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Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Sunday, July 26, 2009

O Egito é estável?


O país de Mubarak apresenta dados econômicos declinantes, o que favorece os movimentos de fundamentalistas islâmicos. A matéria também observa o grande percentual de jovens que aumenta em 3% a.a. o número de aptos a trabalhar. Mas, me lembro de Kaplan em "Os Confins da Terra" que ao entrevistar uma autoridade militar egípcia ouviu que "o problema não são os pobres, mas os 'menos pobres'" referindo-se à classe média universitária, intelectual e sindicalizada que não ascendeu ao poder.


a.h







Saturday, June 14, 2008

A paz que vem do subsolo





A Conferencia Inter-religiosa na Arábia Saudita, dia 4 mostrou quão dividido é o mundo islâmico atual. Acusações dos xiitas do Irã e Hezbollah contra os sunitas de “fingirem hostilidade aos EUA” estão entre algumas de suas manifestações. Pois, há que considerar que a rivalidade entre sunitas e xiitas força os primeiros a um alinhamento com os EUA – através da possibilidade de defesa militar mesmo – contra a centralização e força dos segundos no governo iraniano. Internamente, os lideres religiosos sunitas na Arábia Saudita consideram a al-Qaeda uma ameaça nem tanto por razoes teológicas, mas pelo “internacionalismo” do agrupamento religioso que põe em cheque a estabilidade regional dessas lideranças. No meio disto tudo, o dinheiro saudita é o meio de comprar a união religiosa entre os conservadores sunitas, o que faz com que se reduza sua oposição ao “ecumenismo islâmico” de Riyadh. Um complicador adicional reside no Irã que não tem se beneficiado da alta do petróleo como os sauditas restando aos aiatolás o reforço ao financiamento de atividades xiitas no Líbano e da insuflação do Hezbollah.

Se há temor de uma guerra também há o desejo de que a situação favorável do petróleo dure com os US$ 130,00 por barril. Os sauditas sabem que isto não é permanente, só não sabem por quanto tempo ficarão lucrando assim. Se a situação de tensão com o Irã parece insustentável para manter tamanha lucratividade, as tensões têm que ser urgentemente afastadas, nem que seja com uma retórica diplomática religiosa unionista.

O aparente paradoxo dos sauditas reside na manutenção de seu alinhamento defensivo com os EUA ao mesmo tempo em que promovem uma união islâmica. A política saudita parece, portanto, ambígua. Internamente, buscam acalmar os ânimos conservadores antixiitas e contrários ao líder religioso Rafsanjani do Irã e, externamente, apóiam os grupos opositores do Hezbollah. Enquanto o Irã não desafiar os interesses de Riyadh com os lucros do petróleo, o que levaria a acionar o “gatilho yankee”, pode se deixar o país dos aiatolás em “banho-maria”.

Entre os planos de pacificação da região estão o envio de recursos à Síria e ao Líbano. Juntamente, com a Turquia, a Arábia Saudita busca uma estabilidade regional. Os sauditas também encorajam acordos entre israelenses e palestinos – o que pode, indiretamente, favorecer Damasco –, assim como há suspeitas de que estejam exercendo pressão sobre o Hamas. Não há nenhum interesse saudita no desequilíbrio e instabilidade entre Síria e Hezbollah com Israel.

Mas, sua estratégia pacificadora não reside apenas na manutenção de forças estabelecidas: cabe evitar ou eliminar que outras surjam... Os sauditas não querem ver o aumento de poder xiita no Iraque e marginalização dos sunitas no país. Assim como também não é bem vindo, o aumento da hegemonia da al-Qaeda entre os iraquianos. A partir de 2003 com exceção da região curda, o Iraque perdeu muito dinheiro devido à redução da exploração petrolífera e neste ponto é que entra a influencia e apoio saudita. Este súbito interesse pacificador saudita para assegurar a estabilidade regional implica em um reposicionamento em relação à política externa americana, o controle dos seus conservadores religiosos sunitas e uma relação de dissuasão com os xiitas iranianos.

Neste contexto de “diálogo inter-religioso”, cujos interesses por certo não são teológicos, é que tem que se entender a visita do presidente egípcio, Hosni Mubarak a Arábia Saudita na semana que passou. E não é de hoje que o Hamas tem no Sinai uma base de operações logísticas para ataques a Israel... Recentemente, dois egípcios, dois palestinos e um beduíno foram presos por carregarem artefatos militares pelo deserto e, após ser encontrado um esconderijo de mísseis terra-ar no Sinai, Mubarak sinalizou com seu interesse nos acordos de paz entre israelenses e palestinos. Cabe a ele evitar que o radicalismo do Hamas não se estenda ao Egito e permaneça retido na Faixa de Gaza. Com certeza, egípcios e sauditas têm muito a discutir.

Não se trata de um novo alvorecer no Oriente Médio, mas se as negociações de paz através do dialogo inter-religioso não tem suficiente poder, o óleo sim. Se uma paz duradoura e desejável não é possível, ao menos uma maior estabilidade pode durar tanto quanto verter o dinheiro do subsolo.

Tuesday, April 22, 2008

Pós-Nova Ordem Mundial - 2


Acordos de paz apenas acomodaram tensões que nem por isto deixaram de existir e, se reproduzir "na surdina".


Si vis pacem, para bellum



Em termos gerais, Fukuyama está certo, o ocidente venceu. Quando vemos os atentados terroristas islâmicos ou a retórica de protesto de Putin ou os urros de Chávez, como se fosse um animal ferido, não vemos nada além de alguém que já perdeu para a globalização, para o capitalismo. Claro que não é exatamente o caso russo se pensarmos em seu potencial bélico, mas sim se pensarmos que Putin, Chávez ou mesmo Ahmadinejad não passam de hipócritas ao criticarem a globalização, pois dependem fundamentalmente do comércio externo. Como uma Venezuela poderia canalizar 60% de seus hidrocarbonetos se não fosse pela via globalizante em direção ao seu propalado (da boca para fora) inimigo, os EUA. Como Chávez sobreviveria sem o consumidor americano?

Discordo, no entanto, da visão que isto signifique um endosso a uma espécie de darwinismo social onde “o melhor irá vencer”. Em nossas sociedades não funciona assim, em parte porque as condições liberais clássicas não vigem mais, em parte porque isto não passa de um modelo, um tipo-ideal weberiano. O que quero dizer é que, mesmo em sociedades altamente competitivas, ocorre uma integração (e não, eliminação) do mais fraco. O exemplo da filantropia nos países ricos, em especial nos EUA, é perfeito. Em um reality show (excelente) como American Idol para vermos como em uma única noite são capazes de arrecadar USD 22.000.000,00 para assistência social a enfermos de aids, malária, tuberculose na África ou aos seus pobres nas Smoky Mountains (Apalaches). Isto não é o capitalismo, mas faz parte, historicamente, do desenvolvimento de sociedades capitalistas. Adam Smith que o diga… "The inhabitant of the breast, the man within, the great judge and arbiter of our conduct."

Por isto acho um erro de foco ao nos concentrarmos na economia capitalista, deixando de avaliar a sociedade capitalista como um todo, cujas relações extrapolam o próprio sentido de ser capitalista. Analogamente, não analisamos geopolítica ao nos concentrarmos em Capitalismo vs. Socialismo esquecendo-nos de que a competição, jogo e queda de braço entre EUA e Rússia ainda persiste e, desde os tempos soviéticos, nunca deixou de existir na realidade.

Poder sempre falou mais alto que capital... Não é à toa que os liberais erram tanto quanto os marxistas na sua maneira de ver o mundo, neste quesito. As relações econômicas são fundamentais, mas não são determinantes. Aliás, Marx era um dos quem mais falava em “determinações”... A esfera do homem político sempre usou, com relativa autonomia, opções que não se limitam ao que forças produtivas (em linguagem marxiana) ou tecnologia (em linguagem de gente) nos oferecem.

[Faço uma pequena defesa de Fukuyama neste post. Não de sua obra mais famosa, mas de seu percurso intelectual. Sua outra obra A Grande Ruptura, que tem um tanto de autocrítica analisa os aspectos culturais sobre os econômicos, na qual seus críticos (à direita ou à esquerda) se surpreenderiam.]

O que uma estratégia como a NEP nos revela? Mais do que uma concessão ao capitalismo, o que vemos aí é uma imanência do político sobre o econômico. Da seguinte forma:

1) Por que, assim como o capitalismo não tem uma história teleologicamente determinada em passos exatos passando por estágios fixos, o mesmo se verificou com o socialismo/comunismo;

2) Se houve, em certo sentido (econômico) uma “concessão”, esta afastou a sociedade soviética da democracia. Foi uma usurpação que favoreceu uma determinada casta, no longo prazo, isto é, a política sobre os fatores econômicos.

O ex-professor de Lênin e posterior opositor político, Karl Kautsky acreditava na inexorabilidade do comunismo. Tanto que acreditava, piamente, na teoria marxiana de que ele, o comunismo se imporia. Errou (ainda bem). E Lênin, mais pragmático, apostou na condução deste processo por um partido de quadros.

A social-democracia que se impôs não foi uma coisa nem outra, não foi um capitalismo nem um socialismo, embora não descartasse o capitalismo como modo de funcionamento em suas bases porque este, ao contrário do socialismo, funciona.

No entanto, os arranjos políticos posteriores apontaram para outra coisa porque o político molda o econômico e, não o contrário.

Discordo de que os “avanços capitalistas em uma Rússia e China [seriam] (...) adaptações controladas para fortalecer [a] luta de classes”. Claro que os Nepmen foram surrupiados, escravizados e, em muitos casos mesmo, mortos, mas o que se seguiu foi muito mais do que isto. Para insistirmos no critério de “luta”, o que sobreveio ao final foi outra: a do partido contra a sociedade. Neste sentido, é que se assentou a NEP.

Só um adendo, Rodrigo, o Kosovo não envolve qualquer disputa entre sérvios e croatas, mas entre sérvios (minoritários na região) com uma maioria de muçulmanos de origem albanesa. E o comunismo, ou seja, o regime ditatorial na região acirrou, sobremaneira, os históricos problemas étnicos ao privilegiar a etnia sérvia. Em parte porque tais muçulmanos eram imigrados ou descendentes dos imigrados de uma república vizinha, também comunista, mas muito mais pobre, a Albânia; e, por outro lado, porque governos sucessores de matizes fascistas, como o do criminoso de guerra Slobodan Milosevic adotaram uma política claramente racista ao criar um apartheid econômico que aprovou o desemprego de muçulmanos kosovares para garantia de emprego aos sérvios.

Sem desprezar Fukuyama ou Huntington, me afino mais com a visão de Golitsyn, na medida em que:

1) “Processos naturais” não existem. Em que pese à superioridade (inquestionável) do capitalismo em matéria econômica, ele só se faz bem sucedido (socialmente falando) quando a democracia anda junto. E nem todos os países têm nela um leme confiável. A China que o diga...

2) O “Choque de Civilizações” já ocorreu e o que vemos com esta “jihad pós-moderna” não passa do estrebuchar de um corpo moribundo islâmico lamentando (com urros) por uma disputa perdida. Fria e calculisticamente falando, o terrorismo vai ser cada vez mais incorporado como um “custo” de operação às sociedades.

Prefiro me pautar por quem entende do riscado e viu o monstro... De dentro.

Com exceção da colocação de social-democratas junto aos outros grupos fascistas, eu concordaria integralmente com o último parágrafo. Aliás, a civilização, não só ocidental, mas mundial tem que entender a urgência de se armar para uma guerra... Que seria a continuação da política por outros meios, como diria um tal Clausewitz.

Thursday, February 08, 2007

Muslims and socialists

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With friends like these
Feb 8th 2007
From The Economist print edition
An odd marriage of Muslims and secular socialists, united against America, is challenged by pundits of right and left

Scoopt.com


AS GEORGE BUSH prepares to send more troops to Iraq, his critics all over the Western world are bringing more protesters onto the streets—and the range of people who are angry enough to fill the icy air with chants of rage seems broader, and in some ways stranger, than ever.
On February 24th, for example, gallery-goers and pigeon-feeders should probably avoid London's Trafalgar Square, on which tens or possibly hundreds of thousands of people will converge from all over Britain, and farther afield, to demand the withdrawal of Western troops from Iraq—and while they are at it, oppose the renewal of Britain's nuclear arsenal. Tourists who do venture near the square will notice the odd sociology of the anti-war movement: the unkempt beards and unisex denims of old-time street fighters rubbing shoulders with the well-trimmed Islamic beards and headscarved ladies.
This leftist-Muslim partnership exists not just on the streets, but in the protest movement's heart. Britain's Stop the War coalition, which has organised more than 15 nationwide protests and hundreds of smaller events, was largely forged by two small, intensely committed bodies—the far-left Socialist Workers Party (SWP) and the Muslim Association of Britain, which is close to the international Muslim Brotherhood. These tiny groups have co-ordinated street protests by up to 1m people.
With its combination of an American-aligned foreign policy and a large, angry Muslim population, Britain is an unusual case among Western countries. But in many other places, too, Muslim grievance has been yoked to a broader anti-capitalist or anti-globalist movement whose leitmotif is loathing of the Bush administration and all its works.
An Italian Marxist involved in the “Social Forum” movement, which organises large, disparate gatherings of groups opposed to the existing world order, puts it this way. Almost everybody in the movement shares the belief that “capitalism and militarism” (both epitomised by America) are the main challenges to human welfare. If political Islam can blunt American triumphalism, then so much the better—even from the viewpoint of those who would never dream of donning a headscarf or upsetting a sexual minority.
At the micro-political level, co-operation between angry Muslims and secular socialists is not always smooth. In Britain, one of the offspring of the anti-war alliance has been the Respect Party, which combines a socialist platform with anti-Americanism and resistance to “Islamophobia”. But if Respect has remained small, that is partly because its core constituents are viewed warily, even within the Islamic-leftist fraternity. Many Muslim activists dislike the “control-freak” tactics they associate with the Brotherhood and its offshoots—and on the political left, the Respect Party has been eschewed by Greens and other radicals because of grandstanding by its SWP core.
And inevitably the partnership between secularists and Muslims faces hard moments. In Britain and the Netherlands, young Muslim activists (perhaps influenced by lefty comrades) have questioned their elders' harsh views on homosexuality—but they do not always win the argument. In the Netherlands, a Turkish-born Islamist, Haci Karacaer, tried to build bridges with the leftists (and gay-rights advocates) of the Dutch Labour party, only to be ostracised by fellow Muslims.
Just as Britain is the heartland of the leftist-Muslim partnership, it is also the main locus of a sharp and trenchant critique of political Islam. At its toughest, the argument of a new school of anti-Islamist leftists—mainly rehearsed on the internet—is that parts of the international left are now making as colossal a mistake as they did over Soviet or Chinese communism. They have let hatred of America and capitalism blind them to darker forces.
Two sorts of people have stressed this point: European ex-Marxists, embarrassed by their errors over Stalin, and dissident ex-Muslims from the Islamic world who have fled to the West and fear their hosts will “go soft” on their persecutors.
Last year's row over the publication in Denmark of cartoons satirising the Prophet Muhammad prompted a manifesto against the “new totalitarianism” of Islamism whose 12 signatories were in one or other of those categories. The five French-based signers included Bernard-Henri Lévy, a smooth Parisian pundit, and Philippe Val, an editor who faces a lawsuit from Muslims over the drawings.
The foundational texts of Britain's “anti-Islamofascist” movement include the Euston manifesto, so called because of the drafting sessions in a bar near a London station. This spoke of a threat from Islamism to causes that leftists hold dear, such as equality between sexes and sexual orientations. It denounces “disgraceful” alliances with “illiberal theocrats”.
Many European leftists see things quite differently, viewing Islamism as a potential ally against the American demon, and this has real consequences. In Italy, for example, the coalition headed by Romano Prodi, the centre-leftist prime minister, is under strain because its most left-wing parties are reluctant to vote more money for the American-led fight against Afghanistan's Taliban. One party, Communist Refoundation, dreams of an Afghan peace conference with the Taliban taking part.
The pundits who discuss these matters in cyberspace roll their eyes at such “appeasement”. Take the chief drafter of the Euston text, Norman Geras, a Manchester-based political scientist who grew up in white-ruled Rhodesia and still calls himself, with qualifications, a Marxist.
By studying the rise of Nazi Germany, Mr Geras says, he realised both the power and the limits of Marxist ideas: they help explain the economic forces that brought Hitler to power, but cannot explain certain “egregious forms of evil”—such as the regime of Saddam Hussein, whose downfall was an absolute imperative.
Nick Cohen, a peppery writer for Britain's centre-left media, has put flesh on the Euston manifesto's bones by listing the sins of the Islamic-leftist compact. Political Islam, he says, is not just a disaster for many causes (like feminism and gay rights) that the left cherishes; it also overturns the Enlightenment idea that diversity of opinion is desirable.
Paul Berman, a professor at New York University, is one of several Americans of liberal background who have joined the British denunciation of Islamofascism. He says the left's refusal to take sides in the internal battles of Muslim countries (between dissidents and oppressors) reflects an “angelic blindness” which mistakes violent reactionaries for charming exotica.
Such words will be shrugged off by those who see America as the main global foe. But there is a new voice in America's internal debate which might, in an odd way, embolden those who want social liberals and centre-leftists to lead the charge against Islamist authoritarianism.
Dinesh d'Souza, an Indian-born writer and hero of America's political right, uses a new book—with the provocative subtitle “The Cultural Left and its Responsibility for 9/11”—to argue that America's “progressives” are not just soft on political Islam, they have positively encouraged it.
By being decadent in its behaviour and thinking, America's liberal elite has given ground to self-appointed foes of decadence, such as the political Islamists, Mr d'Souza says; and he sees an antidote in American-style religious conservatism.
Here's a prediction. Most people on the Western liberal left will shrug off the call by Messrs Geras, Cohen, Berman and Lévy to “wake up” to the threat of Islamism. But Mr d'Souza will appal them so much that some may make a sudden dash for the barricades and join the fight against all theocracy, including the American sort.

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http://www.economist.com/world/international/displayStory.cfm?story_id=8675234&fsrc=nwlbtwfree

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Tuesday, January 30, 2007

C.I.P.D.

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A polêmica demográfica apresenta alguns dados interessantes. Durante décadas o debate ficou dividido entre dois grupos bem definidos: os neomalthusianos que partiam da premissa de Malthus – se é pobre por que se tem muitos filhos, mas se distinguiam deste por que não receitavam a abstinência sexual, apenas técnicas de contracepção; e os anti-malthusianos que partiam de outra premissa – se tem muitos filhos por que se é pobre – receitando como solução a “simples tarefa” de educar e prover emprego para a massa. Receita com objetivo certo, mas geralmente tomada por vias erradas, i.e., através de aumento nos gastos estatais.
Em convenções internacionais, os neo geralmente eram constituídos por delegações de países ricos e os anti pelas de países pobres. Nunca chegavam a um denominador comum e os debates não profícuos se estenderam pelos 70, 80 até o início dos 90. Mas, décadas de sucesso nas políticas anti-natalistas (sem controle compulsório de natalidade ao estilo chinês, mas com simples distribuição de contraceptivos, acompanhada de devida orientação médica) levaram aos anti a aceitar tais técnicas. Ocorre que os neo também passaram a considerar cada vez mais a necessidade de educar quem as utilizaria, i.e., as mulheres, uma vez que até os anos 90, 80% dos analfabetos no mundo era constituído por elas (devido a opressão e discriminação contumazes na África, Ásia e, em menor grau, na Am. Lat.).
Beleza! ...beleza??? Em 1994 foi realizada no Cairo, a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (C.I.P.D.) que agregava pressupostos de ambos grupos numa tentativa sinérgica para a ação. Parecia que o bom senso, finalmente, chegara. Mas, um grupo de delegações canalhas e irresponsáveis se opôs. Advinhem quem? Quem acha que procriar feito coelho é “louvar a obra divina”??? Dou-lhe uma, dou-lhe duas... e... e... o VATICANO, os MUÇULMANOS e a ARGENTINA[*] se opuseram a C.I.P.D.
Quando reclamarem que tem crianças nos semáforos ou esquálidas na Etiópia e Somália, e quiserem encontrar responsáveis, olhem em direção ao Crescente e o Crucifixo.
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[*]A delegação argentina foi orientada pelo governo de Carlos Menem para não se opor ao Vaticano por razões nitidamente eleitoreiras: para não alimentar os críticos conservadores católicos ao governo do presidente argentino de ascendência árabe.
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