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O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Monday, April 21, 2008

E por falar em culturas...


Clicando no link acima, talvez tu te lembres de outro país familiar...

Thursday, December 27, 2007

Não importa a latitude - 2


Tomemos como exemplo nossa vizinha Argentina e o próximo Chile. O país platino é conhecido por suas vastas planícies de solos férteis e encontra-se localizado predominante em latitudes médias. O que, aliás, também ocorre com o vizinho andino, exceto por um território montanhoso na sua maioria e pequenas extensões de terra agricultável. Qual poderia ser, no entanto, a vantagem histórica do Chile sobre a Argentina? Em termos físicos, praticamente nenhuma, mas...

"O Ministro das Finanças nos apresenta, portanto, o balanço estritamente técnico da tentativa chilena de retorno à economia de mercado. É verdade que o Chile obteve alguns resultados dignos de interesse, que podem ser resumidos em uma única estatística: em 1973, por ocasião da queda de Allende, o país dependia, em 90%, de suas exportações de cobre; hoje, o cobre não representa mais do que 45% das vendas externas, graças a uma diversificação notável das pequenas e médias empresas na agricultura e na indústria. Essa reversão dos componentes do comércio exterior é essencial, porque demonstra que é possível superar o handicap fundamental da maior parte das nações do Terceiro Mundo: a dependência externa baseada na monoprodução de matéria-prima com cotação imprevisível.

"Bucchi observa que o Chile não fez mais do que aplicar uma das receitas da teoria liberal: deixar livre o jogo das vantagens comparativas. O país, portanto, voltou radicalmente as costas ao protecionismo recomendado pela CEPAL, reduziu todos os direitos de alfândega a 10%, suprimiu todas as quotas, desvalorizou a moeda e liberou, no mercado interno, todos os preços e salários. Essa terapêutica redundou numa reclassificação profunda das atividades. As indústrias que só prosperavam ao abrigo da concorrência estrangeira foram varridas, enquanto outras emergiram e prosperaram, tirando proveito do custo da mão-de-obra ou dos preços acessíveis dos recursos naturais. Foi dessa forma que as exportações de frutas, madeira e mecânica leve substituíram progressivamente o cobre. Durante esse período, os empregos e os salários tiveram sobressaltos consideráveis, causados em parte por essa política, mas, muito mais ainda pela crise mundial. No total, Bucchi e a maioria dos economistas chilenos consideram que seu país atravessou melhor esses anos que os outros países da América Latina: particularmente, o número de empregos aumentou no Chile, enquanto diminuiu na Bolívia ou na Argentina. O crescimento do Chile se revigorou, enquanto nos países vizinhos foi quase sempre nulo ou negativo."
Guy Sorman, A Nova Riqueza das Nações. Rio de Janeiro: IL: Nórdica, 1987, pp. 24-25. Grifos meus.


Bem... Eu acho que nasci para ser um jogador de rugby, mas não treinei e hoje só jogo pingue-pongue. O ‘determinismo’ não contempla todas as situações, ele depende de opções. “Possibilidades”, como diria Vidal de la Blache, geógrafo francês e grande missivista de Ratzel.

As Ilhas Cayman também “nasceram para balneário” como Cuba, mas optaram por uma especialização do Terciário que é o financeiro. As possibilidades existem, assim como a possibilidade de um decrépito ditador latino-americano fazer da ilha de Cuba seu quintal.

Voltando à “Down Under”, como é carinhosamente chamada a Austrália, a cidade setentrional de Cairns, na província de Queensland fica na latitude próxima da baiana Ilhéus. Se o grau de insolação decorrente desta localização dissesse algo, teríamos grandes similaridades. Mas, como se pode imaginar, isto não ocorre. Os pólos de desenvolvimento mais ao sul, Sydney e Melbourne poderiam ser tão inflados e deslocados em relação a sua periferia quanto São Paulo ou Rio de Janeiro, mas também não é o que se vê.

Ocorre que a federação australiana, diferentemente do caso brasileiro, é uma verdadeira federação. Até mesmo, normas como horário de verão não são decisões federais, e sim dadas pelas suas províncias. Isto é um pequeno exemplo de como uma cidade ou sua província não se sujeita aos mandos centrais postergando seu desenvolvimento. Desenvolvimento este que é, no limite, fruto de decisões políticas.

Se a teoria do desenvolvimento determinada pela localização aqui se fizesse valer, a ilha da Tasmânia na mesma Austrália lograria maior riqueza, coisa que definitivamente não ocorre. Nem alhures, como a localização tropical de Hong Kong que já chegou a deter 1/3 do PIB chinês é um problema.

Na atual conjuntura mundial da globalização, pouco importa ser ‘separado’ de uma região desenvolvida se o comércio for mantido. Basta ver o que era a Espanha antes e depois de se integrar a União Européia. Analogamente, se o Quebec se separasse do Canadá não perderia muito, exceto se juntamente a secessão também adotasse uma política protecionista aos moldes terceiro-mundistas.

A pior região do globo em termos de desenvolvimento social é a África Subsaariana, localizada predominantemente em Zona Intertropical, mas a maior população pobre do globo encontra-se em Zona Temperada Setentrional, como é o caso da multidão de países asiáticos. A própria Índia tem a maioria populacional localizada em latitudes medias. Mais uma vez, a teoria do subdesenvolvimento devido a localização em baixas latitudes é desmentida.

Desertos também podem ser considerados, mas nem eles não mais se constituem em grandes bloqueios ao desenvolvimento, como pode se observar no caso da “ilha de excelência” que é Israel envolta por um “mar de desesperança árabe”.

Não importa a latitude



Durante muito tempo, o prestigioso geógrafo alemão Friedrich Ratzel influenciou o mundo acadêmico com suas idéias. Antes de tudo, nada contra alguém acreditar em determinações físicas entre ambiente e sociedade, mas querer formular uma “teoria geral do desenvolvimento” a partir disto não passa de uma negação da incomensurável adaptabilidade e criatividade capitalistas que produz e sustenta uma comunidade em qualquer ambiente.

Há que distinguir “determinismo” de aspecto favorável que é o que podemos, eventualmente, encontrar em certos territórios. Cuba, por exemplo, pode ser favorável ao turismo, devido aos seus balneários e proximidade do maior mercado consumidor do planeta. Mas, nenhum aspecto ambiental é suficiente para barrar a insânia política como a de Fidel Castro que relegou sua ilha a condição de “cárcere” de toda liberdade de iniciativa e opinião.

Um argumento limitado do passado consistia em definir qualquer área da Zona Intertropical como fadada ao subdesenvolvimento devido ao clima desestimulador e presença de solos frágeis. Mas, uma rápida passada de olhos no mapa-múndi desmente isto. Se fosse verdade, a Austrália nada mais seria do que outra típica “republica das bananas”, pois cerca de 1/3 de seu gigantesco território encontra-se nesta faixa climática. O fato de 66% de o país ser constituído por desertos também não é suficiente para barrar a ascensão aos elevados índices de desenvolvimento humano que ostenta.

A cultura é a chave para entendermos o desenvolvimento.

Friday, May 18, 2007

O caso Wolfowitz: um norte moral para o Brasil



Da AP. (Volto em seguida:)

O presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, vai renunciar ao cargo no final de junho, após o escândalo envolvendo um generoso salário para sua namorada. Sua saída foi anunciada nesta quinta-feira, 17, pela diretoria do Bird.

A renúncia de Wolfowitz fecha um período de dois anos à frente do banco de desenvolvimento, marcado pela controvérsia desde o início, devido ao papel desempenhado por ele na invasão dos EUA no Iraque quando ocupava o cargo de número 2 do Pentágono.

"Ele nos assegurou que agiu eticamente e de boa fé ao fazer o que acreditou que fosse o melhor para os interesses do banco e aceitamos sua justificativa", disse a diretoria ao anunciar a renúncia de Wolfowitz.

Sua saída foi forçada, porém, pelo comitê especial do banco, que o considerou culpado por conflito de interesse e quebra de regras do banco ao negociar a promoção de Shaha Riza em 2005.

A diretoria disse ainda que estava claro que um grande número de pessoas errou ao revisar o salário de Shaha.

Shaha, namorada de Wolfowitz, era funcionária do Banco Mundial e foi transferida para o Departamento de Estado em setembro de 2005, pouco depois de ele assumir a presidência do Bird.

Nessa transição, Shaha ganhou um aumento salarial de US$ 61 mil (mais de 40%), a pedido de Wolfowitz. O salário dela foi para US$ 193.590 líquidos por ano e ela passou a ganhar mais do que a secretária de Estado Condoleezza Rice, que recebe US$ 183.500 brutos por ano.

Wolfowitz, que lutou contra a pressão por sua renúncia durante semanas, disse em comunicado que ficou grato pelo fato de que a diretoria "aceitou minha afirmação de que agi eticamente e de boa fé ao fazer o que acreditei que fosse o melhor para os interesses do banco, incluindo proteger os direitos de um membro da equipe".

Agora, disse ele, era melhor para o banco que sua missão fosse "levada em frente sob nova liderança".


Voltei

É, meninos, esses puritanos... Imaginem se políticos, autoridades ou dirigentes de estatais no Brasil perdessem o mandato ou o poder por beneficiar suas e seus amantes. Talvez a República não parasse de pé, hehe. Vocês sabem: por aqui, somos sofisticados. Deixamos para os países do chamado Primeiro Mundo e para aqueles americanos atrasados esse negócio de misturar vida privada com vida pública. Reparem: há quase (quase) um lado admirável em Wolfowitz: era amante fiel (até cuidou de promovê-la) de mulher feia — sim, e ela, de homem feio. Chega a ser quase comovente.

Em Banânia, as coisas são diferentes. Por aqui, os políticos sérios surpreendidos em prédios que servem a um misto de lupanar e lobby — os mais espertos não têm amantes fixas; isso é coisa de americano puritano... — fazem o quê? Ora, escrevem livros exaltando a própria biografia, dando conselhos “ao Brasil”. Tornam-se uma referência do debate. E Wolfowitz? Esqueçam. Está acabado. Não apitará nunca mais nada. Cai do topo para o esquecimento.

Mais: vejam a quase ingenuidade do falcão republicano em matéria de dinheiro. A sua namorada mocréia, com todos os benefícios do amante superpoderoso (e, notem bem, ela trabalhava), passou a ganhar US$ 193.590 por ano — ou US$ 16.132,50 por mês (mais ou menos R$ 32 mil). O quê? R$ 32 mil Por esse valor, alguns chefões de estatais brasileiras não dão nem “Bom dia!”. Condoleezza Rice, talvez a mulher mais importante do mundo, ganha, brutos, US$ 183.500. Deve olhar cheia de inveja para o salário dos diretores da Petrobras...

Esses gringos não sabem de nada. Não sabem, por exemplo, que Marcos Valério, na CPI do Mensalão, indagado sobre uma das safadezas da turma, respondeu: “Era mixaria, deputado, coisa de R$ 4 milhões”. Ops! Mais de US$ 2 milhões. Dava para pagar 10 anos do salário da feiosa, que virou um escândalo internacional. Vejam aí: só a navalhada no eixo Maranhão- Alagoas chega a R$ 31 milhões.

É isso aí. Eles são quem são porque punem os seus faltosos. E o Brasil é o que é porque elege e reelege os seus.

por A.B.