interceptor

Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Tuesday, June 22, 2010

Resposta ao Vazamento de Óleo no Golfo do México


Que coisa! Se o vazamento fosse num país do 3º mundo aqueles arrogantes do Hemisfério Norte, certamente já teriam invadido e anexado o pobre diabo pelo "bem da humanidade"!

Ou melhor:

Que coisa! Com o vazamento numa empresa estrangeira, a BP aqueles arrogantes do Hemisfério Norte, certamente já deveriam tê-la "nacionalizado" e aplicado sanções econômicas contra o pobre diabo do país-sede pelo "bem da humanidade"!







Na verdade, a mentalidade tupiniquim já grassou por aquelas bandas com uma medida populista:




Obama disse ainda que não suspenderá a moratória de seis meses para perfurações petroleiras offshore até que sejam esclarecidas as causas do vazamento no Golfo do México.
Obama mantém moratória a exploração offshore até esclarecer tragédia no Golfo




Mas, "aqueles arrogantes do Hemisfério Norte" insistem em respeitar o direito de propriedade alheio não nivelando por baixo mesmo empresas que não tenham provocado dano nenhum:

O juiz americano Martin Feldman anulou nesta terça-feira a moratória de seis meses para a prospecção de petróleo no Golfo do México, ao mesmo tempo em que a Casa Branca anunciou que irá apelar da decisão.

(...)

"A corte entendeu que os pleiteantes tiveram sucesso ao mostrar que a decisão da agência foi arbitrária e voluntariosa", disse Feldman na sentença.
Justiça americana anula moratória de prospecção de petróleo no Golfo


Thursday, December 10, 2009

Guerra e Petróleo



Edward Luttwak se destaca entre os analistas de defesa por duas peculiaridades. Uma é a sua vivência prática em operativos militares e ações de inteligência no terreno, das quais participa até hoje, aos 63 anos. A outra é o teor politicamente incorreto de suas opiniões, destoante dos consensos em círculos intelectuais.


Numa de suas palestras na Escola de Guerra Naval, um analista da Petrobrás lhe perguntou sobre o papel das companhias de petróleo americanas na decisão de invadir o Iraque. “A visão de que as empresas de petróleo mandam no governo dos EUA é um mito”, descartou Luttwak. “A invasão do Iraque é prova disso.” Segundo ele, executivos do setor pediram ao ex-presidente George H. Bush, pai do atual, com vínculos estreitos com a indústria do petróleo no Texas, que intercedesse para que o filho desistisse da invasão, já que isso só desestabilizaria o Iraque e atrapalharia os negócios. 


“Desde 1948 as companhias de petróleo têm feito lobby para que os EUA não dêem nenhum apoio a Israel, porque isso fere os seus negócios”, recapitulou Luttwak. “Os EUA têm oscilado entre apoio passivo e muito ativo, mas sempre deram apoio.” 


Durante a escalada, em 2003, Luttwak escreveu um memorando contra a invasão do Iraque, e o entregou a Condoleezza Rice, então chefe do Conselho de Segurança Nacional. “Foi a primeira vez que me opus a uma guerra em 14 anos.” Ela respondeu que tinha recebido outro igual do Estado-Maior das Forças Armadas. Ignorou ambos. “A única coisa que vejo de bom no Iraque é que Saddam está com saúde, em boa forma, desempregado e pronto para o cargo, caso alguém precise de governo no Iraque”, ironiza Luttwak, que diz ter sido acusado até de racismo por não crer em democracia no Iraque. 


Numa de suas formulações politicamente incorretas, Luttwak observou que “nenhuma potência quer dar jeito na Somália”, um país entregue à anarquia, e perguntou: “Onde estão os colonialistas quando se precisa deles?” Para ele, a Somália está precisando ser administrada por uma potência colonial. “Não por muito tempo, só uns 150 anos.” Luttwak andou por lá: “Não é um lugar muito legal.”


Há uma semana, Luttwak conta que estava na Indonésia, numa operação antipirataria. O Maritime Security Bureau, uma associação privada de companhias de seguro e de navegação, encomendou-lhe um plano de combate às ações dos piratas no Sul da Ásia e Oceania. Ele sugeriu navegar o arquipélago indonésio num iate luxuoso, para atrair e surpreender os piratas.


Um funcionário do Ministério da Defesa da Malásia perguntou quem ia querer estar a bordo para servir de isca de piratas. “Eu vou”, respondeu Luttwak. “Quando os piratas atacavam, nós os prendíamos. Tínhamos metralhadoras camufladas. Em dois casos, tivemos de afundar os barcos.Mas o melhor mesmo eram as três policiais australianas de biquíni no deck. Foi muito divertido.”
Para consultor, lobby do petróleo foi contra invasão



Tuesday, December 23, 2008

Ao vencedor, as batatas



Sem abrir licitação, o Iraque deverá fechar contratos para a exploração de petróleo com quatro empresas internacionais, a americana Exxon Mobil, a anglo-holandesa Shell, a francesa Total e a britânica BP.
O "New York Times", que traz a informação, nota que esses quatro gigantes do setor
energético eram os sócios originais da Iraq Petroleum Company, estatizada há 36 anos pela ditadura de Saddam Hussein.
Os contratos, que deverão ser anunciados no próximo dia 30, foram o resultado de cartas-convites do Ministério do Petróleo, cujos responsáveis as quatro empresas assessoram há dois anos, fornecendo gratuitamente treinamento técnico. Foi por essa razão que se dispensou o procedimento de concorrência pública.
Não está clara a motivação que levou o Iraque a excluir 42 outras companhias petrolíferas, entre elas as gigantes da China, índia e Rússia, empenhadas em tarefas semelhantes. O Iraque possui cerca de 80 campos petrolíferos e com eles obtém 89% de suas receitas.
Segundo a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), em 1989, antes que passasse a vigorar o embargo comercial contra o regime de Saddam, o Iraque exportava 2,9 milhões de barris diários, mesmo volume que o Irã e atrás, dentro do cartel, apenas da Arábia Saudita. No ano passado, o país informou estar produzindo 2 milhões de barris ao dia, pretendendo voltar ao patamar de 2,9 milhões em 2010. Há dois anos, últimos dados divulgados, a receita iraquiana foi de US$ 28,8 bilhões.

Aumento da produção
Informantes iraquianos citados pelo "New York Times" dizem que as quatro empresas contratadas permitirão a produção, ao dia, de ao menos 500 mil barris suplementares.
Os contratos com as quatro grandes empresas não esperaram pela aprovação da Lei do Petróleo, hoje emperrada no Parlamento iraquiano. As divergências estão em torno da definição de critérios para distribuir a renda do petróleo pelos governos
regionais.
Os xiitas, ao sul, e os curdos, ao norte, têm a maioria significativa das reservas, deixando desprotegidos os sunitas, que formavam a elite civil e militar do regime deposto pelos Estados Unidos em 2003. As quatro companhias obterão os chamados "no-bid contracts", ou contratos sem licitação, que os governos em geral assinam com empresas que são as únicas capacitadas a fornecer certo tipo de produto ou serviços. Não é o caso das quatro petrolíferas favorecidas.
Elas não terão a concessão a longo prazo para a exploração das reservas. Serão contratadas por dois anos como prestadoras de serviço. A renda do óleo extraído será do governo. Mas os quatro grupos, pelos investimentos a serem feitos, estarão em condições privilegiadas no momento em que a Lei do Petróleo, quando aprovada, fixar as normas de concorrência.
Comentando a informação, o blogueiro Daniel Altman, especialista em globalização, notou a falta de critérios para que fossem escolhidas essas empresas. Mas ele também diz que, mesmo por um período relativamente curto, o equipamento a ser investido precisará de proteção. Foi por não consegui-la que a Shell abandonou um campo de 200 mil barris ao dia que explorava na Nigéria.

Iraque distribui sem concorrência licença de petróleo
Data: 20/06/2008 - Fonte: Folha de SP


Qual deveria ser o procedimento de contratação de empresa petrolífera se não havia lei para licitação? Ou havia tal lei?

Se as companhias formavam um consórcio, cuja estatização (roubo) ocorreu no governo de Saddam, não é justo (do ponto de vista de quem ganhou a guerra) que recebam uma forma de ressarcimento ou indenização por danos sofridos pelo governo que caiu?

China, Índia e Rússia apoiaram a guerra ao Iraque? Se não, não têm do que chiar. A guerra tem custos. Assim como qualquer negócio, a guerra tem custos necessários se alguém acha que pode lucrar com ela. Só o que falta é abrir as portas para quem, justo, criticou a coalizão que fez tudo sozinha. Só o que falta é legitimar “caronas” como chineses, indianos e russos.

Se a matéria pretendeu criticar o embargo, comete um rotundo equívoco. O embargo (governo Clinton) foi adotado como medida paliativa para pressionar o governo de Saddam ao invés de uma ação mais enérgica. Tem que se decidir, ou a guerra ou o embargo e este não estava sendo eficaz devido ao programa da ONU – Óleo por Comida – que permitia o contrabando pela fronteira jordaniana.

Se os governos regionais estão divergindo, ao ponto de emperrar a aprovação da lei, as empresas têm que fazer algo mesmo: do contrário, a economia iraquiana padece.

Sim, os curdos e os xiitas detêm maiores reservas, mas, a reportagem erra, pois os sunitas também têm (embora menos) e não é pouco:



Veja vários campos “em produção” (azuis) no centro do país, a área sunita.

Isto, no entanto, é muitíssimo mais justo que a situação pretérita, na qual os lucros apenas iam para os sunitas, etnia de Saddam. Curdos e xiitas eram freqüentes alvos de limpeza étnica.

Como as companhias citadas sem capacidade de prestar certos serviços ou produtos (não citados, apenas aventados... imaginariamente na reportagem) estariam em condições vantajosas com a promulgação de uma lei de concorrência se a própria matéria diz que as empresas citadas não se enquadram dentro da situação de prestadoras capacitadas? Se uma futura lei for aprovada, como executarão os serviços (não descritos)? Algo não fecha e a matéria não explica, apenas acusa.

Como uma reportagem tão fraca da Falha de São Paulo com opinião de um “blogueiro (sic) especialista em globalização” pode ter coerência em acusar privilégios corporativos de empresas incapazes de garantir a segurança (caso da Shell), enquanto que esta mesma segurança é feita diretamente pelo Exército dos EUA?!

Os documentos do Deptº de Defesa dos EUA[1] descrevem as operações, inclusive os dispositivos de segurança, que já estão garantidos.



[1] Em http://www.mnf-iraq.com/images/CGs_Messages/strategic_framework_agreement.pdf , Seção I: Princípios de Cooperação; Seção V: Cooperação Econômica e Energética; Seção VI: Cooperação Ambiental e de Saúde; dentre outros.
Em
http://www.mnf-iraq.com/images/CGs_Messages/security_agreement.pdf , Artigo 5: Propriedade Comum; Artigo 6: Acordos sobre Instalações e Áreas; Artigo 8: Proteção Ambiental; Artigo 12: Jurisdição; Artigo 15: Importação e Exportação; Artigo 16: Taxas; Artigo 17: Licenças ou Autorizações; Artigo 20: Moeda e Câmbio; Artigo 30: Período de Efetividade do Acordo; dentre outros.

Monday, November 17, 2008

"Tudo que é líquido desmancha no ar..."


Parece-me uma frase mais adequada aos dias de hoje:
Petróleo fecha em queda e perdas chegam a 62% desde
recorde
O preço do petróleo cru recuou 3,7% nesta segunda-feira, até US$ 55,00 por barril, seu menor nível em 22 meses, entre expectativas de uma redução da demanda pela matéria-prima e após ser divulgado que o Japão entrou em recessão.
Os contratos futuros do petróleo cru com vencimento em dezembro fecharam em baixa de US$ 2,09 na Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York), até US$ 54,95 por barril (159 litros). O petróleo do Texas já está US$ 92,32 mais barato (62,68%) que em 11 de julho, quando alcançou um preço recorde de US$ 147,27 por barril. O preço dos contratos de gasolina para entrega em dezembro caiu US$ 0,04 o galão (3,78 litros), até US$ 1,17, enquanto o do combustível para calefação diminuiu US$ 0,04, até US$ 1,79 por galão. Por outro lado, o gás natural para entrega em dezembro terminou o pregão a US$ 6,53 por mil pés cúbicos, US$ 0,22 mais caro que no fechamento de sexta-feira. O petróleo cru fechou pelo segundo dia consecutivo em baixa depois que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) reduziu, pela sexta vez seguida, sua previsão sobre o crescimento da demanda mundial de petróleo em 2008 e 2009 devido ao efeito da crise financeira e econômica e o situou em 0,33% e 0,57%, respectivamente.
http://www.videversus.com.br/index.asp?SECAO=98&SUBSECAO=0&EDITORIA=10906

Thursday, October 16, 2008

Mar Cáspio

Observemos o mapa abaixo: o grande mar interior apresenta-se dividido entre Rússia, Cazaquistão, Azerbaidjão, Turcomenistão e Irã. A princípio, esta imensa área, considerada como a 2a maior reserva petrolífera mundial (após o Golfo Pérsico) é ladeada apenas pela Rússia e suas ex-repúblicas soviéticas, a exceção do Irã, um grande opositor da política externa americana. Tem tudo, aparentemente, para se tornar uma hinterlãndia de um bloco oriental anti-Otan que aumentaria ainda mais o monopólio de petróleo nas mãos do principal produtor regional, a Rússia que também conta com investimentos na maioria dos países da região.
Mas, não é bem assim...


Observando o segundo mapa vemos os acordos de exploração comercial (alguns em curso, outros somente em projeto) que visam, inclusive, garantir a exploração de hidrocarbonetos apontam noutro sentido.

Assim como a maior linha de transmissão encontra-se estendida da Ásia Central a Rússia ligando o Turcomenistão e Uzbequistão passando pelo Cazaquistão (em vermelho), temos um oleoduto alternativo (em verde) projetado de encomenda ao ocidente (em construção pela Inglaterra) que passará pelo Azerbaidjão, Geórgia (daí o real motivo do ataque russo) e Turquia, tradicional rival russa. E vejamos ainda que as ameaças assinaladas partem do Irã e seu presidente populista - Ahmadinejad -, do Tadjiquistão (também persa como o Irã) e do Afeganistão, onde a Al Qaeda parece ressurgir a partir de novas células talebãs.

Realmente, para assegurar os investimentos e fornecimento de petróleo da região, a Otan e o novo presidente americano terão que intensificar seus esforços no curto e médio prazos. No longo deverão diversificar sua matriz energética, o que não é um bom presságio para estes exportadores-dependentes de petróleo que poderão, mais dia menos dia ver o Sol se por sobre seu deserto mono-produtor.


Sunday, September 07, 2008

Dilema - 1

O Irã vive tensões internas entre a teocracia e o governo civil. Há um desejo paradoxal de modernização sem a ameaça de perda com seu vínculo religioso. Neste sentido, é que é possível entender o apoio interno a Ahmadinejad. É não é de duvidar que os aiatolás o vejam como um inconveniente necessário.

E
Os produtores de petróleo, como A. Saudita, Kuwait, EAU etc. se sentem ameaçados pelo Irã. O problema é que, se por um lado o Irã os ameaça, por outro, esta instabilidade diplomática joga o preço do barril de petróleo para cima (tal qual 1972). E os EUA estão na ambígua posição de defender aliados, mas ser contra interesses imediatos destes.
Este é o dilema. Ahmadinejad é só uma pedra daquelas que ficam no meio do caminho. Chutá-la é fácil, difícil é saber para onde jogá-la.

Friday, June 20, 2008

Imigração vs. Petróleo


O bufão venezuelano blefa.

Contra as novas leis anti-imigratórias recentemente adotadas pela U.E. – retenção de ilegais por até 18 meses e imposição de um período de até 5 anos para sua reentrada –, Hugo Chávez ameaça cortar investimentos europeus na “pátria bolivariana” e suas exportações de petróleo ao continente.
Pura balela!

Somente 1,7% do petróleo importado pela U.E. correspondem ao venezuelano e, na outra ponta, só 5,6% das exportações venezuelanas vão para a união. Só que diferentemente dos líderes europeus, Chávez não pode dispensar um centavo dos proventos que destina aos seus programas sociais populistas.

O caudilho já tentou o mesmo contra os EUA, por pura retórica claro, pois este país importa muitíssimo mais... Só que o petróleo bruto venezuelano é tão pesado e ácido que não é fácil encontrar quem o compre. Somente aqueles que detêm tecnologia para refiná-lo.

Portanto, Chávez só faz propaganda nacionalista. Não tem este poder que arrota.

Saturday, June 14, 2008

A paz que vem do subsolo





A Conferencia Inter-religiosa na Arábia Saudita, dia 4 mostrou quão dividido é o mundo islâmico atual. Acusações dos xiitas do Irã e Hezbollah contra os sunitas de “fingirem hostilidade aos EUA” estão entre algumas de suas manifestações. Pois, há que considerar que a rivalidade entre sunitas e xiitas força os primeiros a um alinhamento com os EUA – através da possibilidade de defesa militar mesmo – contra a centralização e força dos segundos no governo iraniano. Internamente, os lideres religiosos sunitas na Arábia Saudita consideram a al-Qaeda uma ameaça nem tanto por razoes teológicas, mas pelo “internacionalismo” do agrupamento religioso que põe em cheque a estabilidade regional dessas lideranças. No meio disto tudo, o dinheiro saudita é o meio de comprar a união religiosa entre os conservadores sunitas, o que faz com que se reduza sua oposição ao “ecumenismo islâmico” de Riyadh. Um complicador adicional reside no Irã que não tem se beneficiado da alta do petróleo como os sauditas restando aos aiatolás o reforço ao financiamento de atividades xiitas no Líbano e da insuflação do Hezbollah.

Se há temor de uma guerra também há o desejo de que a situação favorável do petróleo dure com os US$ 130,00 por barril. Os sauditas sabem que isto não é permanente, só não sabem por quanto tempo ficarão lucrando assim. Se a situação de tensão com o Irã parece insustentável para manter tamanha lucratividade, as tensões têm que ser urgentemente afastadas, nem que seja com uma retórica diplomática religiosa unionista.

O aparente paradoxo dos sauditas reside na manutenção de seu alinhamento defensivo com os EUA ao mesmo tempo em que promovem uma união islâmica. A política saudita parece, portanto, ambígua. Internamente, buscam acalmar os ânimos conservadores antixiitas e contrários ao líder religioso Rafsanjani do Irã e, externamente, apóiam os grupos opositores do Hezbollah. Enquanto o Irã não desafiar os interesses de Riyadh com os lucros do petróleo, o que levaria a acionar o “gatilho yankee”, pode se deixar o país dos aiatolás em “banho-maria”.

Entre os planos de pacificação da região estão o envio de recursos à Síria e ao Líbano. Juntamente, com a Turquia, a Arábia Saudita busca uma estabilidade regional. Os sauditas também encorajam acordos entre israelenses e palestinos – o que pode, indiretamente, favorecer Damasco –, assim como há suspeitas de que estejam exercendo pressão sobre o Hamas. Não há nenhum interesse saudita no desequilíbrio e instabilidade entre Síria e Hezbollah com Israel.

Mas, sua estratégia pacificadora não reside apenas na manutenção de forças estabelecidas: cabe evitar ou eliminar que outras surjam... Os sauditas não querem ver o aumento de poder xiita no Iraque e marginalização dos sunitas no país. Assim como também não é bem vindo, o aumento da hegemonia da al-Qaeda entre os iraquianos. A partir de 2003 com exceção da região curda, o Iraque perdeu muito dinheiro devido à redução da exploração petrolífera e neste ponto é que entra a influencia e apoio saudita. Este súbito interesse pacificador saudita para assegurar a estabilidade regional implica em um reposicionamento em relação à política externa americana, o controle dos seus conservadores religiosos sunitas e uma relação de dissuasão com os xiitas iranianos.

Neste contexto de “diálogo inter-religioso”, cujos interesses por certo não são teológicos, é que tem que se entender a visita do presidente egípcio, Hosni Mubarak a Arábia Saudita na semana que passou. E não é de hoje que o Hamas tem no Sinai uma base de operações logísticas para ataques a Israel... Recentemente, dois egípcios, dois palestinos e um beduíno foram presos por carregarem artefatos militares pelo deserto e, após ser encontrado um esconderijo de mísseis terra-ar no Sinai, Mubarak sinalizou com seu interesse nos acordos de paz entre israelenses e palestinos. Cabe a ele evitar que o radicalismo do Hamas não se estenda ao Egito e permaneça retido na Faixa de Gaza. Com certeza, egípcios e sauditas têm muito a discutir.

Não se trata de um novo alvorecer no Oriente Médio, mas se as negociações de paz através do dialogo inter-religioso não tem suficiente poder, o óleo sim. Se uma paz duradoura e desejável não é possível, ao menos uma maior estabilidade pode durar tanto quanto verter o dinheiro do subsolo.

Monday, January 14, 2008

Bush e o Oriente Médio - 2


Esses iranianos são uns estúpidos, mesmo. Com sua ameaça barata no estreito deram um presente a George Walker Bush. A união dos árabes aliados contra os persas ganhou um reforço e tanto. Eu não sabia das versões alegadas, de que a ameaça explícita pelos iranianos veio depois da receptação de um comunicado entre eles aventando um ataque. Tem coisa mal contada aí...
Mas, de qualquer forma, ótimo! Também fica difícil crer que se os barcos iranianos apenas se comunicavam, não iriam querer "dar o seu recado". E se havia a intenção de provocar uma espécie de "ameaça", em que pese a marinha americana chamar isto de "operação disciplinada", me parece mais coisa de moleque. Qual o sentido da ameaça se a mesma não se consumou? E também soa estranho a inexistência de uma "resposta", dado o incidente com o USS Cole no Iêmen.
Só mesmo, se os barcos iranianos não estavam tão próximos assim. Impressionante também é a afirmação do despreparo da frota americana em simulação já feita. Com um cenário destes, parece que torcem para a concretização de um incidente como pretexto para uma forte retaliação. De qualquer forma, a viagem de Bush à região, com intento de orquestrar uma coalizão árabe anti-iraniana parece estar indo de vento em popa. Ainda mais se levarmos em conta que o maior temor árabe era menos com o programa nuclear iraniano do que com um ataque americano ao Irã.
E se entendi bem, um possível bloqueio em Ormuz devido a um ataque ao Irã prejudicaria os exportadores, apesar do encarecimento do óleo. Assim fica claro que o maior objetivo de defesa americano não é Israel, mas a Arábia Saudita. Parece que um recado foi dado, não só para Teerã, mas para todos árabes: não precisa que um porta-aviões da classe Nimitz seja afundado, basta um bloqueio no estreito para que a guerra comece. Um bloqueio para elevação do preço do barril já é suficientemente malvisto e serve como motivo.

Com a mudança do eixo estratégico da aliança EUA-Israel para EUA-exportadores árabes, a coalizão anti-iraniana ganha força e pretexto para um ataque. Da ameaça nuclear iraniana se parte para a defesa algo mais tangível e tático, o fornecimento de petróleo. Bush ganha pontos.
Cf.: The Strait of Hormuz Incident and U.S. Strategy,

Sunday, December 16, 2007

Estratégia contra os curdos

Segundo a BBC, os turcos atacaram os curdos do PKK (Partido Trabalhista Curdo) no norte do Iraque com o apoio dos EUA. A questão que me chama a atenção é que o Curdistão também tem o apoio dos EUA, bem como de outro países como o Canadá para a exploração de petróleo. Do que se deduz então, que o ataque aos curdos em questão favorece outros, provavelmente de partidos rivais. Ainda mais se levarmos em consideração que o PKK é um partido com idéias socialistas, a opção por outras vertentes fica mais fácil de entender.


Mas, para além das ideologias, há que se considerar que o PKK desestabilizava a fronteira norte do Iraque, ao adotar uma política claramente sececcionista no território turco (os curdos na região também se espalham pela Turquia). O norte do Iraque que é ocupado pelas forças americanas também se constitui numa de suas poucas áreas de maior estabilidade, bem como o fato de que a Turquia é aliada da OTAN. Neste sentido, apoiar a Turquia numa ação menor e mais rápida significa também dissipar o temor de um ataque maciço que poderia unir curdos contra invasores por terra. E, conseqüentemente, favorecer conflitos em cascata com sunitas ao sul, ansiosos por meter a mão no óleo dos curdos.


Portanto, nunca é demais lembrar que o que acontece naqueles pagos pode prescindir dos efeitos de uma guerra religiosa, como aventam analistas dominados pela idéia de 'guerras santas'. Se ao grosso da população esta idéia pode parecer sedutora, seus generais têm ambições menos etéreas e muito mais estratégicas.

Wednesday, November 21, 2007

Tupi


All this and oil too
The Economist


God may indeed be Brazilian after all

WHEN Francisco Suares, a Portuguese explorer, wrote home to his brother in Lisbon about Brazil's natural bounty in 1596, he declared himself "ashamed to write it, fearing that I shall not be believed." And so it remains today. Brazil's forests are bigger than anywhere else's. Its soil is so fertile that some trees grow to full maturity quicker than people do. Beneath the soil lie huge mineral deposits that are raw material for China's double-digit growth. Brazil is already on its way to becoming an alternative-energy superpower. And as if to prove a popular saying that "God is Brazilian", it now seems that there are billions more barrels of oil than previously thought lying beneath deep waters off the country's coastline.



Just how many billions is unclear, but Petrobras, Brazil's state-controlled oil company, announced earlier this month that it reckons the Tupi oilfield contains between 5 billion and 8 billion barrels. That may not quite yet put Brazil in the same league as Venezuela and Saudi Arabia, as Dilma Rousseff, President Luiz Inácio Lula da Silva's chief of staff who also chairs Petrobras's board, excitedly proclaimed. But the higher estimate would make the Tupi field alone equal to all of Norway's reserves. It contains light crude, which is less expensive to refine and therefore worth more. And there may be other big deposits to be found nearby.

José Sergio Gabrielli, Petrobras's chief executive, refuses to speculate about how big an oil power Brazil might become. But he does concede that there is the potential for many more discoveries on the scale of Tupi—which itself is the world's second-biggest strike in 20 years, after Kazakhstan's 12 billion-barrel Kashagan field, discovered in 2000.



Most of Brazil's oil comes from the Campos basin, in the waters off Rio de Janeiro. It is typically found at depths of 1,000-2,000 metres below the seabed. Below that lies a huge layer of salt, at some points more than a mile thick. This stretches both north and south to the hitherto less prolific basins of Espirito Santo and Santos. It is below the salt, in the Santos basin, that Petrobras discovered Tupi. The company has also found "sub-salt" oil in Espirito Santo, although it has not yet assessed the scale of this. Mr Gabrielli believes that the two basins have yielded relatively little oil to date not because it is not there, but because it lies deeper underground, below the salt.

Tupi's oil will be hard to extract. Petrobras is a world leader in deep-water oil production, but Tupi is farther down than any of its existing fields. Drilling through the salt layer and the hard rock beneath brings further technical difficulties. The first test-well alone cost $240m. Moreover, there is a shortage of skilled labour and equipment throughout the oil industry at the moment—although Mr Gabrielli says Petrobras can transfer staff and resources from other projects if necessary.



Despite these caveats, it is reasonable to assume that Brazil's economy and currency will get a boost when the oil starts flowing, it is hoped, in 2010. The discovery might also tip the balance of power in South America further in Brazil's favour. Already self-sufficient in oil, Brazil is now likely to become a significant exporter. That may reduce the clout of Venezuela's oil-rich president, Hugo Chávez, in the region. As if to underline this, Petrobras announced on November 13th that it was pulling out of a joint venture in Venezuela.

Brazil's drive towards oil self-sufficiency follows the opening up of the industry to foreign investment in the 1990s, when the government also floated some 40% of Petrobras's shares on the stockmarket. Britain's BG Group has a 25% stake in the Tupi field, and Portugal's Galp Energia holds 10%.



The government followed up the announcement of the Tupi field by withdrawing neighbouring blocks from an auction of exploration rights due later this month. That might signal rising petro-nationalism. But it also looked prudent, since those blocks may be worth much more as more becomes known about Tupi.

Amid the euphoria, which included an instant leap of 26% in Petrobras's share price, came suspicion about the timing of the announcement. Less than a week after it was made, the company announced a poor set of results, with operating profit down 22% compared with the same quarter last year.



Petrobras has also faced mounting difficulties in supplying natural gas to thermal power plants, especially since its fields in Bolivia were quasi-nationalised last year. Some see the Tupi announcement as an attempt to distract attention from this. "It is like throwing a second ball onto a football pitch when the game is going against you," says Alexandre Marinis of Mosaico, a political consultancy.

Electricity rationing under the previous government in 2001-2 helped Lula to win office. One solution now would be to raise the price of gas, but officials are worried that this would feed into inflation, and jeopardise the scope for further cuts in interest rates. Mario Pereira, an energy consultant, reckons that the risk of electricity shortages should wane after 2008, if Petrobras completes a planned liquefied natural-gas terminal on time.



That may be a big if. Lula and Ms Rousseff, a former Trotskyist who is sometimes touted as a potential presidential candidate for the ruling Workers' Party, were keen to associate the government with Petrobras's strike. But the oil may not start flowing until after the next presidential election in 2010. Energy may be an electoral headache rather than a boon for the government, if not for the country.

Source: The Economist

[Para uma tradução rápida, clique aqui.]






Revista Veja
O governo anuncia que a Petrobras achou muito petróleo à profundidade de quase um Everest abaixo da superfície
Ronaldo França



Geraldo Falcão/divulgação


Plataforma de exploração: nova área pode conter mais da metade das reservas do país


VEJA TAMBÉM
Exclusivo on-line• Em profundidade: Petróleo



Com o petróleo custando quase 100 dólares o barril, a busca pelo combustível fóssil está levando as empresas a abrir fronteiras antes apenas sonhadas. Uma delas é o Ártico, cujas reservas estão mapeadas e até assinaladas com bandeiras por países cobiçosos das riquezas de suas entranhas geladas. Na semana passada, o mundo soube que a Petrobras conseguiu extrair petróleo de uma profundidade de 7.000 metros, algo tão descomunal que equivaleria quase ao Monte Everest abaixo da linha d'água – e em mar alto. A empresa petrolífera brasileira foi a primeira a dominar a tecnologia de prospecção em profundidade – 2.000 metros – e agora caminha para ser líder mundial também em superprofundidade arrancando petróleo de depósitos lacrados a sete chaves pela natureza. "Existem poucos lugares no mundo em que se consegue extrair petróleo de águas profundas. O Brasil é um deles e, por isso, tem sorte. Como só a Petrobras desenvolveu a competência para extrair desse tipo de reserva, os brasileiros merecem colher os benefícios disso", disse o geólogo Colin J. Campbell, Ph.D. da Universidade de Oxford e um dos maiores especialistas em petróleo do mundo, ao repórter Victor De Martino, de VEJA.


O que brotou das profundezas, por enquanto, são amostras de petróleo de alta qualidade vindas de poços de teste de uma área de prospecção conhecida como Tupi, localizada a 180 quilômetros da costa perto da Bacia de Santos, no litoral paulista. Mas para os experimentados geólogos da Petrobras é indício suficiente para comemorar. "Essa descoberta muda o país de patamar no mercado internacional. Provavelmente teremos de reavaliar e até ampliar nosso plano de investimentos", diz Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras. Para chegar ao petróleo, as sondas da empresa furaram enormes camadas de rocha e atravessaram uma gigantesca barreira subterrânea formada de sal. Por isso se diz que o óleo foi achado no pré-sal. As pesquisas na região continuam e, dentro de dois anos, será conhecida a real extensão dos depósitos. Depois disso, serão necessários mais quatro anos para que o petróleo pré-sal brasileiro possa ser bombeado em volume comercial a um custo competitivo. Isso é um ponto vital. Mesmo com o barril a 100 dólares, será preciso ainda muito aprimoramento tecnológico para extraí-lo de 7.000 metros de modo competitivo. Quando a profundidade de exploração duplica, por exemplo, de 2.000 para 4.000 metros, o custo da operação triplica. Mas os especialistas são unânimes em dizer que, ainda assim, vale muito a pena. O primeiro poço dessa profundidade custou à Petrobras 240 milhões de dólares e levou um ano para ser concluído. O custo caiu para 60 milhões e o prazo de conclusão para dois meses. Podem cair mais. Além disso, os custos são rateados com as sócias da Petrobras naquela área, a inglesa BG Group (25%) e a portuguesa Galp Energia (10%).


Jamil Bittar/Reuters


Plataforma de exploração: nova área pode conter mais da metade das reservas do país



A área de Tupi abrigaria reservas de 5 bilhões a 8 bilhões de barris de petróleo. Isso mudaria a posição do Brasil no mercado mundial de importador a exportador. Parece um volume estrondoso. Mas o mundo é sedento por petróleo, e ao ritmo atual de consumo global de 86 milhões de barris por dia toda a reserva de Tupi seria consumida em apenas três meses. A grande aposta de todos é que exista petróleo naquela rocha abaixo da camada de sal não apenas em Tupi, mas em toda a região que vai da costa de Santa Catarina à costa do Espírito Santo. Se Tupi for apenas uma amostra das riquezas dessa enorme região, então haverá motivos para o otimismo típico e legítimo que domina os governantes quando se encontra petróleo – mesmo que seja o mais pálido sinal dele. "Modificamos o paradigma geológico do país. É uma descoberta que terá importância para todas as gerações do Brasil", disse a ministra Dilma Rousseff.


Mas pode-se tomar o todo pela parte? Se tem petróleo fino brotando dos poços na área de Tupi, haverá em toda aquela região? É uma aposta. Nesse cenário positivo, a região estaria produzindo daqui a seis ou sete anos mais de 70 bilhões de barris. Isso levaria o Brasil da 24ª posição entre os países produtores para o nono lugar, à frente da Nigéria e dos Estados Unidos. É preciso ir devagar com o andor. A história mostra que nesse ramo nem sempre tudo sai conforme o figurino. Em 1978, a British Petroleum, então com um contrato de risco com o governo Geisel, anunciou ter encontrado petróleo na Bacia de Santos em rocha pré-sal, a 5.000 metros de profundidade... Será o mesmo petróleo que se anuncia agora? Melhor que não.


A exploração de um campo de petróleo obedece a um árduo cronograma que pode levar até dez anos entre a prospecção e o óleo jorrando na plataforma. Para que se possa contabilizar cada barril de petróleo debaixo do solo como reservas provadas – o que muda a posição do país no ranking dos produtores – é necessário percorrer as seguintes etapas:


• A perfuração exploratória, quando se obtêm informações sobre a estrutura geral do poço. No caso de Tupi, essa descoberta foi feita em 2005.
• A avaliação do volume de petróleo recuperável. Ou seja, quanto daquele poço é possível ser extraído de acordo com as características gerais do óleo encontrado. É nessa fase que se encontra a Petrobras agora. E é devido a esse grau de incerteza que a empresa informou que pode haver ali entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris, uma diferença considerável.

• A elaboração do plano de desenvolvimento, a partir do qual as reservas começam a se tornar mais palpáveis.


É aí que se sabe quanto vai custar a operação, o nível de produção, a pressão com que o petróleo pode jorrar e tudo mais que sinaliza a viabilidade econômica do poço. Essa fase ainda demora pelo menos dois anos.


A descoberta veio acompanhada de um travo um tanto amargo de regresso a um tempo em que a mão do estado era dominadora na economia. A começar por uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética, que ocorreu nas dependências da Petrobras. Embora seja estatal, ela é apenas mais uma das empresas do setor. O presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, explicou que somente ali havia as condições para a apresentação dos gráficos, filmes e todo o material produzido em três dimensões que comprovam a extensão da descoberta. O mal-estar no mercado também ocorreu quando se anunciou que o CNPE retiraria da próxima rodada de licitações de áreas de exploração de petróleo os blocos vizinhos do campo de Tupi. Estão habilitadas 66 empresas, entre as quais investidores pesos-pesados como a Vale do Rio Doce e a OGX, do empresário Eike Batista. "Problemas como esse criam uma expectativa desfavorável dos investidores em relação ao Brasil", diz o advogado Paulo Valois, especialista em energia e infra-estrutura. Essa questão deverá se resolver ao cabo de uma guerra de interpretações das regras. Mas a briga para participar de prospecção na área contígua a Tupi é mais um sinal de que ali tem mesmo petróleo explorável. Seria bom para todos.


O SIGNIFICADO DAS RESERVAS

O petróleo espalha-se de forma desigual pelo subsolo do planeta. Vem daí apenas parte da dificuldade de estabelecer ao certo a quantidade disponível em cada campo que se descobre. Tanto é assim que a informação mais segura que se pode alcançar, como por exemplo o total de petróleo garantido para exploração no mundo, tem apenas 90% de certeza. São as chamadas reservas provadas. É com base nessa informação que se fazem os planejamentos energéticos e se pode deduzir por quanto tempo a humanidade ainda poderá aplacar sua sede por combustíveis fósseis.


A reserva que se descobriu agora estava há bilhões de anos intocada abaixo da camada de rochas salinas que começou a se formar no momento em que a África e a América se separaram. Ao contrário do que aconteceu em outros locais do litoral brasileiro, naquele ponto não houve um deslocamento de placas que abrisse brechas pelas quais o petróleo pudesse subir a níveis mais próximos da superfície. Nos próximos anos será possível confirmar sua real extensão.


Jaime Gimenez Jr
São Paulo SP Brasil

Sunday, November 18, 2007

Mas daqui a seis anos


Por: Carlos Alberto Sardenberg
12 de Novembro de 2007.


Então ficamos assim: hoje, falta gás se não chover ou se o presidente Evo Morales engrossar com o Brasil. Mas daqui a cinco, seis anos, estaremos estufados de gás, dando bananas para a Bolívia.
Hoje, o Brasil ainda é deficitário no comércio externo de petróleo, combustíveis e lubrificantes; mas daqui a cinco, seis anos, o País será grande exportador líquido e cartola na Opep.
Hoje, há risco de faltar energia elétrica; mas daqui a cinco, seis anos, vai sobrar.
Hoje, os preços de energia estão subindo, já que o produto é escasso; mas daqui a cinco, seis anos...
Esse é o discurso do governo Lula no momento. A reação aos “probleminhas” atuais é uma fuga para o futuro. Trata-se de óbvia estratégia de mídia - e o presidente Lula é um craque nisso -, mas é preciso admitir que as expectativas não são vazias.
Há bons projetos nos diversos setores que, se realizados conforme as melhores expectativas, de fato produzirão uma situação energética confortável no futuro. Isso remete o debate ao ponto mais importante: quais as chances de esses projetos serem realizados a tempo?
Esse novo campo de petróleo anunciado pela Petrobrás, o Tupi, por exemplo, é uma boa esperança, mas para levar o Brasil a entrar na Opep, como diz o governo, será preciso superar muitas etapas complexas. Será preciso desenvolver nova tecnologia, pois, embora a Petrobrás seja competente na exploração em águas profundas, esse campo impõe outros desafios. Trata-se de uma situação geológica diferente, que exige um novo tipo de know-how a ser desenvolvido durante os trabalhos de prospecção. É não é simples avançar nisso.
Há desde problemas técnicos até econômicos, relacionados à cotação do petróleo. A US$ 100 o barril, qualquer exploração é econômica. Mas, se houver uma desaceleração da economia global, o preço vai cair.Além disso, a Petrobrás, que, pelo movimento inicial do governo, deverá ficar com o novo campo, precisará adquirir estações, máquinas e equipamentos atualizados, o que também não é simples. Hoje, com o petróleo a US$ 100, o mundo todo está explorando óleo. Logo faltarão equipamentos.Outro dia, o presidente Lula, defendendo a decisão de seu governo de obrigar a Petrobrás a encomendar navios e estações no Brasil, disse que essa era uma escolha política, não “matemática”, quer dizer, não econômica. Produzir no Brasil custa mais caro e demora mais, porque faltam capitais e tecnologia a companhias aqui instaladas ou por instalar. Mas gera emprego aqui, diz Lula. No entanto, continua sendo custo. Por isso mesmo outras plataformas de exploração da Petrobrás estão atrasadas.
Pelo modo como está desenhado o setor, no modelo que vem da era FHC, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deveria licitar os blocos de exploração, incluindo os próximos dos novos campos, numa competição aberta a companhias nacionais e estrangeiras. As vencedoras explorariam o negócio comprando os equipamentos onde bem entendessem.
Mas, pelo jeitão do governo Lula - e pela decisão de excluir blocos próximos da nova reserva da rodada de licitação da ANP -, tudo sugere que se vai levar todo o negócio para o controle da Petrobrás. E, se for assim, uma decisão política e ideológica, vai atrasar o processo. Por maior que seja e por mais associações que faça, a Petrobrás tem limitações de capital, pessoal e tecnologia para tocar todo o serviço. E mais atrasos (e custos) haverá, se for mantida a orientação para adquirir equipamentos no País.
Repetindo: o grande projeto de auto-suficiência está atrasado por todos aqueles fatores.Mesmo que não se imponham essas restrições nacionalistas e estatizantes aos novos projetos, o risco de atraso continua no cenário, pois há escassez no mercado mundial de navios e equipamentos petrolíferos.
Tudo isso vale para os projetos do gás. O governo conta com prazos curtos para desenvolver a produção local e a importação de outros países. Idem para a energia elétrica. Neste último caso, por exemplo, o governo conta com a construção das megahidrelétricas do Rio Madeira não apenas em prazo rápido, mas em tempo recorde.
E tem mais um detalhezinho, como diria o presidente. Todos esses prazos vencem depois de 2010, quando Lula já não será presidente. Ele poderá dizer: deixei tudo arrumado, os outros é que não souberam tocar... E com a capacidade que Lula tem de virar histórias pelo avesso, não será fácil para o presidente do momento.
A outra questão é a seguinte: mesmo que não ocorram os piores cenários, como uma seca longa e severa, haverá problemas no abastecimento de energia. No mínimo, preços em geral vão subir e há grande probabilidade de escassez aqui e ali.Isso tem efeitos políticos e poderá desmoralizar o discurso das grandes promessas. Um prato cheio para a oposição, se houvesse uma oposição de verdade.
Por outro lado, a emergência poderá levar Lula a optar por caminhos mais rápidos, como abrir a exploração de novos campos a companhias privadas, nacionais e estrangeiras, de modo a multiplicar os investimentos.
De todo modo, já houve uma quebra das regras. Os blocos foram retirados na véspera do leilão. Uma quebra inútil. A Petrobrás tem sido a grande vencedora dos leilões, inclusive associada a gigantes internacionais, que não acham bom negócio brigar com uma megacompanhia quase monopolista. Aliás, foi num leilão, em 2000, que a Petrobrás comprou os direitos de exploração do Campo de Tupi (e por apenas R$ 15 milhões).
Mas também é possível que o presidente Lula deixe tudo como está, inclusive com o viés nacional-estatizante, e confie no seu taco para... 2014, ano da Copa. Prospecção de petróleo pode dar errado, mas também pode sair melhor que a encomenda.
(O Estado de SP - 12/11/2007)

Tuesday, November 13, 2007

Petronovas

Petrobras - Apesar da desvalorização generalizada na Bovespa, o destaque coube à Petrobras. A ação ordinária (ON, sem direito a voto) liderou o ranking de maiores baixas, com perda de 7,19, para R$ 89,01. O papel preferencial (PN, sem direito a voto) ocupou a terceira posição, em queda de 6,50%, para R$ 76,34. O anúncio do lucro trimestral da empresa, feito na sexta-feira após o encerramento do pregão, estimulou os investidores a venderem ações da estatal hoje e embolsarem os ganhos. A Petrobras divulgou lucro 22% menor no terceiro trimestre (em relação ao mesmo período do ano passado). O lucro foi de R$ 5,528 bilhões e ficou 27,3% abaixo da média das projeções de analistas consultados pela Agência Estado.




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Thursday, November 01, 2007

VideVersus, 1º de novembro



Abro este tópico com mais uma newsletter do excelente http://www.videversus.com.br/ do jornalista Vitor Vieira em 1º de novembro de 2007. Meus comentários seguem em itálicos:

Ao lado, um dos resultados da invasão da Fazenda Coqueiros no Rio Grande do Sul pelos meliantes do MST.





Mais de 40 entidades pedem à Justiça que MST possa invadir Fazenda Coqueiros
Na tarde desta quarta-feira, cerca de 40 entidades petistas, como Cpers, Cut, sindicados de bancários e comerciários, entre outros, entraram na Justiça gaúcha com um pedido de habeas corpus para que os militantes paraguerrilheiros da organização clandestina e ilegal MST possam promover a décima invasão da Fazenda Coqueiros, no município de Coqueiros do Sul. Esses sindicatos petistas, ilegítimos para peticionar em benefício dos militantes paraguerrilheiros do MST, querem que a Justiça gaúcha derrube a decisão da juíza de 1º grau, de Carazinho, que proibiu as marchas de ingressarem nas estradas do município, como também de terem crianças em suas colunas armadas. As três colunas de paraguerrilheiros estão paralisadas, impedidas de prosseguir na marcha rumo à invasão violenta da Fazenda Coqueiros, por contingentes da Brigada Militar.

Como se vê, o problemas do Brasil não se resume à organizações como o MST. Os sindicatos são seus fomentadores em nível judicial. E com professores (Cpers) apoiando organizações criminosas, o destino do país está em más mãos.


Tenente-coronel da Brigada Militar é denunciado por furto e formação de quadrilha
Comandante do Batalhão de Polícia de Guardas da Brigada Militar (BM) em Porto Alegre, onde estão detidos policiais militares envolvidos em crimes, o tenente-coronel José Antônio Carvalho de Medeiros, de 49 anos, é acusado de integrar uma quadrilha interestadual que desviou pelo menos R$ 150 mil de contas bancárias pela internet. Em denúncia do Ministério Público acolhida pela 6ª Vara Criminal da Capital, o tenente-coronel José Antonio Carvalho de Medeiros é apontado como autor de furto qualificado e formação de quadrilha com outras nove pessoas. Escutas telefônicas reforçam denúncia de participação do oficial no bando. A notícia da denúncia levou o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Nilson Bueno, a remover o tenente-coronel José Antonio Carvalho de Medeiros do comando do Batalhão de Guardas. Parte do grupo teria ramificações com outras duas quadrilhas identificadas nos últimos dois anos nas operações Pontocom, da Polícia Federal, e Nerd II, do Ministério Público gaúcho. Segundo denúncia assinada pelo promotor Ricardo Herbstrith, da Promotoria Especializada Criminal, o grupo agiu entre o segundo semestre de 2005 e os primeiros dois meses do ano passado. O grupo teria quatro divisões: os que criavam programas para invadir contas bancárias, os que descobriam informações cadastrais das vítimas, os que arregimentavam laranjas e sacavam valores, e os que buscavam "clientes" para ter contas pagas. Segundo a denúncia, o tenente-coronel estava entre os que escolhiam vítimas e informavam aos crackers os números das contas para as quais o dinheiro deveria ser desviado. Um dos crackers denunciados é o paulista Marcos Martins, 42 anos, que vive em Porto Alegre, mas já esteve preso preventivamente em Araucária (PR) por suspeita de estelionato. Outro cracker envolvido no caso é o Romany Cutolo Bonente, 22 anos, de Rondônia. Ele está preso em Curitiba desde 17 de agosto, quando foi capturado durante a Operação Nerd II, do Ministério Público. Investigações da Delegacia de Polícia Regional de Porto Alegre revelam que, em um intervalo de quatro dias, o tenente-coronel José Antonio Carvalho de Medeiros e Martins trocaram 42 telefonemas. A denúncia do MP reúne documentos e extratos bancários que comprovam seis golpes entre 7 e 8 de novembro de 2005. Naquelas 48 horas, foram desviados R$ 112,7 mil de seis contas de empresas e pessoas físicas de Porto Alegre. Há muitos anos há forte desconfiança de que membros da alta-oficialidade da Brigada Militar gaúcha fazem parte do crime organizado, o que agora fica confirmado. A Brigada Militar precisar dar uma grande explicação para a sociedade gaúcha.

E tem "direitista" que criticou o filme Tropa de Elite por mostrar policiais corruptos chamando o filme de "tucano"...


Estados Unidos devolvem US$ 1,6 milhão transferidos ilegalmente do Brasil
O procurador-geral de Nova York, Robert Morgenthau, autorizou nesta quarta-feira a repatriação de US$ 1,6 milhão ao Brasil. O dinheiro havia sido transferido para os Estados Unidos de forma ilícita por doleiros, que utilizaram uma agência do Banco do Estado do Paraná (Banestado). Segundo o Ministério da Justiça, a repatriação de recursos para o Brasil é inédita. "O esquema Banestado foi a maior lavanderia de dinheiro de que se tem conhecimento no Brasil", afirmou o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. "É um caso inédito de repatriação de ativos para o País e certamente apenas o início de uma série de autorizações que vamos obter junto à Justiça de outros governos", completou ele. Tuma disse que tramitam no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) cerca de 200 processos relacionados ao mesmo esquema Banestado. O procurador sinalizou positivamente para novos acordos, que logo possibilitarão a repatriação de mais recursos.

Há quem brade contra a "internacionalização da Amazônia" e temas afins, mas só através da internacionalização (lêia-se pressão, mesmo) é que o país funciona.


TV grava palestinos atirando contra Israel
A TV israelense divulgou nesta quarta-feira imagens gravadas pelo exército que mostram terroristas palestinos disparando com um morteiro de uma escola primária da Faixa de Gaza contra o território de Israel. As imagens foram gravadas na segunda-feira por um avião sem piloto, segundo a TV estatal. A gravação mostra homens no interior de uma escola primária de Beit Hanun que atiram com um morteiro contra o território israelense, antes de fugirem do prédio temendo a resposta israelense. Segundo o Canal 10, os terroristas, membros do movimento islâmico Hamas, foram atacados posteriormente pela aviação israelense fora do perímetro urbano. Desde que o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, mil foguetes e tiros de morteiro foram disparados contra Israel deste território.

Terroristas ou guerrilheiros árabes costumavam utilizar escolas e hospitais como "escudos humanos". Agora, usam-nas como base para ataques, mesmo. Interessante também notar que a maior ação de grupos como o Hamas quando chegam ao poder, é lançar mísseis.


Marinha da Colômbia apreende dois submarinos das Farc
Dois submarinos que seriam usados pela principal guerrilha colombiana para tráfico de drogas foram apreendidos em uma zona selvagem do litoral do Pacífico, informou a Marinha nesta quarta-feira. A descoberta das embarcações, capazes de transformar até 5 toneladas cada, ocorreu no domingo, perto do porto de Buenaventura, Departamento do Valle, por onde passa cerca de 60% do comércio internacional colombiano. Os dois submarinos estavam no que a Marinha chamou de "estaleiro artesanal", capaz de fabricar esses artefatos. Segundo a Marinha, o local e os submarinos pertencem às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), principal narcoguerrilha do país, com cerca de 17 mil combatentes. O grupo é considerado terrorista por Estados Unidos e União Européia, e o governo colombiano o acusa de se financiar com recursos da produção e tráfico de cocaína. Desde 2005, a Marinha colombiana confiscou nove submarinos usados no narcotráfico.

Se esta tática for adotada no Brasil, estaremos fritos com nossa extensa linha costeira.


Jobim diz que governo estuda reajuste de até 34,99% para militares
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta quarta-feira que o governo Lula estuda um reajuste, que pode variar entre 27,62% e 34,99%, para os salários de 609.935 militares ativos e inativos. No total, o impacto deste reajuste pode chegar a R$ 8,3 bilhões na folha de pagamento, entre 2007 e 2008. Segundo ele, o reajuste seria concedido em duas etapas: uma parte este ano, e outra em 2008. O ministro disse que o assunto será tratado na próxima quarta-feira em uma reunião com o presidente Lula e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Estava na hora. Ao invés de sucatear nossas forças armadas, o PT faz bem em minorar o prejuízo que seu governo (e antes disso, o de FHC) fizeram em prejudicar o soldo dos oficiais. Só espero que não fique só nisto, no arranjo financeiro, mas que seu papel e função sejam igualmente resgatados.


Palocci chama CPMF de “imposto mais produtivo”
O deputado federal Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro da Fazenda, defendeu nesta quarta-feira a cobrança da CPMF durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. Palocci disse que a CPMF é o "mais produtivo" dos impostos porque traz a melhor arrecadação ao País com a melhor alíquota à população. "Não há imposto mais produtivo que a CPMF no Brasil. Ela é a mais produtiva, com menor alíquota, traz melhor arrecadação. É seis ou sete vezes mais produtiva que a Cofins. É o imposto que arrecada mais, impondo menos carga aos indivíduos e às empresas", afirmou ele. Palocci admitiu, no entanto, que é possível discutir a redução gradual da alíquota da contribuição ao longo dos próximos anos. O ex-ministro também disse ser possível ao governo debater a redução da carga tributária nacional.

Bem... Nisto, nosso ex-ministro está correto. A CPMF é o mais eficaz dos tributos porque incide sobre a circulação do dinheiro (que movimenta a maior parte dos recursos do país). A "contribuição", EM TERMOS RELATIVOS, é muito menos danosa ao contribuinte do que impostos como o ICMS, por exemplo. O problema é que este "debate" tem sido levado em termos emocionais... A sociedade brasileira faria por bem discutir a questão tributária de forma integrada, i.e., avaliando todos tributos e julgando a partir daí.


Presidente da Fiesp entrega 1,3 milhão de assinaturas contrárias à CPMF ao Senado Federal
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, no final de sua participação na audiência promovida pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, nesta quarta-feira, para discutir a prorrogação da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), entregou um abaixo-assinado com 1,3 milhão de nomes contrários à continuidade do chamado "imposto do cheque". As assinaturas foram coletadas por diversas entidades de vários Estados do País. Durante sua participação na audiência, Skaf condenou a prorrogação da cobrança. Ele afirmou que a reforma tributária não prevê formas eficientes de desoneração fiscal e que a única chance de reduzir efetivamente a carga tributária é por meio da eliminação da CPMF. Skaf disse que em vez de repassar vantagens para a população por meio da elevação da arrecadação, a União usa a receita extra para cobrir gastos. Ele afirmou que não concorda com o argumento de que a CPMF é uma ferramenta de fiscalização e combate à sonegação.

Não concorda... pois bem, a CPMF, infelizmente, é um imposto que não dá para sonegar. Me surpreende a opinião da Fiesp. Se são assim tão contrários à sobre-tributação (no que estão certos) por que não criticam o IPI e o ICMS?? A Fiesp não parece primar pela coerência. São muito bons para livrarem o seu, i.e., direito de criticarem a tributação, mas quando se trata de apoiarem a maior competição (e queda dos preços) através de uma Alca, p.ex., simplesmente se calam.


Justiça condena ex-funcionário de ONG pelo assassinato de franceses no Rio de Janeiro
Társio Wilsom Ramires, de 25 anos, um dos três acusados pelo assassinato de três franceses no Rio de Janeiro no início deste ano, foi condenado pela Justiça a 59 anos e oito meses de prisão. No dia 27 de fevereiro, Christian Pierre Doupes, de 38 anos, a mulher dele, Delphine Douyère, de 36 anos, e Jérôme Faure, de 42 anos, foram mortos a facadas, na sede da ONG Terr'Ativa, em Copacabana (zona sul do Rio de Janeiro), que atendia menores de rua. Ramires tinha sido ajudado pelos franceses a pagar as mensalidades de um curso de administração de empresas em uma universidade particular e, graças ao contato com eles, trabalhava na ONG. Ramires planejou o crime porque os franceses desconfiavam que ele tinha desviado R$ 80 mil da ONG. Para se livrar das suspeitas, ele contratou os também réus Luiz Gonzaga e José Michel Gonçalves e matou os patrões. O filho do casal, de apenas dois anos, só não foi morto porque estava em outro apartamento. Oliveira e Gonçalves irão a júri popular no dia 13 de dezembro. Em sua sentença, o juiz Sidney Rosa da Silva escreveu que Ramires "teve todas as oportunidades na vida, e as jogou no lixo em razão de sua mente criminosa”.

Este caso mostra piamente como o crime não é mero produto "social". Há sim, elementos incorrigíveis que merecem a mais pura forma de "exclusão social" através do encarceramento (já que não temos a forca).


Aécio Neves diz que terceiro mandato não seria bom para Lula e Brasil
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), afirmou nesta quarta-feira que um terceiro mandato do presidente Lula não seria bom para o Brasil nem para o próprio Lula. "O Brasil não é a Venezuela. Acho que temos instituições muito sólidas. Faço até justiça ao presidente. Pode até ser que em seu entorno alguns áulicos ainda alimentem esse sonho. Mas não é bom para o Brasil, não é bom para o presidente Lula e não acredito que ele pessoalmente tenha esse interesse. Acho até legítimo que o presidente, no futuro, volte a se candidatar, mas mudar a Constituição nesse instante é um desserviço à democracia e o Brasil não aceitaria isso de forma alguma”. Um grupo de deputados federais petistas articula para assegurar um terceiro mandato ao presidente Lula. Eles estão dispostos a apresentar uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que faculta aos atuais ocupantes de cargos no Executivo a possibilidade de reeleição, mesmo que já estejam em seu segundo mandato.

O temor do governador parece se justificar, pois...


JÁ ESTÁ TRAMITANDO EMENDA QUE PERMITIRIA VÁRIOS MANDATOS PARA LULA
O presidente da Câmara dos Deputado, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), mandou desarquivar em abril uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permite a reeleição sem limites para cargos majoritários, de presidente da República a prefeitos. Aprovada no Congresso, a proposta abriria caminho para a aprovação de um terceiro mandato para o presidente Lula. O pedido foi feito em fevereiro pelo deputado federal petista Fernando Ferro (PE), que solicitou o desarquivamento de propostas sobre a reeleição. Os deputados federais Devanir Ribeiro (PT-SP) e Carlos Willian (PTC-MG) defendem a possibilidade de um terceiro mandato para Lula, com base em uma emenda que já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara em 2000. O relator na comissão, deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), considerou, na época, a proposta constitucional. O próximo passo é a discussão em comissão especial, que depende de autorização do presidente da Câmara para ser instalada. A proposta do ex-deputado Inaldo Leitão (PR-PB) permite que presidente da República, prefeitos e governadores concorram a infinitas reeleições, desde que se licenciem do cargo seis meses antes da disputa.
Senado Federal pode votar Emenda 29 na próxima semana, diz Tião Viana
O presidente interino do Senado Federal, senador Tião Viana (PT-AC), afirmou nesta quarta-feira que vai tentar votar na próxima semana a proposta de regulamentação da Emenda 29, que destina recursos para a saúde. O senador disse que só aguardará a conclusão da votação dos destaques na Câmara dos Deputados para encaminhar sua sugestão aos líderes partidários. "Eu fui um missionário nessa causa. Estou muito feliz. Foi uma ação construída com o movimento missionário. É uma decisão muito boa para o País", disse Tião Viana, ao ser informado sobre a aprovação pelo plenário da Câmara do texto principal da Emenda 29. Nesta quarta-feira, o plenário da Câmara aprovou o substitutivo apresentado pelo governo federal que promete o repasse de R$ 24 bilhões para a saúde, no período de 2008 a 2011.

É uma boa cifra, mas a questão não se encerra em termos quantitativos. COMO serão gastos estes recursos é que são outras... Com médicos e enfermeiros e medicamentos ou com burocracia?


Petróleo supera US$ 94 por causa do índice das reservas e taxa de juros nos Estados Unidos
O preço do barril do petróleo cru subiu 4,6% nesta quarta-feira e fechou em recorde de US$ 94,53 em Nova York. A divulgação da queda das reservas de petróleo nos Estados Unidos e o corte da taxa básica de juros, em 0,25 ponto percentual, pressionaram a commodity. No final do pregão regular da Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), os contratos do barril do petróleo cru para entrega em dezembro aumentaram US$ 4,15 diante do fechamento anterior e estabeleceram um novo recorde. Próximo ao fim da sessão, o valor do barril do tipo WTI alcançou US$ 94,74.

Presidente da Petrobras avisa que vai subir o preço do gás natural
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta quarta-feira que o preço do gás natural deve subir para os consumidores finais no Brasil. Ele não soube estimar um valor ou um prazo para o preço do gás natural subir, mas disse que a Petrobras não tem condições, "pelo menos no curto prazo", de atender a demanda por gás natural. Segundo dados do governo, o gás natural responde por 8,3% da energia consumida no Brasil em 2006. A previsão da Petrobras é que esse número ultrapasse 12% até 2010. O Brasil tem a segunda maior frota mundial de carros movidos a gás natural, atrás apenas da Argentina. O presidente da Petrobras disse que o fornecimento de gás só foi cortado para as distribuidoras Ceg e Ceg-Rio porque as duas companhias estão consumindo hoje mais gás natural do que o que foi acertado no contrato.



Vale do Rio Doce avisa que não pagará mais caro por equipamentos nacionais
A Companhia Vale do Rio Doce manterá a política de buscar máquinas e equipamentos mais baratos, sem privilegiar o mercado local. A informação é do diretor de Finanças e de Relações com Investidores da empresa, Fábio Barbosa. Ele justificou dizendo que deve atender aos anseios dos acionistas da empresa, tanto brasileiros quanto estrangeiros. "Será que meu acionista quer que eu pague mais caro por um equipamento apenas por ele ser nacional? Não podemos pagar pelas distorções que o sistema tributário brasileiro impõe. Se há distorções, têm que ser corrigidas por quem de direito", afirmou ele. O executivo destacou que o interesse da Vale do Rio Doce é manter alianças com a indústria nacional. Barbosa destacou que as condições para investimentos da indústria de bens de capital no Brasil vêm melhorando, citando como exemplo a queda da taxa de juros e prazos mais alongados e taxas menores por parte do BNDES. Ele sugeriu que a questão relativa a tributos seja mais debatida.

Como disse sobre a questão da CPMF mais acima. Não tem que se debater o imposto em isolado. O diretor está coberto de razão, à propósito. O tosco nacionalismo é a justificativa para a preservação de nossos vícios institucionais que só nos mantêm atrasados como país. Como dizia o falecido (e excelente congressista) Roberto Campos "ser patriota não é ser populista".

Jornal argentino diz que Petrobras ofereceu US$ 900 milhões pela Esso no Cone Sul
O jornal econômico argentino "El Cronista" disse nesta quarta-feira que a Petrobras ofereceu cerca de US$ 900 milhões por ativos da Esso na América do Sul. "A empresa brasileira está a ponto de comprar as operações na Argentina, no Brasil, no Chile e no Uruguai", afirma o diário. "As negociações estão muito avançadas e a compra seria fechada nos próximos dias", acrescenta o El Cronista. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta quarta-feira, em Londres, que a empresa "não pode confirmar, nem negar a informação". Segundo o "El Cronista", a empresa estatal argentina Enarsa, criada no governo do presidente Néstor Kirchner, entraria no negócio assim que fossem concluídas as vendas dos ativos da companhia Exxon Mobil, dona da Esso, para a Petrobras. A Esso possui 90 postos de gasolina no país e outros 500 tercerizados. A companhia da Exxon conta ainda com uma refinaria na localidade de Campana, na província de Buenos Aires, e ativos em outros países da região. Mas sua presença é mais forte no Brasil, onde, de acordo com assessores da Petrobras, a empresa brasileira multiplicaria seu potencial caso a transação comercial com a Esso seja confirmada.

Pena que o comportamento da Petrobras não é similar no plano interno como o faz como global trader. Pena...


Funcionários da Infraero vão entrar em greve na terça-feira
Os funcionários da Infraero no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos (Grande São Paulo), devem entrar em greve na madrugada da próxima terça-feira, de acordo com o diretor do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, Francisco Lemos. O movimento ocorre um dia após o retorno do feriado prolongado de Finados. Nesta quarta-feira, cerca de 500 funcionários decidiram parar de fazer horas extras, o que ocasionou grandes filas no setor de embarque. Segundo o sindicalista, as horas extras são comuns em Cumbica porque o terminal opera no limite de sua capacidade. O sindicalista afirma que a greve ocorrerá porque a Infraero descumpriu um acordo assinado em julho último, às vésperas dos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, que previa reajuste de 6,5% nos salários para o começo deste mês. A empresa não pode dar aumento para seus funcionários porque precisa desviar os recursos para a corrupção. A Infraero é um dos órgãos mais corruptos da administração federal, ao lado da Anvisa e da Funasa.

Caso similar ao relatado pela CVRD... O país não pode deixar de mudar seus vícios estruturais para manter anomalias institucionais. Querem aumento? Façam uma reengenharia de custos primeiro.


Federal Reserve dos Estados Unidos corta sua taxa de juros para 4,5%
O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manteve a orientação do mês passado e reduziu sua taxa de juros em mais 0,25 ponto percentual, para 4,5% ao ano. O banco mais uma vez agiu para evitar que a crise imobiliária em curso no país, agravada a partir de agosto pela crise no mercado de hipotecas de risco, ultrapasse o limite do setor financeiro e atinja a economia como um todo. Com essa diminuição dos juros nos Estados Unidos para ativar a economia, os dólares ingressarão em maior quantia no Brasil, buscando maior remuneração.

Dólar fecha a R$ 1,73 e bate menor nível desde março de 2000
A taxa de câmbio recuou para o seu menor nível desde o dia 24 de março de 2000, nos últimos negócios fechados nesta quarta-feira no mercado financeiro. O dólar comercial foi cotado a R$ 1,737 para venda, em declínio de 0,96%. Os participantes do mercado financeiro operaram à espera da reunião do Federal Reserve, que anunciou às 16h15 a nova taxa básica de juros norte-americana: 4,50% ao ano, ante 4,75%. Para economistas, o distanciamento entre os juros norte-americanos e brasileiros (a taxa básica do País é de 11,25%) pode atrair mais recursos para o País e derrubar ainda mais a taxa de câmbio.

Para mim é uma excelente notícia. Chega de se pautar em exportações beneficiadas pelo dólar alto. Se querem aumentar as exportações, que se faça, de uma vez por todas, uma reforma tributária.