A look back at Margaret Thatcher’s economic record
Tuesday, April 09, 2013
A look back at Margaret Thatcher’s economic record
Saturday, March 23, 2013
Wednesday, January 06, 2010
Cingapura: cenoura e porrete
1970 | 1975 | 1980 | 1985 | 1990 | 1995 | 2000 | 2001 | 2002 | 2003 | 2004 | 2005 | 2006 |
8 of 54 | 7 of 72 | 6 of 105 | 4 of 111 | 2 of 113 | 2 of 123 | 3 of 123 | 6 of 123 | 2 of 123 | 3 of 127 | 3 of 130 | 2 of 141 | 2 of 141 |
LKY é seu inventor, como se houvesse formulado cientificamente um país juntando porções exatas da República de Platão, do elitismo anglófilo, de um infatigável pragmatismo econômico e de uma repressiva e antiquada mão de ferro.
As pessoas gostam de chamar Cingapura de Suíça do Sudeste Asiático, e quem poderia contestá-las? Essa ilhota situada na ponta da península Malaia conquistou sua independência da Grã-Bretanha em 1963 para, em apenas uma geração, se transformar em um lugar de legendária eficiência, em que a renda per capita de seus 3,7 milhões de cidadãos ultrapassa a de muitos países europeus. Os sistemas de educação e saúde locais rivalizam com os de qualquer país ocidental, e o aparato governamental se acha, em grande medida, livre de corrupção. Cerca de 90% dos lares são casa própria, os impostos são relativamente baixos e as ruas e calçadas são impecáveis, sem mendigos ou favelas à vista.
Se tudo isso, mais uma taxa de desemprego em torno de 3% e uma pilha de dinheiro dos cidadãos guardada no banco graças ao plano oficial de poupança compulsória, não soa como música a seus ouvidos, experimente viajar 950 quilômetros ao sul e tente se virar num favelão de Jacarta, capital da vizinha Indonésia.
Cingapura, talvez mais que qualquer outro lugar no mundo, enseja uma questão fundamental: prosperidade e segurança sim, mas a que preço? Será que para obtê-las vale a pena viver em um ambiente que, aos olhos de muita gente, é uma sociedade de proveta, baseada na labuta incessante, numa briga de foice entre workaholics, em que o partido que se autoperpetua no poder impõe leis draconianas (o cartão de entrada ao aeroporto local, por exemplo, informa, em letras vermelhas, que a pena para o tráfico de drogas é simplesmente a "MORTE") e reprime a liberdade de imprensa, oferecendo um nível questionável de transparência financeira?
(...)
Friday, April 17, 2009
Entrevista com Francis Fukuyama

"Só vou considerar que há alternativa viável à democracia liberal se, no prazo de uma geração, o regime autoritário da China conseguir mesmo levar o país a igualar o nível de desenvolvimento dos Estados Unidos e da Europa. Acredito, porém, que esse objetivo não seja alcançável pelo atual modelo chinês."Pois então, não sei se sou excessivamente otimista ou se abuso do economicismo teleológico com sinal trocado (ao marxismo), mas acredito na evolução do sistema chinês. Inclusive, como também ocorreu na Coréia do Sul e Japão. Embora, nestes casos tenha havido guerras com ocupação e imposição constitucional posterior... É que não consigo pensar que haja desenvolvimento econômico, o fortalecimento de uma classe economicamente dominante (para abusar do cacoete herdado do marxismo) sem que haja sua correspondente ascensão política. É como se falarmos em alguém cada vez mais rico e calado perenemente pelo medo de se expor. Classes ricas tendem a ter influência política também e isto me soa óbvio."As ideias que exportamos desde os tempos do presidente Ronald Reagan (1981-1989) deverão ser modificadas, pois foram justamente elas que nos impeliram para a crise atual."Eu não tenho certeza disso, genericamente como está colocado. De que forma? Ele se refere às privatizações ou a transferência de capitais? Mesmo assim, para mim, a importância de Reagan está no enfrentamento do poderio soviético. Ele forçou a máquina até ferver. Acho que se Reagan teve méritos está igualmente no fato de que no plano de mercado defendeu a livre iniciativa, mas na política externa manteve o estado de segurança do bloco ocidental sem baixar a crista."O pior dessa história toda é que, na esteira da crise, estamos assistindo a um aumento do nacionalismo econômico. Não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. Seu desdobramento mais nefasto é o protecionismo. Esse movimento é um grande perigo. Sabemos das consequências do protecionismo. Não funcionou nos anos 1930 e não funcionará novamente."Acho que aqui Fukuyama se mantém politicamente correto. O que não está sendo dito com todas as letras é o temor do protecionismo americano, a única grande ameaça com Obama. Os países periféricos estão cagados de medo de ver seu principal cliente adotar aquilo que suas elites universitárias sempre apregoaram."Os chineses estão usando a crise econômica global de maneira estratégica, promovendo investimentos em várias partes do mundo. Eles estão aumentando seu peso político. Também pressionam por mudanças nas instituições multilaterais para que o papel deles seja mais relevante. Acho que os chineses sairão da crise com mais poder de barganha do que tinham antes."Perfeito. Também acho."Eles vivem a ilusão de que essas mudanças produzirão justiça social, mas elas são propostas por líderes populistas cujo único objetivo é aumentar o poder do Executivo. Justificam isso com programas sociais de redistribuição de renda que retiram direitos da elite e os repassam aos excluídos. É uma tendência perigosa. Se for para fazer redistribuição, que se faça com o consenso de toda a sociedade. Se não houver um consenso na sociedade para que essas mudanças ocorram, haverá uma polarização cada vez maior entre direita e esquerda."Interessante, quando todos dizem que este grupo está se fortalecendo, ele vê um enfraquecimento no seu horizonte."Porque o Brasil é mais estável. É um estado federativo, com experiência na descentralização do poder. Além disso, o consenso a respeito da importância da participação política é muito maior na sociedade brasileira do que na maioria dos outros países da região."Bem pensado, ele não é mais um que se deslumbra com a estabilidade do governo Lula, mas vê nossa estabilidade institucional que, por outro lado, tem na "república dos governadores" sua chave federativa. Isto é, a barganha é necessária para governar em Brasília. Como diz:"O problema no Brasil é o Legislativo. As regras eleitorais dificultam a formação de maiorias no Congresso, o que força os presidentes a criar coalizões com diferentes partidos. Um presidente brasileiro jamais tem uma maioria no Congresso, como o presidente Obama tem nos Estados Unidos. Além disso, os partidos brasileiros não têm disciplina. Isso é terrível. Os partidos não podem forçar seus membros a seguir a orientação do líder, o que obriga o presidente a fazer acordos paralelos. Esse modelo favorece a corrupção e dificulta a aprovação de leis.""Outro grande problema é que os professores são muito mal preparados. Para piorar, os pais dos alunos não estão dispostos a cobrar a melhoria do ensino nem são preparados para isso."Sem comentários, apenas assino em baixo. No geral, gostei da entrevista.Dá o que pensar, inclusive sua crítica ao governo Bush.
Tuesday, August 05, 2008
Sardenberg está meio certo
Sardenberg, novamente: em Algo saiu muito errado, o jornalista comenta o significado da guinada da diplomacia brasileira, inicialmente apoiada num bloco “Sul-Sul” de países emergentes para depois, se alinhar com EUA, U.E., dentre outros. O que deve ter sido, em grande medida, devido aos encontros e negociações entre Bush e Lula sobre os biocombustíveis.
O jornalista faz uma pergunta retórica sobre qual linha adotada na política externa brasileira seria a correta, uma vez que claramente endossa a atual. Se a do grupo Sul-Sul quando o Brasil protestava contra os subsídios e tarifas adotadas pelos grandes mercados consumidores ou agora, quando adota uma postura liberal querendo abarcar mercados chinês e indiano:
“Resumindo, a diplomacia Sul-Sul não passava de uma bobagem. O mundo econômico não se divide entre pobres (incluindo emergentes) e ricos. Quando se trata de abrir mercados agrícolas da China e da Índia, o Brasil, com seu agronegócio moderno e exportador, está ao lado de EUA e Austrália, por exemplo. Quando se trata de derrubar tarifas e subsídios de americanos e europeus, o Brasil está ao lado da Austrália, de novo, e da Argentina, por exemplo.”
Acima, Sardenberg resume muito bem o que penso sobre o assunto: a tomada de posição não obedece a princípios ideológicos, se trata de estratégia comercial. Para qualquer um mais afeito ao assunto, o que digo é estupidamente óbvio. Mas, o que é certo nem sempre é seguido por uma trilha reta. Como diz, acordos parciais como o da Alca não atraíram a delegação brasileira que preferiu apostar em seu papel de “líder dos emergentes” em negociações pretéritas da OMC em Doha. Agora que os países emergentes como a Índia foram os principais responsáveis pelo retrocesso, ao procurar proteger seus setores agrícolas mais atrasados, o Brasil se viu do outro lado. O que restou, foram os acordos parciais mesmo. E, acho que um acordo geral só sairá futuramente quando a soma dos pequenos acordos o justificar.
Até aí nada a objetar. Concordo com o texto. O problema é que a certa altura conclui Sardenberg que:
"Será que a retórica diplomática era só para fins políticos internos? Só para
se mostrar de esquerda?Certamente teve esse função, mas durante algum tempo pelo menos o governo acreditou nela. Tanto que causou estragos reais. (...)
De todo modo, a diplomacia brasileira tem que começar de novo, e começar por jogar fora a retórica pobres x ricos. Ao contrário do que sugeriu o presidente Lula, o acordo global, de abertura do comércio, que interessa muitíssimo ao Brasil, fracassou não por causa dos ricos, mas, no essencial, por causa da resistência de países emergentes que insistiram em proteger seus setores ineficientes. E que deram um alívio aos ricos e subsidiados agricultores de EUA e Europa, que estavam se julgando traídos pelos seus governos.O mundo não é simples."
Retórica por retórica, qualquer uma que sirva para atingir seus objetivos serve. Mesmo se for uma fossilizada se esta servir para criticar o protecionismo alheio. Em tempos de globalização, claro que o terceiro-mundismo de Celso Amorim é totalmente anacrônico, mas lembremos que quando os yankees deflagaram a guerra contra os confederados nos EUA, aqueles nortistas travestiram seus interesses de estado contra a ameaça de liberalização comercial do sul – que propunha substituir os manufaturados do norte pelos britânicos, melhores à época – como uma questão de “unidade nacional”. O motivo da Guerra de Secessão não foi somente este, que foi um dos ingredientes de peso.
A contragosto, se a retórica Sul-Sul do Itamaraty surtisse algum efeito positivo contra os subsídios e taxas alfandegárias dos países ricos, detesto admitir, valeria a pena. Algo como um “político bipolar” usando um discurso socialista para atingir resultados liberais, anti-socialistas. Não deu certo, e tudo que restou foi partir para outra. Assim oscilam as retóricas em torno de uma imutável Razão de Estado.
Hoje a conjuntura é favorável à retórica globalizante, mas isto porque na agropecuária o Brasil é competitivo. Seria a mesma coisa se não fossemos desenvolvidos neste setor?
Minha divergência com Sardenberg reside neste pequeno detalhe: o senso de realismo político que pauta as relações entre estados, obrigados que são a agradar a torcida, jogar para a multidão, obriga-os a discursar como se devessem agradar a todos, mesmo que abarquem anseios por vezes conflitantes.
Se for verdade admitir que o mundo é complexo, normas tácitas por vezes se revestem como discursos populistas.
Sunday, March 16, 2008
Realismo ou Terceiro-Mundismo?

Saturday, March 15, 2008
A política dos subsídios americanos

Saturday, December 29, 2007
O exemplo da Islândia
A Islândia chamou a atenção dos brasileiros por obter o mais alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo e nos permite uma reflexão sobre a intrigante questão do que é bom governo.

Com banco central independente, a inflação caiu para 2% a.a. O superávit fiscal chegou a ser 5% do PIB, e a dívida começou a cair. Hoje a dívida pública líquida é zero. Nos países da OECD e no Brasil, é acima de 45% do PIB.
28/06/2007
Por Lowana Veal, da IPS

Monday, November 05, 2007
Constituição do Brasil e meio ambiente

“Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”
Cansei de discutir sobre isto em comunidades liberais infestadas por anarco-capitalistas. Para estes, o trecho acima caracteriza permissiva “interferência do estado”. Ocorre que a deturpação depende do juiz e não da letra da lei. Também não se deve confundir um genuíno temor pela poluição ou dano ambiental com uma “estratégia ambientalista anticapitalista”. Um ambiente saudável protege a própria propriedade, mas outra coisa é se isto é utilizado para barrar empreendimentos ou extorquir empreendedores... Na verdade, a “interferência” que há se refere à conduta individual, que deveria ser seguida por liberais. Só posso dizer que nossos “liberais” deixam a desejar em relação ao próprio liberalismo.
Que entre os “ambientalistas” haja uma miríade de socialistas travestidos, eu não tenho dúvidas. Aliás, venho asseverando isto já há um bom tempo, mas não podemos confundir o joio com o trigo ou jogar fora o bebê com a água suja do banho... Uma das primeiras legislações sobre o meio ambiente data do regime militar, o Código Florestal de 1965. O que isto tem a ver com o atual “ecologismo” ou manipulação esquerdista pelo meio ambiente? Nada. Inclusive, a legislação feita pelos militares visava adequar o cuidado com o ambiente físico em prol da produção: preservar margens de rios com a mata ciliar serve para evitar a erosão dos barrancos mantendo a fertilidade dos solos em áreas agrícolas adjacentes, bem como a piscosidade dos rios.
Tenho clara noção de que as atribuições de estado no que tange ao meio ambiente devem ser muito bem definidas, para que não se tornem medidas e expedientes de táticas para extorsão ou suborno. Aliás, isto realmente é feito da forma errada. Abundam em nosso país decisões judiciais eivadas de esquerdismo, ancoradas em ações civis públicas orientadas pelo Ministério Público que tem uma visão anticapital. O resultado disto são os chamados TACs (Termo de Ajuste de Conduta) onde, normalmente, ao invés de definir o que pode e o que não pode, onde pode e onde não pode construir, se aplica um termo desses que significa o pagamento a título de ressarcimento. Quem deve ressarcir e quem é ressarcido? O primeiro, normalmente, cabe ao empresário e o segundo a “população” onde, rotineiramente, uma ONG que a diz representar mete a mão na barafunda. Agora, se o “povo” comete um equívoco, erro, crime, não há Ministério Público nenhum entrando com ação contra, nem uma ONG querendo punir. Nada.
O problema é que nossa Lei pode até ter uma ou outra falha, mas mesmo onde ela não está errada se dá um jeito de deturpa-la porque a cultura judicial brasileira é, antes de tudo, parte da cultura brasileira. E onde for possível se procura tributar e multar, indevidamente, o produtor. A questão não é a Lei, mas o sistema jurídico.
Isto, no entanto, não deveria confundir nossos liberais e, os mais extremados anarco-capitalistas (libertarians), mas confunde. Que socialistas vejam a genuína preocupação ambiental como “perfumaria” eu entendo, pois em suas cacholas só cabe a luta de classes e o totalitarismo como panacéia, mas dos liberais eu esperava mais... Esperava que eles não vissem a genuína preocupação ambiental como pretexto ao estatismo. Nossos liberais estão confundindo lei com cultura. Digo isto porque por mais impecável que fosse nossa legislação, com a corja que temos, ela seria deturpada de um jeito ou de outro pelas “interpretações” e pelo chamado “direito alternativo”. Junte-se o estado obeso e assistencialista, nossos vícios patrimonialistas, o tributarismo com a atual coqueluche ambientalista e temos genuínos geradores de emprego como a CVRD, a ARACRUZ tendo que pagar TACs para os vagabundos. TACs estes que em meu puído dicionário tem outro nome: EXTORSÃO.
Tuesday, October 30, 2007
Artigos sobre a propriedade privada
A Propriedade e sua Função - Neste interessante ensaio, Klauber Cristofen Pires tráz o debate sobre a propriedade em contraposição à idéia de sua "função social" para uma avaliação judídica, filosófica, econômica, praxeológica e, para mim, a mais importante das questões, a moral.
Embora os supracitados artigos não toquem no tema ambiental, a noção geral que se tem, é de que o movimento ambientalista seja, essencialmente, antiliberal porque sua militância odeia o capitalismo. Mas, esta confusão é o primeiro passo para a ignorância e, conseqüentemente,
para darmos força aos detratores do liberalismo ao não resgatarmos o que há de bom e salutar no próprio ambientalismo. Embora haja leis que relativizem o conceito de propriedade privada ao permitir sua regulação em prol de “uma distribuição eqüitativa da riqueza pública e para cuidar de sua conservação”[1], o que se entende por “legislação ambiental” é bastante genérico podendo servir, contrariamente a tendência, para a defesa da propriedade privada ao evitar danos à mesma e a destruição de elementos que a constituem. Trata-se de uma faca de dois gumes.
O tom jurídico do que se chama “lei ambiental” vai depender do contexto social no qual a dita lei esteja inserida. Enquanto que em paises como o Brasil, falar em direito ambiental geralmente atenta contra o direito individual de propriedade em outros paises é exatamente o contrário. Há exemplos de países na qual a defesa que se fez da propriedade se dá consoante da própria defesa do meio ambiente. Seria o caso de pensarmos, não contra, strictu sensu, o ambientalismo, mas de harmoniza-lo aos interesses dos indivíduos enquanto indivíduos. O problema é que “direito ambiental” hoje no Brasil não é visto como co-partícipe da propriedade privada, mas como “direito coletivo” ou “difuso”.
[1] FREITAS, Vladimir Passos de. A Constituição Federal e a Efetividade das Normas Ambientais. 3ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005, p. 26.
Monday, October 01, 2007
Liberalizar vai muito além de privatizar
O governo do estado de Santa Catarina iniciou negociação com a empresa Engepasa para lhe pagar uma indenização milionária pela duplicação da SC-401 que liga a Avenida Beira-Mar Norte em Florianópolis ao norte da ilha. No passado, o governo Vilson Kleinübing firmou o contrato com a empresa, executado até o fim do governo Paulo Afonso que previa a cobrança de pedágio como forma de ressarcimento pelos investimentos feitos. O governador Espiridião Amim que assumiu depois alegou alterações no projeto original, como justificativa para não permitir a cobrança do pedágio com o qual a Engepasa seria ressarcida. 
Com o impasse, a empresa recorreu a justiça e o atual governo de Luiz Henrique acertou R$ 50 milhões de pagamento só em honorários e custos judiciais, cujo valor total pode chegar em até R$ 590 milhões considerando indenização, juros do contrato e lucros cessantes. Após oito anos de conflito, a empresa apenas requer o pagamento da indenização e a administração da rodovia passará as mãos do estado.
Empresários foram enganados, acionistas também entraram numa canoa furada? Se houve ou não houve engano, para mim esta não é, definitivamente, a questão central. Penso que um contrato entre estado e setor privado não é como um contrato entre partes independentes porque o estado não é, nem deve ser, independente para fazer qualquer tipo de acordo proveitoso a sua administração às expensas da população. Não somos nós que teríamos mais deveres para com o estado na área econômica, ele é que nos já deve... E muito. Não se pode fazer o que bem entende em nome de uma perspectiva legalista. Mesmo que a lei permitisse contratos que prejudiquem a população, isto tem que ser observado, criticado e, na medida do possível, obstruído. Não é porque eu ache que a concessão viária administra melhor que tenho que aceitar, de bom grado, a bi-tributação.
A questão é esta: se o estado é incompetente para administrar uma rodovia de intenso fluxo sazonal – o norte da ilha é um dos principais pólos turísticos do verão no Sul do Brasil –, então, que caia fora. Agora, eu tenho que pagar impostos esdrúxulos como o DPVAT e mais pedágio? Eu opto pelo pedágio, sim, mas sem o DPVAT que não me serve em absolutamente nada.
Alegaram-me que há alternativa para quem não quisesse rumar ao norte da ilha pela rodovia, um caminho pela Lagoa da Conceição... Para quem não conhece a ilha é assim, a Lagoa é belíssima e tão ou mais visitada que o norte, o que implicaria, caso esta fosse a escapatória, em um fluxo maior ainda do que já temos e congestionamentos piores do que já são. A solução seria altamente contraproducente.
Quem diz que isto significa ser contra a iniciativa privada é cego. Também é minha iniciativa privada não querer pagar mais caro. Se há alguma viabilidade na concessão viária, tem que se ter uma alternativa, afinal já que é um trecho bi-tributado, pague quem quiser. Se alguma empresa ou sócio entrou nessa “desavisado” não serve de desculpa para eu ter que pagar mais. Quem mandou não se interar de todos percalços possíveis. Arriscou, perdeu e agora nós é que pagamos a conta?
Bi-tributação no meu dicionário significa roubo feito pelo estado ou através e com ele, tal como o caso descrito. É disto que se trata. É a mesmíssima coisa no campo da saúde e da previdência. Paises como o Chile dão a opção de se pagar pelo plano público ou pelo plano privado. Aqui, neste país surreal, temos que pagar pelos dois. Como o público funciona, mal e porcamente, todos que têm um pouco mais de recursos se vêem na obrigação de adotar um plano de saúde alternativo. Mas, se recebe seu salário em emprego formal lá vem o desconto do INSS para surrupiar seus proventos. Eu quero o plano privado sem ser obrigado a pagar pelo público. Acontece que quem recebe salário e tem carteira assinada não consegue se desvencilhar do imposto. Então, onde dá que se faça (e se faz) a informalidade.
Vejamos outro argumento:
"As regras do pedágio estabelecidas entre a empresa e o estado previam que quem comprovasse morar do lado de lá e trabalhar ou estudar do lado de cá ou vice-versa teriam passe livre no pedágio. Isto ia beneficiar inclusive quem mora fora do norte mas tem residência de veraneio nas praias. Os maiores pagadores seriam os turistas que superlotam as nossas praias a cada ano, viram tudo de pernas pro ar, vão embora e quando conseguimos recompor a ilha, já estão voltando. E nem todos estes iriam pagar, pois quem alugasse sua casa ou apto. para eles certamente iria fornecer tb. o passe livre no pedágio como atrativo."
Então tá... Imagine que eu seja um turista. Dentro da ilha me deparo com outro pedágio. Informado, digamos que estivesse... Pegaria o caminho alternativo, já saturado e com longas filas na temporada que ainda nem tem pedágio! Não sei a opinião dos outros, mas eu ficaria em Bombinhas, belíssima praia mais ao norte do estado. O pedágio, mais os tributos estatais podem ser ótimos para o próprio estado e investidores, mas não para os milhares que "se seguram" com o turismo de verão.
Apoiando o pedágio COM o tributo que já existe nós só sustentamos o vício que já existe do estado tributar, não cumprir sua função e delegar ao outro setor sua responsabilidade.
Agora, eu gostaria imensamente de saber como faria nossa ágil burocracia para verificar quem mora no norte da ilha ou além do pedágio. Eu pararia no pedágio mostrando comprovante de residência? Imagine o câmbio negro de comprovantes dos moradores aos turistas alugando os seus comprovantes de residência? Sinceramente, ou se tem pedágio para todos, sem exceção ou não se tem. E se tiver, eu não quero pagar duas vezes pelo mesmo serviço.
No Brasil se acha que privatização por si só já é indicativo de liberalização econômica. Ledo engano, ainda mais quando o estado continua arrecadando proporcionalmente mais. Liberalizar deveria significar, tirar ou reduzir o peso do estado em um determinado setor e não escorchar mais ainda o mercado consumidor.
Friday, May 04, 2007
Guy Sorman: “O Brasil não tem nada a aprender com a China”
a.h

O cientista político Guy Sorman é um francês que foge ao estereótipo. Não é mal humorado, por exemplo. E tampouco se mostra ranzinza com aqueles que tentam puxar uma conversa em inglês em vez do francês. E foi exatamente assim – bem-humorado e em inglês – que Sorman recebeu a reportagem de AMANHÃ para uma conversa de quase 50 minutos na manhã do dia 04 de abril, depois de proferir uma palestra no seminário internacional “Fronteiras do Pensamento”, realizado pela Copesul. Autor de “A Nova Riqueza das Nações”, Sorman acredita que os ideais do liberalismo estão distorcidos na América do Sul. E isso explicaria por que essa corrente de pensamento econômico é, muitas vezes, confundida com uma espécie de ideário perverso que visa ratificar a subordinação dos mais pobres aos mais ricos. Para Sorman, o problema da América Latina, e principalmente do Brasil, é a falta de igualdade de oportunidades. A liberdade de escolha – um dos preceitos do liberalismo clássico – só pode ser exercida por aqueles que têm dinheiro, e o resultado é que parcelas cada vez maiores da população começam a se identificar com correntes ditas anti-liberais. Apesar disso tudo, Sorman se declara um amante do Brasil. Confira por que na entrevista abaixo:
Futuro do Brasil e o governo Lula
Como o senhor vê o futuro do Brasil?
Por que o senhor considera que globalmente o país não vai mal?
Lula faz um bom governo, na sua opinião?
No início do ano, o governo brasileiro anunciou um programa para acelerar o desenvolvimento econômico, baseado, principalmente, no investimento em infra-estrutura, como rodovias. O senhor acredita que essa é uma maneira de acelerar o desenvolvimento econômico?
Política na América Latina
O senhor considera correta a estratégia de fechar acordos bilaterais ou todos os latino-americanos deveriam se unir?
Mas, recentemente, Lula criticou a negociação direta do Uruguai com os Estados Unidos...
Como os governos podem fazer para lidar com essa situação?
E no Brasil?
O Brasil e a China
O que o Brasil tem a aprender com a China?
O Brasil está bem atrás da China em termos de crescimento econômico...
O que emperra as mudanças na política brasileira?
Aquecimento global e questões energéticas
Com o aquecimento global em pauta, o senhor acredita que é possível ter proteção ecológica e desenvolvimento econômico ao mesmo tempo?
O que o senhor pensa sobre a anunciada crise do petróleo?
O Brasil está certo quando procura se posicionar como líder na produção de etanol?
Tuesday, May 01, 2007
Os limites da justiça social internacional
por Anselmo Heidrich
“Justiça”, hoje em dia, tornou-se um termo inflacionado na cultura política nacional e internacional ultrapassando o próprio âmbito jurídico e se estendendo para o econômico e o cultural. Na verdade, uma grande fonte de irracionalismo, a palavra “justiça” tem sido mal utilizada e soa como mero clichê para ressentidos que utilizam seus sentimentos como base para uma pretensa (e falaciosa) compreensão dos problemas mundiais.
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No entanto, o debate ideológico, culturalista e, em certa medida, religioso mesmo, contém mais mentiras, falsidades do que a saudável busca pela Verdade. O fato é que ruim com ele, pior sem ele... Analogamente, não podemos nos esquecer que até bem pouco tempo em termos históricos, nos países capitalistas, as muitas reivindicações trabalhistas (por vezes, claramente exageradas) tiveram efeitos benéficos através de um processo contínuo de negociações. Contudo, apesar de certas incongruências contábeis que mais tarde cobrariam seu preço através dos inexoráveis déficits públicos, pode-se dizer que foram menos perniciosas do que teriam sido uma guerra civil.
Há várias formas de procurar atingir um objetivo não tão evidente por si. A crítica que se faz hoje em dia, no seio do próprio capitalismo, não procura resolver antigas querelas sócio-civilizacionais, outrossim tem seu combustível ideológico na própria desconstrução do capitalismo. Basta pensarmos por que a maioria dos protestos tem seu epicentro no cenário europeu. Não é à toa que em muitos daqueles países, cerca de ¼ dos trabalhadores é constituído por funcionários públicos e segurados que vivem da transferência de renda indireta[2], assolados que estão pelas constantes revisões da máquina pública européia em transformação e que vivem sob o espectro dos saudosos Margaret Thatcher e Helmut Kohl. E isto, mesmo com o governo de oposições episódicas como a de Tony Blair que não ousam desfazer tudo que os liberais arrumaram. Nessa cizânia de interesses corporativos que a Social-Democracia semeou no continente, tudo vale para a crítica do Capitalismo, inclusive a ressurreição de antigos fantasmas históricos. Os mais extremados órfãos do socialismo tentam ressuscitá-lo em uma forma mais palatável, falsamente democrático, sob os auspícios de uma heterodoxia marxista que advogava a ocupação de instâncias estratégicas do estado e da sociedade para a formação de um corpo hegemônico que a guiaria para a construção do “Novo Homem”. Mais do que “justiça internacional”, erigindo um fácil e evidente bode-expiatório configurado no Tio Sam, o que essa gente quer é a desestruturação da locomotiva capitalista para daí sim, no day after, prejudicar a sociedade como um todo, mesmo que isto não se torne, a princípio, evidente por si próprio.
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Do outro lado do Atlântico, no país mais conhecido (e incompreendido) do mundo, os Estados Unidos, o movimento sindical teve a chance de escapar, afortunadamente, do controle de socialistas e anarquistas dogmáticos se consagrando, antes de qualquer coisa, à direção patronal e sua orientação com o objetivo real de melhorar a situação material dos operários. Através da redução da jornada de trabalho e aumento real da renda, diga-se de passagem. A pressão sindical econômica e não ideológica consagrou a seleção natural do empresariado americano. A crise americana dos anos 80, por exemplo, foi extremamente benéfica em proveito dos homens de visão. Cidades como Detroit pagaram com a desindustrialização. Inversamente, São Bernardo se desindustrializou graças à ação da CUT que nos mascarou o verdadeiro culpado ao atribuir responsabilidades a outrem, ao FMI etc.
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Sunday, January 14, 2007
Chinese accounting
Satoshi Kambayashi
SEPARATING truth from propaganda in China has always been hard, not least when it comes to numbers. Accountants, of all people, were seen as such a threat that during the 1960s they were packed off to re-education camps, dooming the profession for decades afterward. Even in kindlier times, businesses reported information that would interest a centrally planned economy, such as production quotas. The measuring sticks of bourgeois managers—costs, debt, depreciation, and (of course) profit—were ignored.
But since the 1990s China has begun scrubbing up its accounting system. At the beginning of this year it made its biggest move yet when the Ministry of Finance required the 1,200 companies listed on the Shenzhen and Shanghai stockmarkets to adopt, with important exceptions, norms similar to International Financial Reporting Standards (IFRS). These standards may sound like instruments of accounting torture, but countries all over the world are embracing them. China has given all its other firms the option of complying with them “voluntarily”—a word with many shades of meaning. If the changes are more than just cynical window-dressing designed to attract foreign investment, they will mark a profound shift in what China wants people to know not only about its companies, but also about its economy and its government.
A new accounting system would certainly help China. Most companies are good at keeping tabs on their operations, but the book-keeping is complicated by use of a thick manual that makes bewildering distinctions between different kinds of provisions. The result is a mess. “The records are complete, the question is how do you make sense of them,” says T.J. Wong, a professor of accounting at the Chinese University of Hong Kong.
Murder by numbers
There is abundant evidence, from trade statistics to fumes spewing out of factories and power plants across the country, that the Chinese economy is doing well. But how well individual companies are doing is far harder to tell. The financial results of companies that global investors wish to buy into can be as unintelligible as the dialect spoken in the company town. It is said (with apparent sincerity) that some Chinese firms keep several sets of books—one for the government, one for company records, one for foreigners and one to report what is actually going on.
Under the new approach, accounts will be prepared under 39 principle-based standards structured to reveal the economic value of a firm, with the aim of using market prices wherever possible. A clear understanding of a firm's revenues, costs and debt would enhance the efficiency of China's companies—the avowed goal—as well as making it easier to attract foreign capital and to invest abroad.
More profoundly, by properly reflecting costs, the heavy burden of state control would become more evident, as would the pricing signals that indicate the real desires of the Chinese people. Sleazy transfers of mispriced assets from the state to the private sector would become vastly more difficult. Theoretically, accounting would serve as a force for democracy.
Given all these benefits, the decision to shift accounting standards was, says one informed observer, not unlike the one to host the Olympics. It emanated from the top of the Beijing government and was aimed at bringing China into line with the rest of the world. Accounting, however, makes Olympiads look easy.
All China must pull off to host the games is to renovate bits of its big cities. By contrast, international accounting standards are built on foundations that China does not possess, such as experience of truthful record-keeping and deep, clean, markets so that “fair” valuations can be placed on financial instruments, property and softer assets like brands and intellectual property. (These in turn rely on enforceable laws.) What market exists that could put a fair price on the clumps of freshly built office blocks that stand empty in cities across China, asks Gary Biddle, a professor of accounting at the Hong Kong University of Science and Technology.
The decision to adopt international accounting standards was made in November 2005, to be put into effect in little more than a year. The announcement generated praise (for its worthy intentions) and shock (for its ambition). America, despite having the world's deepest financial markets, is concerned about using market-based “fair-value” reporting and will only partially converge with international standards by the end of 2008, if then. Thailand and South Korea have yet to pledge convergence of their own systems with IFRS, despite having many years' more experience than China with market-based accounting systems.
Beansprout counters
To witness the scale of the work ahead, you need only look at the upheavals in a mainland firm when it lists its shares in Hong Kong, and must therefore bring its accounts up to international standards. In a developed market, the number-crunching ahead of a listing takes months. In China, it can take up to three years. And these are typically the best Chinese companies, able to afford the best advisors.
Certain conditions, such as “related-party” transactions, are almost impossible to bring into line with international standards, so they will be fudged. Under international accounting norms, deals between companies with overlapping ownership are supposed to be clearly disclosed. This is a sound principle in general and particularly appropriate for companies in countries where the government owns a piece of almost everything, and presses companies to take steps that may be bad for them (such as buying from troubled suppliers to protect jobs).
But because overlapping ownership is so common in China (the government still owns shares in almost every large company), detailing each transaction would overwhelm a financial report. For “pure state-controlled enterprises” there will be no disclosure requirement.
An equally large problem is the lack of accountants to process the raw numbers. In no other place in the world, and probably at no other time in history, have accountants been so sought-after as they are in China. By even the most generous reckoning, the country has fewer than 70,000 practising accountants, trying to do the work of anything from 300,000 to a million bean counters. To be an accounting student at a reputable school is to have a good job waiting. But even after several years of education, accountants require an apprenticeship, especially if they are to get to grips with international standards based on intellectually demanding principles rather prescriptive rules. Accountants in Britain, acknowledging the difficulties, are helping with the training.
Hong Kong and China are also hosting seminars where the new standards are presented to crowds of eager accountants; but the long lectures do not provide anything like enough of a guide to a person preparing, or auditing, a firm's books. It is said that Chinese officials have put pressure on many outsiders helping introduce the new regime to say that convergence has already taken place; that has clearly frightened many, and muffled criticism.
Silence, though, would be costly, says Martin Fahy, director of development for the Asia-Pacific region at the Chartered Institute of Management Accounts. “You can't have a functioning financial market and economy without objective and independent accounting. This is a test for not only China, but for the integrity of the accounting profession as well.”
To gauge accountants' understanding of the changes to financial reporting in China, a manager at a large investment-fund company has asked a string of accounting firms whether earnings will rise or fall or at least better reflect businesses' performance. It is hard to imagine a simpler test. No one had an answer.
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