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O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Saturday, January 15, 2011

Ecologia e premissas


O que se lê aqui é um exemplo de premissa filosófica que está antes da investigação propriamente científica:

O homem, como ser vivo faz parte da biosfera, interage com os outros seres vivos mantendo relações ecológicas com eles, algumas vezes de forma harmônica mas na maioria das outras vezes de forma desarmônica, com isso causando constantes prejuízos para a vida da biosfera em geral. A devastação de até biomas inteiros, a pesca abusiva, a substituição dos ecossistemas naturais por áreas destinadas a monoculturas e pecuária, o agronegócio em geral. Os seres vivos não domesticados dependem uns dos outros nos ecossistemas e mantêm relações específicas entre uns e outros e todos eles também interagindo com o meio ambiente onde vivem, se o meio ambiente desaparece para ceder lugar aos agronegócios humanos todos aqueles seres vivos endêmicos daquela região, são extintos. O homem moderno e civilizado é adaptado apenas para viver em sociedade e dentro das cidades, ele consegue viajar e acampar temporariamente em quase todos os lugares do planeta mas, não consegue mais se adaptar à vida dos indígenas, ficou impossível para o homem moderno voltar a viver nú na natureza. Cada ser vivo tem um ambiente em que se adapta melhor e se o ecossistema em que ele vive for modificado pelo homem, a sobrevivência desses seres vivos fica ameaçada porque eles são dependentes desses ecossistemas que foram montados e organizados em teias alimentares estabelecidas durante milhões de gerações que fizeram a história da evolução genética dessas espécies que vivem por lá há milhões de anos, sendo por isso ecossistemas muito complexos dos quais pouco sabemos como funcionam realmente. Por isso, o homem tem uma responsabilidade acrescida na saúde da biosfera e compreender quão complexas e intrincadas são essas teias alimentares que demoraram milhões de anos em evolução para serem o que são hoje em dia, serem da forma como nós avistamos esses seres vivos que lutam pela sobrevivência nessas florestas e nesses oceanos cheios de vida mas que é uma vida frágil perante ao avanço do homem no afã de conquistar mais territórios para si mesmo sobre esses ecossistemas naturais e com isso causando a destruição deles.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Biosfera

Se a maioria dessas relações homem-natureza fosse realmente desarmônica, então já não teríamos mais a natureza em suas formações originais. E, mesmo parte do que se acha ser ‘original’, como as pradarias não o são. Em grande parte foram moldadas pelos indígenas. Além da própria idéia de harmonia ser contestável, como característica essencialmente ecológica. Depende do que se entende como ‘harmonia’... Na natureza nem todos os momentos, situações e períodos, ciclos são estáveis e harmônicos. Muito do que se compreende são sistemas de extrema competitividade e extinção natural de espécies. Claro que a ação humana pode acelerar e induzir outras espécies a extinção, mas isso não parece ser a regra. É verdade que em áreas habitadas, alterações profundas ocorrem, mas o que se vê também é uma maior devastação (como o desmatamento) justamente onde a sociedade apresenta um menor (mais primitivo) desenvolvimento tecnológico.
...

Wednesday, May 21, 2008

Problemática ecológica e percepção global



Embora esta discussão seja oriunda do cenário europeu, normalmente versa sobre o mundo, particularmente os países subdesenvolvidos. E, como não poderia deixar de ser, o “filtro” é terceiro-mundista. Afirmações como 20% da população mundial exploram 80% dos recursos naturais mundiais[1] surgem sem grandes considerações metodológicas. De onde tiraram seus dados? Pressupostos de pesquisa etc? Daí é um pequeno passo a atribuição das sociedades ocidentais como responsabilização por todos males ecológicos. E, como subproduto lógico, a “enorme dívida social para com o Sul...”

“Sul”, bem entendido, nesta tosca divisão geográfica corresponde ao grupo de países subdesenvolvidos do globo. Muito embora, grandes contingentes de miseráveis do globo se encontrem ao norte da linha do Equador, como parte da Índia, China, Ásia Central, norte da África e América Latina.

Há uma grande diferença sim entre cidades do “Primeiro Mundo” e do “Terceiro Mundo”, mas enquanto aquelas têm grandes redes de infra-estrutura desenvolvidas por seus estados e segmentos do setor privado, nossas cidades do bloco subdesenvolvido são amalgamadas por sociedades onde o estado é inoperante e que também sufoca a atividade do setor privado com burocracia excessiva e elevadas cargas de tributos. Raízes distintas deveriam ser o primeiro passo para avaliação de problemas ambientais comuns.

É assaz simplista resumir a “crise ecológica” a um problema energético que demanda soluções tecnológicas, enquanto que grandes potenciais de produção, como os caudalosos rios africanos esperam por financiamentos em obras como hidroelétricas obstaculizadas por organizações ambientalistas radicais como o Greenpeace. É preferível bradar contra um suposto “aquecimento global” e esquecer o drama de dezenas de milhões que sofrem com o mosquito da malária nos trópicos africanos. Drama igualmente produzido por aqueles que são contra inseticidas eficazes como o DDT...

A causa, constantemente anunciada, por tais mentes bem intencionadas se constitui no próprio desenvolvimento dos países ricos. Para elas, trata-se de um “jogo de soma zero” onde os ricos são ricos, justamente, porque “exploram” recursos globais em demasia “causando” a pobreza alheia. Este tipo de mito não considera que o que está (ou deveria estar) em questão é o caminho histórico trilhado pelos países ricos, cujas medidas se analisadas e, devidamente, adaptadas aos pobres seriam de grande valia. Verdadeira valia.

No fundo se trata de uma visão religiosa baseada numa culpa e, não existe culpa sem pecado, neste caso, a luxúria. Se há algo que os cidadãos das modernas sociedades ocidentais podem fazer pelos pobres do mundo, caso entendessem os reais problemas, isto reside na extensão de seu modo de vida. Ou seja, exatamente o contrário do que preconizam as mentes dotadas por uma falsa consciência ecológica. E o comércio livre aliado a medidas antiprotecionistas seria um bom começo...

[1] Hans-Norbert Mayer. “The Social Dimension of Urban Ecology.” In: Breust, Feldmann, Uhlmann (eds.). Urban Ecology. Springer, 1997, p. 204.

Tuesday, May 20, 2008

A dimensão social da ecologia urbana



Na verdade, há duas dimensões da ecologia. A que nos é dada pela evolução tecnológica, cujas demandas existem por nosso passado urbano que nos deixou solos contaminados, rios poluídos e plantas industriais desocupadas. Cada vez mais, os custos de recuperação e mitigação destes usos passados se avolumam e nos trazem exigências no desenvolvimento de “tecnologias limpas” e técnicas de reciclagem ou minimização de impactos. Por outro lado, a adoção de formas sustentáveis de desenvolvimento urbano é bem mais complexa. Quando falamos em “ecologia urbana” não existem apenas ecossistemas e técnicas neutras, socialmente falando, assunto de exclusiva competência técnica ou instrumentos administrativos e jurídicos que redundem em um planejamento isentos de perspectivas de mudanças sociais e políticas.

Definição de objetivos

O objetivo mais tangível de todos é tentar impedir catástrofes abruptas ou lentas e graduais. Entre eles, o aquecimento local (não, o “global”) através da formação de “ilhas de calor”. E as ciências naturais têm nos enviado sinais, predominantemente, negativos sobre nossas perspectivas de desenvolvimento às expensas do crescente desenvolvimento científico já alcançado.

Por mais que nos desenvolvamos, novas situações ecológicas têm que ser desenvolvidas. As quais nos obrigam a adoção de novos estilos de vida e trabalho. Em suma: a simples explanação dos problemas e situações ambientais não pode, em si só, expor as normativas do desenvolvimento futuro das sociedades se não houver a inclusão de um debate democrático com a sociedade que aponte para um novo modo de vida.