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Monday, September 23, 2013

A posição conservadora sobre a Síria | ILBlog

Um bom artigo, informativo e com interessantes comentários, particularmente os de Joaquim Neto e Thiago Cortês:

A posição conservadora sobre a Síria | ILBlog

Friday, November 23, 2012

Diário da Rússia - Internacional - Rússia é contra mísseis da OTAN na fronteira entre Síria e Turquia


INTERNACIONAL

Rússia é contra mísseis da OTAN na fronteira entre Síria e Turquia

Aliança considerou pedido turco para a instalação de Patriots na divisa dos países



O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia se opôs à intenção da Turquia de implantar mísseis Patriot da OTAN na fronteira com a Síria. O porta-voz da pasta, Alexander Lukashevich, afirmou que a militarização da divisa turco-síria representaria um “sinal alarmante” que promoveria a instabilidade na região. “O que a Turquia deveria fazer seria usar sua influência sobre a oposição síria para trazê-la ao diálogo.” Embaixadores da OTAN se reuniram para considerar o pedido de Ancara de instalar o sistema de defesa antiaérea em seu território, depois de semanas de conversações sobre como proteger a fronteira de 900 quilômetros contra o transbordamento da guerra civil na Síria. A Turquia, que tem sido uma das mais duras críticas do Presidente da Síria, Bashar al-Assad, durante os quase 17 meses da rebelião, abriu fogo repetidamente contra Damasco nas últimas semanas, em retaliação aos bombardeios vindos do outro lado da fronteira. Lukashevich também negou relatos da mídia russa que afirmavam que o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, estaria planejando se encontrar com representantes da oposição síria no final de novembro.
A Rússia, assim como a China, já vetou três resoluções do Conselho de Segurança da ONU contra o regime de Assad. O Presidente russo, Vladimir Putin, prometeu no início deste ano que não permitiria a repetição do que aconteceu na Líbia, quando o ditador Muammar Khadafi foi morto após uma campanha militar da OTAN. Moscou, porém, nega estar apoiando o presidente sírio e diz que irá respeitar a vontade do povo do país.

Diário da Rússia - Internacional - Rússia é contra mísseis da OTAN na fronteira entre Síria e Turquia

Por que a Turquia precisa dos sistemas de mísseis da Otan? | Internacional | DW.DE | 23.11.2012


MUNDO

Por que a Turquia precisa dos sistemas de mísseis da Otan?

A Turquia precisa de mísseis Patriot para se defender de granadas vindas da Síria? Especialistas e críticos veem outros motivos por trás do pedido de ajuda à Otan, incluindo temores de um conflito entre Israel e o Irã.
A Otan deve atender em breve o pedido da Turquia para implementação de sistemas de mísseis do tipo Patriot ao longo da fronteira do país com a Síria. Com o provável envio dos armamentos dentro de algumas semanas, a Otan estará dando o passo mais ousado até agora em relação à crise da Síria e alçando o conflito, que já dura 20 meses, a um novo patamar.
Alguns políticos ocidentais consideram que a aliança está se deixando arrastar para o conflito. Já especialistas em segurança falam em intimidação e veem a medida como um meio de evitar que os combates atinjam o território turco.
"O pedido da Turquia por Patriots é uma tentativa de intimidação", afirma o acadêmico turco Mustafa Kibaroglu, especializado em segurança. "Afinal, será que Síria, Irã ou outro país ainda se atreveriam a lançar um ataque de mísseis contra a Turquia depois de ver que a Otan está claramente apoiando o país?", questiona, ressaltando que a implementação dos mísseis teria principalmente um significado político, mas também reforçaria a proteção da Turquia em caso de o conflito recrudescer ainda mais.
Medo de armas químicas
Abdullah Gül disse temer as armas químicas da Síria
Na semana passada, o presidente turco, Abdullah Gül, disse temer que a Síria use armas químicas contra a Turquia e sugeriu que os mísseis da Otan podem deter a ameaça. Gül disse ao jornal Financial Times que a Síria tem armas químicas e antigos sistemas soviéticos para usá-las. "Tem que ser realizado um planejamento mínimo de emergência, e isso é o que a Otan está fazendo", frisou. O governo sírio anunciou em julho que só usaria armas químicas ou biológicas se o país for atacado por forças externas.
Especialistas em segurança turcos não creem num ataque militar da Síria à Turquia, já que isso significaria um ataque à Otan, embora existam preocupações de que, caso o regime perca o controle da situação, certos grupos possam explorar o vácuo de poder. Os mísseis Patriot seriam uma significativa melhora nas atuais condições de defesa aérea de Ancara. Entretanto, por serem especialmente concebidos para a defesa contra mísseis e aviões, não fornecem proteção contra as atuais ameaças enfrentadas pela Turquia.
O Exército sírio continua sua luta contra os insurgentes na área de fronteira, e projéteis ocasionalmente têm atingido o território turco. Um explosivo disparado na Síria atingiu uma cidade de fronteira turca no início de outubro, matando cinco civis. Desde então, o Exército turco tem respondido a disparos vindos do outro lado, provocando preocupações de que o conflito possa se espalhar.
Zona de exclusão aérea
Devido ao grande alcance dos Patriot, o pedido da Turquia à Otan tem sido interpretado por alguns observadores como a primeira etapa de um plano maior para impor uma zona de exclusão aérea sobre a Síria. A Turquia tem sido uma defensora da criação de uma zona de exclusão aérea que salvaguarde os refugiados e também forneça aos insurgentes um refúgio seguro contra ataques aéreos sírios. Mas Ancara não conseguiu convencer seus aliados até agora.
Rasmussen sublinha que Patriots são apenas para defesa
Diplomatas ocidentais ressaltam que tal zona teria que ser apoiada por uma força aérea forte e que a sua criação envolveria sérios riscos, já que o regime sírio tem recursos avançados de defesa aérea. Para convencer os aliados europeus da necessidade da instalação dos mísseis Patriot, a Turquia sublinhou, na sua carta de pedido à Otan, que eles terão função apenas defensiva.
"A implementação não apoiará, de maneira alguma, uma zona de exclusão aérea ou qualquer outra operação ofensiva", garantiu na quarta-feira o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen. "Ela iria contribuir para o arrefecimento da violência da crise ao longo da fronteira sudoeste da Otan. E seria uma demonstração concreta de solidariedade da aliança", sublinhou.
Fim do isolamento
Muitos observadores turcos veem a implementação como um alívio para o governo de Ancara, que estava ficando cada vez mais isolado devido a sua política agressiva em relação ao regime de Assad.
De acordo com Kibaroglu, os membros da Otan estão avaliando positivamente a implantação dos Patriot como um sinal de solidariedade e como uma medida para intimidar a Síria, mas também esperam que a implementação venha a promover uma cooperação mais estreita com a Turquia e dar à Otan uma maior influência sobre o governo Erdogan em relação à sua política para a Síria.
"Os Patriots podem evitar uma escalada da crise e podem dissuadir qualquer reação descontrolada da Síria em relação a uma medida mais dura tomada pela Turquia", avaliou Kibaroglu. "Mas parece haver também expectativas de que a Turquia atenda às expectativas da Otan com relação à política para a Síria."
Soldados turcos falam com refugiados sírios através de uma cerca na fronteira perto da cidade de Ras al-Ain
Maiores preocupações na região
O pedido de Ancara à Otan tem sido criticado pela oposição turca, que acusa o governo Erdogan de grandes falhas na política externa, que teriam levado a um aumento das tensões na região.
"O governo está escondendo a realidade da população", acusa Faruk Logoglu, ex-embaixador da Turquia em Washington e deputado da principal força de oposição, o Partido Republicano do Povo. Na sua opinião, Erdogan decidiu solicitar os Patriots não devido à crise com a Síria e sim por causa de Israel. "Após a operação israelense em Gaza, aumentou a ameaça iraniana contra Israel. Os Patriots vão defender a nova estação de radar da Otan em Kurecik, que é essencial para a proteção do espaço aéreo de Israel", frisa. "Os Patriots vão servir à segurança de Israel."
Kibaroglu também afirma que preocupações regionais mais amplas desempenharam um papel na decisão da Turquia. "A instalação de mísseis Patriot pode ser vista como uma medida que não se limita a proteger a Turquia da Síria, mas também de uma possível ameaça futura do Irã", observa. "Após as operações de Israel contra Gaza, os próximos acontecimentos na região são imprevisíveis. Existe uma necessidade de se proteger o espaço aéreo da Turquia em caso de um possível confronto futuro entre Israel e o Irã."
Autor: Ayhan Simsek (md)
Revisão: Alexandre Schossler

DW.DE


Fonte: Por que a Turquia precisa dos sistemas de mísseis da Otan? | Internacional | DW.DE | 23.11.2012

Saturday, June 14, 2008

A paz que vem do subsolo





A Conferencia Inter-religiosa na Arábia Saudita, dia 4 mostrou quão dividido é o mundo islâmico atual. Acusações dos xiitas do Irã e Hezbollah contra os sunitas de “fingirem hostilidade aos EUA” estão entre algumas de suas manifestações. Pois, há que considerar que a rivalidade entre sunitas e xiitas força os primeiros a um alinhamento com os EUA – através da possibilidade de defesa militar mesmo – contra a centralização e força dos segundos no governo iraniano. Internamente, os lideres religiosos sunitas na Arábia Saudita consideram a al-Qaeda uma ameaça nem tanto por razoes teológicas, mas pelo “internacionalismo” do agrupamento religioso que põe em cheque a estabilidade regional dessas lideranças. No meio disto tudo, o dinheiro saudita é o meio de comprar a união religiosa entre os conservadores sunitas, o que faz com que se reduza sua oposição ao “ecumenismo islâmico” de Riyadh. Um complicador adicional reside no Irã que não tem se beneficiado da alta do petróleo como os sauditas restando aos aiatolás o reforço ao financiamento de atividades xiitas no Líbano e da insuflação do Hezbollah.

Se há temor de uma guerra também há o desejo de que a situação favorável do petróleo dure com os US$ 130,00 por barril. Os sauditas sabem que isto não é permanente, só não sabem por quanto tempo ficarão lucrando assim. Se a situação de tensão com o Irã parece insustentável para manter tamanha lucratividade, as tensões têm que ser urgentemente afastadas, nem que seja com uma retórica diplomática religiosa unionista.

O aparente paradoxo dos sauditas reside na manutenção de seu alinhamento defensivo com os EUA ao mesmo tempo em que promovem uma união islâmica. A política saudita parece, portanto, ambígua. Internamente, buscam acalmar os ânimos conservadores antixiitas e contrários ao líder religioso Rafsanjani do Irã e, externamente, apóiam os grupos opositores do Hezbollah. Enquanto o Irã não desafiar os interesses de Riyadh com os lucros do petróleo, o que levaria a acionar o “gatilho yankee”, pode se deixar o país dos aiatolás em “banho-maria”.

Entre os planos de pacificação da região estão o envio de recursos à Síria e ao Líbano. Juntamente, com a Turquia, a Arábia Saudita busca uma estabilidade regional. Os sauditas também encorajam acordos entre israelenses e palestinos – o que pode, indiretamente, favorecer Damasco –, assim como há suspeitas de que estejam exercendo pressão sobre o Hamas. Não há nenhum interesse saudita no desequilíbrio e instabilidade entre Síria e Hezbollah com Israel.

Mas, sua estratégia pacificadora não reside apenas na manutenção de forças estabelecidas: cabe evitar ou eliminar que outras surjam... Os sauditas não querem ver o aumento de poder xiita no Iraque e marginalização dos sunitas no país. Assim como também não é bem vindo, o aumento da hegemonia da al-Qaeda entre os iraquianos. A partir de 2003 com exceção da região curda, o Iraque perdeu muito dinheiro devido à redução da exploração petrolífera e neste ponto é que entra a influencia e apoio saudita. Este súbito interesse pacificador saudita para assegurar a estabilidade regional implica em um reposicionamento em relação à política externa americana, o controle dos seus conservadores religiosos sunitas e uma relação de dissuasão com os xiitas iranianos.

Neste contexto de “diálogo inter-religioso”, cujos interesses por certo não são teológicos, é que tem que se entender a visita do presidente egípcio, Hosni Mubarak a Arábia Saudita na semana que passou. E não é de hoje que o Hamas tem no Sinai uma base de operações logísticas para ataques a Israel... Recentemente, dois egípcios, dois palestinos e um beduíno foram presos por carregarem artefatos militares pelo deserto e, após ser encontrado um esconderijo de mísseis terra-ar no Sinai, Mubarak sinalizou com seu interesse nos acordos de paz entre israelenses e palestinos. Cabe a ele evitar que o radicalismo do Hamas não se estenda ao Egito e permaneça retido na Faixa de Gaza. Com certeza, egípcios e sauditas têm muito a discutir.

Não se trata de um novo alvorecer no Oriente Médio, mas se as negociações de paz através do dialogo inter-religioso não tem suficiente poder, o óleo sim. Se uma paz duradoura e desejável não é possível, ao menos uma maior estabilidade pode durar tanto quanto verter o dinheiro do subsolo.

Monday, May 26, 2008

Israel e Líbano


Fouad Siniora, premiê libanês.






O governo libanês pode até querer, mas não tem nenhum poder para aquiescer uma ascensão do Hezbollah. Existe a teoria que os americanos encorajam o Líbano a colocar o Hezbollah na defensiva. O problema com a teoria é que os fatos a têm contradito. Outra explicação é que por trás da pressão contra o Hezbollah estão as negociatas entre Israel, Síria e Turquia. O problema com esta outra teoria é que isto não aconteceu.

Se, por um lado, os cristãos, drusos e sunitas não apreciam o Hezbollah, gostam muito menos da ingerência síria. O nacionalismo e sentimento antiintervencionista fala mais alto que clivagens religiosas. Para o premiê Fouad Siniora interessa aumentar o custo da intervenção síria em seu país, chamando a atenção de forças sírias anti-israelenses. O objetivo implícito é prejudicar os acordos entre Síria e Israel. Só assim pode-se entender a atual complacência para com o Hezbollah que, além de ser anti-israelense é xiita, para desgosto dos sunitas sírios.

Os sírios podem estar acostumados com as guerras na região, mas uma guerra civil seria novidade para eles. Estrategicamente, o que Siniora quer, é dividir ainda mais os sírios. Naqueles pagos, tornar-se independente e soberano significa enfraquecer o vizinho até sangrar.

Israel atravessa uma crise política, com seu premiê Ehud Olmert sob investigação por aceitar suborno. Sua defesa é que tomou o dinheiro sem dar nada em troca. Estranho... Então não seriam “suborno”, mas doações? O clichê adotado por seus defensores é que tudo não passaria de uma sórdida campanha de seus opositores para desacredita-lo. Argumento bastante convencional que não foca no problema, mas no mensageiro... Já que falamos deles, os mensageiros ainda alegam que esta é a ponta do iceberg do dinheiro proveniente de fora de Israel – de judeus americanos, em primeiro lugar.

A verdade é que Israel passa por uma crise política e não há sucessor viável para Olmert no momento. Neste contexto, provavelmente nenhum plano mais abrangente para os assentamentos surgirá. Aos israelenses compete lidar com o Fatah e a Síria, manobrar seus interesses no Líbano e redefinir suas relações com os EUA. O que, se não necessita de um completo consenso, precisa menos ainda do atual caos político. A conjuntura, definitivamente, não é conveniente, muito menos estratégica para o governo israelense.

Procurar entender a realidade geopolítica regional como um jogo de cartas marcadas, sem penetrar no interior dos movimentos políticos nacionais e regionais não possibilita o correto entendimento da situação. Mais que estados como agentes históricos, existem partidos, seitas, grupos e estes são compostos por indivíduos, cujos interesses podem fortalecer aqueles... Ou, o que não é raro, enfraquece-los.

Friday, May 23, 2008

Jogo sírio - 2


Em que pese também o dissenso interno aos sírios, por razões complexas (proximidade étnica, oposição aos EUA e Israel), a Síria apoiou os sunitas na Guerra do Iraque. Se o fundamentalismo sunita se opõe ao secularismo alauita, um fundamentalismo oportunista capitaneado por Damasco seria uma alternativa razoável frente à composição de forças em curso. E aos EUA caberá forçar os sírios a sair do Líbano.

Após os equívocos de Israel no Líbano, os sírios têm se tornado a força dominante no país. A Síria por seu turno criou uma estrutura que estabiliza os arroubos de violência no Líbano, controlando o Hezbollah em seus ataques contra seus aliados no Líbano (muitos dos quais, se opõem ao Hezbollah) e a própria Israel.

Por mais paradoxal que possa parecer, a presença síria no Líbano garante uma estabilidade à Israel e os israelenses não querem a destituição do regime Assad. Ruim com eles, pior sem eles é o que passa na mente dos israelenses. A presença síria no Líbano, apesar de incômoda, é uma garantia a mais pela estabilidade do país. Sim, Israel deseja, sobretudo, o controle do Hezbollah.

Aqui temos, então, um ponto de tensão entre Israel e os EUA, especialmente difícil de entender para aqueles que vêem uma “ligação carnal” entre os dois países, uma dependência e comunhão total de propósitos, o que não passa de mito. Os EUA, por sua vez, preparam-se para punir os Assad por sua interferência no Iraque, o que trará mais instabilidade política à região. Mas, o real perigo na região reside numa possível sucessão síria com fundamentalistas sunitas, uma vez que Damasco os ajudou. Aí é que está o problema.

Para os turcos, este arranjo informal entre Israel e Síria é fraco. Não é a primeira vez que Israel adota esta política. Aliás, já fez o mesmo com o Egito e a Jordânia... No caso específico da Síria, não há como suportar a pressão americana. Para os turcos, o reestabelecimento das antigas tensões é que é desejável. E, novamente outro paradoxo aparente, junto aos EUA contra esta configuração de poder está o Hezbollah e o Irã!

Os EUA vêem a Síria como fator de instabilidade regional, cujo currículo no Líbano a condena. Chutar os Assad poderia ser, militarmente, fácil para Washington, mas os avisos sauditas aos americanos têm que ser, atentamente, levados em consideração... Os lucros do petróleo no Iraque passam, atualmente, pelos sunitas. Por isto, não convém desagradar, mesmo que indiretamente, estes novos sócios.

Apesar da Arábia Saudita, desde os 70, ter os sírios como inimigos e verdadeiro pavor da política iraniana e seu apoio ao Hezbollah, não acredita no controle dos xiitas por Damasco. Mais precisamente, os sauditas acreditam que os sírios controlem o Hezbollah contra Israel, mas não conseguem o mesmo contra os sauditas e demais sunitas. E Washington tem que dançar entre os interesses israelenses e a hostilidade saudita para com Damasco. Não pode se errar o passo, embora haja uma tendência predominante em Washington por “vingar” o governo de Bagdá contra o apoio sírio às milícias sunitas no Iraque.

“Vingança”, como redução de poder de um vizinho inconveniente, bem entendido. Afinal, vingança por vingança não traz poder.

Chega-se, ironicamente, em uma convergência de interesses de Washington, Teerã e o Hezbollah contra Damasco. Quem diria? No entanto, apesar do crescimento da força do Hezbollah sob o dissenso estratégico, ele não consegue se estabelecer como força política convencional e alternativa. Para os sírios, ele é conveniente para ser liberado como cão de guarda no momento oportuno. E, quando este momento chegar, romper as amarras que o prendem a Damasco também jorrará sangue.

Para caminhar nesta selva, urge que acordos com Teerã sejam formados antes que o Hezbollah possa se tornar independente do apoio sírio. Mesmo porque, hoje, o apoio de Teerã ao Hezbollah, passa por Damasco, apesar de todas suas diferenças ideológicas. Depois, para Washington ficará mais fácil jogar com Damasco e Teerã. De preferência, um contra o outro.

Jogo sírio


A Turquia, aliada dos EUA, membro da OTAN não tem interesse nos acordos de paz entre Israel (igualmente aliada americana) e Síria. Não há interesse em uma Síria estável e seu estado fortalecido na fronteira meridional turca. Não há interesse em um novo concorrente regional. Com o crescimento militar turco e a concentração americana no Iraque, um vácuo de poder surgiu na Ásia do Levante, o qual os turcos querem preenchê-lo. E não nos enganemos com justificativas a partir de disputas regionais pretéritas, o envolvimento turco na diplomacia regional é apenas o primeiro passo de uma longa série de ações do que está por vir.

A Síria tem interesse nos planos de assentamentos de Israel. A minoria étnica alauita que governa Damasco é um movimento secular que tem maior afinidade com o Fatah do que com o Hamas (ambos sunitas, porém distintos politicamente) ou com o Hezbollah (xiita). A maioria religiosa sunita do país não determina, portanto, as ações do governo sírio. Não se trata de religião, no sentido etéreo da palavra, mas simples Razão de Estado.

Em que pese a insatisfação geral dos sunitas com o governo sírio, os interesses de Damasco se concentram muito mais na riqueza afluente do Líbano do que em Israel. Dinheiro puro e simples e, não fé é que ditam as regras. Neste contexto, o apoio ao Hezbollah é casual, não uma “ligação carnal”. Damasco joga com todas as fichas disponíveis, não só apoiando os xiitas do Hezbollah, como envia armas aos jihadistas sunitas. Os Assad são políticos habilidosos, mas em que pesem suas táticas para contrabalançar Israel, não têm estratégia visível (ao menos, por enquanto) para lidar com os turcos. E estes não têm uma receita pronta e fácil: se não querem estados fortes, tampouco desejam o caos em sua fronteira sul.

Monday, June 04, 2007

Negócio das arábias




...

Surpreso, meu velho? Negócios são negócios...



PT ASSINA ACORDO COM O BAATH, PARTIDO DE SADDAM HUSSEIN


O presidente do PT, deputado federal Ricardo Berzoini, assinou na semana passada, em Damasco, acordo de cooperação com o Partido Baath Árabe Socialista. O Baath comanda um regime autoritário na Síria desde 1963 e também foi o partido do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, enforcado em 2006. O acordo, que tem validade até 2010, estabelece sete compromissos, como "incentivar a troca de visitas", tentar "coordenar os pontos de vista" quando os partidos estiverem presentes em congressos e fóruns regionais e internacionais, "promover a troca de publicações e de documentos partidários importantes" e "fortalecer" a cooperação entre organizações populares e "representantes da sociedade civil", para "intercâmbio de experiências". Segundo texto divulgado pelo PT, os objetivos são "estreitar laços de amizade" e "melhor servir aos interesses comuns dos dois países e povos". Traduzindo: o PT está se alinhando internacionalmente com o stalinismo e o terrorismo. O PT se alia com um partido de vocação totalitária. Isso diz tudo sobre as intenções petistas. Fundado em 1947 com proposta nacionalista e socialista, o Baath prega a criação de um Estado único árabe na região e reivindica terras ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias. O partido está envolvido no assassinato do ex-primeiro ministro do Líbano, Rafik Hariri, em 2005.