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Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Tuesday, December 21, 2010

Um mapa inter-urbano


Qual o tipo de cidade ideal? Tamanho ideal? Apesar de toda crítica que se faz às grandes cidades, eu não sei se as pequenas cidades são as melhores... Eu diria que viver em cidades médias ou grandes com até 2 milhões de habitantes é que é a melhor opção, combinando qualidade de vida com oportunidades de trabalho, lazer e fluidez do tráfego. Mas, depende, claro, do estilo de vida que se pretende ter ou manter.
Talvez, uma perspectiva de futuro mais racional não seja uma “cidade ideal”, com tudo, mas uma rede de cidades entremeada por áreas verdes, condomínios com fácil acesso etc. 
No livro Os Confins da Terra, Robert Kaplan fala das cidades constituídas ao longo da Rota da Seda e os mapas da época, que traçavam linhas entre pólos, estradas entre cidades como fato geográfico predominante. Estas foram substituídas pelas linhas de fronteira entre estados, cuja atual realidade (globalizada) parece fazer retornar. Ao invés das redes, o mundo assistiu a colcha de retalhos tomar conta da Terra com a modernidade. Talvez agora, com essa pós-modernidade assistamos, novamente, ao ressurgimento de antigas redes guiadas pelo comércio, com fluxo de pessoas, bens, serviços e idéias.
Não acredito em realização de utopias como harmonia praticável. Conflitos sempre existirão, mas as guerras podem ser bastante reduzidas se esse cenário de integração criar co-dependências que limitam os conflitos sanguinários por puro interesse econômico. Então, é bom que haja dependência e que soframos, eventualmente, com uma crise aqui e ali. Isso é o melhor dos mundos possíveis. Não precisamos de nenhum éden se temos isso, o mais cínico dos mercados Wal-Mart ou Carrefour são melhores do que a fé dos generais.
Mas, para chegarmos a isso, o próprio cenário interno já tem que estar integrado nesta rede. Ou é isto ou o Rio Grande do Sul se integrará a Argentina. Nada contra, mas eu prefiro que seja uma transição ao invés de, simplesmente, se bandear para o outro lado.
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Wednesday, November 17, 2010

Invasão das espécies invasoras! | OrdemLivre.org


Está aí um artigo bastante controverso. Particularmente, eu simpatizo com a idéia, mas isto não quer dizer que a endosso, mesmo porque não tenho conhecimento e dados suficientes para opinar sobre o assunto. Vale à pena lê-lo e, quiçá se aprofundar a respeito:
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Sunday, September 12, 2010

As ruínas da razão


Sobre:


Tá bom, quer dizer que para criticar a sociedade atual vale criticar o crescimento do Império Romano?! E o absurdo de tudo é criar uma espécie de “lei” do crescimento como inversamente proporcional a sustentabilidade. Os romanos ficavam sem território para conquistar e passavam a ter menos terra fértil e mão de obra... Então tinham que intensificar a produção. Este é o legítimo programinha chupa-cabra mesmo. Disso que falaram sobre os romanos pulam direto para o esgotamento de reservas petrolíferas, como se só tivéssemos isto como fonte energética.
Outra coisa, eles mostram o Império Romano como tendo acabado e, para quem não conhece a história, sem deixar vestígios. Eles não avaliam honestamente ao contrabalançar com o legado (e, portanto, continuidade) deste império e todos os frutos para a civilização atual. É diferente comentar um caso como o dos maias e seu desaparecimento, supostamente, ligado a uma explosão demográfica e o fim do Império Romano que não foi da mesma forma: não há indícios de redução dos súditos, mas mudança de domínio.

Nevasca Negra - Tempestades de Areia varrem a América dos anos 30

Aquele negócio da poeira, com base em ventos sazonais é uma outra forçada na barra tentando reeditar o Dust Bowl que atingiu o meio-oeste americano durante os anos 30, cuja situação foi agravada pela crise de 29. Agora, a forma de “enganarmos a natureza” com os produtos químicos não é sucesso da produção (que preserva ecossistemas), mas logro. O programa é um lixo e é tomado por juízo de valor do início ao fim. E a compra de terras na África, p.ex., pela China é mal vista porque se dá em terras de pobres. Quer dizer que não se contempla o desenvolvimento e empregos que já gerados e o que se vislumbra para o futuro. Todos os exemplos não levam em consideração uma contabilidade de perdas e ganhos.
Daí o sensacionalismo do programa é ridículo. Para dramatização da crise imobiliária, eles exibem um edifício sendo implodido! Depois dois, com um caindo em direção ao outro!! E que milhões de pessoas perderam seus lares?! Não perderam, perderam seus investimentos! E para arrematar ainda mostram ruínas romanas, como se fossem as casas dos romanos!! Cara, que palhaçada!
E aí a luta de gladiadores passa a ser “fachada”, como se antes não fosse o que era, diversão. O paralelo entre isto e o momento atual, bota anacronismo aí... É para nos mostrar tão irresponsáveis quanto os líderes romanos, como se ambas situações tivessem a mesma causa. Só falta dizerem que o terrorismo atual se equivale às invasões bárbaras. Claro, não faltaram caças supersônicos após o comentário sobre crescentes gastos com legiões romanas.
“Quando as forças germânicas derrotaram...” Ora, os germanos se romanizaram e vice-versa. Parecem os paranóicos conservadores americanos que temem os imigrantes (legais, inclusive) como aqueles que acabarão com seu modo de vida. Como não dá para nos igualar aos maias, anasazis etc., pegam os romanos simplificando sua crise e esquecendo de analisar o que foi a transição entre longos períodos na história. Conflito na fronteira com o México... Já existe e não é por que a vida ao norte piorava, mas porque ainda é muito boa atraindo imigrantes/mulas levando drogas sem cessar.
Pronto! Foram para a Somália para assombrar o futuro de Nova York! Este programa não existe! Que que é isso? O samba do ambientalista louco! Meu deus!
A globalização acelerar nossa queda? O quê?! E ainda nos vem falar de educação? Como se esta prescindisse da própria globalização... Como obter informações do mundo todo sem comunicações? Sem globalização?
Então, há uma luta entre duas naturezas, a “animal” que prevalece e a “lógica” que deve prevalecer. Esses caras não têm assessores etólogos para coibir este tipo de asneira, não?
Jared Diamond pode propor soluções energéticas e urbanísticas, no que está certo, mas sua avaliação sobre história e economia é, no mínimo, sofrível, um show de horrores intelectual. É a mesma conversinha paranóica desde a Conferência de Estocolmo em 1972 – a que precedeu a Eco’92.
“O legado do colapso pode estar contra nós...” Como um colapso deixa legado nos permitindo sobreviver? Há um contra-senso óbvio nesta frase. Tentaram terminar o programinha chupa-cabra com um toque de esperança, mas depois de tudo que disseram, esqueça.



[*] Referente ao programa “O Melhor do Nat Geo” de 12 de setembro de 2010, 21h30.

Monday, August 09, 2010

Brasil e Nova Ordem


Javier Santiso
Profesor de economía en ESADE Business School.
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El resultado apunta hacia una aceleración de las tendencias imaginadas por los economistas hace apenas unos años: se anticipa ahora que el PIB brasileño (en términos de dólares) podría superar al de Italia en 2020, es decir, cinco años antes de lo previsto por Goldman Sachs en 2003. En 2029, la economía brasileña podría compararse con la de Alemania (siete años antes de lo anticipado) y con la de Japón en 2034, algo que no sé ni siquiera si se contemplaba anteriormente. Los países OCDE ya no son los únicos que llevan la batuta en el mundo.

En 2009, los intercambios comerciales entre los países emergentes superaron los realizados con los países OCDE. El mayor socio comercial de Brasil, de India o de África del Sur ha dejado de ser un país OCDE para ser otro emergente: China. En 2009 la inversión extranjera directa en los países emergentes acaparó 46% del total mundial, casi a la par con la volcada hacia los países OCDE (56%).

El caso de Brasil es emblemático. En 2008, en plena crisis global, el país recibió un récord de inversiones de US$45.000 millones. Y no son sólo inversionistas europeos o estadounidenses los que ponen su dinero en Brasil, sino también inversionistas asiáticos y del Medio Oriente. Aún más emblemático es que también Brasil se ha vuelto un inversionista potente en el extranjero. En la década de los 2000 han surgido multinacionales brasileñas cuyas capitalizaciones bursátiles son hoy en día comparables a las de sus pares de los países OCDE.

El mundo se ha dado vuelta y Brasil desempeña un papel clave. Más que nunca, Brasil es una potencia del presente tiene mucho futuro.

Friday, December 25, 2009

Crítica aos críticos da globalização



A globalização e seus descontentes: 

um roteiro sintético dos equívocos


Doutor em Ciências Sociais, diplomata, autor de vários trabalhos sobre relações internacionais e política externa do Brasil

I. Une petite maladie française...
Mesmo sabendo que é particularmente difícil dialogar com os antiglobalizadores (sejam eles profissionais ou amadores), venho, desde muitos anos, tentando manter aberto um canal de debate sobre algumas das questões mais relevantes da agenda internacional.
De fato, no que se refere aos problemas de desenvolvimento e de distribuição mundial de riqueza, que estão no centro de grande parte dos conflitos remanescentes no cenário internacional, parece ser virtualmente impossível chegar a um terreno comum de entendimento com os antiglobalizadores, em geral em função de uma tendência latente, chez eux, àquela virtude que os franceses chamariam derepli-sur-soi (e que nós chamaríamos, simplesmente, de “política do avestruz”).
Sei que eles, adotando um vocábulo de origem francesa, preferem chamar a si mesmos de “altermundialistas”, mas como eles nunca apresentaram a arquitetura exata desse “alter” mundo, vou continuar chamando-os de “antiglobalizadores”, até que eles apareçam com a receita do novo mundo.
Os franceses, justamente, que detêm o “copyright” mundial do alter-mundialismo, são especialistas no esforço, geralmente inútil, de lutar contra “moinhos de vento”, a começar pelo exercício intelectualmente patético de recusar o conceito anglo-saxão deglobalization, preferindo em seu lugar o equivalente doméstico mondialisation.
Eles também vêem se especializando, nos últimos tempos, em lutar contra eles mesmos, ao mesmo tempo em que contra o seu próprio país, como revelado nas maciças manifestações contra a flexibilização tentativa das relações contratuais de trabalho, empreendida pela gestão Dominique de Villepin (até quando ele vai resistir?). A maior parte dos franceses parece preferir uma taxa maior de desemprego e uma menor de crescimento econômico, numa demonstração canhestra, ou tosca, de que não existem piores males sociais do que aqueles auto-infligidos, conscientemente ou não. Assistiremos, provavelmente, a maiores e mais pesados embates políticos, até que o cansaço social e o aprofundamento inelutável da decadência nacional consigam realizar uma convergência dos franceses em direção da lógica cartesiana e da razão econômica.
Ou será que não? Ah, mais ça importe à qui, finalement?
II. Et le Brésil, comment va-t-il?
O Brasil não está imune ao mesmo tipo de reação “ludita” contra as tendências atuais e futuras da globalização, uma vez que, aqui também, ostentamos as rigidezes sociais da França no que se refere à legislação laboral e um mesmo espírito “gaulês” de “solução de controvérsias”, que faz do “enfrentamento de classes” não apenas um método de luta mas, sobretudo, uma ação finalística que sempre visa algum grande projeto de “reordenamento social” no sentido da redenção dos males do passado e da construção utópica de um futuro imaginado.
Tampouco escapamos dessa espécie bizarra de “pacto social perverso”, que faz com que a sociedade prefira sempre exigir “direitos máximos”, em lugar de pensar em primeiro lugar em “obrigações mínimas”, ou daquela outra inclinação surrealista que consiste em pedir sempre maiores serviços ao “Estado”, olvidando que a fonte de todos os recursos do Estado nada mais é do que a riqueza gerada na própria sociedade, que aliás deixa, no meio do caminho, uma parte dessa renda aos burocratas e outros intermediadores estatais.
Mas, estes são os nossos “males de origem”, difíceis a extirpar, sobretudo quando tantos intelectuais de gabinete e muitos dos seus companheiros acadêmicos, em lugar de se dedicarem a uma análise objetiva da realidade contemporânea, tal como “realmente existente”, se comprazem mutuamente nesses encontros de protesto contra a globalização “assimétrica”, contra o capitalismo “selvagem” e a arrogância “unilateral” do império.
A auto-ilusão é uma virtude muito bem compartilhada por todos esses representantes típicos do niilismo contemporâneo, em especial quando o que menos importa nessas ruidosas reuniões é a lógica do pensamento e sua conexão com os fatos objetivos. Daí a minha sensação de mais perfeita inutilidade ao escrever tantos e tão variados textos sobre a globalização, já que o que faz sucesso, retumbante, é a antiglobalização militante, a luta contra o “pensamento único” das regras do consenso de Washington e contra a ditadura do neoliberalismo.
Sim, cabe a pergunta: alguém já assistiu, em qualquer lugar da terra e, sobretudo, no Brasil, a alguma manifestação “em favor” da globalização? (r.s.v.p: meu e-mail).
III. A água é mole, mas a pedra é duríssima (e as cabeças ainda mais...)
Como eu sou um pouco persistente nesse empreendimento inglório, continuo a tecer meus comentários iconoclastas, mas confesso que o exercício me parece bem mais próximo daquilo que se chama de “tarefa de Sísifo”. Vou persistir, assim, nesse encargo, ainda que eu seja o primeiro a reconhecer que a minha vontade de debater é, no mais das vezes, absolutamente unilateral, já que nunca vejo vir alguma coisa, qualquer coisa, do “outro lado”. Deve ser por autismo e introversão, certamente.
Ainda assim, pretendo continuar na arena das idéias, armado, como sempre estou, unicamente de meus instrumentos habituais de “combate”, que são a lógica como método irrecusável de argumentação, a sustentação empírica e a exibição de evidências históricas e fáticas em apoio a minhas afirmações e propostas.
IV. O meu roteiro dos equívocos dos antiglobalizadores...
Dito isto, passemos aos argumentos de trabalho. Quais seriam, numa visão sintética, os elementos essenciais de qualquer discurso empiricamente embasado sobre a agenda internacional da globalização e seus principais problemas?
Eles parecem se resumir a estas questões maiores:
A globalização e seus possíveis pontos de contestação:
1. A globalização e o desenvolvimento: convergências ou divergências?
2. A globalização e as políticas neoliberais: elas produzem recessão e desemprego?
3. O “consenso de Washington” fracassou na América Latina? E o caso do Chile?
4. Liberalização comercial e produtividade: quais as evidências nesse campo?
5. Liberalização financeira e capitais voláteis: e o problema da estabilidade?
6. Relações de trabalho e desemprego: quais as lições dos países mais flexíveis?
7. Inserção internacional e interdependência econômica: quais são os problemas?
8. Patentes e países pobres: como avançar em ciência e tecnologia?
9. Investimentos externos e autonomia tecnológica: eles são opostos?
10. Segurança alimentar e protecionismo agrícola: e a situação dos países mais pobres?
11. Taxas sobre fluxos de capitais: elas são positivas ou mesmo necessárias?
12. Livre-comércio ou mercantilismo: o que é bom para o crescimento?
Vejamos agora, ainda que resumidamente, cada um desses pontos de controvérsia. Eu o farei sob a forma de quadros sintéticos, sem me preocupar, no momento, em desenvolver cada um dos pontos. Disponho, em todo caso, para ajudar os curiosos e insaciáveis de conhecimento empírico, de tabelas, relatórios, estatísticas, estudos setoriais e globais, publicações especializadas dos organismos internacionais, enfim, tudo o que possa servir para embasar, quantitativa e qualitativamente, cada uma das minhas afirmações nas células “orientais” de cada uma das tabelas (eu poderia dizer “células da direita”, reservando o privilégio da “esquerda” para os antiglobalizadores, como de fato ocorre, mas esse tipo de derivação ideológica-terminológica me parece por demais infantil).
Aceito contestações e polêmicas, mas os candidatos ao debate deverão comparecer, por favor, armados dos dados estatísticos, relatórios e outros informes que permitam comprovar as acusações também genéricas que aparecem nas “células da esquerda”.
Voilà, allons-nous...
1. A globalização e o processo de desenvolvimento: convergência ou divergência?


Antiglobalizadores:


Realidades da globalização



Globalização aprofunda a miséria, cria mais desemprego e acarreta mais desigualdades no mundo, tanto dentro dos países, como entre os países


Dados estatísticos não corroboram essas afirmações; ela diminuiu a pobreza e a miséria (China e Índia); evidências são ainda insuficientes no que toca a desigualdade interna


2. A globalização e as políticas econômicas neoliberais: recessão e desemprego?


Antiglobalizadores:


Realidades da globalização


As políticas liberais produzem recessão e desemprego, privilegiando unicamente os setores financeiros e as elites


Os países que mais crescem e que ostentam as menores taxas de desemprego são, justamente, os chamados “neoliberais”


3. O “consenso de Washington” fracassou na América Latina? E o caso do Chile?


Antiglobalizadores:


Realidades da globalização


O “consenso de Washington” fracassou na América Latina e os países deveriam se opor às suas regras para retomar o crescimento, o dinamismo e se inserirem de forma soberana na economia internacional


Os países que mais se identificaram com as políticas “neoliberais”, como o Chile, ostentam taxas sustentadas de crescimento e progressos na redução das desigualdades distributivas e na qualificação competitiva de suas economias


4. Liberalização comercial e ganhos de produtividade: quais as evidências?


Antiglobalizadores:


Realidades da globalização


Processos de abertura econômica e de liberalização comercial representam o sucateamento da indústria e desmantelamento de setores inteiros da economia nacional


Países que adotaram essas medidas, como o Brasil do início dos anos 1990, registraram, as maiores taxas de crescimento da produtividade e ganhos significativos de competitividade internacional


5. Liberalização financeira e capitais voláteis: quais requisitos para a estabilidade?


Antiglobalizadores:


Realidades da globalização


As regras liberais impõem total liberdade aos movimentos de capitais e a plena abertura cambial, o que facilita as atividades especulativas nos mercados de divisas e eventual instabilidade financeira


Maior competição nos mercados de capitais e liberalização cambial reduzem o custo do dinheiro e estimulam o investimento produtivo, mas regras ditas de Basiléia devem existir para prevenir crises financeiras


6. Relações de trabalho e desemprego: quais são as lições dos países mais flexíveis?


Antiglobalizadores:


Realidades da globalização


A flexibilização neoliberal do mercado de trabalho produz desemprego e perda de direitos consagrados, resultando em precarização das relações de trabalho e terceirização das atividades


Países que mais adotaram essa postura são os que exibem as menores taxas de desemprego e o maior crescimento da produtividade do trabalho; taxas de desemprego dos EUA e da Grã-Bretanha são a metade das prevalecentes na França


7. Inserção comercial internacional e interdependência econômica: problemas?


Antiglobalizadores:


Realidades da globalização


Livre-comércio internacional acarreta desigualdades e dependência dos países das empresas multinacionais, o que compromete possíveis políticas públicas


Economias que se inserem nos fluxos internacionais de intercâmbio comercial melhoram o padrão produtivo e tecnológico, criam suas multinacionais e diminuem a dependência das matérias-primas


8. Patentes e países em desenvolvimento: como avançar em ciência e tecnologia?


Antiglobalizadores:


Realidades da globalização


Os direitos de propriedade intelectual, sobretudo na área farmacêutica, são inerentemente injustos, transferindo renda dos países pobres para os mais ricos, condenando os primeiros a uma “eterna dependência tecnológica” dos segundos


É preciso uma compensação pela inovação tecnológica; países como China e Índia, que são ainda relativamente pobres segundo os padrões internacionais, estão aderindo de forma crescente a normas mais elevadas de proteção patentária


9. Investimentos diretos estrangeiros e autonomia tecnológica: incompatibilidades?


Antiglobalizadores:


Realidades da globalização


Investimentos diretos estrangeiros criam maior dependência econômica e oneram o balanço de pagamentos pela remessa ampliada de divisas e de royalties para o exterior


Países pobres vêm aumentando o volume e a qualidade da proteção dada ao IDE (acordos de garantia de investimentos) e assegurando livre transferência dos resultados produzidos


10. Segurança alimentar e protecionismo agrícola: isso é bom para os países pobres?


Antiglobalizadores:


Realidades da globalização


É preciso garantir a segurança alimentar e reduzir a dependência externa, daí a legitimidade de políticas subvencionistas e protecionistas, como aquelas em vigor nos países desenvolvidos, como os EUA, a União Européia e o Japão


Políticas subvencionistas não são apenas irracionais do ponto de vista econômico, elas também trazem enorme prejuízo aos países mais pobres, inviabilizam sua participação no comércio internacional e os condena a uma eterna dependência econômica


11. Taxas sobre movimentos de capitais: são positivas ou até mesmo necessárias?


Antiglobalizadores:


Realidades da globalização


“Colocar areia nas engrenagens do capital”; (a adoção de uma taxa internacional sobre movimentos de capitais foi, depois, condenada pelo próprio criador da medida, James Tobin)


Os países em desenvolvimento são importadores necessários de capitais e o novo imposto irá aumentar o custo dos empréstimos e de captação de recursos financeiros nos mercados


12. Livre-comércio e mercantilismo: o que é melhor para o crescimento econômico?


Antiglobalizadores:


Realidades da globalização


O livre-comércio sempre beneficia os mais poderosos, daí a necessidade de administrar politicamente os mercados e estabelecer políticas industriais


Mercados livres são funcionais para a modernização tecnológica, ganhos de oportunidade e distribuição de renda (via especialização produtiva), permitindo a livre circulação de fatores


Conclusões: os mitos e equívocos sobre a globalização


Antiglobalizadores:


Realidades da globalização


Um “outro mundo é possível”, não mais baseado no lucro e nos ganhos materiais, mas na solidariedade e na partilha; as empresas multinacionais impõem sua ditadura econômica aos povos do mundo, esgotam os recursos naturais e comprometem o meio ambiente


O “outro mundo possível” nunca foi formalizado no papel ou apresentado em detalhes, na prática; os agentes econômicos diretos e os consumidores sabem melhor do que quaisquer governos como alocar recursos, poupança e investimentos produtivos


Nota final: espero não cansar muito meus opositores, que poderão responder aos poucos, se desejarem. (Duvido, porém, que apareçam candidatos; vale um livro, gratuito, como oferta da casa...)
http://www.espacoacademico.com.br/061/61almeida.htm

Monday, November 17, 2008

Hu Jintao 10 vs. Barack Obama 0

HOY
Política
Costa Rica y China inician negociaciones para TLCEl presidente asiático visitará Centroamérica para suscribir 11 acuerdos políticos, económicos y deportivos con ese país, e iniciar las conversaciones para la firma de un TLC.
VS.

Voted NO on implementing CAFTA for Central America free-trade.

Approves the Dominican Republic-Central America-United States-Free Trade Agreement entered into on August 5, 2005, with the governments of Costa Rica, the Dominican Republic, El Salvador, Guatemala, Honduras, and Nicaragua (CAFTA-DR), and the statement of administrative action proposed to implement the Agreement. Voting YES would: Progressively eliminate customs duties on all originating goods traded among the participating nations Preserve US duties on imports of sugar goods over a certain quota

Remove duties on textile and apparel goods traded among participating nations Prohibit export subsidies for agricultural goods traded among participating nations Provide for cooperation among participating nations on customs laws and import licensing proceduresRecommend that each participating nation uphold the Fundamental Principles and Rights at WorkUrge each participating nation to obey various international agreements regarding intellectual property rightsReference: Central America Free Trade Agreement Implementation Act; Bill HR 3045 ; vote number 2005-209 on Jul 28, 2005

http://www.ontheissues.org/2008/Barack_Obama_Free_Trade.htm

Monday, October 27, 2008

Diagnóstico e cenários regionais da crise econômica




Agora toda atenção se volta para a crise econômica que será, possivelmente superada graças a uma reordenação dos investimentos nos EUA, a partir de fontes distintas. Na Ásia e Europa talvez não seja fácil sair imune da crise ou, ao menos, tão bem estruturado. Se a crise acabar antes do final do ano nos EUA pode ser que ainda perdure 2009 inteiro para os europeus. Por outro lado, os EUA lutam para manter a estabilidade do Iraque, beneficiados pela inabilidade iraniana de produzir o caos no país vizinho. A questão se volta para a costura de acordos entre curdos, sunitas e xiitas, mais que tudo. Como se isto já não fosse suficiente para conseguir uma bela dor de cabeça neste fim de mandato de G.W.B., a invasão russa na Geórgia traz elementos a mais de preocupação quando se sabe que o próximo alvo do Kremlin é a principal dissidente do bloco ex-soviético, Ucrânia.

A crise parece ter seu “lado bom” ao colocar o Iraque em segundo plano e a criação de governos regionais étnicos tem seguido em frente com um declínio do movimento de sabotagem político-militar iraniana por uma série de razões. Mas, as preocupações geopolíticas não dissipam, apenas se deslocam. E se deixam o cenário de tempestade de areia iraquiana se movem para uma blizzard ártico-siberiana galopando pelas estepes: direto do Kremlin para o Cáucaso. Quando um país se torna mal sucedido em tratar seus problemas econômicos, a mudança de foco para temas militares se torna solução recorrente e a Rússia não está bem preparada para os efeitos da crise econômica. Com reservas monetárias em torno de 700 bilhões de dólares apenas e projetos políticos para América Latina, Oriente Médio e África ainda dará muita dor de cabeça a Washington. Será uma prova de fogo para o próximo presidente, seja McCain com uma aposta no recrudescimento da velha Guerra Fria com uma Otan agressiva, seja Obama quando veremos a morte de um mito do ‘novo’ que “tudo pode ser diferente” ceder lugar para os velhos interesses de estado.

Apesar da crise de liquidez americana, a economia permanece forte. A intervenção estatal (que me perdoem os liberais) livrará no curto prazo os EUA de uma recessão. No seu sistema financeiro, até agora, apenas 13 bancos fecharam as portas. Já, o contágio europeu parece mais duro e as exportações asiáticas sofrem. Em primeiro lugar, por que o sistema bancário europeu não é tão saudável quanto o americano. Bancos austríacos, italianos e suecos ficaram muito dependentes da Europa Central, especialmente do sistema alemão em grau muito superior às práticas do subprime americano. O mesmo se pode dizer do sistema irlandês ou espanhol com seus subprimes. A Ásia, por sua vez, tem liquidez e está injetando direto nos EUA, auxiliando o Fed no combate à crise. Também não vemos problemas similares no mesmo grau na China ou Japão.

Se os EUA encaram uma recessão de curta duração e os europeus uma mais duradoura, o problema na Ásia é indireto, refere-se ao emprego afetado pela queda nas exportações. Deveriam se preocupar mais com a eleição de Barack Obama que vaticina um declarado protecionismo econômico... A solução asiática frente uma queda na demanda internacional não poderá fugir do subsídio a suas empresas para manter suas operações em atividade.

Monday, August 04, 2008

Sardenberg está errado



Em primeiro lugar, me apetecem os artigos de Carlos Sardenberg, bem como sua aposta no livre-comércio como propulsor do desenvolvimento. Nada a objetar neste quesito e outros como sua crítica aos subsídios.[1]

Minha crítica ao seu artigo Qual é o nosso lado?, focaliza no pressuposto sobre fenômenos não econômicos, mas políticos, notadamente o terrorismo global. Diz o comentarista econômico que:

“A Rodada Doha foi lançada em novembro de 2001, na capital do Catar, apenas dois meses depois do ataque terrorista que havia derrubado as torres de Nova York. A reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio estava marcada antes do atentado - mas parecia que nem ia se iniciar. Não havia clima para negociações cujo objetivo seria facilitar o comércio internacional e, pois, a globalização.”

“O ataque acabou influenciando na outra direção. Tornou-se amplamente aceita a tese segundo a qual quanto mais crescimento, emprego e renda houvesse nos países emergentes e pobres, menor seria o espaço para o terrorismo. E ainda: quanto mais integrados os países estivessem no comércio global, também menor seria a tentação terrorista, vista como uma
espécie de desespero diante da exclusão.”

“(...) o terrorismo quase se dissipou, não era a ameaça global que parecia ser
(grifos meus).

É comum vermos liberais criticarem marxistas devido aos seus argumentos econômicos ou pseudo-econômicos, mas minha crítica a ambos se refere ao seu reducionismo econômico. Como entender o terrorismo como um mero reflexo de desigualdades econômicas? É como se os países que mantêm as melhores taxas de resolução no combate ao crime se bastassem com políticas meramente preventivas, como se psicopatas assassinos somente precisassem de “instruções sobre civilidade”.[2]

Robert Kaplan em Warrior Politics, analisa isto de modo realista, como é sua marca. Se o século XX foi marcado por regimes totalitários como o nazista, fascista e comunista, o mesmo não se dá no século atual. Porém, os mesmos movimentos populistas que tiveram a luta de classes como combustível estão a todo vapor na era da globalização. Eles não são conseqüência desta, mas se baseiam na mesma, em sites conclamando seus apoiadores a mais atos terroristas; com operações de compras de armas; instruções de fabricação de artefatos bélicos etc.

No início dos anos 90, na Índia, nacionalistas hindus atacam mesquitas,[3] na China dos movimentos separatistas tibetano e uigur, nos ataques às igrejas na Indonésia, nos ataques de assalto na Malásia por terroristas filipinos, nas bombas covardes que dilaceram turistas australianos em Bali, nos repetidos mísseis de fundamentalistas islâmicos contra Israel, ataques curdos na Turquia etc, várias forças emergentes calcadas no nacionalismo xenófobo dão as caras no mundo dos microprocessadores, dos investimentos globais e da informação em “tempo real”.

Crer que a informação trazida pela liberalização comercial seja por si só suficiente para “ilustrar” mentes doentias é o mesmo que manter a fé na recuperação de um Champinha lendo Dostoievski. As tensões advindas do choque cultural são menos guiadas por um fosso imaginário entre classes do que padrões culturais que se avizinham nas próprias urbes. Enquanto que a humanidade se transforma cada vez mais em uma sociedade urbana, a desestruturação das sociedades rurais-tradicionais traz como subproduto massas descontentes, que são o combustível de movimentos messiânicos e oportunistas.

[1] Passagem deveras interessante é a observação sobre os principais responsáveis pela lei agrícola do Congresso americano que assegura US$ 48 bilhões para os subsídios agrícolas como obra dos Democratas que detém maioria na casa. O presidente Bush, acertadamente, vetou a lei propondo limitar os subsídios para os agricultores que auferem até US$ 200 mil anuais. Um de seus maiores entusiastas é Barack Obama e John McCain um opositor.

[2] A Desigualdade Não é Causa e a Reintegração Não é Opção - I e A desigualdade não é causa e a reintegração não é opção - final.

[3] Recentemente, o terrorismo islâmico reage no país: Governo indiano pede calma, após série de atentados.