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Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

Thursday, June 23, 2005

Falácias socialistas

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O MUNDO PELO AVESSO
EMIR SADER
22/6/2005
Os golpes cotidianos

Na era neoliberal, já não são necessários golpes militares. Bastam os mercados. É esse o golpismo cotidiano que está por trás da ação da oposição, da criação do clima de ingovernabilidade, com acusações que a mídia monopolista multiplica. A saída da crise passa por mobilização popular e propostas alternativasNoam Chomsky afirmou que já não são necessários golpes militares – como os que derrubaram João Goulart, Salvador Allende, Isabel Perón, entre tantos outros. Na era neoliberal, de reino dos capitais especulativos, bastam os mercados. Os golpes se tornaram golpes de mercados. Os múltiplos ataquess especulativos, com fugas concentradas e maciças de capitais, desferem poderosos petardos de instabilidade, deixando governos fragilizados pela dependência desses capitais, em situações de ingovernabilidade.
Nós conhecemos bem esses ataques, esses golpes. Eles nos atacaram durante o Plano Cruzado, levando o país à moratória em situação difícil. Atacaram-nos em 1998, quando se tornava insustentável a política monetária do governo FHC, ataque camuflado durante a campanha eleitoral, para permitir a reeleição do então presidente – com todas as compras de votos que a imprensa denunciou, mas que a própria maioria comprada pelo binômio PSDB-PFL impediu transformar em CPI e apurar – e logo em seguida desatar-se como crise aberta, que levou o governo a elevar as taxas de juros a 49,5% (sic).
Voltaram a atacar o Brasil durante a campanha presidencial de 2002. O medo do que poderia ser o governo Lula levou a uma enorme fuga de capitais, com brusca desvalorização do real, atentando contra a vontade majoritária do povo brasileiro de terminar com as políticas de FHC e construir um governo centrado nas políticas sociais (o que não aconteceu).
É esse o golpismo cotidiano que está por trás da ação da oposição. Eles não precisam bater às portas dos quartéis – como muitos deles fizeram em 1964 e fizeram carreira política blindados pela ditadura, de que os casos de ACM e Jorge Bornhausen são exemplares. Apóiam-se nas ameaças de fuga de capitais, contam com a equipe do Banco Central infiltrada no governo, pegando carona numa vitória que foi contra eles e que descaracterizaram com suas políticas.
A criação do clima de ingovernabilidade, com acusações diárias que a mídia monopolista privada recolhe e multiplica, poupa o processo já constituído contra Henrique Meirelles, recheado de provas e evidências, porque é seu aliado, porque foi eleito senador pelos tucanos de Goiás, porque mantêm dentro do governo as políticas de FHC. Mas acusam cotidianamente, baseados em seus novos aliados – Severino Cavalcanti e Roberto Jefferson –, não batem às portas dos quartéis, mas telefonam para os bancos, para as redações dos jornais – são as novas vivandeiras que açoitaram a política brasileira ao longo dos anos 50 e 60, até conseguirem dar o golpe de 64.
Completa-se o quadro com o presidente que produziu a fragilidade da economia brasileira, aquele que anunciou que a estabilidade monetária traria todas as felicidades para o povo brasileiro, que a globalização era um “novo Renascimento” (sic) para a humanidade, que promoveu o maior processo de corrupção da história brasileira, com a privataria do patrimônio público que promoveu – de que agora ele e seus ex-ministros recolhem dividendos com pagamentos milionários por conferências e por assessorias.
Esse é o golpe cotidiano de cada dia. Até que se mude de política econômica, se termine com a ditadura das taxas de juros, dos superávits fiscais, da estabilidade monetária. Aí o golpismo especulativo ficará definitvamente fora de moda. Até lá, só a mobilização popular e as propostas alternativas – como aponta a Carta ao Povo Brasileiro, lançada pelos movimentos sociais – podem superar positivamente a crise que sangra o governo e ameaça repor no governo a direita brasileira, empoleirada na aliança PSDB-PFL.
Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História".

http://agenciacartamaior.uol.com.br/agencia.asp?id=1335&coluna=boletim
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Caro Gerson,

Sinto muito, mas não é possível concordar... qualquer coisa que venha de Emir Sader é suspeita. Trata-se de um pré-conceito, mas tão logo lemos e tomamos ciência do que se trata se tem um conceito de que o sujeito é maniqueísta mesmo!
Quando esse comunista diz que "na era neoliberal, já não são necessários golpes militares. Bastam os mercados", observa-se que o Emir (sem arábias) não merece a mínima consideração de respeito. A crise não é induzida por mercado nenhum, muito menos por neoliberalismo, coisa inexistente no Brasil estatizado até a medula. Trata-se de corrupção e isto não tem a ver com capital ou comércio externo. A tentativa de Emir Sader é alterar a lógica de raciocínio fazendo-nos pensar na falaciosa "conspiração de elites". Como se o patriarcado sindical que levou Lula ao poder não fosse uma elite...

A própria 'mídia monopolista' que acusa dá tanto espaço para as idéias paleolíticas de Sader que é difícil não pensar que o mesmo seja membro dela.

Quando essa gente fala em 'mobilização popular', o que se quer realmente dizer? Algo como o MST? O MTST? O MAS boliviano? São todos movimentos que atentam contra o capitalismo e o estado de direito. Eles incentivam a socialização, a distribuição boicotadora da produtividade e asseguram (implicitamente) a criação de uma classe de burocratas sanguessugas que ordenam e executam sem respeitar os direitos civis.

"Noam Chomsky afirmou..." dá alguma autoridade intelectual à assertiva? Como um apologista de Pol Pot, líder cambojano que assassinou 1,5 milhão de cidadãos urbanos no Camboja na vã tentativa de criar o 'novo homem do socialismo' pode merecer consideração intelectual e respeito humano?

É fácil falar mal de ditaduras 'de direita', mas e as de 'esquerda' como a do queridinho de Sader, Fidel Castro, por que não são atacadas? E, se Allende ou Goulart respeitassem a ordem institucional (apoiada democraticamente) não seriam necessárias as ditaduras. É fácil bancar o mocinho quando não se faz reforma agrária nas próprias terras, caro Goulart... é fácil acusar a CIA quando não se atenta para a influência da KGB, caro Allende...

Se há governos fragilizados pela fuga de capitais, a responsabilidade cabe aos próprios governos que não tornam a economia segura para os próprios. Tampouco foram estes 'capitais' que obrigaram os governos 'frágeis', mas corruptos a aceitarem-nos.

Plano Cruzado foi alvo de ataque? Ou foi Sarney com sua estúpida moratória que induziu a alta de juros que perdura até hoje? (Quem, em sã consciência, empresta para caloteiro?) Crise do México, crise da Rússia, crise da Ásia... para Sader, tudo não passou de um plano bem arquitetado com o único e específico propósito de ferrar o Brasil! Eureka! E, como FHC tinha que ser reeleito foi um 'ataque camuflado'! O que é isto? Um ataque que não revela toda sua extensão? Simplesmente, não faz o menor sentido.

No momento seguinte, a 'mídia monopolista' que Sader denunciou deixa de ser vilã para virar heroína ao acusar a compra de votos para a reeleição de FHC. Ora, decida-se caro Sader!

As taxas de juros foram elevadas para impedir uma fuga de capitais ainda maior, mas e a atual elevação já que a economia 'anda a mil maravilhas'?! Qual o sentido ou plano oculto de ataque? Sempre haverá um para Sader. A causa de todas as derrotas sempre parte de um maquiavélico plano conspiratório...

O 'novo ataque' em 2002 para impedir a reeleição de Lula foi, isto sim, conseqüência do que o líder sindical sempre semeou em sua própria história: a instabilidade e o calote. Lula não defendia aos quatro cantos do mundo, a moratória?

ACM e Jorge Bornhausen, pelos quais não nutro simpatia alguma, lucram o que com fuga de capitais? A insanidade de Sader vai tão longe que ele consegue ver nexo nisto.

Que 'equipe infiltrada no Banco Central'? O próprio Meirelles foi indicado pelo Lula!

Privatização não é corrupção, antes diminui a segunda. 'Comissões milionárias' que ganha a ex-equipe de FHC é por ter o que dizer, ao contrário de Sader.

Quem sabe sigamos o exemplo de Sader: baixemos as taxas de juros artificialmente e os capitais vão, definitivamente, embora; acabemos com superávits primários e secundários para tomar mais empréstimos do FMI, já que não conseguiremos mais fechar as contas; acabemos com a estabilidade monetária para reiniciar a hiper-inflação que só dá lucros para aqueles que não dependem de cestas básicas e, estes sim, conseguem especular sob os auspícios de um estado inchado. Este é que é o golpe de Sader: quando tudo virar um pandemônio, o que proporá? A estatização total da economia e o isolacionismo externo. Com a miséria crescente, qualquer loucura parecerá válida... Como uma USP e uma UERJ aceitam picaretas como este é uma prova de que a crise vem muito antes de qualquer governo eleito. É uma crise de consciência e inteligência que leva farsantes como este a terem espaço na 'mídia monopolista'...

Friday, June 17, 2005

Falácias ambientalistas

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Gerson Motta - Yahoo
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Jun 16 (1 day ago)
16/06/2005 - 15h54
Desertificação e poeira representam ameaça global, diz estudo
Por Alister Doyle

OSLO (Reuters) - A desertificação ameaça expulsar milhões de pessoas de suas casas nas próximas décadas, e enormes nuvens de poeiras podem afetar a saúde de pessoas a milhares de quilômetros de distância, afirmou um relatório internacional na quinta-feira.
"A desertificação surge como um problema global que afeta a todos", disse Zafar Adeel, diretor-assistente da academia hídrica da Universidade da ONU e um dos principais autores do relatório que resume o trabalho de 1.360 cientistas de 95 países.
Dois bilhões de pessoas vivem em áreas áridas vulneráveis a faixas da Ásia central, disse ele à Reuters. E as tempestades podem levar a poeira do deserto do Saara, por exemplo, até a América do Norte, causando problemas respiratórios nos habitantes de lá.
A superutilização do solo para pasto e para plantações, o crescimento exagerado da população e o mau uso da irrigação estão contribuindo para a desertificação, afirmou o documento. Segundo o texto, entre 10 e 20 por cento das regiões áridas já estão degradadas.
O aquecimento global, atribuído às emissões de gases que provocam o efeito estufa por carros, fábricas e usinas termelétricas, deve agravar o problema nas próximas décadas, causando enchentes, secas e ondas de calor.
"A crescente desertificação no mundo todo ameaça aumentar em milhões o número de pobres obrigados a buscar novos lares e meios de vida", afirmou o relatório, que faz parte da Análise do Milênio do Ecossistema, liderado por agências da ONU e outros grupos.
"A desertificação é potencialmente a alteração do ecossistema mais ameaçadora em termos de impacto na vida dos pobres", disse o texto.
Segundo o relatório, 41 por cento do território do planeta é composto de regiões áridas, incluindo a maior parte da Austrália, a parte oeste da América do Norte e boa parte da região andina, na América do Sul.
A desertificação causa problemas de saúde por causa da poeira, da redução da produção agrícola e da pobreza.
A mortalidade infantil em regiões áridas de países em desenvolvimento era de 54 crianças por mil nascidos vivos em média em 2000, o dobro de outras regiões pobres e mais de dez vezes a taxa dos países industrializados.
A poeira do deserto de Gobi, na Mongólia, pode afetar até o Japão ou o Havaí. Alguns cientistas estimam que 1 bilhão de toneladas de poeira são lançadas na atmosfera na região do Saara por ano.
As partículas de poeira também carregam bactérias e fungos. Acredita-se que microorganismos das areias da África tenham danificado os recifes de corais do Caribe, afirmou Uriel Safriel, outro autor do relatório.
"Sabe-se que os beduínos de Israel são infectados por esporos, fungos e bactérias transportados pela poeira", disse ele à Reuters. Também é possível que as partículas de areia carreguem toxinas como pesticidas da região do mar de Aral.
Tempestades de poeira vindas da África podem afetar plantas até na Flórida, por encobrir a luz do sol. A poeira africana também pode, porém, carregar nutrientes, e acredita-se que ela ajude florestas como a amazônica a sobreviver.
http://noticias.uol.com.br/ultnot/2005/06/16/ult27u49525.jhtm
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a.h
to beth7caras
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11:24 pm (0 minutes ago)
Caro Motta,

Há muito exagero nesta notícia...

On 6/16/05, Gerson Motta - Yahoo <
gersonmotta@yahoo.com.br> wrote:
16/06/2005 - 15h54Desertificação e poeira representam ameaça global, diz estudo
(...) o trabalho de 1.360 cientistas de 95 países.
>>> A comunidade científica tem seus dissidentes que podem estar errados, mas nem sempre é o que ocorre. De memória me recordo de três autores que não têm sido ouvidos pela mídia apocalíptica quando o tema é meio ambiente: B.Lomborg, P.K.Driessen e J.W.Dini. Seus livros são interessantíssimos...
Realmente, a agricultura intensiva pode levar a desertificação. Isto é um fato. Mas, com a devida correção do solo, a produção pode se prolongar e arrisco, indefinidamente. Se não fosse assim, o século XX não revelaria o salto na produção agropecuária que teve. Ocorre que sem o devido planejamento, a demanda por água tende a suplantar a oferta. É uma questão de se conhecer o ciclo hidrológico da área em questão. Veja o Sr. que a agricultura do semi-árido nordestino é uma das mais evoluídas do cenário nacional atual.
Sr., o aquecimento global é um fato. O que não é consenso sobre o mesmo são suas causas. Há cientistas que afirmam que, como saímos 'recentemente' de um período glacial, a tendência é de aquecimento global natural mesmo.
A alternativa mais viável em termos energéticos tem sido, no entanto, as usinas termonucleares que são menos poluentes.
A afirmação sobre o aumento da pobreza mundial não procede. Exceto se estivermos limitando nossa análise para áreas específicas como a África Subsaariana. Às expensas dos políticos e governos corruptos, que são a maioria, a humanidade melhora seus índices (a expectativa de vida em alta é prova disto).
41% do globo é formado de regiões áridas? Acho um exagero. Talvez, se adicionarmos as áreas SEMI-áridas cheguemos a algo próximo. Mas, mesmo assim, nestas, as chuvas ocorrem sim. É verdade que em pouca quantidade e, o que é pior para a agricultura, IRREGULARMENTE. Daí, a necessidade de construção de açudes. Vejamos um exemplo bem sucedido em
http://www.kklamericalatina.org/noticia.php?idnoticia=125.A Austrália p.ex. trata-se do país com a maior quantidade absoluta de áreas desérticas do mundo (cerca de 66%). No entanto, é um país com mais de 20.000m3/hab.ao ano (entre os mais abastados). Por quê? Simples: tem menos de 20 milhões de hab., menos que a metrópole de SPaulo...
Tempestades de areia e disseminação de vírus ou bactérias fazem parte da história da humanidade - as chamadas pandemias -, mas isto não torna a humanidade uma refém vulnerável. Nós nos adaptamos. Nisto reside a essência da humanidade: lutar e se adaptar. Se isto (as tempestades de areia) fossem problemas insolúveis, a Europa Meridional não existiria, pois ela é atingida TODOS OS ANOS pelo Simum, vento do Saara que cruza o Mediterrâneo.
Como se diz em outras latitudes, não tá morto quem peleia.
a.h

Thursday, June 16, 2005

Desinformação ambiental

Artigo razoável, mas com final sofrível: por que 'oriental'? Isto não passa de mistificação sobre um hemisfério ou região que, supostamente, segue uma filosofia. 

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O Expressionista - 8 de maio de 2005
Christian Rocha

Recentemente vi na TV uma entrevista com o ambientalista e ex-deputado Fábio Feldmann num programa conduzido pelo Secretário Estadual de Educação e showman, Gabriel Chalita. O tema não poderia ser outro senão a importância da preservação do meio ambiente e as políticas e ações que podem ajudar neste sentido. A platéia era composta de adolescentes, o que, somado à presença de duas pessoas que gostam de ensinar, deu um ar de sala de aula ao estúdio.
É evidente que uma entrevista desse tipo, protagonizada por pessoas desse tipo, não teve o objetivo de educar verdadeiramente, mas apenas de repetir os mantras ambientalistas repetidos desde que o assunto ganhou importância, nos anos 80. Foram mencionados o Protocolo de Kyoto (e o boicote norte-americano a ele), a Eco'92, o desmatamento da Amazônia e da Mata Atlântica (Fábio Feldmann foi um dos fundadores da S.O.S. Mata Atlântica), a poluição nas cidades e diversas estatísticas e previsões catastróficas sobre as modificações climáticas.
Foi muito difícil, depois de ver a entrevista, dormir tranqüilo com o fato de se ter água encanada e móveis de madeira em casa. Pois, dizia o entrevistado, a Amazônia é devastada à proporção de "um Sergipe por ano" e a água é um recurso cada vez mais escasso. Tive vontade de me filiar ao Greenpeace na mesma hora, mas felizmente a entrevista foi transmitida já tarde da noite.
Dia seguinte, refeito do surto catastrófico da entrevista, pus a cabeça no lugar e refleti sobre aquilo que havia visto, comparando a entrevista com leituras como "Verdadeiro versus falso", de Alan Neil Ditchfield. Neste longo ensaio a respeito das teorias catastrófico-ambientalistas, Ditchfield desenvolve duas idéias importantes: 1) no que diz respeito ao clima e ao meio ambiente, há muito mais suposições do que certezas, não obstante os avanços progressivos da ciência; 2) interessa a muitas pessoas disseminar suposições como se fossem certezas, sob o pretexto de prevenir danos maiores ao meio ambiente.
A primeira idéia ficou evidente na entrevista. As perguntas e as respostas -- em que foi comum o tom pessoal -- não fizeram questão de esconder a ausência de precisão científica numa área que normalmente não dá espaço a suposições e ao bucolismo. Não estavam ali dois cientistas especializados no assunto, mas um educador e um ambientalista. A segunda idéia evidencia-se, neste caso específico, pela necessidade de entrevistador e entrevistado manterem seu status de atração da noite num programa de TV.
O educador tem como especialidade a transmissão de informações. Não é sua prioridade, embora seja um dever ético, certificar-se da veracidade daquilo que transmite. O ambientalista é um especialista em educação, política e planejamento ambientais. Os especialistas em meio ambiente são o ecologista, o biólogo, o engenheiro ambiental, o engenheiro agrônomo etc. Não que não seja possível um ambientalista ter conhecimentos sólidos de ecologia e meio ambiente, mas sua forma de atuar será dividida entre o meio ambiente e a burocracia de entidades e políticas ambientais.
Acontece que são essas pessoas que promovem a educação ambiental. São essas pessoas responsáveis por filtrar a informação originalmente cientifica e transformá-la em aulas e políticas públicas. Essa transformação nem sempre é isenta; ela tenderá a privilegiar grupos, entidades e pessoas ligadas ao agente transformador -- o educador ou ambientalista. E é aí que os problemas começam.
Imagine um ambientalista que se depara com pesquisas e números que contrariam suas teses iniciais. Ele será capaz de admitir seu erro? Ou ocultará as pesquisas e números em benefício de suas teses e de seu trabalho? Quantas pessoas são honestas a ponto de admitir seus próprios erros?
Nem todos, contudo, chegam ao ponto de pesquisar as variáveis que determinarão a validade de suas teses. Seus autores as dão como certas e válidas com a desculpa de serem teses 'simpáticas', 'da paz' ou 'do bem'. Esses sujeitos não se dão o trabalho de pesquisar, elaboram suas teses com base em notícias de jornal ou em pesquisas inconclusas e as vendem como verdade universal.
As pessoas que pesquisam, descobrem erros em suas teses e ocultam seus erros, são desonestas com outras pessoas. As pessoas que não chegam a pesquisar, admitindo desde cedo a validade de suas teses, são desonestas com elas mesmas.
Quando falamos em educação ambiental, encontramos esses dois tipos de pessoas -- os que se enganam e os que enganam os outros -- espalhando as idéias mais estapafúrdias, sugerindo atitudes ecologicamente corretas em nome de suposições travestidas de verdade universal.
Educação ambiental deveria ser algo bem diferente. Educar numa área em que as suposições são abundantes, as pesquisas numerosas e as certezas raras, significa ensinar a pensar, a observar a realidade e instrumentalizar as pessoas para buscar a verdade. Deve-se, nestas condições, resistir à tentação de ensinar a verdade. Em outras palavras, deve-se ensinar, não desinformar.
Não que todo lema ambientalista seja descartável. A vida nas grandes cidades comprova algumas teses já bem antigas. São evidentes, por exemplo, as diferenças entre viver numa grande cidade e viver numa floresta; por menos conhecimento que se tenha sobre o assunto, o empirismo dos pulmões elimina qualquer dúvida. O mesmo vale para a quantidade e a qualidade da água, assuntos cujas certezas surgem dos atos simples de abrir uma torneira e sentir o cheiro do ar.
Educadores ambientais deveriam ensinar as pessoas a retornar à velha fórmula empirismo+racionalismo, em vez de empurrar-lhes verdades capengas goela abaixo. Através do empirismo, o indivíduo observa a natureza e colhe informações puras -- os sentidos são suficientemente apurados para isso. Através do racionalismo o indivíduo processa as informações e, com base na lógica e na justiça, as transforma em conhecimento. Este é o ambientalismo de Thoreau, simples, aristotélico, profundo e oriental.

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Poluição na China não atrai protestos

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Poluição na China não atrai protestos 4/16/2005 10:33 AM
Não vimos tendo notícias de passeatas organizadas por ambientalistas em defesa do “aqüífero chinês”. Por que será? Ah! Talvez por que, na China, o direito à manifestação é “monitorado”, coisa que, com certeza, os adeptos da prática de manifestações públicas de protesto concordam plenamente.
Mas, e as manifestações que ocorrem pelo mundo afora, protestando contra a destruição do meio-ambiente em países capitalistas e em desenvolvimento, por que não fazem referência à China? Ou será que, a exemplo do que ocorre com os Direitos Humanos, o que se passa na China não diz respeito à ação das ONGs, “movimentos sociais”, ecologistas e tutti-quanti?
Bom, melhor começarmos a engarrafar a nossa água. Isso poderá vir a ser “um negócio da China”!
BL
China admite que 360 milhões bebem água poluída no país - 23/03/2005
Autoridades em Pequim afirmaram que 360 milhões de chineses na zona rural estão bebendo água poluída. O governo admite também que mais de 70% dos rios e lagos do país estão contaminados. A notícia é mais um sinal de que o governo do Partido Comunista enfrenta dificuldades para encontrar um equilíbrio entre o acelerado desenvolvimento econômico e o impacto ambiental. Os canais chineses estão desaparecendo. As águas dos rios se escurecem com dejetos industriais e esgoto sem tratamento. O total de pessoas ameaçadas pela água que consomem representa um terço da população das áreas rurais.

4/16/2005 10:35 AM
Arsênico O diário oficial "China Daily" afirma que 2 milhões de pessoas já contraíram doenças, entre elas câncer, provocadas pela alta concentração de arsênico na água. A situação também é complicada nas cidades. Nelas, a principal fonte de água são os lençóis subterrâneos. Uma pesquisa recente, porém, mostrou que 95% das amostras analisadas estavam poluídas, algumas delas com esgoto. Um funcionário da organização governamental responsável pela preservação ambiental disse abertamente que a crise é resultado de políticas equivocadas e má administração pública. As autoridades encarregadas de limpar a poluição resultante de décadas de crescimento econômico enfrentam agora a oposição de indústrias poluidoras e governos locais. A atual liderança do Partido Comunista em Pequim já enfatizou a necessidade de preservar o meio ambiente no país, mas os últimos dados sobre poluição da água revelam o tamanho dos estragos até agora.

Fonte: LOUISA LIM da BBC, em Pequim / Folha Online
[http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u40821.shtml via @folha_com]

Monday, April 04, 2005

Choque Civilizacional





Nadim é o nome de um de meus alunos que, como se vê, é descendente de árabe, mas tem mãe espanhola. Ao contrário do que se poderia supor, ele não ficou nenhum pouco contente com o ocorrido naquela Terça-Feira Negra na Costa Leste dos EUA, muito pelo contrário, ficou transtornado. Nadim tinha me perguntado outro dia se eu achava que ele deveria mudar o nome para outro, hispânico. Queria saber se isto afetaria, positivamente, sua possível carreira em Relações Internacionais - que ele pretende cursar na USP ou na UnB -, arcando com um menor grau de preconceito. Eu lhe disse que não acreditava nesta possibilidade, não em nível acadêmico, mas que lhe facilitaria, isto sim, a vida em certos países, no plano social ordinário, além de possuir o "passaporte vermelho" da UE.
Nadim é um dos tantos descendentes de imigrantes que guardam um estigma, reforçado n-vezes após os atentados na terra do Tio Sam. Como ele, muitos guardam uma mácula que irá marcá-los por toda a vida. Não a mácula do terrorista cego pelo paraíso islâmico - também, com 70 virgens e orgasmos de 300 anos.... -, mas aquela derivada de uma fé que, como toda, é cega e que, quando mesclada à política, fede.
Me lembrei muito de Samuel P. Huntington que previu um "choque de civilizações" como sendo o combustível de uma possível 3a Guerra Mundial. Errou - o grande apostador - Marx em sua paranóica luta de classes; erraram os espíritos atormentados da Guerra Fria que menosprezaram a Mutually Assured Destruction (M.A.D., hilário, não?) entre as superpotências de Leste e Oeste; erraram os órfãos do Marxismo ao prever um conflito Norte-Sul (horrível deturpação geográfica). Pelo contrário, os "do Sul" clamam, suplicam para entrarem no clube dos "do Norte". O conflito parece mesmo, entre civilizações que não se compreendem. Isto não me isenta de optar por uma delas, mas não tentar compreende-las é o primeiro passo para a ignorância crônica. No sectarismo islâmico, ninguém pode ousar tentar representar a obra humana melhor do que Alá. Por isso, não há imagens dentro da mesquita, nem se pode pintar um corpo animal ou vegetal ou mineral qualquer, mas a necessidade da arte é grande: então a bela grafia árabe. Se a adoração aos objetos é mal vista, melhor, execrada, mulheres muçulmanas berram com uivos histéricos ao serem fotografadas, temendo ficar estéreis. Por que reproduzir é louvar a obra divina, daí o mero planejamento familiar soar heresia. "Reproduzi como coelhos". Parece outra fé... cega. Então, a adoração aos objetos, o consumo, a satisfação de necessidades tornam-se sinônimos. O país que mais consome torna-se o inferno na Terra e nada como o "mal" para reforçar o "bem". Assim como a carne é fraca, a goela também.... embora o Islã condene a ingestão de álcool, kuwaitianos cruzavam a fronteira do Iraque para tomar umas, já que Saddam era laico antes da Guerra do Golfo. Era, até precisar de apoio e convocar a Jihad, a guerra santa, um dos preceitos básicos da Shari'a, a lei islâmica. Mas, pequenos pecados podem ser tolerados, assim como "passar a mão" em uma mulher cuja mecha de cabelo saia de baixo do chador. Unir o "útil ao agradável", respeitar o Islã e "tirar uma casquinha" eram fatos corriqueiros nesta versão dantesca do paraíso.
Idiossincrasias à parte, há uma grande distância entre isto e a ação coercitiva de um Hamas, Hezbollah, Grupo Islâmico Armado e de uma Taleban. Existe uma distância, mas não uma ausência de lógica entre os preceitos e seus "guerreiros sagrados", assassinos. A diferença é nula na prática.
Me lembrei do Irish Republican Army, o IRA que lutou por duas décadas pela independência do Éire e o conseguiu, atacando alvos MILITARES britânicos. Discutível, mas tão discutível quanto foi a ação conquistadora do "império que nunca vê o Sol se pôr" - o Império Britânico. O divisor de águas parecia ser o apoio popular que, mesmo quando difuso, não deixa de ser um apoio, uma vez que sempre ocorrem divergências quanto ao governo a ser implantado em qualquer processo revolucionário. No entanto, quando exportado para a Irlanda do Norte nos anos 60, o IRA se deparou com uma situação distinta, n-vezes distinta, onde o país dividido, combatia com pedras, uma versão ocidental da Intifada, a etnia rival. Católicos e protestantes apresentavam proporções similares, com ligeira maioria protestante que mantinha e desejava a ligação ao R.U. (Reino Unido da Grã-Bretanha e IRLANDA DO NORTE). Sem apoio, o IRA, já acostumado à clandestinidade passou da GUERRILHA ao TERRORISMO. De 1969 até hoje, cerca de 3.000 morreram, inclusive católicos com bombas colocadas em lojas, metrôs, cinemas e feiras. Tudo em nome da "liberdade religiosa", com Jesus de escanteio.... Como se diz por aqui: perdeu a moral.
Num reducionismo, estas lutas derivariam da opressão imperial, mas não esqueçamos que a colonização sempre foi uma "via de mão dupla". Assim, os bárbaros se "romanizaram" ao invadir o Império Romano e o que herdaram não foi o Circo, mas a lógica do Direito Romano, a Administração, a ordem arquitetônica e urbanística; assim, a Índia não teria se tornado independente em 1947 sem o domínio britânico. Paradoxal? Sem o idioma comum - o inglês - aos vários reinos e principados indianos, eles não se uniriam. Não ficou a hora do chá como maior legado, mas a infraestrutura (ferroviária, dentre outras) e a valorização da educação que produziu vários nomes - hoje temos o prêmio nobel de economia, Amartya Sen.
O maior legado estadunidense não será o hamburger do McDonald's, mas sua indiscutível vitalidade econômica, sede por tecnologia e APREÇO PELA "SOCIEDADE ABERTA". Quando chegar a hora dos EUA, seu espírito permanecerá. Duvidam? Pergunte aos "chicanos" se querem voltar pra Tijuana. Sou ateu, mas uma frase não me sai da cabeça, "God bless America".
No carro, naquele fatídico dia, ouvi um professor da USP dizer que, "uma vez que, as regras internacionais não se encontram claramente estabelecidas.... os EUA também bombardeiam o Iraque....". Vocês podem imaginar o resto do lixo e o rádio escapou por pouco de minhas mãos. Por que, ao professor, não importa distinguir alvos militares de alvos civis, não importa que Saddam utilize "escudos humanos", ocultando arsenais de armas químicas sob hospitais. Não importa, nada importa, sob um pacifismo irresponsável e um pseudo-relativismo cultural.
É óbvio que os EUA retaliarão, o gigante acorda, e espero que o façam bem feito, sem deixar de ocupar o que for necessário. Hoje, Japão e Alemanha são gratos, mesmo que não o admitam, mas seus padrões sociais o atestam e duvido que quisessem retornar ao estado do período e ideologia anteriores.Não faltarão medíocres que apontarão o FMI, a OMC e outros como detentores de culpa direta ou indireta. Pouco resta em suas mentes, à não ser uma nefanda Teoria Conspiratória, tão estrutural nas culturas quanto os rituais do curandeiro ou pajé. Como mostrou Robert Kaplan em seu basilar e verdadeiro Os Confins da Terra, o problema não são os pobres, mas os "menos pobres", aqueles que cursaram a universidade, mas não atingiram o status pretendido, como a Taleban dos estudantes treinados no Paquistão para conter a invasão soviética do Afeganistão, um dos últimos suspiros da Guerra Fria. Que Lúcifer guarde a alma de Brejnev....
Não faltarão medíocres que escreverão que "caiu o muro de Berlim do Neoliberalismo" com o WTC e o Pentágono. Ou como alunos menos saudosos, acham que as Farc cobram só um "pedagiozinho" dos "empresários de produtos não lícitos". O WTC não era um muro, mas um farol que chamuscou-se para o desagrado, a decepção dos alunos afoitos por cenas hollywoodianas que, com hormônios em abundância, anseiam pelo show, ou fósseis vivos que se dizem professores que naquela Terça-feira cantarolavam, transbordantes em alegria. Pobres diabos, ainda não viram a sombra do gigante, ocultos que estão em suas cavernas.... Como dizia Popper, a Sociedade Aberta tem inimigos.
Semanas após a pergunta de Nadim e um dia após o atentado, ele me disse que já não tinha mais dúvidas sobre a mudança de nome. Via que, assim como eu, ele tinha escolhido seu lado, o lado da Liberdade.
Lágrimas correram em meu rosto na estrada durante aquela Terça-feira, lágrimas um tanto infantis e, por isto mesmo, verdadeiras. Lágrimas por mais que uma palavra, um mito, a Liberdade. Meu sonho e o de vários "Nadins", sonho de gente que anseia pela maior Globalização, a cultural. Nela, Alá, Jesus e o resto, seja qual for o messias terão seu lugar, mas seu devido lugar, nos templos, sejam eles materiais ou espirituais.