interceptor

Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

Friday, August 07, 2009

Uma História do Irã Moderno

A History of Modern Iran

by Ervand Abrahamian
New York: Cambridge University Press, 2008. 228 pp. $24.99, paper

Reviewed by Patrick Clawson

Middle East Quarterly
Summer 2009

http://www.meforum.org/2427/a-history-of-modern-iran

The basic left-wing view about Iran is that Mohammad Reza Shah Pahlavi was truly evil while the Islamic Republic is a mixed bag—and the United States bears heavy responsibility for all Iran's problems, including the failure of the recent democratic movement. Abrahamian, a history professor at City University of New York, has produced a history firmly situated in this paradigm, almost to the point of parody.

Consider two issues about the Islamic Republic and Mohammad Reza's rule, issues that are deeply related to the important impact each had on the lives of ordinary Iranians. First is the Iran-Iraq war. Abrahamian devotes less than two pages to the war. He spends more space analyzing the shah's military buildup than on the war itself, in which hundreds of thousands of Iranians died. Long paragraphs deplore the social dislocation caused by the rapid growth of the shah's era, but Abrahamian does not find it worthwhile mentioning the millions of Iranians forced from their homes by the war. He tells the reader nothing about events seared on the souls of Iranians, such as the use of chemical weapons or the "war of the cities" in which millions fled Tehran each night in fear of missiles.

The second issue is the extraordinary economic growth under Mohammad Reza and the economic decline that took place under the Islamic Republic. Even a careful reading of Abrahamian's text fails to show that, from 1960 to 1976, the rate of growth of Iran's national income was among the fastest of any country in the world—faster than the Chinese economy has grown in the last fifteen years, for example. Nor would the reader learn that in the Islamic Republic's first decade, per capita income was cut in half. Instead, Abrahamian treats us to long discussions about the inequality of income distribution under Mohammad Reza. Evidently sharing poverty is, to Abrahamian, more worthy than creating wealth. And he goes on to praise the Islamic Republic for accomplishments that were well short of what Iran achieved under the shah, such as the increase in rural life expectancy, which has risen under the Islamic Republic but at a slower rate than during the shah's reign.

These two examples are hardly exhaustive. Whether about human rights issues, repression, cultural accomplishments, or foreign policy, Abrahamian's account is exhaustive on the shortcomings of Mohammad Reza's period and cursory on problems of the Islamic Republic while he is similarly brief about the shah's accomplishments and detailed about those of the Islamic Republic. In a similar vein, the 1926-41 rule of Reza Shah is painted in dark tones while what Abrahamian calls "the nationalist interregnum" of 1941-53 is described with starry eyes. And Abrahamian rarely misses an opportunity to cast U.S. policy in the most negative light possible, often ascribing to it an influence well in excess of what it actually exerted.

Abrahamian has an extraordinary command of the details of Iranian history, and he is a good writer. All of which serves to throw into sharper relief the anti-shah agenda and the soft-peddling of the problems of the Islamic Republic.

TecFlex para geopolítica


O investimento em pesquisa e desenvolvimento para substitutos energéticos vai além das necessidades ambientais: trata-se de um imperativo geopolítico num mundo onde o transporte depende de mais de 90% de petróleo e cerca de 80% das reservas mundiais são controladas pelo Oriente Médio.

Os "veículos flex" precisam para isto de apenas $100,00 adicionais por veículo para serem fabricados e ainda se ganha o bônus de incentivar a produção de uma importante cultura por agricultores do mundo subdesenvolvido ao promover toda uma cadeia de produção, beneficiamento e distribuição.




Fonte: www.meforum.org
Review of Energy Victory: Winning the War on Terror by Breaking Free of Oil :: Middle East Quarterly

Saturday, August 01, 2009

Rússia vs. Geografia



Sobre o artigo The Geopolitics of Russia: Permanent Struggle aqui vai uma pequena análise e resumo:


Sempre achei interessante esta "teoria do estado-tampão", ela é tão exata e matemática para uma realidade humana que dá para desconfiar que não seja tão exata e lógica assim. Mas, o site dá a dica quando diz que os militares russos necessitavam de uma grande rede de inteligência e informação para sobreviverem sob constante ameaça.

E essa avaliação de que a Rússia sempre teve que fazer um 'malabarismo' entre Ocidente e Oriente, eu tenho uma dúvida: parece uma análise "muito geográfica", calcada quase que exclusivamente no mapa. Se Moscou já foi chamada de a "Terceira Roma", ela não parecia "estar entre", mas ser um dos pólos que exercia pressão. Claro que tudo é relativo, mas a análise parece justificar as ações da Rússia ao longo da história como reação, só reação.

Outro dado interessante é que sempre que se fala em população, o que costumamos ler por aí foca em seu tamanho ou, na melhor das hipóteses, na densidade e o texto também avalia sua distribuição e os problemas decorrentes do armazenamento de alimentos.

Quanto a tendência à desintegração de seu império, hoje 'federação', está ok. Mas, sempre que leio o adjetivo 'natural' me indago até que ponto isto representa uma via de sentido único? Afinal, com toda a tendência ao secessionismo, a Rússia angariou vastas terras e perdendo um pouco aqui e ali, conseguiu se manter unida a maior parte do tempo. Outro exemplo do que digo, sobre esta "determinação natural" é sua necessidade de expansão a oeste pela planície polonesa para se defender de possíveis ataques, "o ataque é a melhor defesa". O que faz sentido para mim é que como não há forte desenvolvimento econômico e tecnológico ao longo de sua história, o "destino manifesto" do país é se expandir mesmo.

Se a manutenção do império dificulta a exploração racional ao longo de seu vasto território é um dilema, eu não entendi a passagem, pois me parece que a melhor maneira de manter o império é desenvolvendo-o economicamente. O que o texto sugere é uma oposição entre economia e geopolítica, como se esta dependesse do subdesenvolvimento regional-periférico para continuar centralizando o império. Pode fazer sentido, mas se permite a analogia (guardadas as devidas proporções) fácil e limitada, uma Espanha rica se mantém unida mais facilmente do que poderia querer uma Iugoslávia (que não conseguiu) pobre.

Gostei da analogia com um centro duro protegido pelo frio do norte e pelos Urais. O império aí funcionaria como uma infecção que combatida pelos glóbulos brancos que tentam destruí-lo, sempre recua para depois, novamente, se disseminar ao longo do corpo-território.

Para um texto que inicia acusando o caráter 'indefensável' do território russo admite, no entanto, a dificuldade dos russos serem atacados hoje pela vastidão siberiana. Aí estaria uma (imensa) área segura e de difícil ocupação.

O leste da Ásia Central (Cazaquistão), com três meses de neve, colocado como empecilho e razão(!) principal dos japoneses terem preferido atacar os EUA na II Guerra Mundial foi algo que me chamou atenção. "Principal razão"... Sempre é algo forte suficiente para objetar, mas não deixa de ser uma tese interessante.

Diferente é o caso quando se fica no reino das possibilidades, condicionamentos etc. O Cáucaso, os mares Negro e Cáspio que ajudaram na manutenção do império, onde a geografia não atuou contra a Rússia, mas a favor dela. Já, não se pode dizer o mesmo da fronteira com o Afeganistão, onde começa o problema de sua estabilidade, com um deserto difícil de domar povoado por diversas tribos que, como se sabe, sempre foram marcadas por sua irredutibilidade, ao passo que a fronteira com a Turquia e o Irã divididas por montanhas facilitaram seu domínio.

Mas, achei muito bom mesmo, a consideração de que o principal ponto fraco (ou área frágil) está a oeste, na fronteira com o centro europeu. Enquanto os russos chegam nos Cárpatos, eles têm uma certa segurança criando um estado-tampão na Moldávia (ou Bessarábia), mas com risco ainda de uma investida de além da Romênia. E não é a toa, nem anacrônico dizer isto, haja vista, as recentes expansões de "guarda-chuvas" da OTAN.

O irônico disto tudo é que justamente a estratégia de contenção consiste na criação de tampões que sugam os recursos do estado russo. Ou seja, apesar de terem que sempre lutar contra a entropia geopolítica se fortalecendo mais e mais, acabam com isto semeando sua própria decadência.

Mas, quando se fala em 'decadência' sempre é bom lembrar que mesmo tendo se reduzido territorialmente após o fim do comunismo, a Rússia retornou ao seu tamanho do século XVII, como atesta o próprio artigo. Ou seja, em termos históricos, mais ficou estável do que perdeu, territorialmente falando.

O enorme gasto para manter seu território colocou a Rússia em desvantagem frente a seus competidores ocidentais e asiáticos. E, claro, a competição armamentista com os EUA sufocou sua capacidade de desenvolvimento deslocando importantes recursos para este setor, vital para sua manutenção como império.

A perda de toda Europa Oriental como área de influência exclusiva, a Ásia Central e o Cáucaso são provas inegáveis da vitória do capitalismo ocidental. A sorte do país é não ter como vizinho uma China aventureira e expansionista, afinal este país já tem problemas internos suficientes.

Parece difícil uma maior fragilização do cenário russo, mas como assevera o texto, a história tem lá suas mudanças dramáticas e agora, com a expansão da Otan sobre o Cáucaso e Europa, o sentido de auto-defesa russa se aguça mais ainda. Se compararmos a Rússia com o Irã ou China ou EUA, seus objetivos estratégicos não têm sido alcançados: não está segura no Cáucaso; perdeu influência na Ucrânia, Moldávia, Ásia Central; bem como amarga o recolhimento da linha de segurança nos Cárpatos e para aquém do Báltico, o que lhes é inaceitável, assim como a neutralidade da Bielo-Rússia; também não obtiveram um porto livre de bloqueios ocidentais. Estes são alguns pontos que seus vizinhos periféricos vêem como altamente desejáveis.

Mas, penso que do outro ponto de vista, também não interessa uma grande fragilidade interna russa que lhes possa causar convulsões internas que podem se refletir em uma política externa mais agressiva, como se viu claramente no caso da Geórgia ou antes ainda, na Chechenia.

Apesar de algumas dúvidas que o texto me sugeriu, o texto encerra com chave de ouro ao realçar o enfrentamento dos problemas internos russos, assim como a manutenção de seu heartland ser um problema mais geográfico que ideológico. Realmente, um excelente texto.