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O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Friday, March 20, 2009

As rotas de caça ao Talebã



O Talebã persiste atacando ferrovias afegãs, o que forçou o uso de rotas alternativas pelos EUA ao norte. Adicionalmente, acordos têm sido feitos com a Geórgia e países como Azerbaidjão, Cazaquistão e Uzbequistão. Além destas rotas no Cáucaso e na Ásia Central a partir da Europa, o Paquistão também é avaliado como possível rota, mas a tarefa de enviar alimentos, combustível e munição às tropas da Otan por este país têm sido difícil. ¾ da carga dos EUA e Europa vão até Karachi para depois prosseguir rumo ao Afeganistão. A menor rota por terra é paquistanesa. De Karachi, a maior cidade paquistanesa partem duas rotas:

1. Por Chaman, no sudoeste, na região de Kandahar;
2. Por Torkham, no noroeste, na passagem de Khyber.

Ainda há a facilidade política, pois se trata de um governo apenas, ao passo que as alternativas envolvem a costura com vários. Apesar da instabilidade atual, o Paquistão mostrou-se um importante aliado desde a campanha do Afeganistão em 2001. O fator energético também pesa: as refinarias paquistanesas abastecem as forças da Otan em operação na região, ao passo que o combustível de Baku no Azerbaidjão tem que passar pelo Cáspio e pelo Turcomenistão. Estas, por sua vez, se tornam mais importantes na medida em que as tropas da Otan se encontram mais afastadas da fronteira paquistanesa.

Até 2007, não se viu revoltas insufladas pelo Talebã no Paquistão. Mas, a ambigüidade do apoio de Musharraf, quem estendia uma mão para Washington e outra aos fundamentalistas deve ter forçado sua queda. A opção, consequentemente, é diminuir esta dependência logística. E isto, evidentemente, encarece a operação que precisa passar pelos portos da Geórgia e pelos europeus no Mar Negro. Dali prosseguem por ferrovias até o Azerbaidjão no Cáspio e depois até o Turcomenistão para então seguir por estrada ou até o Cazaquistão e Uzbequistão para a área ocupada.

Como se não bastasse a enorme dificuldade logística adicional, ainda há a possível interferência da Rússia nas operações. A Rússia trava uma queda de braço com as forças da Otan e os russos deverão exigir algo para garantir sua segurança regional. Após a invasão da Geórgia, a Rússia já insinuou, sutilmente, mas insinuou sobre a viabilidade das rotas utilizadas pela Otan em direção ao Afeganistão. E os governos uzbeque e turcomeno ainda são muito ligados a Moscou e, igualmente receosos da interferência americana na região. Uma alternativa pouco provável seria traçar um acordo com o Irã, rival do Talebã, mas nem tanto ao ponto de favorecer os interesses de Washington no Afeganistão.

Tuesday, January 06, 2009

Russia's next flash point



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By Denis Corboy, William Courtney and Kenneth Yalowitz
Tuesday, January 6, 2009





Russia's coercion of its neighbors is a looming flash point for Europe and the United States, and President-elect Barack Obama. Autocratic Russia is bent on exploiting weak neighbors and reversing perceived humiliations since the breakup of the Soviet Union.


The tragic war with Georgia last August showed that Russia is ready to use military power. International criticism and a plunging economy have apparently not swayed it.


On Dec. 24 President Dmitri Medvedev declared that his nation's "interests must be secured by all means available." Earlier he warned that Russia may deploy nuclear missiles against Poland, and has "privileged interests" in surrounding countries.


On Dec. 31 Prime Minister Vladimir Putin upped the ante. Ukrainian interference with Russian gas exports to Europe would lead to "serious consequences for the transit country."


Moscow is signaling a readiness to use hard power against smaller neighbors. Which ones might be next?


Since August, Russia has doubled its forces in Georgia's separatist regions of Abkhazia and South Ossetia. Troops are only two dozen miles from Tbilisi and hover near Caspian energy pipelines and railways. Russian forces could take them at will.


If Kiev does not satisfy Moscow, Russia's military could move in to "protect" Ukraine's pipeline to Europe. Moreover, Russia is questioning Crimea's legal status, distributing passports to ethnic Russians there, and demanding retention of its naval base at Sevastopol, after the lease expires in 2017. Moscow seems to be developing pretenses for intervention.


Other potential flash points cannot be overlooked. Millions of Russians live in Kazakhstan, which has exceptional natural resources wealth. The country's leaders try hard not to displease Moscow, but they annoy the Kremlin by exporting some energy via the South Caucasus. Azerbaijan and Turkmenistan also have vast energy wealth but regimes that might be ineffective against a Russian challenge. Ominously, Russia recently announced formation of a new "international" military force for Central Asia.


Dependent on Russian markets and subsidized energy, Belarus seeks more aid from Moscow but may have to cede further autonomy. Moscow would intervene if another "color revolution" swept aside Aleksandr Lukashenko, the country's authoritarian ruler, and might annex Belarus, ending years of inconclusive discussions on union.


Russian use of force could threaten important U.S. and European interests. Gaining control over Caspian energy would jeopardize tens of billions of dollars of Western investment and heighten Europe's energy dependence on Russia. U.S. and European forces in Afghanistan will increasingly depend on ground-based logistics through Central Asia and the South Caucasus.


The West needs a two-part hedging strategy: a dialogue to encourage Russia to channel ambitions in less threatening ways, and steps to enhance the security of Russia's neighbors.


An economic dialogue should assist Russia to: mitigate the damage from economic crisis and facilitate recovery, enhance productive trade and investment, and seek fair energy relationships with others. In this context, Europe and the U.S. should encourage Georgia and Russia to negotiate restoration of transport and economic links, which would also benefit Armenia.


A security dialogue should address: full compliance with the armistice in Georgia, how Russia can protect its security while reassuring neighbors, and regional cooperation to counter transnational threats, such as nuclear terrorism and pandemic disease. This dialogue would complement U.S.-Russian strategic arms talks and the NATO-Russia Council.


Second, the U.S. and Europe should help Russia's neighbors develop defenses and protect critical infrastructure. Assistance should be conditioned on commitments not to invade separatist regions or project force abroad.


More frequent U.S. and NATO defense presence will also be critical. This may not require permanent basing, but should include more joint field exercises, secure and interoperable command and control, intelligence sharing, and pre-positioning of matériel. Neighbors alone cannot stop the Russian military. Moscow must come to fear all of the costs and doubt the success of any contemplated aggression.


Dialogue with Russia and better defenses in neighboring countries will help avert another war - and a flash point with the West.


Denis Corboy is director of the Caucasus Policy Institute at King's College London and a former European Commission ambassador to Georgia. William Courtney was U.S. ambassador to Kazakhstan and Georgia. Kenneth Yalowitz was U.S. ambassador to Belarus and Georgia.


http://www.iht.com/articles/2009/01/06/opinion/edcourtney.php

Thursday, October 16, 2008

Mar Cáspio

Observemos o mapa abaixo: o grande mar interior apresenta-se dividido entre Rússia, Cazaquistão, Azerbaidjão, Turcomenistão e Irã. A princípio, esta imensa área, considerada como a 2a maior reserva petrolífera mundial (após o Golfo Pérsico) é ladeada apenas pela Rússia e suas ex-repúblicas soviéticas, a exceção do Irã, um grande opositor da política externa americana. Tem tudo, aparentemente, para se tornar uma hinterlãndia de um bloco oriental anti-Otan que aumentaria ainda mais o monopólio de petróleo nas mãos do principal produtor regional, a Rússia que também conta com investimentos na maioria dos países da região.
Mas, não é bem assim...


Observando o segundo mapa vemos os acordos de exploração comercial (alguns em curso, outros somente em projeto) que visam, inclusive, garantir a exploração de hidrocarbonetos apontam noutro sentido.

Assim como a maior linha de transmissão encontra-se estendida da Ásia Central a Rússia ligando o Turcomenistão e Uzbequistão passando pelo Cazaquistão (em vermelho), temos um oleoduto alternativo (em verde) projetado de encomenda ao ocidente (em construção pela Inglaterra) que passará pelo Azerbaidjão, Geórgia (daí o real motivo do ataque russo) e Turquia, tradicional rival russa. E vejamos ainda que as ameaças assinaladas partem do Irã e seu presidente populista - Ahmadinejad -, do Tadjiquistão (também persa como o Irã) e do Afeganistão, onde a Al Qaeda parece ressurgir a partir de novas células talebãs.

Realmente, para assegurar os investimentos e fornecimento de petróleo da região, a Otan e o novo presidente americano terão que intensificar seus esforços no curto e médio prazos. No longo deverão diversificar sua matriz energética, o que não é um bom presságio para estes exportadores-dependentes de petróleo que poderão, mais dia menos dia ver o Sol se por sobre seu deserto mono-produtor.


Monday, August 25, 2008

A maré poderá ser negra


Para Dmitri Medvedev, o Ocidente precisa da Rússia, mas a Rússia não precisa do Ocidente. Se o presidente russo desdenha da ameaça de rompimento com a cooperação militar com a Otan, o premiê Vladimir Putin afirma que a Rússia não tem interesse na OMC. Como se não bastasse o apoio de Moscou a independência das regiões separatistas da Geórgia, o vizinho Azerbaidjão enviou 200.000 barris de óleo cru ao Irã. Não se trata, contudo, de uma operação econômica ordinária, o país é a porta de entrada para o petróleo do Cáspio, cujo oleoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan serve de rota alternativa a infra-estrutura meridional da Rússia. Uma explosão no oleoduto forçou o envio de petróleo ao Irã, comprometendo a intenção americana de isolar Teerã. Se o conflito começou por causa do Kosovo e chegou ao Cáucaso, agora ele se estende claramente ao Golfo Pérsico.

Como a Otan pouco pode fazer contra a Rússia no Cáucaso, os russos estão crescendo em suas operações regionais nesta queda de braço. Mas, em que pese sua até então bem sucedida estratégia, a Rússia não é invencível, especialmente no Mar Negro, uma imensa área critica a seu sistema defensivo. Se a Otan não tem como avançar muito em terra, no mar ela pode ameaçar os russos forçando sua pausa. A logística ocidental, tal qual a “ajuda humanitária” russa na Geórgia inclui nove navios de guerra. E não se trata de forças exclusivamente americanas, há navios espanhóis, turcos, poloneses, búlgaros e romenos para legitimar este jogo. A simples presença ascendente dos americanos nesta massa líquida exigiria dos russos uma pronta resposta. Muitíssimo mais importante do que a Geórgia, há a ligação direta com outra ex-república soviética, a Ucrânia. Realmente, não parece um bom negócio ganhar uma Geórgia para perder uma Ucrânia... Suas férteis planícies são o solo perfeito para um desembarque a partir deste “amortecedor” que é o Mar Negro. Isto seria a última coisa que os russos desejariam. O bem sucedido avanço russo num primeiro estágio poderá se configurar numa flagrante derrota mais a longo prazo. E a presença da nau capitânia Moskva é o pretexto perfeito para os EUA aumentarem e ameaçarem a implantação logística de domínio caucasiano. Tudo que o Kremlin não quer é um verdadeiro “mar negro” em seu desprotegido baixo ventre.