos sobre ganancias provenientes de deuda emitida, como parte de un proyecto de infraestructura específico.
...

Alguma novidade



Nesta concisa e sincera nota WikiLeaks, diplomacy and geopolitics, a avaliação do impacto do vazamento de informações do Departamento de Estado Americano é colocada em seu devido lugar:

"In the practice of diplomacy, no one should be surprised that a country behaves one way and says another."

Qualquer um que já tenha se aprofundado minimamente em qualquer assunto na esfera da política internacional sabe disso. Portanto, novidade nenhuma. Que os árabes, notadamente os sauditas, conspiram para que o Irã não se transforme em uma potência regional, já era de se imaginar. Atribuir este movimento, única e exclusivamente, aos americanos fará parte da perene persecutoriedade de todo idiota mundial, notadamente o latino-americano. A ‘novidade’ por assim dizer do vazamento é colocar a questão em termos mais realistas possíveis. Agora se sabe, por escrito, do que já se intuía.
...

Tuesday, December 14, 2010

Sensacionalismo sobre acordo climático


Incrível como pode se dar um tom sensacional ao que me parece absolutamente normal. Esta matéria do The Guardian sobre o acordo mundial a respeito do clima em Copenhagen, a partir de dados divulgados pelo site WikiLeaks, mostra o governo BHO como “manipulador”, “chantageador” e “ameaçador”. Bobagem! Utilizar meios econômicos como financiar a troca ou substituição parcial da matriz energética de outros países parece totalmente correto. Critique-se então o objeto das negociações (se conseguirem provar sua inutilidade), mas não a forma que me parece totalmente legítima.
...

Videversus: Ruralistas tentam votar Código Florestal até esta quarta-feira


Videversus: Ruralistas tentam votar Código Florestal até esta quarta-feira

Monday, December 13, 2010

Estradas de São Paulo


As estradas de São Paulo têm um bom padrão e são as melhores do país. A razão disto está no regime de concessão adotado em que o financiamento feito pelo usuário nas praças de pedágio espalhadas ao longo do percurso se dá de acordo com a distância percorrida. Os benefícios diretos disto são evidentes, como a qualidade das estradas, a redução do número de acidentes e as equipes de apoio. Ocorre que a tarifa é alterada de acordo com o IGP-M, índice muito sujeito à flutuação do dólar. Outro indicador para correção e a criação de alternativas tornariam este custo menor e mais competitivo.
...

Tuesday, December 07, 2010

Protesto celestial contra lixo terreno



Espere aí! O argumento (válido) de ser contrário à derrubada dos pinheiros, tudo bem. Embora eu ache que possa haver compensação sim, com replantio proporcional. Só tem que se avaliar se é, financeiramente, viável. Por outro lado, todo esse protesto, inclusive com participação da Igreja (que ela está fazendo lá?) é um rotundo equívoco! Se for um aterro sanitário com as devidas adequações é sim um avanço em termos ambientais, de como deve acomodar resíduos da sociedade, pois para algum lugar deve ir.

Conferir: 

Monday, December 06, 2010

Assentamento e desmatamento

Conferir: Assentamentos rurais concentram desmatamento no sul do Amazonas

Isto desde a ocupação amazônica nos anos 70. É óbvio que desmata, pois agricultura, ainda mais extensiva, de baixa tecnologia se expande horizontalmente, mesmo. Já, o desenvolvimento urbano-industrial, concentrador, desmata menos e é uma alternativa que aufere maior poder de consumo e, portanto, qualidade de vida. Ao contrário dos ambientalistas-ludditas, o desenvolvimento mesmo é melhor para o meio ambiente, especialmente o amazônico.

Wednesday, December 01, 2010

Solução para uns, ameaça para outros

Surge uma crise internacional para onde vai o governo de esquerda, como o de Zapatero na Espanha? Para o único meio de se tirar a economia da crise, atraindo o capital, isto é, com um programa de privatizações.
O resto é balela...

Spain and Ireland turn to privatisation
www.telegraph.co.uk
Spain and Ireland are set to launch large-scale privatisation programmes as they fight to preserve market faith in their turnaround plans.

E não demora, os mesmos métodos serão copiados na letárgica América Latina. Portanto, atenção redobrada sobre o foco de instabilidade regional que irá piorar sua situação, a Venezuela.
Se Chávez não cair, a tosca política do caudilho será culpar os outros, como de praxe tem sido e, uma “boa maneira de movimentar sua economia” concentrando poder passa pela militarização da sociedade. Mais uma vez, todo cuidado é pouco.
...

Monday, November 22, 2010

Autocrítica africana

Um negro autocrítico: Chika Onyeani

Ouvir com webReader
Chika_onyeani“Chika Onyeani, na foto, tece considerações sobre a sua própria raça, a raça negra, que se provenientes de alguém de outra raça seriam consideradas como racistas. Assim, apenas temos que subscrever as suas palavras, e exortar as pessoas a pensarem livremente, não amordaçadas pelo politicamente correcto. O texto que se transcreve saiu na imprensa sul-africana, já em plena época pós-apartheid”.
“Capitalitesst Nigger” é um controverso livro, publicado originalmente em Setembro de 2000, que se destaca como uma explosiva e chocante acusação contra a raça negra. De seu nome completo “Capitalist Nigger: The Road to Success” [Preto Capitalista: A Via do Sucesso] declara que a raça negra é uma raça consumista e não uma raça produtiva.
O seu autor, o jornalista nigeriano Chika Onyeani, afirma:
“Somos uma raça conquistada e é absolutamente estúpido pensarmos que somos independentes. A raça negra depende de outras comunidades para a sua cultura, a sua língua, a sua comida e o seu vestuário. Apesar dos enormes recursos naturais, os negros são escravos económicos porque lhes falta o instinto aguçado e a perspicácia corajosa da raça branca e a organizada mentalidade económica dos asiáticos”.
Preto Capitalista
Capitalistnigger_capaChika Onyeani, que é o editor do African Sun Times, o único semanário africano publicado nos EUA, usa sem receio a palavra “nigger” no título do seu livro – algo que, na América, quebra um tabu. Ele diz: “O que é mais importante não é o que me chamam mas sim a forma como respondo”. Para Chika Onyeani, “nós, negros, somos escravos económicos. Somos propriedade total de pessoas de origem europeia. Estou farto de ouvir negros a responsabilizar outras raças pela sua falta de progresso neste mundo; estou cansado das lamúrias e da mentalidade de vítima, das constantes alegações de racismo a torto e a direito. Isso não nos leva a parte alguma”.
“Capitalist Nigger” reserva as suas críticas mais duras aos líderes africanos que, de acordo com Chika Onyeani, permitem que europeus e outros pilhem as riquezas de África sem qualquer retorno. “África tem ganho mais fome, mais doenças e mais ditaduras. Temos hoje, em muitos casos, menos do que tínhamos por altura das independências africanas. Chika Onyeani, diz que “Capitalist Nigger” é um apelo angustiante para que a raça negra desperte, para que se levante e para que se mova.
“Temos de abandonar a mentalidade de vítimas que adoptámos há tanto tempo: a noção de que alguém nos deve algo. Temos de acabar com as lamúrias e deixar de pedir esmolas ao resto do mundo”. Para Chika Onyeani, “temos que reconhecer e aprender com os brancos e com os asiáticos o que é necessário fazer para se conseguir sucesso”

...

Cristina Kirchner en China


Cristina Kirchner, que estaba de gira por China, le dijo al primer ministro chino: 
- Señor Primer Ministro, nosotros estamos muy interesados en que su país invierta en Argentina. 
El Premier Chino sonrió y con toda delicadeza respondió:
- Siempre nos confunden: Nosotros somos chinos…los kamikazes son los japoneses.

Sunday, November 21, 2010

Novos amigos, novas traições

Novos amigos e novas traições[i]


A Rússia entrará na OTAN. A questão é o que a Rússia leva em troca? Os países ocidentais parecem dispostos a permitir a hegemonia russa em sua área de influência, mas o que é a “área de influência russa”? Em termos simples, isto abrange os territórios da ex-União Soviética, mas estendendo sua política a Europa Oriental e Cáucaso, por exemplo, isto significaria um retrocesso para a democracia.
Os Estados Unidos precisam de apoio russo para combater a insurgência no Afeganistão, onde se situam aliados da Al Qaeda com a possibilidade de uso do território da Ásia Central para escoamento de tropas, combustível e mantimentos, bem como apoio técnico e treinamento russo para tropas aliadas afegãs. Como nada é de graça, as tendências autocráticas da política russa se farão cada vez mais presentes nos países da região sem o contrapeso ocidental. No entanto, dizer que “a détente com o governo russo é uma das principais tragédias do governo Obama” é muito simples, qual seria a alternativa razoável, uma política isolacionista como a de seu antecessor, GWB? Não há um mundo ideal a seguir, mas o ótimo ou razoável dentro da conjuntura que se faz presente.
Sem dúvida que o apoio russo às medidas mais duras contra o governo iraniano é um bom sinal dessa nova aliança, cuja integração à OTAN parece selar e, que a vitória Republicana nas últimas eleições sobre os Democratas parece ameaçar através da revisão do acordo de desarmamento (START) entre as duas potências. Apesar disto, esta vitória do governo Obama em se aliar ao Kremlin não deveria ser menosprezada. O próprio “guarda-chuvas da OTAN” na Europa Oriental, Polônia e República Tcheca elaborado no governo Bush foi redesenhado contra o Irã, inclusive com navios de guerra americanos estacionados no Mediterrâneo. Obviamente, as recentes insinuações ocidentais de apoio à Geórgia ou à Ucrânia serão deixadas de lado por tempo indeterminado, o que também significa suas possibilidades de autonomia e avanço democráticos.
Se por um lado esta perspectiva de deixar as ambições russas de lado e focalizar inimigos mais imediatos como o Irã se consolidam, nuvens negras se formam no horizonte sobre a China e a Índia, outros rivais regionais asiáticos que poderão colocar em cheque a solidez da aliança americana e russa dentro da OTAN se reagirem contra um novo expansionismo russo. No entanto, a história nos mostra que alianças entre estados democráticos e autocráticos não têm tido sucesso prolongado... Para a União Européia, por exemplo, as “revoluções coloridas” em países como a Geórgia e a Ucrânia significam também sua segurança econômica através de rotas de gás natural que lhes fornecem alternativa energética. A questão subjacente a boa estratégia de pressionar o Irã e forças insurgentes no Afeganistão é o que fazer com os sistemas políticos da periferia russa. Ignorar estes processos democráticos permitindo o avanço autoritário poderá significar uma fatura muito cara a ser paga num futuro não tão distante.




[i] Adaptado de Claudia Mancini, Russia’s expanding influence. Opportunity or threat?, 19 de novembro de 2010.