Geografia Conservadora
Monday, May 28, 2007
Uso da fauna como manejo ambiental
artigo
28/05/2007
Uso da fauna silvestre: tabu ou necessidade?
Isaac de Souza (*)
O uso da fauna silvestre sempre foi uma prerrogativa da sociedade humana. Desde a pré-história o homem já a utilizava. Agora, por capricho de alguns ambientalistas, querem considerá-la intocável. É um propósito inaceitável. Em Santa Catarina, sempre se criou fauna silvestre para lazer e produção de carne.
O problema é que com o surgimento da Lei de Proteção à Fauna, Lei 5.197/67, tudo mudou. Os agentes ambientais e a mídia começaram a perseguir estes criadores. Na grande maioria, os criadores tinham experiências bem sucedidas que aos poucos foram abandonando, devido às sanções da lei ambiental. Eram em sua maioria pessoas humildes e com poucos recursos econômicos e, não tiveram coragem de se contrapor aos ditames ambientais. Perdeu-se, assim, um vasto campo de conhecimento no manejo da fauna silvestre e o prejuízo foi da sociedade brasileira que hoje, por vezes, vai buscar no exterior técnicas para manejo da nossa fauna.
Para comprovar o fato, basta pesquisar e conversar com as pessoas mais velhas. Pergunte quem criava, quem possuía e quem consumia caça silvestre. A resposta com certeza é unânime. Todas faziam uso da fauna. Negar essa situação de uso contraria a tradição, a cultura e os costumes locais.
Estou certo de que é necessário preservar a natureza, mas proibir o seu uso é ir contra tradições do povo brasileiro que adquiriu estes costumes com nativos (índios), com utilização na culinária local ou no lazer. Os índios já possuíam os seus Anapurus (papagaios), que provavelmente o colonizador extinguiu.
Hoje, o Estado de Santa Catarina perde por ano em impostos, decorrente da atividade de lazer (passarinheiros), a importância de R$ 3.400.000,00, segundo estimativas, devido à ingerência ambiental que impede os criadores amadores de comercializarem as suas aves.
Pagamos impostos sobre energia, telefone, água e alimentos. Por que não podemos pagar impostos sobre o uso da fauna silvestre para lazer? O Brasil tem 196.094 criadores amadores com uma população de 2.687.721 aves registradas em ambiente doméstico. Estas aves criadas em ambiente doméstico são com certeza bem estimadas, muitas delas têm alto valor comercial e contribuem para o bem estar do cidadão, proporcionando lazer, companhia e distração. Muitas fazem parte da família. São consideradas pelo seu dono como um irmão ou um filho.
Quanto o Brasil deixa de gastar com remédio devido ao serviço prestado por esses animais silvestres? Se cachorro é considerado um animal de companhia, que vive cerca de 15 anos, por que não ter um animal silvestre que pode durar até 50 anos ou mais? O animal silvestre produz menos impacto ao ambiente que o animal doméstico por estar adaptado ao clima local e ser menos exigente em cuidados.
Conclusão: O Brasil precisa preservar a biodiversidade local, mas também precisa utilizar estes recursos ambientais renováveis de forma sustentável, para que possa gerar recursos econômicos: emprego, renda para o produtor, melhoria da qualidade de vida para o cidadão e, ainda, contribuir para a geração de tributos como acontece em muitos países europeus onde os recursos econômicos da fauna silvestre fazem parte do PIB.
Precisamos ser lógicos e inteligentes. Não é só dos cultivos domésticos que o homem vive. Ele vive do resultado da interação homem e ambiente, e se utiliza dos recursos naturais para sobreviver.
Não existe natureza intocada, existe sim, natureza manejada. O que precisamos fazer é melhorar esse manejo, não é proibindo que vamos atender as necessidades humanas. Criar e preservar é a solução.
* É engenheiro agrônomo.
isaac_souza@yahoo.com
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