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Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Friday, December 17, 2010

Falência européia


Neste artigo Público - "A Alemanha já não está a agir apenas como um país europeu" da esquerda européia se começa com uma boa avaliação sobre o fracasso do Euro:

(...) Hoje, há muita gente na Alemanha que pensa que nos deu demasiado e que se pergunta por que razão há-de pagar para países sem perspectiva de sobreviverem sem a sua ajuda. Por outro lado, também sabem que, de um ponto de vista estritamente racional, o euro foi uma enorme vantagem para eles. Mas as decisões políticas nem sempre são racionais. 
Em termos políticos, e não económicos, como é que acha que a Alemanha está a olhar para o mundo?
Penso que os alemães ainda não têm uma visão coerente deste mundo. Sentem que devem fazer alguma coisa diferente, porque são um país grande e unido e um grande actor internacional. Já não precisam da Europa como precisaram antes. Algumas pessoas pensam a Alemanha como uma nova potência mundial com relações directas com a China, a Rússia, os Estados Unidos. A Europa pode ser útil para este propósito, mas não é o propósito. 
(...)
Disse que a crise que vivemos é uma crise do Ocidente, que afectava os próprios fundamentos das nossas sociedades, não apenas em termos de poder e de lugar no mundo, mas da sua própria identidade. Quer dizer que a própria democracia liberal pode ser posta em causa? 
Já está a ser. Há muita gente no Ocidente - estou a falar na Europa, e não na África ou na Ásia - e até partidos que pensam que a democracia não é assim tão eficaz e que talvez devêssemos olhar para alternativas. Aliás, a União Europeia não é uma democracia, é um clube de democracias e isso ajudou a alimentar uma cultura não-democrática. Os nossos "pais fundadores" diziam que devíamos fazer a Europa para os europeus e não com os europeus...
Mas isso já mudou imenso. Mudou, mas há efeitos e esses efeitos podem também ser que as pessoas acreditam menos na democracia. E algumas podem muito bem dizer que o sistema chinês pode ser mais eficaz...
Mas ainda somos o maior bloco comercial do mundo. Falta-nos ser um actor mundial? Isso também influencia o estado de espírito dos cidadãos europeus?
Penso que devemos confrontar os nossos povos com um teste. Devemos perguntar às nossas opiniões públicas nacionais: querem ou não querem ter um Estado europeu, com que fronteiras e para fazer o quê. Sim ou não? Se temos uma moeda sem termos um Estado, no fim, acabamos por falhar. Como sabe, para muita gente, o euro seria uma espécie de preparação para uma União Política. Aconteceu precisamente o contrário...

Notem que a observação inicial é uma espécie de lamento sobre a Alemanha estar perseguindo seus próprios interesses enquanto cogita abandonar os pesados subsídios que é obrigada a financiar aos primos pobres europeus. Enquanto que este combalido continente não reformula seus orçamentos, gastando mais do que suas economias suportam, a Alemanha está corretíssima em buscar uma forma alternativa de desenvolvimento.
E claro, a “solução” nada original proposta é um modelo chinês, isto é, centralizado e autoritário de desenvolvimento. Quanto mais falam, mais revelam que são feitos de almas totalitárias, lobos banguelas em pele de cordeiros.
...

Sunday, November 21, 2010

Novos amigos, novas traições

Novos amigos e novas traições[i]


A Rússia entrará na OTAN. A questão é o que a Rússia leva em troca? Os países ocidentais parecem dispostos a permitir a hegemonia russa em sua área de influência, mas o que é a “área de influência russa”? Em termos simples, isto abrange os territórios da ex-União Soviética, mas estendendo sua política a Europa Oriental e Cáucaso, por exemplo, isto significaria um retrocesso para a democracia.
Os Estados Unidos precisam de apoio russo para combater a insurgência no Afeganistão, onde se situam aliados da Al Qaeda com a possibilidade de uso do território da Ásia Central para escoamento de tropas, combustível e mantimentos, bem como apoio técnico e treinamento russo para tropas aliadas afegãs. Como nada é de graça, as tendências autocráticas da política russa se farão cada vez mais presentes nos países da região sem o contrapeso ocidental. No entanto, dizer que “a détente com o governo russo é uma das principais tragédias do governo Obama” é muito simples, qual seria a alternativa razoável, uma política isolacionista como a de seu antecessor, GWB? Não há um mundo ideal a seguir, mas o ótimo ou razoável dentro da conjuntura que se faz presente.
Sem dúvida que o apoio russo às medidas mais duras contra o governo iraniano é um bom sinal dessa nova aliança, cuja integração à OTAN parece selar e, que a vitória Republicana nas últimas eleições sobre os Democratas parece ameaçar através da revisão do acordo de desarmamento (START) entre as duas potências. Apesar disto, esta vitória do governo Obama em se aliar ao Kremlin não deveria ser menosprezada. O próprio “guarda-chuvas da OTAN” na Europa Oriental, Polônia e República Tcheca elaborado no governo Bush foi redesenhado contra o Irã, inclusive com navios de guerra americanos estacionados no Mediterrâneo. Obviamente, as recentes insinuações ocidentais de apoio à Geórgia ou à Ucrânia serão deixadas de lado por tempo indeterminado, o que também significa suas possibilidades de autonomia e avanço democráticos.
Se por um lado esta perspectiva de deixar as ambições russas de lado e focalizar inimigos mais imediatos como o Irã se consolidam, nuvens negras se formam no horizonte sobre a China e a Índia, outros rivais regionais asiáticos que poderão colocar em cheque a solidez da aliança americana e russa dentro da OTAN se reagirem contra um novo expansionismo russo. No entanto, a história nos mostra que alianças entre estados democráticos e autocráticos não têm tido sucesso prolongado... Para a União Européia, por exemplo, as “revoluções coloridas” em países como a Geórgia e a Ucrânia significam também sua segurança econômica através de rotas de gás natural que lhes fornecem alternativa energética. A questão subjacente a boa estratégia de pressionar o Irã e forças insurgentes no Afeganistão é o que fazer com os sistemas políticos da periferia russa. Ignorar estes processos democráticos permitindo o avanço autoritário poderá significar uma fatura muito cara a ser paga num futuro não tão distante.




[i] Adaptado de Claudia Mancini, Russia’s expanding influence. Opportunity or threat?, 19 de novembro de 2010.

Friday, March 20, 2009

As três seguranças do Estado


O Brasil é, atualmente, um dos maiores fornecedores de carnes para a Rússia. No caso de bovinos, parece não haver plano russo de aumentar a produção doméstica, mas, quanto a suínos e frangos, há uma política declarada de substituição de importações. E isso é algo compreensível, já que a Rússia importa quase 50% de tudo que sua população come.

Há, grosso modo, três áreas de segurança vital dos Estados: energética, militar e alimentar. Os EUA têm segurança militar e alimentar, mas não energética, que não por acaso foi um dos temas centrais da campanha de B. Obama. Já China e Índia têm segurança militar, mas não energética e alimentar. A UE tem somente a alimentar (e, ainda assim, à base de subsídios bilionários para o setor agrícola) e está buscando reduzir sua perigosa dependência energética de terceiros (a começar pelo gás russo) e reequacionar sua moldura de segurança herdada da Guerra Fria. O Brasil tem segurança energética (se considerarmos que a dependência do gás boliviano não afeta a segurança nacional) e alimentar, mas não militar. Enfim, a Rússia tem segurança energética e militar, mas não alimentar.

Daí podemos inferir o seguinte: para uma empresa estrangeira, uma estratégia de médio e longo prazo na Rússia, na área de alimentos, passa por investir em produção local, além claro de seguir exportando, pois dificilmente o Estado russo vai abrir mão da substituição de importações, no sentido de reduzir sua vulnerabilidade em termos de segurança alimentar. Isto vale para frangos, suínos e produtos alimentares em geral.

Uma segunda conclusão é que a UE vai ter muitas dificuldades em reduzir ou acabar com seus subsídios agrícolas, pois sua agricultura é amplamente não competitiva e, sem os subsídios, a UE corre o risco de virar importador líquido de alimentos e abrir mais esse flanco em matéria de segurança.
Por fim, no setor de defesa, onde o Brasil é vulnerável, não aplicamos raciocínio semelhante? Podem ver que toda compra militar brasileira, sobretudo se for de grande monta, tende a ser casada com transferência de tecnologia e investimento em produção local. E, embora não estejamos muito ativos nisso agora, a ideia de subsidiar a indústria de defesa no Brasil é ideologicamente aceita por quase todo o espectro político.

Wednesday, August 13, 2008

Caos no Cáucaso - 8

Realismo é isso aí:


Questões psicológicas, econômicas e políticas motivaram Rússia

Entrevista com Marshall Goldman, PhD em estudos da Rússia pela Universidade Harvard, sobre a ofensiva russa na Geórgia.

Friday, June 20, 2008

Imigração vs. Petróleo


O bufão venezuelano blefa.

Contra as novas leis anti-imigratórias recentemente adotadas pela U.E. – retenção de ilegais por até 18 meses e imposição de um período de até 5 anos para sua reentrada –, Hugo Chávez ameaça cortar investimentos europeus na “pátria bolivariana” e suas exportações de petróleo ao continente.
Pura balela!

Somente 1,7% do petróleo importado pela U.E. correspondem ao venezuelano e, na outra ponta, só 5,6% das exportações venezuelanas vão para a união. Só que diferentemente dos líderes europeus, Chávez não pode dispensar um centavo dos proventos que destina aos seus programas sociais populistas.

O caudilho já tentou o mesmo contra os EUA, por pura retórica claro, pois este país importa muitíssimo mais... Só que o petróleo bruto venezuelano é tão pesado e ácido que não é fácil encontrar quem o compre. Somente aqueles que detêm tecnologia para refiná-lo.

Portanto, Chávez só faz propaganda nacionalista. Não tem este poder que arrota.

Friday, June 13, 2008

Leprechauns e paranóicos



Parece que não só os leprechauns têm exagerado no uísque e na Guiness, os teóricos da conspiração devem ter esvaziados os canecos antes...



A Irlanda votou ontem plebiscito que decide a aprovação do Tratado de Lisboa sobre as políticas econômicas de Bruxelas, assim como o aborto e a eutanásia.

Meu ponto aqui não é o tratado em si, mas sim as análises que o vêem como uma ameaça à soberania nacional, no caso a irlandesa.

Eu já visitei aquele pequeno país de cabo a rabo e o que mais vi nas estradas depois do asfalto recém colocado foi uma placa padrão que dizia “obra construída com recursos da União Européia”. Só ingênuos para não compreenderem como um país atrasado e pobre, atolado no lodo do tradicionalismo, pôde demonstrar tamanha pujança econômica atual.

Claro que eles fizeram suas reformas econômicas, sem dúvida! Mas, de onde se acha que vieram os recursos que estas reformas visaram atrair?

Só mesmo uma brutal ingenuidade para sustentar a crença de que este tipo de legislação mais liberal e permissiva à atração do capital se configura numa espécie de “autoritarismo europeu”. Só a completa ignorância para desconsiderar que a Irlanda utilizou um expediente de “guerra fiscal” à escala do estado-nação. O que prova que não existe uma submissão que os paranóicos querem enxergar num suposto “governo mundial”.

Se hoje em dia os ganhos econômicos de se integrar à União Européia parecem “arquievidentes”, nem sempre foi assim. À época de sua implantação, o empreendimento europeu era incerto e, só mesmo com a economia em frangalhos para se requerer a constituição de uma organização supranacional em detrimento do velho e seguro porto do nacionalismo. Mas, assim como não se pode levar o bônus sem carregar o ônus, não se pode ver o céu sem morrer...

Porém, acordos subentendem a aceitação de suas partes e, no caso, a U.E. não exerce “autoritarismo” algum, não porque Bruxelas não o deseje, mas simplesmente, porque não dispõe desta força. Querer nunca foi sinônimo de poder... A U.E. é tão “autoritária” que as lideranças dinamarquesas tiveram que fazer dois plebiscitos nos anos 90 porque no primeiro, o Tratado de Maastricht fora rejeitado pelos cidadãos dinamarqueses. A U.E. é tão “autoritária” que os espanhóis riram quando Copenhague quis proibir as touradas ou os bancos europeus quiseram que seus funcionários na Espanha deixassem a sesta e se adequassem ao padrão de seus horários. Evidente que não passaram tais determinações e a Espanha segue como uma das mais bem sucedidas economias européias. Aliás, ouso dizer que foi o país que melhor entendeu e se inseriu na globalização econômica mundial sem abdicar de suas particularidades culturais.

Não é tão simples assim o modus operandi da organização, nem “de cima para baixo” como vaticinam nossos “teóricos do globalismo”.

E arrisco a dizer que se fosse uma condição para sua permanência, acatar esta determinação de Bruxelas, Dublin se submeteria. Afinal, entre a realidade do atual “Tigre Celta” e o que passaram os irlandeses retratados por um “As Filhas de Ryan”, os cidadãos daquele país não devem ter dúvidas em optar pela primeira.

Porém, tal hipótese de um “jogo de soma zero político” sequer se configura. O que me impressiona não é o fato de que paranóicos descartem a realidade para fazer valer suas teorias conspiratórias. O que realmente me impressiona é que mesmo após os casos em que uma determinação de fora é rejeitada, provando que a U.E. não exerce a influência de que é acusada e, muito menos, uma suposta autoridade, mesmo assim se busca a confirmação de “autoritarismo!” Ora, qual autoritarismo se ela não é obedecida? Os dados são esfregados na ara do observador e, mesmo assim, a realidade não só é rejeitada como se tenta encaixa-la em uma hipótese ad hoc. Impressionante!

“Ideologias fast-food”, respostas rápidas e assimiláveis caem bem para aqueles que não têm compromisso com a refutação. Para esses é inadmissível que normas jurídicas do “superestado europeu” possam ser acatadas através de um plebiscito. Os teóricos do globalismo, na verdade, parecem não querer admitir que algo possa ser, democraticamente, aceito e implementado. Talvez, porque a democracia lhes pareça uma inconveniência...

Wednesday, April 09, 2008

Grécia vs. Macedônia


Pensei que houvesse alguma 'proximidade política' entre a Macedônia e a Grécia, que a proximidade étnica que forçasse a política... Mas, até nisso aqueles balcânicos se dividem. Atenas não considera viável a entrada da Macedônia no guarda-chuvas da Otan. Pelo menos, a oposição grega aos intentos unionistas da Macedônia com a região homônima, eu conhecia...


Mas, não sei... Esse negócio de boicote aos produtos gregos pela Macedônia, assim como embargos, parece que não acabam muito bem sucedidos. Por que não acabam, se perpetuam e tudo que corrobora contra o comércio regional acaba sendo contraproducente.


A obstrução à entrada da Macedônia na UE seria como se o feitiço virasse contra o feiticeiro. Muito pior do que o dano que poderiam causar à Grécia, visto no longo prazo.


Me parece, no entanto, que se há um culpado maior nesta história é a própria Grécia ao querer o isolamento da recém emancipada nação ao procurar outras rotas e portos para comercializar com a UE. Prejuízos para os macedônios (tal como seria se os quebecois se separassem do Canadá) com os investimentos gregos totalizando mais da metade no país e a rota comercial macedônica com parceiros não-gregos tendo que passar pelo Porto de Thessaloniki, ou seja, um porto grego!


Bem... Se os EUA e a UE decidirem pela incorporação do estado balcânico a sua órbita, acho que Atenas cederá.

Monday, March 10, 2008

Um “viva” pela propriedade privada


Embora o recurso ainda seja possível, a verdade é que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos condenou o Estado português (isto é, cada cidadão contribuinte) a pagar indemnizações a dezassete queixosos que, à data da “Reforma Agrária”, foram vítimas da ocupação ilegítima da propriedade que possuíam e que, para além disso, se consideraram indevidamente recompensados pelo Estado pelas mal feitorias que lhes fizeram e aos seus bens já lá vão três décadas. A questão da “ilegitimidade” da ocupação, da legitimidade da propriedade e da obrigação do Estado de proteger a propriedade (ao considerar o acórdão violação de uma liberdade fundamental a não protecção da propriedade privada) são úteis, decisivos e vitais. É caso para dizer que o mundo fica um nadinha menos perigoso.
E aqui, a notícia a que se refere o post:
Ou seja, quem diz que o "superestado europeu" atenta contra a liberdade, literalmente, não sabe do que fala.

Monday, February 18, 2008

Kosovo independente: prós e contras - 2





15 de fevereiro, 2008 - 03h47 GMT (01h47 Brasília)
Tire suas dúvidas sobre a situação em Kosovo

A província sérvia de Kosovo deve declarar sua independência nos próximos dias.


O presidente russo Vladimir Putin afirmou nesta quinta-feira que seria ilegal e imoral a comunidade internacional reconhecer uma eventual declaração de independência da província.
O governo sérvio também já deixou claro que não aceitará uma eventual declaração de independência pelas lideranças albanesas da província.
A BBC compilou uma série de perguntas para ajudar você a entender as principais questões em jogo.

Qual é o atual status de Kosovo?
Apesar de ser formalmente uma Província da Sérvia, Kosovo é administrado pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1999. Mas tem seu próprio governo e Parlamento.
A ONU assumiu o poder depois que uma ofensiva da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) forçou a saída de tropas sérvias, que eram acusadas de perseguir a população albanesa, majoritária em Kosovo.
Na época, o governo sérvio alegou que suas forças estavam respondendo a um levante de separatistas albaneses armados.

Por que não se chegou a um acordo?
Os líderes albaneses de Kosovo dizem que não aceitam nada menos do que a independência total. Mas a Sérvia responde que quer oferecer apenas autonomia.

O que a ONU propôs?
Em abril, o enviado especial da ONU, Martti Ahtisaari, apresentou um plano que oferecia a Kosovo uma "independência supervisionada".
Segundo o plano, agências internacionais levariam gradualmente Kosovo à independência completa e à entrada na ONU.
Isso evitaria que Kosovo se anexasse à Albânia ou tivesse suas regiões de predominância sérvia separadas para se tornarem parte da Sérvia.

Algum país se opõe ao plano de Ahtisaari?
A Sérvia e a Rússia são os principais opositores.
A Sérvia rejeita a declaração de independência afirmando que é "um ato de separação evidente e unilateral, de uma parte do território da República da Sérvia e... então sem validade".
O presidente russo Vladimir Putin já deixou claro que o reconhecimento de uma declaração unilateral de independência "seria imoral e ilegal".
A Rússia é, tradicionalmente, uma aliada da Sérvia e teme uma expansão da União Européia na região dos Bálcãs. O bloco ofereceu, recentemente, um acordo interino a Belgrado, o que abriria caminho para a integração à União Européia.
Bósnia-Herzegovina e Montenegro também são contra.

Quando Kosovo deve declarar sua independência?
Ainda não foi estabelecida uma data, mas espera-se que a independência seja proclamada no dia 17 de fevereiro, depois de uma sessão especial no Parlamento de Kosovo.
Os Estados Unidos e a maioria dos membros da União Européia são favoráveis à independência e devem reconhecer o Kosovo como país independente quase imediatamente.
O plano de Ahtisaari prevê um período transitório de 120 dias após a declaração de independência, durante o qual se adotaria uma nova Constituição e medidas para garantir os direitos da minoria sérvia.
A independência de Kosovo seria efetivada depois desse período transitório.

Se Kosovo declarar independência, o que vai acontecer com a minoria sérvia?
Os sérvios são predominantes em Kosovo no norte do território, na região do Rio Ibar. Estima-se que 120 mil pessoas façam parte desta minoria.

Veja o mapa das regiões de Kosovo


Há o risco de os sérvios da região responderem a uma declaração de independência proclamando sua própria autonomia, erguendo barricadas nas estradas principais e criando verdadeiras fronteiras.
Segundo o plano de Ahtisaari, a minoria sérvia teria representação garantida em governos regionais, no Parlamento, na polícia e no funcionalismo público de Kosovo. A Igreja Ortodoxa Sérvia também teria um status especial.

Existe o risco de violência?
Soldados da Otan, que são 16 mil na região, aumentaram o nível de alerta especialmente em áreas onde existe convívio entre as etnias. Comandantes prometem mais patrulhas.
A questão mais importante é se estes militares poderão controlar pontos como a principal cidade do norte, Mitrovica, onde vivem sérvios, ou áreas ao sul, onde vivem membros da etnia albanesa.
A aliança foi fortemente criticada em 2004, quando as tropas de paz não conseguiram reprimir ataques de kosovares albaneses a sérvios.

Até que ponto a violência poderia se espalhar?
Na pior hipótese já imaginada, os 60% de kosovares sérvios que vivem ao sul do Rio Ibar seriam retirados violentamente de suas casas, enquanto os kosovares albaneses que vivem no norte seriam expulsos.
Mas a violência pode ir além. Há grandes comunidades albanesas vivendo na Macedônia e em Montenegro, que poderiam, em teoria, pegar em armas e lutar por uma união com Kosovo.
O primeiro-ministro da Sérvia também já sugeriu que o país poderia responder anexando a parte sérvia da Bósnia a seu território.

A ONU vai sair de Kosovo?
A União Européia deve gradualmente assumir muitas das funções da ONU, mas há a expectativa de que a organização mantenha alguma presença no território no futuro próximo.
O bloco europeu pretende enviar uma missão de 1,8 mil policiais e juízes a Kosovo.
Eles também planejam ter um "escritório internacional civil" no território, cuja função seria supervisionar a implementação do plano de Ahtisaari.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/02/080215_kosovoqandafn.shtml#1

Thursday, December 20, 2007

Espaço Schengen



A União Européia ampliou o seu espaço de circulação interno de 15 para 24 países. 400 milhões de pessoas serão beneficiadas para viajar sem passaporte pela Europa. O melhor disso tudo é que leis de trânsito e procedimentos serão padronizados... O que deve ser levado em conta como importante, especialmente para países que não adotam sistemas eficazes.

Sou amplamente favorável à estas regras advindas da globalização, não entendo o fenômeno como uma mera fusão de mercados, mas liberdade de fluxos em um amplo sentido. Acostumado a viajar de carro por nosso país e no exterior, este Acordo de Schengen vem como uma luva para quem busca traçar seu próprio roteiro e não se prender ao itinerário do turismo padrão.

A livre circulação de pessoas era um dos objetivos do Tratado de Roma em 1957 e que foi concretizada no referido acordo em 1985, mas só entrou em vigor dez anos depois.

O Sistema de Informação Schengen (SIS) também será unificado, permitindo a busca de pessoas desaparecidas, furtos etc. Imagine tal avanço jurídico em nossa terra sob os auspícios de uma Alca? Padrões de segurança canadenses para nossas estradas que são verdadeiros portais de cemitério...

Monday, July 16, 2007

Êta, nóis!


Por Anselmo Heidrich Geral , Economia

Não faz absolutamente nenhum sentido. É loucura, e definitivamente não é do interesse dos consumidores.
Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia sobre o subsídio americano ao etanol doméstico.

“Diga não a venda do etanol! O etanol é nosso.” É só o que falta ouvirmos sobre este combustível e sobre a possibilidade de efetuarmos um acordo com os EUA que contemple a maioria dos interessados. “Segredo nacional” que não pode ser dividido com os gringos, dizem os protecionistas que já perderam o bonde da história. Quem expropria a riqueza nacional não é o comércio externo, mas o próprio estado através de seus tributos acachapantes. A carga tributária incluída na energia corresponde a 43,7% em média da conta paga pelos consumidores. Se as estatais que controlam a produção energética no país não abrem seu capital para investimentos, qual afluxo de capital pode ser garantido? É da governança corporativa e da transparência, que fogem as estatais.

Por outro lado, a obtenção de licenças ambientais, no caso as prévias que não garantem a licença de operação, podem levar até dois anos. Isto muito embora o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) preveja sua obtenção em, no máximo, 12 meses. Estes são alguns obstáculos reais, ameaças reais ao nosso desenvolvimento e não um paranóico “interesse externo”. Quem dera houvesse mais e mais interessados em produzir e comprar o que é nosso.

Planejamento também parece ser uma palavra ausente no dicionário de nossos ministérios. Contar com a alta do preço do petróleo para o sucesso do etanol é, no mínimo, medíocre. A perspectiva tem que ser outra, a do rebaixamento dos custos de produção. Nunca é demais lembrar que se para uma OPEP as reservas de petróleo estão “sempre em vias de se esgotar”, esta mentira que tem um propósito definido, o de inflacionar o preço do barril. Para a Agência Internacional de Energia (AIE) se estima a oferta do óleo para, pelo menos, mais um século.[1] O problema envolvendo o petróleo não é de oferta, nem tecnologia, mas sim político regional. São os conflitos e guerras locais que tendem a manter a oferta reduzida. Sempre que se falou que um poço tem capacidade para mais dez anos, ele acabou produzindo por mais algumas décadas.

Por outro lado, uma vertente crítica acusa a produção de etanol como causa da inflação do preço dos grãos. Como sempre, é a retrógrada ONU, com suas agências como a FAO e a OCDE, cujas premissas protecionistas e sedução tarifária enfatizaram em relatório um aspecto decorrente da produção. Esta maneira de analisar a realidade é singular: isola-se um setor econômico dos outros, se analisa o reflexo da produção de etanol no preço dos alimentos sem considerar os reflexos na produção em regiões que serão incorporadas à fronteira agrícola como produtoras, nem no campo do emprego que será largamente beneficiado pela estruturação de toda uma cadeia produtiva. Aspectos positivos para que? São “irrelevantes”... Não se os analisa porque afetam pouco os aspectos negativos ou porque o saldo final seria positivo? Silêncio, a ONU, a OCDE e o livro do destino se fecham para nós.

Mas, seu custo não se compara ao atual do petróleo. Se há algo que onera a qualidade de vida dos consumidores no mundo, é a escassez energética e no Brasil, o peso do estado. Se os Estados Unidos desejam reconstruir sua matriz produtora de energia, mesmo que parcialmente, aí está uma “égua selada passando debaixo de nossos narizes”. É uma oportunidade única que, independente de quem quer que seja que esteja no nosso governo, não podemos desperdiçar. O preço dos alimentos aumentará? So what? Isto é temporário, pois criará uma demanda que induzirá outras regiões a produzirem alimentos, redistribuindo oportunidades de produção para outras regiões no mundo. Ao final das contas, a maioria ganha e a minoria acomodada terá que se adaptar. Capitalismo sem crises e reestruturação não é capitalismo. Ao final das contas, isto é que torna este sistema tão criativo e dinâmico.

Imagine se, realmente, os Estados Unidos conseguirem reduzir sua dependência de petróleo em 20% em dez anos, como quer George W. Bush? Nada melhor para tirarmos a vaca do brejo, seríamos uma espécie de Arábia Saudita tropical, com o benefício de não termos como subproduto, as brigas pelo monopólio da produção que existem entre as oligarquias árabes.

E seria uma miopia se vislumbrássemos apenas os EUA. No rico interior paulista, japoneses projetam a construção de mais de 40 destilarias para a produção de combustível para exportação. Negociar com gringo inclui o respeito aos contratos, diferente do que se viu com o “império inca” recentemente. Qual o problema disso? Negociar com “líder bolivariano” implica em se sujeitar às mudanças nas regras do jogo no meio do campeonato. Deve ser efeito da altitude... O que estes novos caudilhos latino-americanos não percebem é que há um grande leque de opções energéticas, dentre as quais a nuclear é a grande vedete e outras, como a eólica têm crescido em demanda.

O Brasil já suplantou os EUA como maior exportador de soja. Já atingiu a primeira colocação na produção de carne bovina e agora tem a possibilidade de dobrar sua produção de cana de açúcar. Não nos deixemos levar pelo pessimismo que, confundindo política de estado com governo, nos leva a uma oposição infantil ao etanol só porque parte de um governo do qual podemos discordar em outros (vários) quesitos. O que o Brasil deve ter em mente é que tem, momentaneamente, a faca e o queijo nas mãos. Mas, só por enquanto... Assim como a China fez com as suas Zonas Econômicas Especiais atraindo capitais do mundo inteiro e oferecendo mão de obra barata e desburocratização, o Brasil deveria fazer de modo similar aproveitando-se de sua tecnologia no setor, infra-estrutura (a desenvolver) e fatores naturais favoráveis como o maior período de insolação, por exemplo. Mas, se ficarmos “de frescura” discutindo a “essência do colonialismo agrário” ou qualquer outra bobagem, nos suplantarão fácil, fácil. Vários produtores mundiais estão se adiantando neste quesito e não será por falta de diligência que pecarão. A própria China prepara seu zoneamento agrícola para alavancar a produção de etanol nacional.[2] Se houver sinal de vida inteligente no Planalto, acordos de transferência de tecnologia deverão ser implementados. Mas, “sentar em cima da mina”, como se fazia nos anos 60 e 70 com a exportação de minérios obrigando que cada empresa portasse capital nacional majoritário, só deslocará investimentos e produção para outras paragens.

Não só a China, mas também, quem sempre joga para ganhar está mudando a face de parte de sua paisagem rural. O estado do Iowa, por exemplo, não está beneficiando apenas os produtores locais. Já há centenas de pequenos investidores, e outras de porte como a John Deere. Ao invés de tributar “atividades poluidoras”, Washington enxergou nisto a possibilidade de reduzir poluentes gerando mais empregos. E que o Brasil apresenta como vantagem? Solos, clima, mão de obra? Na verdade, uma combinação que faz com que nossa produção tenha metade dos custos da UE e 2/3 nos EUA.

Temos mais algumas vantagens. O subsídio ao etanol doméstico pelos EUA é insano, como diz o “governator” Arnold Schwarzenegger. A produção deles é próxima da nossa, mas diferentemente, sua demanda é muito maior. Enquanto que alguns de nossos obstáculos são emissões de “selos verdes” para produção ambientalmente sustentável, de acordo com normas ambientais brasileiras e européias, a produção americana tem reflexos no preço do milho que é sua matéria-prima para etanol e está na base de sua dieta. Há ainda algumas vantagens ambientais, pouco comentadas aqui, como subproduto do bagaço de cana, ainda é possível produzir biocombustível do lixo urbano. E, dá um gostinho especial saber que no longo prazo, os governos que usam e abusam de seus estoques de hidrocarbonetos, como a Bolívia de Morales, o Irã de Ahmadinejad, a Rússia de Putin, a Venezuela de Chávez terão seu poder de barganha diminuído.

O problema brasileiro fundamental é outro. A Bahia apresenta excelentes condições para a produção, mas a falta de infra-estrutura e logística, obriga a trazer 80% do álcool consumido de estados vizinhos. E, pior do que isto, sempre cabe a lembrança de que o que traz benefícios ao Brasil a partir do exterior, nem sempre é devidamente aplicado no mercado interno. Não devido a torpe visão terceiro-mundista de que adquirimos “dependência” com a globalização, mas sim porque, internamente, há sempre um “atravessador” que monopoliza tradicionalmente a produção. Seu nome: Petrobras. É a ela que devemos temer. Imagine os estoques de etanol sendo controlados por esta empresa. Alguém duvida que os preços não seguirão sua lógica monopolista ou sofrerão manipulação política?

O que falta aos críticos do etanol é perceber que este não será a salvação na substituição do petróleo (longe disto), nem o fruto maldito (através de um suposto neocolonialismo), mas uma entre tantas das formas de se produzir energia. Tal como na globalização se obtém alternativas de comercializar com diversos parceiros, as diferentes fontes energéticas somadas, diversificam a matriz energética retendo altas ou até reduzindo seus custos. A baliza que temos que adotar é o interesse dos consumidores. Isto serve tanto a nós brasileiros, quanto a qualquer povo. Mais do que do interesse de grupos específicos alojados em setores específicos, o planejamento estatal tem que visar a demanda do mercado. É nela que deve residir o foco para contratos e políticas.



[1] “ ‘Todo dia surgem notícias de que as reservas têm um limite ou que são muito maiores do que se imagina. Não parece ser isso que vai definir por quanto tempo vamos usar o petróleo’, argumenta o professor Celso Lemme, do Instituto Coppead de Administração da UFRJ. O que deve determinar até quando o petróleo será utilizado é a velocidade com que os combustíveis alternativos ganharão competitividade no mercado – vale dizer, escala e preços compensadores.” (http://amanha.terra.com.br/edicoes/232/capa01.asp).

[2] “Mas a introdução do biocombustível não será tão fácil como os próprios chineses esperavam. ‘Fizemos estudos e notamos que não podemos simplesmente passar a produzir no campo matéria-prima para combustível sem ver o impacto que isso poderá ter no fornecimento de alimentos. Com 1,3 bilhão de pessoas, nosso equilíbrio entre terras destinadas ao cultivo de alimentos e garantir que a fome não aumente é algo fundamental’ (...) Segundo o chinês, a falta de terras aráveis na China é um sério obstáculo para o etanol.” (Jamil Chade) Newsletter diária n.º 992 - 09/07/2007 - http://amanha.terra.com.br/. Esta dificuldade alheia deveria ser aproveitada por nós. Até onde nosso Itamaraty enxerga, em termos de visão estratégica, eu não sei, mas se isto não se contempla e, por contraposição, se visa reforçar laços com governos decrépitos como os de Chávez e Morales é alarmante.

Monday, July 09, 2007

EU, Brazil: Sustainability Standards and Biofuels


By the end of 2007, the European Commission aims to devise environmental standards for biofuels -- standards that will be of particular interest to Brazil, and ultimately, to the agriculture sector globally. While so-called sustainability standards will likely come under close scrutiny as a potential non-tariff trade barrier, the commission has a narrow intent in mind for them which could prove acceptable to Brazil, the world's emerging biofuels leader.
If these standards catch on beyond the EU's borders, they could set a precedent for the future development of other codes of conduct for industrial agriculture. Such standards could also lead to a further rise in already-high agriculture commodity prices -- which is good news for Latin America's Southern Cone.
The EU will require 10 percent of automotive fuels sold within the union to comprise alternative fuels (not fossil-fuel-based) by 2020. The EU's interest in biofuels is part of a larger energy strategy recently devised to secure three objectives: efficiency, carbon emission reduction and -- most important to German Chancellor Angela Merkel, who devised the policy -- energy security.
Importing Brazil's sugar-cane-based ethanol currently is the most appealing way, in terms of price and supply, to meet the 10 percent requirement, but critics have warned that in its pursuit of cleaner-burning fuels, Europe ironically risks funding ecological destruction. The poster child for this concern is the Amazon rainforest, which has been reduced at alarming rates in the past decade, in part to allow for soya crop expansion. Therefore environmental certification is being proposed to accomplish two specific objectives: to make sure less carbon dioxide is released in the production of biofuels than will be conserved by burning them in place of gasoline, and to make sure that valuable wildlife is not destroyed to make room for plantations. The second goal aims to preserve biodiversity but also links back to the carbon concern; destruction of the Amazon forest, wetlands or other similar areas would constitute the destruction of natural carbon sinks -- usually by burning, which releases more carbon into the atmosphere.
From this perspective, Europe's demand is entirely reasonable; it is merely requesting that the policy goal leading it to purchase the biofuels in the first place not be subverted. As long as the certification's focus remains on the greenhouse gas balance of biofuels production, objections by Brazil or other would-be suppliers likely will not be perceived as legitimate.
There are two groups that would like to see the certification scheme become much more extensive, however: environmentalists and European farmers. If they get their way, the minimal "sustainability criteria" attached to biofuels will address a much wider array of topics -- from pesticide and fertilizer use to water intensity, genetically modified organisms, labor standards and community impact. For environmental groups such as WWF these are matters of principle; for the farmers, they are a matter of competitive advantage. Few European interest groups are more jealously guarded than farmers -- remember, the rigidity of Europe's Common Agricultural Policy is a significant obstacle to the Doha round of WTO negotiations.

Brazil will be consulted in the course of forming the standards, and there is a chance the requirements will be mutually acceptable. As Doha sputters out, the EU is reviving its interest in a stalled EU-Mercosur trade agreement and needs Brazil as an enthusiastic broker to have any chance of success. Europe is not likely to bend on its standard agriculture protectionist measures for Mercosur any more than it did for the Doha negotiations as a whole. Thus, it will have to offer Brazil something appealing in exchange for a reduction in Brazil's industrial tariffs, a more rigorous intellectual property rights regime, and greater access to Brazil's financial, insurance, government procurement and maritime transportation sectors. Favorable ethanol import conditions are one of the best carrots the EU has to offer.
Of course, the EU structure requires unanimous consent for important trade-related decisions. Hence, even though EU Trade Commissioner Peter Mandelson has made it clear that he does not believe local farmers can produce enough biofuels to meet the EU's objectives, and he explicitly said he does not want to see protectionist barriers against ethanol imports, it is quite possible that the environmental requirements will have to be beefed up to pass muster with all of the EU's constituents.
Brazilian President Luis Inacio "Lula" da Silva is also already taking steps to head off not only European environmental critics but also Cuba's Fidel Castro and Venezuela's Hugo Chavez, who perceive Brazil's ethanol push as an affront to Venezuela's Petrocaribe program and other oil diplomacy initiatives, and have warned that the expansion of biofuels production could raise food prices for the poor. Brazil has clamped down on forced plantation labor and is phasing out the burning off of the foliage in sugar cane fields -- a process used to facilitate manual harvesting -- in favor of mechanized harvesters. These measures will not be enough to satisfy Europe, however. While da Silva's confrontation with Castro and Chavez has been mostly rhetorical, Europe will require actual guarantees that its demands will be met. Ultimately, the result is likely to be increased standards for Brazilian agriculture, but not enough to fully open the gates of the European market for most producers.
The sustainability criteria that Europe eventually decides upon will need some form of accountability tied to certification. Enforcement mechanisms have been a central problem for the credibility of environmental and social codes of conduct in a wide range of industries, and the solutions that are proposed for the biofuel question -- as well as some of the specific standards imposed -- could become a model for further certification efforts aimed at other industrial agriculture crops.
Environmental and social requirements will further drive up the price of agriculture commodities. Agriculture prices have risen steadily for the past few years, driven in part by growing Chinese demand for soya, and corn and wheat prices have already risen in the United States as corn-based ethanol competes for farmland. These rising prices have helped buttress economic growth for the past few years in Brazil, Argentina, Paraguay, Uruguay and Bolivia.
Commodity prices tend to rise and fall cyclically, and Latin American countries often face political crises during the troughs. Thus, while Brazil's ethanol expansion gives it a chance to gain clout as a world leader, it will also indirectly help maintain high agriculture prices -- and, therefore, regional stability.

Thursday, June 28, 2007

Ex-embaixador defende reaproximação do Brasil com os Estados Unidos

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“O governo e os empresários brasileiros precisam trabalhar de forma mais ofensiva pelo mercado norte-americano”. A afirmação é do ex-embaixador do Brasil em Washington, Roberto Abdenur. Para ele, é “exagerada” a prioridade dada pelos brasileiros ao comércio com países emergentes. “Com isso, o Brasil acaba perdendo muito espaço nos Estados Unidos, que é um mercado importante”, lamenta o ex-embaixador, que esteve em Porto Alegre, nesta quarta-feira (27), para uma palestra na Câmara Americana de Comércio (Amcham). Uma das vantagens é o valor adicionado das compras: cerca de 70% do que é comprado pelos norte-americanos são manufaturados – que incluem, têxteis, calçados, móveis e artigos tecnológicos. Trata-se de um dos mercados em que os manufaturados brasileiros têm maior penetração. Na União Européia, por exemplo, apenas 40% das compras oriundas do Brasil são de manufaturados. Na Ásia, o índice cai para 20%.

Abdenur acredita que a relação entre o Brasil e os Estados Unidos evolui de forma positiva nos últimos vinte anos – embora a participação brasileira nas importações norte-americanas tenha decrescido de 2% para 1,4% do total nesse período. Hoje, não há uma “supremacia americana” nas negociações, e sim um equilíbrio. “Atualmente, temos empresas daqui investindo algo em torno de US$ 3 bilhões nos Estados Unidos. Isso mostra a força do nosso empresariado”, entusiasma-se.

(Fernanda Arechavaleta)


Link relacionado:

Amcham

http://www.amanha.com.br/ - Newsletter diária n.º 984 - 27/06/2007

Wednesday, June 27, 2007

British Petroleum vai construir fábrica de biocombustíveis


























Por Folha OnLine



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Mercado de biodiesel ainda depende da adição de 2% ao diesel comum

Notas Quentes
Biodiesel: cadê a demanda?

Que o mercado de biodiesel é promissor, ninguém discute. Mas o fato é que o setor ainda está longe de atingir seu potencial. Prova disso é a Oleoplan SA – Óleos Vegetais Planalto. Neste ano, o grupo inaugurou uma usina de biodiesel em Veranópolis, no interior do Rio Grande do Sul. Até agora, porém, o empreendimento opera bem abaixo de sua capacidade. “Estamos funcionando em ritmo bastante lento porque não há demanda a não ser aquilo que vendemos para a Petrobras nos leilões da Agência Nacional do Petróleo”, reclama Irineu Boff, presidente do grupo Oleoplan. Até agora, a usina forneceu 10 milhões de litros de biodiesel à Petrobras – o que equivale a apenas 15% da produção prevista até o final deste ano. Por enquanto, a estatal é a única empresa disposta a comprar o biocombustível. Até porque, segundo Boff, o produto é cerca de 35% mais caro do que o diesel tradicional.


Ao investir no mercado de biodiesel, a Oleoplan mirou em três mercados: o obrigatório; o de empresas de transporte coletivo e de cargas; e o de exportação. Todos eles são problemáticos. O primeiro é um mercado que surgirá apenas em 2008, quando se tornará obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao diesel comum. Os produtores querem que esse índice suba logo para 5% – o que, na agenda do governo, só aconteceria em 2013. “Para melhorar a situação ainda neste ano, reivindicamos que a Petrobras adquira maiores volumes”, informa o presidente da Oleoplan. Com relação às empresas de transporte, Boff acredita que elas só não utilizam o combustível por causa do preço. Quanto ao mercado externo, que hoje se concentra na União Européia, a exportação brasileira esbarra no protecionismo do bloco. “A União Européia está com o pensamento voltado para o fortalecimento das indústrias dos países membros, mas acredito que eles serão forçados a importar em meados do ano que vem”, antevê Boff, que acaba de voltar da conferência Clean Fuel Summit 2007, realizada em Barcelona. De acordo com o executivo, a meta é que os biocombustíveis representem 5,7% do total de combustíveis consumidos na UE até 2010. Atualmente, o índice é de apenas 1,4%.

(Luiza Piffero)


Links relacionados:

Oleoplan

Clean Fuel Summit 2007

http://amanha.terra.com.br/ - Newsletter diária n.º 983 - 26/06/2007

Friday, June 15, 2007

Kosovo: Merkel vs. Putin




A história sempre tem 2 lados. No mínimo...



Putin and Merkel Face Off Over Kosovo

Russian Foreign Minister Sergei Lavrov lambasted Western leaders on Thursday for holding "secret talks" on the future of the Serbian province of Kosovo. Representatives from the United Kingdom, the United States, Italy, Germany and the United Nations met in Paris on June 12 for unscheduled talks to hammer out a common position on the issue. Notably absent from this meeting of the Contact Group on the Balkans were, of course, the Russians.

Moscow is outraged at the possibility of an independent Kosovo, not because it considers Serbia an ally but because a successful Western effort to impose its will upon Serbia against Russian wishes would signal the end of Russia's influence in Europe. It also would signal that Europe believes Russian objections can be easily swept under the rug.

Russia will attempt to convince the Europeans this is not the case. In Moscow's mind, if all it takes to become an independent state is for a local minority to agitate, then that rule could be applied elsewhere. If Kosovo can be independent, why not an independent Northern Ireland, or Basqueland, or Transylvania? For that matter, why shouldn't the Russians of Estonia and Latvia -- both members of the European Union and NATO -- be allowed to chart their own destiny (under Russian tutelage, of course)?

Put another way, Russian President Vladimir Putin feels he has little to lose in fomenting a crisis of confidence among both NATO and the European Union over the Kosovo issue. But another rising regional leader also sees some benefit in stoking the flames of the Kosovo crisis.

German Chancellor Angela Merkel is preparing for the end of her term as EU president. She has won a series of victories, largely in foreign policy, culminating in a successful G-8 summit last week. Merkel is seeking to help Germany re-emerge as a major European power, and what better way to do that than to publicly force the Russians into a confrontation and then make them retreat?

It was Merkel, not U.S. President George W. Bush, who said bluntly at the summit -- with a none-too-pleased Putin standing nearby -- that Kosovo will be independent. (Bush later echoed this statement during his trip to Albania.) Merkel, not Bush, has been steadily working European leaders to ensure that, when the time comes, Europe is on the same page about this issue. And it is Merkel, not Bush, who within the next two weeks will need to convince a recalcitrant Polish leadership that her vision for Europe is one worth agreeing to -- and what better way to impress the Poles than to show that Berlin can and will face down Moscow.

Merkel clearly believes that Russia will back down, since Kosovo is really not one of Moscow's core national interests, while Putin is convinced no one in their right mind would sacrifice anything of substance for the Kosovar Albanians. In other words, Kosovo will evolve into a crisis not because of the merits of the case but because both Putin and Merkel desire a crisis -- and Kosovo is conveniently on the table, with both sides convinced the other is not serious. The last time Germany and Russia faced off over an issue with this little effect on their national interests -- the assassination of an archduke in Sarajevo 93 years ago -- resulted in World War I.

There is still ample time for both sides to step down, but if this goes on much longer, they will not be able to do so without losing a great deal. Putin would lose the ability to impress Russia's desires upon Europe, and Merkel could lose legitimacy as the preeminent leader of both Germany and the European Union.

http://www.stratfor.com/


Kosovo

Source: Carol Guzy, Michael Williamson andLucian Perkins/ Washington Post


Kosovo, a southern province of Serbia and Montenegro, has seen deep conflict between its Serbian and ethnic Albanian population. In 1974, the Yugoslav constitution granted Kosovo, then part of the Federal Republic of Yugoslavia, autonomous status. In 1989, amid rising breakaway movements throughout Yugoslovia, Yugoslav President Slobodan Milosevic revoked Kosovo's autonomy, a step that deepened Serb-Kosovar differences. The majority Kosovar movement favored non-violent political action, but a separatist movement called Kosovo Liberation Army (KLA) came to the fore, receiving arms and funds from Albania and (later) from the US and German intelligence services, while the Russians backed the Serbs. The KLA attacked police and government installations as well as Serb civilians. As Serbian government forces struck back, they committed atrocities and the Kosovar population began to flee in large numbers. Several international efforts to broker a peace plan failed. Western nations demanded major concessions from Belgrade, including free passage of NATO military forces into Kosovo. When Milosevic rejected these demands, NATO bypassed the UN and began a 78-day bombing campaign, leading to an increase in the flow of Kosovar refugees. This "humanitarian intervention" was marred by NATO's inability to ensure the safety of innocent civilians. The NATO bombardment eventually forced Milosevic to withdraw troops from Kosovo in June 1999. The UN established a Kosovo Peace Implementation Force (KFOR) and an Interim Administration Mission in Kosovo (UNMIK), asserting administrative control over the province. In 2003, the UN established a set of basic conditions for the political future of the territory and insisted that the Kosovo administration meet these benchmarks before discussing the territory's "final status" - that is, would it achieve independence or would it become an autonomous region within Serbia and Montenegro. Renewed ethnic violence in 2004 raised concerns over UNMIK's ability to maintain peace in the province. Talks to determine Kosovo's future remain stalled.


See also our pages on Peacekeeping , International Criminal Tribunal for Yugoslavia and Emerging States


http://www.globalpolicy.org/security/issues/ksvindx.htm

Thursday, June 14, 2007

Frases e "rápidas"

“É band-aid para gangrena”.

Carlos Mendonça de Barros, economista-chefe da Quest Investimentos e ex-presidente do BNDES, sobre o pacote do governo federal para estimular as exportações e beneficiar setores prejudicados pela atual taxa de câmbio.

“As medidas são boas, mas não resolvem o problema da competitividade do setor. É como dar uma dose homeopática em um paciente que está na UTI”.

Élcio Jacometti, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), sobre o pacote do governo de apoio aos exportadores.

“Eu não sei como R$ 3 bilhões podem ser inócuos. Para mim não são inócuos, não sei para os empresários".
Ministro da Fazenda, Guido Mantega, defendendo as medidas de apoio do governo aos exportadores.
"Não há apenas uma coisa que precisa ser feita para solucionar os problemas da economia do Brasil. É preciso uma série de iniciativas, como melhorar as instituições de crédito e de investimento, para dar mais suporte aos empreendedores".
Economista Edmund Phelps, Prêmio Nobel de Economia em 2006.


Rápidas
(Dirceu Chirivino)
WWF questiona planos de países da UE sobre emissões de CO2
A organização ambientalista WWF (Fundo Mundial para a Natureza) coloca em dúvida e aponta os riscos da fórmula que nove membros da União Européia deverão adotar para cortar as emissões de CO2 entre 2008 e 2012. Os planos da Espanha, Alemanha, Reino Unido, Polônia, França, Irlanda, Holanda, Itália e Portugal para reduzir as emissões no período, foram analisados em um relatório da WWF, divulgado na manhã desta quarta-feira. A organização teme que, de 88% a 100% da redução das emissões exigidas dos nove países venham a acontecer fora da União Européia. Amparados pelas normas dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto, os Estados têm a opção de comprar direitos de emissão por meio de iniciativas de redução de emissões de países em desenvolvimento. O relatório alerta que “a importação de créditos pode baratear para a indústria da UE a redução das emissões, mas o acesso fácil a um grande volume de créditos ‘poderá diminuir o incentivo no investimento em tecnologias limpas e desacelerar a inovação".
Agora, a seção "me engana que eu gosto":
Petrobras não teve prejuízo com vendas de refinarias para a Bolívia, diz Gabrielli
Durante audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (13), o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, negou que a estatal brasileira tenha perdido dinheiro nas vendas das suas duas refinarias para a Bolívia. As plantas da Petrobras em Cochabamba e Santa Cruz de La Sierra foram repassadas ao governo boliviano em meados de maio, pelo valor de US$ 112 milhões. Segundo Gabrielli “de 1999 para cá, as duas refinarias deram lucro suficiente para remunerar os investimentos da Petrobras". Segundo estimativas do mercado, a Petrobras investiu pelo menos US$ 30 milhões nas duas plantas.
http://www.amanha.com.br/ - Newsletter diária n.º 974 - 13/06/2007