interceptor

Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

Thursday, April 30, 2009

Fuvest 1990



Relembrando a prova de geografia da Fuvest 1990, quando o vestibular tinha um nível maior. Questões como esta mostram como é possível ir além do usual e da mediocridade pressupondo visão espacial, análise e pragmatismo.

Gabarito: b

Friday, April 17, 2009

Hobsbawm, o derreísta





Comentários sobre Hobsbawm: estamos livres para voltar à economia mista, do trabalhismo[*]:

Creio que não dê para prever o que virá depois da quebradeira de 2008/2009. Mesmo porque não acredito em “algo novo” neste sentido, mas somente mais um plano de regulação por estado ou, no máximo, por bloco como na Europa.

Acho que se Amartya Sen estivesse morto já estaria se revirando e esmurrando seu caixão. Atualmente, ele é um dos autores mais incompreendidos, embora de fácil leitura. Quando se refere, p.ex., a “ação coletiva” não se trata de uma ação por categoria, ou classe social como o faz a introdução ao artigo, mas uma ação resultante de diversas ações individuais dotadas de racionalidade. Logo de início em seu Desenvolvimento como Liberdade conta uma história triste sobre um paquistanês que fora esfaqueado por adentrar em área hindu em busca de trabalho. Ele faz uma crítica aos entraves, sejam culturais ou burocráticos, ao que impedem o desenvolvimento econômico pautado na liberdade.

O que eu acho bastante engraçado neste caso é que Hobsbawm insiste em avaliar a Guerra Fria como período histórico que tenha oposto o capitalismo ao socialismo. É muito mais do que isto... Foi um intenso conflito entre a sociedade aberta, democrática contra a ditadura do proletariado, o comunismo. Mesmo porque o socialismo, como preconizava Karl Kautsky surgiu aqui e ali com os social-democratas europeus e, em grau muito menor, com os Democratas americanos. O problema, fácil de criticar, difícil de imaginar soluções alternativas se deu com seus métodos muitas vezes apoiando ditaduras de direita para impedir a expansão da ditadura comunista.

Aliás, o socialismo do tipo soviético que Hobsbawm critica “veio abaixo” nos anos 80 porque já estava roto muito antes. No entanto, dizer que o capitalismo também está no mesmo caminho porque tivemos crise similar em 1929 é ignorar que nesse meio tempo também tivemos uma expansão econômica, inclusive para países que antes disso não passavam de periferias econômicas sem importância.

Se o problema que “está colocado diante de nós” se dá, sobretudo, para “a gente de esquerda” já revela um partidarismo simplista que não vê, justamente, além desta dicotomia... Ultrapassada.

Hobsbawm também desconsidera que a venda/privatização de empresas públicas ineficientes tenha alçado a Inglaterra a uma das mais dinâmicas economias européias, enquanto que a Alemanha e a França permaneceram, relativamente, estagnadas.

Dizer que os “pobres estejam um pouquinho melhor” é ignorar que houve aumento real da renda, em que pese a desigualdade social. Não sei quanto a Hobsbawm, mas eu prefiro viver em um sistema em que a camada mais pobre esteja, em termos absolutos, melhor do que uma camada pobre mais próxima da superior. A pobreza e não a desigualdade é que é o verdadeiro problema.

O historiador avalia que “seja qual for o logotipo ideológico que adotemos, significará um deslocamento de grande alcance”, mas quem disse que a questão é esta, ideológica? Se fosse assim, eu teria que concordar com ele, mas o que se vê é que sob o pensamento datado de uma ideologia, endossada pelos governos mesmo, de não pagar as contas como se deve, é que estamos postergando uma reestruturação. Antipedagogicamente, os devedores serão isentados da responsabilidade e o prejuízo socializado para evitar uma quebra necessária.



[*]Artigo publicado originalmente no jornal The Guardian.


Entrevista com Francis Fukuyama



Gosto do Fukuyama. Aqui vão algumas considerações sobre sua entrevista a Veja:



"Só vou considerar que há alternativa viável à democracia liberal se, no prazo de uma geração, o regime autoritário da China conseguir mesmo levar o país a igualar o nível de desenvolvimento dos Estados Unidos e da Europa. Acredito, porém, que esse objetivo não seja alcançável pelo atual modelo chinês."


Pois então, não sei se sou excessivamente otimista ou se abuso do economicismo teleológico com sinal trocado (ao marxismo), mas acredito na evolução do sistema chinês. Inclusive, como também ocorreu na Coréia do Sul e Japão. Embora, nestes casos tenha havido guerras com ocupação e imposição constitucional posterior... É que não consigo pensar que haja desenvolvimento econômico, o fortalecimento de uma classe economicamente dominante (para abusar do cacoete herdado do marxismo) sem que haja sua correspondente ascensão política. É como se falarmos em alguém cada vez mais rico e calado perenemente pelo medo de se expor. Classes ricas tendem a ter influência política também e isto me soa óbvio.


"As ideias que exportamos desde os tempos do presidente Ronald Reagan (1981-1989) deverão ser modificadas, pois foram justamente elas que nos impeliram para a crise atual."


Eu não tenho certeza disso, genericamente como está colocado. De que forma? Ele se refere às privatizações ou a transferência de capitais? Mesmo assim, para mim, a importância de Reagan está no enfrentamento do poderio soviético. Ele forçou a máquina até ferver. Acho que se Reagan teve méritos está igualmente no fato de que no plano de mercado defendeu a livre iniciativa, mas na política externa manteve o estado de segurança do bloco ocidental sem baixar a crista.


"O pior dessa história toda é que, na esteira da crise, estamos assistindo a um aumento do nacionalismo econômico. Não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. Seu desdobramento mais nefasto é o protecionismo. Esse movimento é um grande perigo. Sabemos das consequências do protecionismo. Não funcionou nos anos 1930 e não funcionará novamente."


Acho que aqui Fukuyama se mantém politicamente correto. O que não está sendo dito com todas as letras é o temor do protecionismo americano, a única grande ameaça com Obama. Os países periféricos estão cagados de medo de ver seu principal cliente adotar aquilo que suas elites universitárias sempre apregoaram.


"Os chineses estão usando a crise econômica global de maneira estratégica, promovendo investimentos em várias partes do mundo. Eles estão aumentando seu peso político. Também pressionam por mudanças nas instituições multilaterais para que o papel deles seja mais relevante. Acho que os chineses sairão da crise com mais poder de barganha do que tinham antes."


Perfeito. Também acho.


"Eles vivem a ilusão de que essas mudanças produzirão justiça social, mas elas são propostas por líderes populistas cujo único objetivo é aumentar o poder do Executivo. Justificam isso com programas sociais de redistribuição de renda que retiram direitos da elite e os repassam aos excluídos. É uma tendência perigosa. Se for para fazer redistribuição, que se faça com o consenso de toda a sociedade. Se não houver um consenso na sociedade para que essas mudanças ocorram, haverá uma polarização cada vez maior entre direita e esquerda."


Interessante, quando todos dizem que este grupo está se fortalecendo, ele vê um enfraquecimento no seu horizonte.


"Porque o Brasil é mais estável. É um estado federativo, com experiência na descentralização do poder. Além disso, o consenso a respeito da importância da participação política é muito maior na sociedade brasileira do que na maioria dos outros países da região."


Bem pensado, ele não é mais um que se deslumbra com a estabilidade do governo Lula, mas vê nossa estabilidade institucional que, por outro lado, tem na "república dos governadores" sua chave federativa. Isto é, a barganha é necessária para governar em Brasília. Como diz:


"O problema no Brasil é o Legislativo. As regras eleitorais dificultam a formação de maiorias no Congresso, o que força os presidentes a criar coalizões com diferentes partidos. Um presidente brasileiro jamais tem uma maioria no Congresso, como o presidente Obama tem nos Estados Unidos. Além disso, os partidos brasileiros não têm disciplina. Isso é terrível. Os partidos não podem forçar seus membros a seguir a orientação do líder, o que obriga o presidente a fazer acordos paralelos. Esse modelo favorece a corrupção e dificulta a aprovação de leis."


"Outro grande problema é que os professores são muito mal preparados. Para piorar, os pais dos alunos não estão dispostos a cobrar a melhoria do ensino nem são preparados para isso."


Sem comentários, apenas assino em baixo. No geral, gostei da entrevista.


Dá o que pensar, inclusive sua crítica ao governo Bush.



Thursday, April 16, 2009

Áden



Força localizada no Golfo de Áden

De onde, provavelmente, partirá a reação aos piratas somalis:


Wasp Class Amphibious Assault Ship (Multi-Purpose):

Laid down, 30 May 1985, at Litton-Ingalls Shipbuilding Corp. Pascagoula, MS. Launched, 4 August 1987 Commissioned USS Wasp (LHD-1), 29 July 1989 USS Wasp is a unit of Amphibious Group 2, US Atlantic Fleet, and is homeported at Norfolk, VA.

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Specifications: Displacement 40,650 tons (fl.) Length 844' Beam 105' Speed 20 kts.+ Complement 104 Officer, 1004 Enlisted Marine Force 1894 (plus 184 surge) Armament two RAM launchers two NATO Sea Sparrow launchers three 20mm Phalanx (CIWS) mounts four .50cal. machine guns Aircraft twelve CH-46 Sea Knight Helicopters four CH-53E Sea Stallion helicopters six AV-8B Harrier attack aircraft three UH-1N Huey helicopters four AH-1W Super Cobra helicopters planned capability to embark MV-22 Osprey VTOL tilt-rotors Power Plant two 600 psi boilers two geared steam turbines two shafts 70,000 total shaft horsepower


Fonte:
http://www.navsource.org/archives/10/08/0801.htm

Friday, April 03, 2009

Rússia e narcotráfico - 2

Em Criminals of the world, unite and take over


"For Misha Glenny, a journalist specializing in the Balkans and author of the new book 'McMafia: A Journey Through the Global Criminal Underworld,' the smuggling operation was a prime example of what he calls the "internationalization of organized crime," a phenomenon that has flourished over the past two decades. Estimates suggest that crime accounts for almost one-fifth of the planet's gross domestic product, he reports, and "McMafia" is a sprawling, pell-mell tour of the world's shadow economies, ranging from Russia to Israel to the Mideast, as well as India, Africa and Latin America. Glenny even makes it to western Canada, a seemingly mellow region that, due to the proliferating industry of marijuana cultivation, "is home to the largest per capita concentration of organized criminal syndicates in the world."
(...)
The reasons for this outrageous blossoming of so many flowers of evil are, according to Glenny, essentially twofold. 'The collapse of ... the Soviet Union is the single most important event prompting the exponential growth of organized crime around the world in the past two decades,' he writes. A key event in that breakdown was the bizarrely selective deregulation of the Soviet economy. The officials under Boris Yeltsin who executed this 'reform,' for reasons not entirely clear, liberalized the prices of everything but Russia's natural resources: oil, gas, diamonds and metals. Those lucky enough to get ahold of these commodities at the artificially low, state-mandated prices could turn around and sell them at market rate to the rest of the world. The result was the overnight creation of a generation of Russian oligarchs and 'quite simply the grandest larceny in history.'"

Moscou já está começando a abrir as perninhas...

Por Defesa Brasil 02 de Abril de 2009 Londres (Inglaterra) - Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e Rússia, Dmitri Medvedev, começaram hoje com pé direito a nova relação entre os dois países, ao anunciar na primeira reunião que tiveram um acordo para reabrir as negociações sobre o armamento nuclear
O presidente americano anunciou que eles voltarão a se encontrar em julho, após aceitar um convite de Medvedev para visitar Moscou.
Em breves declarações à imprensa que acompanha a Obama em sua primeira viagem europeia, ambos os governantes expressaram satisfação por firmar o acordo de negociação, que deverá firmar um novo tratado sobre armamento nuclear antes que o acordo atual se encerre, em dezembro.
Segundo afirmou Obama, as relações entre os dois países registraram "grandes progressos".
Por sua vez, Medvedev afirmou que o acordo de hoje firmará as bases para novos progressos em outras áreas da relação bilateral.Ambos os presidentes emitiram dois comunicados conjuntos ao término de seu encontro, um deles dedicado exclusivamente ao novo tratado.Nele, Obama e Medvedev disseram que o atual Tratado para a Redução e Limitação de Armas Ofensivas Estratégicas (Start) "cumpriu seu propósito e os níveis máximos de armamento estipulados no acordo foram alcançados há muito tempo".
Segundo eles, o futuro acordo buscará níveis de redução armamentista menores do que o atual Tratado de Moscou sobre Reduções de Armamento Estratégico Ofensivo de 2002, e imporá medidas de verificação.
(...)

Thursday, April 02, 2009

Taleban chama de "lunática" proposta de Hillary por reconciliação


Os insurgentes da milícia fundamentalista Taleban rejeitaram a proposta norte-americana de uma "reconciliação honrosa", disse nesta quarta-feira um alto porta-voz do grupo que comandou o Afeganistão até ser derrubado pela aliança liderada pelos Estados Unidos em outubro de 2001, após os ataques de 11 de Setembro.
O Taleban dá abrigo no país à rede terrorista Al Qaeda, responsabilizada pelos atentados. O porta-voz Zabihullah Mujahid disse que a proposta norte-americana é uma "idéia lunática" e que a única forma de encerrar a guerra na região é as tropas estrangeiras se retirarem do território afegão. Obama vai rapidamente se dar conta de que essa política demagógica de aproximação com terroristas não dá certo.
A única linguagem que essa gente entende é a da força.

Sunday, March 29, 2009

Rússia: vitimização geopolítica



Este Eric Margolis é engraçado... Em Russia: Big Threat or Paper Bear? Faz pouco da Rússia e de seu plano de expansão militar. Quer dizer então que basta confiar na palavra do ministro da defesa russo para saber há quantas anda o arsenal bélico do país? E a modernização de seu estoque em 30% até 2015 não me parece pouca coisa, não. Como rir disto? Que a Rússia tenha necessidades de defesa não tenho dúvidas, mas também não tenho dúvida nenhuma de que isto representa um potencial de conflito e disputas na Ásia Central, Oriente Médio e Europa Oriental muito maior do que já temos.

Dizer que Washington traiu o acordo com Mikhail Gorbachev de não levar as forças da OTAN mais para leste, ao passo que os russos tiraram o Exército Vermelho da Europa Oriental observando que a única violação partiu dos EUA é de uma ingenuidade (para dizer o mínimo) ou desonestidade (para ser justo) atroz. Quer dizer então que a pressão para que a Geórgia permanecesse dentro da Comunidade dos Estados Independentes (C.E.I.), organização pós-soviética, mas russa, não conta? Sua influência e pressão na Bielo-Rússia e na Ucrânia não são igualmente significativas?

Sem falar na malandragem semântica de nosso libertário... Do lado americano foi “Washington” quem fez o acordo, para dar um ar de perenidade; do lado russo foi Gorbachev, para não levar em conta o que Yeltsin ou Putin fizeram. Por que não citar Ronald Reagan, então? Porque levaria a conclusão que as condições mudaram com Bush e Clinton.

Claro que “nos últimos anos, os EUA vêm expandindo sua influência no Cáucaso, em estados da Geórgia, Armênia e Azerbaidjão”, mas por quê? Para alinhavar acordos de livre comércio com estas nações. Não parece justo, ainda mais para um anarcocapitalista que publica no http://www.lewrockwell.com/? Haveria razão mais legítima do que esta? E, é claro, os negócios não são seguros sem a presença militar, ainda mais naquelas paragens...

E esse eterno temor da China... “Existem de 20 a 25 milhões de russos étnicos no distante e vulnerável extremo oriente russo, enquanto que as províncias chinesas têm 1,3 bilhão”. Só esqueceu de dizer que o grosso dessa população (90%) encontra-se numa faixa próxima ao litoral.

Assim como a concentração de suas forças militares também se encontra nesta região porque é aí que estão seus problemas de ordem geopolítica (Taiwan, Coréias, Japão).

[Continua...]

Wednesday, March 25, 2009

Rússia e informalidade

Onda de crimes na Rússia tem a informalidade e insegurança nas leis de propriedade como incentivo:
http://www.amanha.com.br/ColunaIntegra.aspx?ColunaID=e4b9ff31-3ec3-4cc7-a15a-47cf0276e9bd

Saturday, March 21, 2009

Rússia vende mísseis avançados para o Irã

http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowVideos.action?destaque.idGuidSelect=CB9878B9415C48F18B3AB684E5EFF2FD


TV Estadão 19.3.2009

O jornalista Roberto Godoy, de O Estado de S. Paulo, comenta a venda de mísseis de última geração russos para o Irã, negócio que deve criar ainda mais instabilidade na região do Oriente Médio

Tags: TV Estadao, Mundo, Russia, Ira, Oriente Medio, Ameaca nuclear, guerra

PermaLink

Friday, March 20, 2009

As rotas de caça ao Talebã



O Talebã persiste atacando ferrovias afegãs, o que forçou o uso de rotas alternativas pelos EUA ao norte. Adicionalmente, acordos têm sido feitos com a Geórgia e países como Azerbaidjão, Cazaquistão e Uzbequistão. Além destas rotas no Cáucaso e na Ásia Central a partir da Europa, o Paquistão também é avaliado como possível rota, mas a tarefa de enviar alimentos, combustível e munição às tropas da Otan por este país têm sido difícil. ¾ da carga dos EUA e Europa vão até Karachi para depois prosseguir rumo ao Afeganistão. A menor rota por terra é paquistanesa. De Karachi, a maior cidade paquistanesa partem duas rotas:

1. Por Chaman, no sudoeste, na região de Kandahar;
2. Por Torkham, no noroeste, na passagem de Khyber.

Ainda há a facilidade política, pois se trata de um governo apenas, ao passo que as alternativas envolvem a costura com vários. Apesar da instabilidade atual, o Paquistão mostrou-se um importante aliado desde a campanha do Afeganistão em 2001. O fator energético também pesa: as refinarias paquistanesas abastecem as forças da Otan em operação na região, ao passo que o combustível de Baku no Azerbaidjão tem que passar pelo Cáspio e pelo Turcomenistão. Estas, por sua vez, se tornam mais importantes na medida em que as tropas da Otan se encontram mais afastadas da fronteira paquistanesa.

Até 2007, não se viu revoltas insufladas pelo Talebã no Paquistão. Mas, a ambigüidade do apoio de Musharraf, quem estendia uma mão para Washington e outra aos fundamentalistas deve ter forçado sua queda. A opção, consequentemente, é diminuir esta dependência logística. E isto, evidentemente, encarece a operação que precisa passar pelos portos da Geórgia e pelos europeus no Mar Negro. Dali prosseguem por ferrovias até o Azerbaidjão no Cáspio e depois até o Turcomenistão para então seguir por estrada ou até o Cazaquistão e Uzbequistão para a área ocupada.

Como se não bastasse a enorme dificuldade logística adicional, ainda há a possível interferência da Rússia nas operações. A Rússia trava uma queda de braço com as forças da Otan e os russos deverão exigir algo para garantir sua segurança regional. Após a invasão da Geórgia, a Rússia já insinuou, sutilmente, mas insinuou sobre a viabilidade das rotas utilizadas pela Otan em direção ao Afeganistão. E os governos uzbeque e turcomeno ainda são muito ligados a Moscou e, igualmente receosos da interferência americana na região. Uma alternativa pouco provável seria traçar um acordo com o Irã, rival do Talebã, mas nem tanto ao ponto de favorecer os interesses de Washington no Afeganistão.

As três seguranças do Estado


O Brasil é, atualmente, um dos maiores fornecedores de carnes para a Rússia. No caso de bovinos, parece não haver plano russo de aumentar a produção doméstica, mas, quanto a suínos e frangos, há uma política declarada de substituição de importações. E isso é algo compreensível, já que a Rússia importa quase 50% de tudo que sua população come.

Há, grosso modo, três áreas de segurança vital dos Estados: energética, militar e alimentar. Os EUA têm segurança militar e alimentar, mas não energética, que não por acaso foi um dos temas centrais da campanha de B. Obama. Já China e Índia têm segurança militar, mas não energética e alimentar. A UE tem somente a alimentar (e, ainda assim, à base de subsídios bilionários para o setor agrícola) e está buscando reduzir sua perigosa dependência energética de terceiros (a começar pelo gás russo) e reequacionar sua moldura de segurança herdada da Guerra Fria. O Brasil tem segurança energética (se considerarmos que a dependência do gás boliviano não afeta a segurança nacional) e alimentar, mas não militar. Enfim, a Rússia tem segurança energética e militar, mas não alimentar.

Daí podemos inferir o seguinte: para uma empresa estrangeira, uma estratégia de médio e longo prazo na Rússia, na área de alimentos, passa por investir em produção local, além claro de seguir exportando, pois dificilmente o Estado russo vai abrir mão da substituição de importações, no sentido de reduzir sua vulnerabilidade em termos de segurança alimentar. Isto vale para frangos, suínos e produtos alimentares em geral.

Uma segunda conclusão é que a UE vai ter muitas dificuldades em reduzir ou acabar com seus subsídios agrícolas, pois sua agricultura é amplamente não competitiva e, sem os subsídios, a UE corre o risco de virar importador líquido de alimentos e abrir mais esse flanco em matéria de segurança.
Por fim, no setor de defesa, onde o Brasil é vulnerável, não aplicamos raciocínio semelhante? Podem ver que toda compra militar brasileira, sobretudo se for de grande monta, tende a ser casada com transferência de tecnologia e investimento em produção local. E, embora não estejamos muito ativos nisso agora, a ideia de subsidiar a indústria de defesa no Brasil é ideologicamente aceita por quase todo o espectro político.

Corrupção mexicana e narcotráfico cubano[i]



O refugiado cubano que conseguir chegar às praias americanas recebe asilo automático por um ano que se pauta em uma revisão de 1995 da “Lei de Ajuste Cubano de 1966”. Conhecida como “Wet-Foot, Dry-Foot”, a política de refugiados cubanos diz que são devolvidos ao seu país se forem apanhados pela guarda costeira. Mas, se o cubano pisar na praia (dry-foot), normalmente, é concedido asilo político. Assim, lhe é permitido ter residência após um ano e um dia ser processada a lei. Um exame médico completo e uma avaliação de ameaça terrorista iniciada pelo Immigration Customs Enforcement (ICE).

As restrições técnicas da polícia resultam num lucrativo contrabando para o Cartel do Golfo do México (Los Zetas), que oferecem aos cubanos, transporte e função de ‘coiotes’ para envio da droga a partir do resort mexicano de Cancun ao Texas.

Organizações do sul de Miami – Alpha 66 e a Cuban American National Foundation (CANF) – são classificadas como ‘terroristas’ pelo governo cubano, acusadas de pagar taxas de US$ 7.000 por cada imigrante cubano aos Los Zetas.

Ambos os grupos recebem dinheiro de familiares e amigos para ajudar seus compatriotas a ganhar passagem aos EUA através do México. Mas, se capturados, os contrabandistas podem ganhar dez anos de prisão em Cuba.

Proprietários de barcos de alta velocidade que os têm ancorados em uma base regular são alvo de roubo por contrabandistas. Quando estão abastecendo em algum ponto do Golfo do México são interceptados e os contrabandistas são levados à região mexicana de Quintano Roo.

Frequentemente, a marinha mexicana apreende o traficante e os cubanos. O barco é então, confiscado e colocado na base naval em Isla Mujeres.





[i] Adaptação de Cuban Refugees Locked-in with Mexican Corruption de Dave Bertrand.

Entrelinhas da Demografia


Em Cientista britânico prevê 'catástrofe' mundial em 2030 com aumento da população, tem coisa aí que se percebe que é puro chute:

“Segundo ele, esta crise por recursos vai ser equivalente à atual crise no setor bancário.”

Como, se nem sabemos qual a extensão e conseqüências da atual crise? E eu ainda acho que um drama de escassez como sugerido é muito pior do que uma crisezinha com volatilidade de capitais como esta que estamos começando a enfrentar.

Dá pra ver que a matéria não prima pela seriedade, ainda mais quando tenta ser ‘lisa’, escorregadia sem definir nada. Desse modo aqui é fácil dizer que algo vai acontecer, sem definir extensão e proporção nenhuma:

“ ‘Não vai haver um colapso total, mas as coisas vão começar a ficar realmente preocupantes se não combatermos esses problemas’, afirma Beddington.”

O que o sujeito disse aí? Que vamos ter uma crise (maior do que já temos?).

Como eu procuro ler nas entrelinhas, percebi uma certa propaganda dos transgênicos. Putz, se for isso não precisa enrolar, basta dizer que querem vender OGMs que já estou na fila.

Wednesday, March 18, 2009

Rússia e narcotráfico


Com 1.000.000 de soropositivos, inclusive devido ao maior índice de consumo de heroína mundial, a pirâmide etária russa não precisará de mais guerras para ficar mais recortada em sua base:






As rotas:



Monday, February 16, 2009

O retorno das ferrovias




Foto: Sgt. Mike Brantley
Uma locomotiva puxa 20 vagões e 40 containers vazios e se prepara para sair de Camp Taji em 10 de fevereiro. Serão dois dias de viagem até a cidade portuária de Umm Qasr. Foi a primeira vez em cinco anos que este transporte de carga retornou.


Fonte:

http://www.mnf-iraq.com/index.php?option=com_gallery2&Itemid=99999999&g2_itemId=7551

Sunday, February 01, 2009

Saturday, January 31, 2009

Guerra de Propaganda

Texto rico e interessante sobre a mídia na guerra e a chamada “guerra psicológica” comparando os casos do Pós-Guerra na Alemanha com o Iraque:
Ou seja, faltou a boa e velha Realpolitik aos neocons. Ou, em outras palavras, como disse Winston Churchill "A verdade é um bem tão precioso que, às vezes, precisa ser protegida por uma escolta de mentiras".

Wednesday, January 28, 2009

Teerã e Washington*



Na proporção direta às bandeiras americanas queimadas em Teerã avançam as negociações com Washington. Assim como o Irã pretende afirmar a influência xiita no Oriente Médio, os EUA têm o Iraque como centro de suas preocupações na manutenção da estabilidade. Uma posição cooperativa mútua se delineia mais claramente. No horizonte das negociações, o Dept. de Estado Americano já tem um aceno de boas-vindas dos aiatolás mais extremistas à administração Obama. Simultaneamente a formação da equipe diplomática, o Irã terá suas eleições presidenciais em junho. Como sinal de confiança acenado por Washington está a redução da atividade militar americana no Iraque, mas não sua eliminação completa.

Só com a contrapartida de redução de apoio iraniano aos xiitas no Iraque isto se tornou possível. Como externalidade positiva nesta geopolítica, os EUA podem focar seus esforços no combate a al-Qaeda e ao Talebã no Afeganistão também. Uma dupla vitória em curso e a perda de um aliado para os jihadistas. De sua parte, os EUA terão reduzidas suas operações na fronteira com o Irã. O Pentágono já faz planos para redução dos efetivos no Iraque e previsão de retirada para o fim de 2010 – um ano antes do estipulado pelos EUA. Segundo o General David Petraeus, governador geral iraquiano, o Afeganistão é o ponto central do acordo com o Irã e a mudança da política do Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) que permite a livre passagem da al-Qaeda e dos talebãs pelo território nacional.

Outro teste para os EUA reside na cooperação ao e-Khalq Mujahideen (MeK), grupo marxista que atua com cerca de 3.000 membros baseados em Ashraf, na província de Diyala no Iraque. Teerã teme que os EUA os apoiassem contra sua teocracia e agora querem garantias de que não poderão se reorganizar. Se os EUA de Obama não quiserem um novo escândalo internacional contra os Direitos Humanos não poderão extraditar os membros do MeK ao Irã ou liberá-los aos iraquianos que, provavelmente, os matariam após torturá-los. A alternativa óbvia será encontrar asilo político na União Européia, o refugo de foras-da-lei que já os retirou da lista de organizações terroristas internacionais. Mas, úteis eles são. São coringas nas mãos da U.E. e dos EUA contra Teerã que quer sua eliminação política (sic) em troca da traição a al-Qaeda e ao Talebã. Yes, we can... Ou Yes, we have terrorists, too!

Nem os árabes nem Israel poderão ver o Irã como eliminado do jogo, mas um entendimento deste com os EUA parece ter saído da mera retórica. Nada como uma boa troca de ameaças.

Tuesday, January 27, 2009

Ingestão diária de calorias per capita



Países Desenvolvidos (PD);
Mundo (M);
Países Em Desenvolvimento (PED).

1960

PD: 2.900

M: 2.200-2.300

PED: 1.900

2000

PD: 3.200-3.300

M: 2.800

PED: 2.600-2.700

Fonte: FAO, DATABASE acessada em 2001, http://apps.fao.org/ apud O Ambientalista Cético de B. Lomborg, Campus, 2002, p. 76.

Monday, January 26, 2009

Obamis - 2


Acho que o DaMatta resumiu bem o que penso sobre o fenômeno Obama aqui. No fundo, eu queria que Obama ganhasse mesmo, embora minhas idéias e noções básicas sobre comércio internacional (tendo em foco o Brasil) se afinem muito mais com McCain... Acontece que o significado da vitória do ‘negro’ seria importante em termos mundiais e, politicamente, estratégico. Afinal, não é pouca coisa termos um ‘Hussein’ na presidência dos EUA.

Economicamente, consideradas as propostas de Obama, como detalhes que levem a um maior protecionismo das empresas nacionais vejo como um desastre. Não que eu seja um liberal tout court, pois não sou, mas assim como Bush (em seu primeiro mandato) estipulou cotas de importação de aço europeu, ao que foi confrontado pelos empresários que necessitavam de matéria-prima a preços competitivos e recuou, penso que Obama agradará a muitos com suas propostas demagógicas e “latino-americanas” ao estilo de “perfeito-idiota” nos primeiros meses para depois ver as taxas de crescimento declinarem relativamente. Enquanto que muitos louvam suas propostas de taxação do carvão e incentivo ao biodiesel de milho esquecem que poderá haver barreiras ao biodiesel brasileiro e cotas de importação dentre outras estratégias inibidoras para nossas exportações. Neste quesito, exceção feita ao combate ao narcotráfico, os EUA são campeões por que aplicam princípios de mercado que encorpam a economia no longo prazo. O velho McCain também tinha uma proposta para a imigração e a previdência social que combinava dois problemas com uma solução: legalizar cerca de 20 milhões de imigrantes incorporando-os ao fisco para financiamento de aposentadorias e benefícios sociais. Isto é, crescer o bolo para distribuir. Ao passo que Obama só pensa na faca para cortar o bolo e esquece seu fermento...

Quanto a Guantánamo, mesmo que extinga o centro prisional, não sei como será o realocamento de seus presos. Por certo que apenas soltá-los seria um desastre. Afinal, dezenas de presos soltos voltaram ao terrorismo e não seria exagero pensar que uma liberação em massa traria mais prejuízos ainda. No entanto, se isto significar uma aproximação ao país de Raúl Castro e extinção gradual do totalitarismo pela adoção da democracia e da economia de mercado na “ilha-cárcere”, talvez o sacrifício valha a pena.

Agora, as questões mais candentes estão no leste, como não poderia deixar de ser: Irã, Iraque e Israel. Alinhavar um acordo com Israel pode ser o mais difícil, mas isto não pode significar um trunfo para Ahmadinejad se seu prestígio crescer ao ponto de fortificar seus intentos sanguinários e fundamentalistas, como tentar aliciar países como a Arábia Saudita em uma nova jihad.

Entre Israel e Irã está o Iraque. Tirar as tropas agora, sem um bom e alinhavado plano seria temerário. A questão do Iraque envolve negociações com o Irã que, graças a presente crise serviu para baixar os preços do barril de petróleo e também a bola dos aiatolás. Com isto, Teerã voltou à mesa de negociações e a violência no sul do Iraque (Basra) diminuiu. Estão mais mansos, é verdade. Tanto que o Irã não deu apoio (não, explicitamente) à aventura russa na Geórgia. E, embora a campanha russa tenha parecido uma derrota da Otan penso que serviu de pretexto a um avanço tático no Mar Negro. Com o posicionamento da marinha americana e demais aliados da Otan ao norte somadas às tradicionais posições no Golfo Pérsico, o Iraque está cercado. Isto, sem contar com o apoio da peça-chave que representa a Turquia. Perde-se uma Geórgia para ameaçar (ou ganhar) um Irã/Iraque.

Resta saber se Obama saberá manter o jogo.


Tuesday, January 13, 2009

Quem foi que disse

... que "deve se mudar algo para que tudo fique como está"?

Obama diz que não cumprirá promessa sobre Guantánamo
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou neste domingo que não acredita que poderá cumprir sua promessa de campanha de fechar a prisão da base de Guantánamo (em Cuba) em seus primeiros 100 dias de governo, embora reiterou sua intenção de fazê-lo em algum momento. “É muito mais difícil do que muita gente acredita”, declarou Obama em entrevista pelo canal ABC. Na prisão de Guantánamo estão cerca de 250 suspeitos de terrorismo, a maioria sem julgamento, acusação nem acesso a advogados.

Sunday, January 11, 2009

Entorpecimento global


2008 foi o ano mais frio desde 2000. O secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (W.M.O., na sigla em inglês) diz que “não devemos nos confundir”, pois está havendo aquecimento global mesmo. Mas, no inverno europeu, a pesada neve não tem caído apenas em países como a Alemanha. A ensolarada Marselha, no sul francês teve temperaturas de 0 graus celsius por oito dias seguidos. Enquanto isto, os aquecimentistas insistem que a temperatura média global aumentou em ¾ desde o século XIX.

Dois dados interessantes são que apesar de 2008 ter registrado uma queda na média em relação a 2007, foi o 10º ano mais quente desde que os registros iniciaram [http://uk.reuters.com/article/environmentNews/idUKTRE5082S720090109]. Interessante, pois isto pode significar que, apesar de relativamente quente, indica uma queda em relação aos outros anos quentes. Ou seja, isto pode significar um arrefecimento da tendência. É cedo para dizer, mas algo está, mesmo momentaneamente, contradizendo as previsões mais alarmistas do IPCC.

http://icecap.us/index.php

O gráfico acima mostra uma discrepância entre a média ascendente da temperatura global com a redução do número de estações monitoradas – indicando um claro viés nas pesquisas do IPCC, das quais caíram de 6.000 para menos de 4.000. Muitas dessas estações se localizam em áreas antes rurais ou de cidades sem sistemas de aquecimento que, depois passaram a se modernizar induzindo a um “aquecimento artificial” por “ilhas de calor” devido ao uso local de combustíveis fósseis em maior escala.

Hadley, Temp. vs. CO2 - http://icecap.us/index.php


As temperaturas mensais registradas pelo Centro de Hadley (UAH e MSU) mostram arrefecimento térmico de cerca de 0,2 graus celsius, enquanto que o Centro de Mauna Loa registra incremento do CO2. Uma correlação negativa.

Contradizendo a afirmação de que o ano de 2008 foi o 10º mais quente desde 1850 [http://icecap.us/images/uploads/MSU_Satellite_Temperatures_Continue_to_Diverge_from_Global_Data_Bases.pdf].

Friday, January 09, 2009

Gaza e alhures





Em O genocídio de Gaza e a natureza expansionista de Israel, Pedro Porfírio faz uma defesa implícita do Hamas (sem o dizer claramente) ao criticar a política e ação militar israelense.

Vamos por partes:

1) Naquelas paragens havia judeus e palestinos. Os dois grupos antes da fundação do Estado de Israel em 1948. No meu modo de entender a coisa, ambos os grupos mereciam ter seu chão naquele semi-árido. Mas, por diversas razões, a coisa degringolou. Se for lícito apontar culpados, em primeiro lugar está a Inglaterra que começou o processo de ocupação e transferência judaica e não o terminou. Em menor medida, a França que mais ao norte detinha a Síria e o Líbano. Estes dois países traíram os árabes, com falsas promessas de terras e a formação de seus estados em troca do apoio na luta contra os turcos, aliados alemães na I Guerra Mundial.

2) O sionismo foi um movimento nacionalista judaico, mas nossa bem pensante e politicamente correta mídia ‘esquece’ de lembrar que os árabes também tinham no período seus movimentos nacionalistas. Que assim como todo ‘nacionalismo’, porta fortes ingredientes xenófobos.

3) O Likud é uma agremiação fundamentalista, isto é, o pior tipo de política que se mistura com religião. Acontece que é a outra face de um movimento oposto, o do fundamentalismo islâmico que seja com o Hamas ou o Hezbollah consegue apoio dos árabes palestinos ou libaneses e sírios. O último com claro apoio do Irã que busca uma união muçulmana. Parece bonito e legítimo, mas ampliando o espectro de análise, este mesmo “bem intencionado” Irã apóia xiitas contra sunitas no Iraque muito antes dos americanos ocuparem o país, como estratégia expansionista. Só que diferentemente dos americanos, Teerã visa incorporação territorial no Iraque...

4) Diferentemente do autor do texto não vejo os israelenses como um “todo-harmônico-judaico”. Há uma parcela moderada que, em outras épocas levou Shimon Perez ao poder contra Benjamin Netanyahu. Ocorre que com a intensificação dos ataques, o sectarismo do lado conservador teve sua chance e se impôs, mesmo após tantas tentativas – orientadas por Clinton entre Itzhak Rabin e Yasser Arafat, o primeiro foi morto por um radical judeu. Ou seja, não haverá paz enquanto os radicais, de ambos os lados reitero, não forem perseguidos e presos, para dizer o mínimo.

5) Óbvio que Obama ajudará Israel. Mais do que os Republicanos, os Democratas estão no partido mais apoiado pela elite judaica. Os judeus não gostam de Ronald Reagans, Bushes e Cia. Estes são muito “de direita” e, para eles e o temor de algo como os movimentos nacionalistas, a la, “nacional-socialistas” (nazis) é um espectro que os ronda suas consciências. Embora, os Republicanos sejam menos ‘coletivistas’ do que os Democratas e não exista hoje, a menor possibilidade de algum movimento deste tipo surgir nos EUA. Acredito que há algo mais aí... Como o vínculo judaico com os bancos que os Republicanos perseguem quando põem o livre-comércio em risco, ao contrário dos Democratas, mais chegados num welfare state que amplia os poderes de estado e seus oligopólios. Quem pensou que o presidente negro seria um terceiro-mundista é porque não conhece o mínimo de política interna americana...

6) Para Washington (algo além da querela entre Republicanos e Democratas), Israel é sua fiel escudeira em um tabuleiro com alianças instáveis. Mas, não existe ringue de boxe com um só lutador. Se formos analisar historicamente, da mesma forma que os EUA tiveram os seus aliados regionais, foi a URSS durante a Guerra Fria. Ambos apoiando ditaduras ou monarquias despóticas. Não há santos e não há revolução comunista ou democracia liberal que legitime, teórica ou praticamente, este tipo de desmando. O que ocorre é a velha Realpolitik em que os interesses de estado falam mais alto e mais forte que ideais bonitos no papel.

7) O conceito de lebensraum – espaço vital – foi criado por Friedrich Ratzel, geógrafo alemão muito antes de Adolf Hitler. Não é uma exclusividade nazista, não senhor. Vemos o mesmo princípio atualmente com o nacionalismo hindu ou com o talebã que persegue etnias minoritárias (não pashtun) no Afeganistão. Ainda, na China contra o Tibet ou na Rússia contra o Cáucaso. E, claro, não seria diferente de tribos africanas, cada uma com seu nível de atrocidade. Seja um Idi Amin apoiado pelos britânicos ou um Mugabe apoiado pela antiga URSS. A longa guerra em Angola, p.ex., teve ingerência dos dois impérios, o russo e o americano. E la nave va... E, antes que eu me esqueça, até os cubanos são acusados pelos africanos...

8) O autor acusa as “grandes potências”, mas estas não extraíram petróleo da Palestina e Israel não tem suficiente para suas necessidades. Não há lógica nesta afirmação que poderia ser utilizada com outras regiões próximas, mas não em Israel. Como eu disse, a criação do “estado binacional” foi uma péssima idéia inglesa seguida por uma, igualmente, péssima administração da ONU que, em meio aos ataques árabes, os judeus criaram seu estado só para si acirrando o problema. A questão é o que deveriam fazer? Voltar para a Europa Oriental? Embora, possível, não era viável e, sinceramente, ingênua para um povo que sempre perdeu e estava cansado de apanhar. Eles viram a “janela de oportunidade” se abrir na linha do tempo e a cruzaram. Para não mais voltar.

9) “Os judeus agem tal como os nazistas”... É uma afirmação recorrente, mas se observarmos corretamente foi a Liga Árabe os atacou em 1948, 1956, 1967 e 1973. Em todos estes conflitos, os judeus sobreviveram, resistiram e ganharam, com exceção da primeira em que não foi uma vitória no sentido militar, mas civil, ganha pela resistência. Após o último ataque (externo) em 1973, a OLP passou a ganhar crédito internacional e ser ouvida com honras de corpo de estado. As negociações poderiam evoluir, não fosse pelo radicalismo de ambos os lados. Ambos os lados...

10) Um detalhe importante: se palestinos se estrepavam sempre, os outros árabes não necessariamente. Com a última guerra ganharam uma enorme vantagem econômica se unindo e elevando (triplicando) o preço do barril de petróleo em 1973. Um meio econômico para se atingir um objetivo político tornara um fim em sim mesmo.

11) O livre-comércio não se pauta mais nas “Sete Irmãs” e companhias árabes, através da OPEP são as maiores interessadas no petróleo regional. São elas que mandam hoje. A questão palestina não lhes diz mais respeito diretamente. Elas poderiam muito bem passar sem isto e sem se importar. Se ocorrem manifestações de apoio, não vão além de alguma verba de apoio aos refugiados e nativos que resistem em suas terras. Mas, ocorre que outro aliado importante dos EUA, contra o Irã, é a Arábia Saudita. Grande parte da Guerra do Iraque se explica por isso, divergências entre seitas muçulmanas que dominam estruturas de estado. Nisto, Israel e os palestinos são, para a maioria dos estados árabes, um problema, uma inconveniência que ninguém quer se envolver diretamente, seja a Arábia Saudita, ou os aliados ocidentais Jordânia e Egito, antigos inimigos. E, nesta lista está, nada mais nada menos que o “novo aliado ocidental”, ex-apologista do terrorismo internacional, General Muamar Khadafi. Este, agora premido pelo desenvolvimento interno líbio trocou de lado. Interessante como são as coisas, quem te viu, quem te vê... Estas lideranças são hipócritas, pois não vão além de palavras de ordem, protestos formais e mera diplomacia. E olha que eles têm muito dinheiro se quisessem, realmente, fazer alguma coisa.

12) Ahmadinejad é outro que só ameaça, mas veja que na crise dos britânicos capturados no Golfo, não demorou a devolvê-los. Mais parece um típico caudilho latino-americano que muito fala e não faz nada. Só está em outro continente... E a Turquia ri com isto, pois disputa o poder regional contra os árabes. Nas nascentes do Tigre e Eufrates (que banha o Iraque e a Síria), suas represas servem também para reter a água deixando iraquianos e sírios na seca, caso precisem jogar com este poder contra seus inimigos (árabes). Na primeira Guerra do Golfo (em 1991) chegaram a por veneno nos filetes de água que corriam bacia abaixo para matarem curdos e iraquianos, enquanto estes sob coordenação de Saddam Hussein utilizavam armas químicas e bacteriológicas contra os mesmos curdos. Interessante esta “união muçulmana”... E, moralmente, nem Turquia, nem Irã e nem a Síria têm crédito e superioridade, uma vez que tratam os curdos de modo pior do que israelenses tratam os palestinos. São os dois pesos e duas medidas... Eles exigem dos judeus, algo que eles próprios não dão a suas minorias: terra e autonomia. Se bem que o último quesito, Israel até que deu...

13) Sinceramente, o escândalo da corrupção envolvendo Olmert, caso não tivesse ocorrido não mudaria em nada a atual situação. Não vejo lógica nisto.

14) Mas, o autor, ao final de sua exposição reconhece que o Hamas atacou o sul de Israel, o estopim da atual crise. Só que não desenvolve o argumento a partir do fato. Fatos... Parecem pouco importantes quando se quer puxar a história lá de trás... Só que a história pode ser vista por vários ângulos porque tem vários ângulos. O que une todos nesta insanidade é que ambos os lados têm como premissa algo que deveria estar fora da política, a religião.

Tuesday, January 06, 2009

Israel não poderá mais tolerar os ataques de foguetes do Hamas

Sobre as chuvas em SC

Tamanho desastre poderia ter sido menor. Bem menor. É consenso entre os analistas ouvidos por AMANHÃ que o principal responsável pelas enchentes e pelos deslizamentos de terra é o próprio homem. Um homem imprudente, como adjetiva Adalberto Marcondes, especialista em Ciência Ambiental e diretor de redação da revista digital Envolverde. Marcondes diz que pouco ou nada se aprendeu com os acontecimentos do passado. Em uma crítica direta aos governantes, ele afirma que quando são autorizadas construções em encostas entra em cena o risco iminente e uma tragédia. "O poder público acaba sendo leniente com a ocupação desordenada
do solo. Só porque a pessoa já construiu sua casa, não se tira mais ela de lá", pondera. A cobrança encontra eco em Fernando Almeida, presidente-executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds): "É preciso uma política pública que impeça a ocupação de áreas inadequadas sob o ponto de vista geológico, mantendo a cobertura vegetal intacta", diz.



Não se trata apenas de "áreas de risco" que foram ameaçadas ou plenamente atingidas. A média pluviométrica para a região Norte, p.ex., é de 2500 mm/a.a e estas chuvas em SC chegaram a mais de 500 mm em um só dia! No entanto, é um fenômeno cíclico com regularidade de pouco mais de uma década. Por isto mesmo, previsível e contornável se tomarmos o longo período que leva para repetir. Mas, culpar governos é fácil e tão engajado... A própria população (de diferentes estratos sociais) mantém sua preferência por áreas com declive acentuado e não respeita a legislação ambiental (com um mínimo de 30 m a partir das margens fluviais). Assim, apenas se colhe o que se planta.

Russia's next flash point



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By Denis Corboy, William Courtney and Kenneth Yalowitz
Tuesday, January 6, 2009





Russia's coercion of its neighbors is a looming flash point for Europe and the United States, and President-elect Barack Obama. Autocratic Russia is bent on exploiting weak neighbors and reversing perceived humiliations since the breakup of the Soviet Union.


The tragic war with Georgia last August showed that Russia is ready to use military power. International criticism and a plunging economy have apparently not swayed it.


On Dec. 24 President Dmitri Medvedev declared that his nation's "interests must be secured by all means available." Earlier he warned that Russia may deploy nuclear missiles against Poland, and has "privileged interests" in surrounding countries.


On Dec. 31 Prime Minister Vladimir Putin upped the ante. Ukrainian interference with Russian gas exports to Europe would lead to "serious consequences for the transit country."


Moscow is signaling a readiness to use hard power against smaller neighbors. Which ones might be next?


Since August, Russia has doubled its forces in Georgia's separatist regions of Abkhazia and South Ossetia. Troops are only two dozen miles from Tbilisi and hover near Caspian energy pipelines and railways. Russian forces could take them at will.


If Kiev does not satisfy Moscow, Russia's military could move in to "protect" Ukraine's pipeline to Europe. Moreover, Russia is questioning Crimea's legal status, distributing passports to ethnic Russians there, and demanding retention of its naval base at Sevastopol, after the lease expires in 2017. Moscow seems to be developing pretenses for intervention.


Other potential flash points cannot be overlooked. Millions of Russians live in Kazakhstan, which has exceptional natural resources wealth. The country's leaders try hard not to displease Moscow, but they annoy the Kremlin by exporting some energy via the South Caucasus. Azerbaijan and Turkmenistan also have vast energy wealth but regimes that might be ineffective against a Russian challenge. Ominously, Russia recently announced formation of a new "international" military force for Central Asia.


Dependent on Russian markets and subsidized energy, Belarus seeks more aid from Moscow but may have to cede further autonomy. Moscow would intervene if another "color revolution" swept aside Aleksandr Lukashenko, the country's authoritarian ruler, and might annex Belarus, ending years of inconclusive discussions on union.


Russian use of force could threaten important U.S. and European interests. Gaining control over Caspian energy would jeopardize tens of billions of dollars of Western investment and heighten Europe's energy dependence on Russia. U.S. and European forces in Afghanistan will increasingly depend on ground-based logistics through Central Asia and the South Caucasus.


The West needs a two-part hedging strategy: a dialogue to encourage Russia to channel ambitions in less threatening ways, and steps to enhance the security of Russia's neighbors.


An economic dialogue should assist Russia to: mitigate the damage from economic crisis and facilitate recovery, enhance productive trade and investment, and seek fair energy relationships with others. In this context, Europe and the U.S. should encourage Georgia and Russia to negotiate restoration of transport and economic links, which would also benefit Armenia.


A security dialogue should address: full compliance with the armistice in Georgia, how Russia can protect its security while reassuring neighbors, and regional cooperation to counter transnational threats, such as nuclear terrorism and pandemic disease. This dialogue would complement U.S.-Russian strategic arms talks and the NATO-Russia Council.


Second, the U.S. and Europe should help Russia's neighbors develop defenses and protect critical infrastructure. Assistance should be conditioned on commitments not to invade separatist regions or project force abroad.


More frequent U.S. and NATO defense presence will also be critical. This may not require permanent basing, but should include more joint field exercises, secure and interoperable command and control, intelligence sharing, and pre-positioning of matériel. Neighbors alone cannot stop the Russian military. Moscow must come to fear all of the costs and doubt the success of any contemplated aggression.


Dialogue with Russia and better defenses in neighboring countries will help avert another war - and a flash point with the West.


Denis Corboy is director of the Caucasus Policy Institute at King's College London and a former European Commission ambassador to Georgia. William Courtney was U.S. ambassador to Kazakhstan and Georgia. Kenneth Yalowitz was U.S. ambassador to Belarus and Georgia.


http://www.iht.com/articles/2009/01/06/opinion/edcourtney.php

This is why Israel attacks Gaza Watch this!

Monday, January 05, 2009

Putin corta


Europe faces energy crisis as Vladimir Putin cuts Russian gas supply
Europe has been plunged into an energy crisis after Vladimir Putin ordered Russia's state-run gas company to cut supplies by 20 per cent.

By Miriam Elder in Moscow and Bruno Waterfield in Brussels
Last Updated: 10:38PM GMT
05 Jan 2009


Russian Prime Minister Vladimir Putin at the opening ceremony of the Gas Exporting Countries Forum in Moscow. Photo: EPA


As temperatures dropped below zero across much of Europe, the Russian prime minister instructed the head of Gazprom: "Cut it - starting today."
The cut was ordered to punish neighbouring Ukraine, which Russia accuses of topping up its own gas supply by siphoning off energy meant for European consumers and sent through its pipelines.
But Naftogaz, Ukraine's state-run gas company, said that it was European Union countries, including Britain, that would feel the effects of an increasingly bitter East-West energy row.
"Gazprom has in fact cut volumes of transit gas to European customers. The Russian company has therefore placed under threat the delivery of gas to European countries," Naftogaz said in a statement.
The EU meanwhile dispatched an emergency fact-finding mission to Ukraine after eight European countries reported a disruption of gas supplies following a smaller Russian cut last week.
The taskforce of senior officials from the European Commission and the Czech Republic, which has just taken over the EU's rotating presidency, will also hold crisis talks with Gazprom on Tuesday.
EU foreign ministers, meeting in Prague on Thursday, will then assess levels of gas supply disruption and discuss possible action to prevent energy shortages amid sub-zero temperatures in most European capitals.
EU countries are dependent for one quarter of their gas supplies on Russia, of which 80 per cent comes via pipelines that cross the Ukraine.
Some, such as Poland, depend on Gazprom for over three quarters of their gas supply. Britain receives up to 15 per cent of its supply from Russian sources, mainly channelled through French pipelines.
The Czech Republic, Poland, Greece, Romania, Bulgaria, Slovakia, Croatia and Hungary have already reported problems with their supply.
The Commission has insisted that "there is no immediate danger of disruption for European citizens". But officials are worried that the latest wave of freezing weather, in one of the coldest winters for years, will push the EU into a full blown energy crisis by fuelling demand for Russian gas as people seek to heat their homes across Europe.

"The situation is changing. We are seeing a cold week ahead," said the Commission
spokesman."Cold weather has an immediate effect on demand.
The supply of gas has to be higher or complemented with more use of storage."
At a meeting at Mr Putin's luxury dacha, he backed demands by Alexei Miller, the CEO of Gazprom, for a daily reduction to Ukraine's pipeline gas flow of 65.3 million cubic metres, energy that Russia claims that the Kiev has stolen during a price dispute.
Gazprom first started to cut gas supplies to Ukraine on New Year's Day, after talks over a supply contract broke down amid accusations that Kiev had failed to pay its full bill for 2008. Naftogaz denies allegations it has siphoned off gas without paying Russia.



Saturday, January 03, 2009

Paralelismos: Rússia e Iraque


Mesmo tipo de argumento que Saddam Hussein se utilizou para invadir o Kuwait na década de 90...


02-01-2009 Política
Rusia acusa a Ucrania de robar gas a
Europa


Según la rusa Gazprom, se trataría de volúmenes pequeños. Sin embargo, Moscú no toleraría que se repitieran las interrupciones de suministro a la UE ocurridas en 2006.

por Reuters

Moscú/Kiev. Rusia acusó el viernes a Ucrania de robar gas destinado al resto de Europa, un día después de que Moscú cortó el suministro a su vecino por una disputa sobre contratos de abastecimiento.

Los volúmenes que Ucrania está desviando son pequeños, según el monopolio ruso Gazprom, pero la acusación sugiere que Moscú no está dispuesto a que se repita la disputa del 2006 que provocó interrupciones de suministro a la Unión Europea (UE).

Gazprom dijo que estaba respondiendo a las acciones de Ucrania aumentando las exportaciones a través de rutas alternativas como Bielorrusia. Firmas de energía europeas dijeron que no habían observado bajas en el suministro.

"La parte ucraniana admite abiertamente que está robando gas y no está avergonzada de eso", dijo el portavoz de Gazprom, Sergei Kupriyanov.


(...)


Mais em
http://www.americaeconomia.com/199956-Rusia-acusa-a-Ucrania-de-robar-gas-a-Europa.note.aspx#

A Mídia, Gaza e Israel


Faixa de Gaza
Luis Milman, jornalista e doutor em Filosofia, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, preocupado e abismado com as reações de governos e da mídia internacional a partir da ação desenvolvida por Israel na Faixa de Gaza, território controlado pela organização terrorista Hamas, desde o ano passado, escreve o artigo a seguir para esclarecer aspectos importantes da questão, que não são considerados. Leia o artigo de Luis Milmam:





“Desde o início da ofensiva de Israel contra o Hamas, na Faixa de Gaza, no último sábado, dia 27 de dezembro, a mídia ocidental vem relatando as operações israelenses com base em pressupostos flagrantemente aparvalhados. Coincidentemente, estes pressupostos são os mesmos que pautaram as primeiras manifestações oficiais de condenação moderada lançadas contra Israel, por governos de nações importantes, logo no primeiro dia ofensiva, quando pouca ou quase nenhuma informação sobre a real dimensão das operações israelenses eram conhecidas. As manifestações da França, Rússia, Japão e China, exortavam Israel a interromper suas ações em Gaza. Ao invés de condenarem os ataques do Hamas, que iniciaram ainda em novembro e quebraram o cessar-fogo, a retórica destes países partia de duas premissas equivocadas: Israel estava respondendo aos ataques de forma desproporcional e, por isso, elevando o número de vítimas civis. Assim, a linguagem protocolar criava o mantra da desproporcionalidade, adotado também pelo Secretário Geral da ONU, o senhor Ban Ki-moon, na última segunda-feira, dia 29. Ki-moon convocou a imprensa mundial para expressar seu repúdio ao uso da “força excessiva” por parte de Israel em seus ataques à Faixa de Gaza. O secretário-geral da ONU foi mais longe: ele apelou “às partes” para que interrompessem as hostilidades e reiniciassem negociações para um novo cessar-fogo. O coro foi reforçado pelo primeiro-ministro inglês Gordon Brown, também no dia 29. “Estou horrorizado (ênfase aqui) com a violência dos bombardeios”, disse. “Reiteramos nosso apelo a Israel e ao Hamas (ênfase aqui) para que declarem o imediato cessar-fogo e previnam a perda de mais vidas inocentes. Não há uma solução militar para esta situação. É preciso redobrar os esforços internacionais para assegurar que tanto Israel quanto a Palestina tenham terra, direitos e segurança para viverem em paz”, finalizou Brown. Ao mesmo tempo, seguiram-se manifestações de repúdio previsivelmente mais radicais, vindas de países muçulmanos e grupos extremistas, como o Hezbollah, que passaram a percorrer o planeta: massacre, genocídio, holocausto, crimes de guerra, crimes contra a humanidade. Enfim, surradas acusações disputavam espaço na mídia internacional com cenas de passeatas e aglomerações de rua pipocando na Europa e no mundo islâmico, em protesto contra a nova “barbárie” cometida por Israel. Enquanto isto, a quantidade de vítimas dos bombardeios parecia dar a impressão de amparar a fórmula da desproporcionalidade: já passam de 150 mortos, muitos deles civis, já ultrapassam os duzentos, entre eles mulheres e crianças; agora são mais de 300, entre os quais inúmeros inocentes. Agora, quando escrevo (terça-feira, 30 de dezembro), os mortos chegavam a 360. Horrível. A mídia apropriou-se do mantra protocolar, tomando-o como axioma para sua cobertura. E, por mídia, não estou nomeando nenhuma abstração. Refiro-me à CNN, à BBC, à SkyNews, à France 24, para não mencionar a Al-Jazirah em Inglês e os diários New York Times, The Guardian e Le Figaro, que podem ser todos acessados on-line. Também não estou me referindo aos analistas de prontidão, sempre rápidos no gatilho quando se trata de comparar o “desproporcional” confronto entre a potência militar israelense e a pobre capacidade de resistência dos palestinos. Restrinjo-me ao que se chama de “noticiário”, aquele texto informativo que, recomenda-se, deve ser feito com imparcialidade e um mínimo de cautela e caldo de galinha. Pois é nele que constato a desproposital incursão, em nome do imediatismo, no domínio da estupidez e da má fé. Ora, o que se espera de um noticiário é que ele informe e não desinforme ou deforme os fatos. E quais são os fatos? Um: no primeiro dia da ofensiva, Israel apenas reiterou publicamente uma decisão que vinha sendo anunciada desde o final do frágil cessar-fogo de seis meses, mediado pelos egípcios, que entrara em vigor em junho último e se encerrara em 19 de dezembro. Por que frágil? Porque o Hamas, há oito anos, vinha despejando diariamente seus foguetes contra Israel. Os ataques diários haviam matado nove pessoas, ferido outras tantas, danificado prédios e vinham configurando uma situação de permanente insegurança nas cidades que se encontram num raio de 20 quilometro da fronteira com Gaza. Durante oito anos, Israel tentou tratar do problema de modo restrito: incursões rápidas de comandos no norte de Gaza para destruir bases de lançamentos de foguetes, bloqueio marítimo para evitar a entrada de armamento enviado pelo Irã e pela Síria ao Hamas e Jihad Islâmica; bloqueio terrestre, para impedir a infiltração de terroristas suicidas nas grandes cidades israelenses; cortes esporádicos no suprimento de energia elétrica para a Faixa de Gaza (70% desta energia é fornecida por Israel até hoje) com a finalidade de retardar a fabricação dos tais foguetes “caseiros” (na verdade, são foguetes produzidos em fábricas erguidas em meio a bairros densamente povoados da Cidade de Gaza, Dayir al Balah, Khan Yunis e Rafah). De qualquer modo, findo o cessar-fogo - e diante das saraivadas diárias dos foguetes contra o sul de Israel-, o governo israelense anunciou que terminaria definitivamente com os ataques que ameaçavam seus cidadãos. Esta decisão foi, inclusive, comunicada, no dia 23 de dezembro, pela ministra do exterior israelense, Tzipi Livni, no Cairo, após um encontro com o presidente Hosni Mubarak. Livni, ainda no Cairo, não deixou dúvidas: Israel desencadearia a operação militar necessária para destruir a capacidade do Hamas de atingir Israel. Nos últimos dez anos, o Hamas construiu, com o apoio logístico e financeiro do Hesbollah, da Irmandade Muçulmana (baseada no Egito), da Síria e, sobretudo do Irã, uma estrutura policial e militar na Faixa de Gaza, a tal ponto organizada, que lhe permitiu, no primeiro semestre de 2007, dizimar completamente as forças do Fatah (o braço armado da Autoridade Palestina) que ainda restavam no território palestino. Com isso, ele consolidou suas instalações militares, estocagem de armas e munição, seus campos de treinamento e suas bases de ataque contra Israel em toda a Faixa de Gaza. Hoje, o Hamas (que é sunita) conta com 15 mil homens no seu “exército regular”, e ainda com cinco mil membros armados da milícia xiita Jihad Islâmica. Esse pequeno exército dispõe, além de armamento pessoal pesado, de mísseis antiaéreos, mísseis antitanques, mísseis de médio alcance do tipo Katiusha e minas espalhadas por toda a fronteira com Israel. Tudo isto é do conhecimento dos chefes de governo que emitiram o mantra protocolar da desproporcionalidade. Os senhores Gordon Brown e Nicholas Sarkozy sabem disto, certamente. Mas a mídia faz de conta que não sabe. Ora, o panorama é bem nítido: Israel desencadeou a ofensiva para defender a integridade de seus habitantes, ameaçados constantemente pelo movimento fundamentalista militarmente organizado que controla toda a Faixa de Gaza desde junho de 2007. Mais ainda, o Hamas e seus associados menores, como a Jihad Islâmica e outros grupelhos, não representam a Autoridade Nacional Palestina (AP). Eles são terroristas, não aceitam a existência do Estado de Israel e estão comprometidos explicitamente com a sua extinção total. Como então podem os líderes da Inglaterra e da França, ou o Secretário-geral da ONU, apelarem para que “as partes” retornem a um cessar fogo. Que partes? Israel, um estado nacional soberano e membro da ONU, por um lado, e o Hamas, um movimento terrorista que usurpou à força, da Autoridade Palestina, o controle sobre a Faixa de Gaza, por outro? Se a China não conversa sequer com o Dalai Lama, líder político e espiritual do Tibet ocupado (exilado, obviamente), por que Israel deve dialogar com o Hamas? Pelo que se sabe, o Dalai Lama defende apenas uma autonomia para o Tibet e jamais pregou a extinção da China. Por que Israel deveria “dialogar” com um movimento que objetiva abertamente a sua destruição? Ou por que o senhor Ban Ki-moon não apela para que a Espanha dialogue com o ETA, a Colômbia dialogue com as FARC, a Turquia dialogue com o PKK curdo, que quer criar um estado independente no Curdistão? Ou para que os Estados Unidos da América deixem o Afeganistão e dialoguem com o Talibã? Ou para que os senhores muçulmanos da guerra que governam o Sudão interrompam imediatamente a carnificina que já matou 300 mil cristãos e animistas e deslocou quase três milhões de refugiados para a zona de Darfour? Onde estão as passeatas na Europa contra esse massacre? Ou os protestos contra a tirania assassina de Ruanda? Onde estão os apelos para o diálogo entre as trezentas tribos que se entredevoram na muçulmana Somália? O termo médio de comparação é suficiente, para quem possui mais de dois neurônios. Talvez, dois neurônios e meio. Por isso paro por aqui. Dois: Israel não está, como apregoa aos berros Hassan Nasrallah (em vídeo e de seu bunker em Beirute), cometendo um “genocídio” em Gaza. Ao contrário, é o líder do Hesbollah (Partido de Deus, em português), hoje quase um segundo exército dentro do Líbano, abastecido e financiado pelo Irã, que repete incansavelmente o objetivo político de seu partido: destruir Israel, sem deixar pedra sobre pedra. A voz de Nasrallah é amplificada nas ruas de todo mundo árabe e encontra acolhida em alguns analistas ocidentais procurados pela mídia para que “possamos (nós, o público) entender o trágico cenário da Faixa de Gaza”. Pensemos: se desejasse destruir a população de Gaza (isto é um despropósito descomunal naturalmente, mas só assim teríamos base para falarmos em genocídio) - e estou admitindo essa possibilidade apenas (ênfase aqui) para argumentar-, Israel o teria feito durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, (lembram, ela ocorreu!), ou durante a Guerra do Yom Kypur, em 1973 (lembram, ela também ocorreu), ou durante a ocupação israelense de Gaza, que se estendeu de 1967 a 2000, ano em que unilateralmente (ou seja, sem qualquer pré-condição) Israel deixou a Faixa de Gaza na sua totalidade. O que é fato: a ofensiva israelense tem objetivos militares e políticos definidos. Os militares estão sendo plenamente atingidos, até agora. E com um baixíssimo custo em termos de vidas humanas. É isso mesmo. Baixíssimo! Afinal, depois de quatro dias de centenas de incursões aéreas e marítimas, depois de ter despejado sobre Gaza mais de 500 toneladas de explosivos, apenas, repito, apenas, 360 pessoas morreram! E destas, cerca de 60, segundo as informações do próprio Hamas e da ONU, são civis. Ora, isto quer dizer que o restante fazia parte do exército terrorista, logo um alvo militar. A operação israelense impressiona, mas não pelas razões do senhor Nasrallah ou dos desavisados apedeutas de boa fé (admitamos), que usam a palavra “genocídio” sem saber o que ela significa. O conceito se aplica quando um governo deliberadamente promove o extermínio de povos ou populações inteiras, encontrem-se elas em seu próprio país ou em outros. Os turcos foram genocidas com relação aos armênios; os nazistas, com relação aos judeus; os comunistas stalinistas com relação aos russos; os maoístas com relação aos chineses; os japoneses com relação aos chineses e, hoje, os sudaneses muçulmanos com relação aos sudaneses não muçulmanos. Nem os cubanos castristas, que nos primeiros cinco anos após a revolução de 59, exterminaram 95 mil pessoas, praticaram um genocídio. Eles cometeram assassinatos em massa, uma ação sem dúvida abjeta e execrável, um crime contra a humanidade. Mas, não cometeram genocídio. E atentarmos para as diferenças ainda é fundamental. Por que a operação israelense impressiona? Por duas constatações que saltam aos olhos. A primeira: a ofensiva está se processando na área mais densamente povoada do planeta (1,5 milhão de habitantes em 360 quilômetros quadrados); a segunda: o Hamas ergueu intencionalmente toda a sua infra-estrutura policial e militar nos centros urbanos, justamente os locais mais densamente povoados deste território já muito densamente povoado (a hipérbole é proposital). Ora, se é para destruir alvos militares, é preciso atingi-los onde se encontram. E Israel está fazendo isto, de forma quase milimétrica, cirúrgica, mesmo correndo o risco, inevitável nesta situação, de atingir civis. Repito: e o faz de forma impressionante, pois as baixas civis, nesse contexto, são aquém de mínimas. Como a aviação e a marinha israelenses conseguem fazer isto? Empregando altíssima tecnologia, mísseis inteligentes e alvos previamente selecionados. Caso contrário, estaríamos diante de um massacre. E é necessário que se reafirme: não estamos sequer a milhões de milhas próximos disto. O Secretário-geral da ONU, que jamais reuniu uma conferência de imprensa para falar sobre a situação no Sudão, deveria saber disto. Ele, desta forma, ficaria calado. Obviamente, eu não esperaria que o senhor Ki-moon aplaudisse a operação de Israel. O Secretário-geral da ONU deve, por princípio, lamentar todas as guerras. Mas ele deveria, também por obrigação, calar-se, porque esta é uma guerra legítima, sobretudo defensiva, com objetivos militares e políticos claros, de um país soberano contra um grupo terrorista que prega o seu aniquilamento e contra os governos que apóiam este grupo. Três: Falei que a guerra possui objetivos políticos claros. Ei-los: Israel quer expulsar o Irã da Faixa de Gaza. O Irã? Isso mesmo, o Irã. O Hamas e a Jihad Islâmica nada mais são do que uma extensão do governo de Teerã e de seu potencial bélico virtualmente no interior de Israel. E todos sabem o quê mais almejam os aiatolás iranianos: destruir o que eles chamam de entidade sionista. Assim, ao eliminar a capacidade do Hamas de atacar seu território, Israel, além de retomar o controle sobre sua segurança imediata, desfere também um golpe mortal nas pretensões iranianas de penetrar em sua fronteira sul. Com isso ainda pretende isolar política e militarmente o Irã, travestido de Hezbollah, na sua fronteira norte. Ao mesmo tempo, forja uma situação mais favorável para negociar com a Síria, também enfraquecida com a derrota do Hamas, um tratado de paz entre os dois paises. Esta é uma meta de médio prazo. Por essa razão o senhor Nasrallah esbraveja contra o Egito de Mubarak e a Autoridade Palestina, de Machmud Abas, chamando-os de traidores do Islã. Nasrallah sabe que, sem o Hamas e a Jihad Islâmica em Gaza, o Hezbollah, ou seja, o Irã, se enfraquece, enquanto o Egito, a Autoridade Palestina e a Jordânia se fortalecem e, pior (para o Irã), Israel recupera a posição geopolítica decisiva para sua existência na região. A ofensiva ainda torna explicita a disposição de Israel de não tolerar que o iranianos consigam obter armamento nuclear. Ou seja, Israel está preparando o terreno para uma intervenção direta no Irã. Como Barak Obama assume a presidência dos Estados Unidos em janeiro, Israel envia uma mensagem inequívoca para Washington: não há diálogo com o Hamas, nem com Teerã. Os Estados Unidos devem se preparar para apoiar irrestritamente a ação militar direta de Israel contra os iranianos. E essa ação não deve tardar, pelo que se depreende do palco desenhado por Jerusalém. Quer dizer: trata-se de uma ação já planejada e montada pela inteligência militar israelense, que deve ser deflagrada em breve. Pergunta oportuna: o que é “breve”? Resposta: Israel certamente sabe. E, creio agora, Barak Obama também. No fim das contas, Israel não está fazendo mais do que colocar seu destino em suas próprias mãos. E isto ele sempre fez, sob o preço de simplesmente deixar de existir. Dúvidas? Consultem a História. Finalizando: e a mídia com relação a esse quadro? Nada informa, nada analisa, nada investiga. Pelo contrário, submete-se ao superficialismo, mistifica, embrulha-se toda no mantra da desproporcionalidade e mergulha de cabeça no noticiarismo demagógico e pretensamente humanitário. É um crime contra a lucidez e a razão. Mas, que diabos, isso lá importa?”