Debate alcoolizado
9/7/2007
Há muito porre no debate sobre etanol
Artigos / Entrevistas
No primeiro grupo se alistou logo de saída o presidente Lula - perdão, logo de saída não, porque o pioneiro, no Brasil, da saída para o etanol, no plano industrial e comercial, chama-se Mário Garnero, que deu corda no nosso primeiro programa do álcool quando do início da crise do petróleo, na primeira metade da década de 70 do século passado. Digamos, então, que nesta segunda saída nosso presidente tem sido um incansável garoto-propaganda.
Ainda na semana passada, na Conferência Internacional sobre Biocombustíveis, em Bruxelas, ele partiu mais uma vez para a defesa do etanol brasileiro e para o desmonte dos argumentos dos que apontam os perigos da expansão da cana-de-açúcar, em detrimento dos alimentos, brigada aguerrida que inclui alguns ambientalistas de nomeada e cujo comandante na cena internacional é ninguém menos que 'el comandante', o sr. Fidel Castro. E, pelos relatos da imprensa, Lula foi aplaudidíssimo na apresentação que fez sobre a política brasileira de biocombustíveis. Clóvis Rossi, na Folha, dizia que alguns delegados de países africanos 'mais soltos e entusiasmados' gritavam 'bravo'.
O problema, portanto, no caso do Brasil, não é a competição etanol-alimentos. Sob esse aspecto, o eucalipto até mereça, talvez, mais atenção, uma vez que terras para plantação de eucalipto estão sendo arrendadas por preços até melhores do que para cana-de-açúcar e o potencial de escassez futura dessa madeira está mais presente e menos percebido. O problema nosso, como sempre, é de atabalhoamento, desorganização, falta de planejamento, com uma pletora de órgãos do governo palpitando no assunto e, como diz o professor Vidal, de falta 'de leme'.
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