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O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
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Sunday, November 21, 2010

Novos amigos, novas traições

Novos amigos e novas traições[i]


A Rússia entrará na OTAN. A questão é o que a Rússia leva em troca? Os países ocidentais parecem dispostos a permitir a hegemonia russa em sua área de influência, mas o que é a “área de influência russa”? Em termos simples, isto abrange os territórios da ex-União Soviética, mas estendendo sua política a Europa Oriental e Cáucaso, por exemplo, isto significaria um retrocesso para a democracia.
Os Estados Unidos precisam de apoio russo para combater a insurgência no Afeganistão, onde se situam aliados da Al Qaeda com a possibilidade de uso do território da Ásia Central para escoamento de tropas, combustível e mantimentos, bem como apoio técnico e treinamento russo para tropas aliadas afegãs. Como nada é de graça, as tendências autocráticas da política russa se farão cada vez mais presentes nos países da região sem o contrapeso ocidental. No entanto, dizer que “a détente com o governo russo é uma das principais tragédias do governo Obama” é muito simples, qual seria a alternativa razoável, uma política isolacionista como a de seu antecessor, GWB? Não há um mundo ideal a seguir, mas o ótimo ou razoável dentro da conjuntura que se faz presente.
Sem dúvida que o apoio russo às medidas mais duras contra o governo iraniano é um bom sinal dessa nova aliança, cuja integração à OTAN parece selar e, que a vitória Republicana nas últimas eleições sobre os Democratas parece ameaçar através da revisão do acordo de desarmamento (START) entre as duas potências. Apesar disto, esta vitória do governo Obama em se aliar ao Kremlin não deveria ser menosprezada. O próprio “guarda-chuvas da OTAN” na Europa Oriental, Polônia e República Tcheca elaborado no governo Bush foi redesenhado contra o Irã, inclusive com navios de guerra americanos estacionados no Mediterrâneo. Obviamente, as recentes insinuações ocidentais de apoio à Geórgia ou à Ucrânia serão deixadas de lado por tempo indeterminado, o que também significa suas possibilidades de autonomia e avanço democráticos.
Se por um lado esta perspectiva de deixar as ambições russas de lado e focalizar inimigos mais imediatos como o Irã se consolidam, nuvens negras se formam no horizonte sobre a China e a Índia, outros rivais regionais asiáticos que poderão colocar em cheque a solidez da aliança americana e russa dentro da OTAN se reagirem contra um novo expansionismo russo. No entanto, a história nos mostra que alianças entre estados democráticos e autocráticos não têm tido sucesso prolongado... Para a União Européia, por exemplo, as “revoluções coloridas” em países como a Geórgia e a Ucrânia significam também sua segurança econômica através de rotas de gás natural que lhes fornecem alternativa energética. A questão subjacente a boa estratégia de pressionar o Irã e forças insurgentes no Afeganistão é o que fazer com os sistemas políticos da periferia russa. Ignorar estes processos democráticos permitindo o avanço autoritário poderá significar uma fatura muito cara a ser paga num futuro não tão distante.




[i] Adaptado de Claudia Mancini, Russia’s expanding influence. Opportunity or threat?, 19 de novembro de 2010.

Monday, June 21, 2010

Кыргызстан Connection


No Manhattan Co. deste domingo, os apresentadores falaram da crise do Quirguistão. Olha... Eu gosto do programa, acho um dos melhores da TV brasileira não só pelas opiniões, com as quais tenho simpatia, mas, sobretudo, pela forma despojada, antiacadêmica com a qual é apresentada (em que pese um certo afetamento de Caio Blinder...), mas neste tópico eles comeram bola: Lucas Mendes e Blinder se postaram a discutir se dava ou não dava para se distinguir etnias naquela porção da Ásia Central. O primeiro sustentando que não, que eram todos iguais e o segundo, acertado, dizendo que sim, mas que a região não se balcanizara como era esperado com o fim da URSS. Tudo isto porque se discutia se a questão era um “mero” conflito étnico ou não. Em primeiro lugar vamos por os pingos nos “ii”, apesar de existem grupos que se identificam sob os mais variados aspectos sociais, etnia é um conceito vago, impreciso para a ciência política:


Ethnicity refers to a sometimes rather complex combination of racial, cultural and historical characteristics by which societies are occasionally divided into separate, and probably hostile, political families. At its simplest the idea is exemplified by racial groupings where skin colour alone is the separating characteristic. At its more refined one may be dealing with the sort of ‘ethnic politics’ as where, for example, Welsh or Scottish nationalists feel ethnically separated from the ‘English’ rulers, as they may see it, of their lands. Almost anything can be used to set up ‘ethnic’ divisions, though, after skin colour, the two most common, by far, are religion and language.
ROBERTSON, David. Dictionary of Politics. 2º edition. Penguin, p.169.

Se algo serve para definir tudo ou quase tudo, no limite, não define nada. Então, não haveriam conflitos étnicos na região? Sim, mas isto não explica a proporção ou evento ocorridos... O fato é que se Blinder disse que existem, mas depois fez referência, sem estabelecer nenhuma relação direta ou vagamente indireta entre isto e o que chamou de “Great Game” das nações imperialistas com o jogo colonial, no caso, pós-colonial, não serviu de explicação plausível. Mais concreto e pertinente, como de praxe, foi Diogo Mainardi quem citou um governo filo-russo deposto e agora outro, filo-americano igualmente deposto que seria alvo da oposição. E no meio disso tudo, o que não se comentou, o uso dessa oposição apoiada por Moscou para se afirmar na região. Não é que se trate de uma clássica (e clichê) manipulação externa, mas que os conflitos internos (que não precisam ter significativas diferenças físicas para se estabelecer) ocorrem entre diferentes grupos, por mais tênues que sejam suas lógicas de identificação internas e que podem ser amplificadas com ingerência e alianças externas. As diferenças entre grupos não são causas, mas meios nos quais interesses e situações de conflito por determinadas razões se expressam.

Tomando uma situação de repartição de lucros de um produto como analogia simplista, poderíamos dizer que os royalties da extração de petróleo no Brasil a partir do chamado “Pré-Sal” seriam causas mais factíveis do que a questão federalista, mas neste caso em especial, elas se expressariam como um conflito na federação. Esta discussão que parece um tanto sem sentido, como a que se o que veio primeiro foi o ovo ou a galinha. Mas passa a ganhar sentido quando se pergunta pelo que os estados brasileiros estão em disputa? Analogamente, pelo que quirguizes e uzbeques estão em disputa? Por serem quirguizes e uzbeques não me parece suficiente.

O Uzbequistão é a nação forte da área, que os quirguizes vêem com desconfiança como invasores ou quem tem benefícios indevidos em seu território. Ocorre que tais mudanças migratórias foram incentivadas na época de Stálin e até hoje persistem suas seqüelas. A disputa direta entre Rússia e EUA, por sua vez, é pelo monopólio de instalação de bases no território da Ásia Central. Para os americanos, uma localização estratégica para atuar contra o Talebã no Afeganistão, contra simpatizantes desta no Paquistão ou contra o Irã e seu regime. Para os russos, a hegemonia sobre a área é necessária para formação de uma série de estados-tampão contra o avanço demográfico de possíveis sociedades seduzidas pelo fundamentalismo islâmico, que pressionariam ainda mais suas fronteiras. E a China, citada nesta história entrou de gaiato, uma vez que seu interesse e atuação se concretizam na construção conjunta com o Cazaquistão de dutos para exportação de hidrocarbonetos na sua fronteira ocidental, o que Moscou vê com desconfiança, embora o gigante da Ásia Central seja seu aliado regional mais próximo com forte presença russa.

Não há vítimas inocentes em se tratando de governos, apenas interesses buscando a otimização de seus benefícios. Isto é um clichê, mas nem por isto menos verdadeiro.
...

Tuesday, June 15, 2010

The Kyrgyzstan Crisis and the Russian Dilemma | STRATFOR


Em The Kyrgyzstan Crisis and the Russian Dilemma | STRATFOR um interessante artigo sobre como a Rússia cria uma crise, na verdade, aproveita a crise do Quirguistão para atingir o Uzbequistão. Mas, como está explicado, as cartas disponíveis para o Kremlin são poucas. Os uzbeques têm auto-suficiência a partir de seu Vale de Fergana, alta densidade demográfica e, no longo prazo, a Rússia não detém crescimento populacional satisfatório para bancar uma ocupação na região. Analogamente ao que foi o Vietnã para os EUA, os interesses russos na região são indiretos, como a passagem de gás do Turcomenistão pelas terras uzbeques que se quiserem, cortam a transmissão. Assim como para os EUA ganhar a guerra contra o Talebã no Afeganistão e derrubar Saddam no Iraque foi fácil, o difícil é manter a ocupação, o mesmo se daria em uma guerra da Rússia contra o Uzbequistão: manter a região ocupada e condicionada aos interesses russos, já que uma guerra seria num primeiro momento fácil para Moscou, mas somente isto.

Friday, March 20, 2009

As rotas de caça ao Talebã



O Talebã persiste atacando ferrovias afegãs, o que forçou o uso de rotas alternativas pelos EUA ao norte. Adicionalmente, acordos têm sido feitos com a Geórgia e países como Azerbaidjão, Cazaquistão e Uzbequistão. Além destas rotas no Cáucaso e na Ásia Central a partir da Europa, o Paquistão também é avaliado como possível rota, mas a tarefa de enviar alimentos, combustível e munição às tropas da Otan por este país têm sido difícil. ¾ da carga dos EUA e Europa vão até Karachi para depois prosseguir rumo ao Afeganistão. A menor rota por terra é paquistanesa. De Karachi, a maior cidade paquistanesa partem duas rotas:

1. Por Chaman, no sudoeste, na região de Kandahar;
2. Por Torkham, no noroeste, na passagem de Khyber.

Ainda há a facilidade política, pois se trata de um governo apenas, ao passo que as alternativas envolvem a costura com vários. Apesar da instabilidade atual, o Paquistão mostrou-se um importante aliado desde a campanha do Afeganistão em 2001. O fator energético também pesa: as refinarias paquistanesas abastecem as forças da Otan em operação na região, ao passo que o combustível de Baku no Azerbaidjão tem que passar pelo Cáspio e pelo Turcomenistão. Estas, por sua vez, se tornam mais importantes na medida em que as tropas da Otan se encontram mais afastadas da fronteira paquistanesa.

Até 2007, não se viu revoltas insufladas pelo Talebã no Paquistão. Mas, a ambigüidade do apoio de Musharraf, quem estendia uma mão para Washington e outra aos fundamentalistas deve ter forçado sua queda. A opção, consequentemente, é diminuir esta dependência logística. E isto, evidentemente, encarece a operação que precisa passar pelos portos da Geórgia e pelos europeus no Mar Negro. Dali prosseguem por ferrovias até o Azerbaidjão no Cáspio e depois até o Turcomenistão para então seguir por estrada ou até o Cazaquistão e Uzbequistão para a área ocupada.

Como se não bastasse a enorme dificuldade logística adicional, ainda há a possível interferência da Rússia nas operações. A Rússia trava uma queda de braço com as forças da Otan e os russos deverão exigir algo para garantir sua segurança regional. Após a invasão da Geórgia, a Rússia já insinuou, sutilmente, mas insinuou sobre a viabilidade das rotas utilizadas pela Otan em direção ao Afeganistão. E os governos uzbeque e turcomeno ainda são muito ligados a Moscou e, igualmente receosos da interferência americana na região. Uma alternativa pouco provável seria traçar um acordo com o Irã, rival do Talebã, mas nem tanto ao ponto de favorecer os interesses de Washington no Afeganistão.

Wednesday, July 23, 2008

China e Rússia – 1



A geografia desmente a aliança sino-russa*




Em China e Rússia criam uma anti-Otan, Gilberto Scofield Jr. (em junho de 2006) comentava a criação de um bloco de ajuda mútua econômica na Ásia, a Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês), cujos membros além de China e Rússia abarcariam vizinhos: Irã, Paquistão, Índia e ex-satélites soviéticos: Casaquistão, Quirguistão, Mongólia, Tadjiquistão e Uzbequistão, bem como possivelmente a Arábia Saudita.

Hu Jintao, presidente chinês, vaticinava diplomaticamente seus objetivos como assegurar a paz e a prosperidade econômica regional. O teor explicitamente antiocidental (antiamericano e antieuropeu) da organização ficou a cargo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad definir:



“Podemos transformar a SCO numa instituição forte e de influência econômica e política tanto em nível regional quanto internacional. E desafiar a ameaça das potências dominantes de usar a força contra outros países ou interferir em seus assuntos.”


Deste blefador já se esperava isto... Vladimir Putin, então presidente russo, é quem tinha o argumento de peso:


“A SCO pode ser um forte jogador global. Temos 3 bilhões de pessoas e isso faz diferença - disse Putin, que pregou a união dos países contra ‘ameaças desconhecidas’(Grifos meus).

Zhang Deguang, secretário-executivo, chinês que representa quem realmente manda na organização obviamente assumiu o tom conciliatório ao afirmar que a SCO "nunca procurou o confronto com nenhum bloco". E nem precisa...

Mas, entre os sintomas imediatos como seus membros pedirem a retirada de tropas americanas de seus territórios e a China e a Rússia fazerem exercícios militares conjuntos, o que mais a organização pode oferecer em termos de eficácia e resolutividade?

Da retórica de um mundo multipolar, com a suspeita de uma aliança de potências crescentes a desafiar o império americano – China e Rússia, a primeira com suas taxas de crescimento cavalares e a segunda com seu papel assegurado no fornecimento de matérias-primas, a realidade beligerante entre os dois países continentais é muito diferente.

Em termos econômicos, não há muito sentido em se falar em união entre China e Rússia. O anecúmeno entre Moscou e Pequim requer uma infra-estrutura de bilhões que não existe para fomentar um comércio mútuo, cujos resultados já são atingidos com maior satisfação a partir dos acordos já existentes entre parceiros chineses – o extremo oriente e o ocidente – e russos – a Europa. Isto sem falar que entre as duas capitais, a distância é maior que entre Londres e Washington.

Tudo é uma questão de custo/benefício, como não poderia deixar de ser. Se o comércio siberiano fosse algo mais valioso que o convencional, o brutal investimento em infra-estrutura poderia se justificar. Mas, se há algo que distingue esta “nova era” de tempos pretéritos é que não há mais como manter subsídios sem retorno viável e factível. Se um dia as especiarias e a seda foram suficientes para justifica-los, hoje os objetivos militares têm que mostrar sua fatura.

Há também uma grande assimetria que joga contra a Rússia. A leste dos Urais, o país é relativamente desprotegido se considerarmos sua população, enquanto que a China tem uma gigantesca massa humana na Manchúria na proporção de 15 para 1 contra os russos no extremo oriente. Só o que falta para Pequim é vontade de ocupar a região, o que não ocorre porque o país permanece voltado para si mesmo, seu interior e suas próprias questões.

Se para a Rússia, a vulnerabilidade está na posição – ter que lutar entre duas frentes possivelmente aliadas, China e Otan – para a China, trata-se de uma questão quantitativa e tecnológica: em termos militares/nucleares, a Rússia está muito à frente.

Geograficamente, no entanto, é difícil para a Rússia aproveitar seus recursos com menores custos, como seria o transporte hidroviário. Seus rios, diferentemente da América do Norte não se interconectam e há extensas costas bloqueadas pelos gelos. Sua melhor alternativa reside num remoto Mar de Murmansk, inócuo para o caso de assegurar uma hegemonia siberiana. O leste dos Urais guarda certa similaridade com a realidade africana: demasiado rico em recursos minerais, mas vasto, incomunicável e pobre em infra-estrutura.

Se para os russos, o comércio marítimo é uma necessidade premente, para os chineses, ele é “natural”, com sua população concentrada num litoral de águas tépidas, livre de obstáculos naturais. Analogamente ao comércio e a economia, a Rússia também não tem a primazia militar no meio integrador dos oceanos. Cabe aos EUA o domínio sobre os oceanos com 11 porta-aviões prontos para qualquer ação na região. O poder russo não é naval, nunca foi, mas americano o que lhe confere enorme desvantagem. E se a China quiser manter seu PIB de US$ 14 trilhões em mesmo ritmo de crescimento deve se pautar pela orientação civil e neutra nestas questões. Pequim, simplesmente, não irá matar sua galinha dos ovos de ouro por uma tresloucada aventura geopolítica.

Mesmo o coringa na manga dos russos que consistia em amarrar o fornecimento de gás das repúblicas da Ásia Central para a Europa – que no período soviético serviam ao norte do país – já não é mais o mesmo: estão arriscados a perde-lo. O interesse das ex-repúblicas soviéticas na SCO está nesta intermediação, que o Kremlin usa para obter concessões políticas dos europeus.

A China, por sua vez, tem seus próprios problemas. Com o crescimento econômico, movimentos de descentralização política são fomentados por suas províncias periféricas. Contra eles, duas linhas de dissuasão são adotadas por Pequim: diluindo a diversidade étnica com programas de migração da etnia Han (majoritária) e com o aporte de infra-estrutura (especialmente, ferrovias) no Tibet e Sinkiang. Aí reside um dos poucos pontos em que Pequim pode amenizar sua vulnerabilidade energética frente ao domínio logístico americano, na proximidade das reservas de gás da Ásia Central. Para tanto, seu domínio sobre as regiões tem que continuar num crescendo com a instalação de estradas, trilhos e tubulações. Isto, inevitavelmente, traz problemas a Moscou, cujo monopólio na rede de infra-estrutura (e a vantagem que detém sobre o consumidor europeu) se vê agora ameaçado.

A aliança entre China e Rússia tem na disputa pelos recursos da Ásia Central um nó górdio. E quem está mais próximo de desata-lo é a China para fazer diferença entre séculos de esquecimento da região pela Mãe Rússia.


* Fonte: ZEIHAN, Peter. “China and Russia’s Geographic Divide.” In: www.Stratfor.com. July 22, 2008.

Tuesday, August 21, 2007

The Looming Central Asian Battleground



After 16 years of relative quiescence, Central Asia is about to become a major field of competition between the Russians and the Chinese.

Over the weekend, the Chinese government sealed a series of energy deals with the governments of Kazakhstan and Turkmenistan. Airy promises of cooperation on the windswept Asian steppe are about as common as cold winters, but these deals are different. China's offers are monumental in scope, strategic in nature and backed up by cold, hard cash.
The two most critical projects involve the final phase of an oil pipeline to link China to Kazakhstan's sector of the Caspian Sea. Once the line is completed, China will be able to tap multiple oil-producing regions throughout Kazakhstan, and ultimately ship 1.0 million barrels per day into western China. The 2,000-mile project is already two-thirds complete -- and over the weekend, Beijing bellied up to finance the final leg.
The second project would link Turkmenistan to China via a natural gas line. This project has been under discussion for some time, but the Chinese have always been coy in public about the deal's prospects. Now their interest is public and firm. Beijing also has explicitly said it wants the line to transit Uzbekistan, which would link Tashkent's energy and political desires into China's policy.
Taken together, the two projects mark a sea change in the geopolitics of the region. For the past several years, Central Asia has witnessed incessant maneuvering between Russia -- the region's most recent colonial power -- and the United States, which seeks to harness the region's energy potential to Western purposes -- in addition to staking out strategic outposts between Russia, China and the Middle East.
This is a fight that the Russians have more or less won. The region's autocratic governments' one-time friendliness to Washington disintegrated after the United States backed the Orange Revolution in Ukraine. (They feared they were next -- and one, Kyrgyzstan, actually was.) Add in that distance prevented the United States from coming to anyone's aid and that all meaningful pre-existing infrastructure from the Soviet period led north to Russia, and Central Asia quickly fell into lockdown.
That is, it would have if not for China. Moscow considers the presence of Central Asia in Russia's tight geopolitical orbit as the one bright spot on its list of ongoing geopolitical realities. As such, Moscow has focused the bulk of its military and economic efforts elsewhere. In contrast, China knows full well that it is working from an institutional, linguistic and infrastructure deficit -- and so has been spending billions to improve its chances.
The reason for the attention is simple. China is forced to import the majority of its energy from abroad. China fears many things, but few frighten it more than the possibility of having its maritime supply routes cut off by hostile powers. China lacks -- and will continue to lack for at least a generation -- the navy to protect its maritime interests and so its only option is to go inland. And that means Central Asia.
This means that, barring a bilateral divide-and-conquer plan in which the two share what they both exclusively need, a Chinese clash with the Russians has moved from the realm of the possible to the inevitable. Russian state natural gas firm Gazprom is currently the sole significant purchaser of Central Asian natural gas exports.
China's plans do not foresee exploiting many fresh sources of natural gas in the region, but simply diverting output from routes Russian to routes Chinese. This development, which could be in place as soon as 2009, would greatly interfere with Russia's strategic policies in a very real, sudden and broad sense.
Given Gazprom's technical limitations, without Central Asian natural gas, Gazprom can meet its export requirements for Europe or it can meet domestic demand -- not both. And considering that cheap energy acts as a panacea for social disruption at home and is a critical arm of strategic policy abroad, the Chinese decision to grab the ring will muck with Russian geostrategy in Europe, Central Asia and even at home.
The game is on.