Energia brasileira: dá-lhe lenha!
..Lenha para o Greenpeace
Rio, 24/ago/05 – Nada mais revelador para comprovar que a miséria é a pior poluição, uma das teses formuladas pelo insigne cientista Josué de Castro, do que a matéria publicada hoje no O Globo informando-nos que os brasileiros estão trocando o botijão de gás liquefeito de petróleo (GLP) pela lenha como combustível por questões financeiras. [1]
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De acordo com estudo do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE) divulgado ontem, entre 2000 e 2005, a participação do GLP na energia consumida nos lares brasileiros caiu de 31% para 27%, enquanto a lenha subiu de 32% para 38% no mesmo período. Segundo o consultor Adriano Pires, que apresentou o estudo, a lenha tem uma participação na energia consumida pelas residências superior, até mesmo, à eletricidade, que representa 31,6% do total utilizado. “A lenha é um produto barato, não há nenhum controle sobre o consumo residencial. Os desmatamentos são grandes e descontrolados, e o produto não tem impostos”, argumenta o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de GLP (Sindigás), Sergio Bandeira de Mello.
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Três fatores são apontados como motivos para a substituição ou complementação: empobrecimento da população, aumento do peso dos impostos no preço do botijão de gás e rigidez do programa Vale-gás, há anos o valor está congelado em R$ 7,50. Quando foi criado, representava 50% do preço do GLP, que custa mais de R$ 30 atualmente. Além disso, entre junho de 2004 e o mesmo mês deste ano, houve um aumento do peso dos impostos (PIS/Cofins, ICMS) no preço final do GLP, de 21% para 22%. Ao longo do tempo, essa fatia vem aumentando.
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Por que será o Greenpeace e caterva, tão preocupados com o desmatamento, não se pronunciam contra a formação a qualquer custo do sagrado superávit primário e que, em última análise, é a grande motriz do empobrecimento da população que é assim obrigada a usar lenha como combustível?
[050824a]
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[1] "Consumidores trocam gás de cozinha por lenha", O Globo, 24/08/05 ..
http://www.alerta.inf.br/08_2005/050824a.htm..
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