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O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Thursday, August 14, 2008

Entre a torcida e o impedimento

Sim, é estúpido torcer contra uma tendência positiva do aumento da classe média apenas porque este governo é do PT. Porém, não é errado questionar o como isto se dá. Se 60% da economia brasileira tem se caracterizado pela informalidade, como podemos inferir o tamanho real de nossa classe média ou de qualquer outra classe social?

Não incorro em academicismo, se trata apenas da busca pela verdade. Assim como a possibilidade de que o "aumento da classe média" possa ser apenas reflexo do achatamento do padrão de vida da classe média que tínhamos antes da contabilização das classes baixas após a distribuição de bolsas-família. Ou seja, o que talvez tenhamos seja uma uniformização das classes com uma redução da renda média geral. Levando-se em consideração apenas o estrato inferior, fica fácil concluir que tudo melhorou. Claro que esta segunda hipótese pode nem ser cogitada, devido a sua inconveniência...

Acho que para estes dados terem maior validação, tinham que vir acompanhados de outros buscando abranger o aumento (ou possível redução, se for o caso) da informalidade. Se esta aumentou, qualquer inferência sobre "aumento da classe média" tem que ser acompanhada de reticências.

De qualquer forma, vale a pena ler o texto abaixo:

É a classe média, estúpido!

Jornal de Uberaba

Sunday, May 20, 2007

O pobre e o negro

• Entre os mais abastados, as coisas mudam. A chance de se manter no topo da pirâmide é maior entre os brancos do que entre os negros ou pardos. Exemplo: os filhos brancos de profissionais mais graduados têm duas vezes mais chance de ficar no topo do que de cair; já os filhos negros e pardos desses profissionais têm 1,2 vez mais chance de se manter lá em cima.


Ao analisar as oportunidades educacionais de brancos, negros e pardos, o sociólogo encontrou um cenário semelhante. Nos níveis escolares mais baixos, como o ensino básico e o ensino médio, o peso da origem de classe é maior que o peso da cor da pele. Mas, nos níveis escolares mais altos, como concluir o primeiro ano de universidade ou diplomar-se, o peso da cor da pele aumenta. Exemplo: para completar o ensino médio, a pobreza é um obstáculo seis vezes maior que a cor da pele, mas, para cursar o primeiro ano de universidade, a pobreza é um obstáculo 2,5 vezes maior que a cor da pele.


O que tudo isso significa? Que há mais desigualdade racial na cúpula da sociedade brasileira do que na base. Costa Ribeiro escreve: "Esta conclusão nos leva a sugerir que a discriminação racial ocorre principalmente quando posições sociais valorizadas estão em jogo". O trabalho do sociólogo prova estatisticamente que existe discriminação racial no Brasil, o que não é novidade. Também prova que, mesmo na universidade, mesmo nos bons empregos, mesmo nos ambientes onde a discriminação racial cresce, a origem de classe sempre pesa mais que a cor da pele. Sempre.


Portanto, as políticas raciais do governo beneficiam uma elite negra, que chegou lá e precisa de ajuda para lá ficar, e não a imensa maioria negra, que é pobre e não consegue sair do lugar. Isso sugere que o governo seria mais justo e eficaz com negros e pardos se combatesse a pobreza. O movimento negro, em vez de ameaçar professores, deveria pensar nisso.