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O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Thursday, December 16, 2010

Alguma novidade



Nesta concisa e sincera nota WikiLeaks, diplomacy and geopolitics, a avaliação do impacto do vazamento de informações do Departamento de Estado Americano é colocada em seu devido lugar:

"In the practice of diplomacy, no one should be surprised that a country behaves one way and says another."

Qualquer um que já tenha se aprofundado minimamente em qualquer assunto na esfera da política internacional sabe disso. Portanto, novidade nenhuma. Que os árabes, notadamente os sauditas, conspiram para que o Irã não se transforme em uma potência regional, já era de se imaginar. Atribuir este movimento, única e exclusivamente, aos americanos fará parte da perene persecutoriedade de todo idiota mundial, notadamente o latino-americano. A ‘novidade’ por assim dizer do vazamento é colocar a questão em termos mais realistas possíveis. Agora se sabe, por escrito, do que já se intuía.
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Monday, June 21, 2010

De fezes e revezes na política externa brasileira




O governo bolivariano petista de Lula desistiu de suas tentativas de mediar um acordo envolvendo o programa nuclear do Irã, afirma o jornal britânico Financial Times em sua página na internet. Em entrevista ao Financial Times divulgada no domingo, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, afirmou que o País não tentará mediar essa questão, após os Estados Unidos rejeitarem um acordo fechado entre Irã, Turquia e Brasil em maio.

Segundo o jornal inglês, a questão levou "as relações entre o governo Lula e a administração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para seu ponto mais baixo". "Nós queimamos nossos dedos por fazer as coisas que todos diziam estar esperando e no fim nós concluímos que algumas pessoas não poderiam aceitar um sim como resposta", afirmou Amorim. Segundo o Financial Times, a fala foi uma "clara referência a Washington": "Se pedirem que negociemos de novo, talvez possamos ser úteis. Mas nós não agiremos de uma forma proativa 
a menos que nos peçam para fazê-lo". O Financial Times afirma que um alto funcionário da administração norte-americana saudou a notícia de que Brasília não pretende mais se colocar à frente das negociações, em vista da decisão de Brasil e Turquia de votarem contra sanções ao Irã no Conselho de Segurança das Nações Unidas, mais cedo neste mês. E assim se encerra a mais ridícula inciativa da diplomacia brasileira em todos os tempos, patrocinada pelo bolivarianismo do governo Lula, gerada na cabeça do trotskista Marco Aurélio "Top Top" Garcia, ex-dirigente da 4ª Internacional Comunista.




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Ou seja, tão logo o peçam, atenderemos para atuar... O título do post deveria ser Ato falho e ator que falha.


Ao invés dos revezes, só fezes


Quais reveses diplomáticos?
Qual o critério para avaliá-los como reveses?
Cristão Gibelino 


Perdão, realmente tornamos bem sucedidas nossas intenções em Doha, fortalecemos o G20 como alternativa ao G8, palestinos e israelenses rumam ao entendimento graças ao nosso apadrinhamento, idem para o Irã e o CSNU, o ingresso da Venezuela no Mercosul também foi produtivo (temos agora concorrência de petróleo em nosso mercado interno), nossas relações com o Paraguai rumam ao equilíbrio e justiça com nosso vizinho reconhecendo o direito de propriedade, o MAS reconheceu que errou em surrupiar os ativos da Petrobras e elabora um plano de ressarcimento dentro de sua capacidade de pagamento, nossas exportações de carne não têm mais recebido obstáculos por parte da UE e da Rússia, Obama ainda considera Lula "the guy" por dirigir o Haiti após o terremoto e sua política de conivência com o Hamas, Ahmadinejad só nos fortaleceu frente aos países que realmente importam, Lula (inteligente como sempre) foi lúcido em criticar a invasão do Afeganistão (pela URSS!) em encontro com chefe de estado da federação, nossa ação no patrulhamento da fronteira tem sido bem sucedida para minimizar a ação do narcotráfico rendendo elogios de opositores do PT. Mas, acho que esqueci algo...



Friday, November 02, 2007

As cinzas do charuto





Retrieving the Irretrievable: The Clinton Foreign Policy Legacy – Neste artigo, é feita uma análise da política externa de Bill Clinton. Seu aclamado sucesso em prol da democracia e do livre-mercado é tido como falso. Após uma década transcorrida da administração, seu sucessor continua se apoiando na mesma como se a propaganda equivalesse à verdade.

O fim do comunismo forçado pelo governo conservador de Ronald Reagan e George Bush (pai) teve conseqüências que não foram meramente aleatórias. Ela derivou de uma ideologia que grassa nos EUA através de quatro pontos:

Com exceção dos estados governados por regimes tirânicos, o livre-mercado é a opção natural e certeira.

Mesmo os regimes autocráticos tendem a adotar premissas liberais por uma questão de benefícios trazidos e, com isto, há uma óbvia tendência a democratização.

Como corolário da democratização, as sociedades afetadas por esta tenderão, igualmente, a reforçar os conceitos de livre-mercado e os direitos humanos. E estes, por sua vez, tendem a se reforçar mutuamente.

Não há razão para países liberais e democráticos serem concorrentes uns dos outros. Neste sentido, os riscos seriam maiores que os benefícios.

Neste ponto de vista, a política externa americana apoiou-se, ingenuamente, que a liberalização e conseqüente democratização da China e da Rússia tornariam estes países, aliados naturais dos EUA. Mas, não pensemos que todos americanos se orientaram ideologicamente neste sentido. Quem mais forçou a implementação de políticas externas que apoiassem Pequim ou Moscou ganhou com este movimento. A força corporativa falou mais alto que o “ideologuês”. Durante um tempo, a política externa robusta que deve se pautar por interesses de estado parece ter sido esfriada. Não que ninguém ganhasse no período, mas uma visão de conjunto faltou ou, na “melhor das hipóteses” foi insuficiente para garantir a efetivação de “interesses nacionais” ou melhor, da Razão de Estado.

Se for verdadeiro que ao longo dos séculos, capitalismo e democracia se reforçam, no curto prazo não foi o que se viu. Na verdade, interesses de velhas oligarquias na Rússia e de uma cúpula partidária na China tiraram proveito da política externa americana. Para o estabelecimento do livre mercado e para que este resulte em benefícios à população como um todo, um sistema legal tem que ser erigido. Veja que mesmo liberais radicais (como Rothbard e Hoppe) não compreendem bem isto... Na Rússia, a democracia foi simplesmente desacreditada pelo próprio sistema econômico e sua congênita corrupção. Reformas econômicas como as feitas pelo ex-presidente russo Boris Yeltsin ajudaram a fortalecer uma oligarquia econômica pautada pela corrupção. Na China, todos conhecemos a história: intentos democráticos foram abortados em seu nascedouro. Onze anos após o início de suas reformas econômicas, Pequim reprimiu cerca de 5.000 jovens na Praça da Paz Celestial levando seus manifestantes à “paz dos cemitérios”. Democracia econômica não prescinde de democracia de fato, como poderia pensar um liberal ideologizado...

A liberalização econômica não levou, inevitavelmente, à democracia. O crescimento econômico continuado dos anos 90 beneficiou as oligarquias políticas que investiram na própria indústria bélica às expensas da população que ficou a ver navios na esperança de que o mercado lhe trouxesse benefícios. Como se sabe, o duradouro ciclo foi afetado, como se sabe, pela Crise das Bolsas Asiáticas em 1997. Enfim, a orientação que Washington imaginou, não ocorreu de fato. Para os EUA, a orientação própria de Pequim ou Moscou aponta como rivais de peso no campo militar. Esta foi a principal conseqüência da política externa americana nos últimos anos: um tiro no próprio pé.

O que as administrações de Clinton e, mais recentemente, de Bush parecem ignorar é que:

Se for previsível a mudança econômica num dado estado através de gerações, não é igualmente viável planejar alterações objetivas em regimes despóticos.

As reformas de mercado, por si só, não alteram regimes tirânicos, mas os reforça através da intensificação da corrupção. E, pior, incrementa o grau de repressão dos estados.

Sem sucedâneas reformas políticas, as crises econômicas reforçam o sentimento nacionalista. E as compensações econômicas de falhas na direção de partidos únicos ou elites militares não apontam, necessariamente, para soluções vias mercado por quem clama pelos “interesses nacionais”. Assim como se crê na capacidade de sucesso de reformas liberalizantes, tendências estatizantes têm peso, no mínimo, equivalente.

O efeito esperado é justamente oposto do que se esperava há uma década. Após o período de esperança nas instituições democráticas, que deveriam vir “naturalmente”, assistimos a um ciclo reverso. Na atual conjuntura, Clinton achar que o desenvolvimento econômico seria suficiente para mudar estratégias belicistas de momento da Rússia ou China, assim como os estrategistas do Pentágono quanto à pressão de Pequim em Taiwan ou de Moscou em sua periferia é perfeitamente compreensível. Mas, se faz necessário pensar como se evoluiu para a atual situação.

No entanto, compreender razões não significa acreditar nas mesmas. A modernização pelo mercado não é obra de czares regionais. Trata-se de uma mera mudança de beneficiários dos planos de reformas. Seja Karl Marx ou Milton Friedman, a maioria dos economistas ou cientistas sociais acredita que “o capital não tem pátria”. Mas, crer que o mesmo reforme sociedades do ponto de vista político e cultural só se dá sob circunstâncias muito especiais. A crença na velha teoria pelos acadêmicos ou businessmen parte de um wishful thinking mais do que a avaliação dos fatos.

A integração da Rússia ou da China ao sistema de mercado com os EUA só se dará se os próprios regimes oligárquicos ou ditatoriais tiverem benefícios, o que significa sua perpetuação. A verdade é que Clinton e os Democratas se deixaram seduzir por uma teoria. É difícil crer que a insistência nesta perspectiva da política externa dará resultados quando a história recente provou o contrário. Talvez seja cedo para se perceber o erro, mas se for realmente erro, sua evolução só acentuará os defeitos de origem.