interceptor

Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Tuesday, December 11, 2012

A periferia de Israel

Em mais este excelente texto de Stratfor, a periferia de Israel é analisada e se chega a aparentemente paradoxal conclusão, para uma democracia ocidental, como é Israel, era mais fácil quando se lidava com ditaduras árabes, mais estáveis e previsíveis. Mas, algumas coisas se mantém, como a necessidade de um tampão no Sinai e linhas de defesa mais ao norte. Estas, no entanto, frágeis e estreitas demais.

Sunday, June 27, 2010

O padrão duplo



Esta matéria do jornal Folha de S. Paulo é importante para que os brasileiros compreendam as atitudes de Israel e a forma como são deformadas no mundo ocidental as suas iniciativas, em benefício direto para o mundo islâmico, cuja pretensão explícita é derrotar e dominar o Ocidente. Como se vê, os ocidentais têm uma postura bem esquizofrênica. Diz a matéria da Folha de S. Paulo:
O filósofo Asa Kasher, autor do Código de Ética das Forças Armadas de Israel, acha que as críticas mundiais à conduta dos soldados de seu país são fruto do desconhecimento das circunstâncias em que atuam. 

A Convenção de Genebra trata de guerra entre Estados, diz ele. "Mas Israel luta contra organizações terroristas."

Folha - Como o sr. encara as críticas à falta de ética das Forças Armadas de Israel?
Asa Kasher - O código de ética menciona valores supremos da ética militar, mas não é um manual de regras de combate. Fala de princípios que estão acima de qualquer disputa e que a maioria das democracia inclui em seus códigos de ética militares, como a santidade da vida, a proteção da dignidade humana, a pureza das armas e a contenção do uso da força.
A questão mais complexa é a doutrina militar, que é particular de cada país. Em relação a isso, há algo que as pessoas deveriam entender: quando olhamos para a 4ª Convenção de Genebra, vemos que todo o seu arcabouço é destinado a tratar de guerra convencional, ou seja: forças militares de um Estado em choque com forças militares de outro Estado. Essas eram as regras em vigor nas guerras convencionais que Israel travou no passado, contra países vizinhos.
No entanto, hoje estamos numa situação bem diferente. Israel não enfrenta Estados, mas organizações terroristas. Como o Hizbollah, que é uma força semimilitarizada libanesa, mas não é o Exército do Líbano. E o Hamas, outra força semimilitarizada que controla um território que não é um Estado, mas onde atua como governo de facto. São circunstâncias novas. Quando enfrentamos o Hamas, estamos diante de uma força militar que não veste farda nem usa armas de forma convencional. Comete todo tipo de ato hostil, como lançamento de foguetes contra populações civis de Israel, e depois se esconde atrás de populações civis palestinas.
Há uma distinção na Convenção de Genebra entre combatentes e não-combatentes, mas o Hamas mantém essa fronteira vaga de propósito. Seus militantes agem frequentemente como se fossem civis, a partir de áreas residenciais, perto de civis reais e inocentes. Atacam civis e confundem totalmente a distinção entre combatentes e não-combatentes. O que devemos fazer diante de tais atividades? Continuar observando a simples distinção, enquanto nosso inimigo a ignora? Temos as nossas doutrinas, elas estão no espírito da doutrina da "guerra justa", no espírito da 4ª Convenção de Genebra, mas elas tem que ser aplicadas diferentemente, porque nosso inimigo age de forma diferente.
Veja a faixa de Gaza: o Hamas coloca seus lançadores de foguetes e esconde munição perto de civis. Não podemos atacar essas casas, porque há risco de atingir civis. Mas se não podemos reagir aos ataques, perdemos nossa capacidade de autodefesa. Não podemos nos defender, porque eles colocam civis nos telhados das casas de onde disparam. É por isso que adotamos novas doutrinas, e isso o mundo não entende. Há muitos inimigos de Israel que fazem uso propagandístico dessa complexidade. Mas mesmo os que não são nossos inimigos tem dificuldade em entender e acham que podem nos dar lições de moral. Exigem que apliquemos princípios que são impraticáveis, dentro das atuais circunstâncias.
O sr. quer dizer que a falta de ética dos inimigos levou ao relaxamento do código de ética israelense?
Depende de que nível você fala. Se falamos do nível geral da doutrina, das teorias das regras de combate, há evidências de que a situação em Israel não é diferente da de americanos, britânicos ou alemães no Iraque e no Afeganistão. Olhando o soldado israelense individualmente, entende-se que a maioria faz parte do alistamento obrigatório, e isso significa que dificilmente são profissionais. São jovens, e não surpreende que aqui e ali um deles comporte de forma inadequada. Mas temos evidência de que esse não é um fenômeno generalizado, mas uma raridade, que ocorre em situações extraordinárias. E, quando ocorre, vai a julgamento em corte marcial.
Se houvesse uma política de "dedo leve" no gatilho, haveria dezenas de milhares de palestinos mortos, e metade seria mulheres e crianças. Mas mesmo a lista de vítimas da última operação israelense em Gaza apresentada pelo Hamas, que não é totalmente confiável, mostra que não houve um número significativo de mulheres e crianças. A maioria era de homens que participaram de atividades terroristas contra Israel. Você pode ter certeza de que não há uma política de atirar em qualquer coisa que se mova. Na guerra de Gaza houve alguns casos excepcionais, e eles são investigados. Mas não passam de 30 ou 40.
Durante a ofensiva em Gaza, o sr. foi criticado por apoiar o uso de força em áreas civis para não colocar os soldados em risco. Como o Exército resolve esse dilema?
Esta é uma parte essencial da doutrina e precisa ser esclarecida. Fazemos distinção entre territórios que estão sob nosso controle efetivo e os que não estão. Nos primeiros, temos mais responsabilidade sobre o que acontece. E temos que proteger a população que reside neles. O Estado de Israel tem controle efetivo sobre Jerusalém Oriental e Golã, além de alguns territórios palestinos. Nessas áreas, os soldados arriscam suas vidas para fazer a distinção entre terroristas e civis.
Mas há outros territórios, como Gaza, em que não temos controle efetivo. Temos controle sobre as fronteiras, o mar e o espaço aéreo, mas não no que está acontecendo nas ruas e prédios dentro de Gaza. Por isso, não é nosso dever proteger as pessoas inocentes em Gaza. Essa é a obrigação do Hamas, que não é cumprida. O nosso dever é minimizar danos a inocentes. Para isso, nós advertimos eles constantemente sobre o que acontecerá. Na ofensiva em Gaza, distribuímos panfletos, fizemos milhares de telefonemas e o mesmo número de mensagens via celular alertando quando aconteceria um ataque. É algo sem precedentes na história das guerras.
Temos toda uma variedade de meios para avisar aos civis que saiam dos prédios porque ele se tornou um alvo. Alguns se recusam a sair. Dentro dessas circunstancias, nós não arriscamos a vida dos soldados. Tentamos minimizar os danos colaterais, mas, se eles se recusam a sair, há pouco o que fazer. Quem fica é terrorista ou pessoas que se recusam a sair e assumem o risco. Para defender essas pessoas, não arriscamos nossos soldados.
É comum o governo dizer que Israel tem o Exército mais moral do mundo. Mas a imagem externa não é essa, como mostrou o relatório Goldstone. A que o sr. atribui essa dissonância?
Em primeiro lugar, não considero o relatório Goldstone como a imagem de Israel no mundo. Goldstone é tendencioso, profissionalmente ridículo e um escândalo, moralmente. Seu relatório é uma coleção de propaganda palestina. Há vasta quantidade de documentos produzidos por Israel mostrando que cada episódio descrito por Goldstone é simplesmente errado. Dizer que as FDI (Forças de Defesa de Israel) são a força militar mais moral do mundo é uma afirmação problemática, porque é difícil comparar. No nível do código de ética até é possível comparar, porque os códigos de ética, com exceção dos países árabes, são públicos, está na internet. O código de ética das FDI compartilha princípios de outras forças armadas, como a santidade da vida humana, a pureza das armas. Temos muito orgulhoso dele e o mundo reconhece que nosso código tem os mais altos padrões. Já no nível das doutrinas, não é possível comparar, porque todos são secretos. O que pode-se fazer é coletar evidências indiretas.
Podemos comparar a ofensiva israelense em Gaza com a operação "Phantom Fury" dos marines americanos em Fallujah (Iraque), em novembro de 2004. A comparação faz sentido porque as dimensões são parecidas. Na ação americana, houve mais civis mortos, então nossa performance foi melhor. No nível das tropas há problemas em qualquer lugar. Há alguns meses houve uma operação da Otan no Afeganistão, dois caminhões foram atacados e dezenas de civis foram mortos. Não houve nenhum relatório Goldstone, nem criaram qualquer comissão da ONU sobre isso, e Obama também não foi requisitado a fazer uma investigação independente sobre o caso.
Há um padrão duplo na forma como o mundo reage a Israel. E, embora o padrão moral do Exército israelense seja alto, isso não quer dizer que aqui e ali um soldado não cometa alguma atrocidade ou aja de forma imprópria. Mas isso acontece aqui como acontece no Afeganistão e no Iraque ou na Tchetchênia, em todo lugar onde há conflito.
O problema de Israel é só de imagem?
Em primeiro lugar, não sabemos qual é a imagem de Israel. O que sabemos é o que os jornais escrevem, o que alguns meios de propaganda palestinos produzem, sabemos o que alguns políticos dizem, mas podemos ter certeza de que pouco disso é resultado de uma análise honesta, profissional e objetiva do método utilizado. Por que nos atacam? Por que olham com objetividade para a situação, porque se importam com o resultado? Não creio. A Turquia tem seus interesses com Irã, e Síria, e também uma relação problemática com Europa e Estados Unidos.
Há uma rede de interesses. Neste momento interessa aos turcos mentir porque isso serve a sua política. A Comissão [de Direitos Humanos da ONU] que apontou a comissão Goldstone é integrada por países como Cuba, Líbia e Sudão, que tem governos que desrespeitam sistematicamente os direitos de seus cidadãos. Onde estão os relatórios sobre a situação das mulheres nos países árabes? 80% das decisões dessa comissão são sobre Israel, o que prova que sua ação é política, não tem nada a ver com direitos humanos. Só serve para a proteção de interesses políticos.
No caso da frota humanitária que Israel interceptou e nove ativistas foram mortos. O que deu errado?
Com todo o respeito aos países democráticos e às instituições democráticas, nós devemos um comportamento moral em primeiro lugar para nós mesmos. Somos uma democracia comprometida com a a dignidade humana. Temos os nossos princípios e ninguém pode impor padrões que nos impeçam de exercer nosso direito de legítima defesa. O Hamas é um grupo cuja constituição prega a destruição de Israel. O Irã apoia o Hamas e o Hizbollah não apenas politicamente, mas militarmente.
O presidente iraniano não passa praticamente um dia sem pregar a eliminação de Israel. Essa é a natureza de nossos inimigos. Por isso, temos que nos defender. Não podemos permitir qualquer carregamento militar enviado pelo Irã ou pela Síria à faixa de Gaza, porque eles serão usados contra nossos civis. O bloqueio marítimos é algo permitido pela lei internacional, assim como é perfeitamente legítimo uma ação preventiva.
O grupo que estava na flotilha não era homogêneo. Algumas não sabem quase nada sobre Gaza e o Hamas, mas têm inclinações humanitárias. Outras pertencem a uma organização turca ligada ao terrorista que se preparou para um combate. O resultado foi que nove terroristas foram mortos. Não quero que ninguém morra, a aspiração é sempre a paz. Mas quando somos atacados, temos o direito de autodefesa.
Não é uma solução simplista apontar os ativistas mortos como terroristas?
Há um grande mal-entendido. Suponhamos que um policial é atacado violentamente, seja em Tel Aviv ou em São Paulo. Ele tem o direito de se defender. E, quando um policial se defende, algumas vezes eles matam, e as pessoas que o atacaram sofrem as consequências. O que aconteceu nessa flotilha é que esses terroristas atacaram os soldados e foram mortos. Os soldados começaram a ação de forma contida, mas não tiveram alternativa e quando atacados, reagiram.
Já foi dito que o aumento do número de soldados religiosos aumentou o radicalismo do Exército. A fé distorce o seu código de ética?
Houve alguns fenômenos, durante a operação em Gaza, de capelões que pregaram coisas que não me agradam e não são apropriadas a um Estado democrático. Há capelões em todas as forças armadas do mundo, sua função não é só conduzir serviços religiosos, mas também ensinar ética. Os comandantes israelenses são profissionais e sabem o que pode e o que não pode ser feito. Há capelões que falam demais, mas seu efeito é marginal.
Em Mundo usa padrão duplo para julgar Israel, diz autor do código de ética do Exército israelense

Tuesday, June 01, 2010

Geografia Conservadora: English sub - Mavi Marmara Passengers Attacking IDF Soldiers and almost ...

Sobre:


Se a busca por legimitidade ainda valer alguma coisa, Israel agiu errado. O que suas forças de defesa deveriam ter feito é interceptado a frota na entrada de seu território (como já disse alguém por aqui...). Quanto às intenções dos militantes era essa mesma, causar alvoroço, chamar atenção, isolar Israel atraindo simpatias de até então neutros e, claro, passar mais do que mantimentos pela "ajuda humanitária". Mas, não se julgam intenções e sim ações. Até não ter entrado em águas israelenses, a frota não infringiu as leis israelenses.

Em outras palavras, mesmo que tu saiba a intenção do moleque skatista em deslizar até ti, tu espera pacientemente chegar ao ponto de contato para desviá-lo, empurrando-o ao chão para, cinicamente, dizer "tudo bem contigo?" Mas, se há alguns metros tu o atinge com uma "voadora", tu foste o atacante, aquele que perdeu a moral (embora, ambos lados no Mediterrâneo estivessem se lixando para a moral). O que Israel propiciou a estes meliantes foi um crédito internacional indevido.

English sub - Mavi Marmara Passengers Attacking IDF Soldiers and almost ...



Para um ponto de vista israelense. Os tripulantes atacam os soldados que abordam. A questão que me serve para determinar o certo e errado é se as embarcações estavam ou não em águas internacionais.

Monday, May 31, 2010

Friday, July 03, 2009

Fronteiras e cêrcas mentais


Cêrca entre EUA e México

O governo da Arábia Saudita vai introduzir um sistema de segurança de alta tecnologia, que inclui a construção de uma cerca de 9.000 quilômetros fechando as fronteiras do país.

O projeto será tocado nos próximos cinco anos pelo consórcio europeu de defesa e segurança EADS, que assinou um contrato no valor de quase US$ 3 bilhões (R$ 5,7 bilhões) com o país. O sistema de segurança deve contar com radares de alta tecnologia, sensores eletrônicos e aviões de reconhecimento. O objetivo do projeto é evitar a entrada de militantes extremistas e o contrabando na fronteira. O governo saudita já vinha planejando construir uma cerca eletrônica na fronteira com o Iraque há alguns anos, com o objetivo de impedir a entrada de militantes do país vizinho. O contrabando de armas e drogas na fronteira preocupa as autoridades sauditas há anos, principalmente na fronteira com o Iêmen. Com o fortalecimento da rede terrorista Al Qaeda nos últimos anos, o governo saudita acredita que a maior parte das armas usadas por militantes dentro do país vêm do Iêmen, terra ancestral de Osama bin Laden e onde seus simpatizantes teriam estabelecido um reduto.

Em Arábia Saudita vai construir cerca para fechar fronteira


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Onde estão agora os militantes de internet que jorram mensagens de repúdio ao muro construído por Israel na fronteira com o território palestino de Gaza? Ou aqueles mesmos militantes que inundam nossas contas de e-mail quando se trata de criticar o governo americano passado pela construção de um muro na fronteira mexicana?

É sempre a mesma velha história: dois pesos e duas medidas.


Saturday, March 21, 2009

Rússia vende mísseis avançados para o Irã

http://www.estadao.com.br/interatividade/Multimidia/ShowVideos.action?destaque.idGuidSelect=CB9878B9415C48F18B3AB684E5EFF2FD


TV Estadão 19.3.2009

O jornalista Roberto Godoy, de O Estado de S. Paulo, comenta a venda de mísseis de última geração russos para o Irã, negócio que deve criar ainda mais instabilidade na região do Oriente Médio

Tags: TV Estadao, Mundo, Russia, Ira, Oriente Medio, Ameaca nuclear, guerra

PermaLink

Friday, January 09, 2009

Gaza e alhures





Em O genocídio de Gaza e a natureza expansionista de Israel, Pedro Porfírio faz uma defesa implícita do Hamas (sem o dizer claramente) ao criticar a política e ação militar israelense.

Vamos por partes:

1) Naquelas paragens havia judeus e palestinos. Os dois grupos antes da fundação do Estado de Israel em 1948. No meu modo de entender a coisa, ambos os grupos mereciam ter seu chão naquele semi-árido. Mas, por diversas razões, a coisa degringolou. Se for lícito apontar culpados, em primeiro lugar está a Inglaterra que começou o processo de ocupação e transferência judaica e não o terminou. Em menor medida, a França que mais ao norte detinha a Síria e o Líbano. Estes dois países traíram os árabes, com falsas promessas de terras e a formação de seus estados em troca do apoio na luta contra os turcos, aliados alemães na I Guerra Mundial.

2) O sionismo foi um movimento nacionalista judaico, mas nossa bem pensante e politicamente correta mídia ‘esquece’ de lembrar que os árabes também tinham no período seus movimentos nacionalistas. Que assim como todo ‘nacionalismo’, porta fortes ingredientes xenófobos.

3) O Likud é uma agremiação fundamentalista, isto é, o pior tipo de política que se mistura com religião. Acontece que é a outra face de um movimento oposto, o do fundamentalismo islâmico que seja com o Hamas ou o Hezbollah consegue apoio dos árabes palestinos ou libaneses e sírios. O último com claro apoio do Irã que busca uma união muçulmana. Parece bonito e legítimo, mas ampliando o espectro de análise, este mesmo “bem intencionado” Irã apóia xiitas contra sunitas no Iraque muito antes dos americanos ocuparem o país, como estratégia expansionista. Só que diferentemente dos americanos, Teerã visa incorporação territorial no Iraque...

4) Diferentemente do autor do texto não vejo os israelenses como um “todo-harmônico-judaico”. Há uma parcela moderada que, em outras épocas levou Shimon Perez ao poder contra Benjamin Netanyahu. Ocorre que com a intensificação dos ataques, o sectarismo do lado conservador teve sua chance e se impôs, mesmo após tantas tentativas – orientadas por Clinton entre Itzhak Rabin e Yasser Arafat, o primeiro foi morto por um radical judeu. Ou seja, não haverá paz enquanto os radicais, de ambos os lados reitero, não forem perseguidos e presos, para dizer o mínimo.

5) Óbvio que Obama ajudará Israel. Mais do que os Republicanos, os Democratas estão no partido mais apoiado pela elite judaica. Os judeus não gostam de Ronald Reagans, Bushes e Cia. Estes são muito “de direita” e, para eles e o temor de algo como os movimentos nacionalistas, a la, “nacional-socialistas” (nazis) é um espectro que os ronda suas consciências. Embora, os Republicanos sejam menos ‘coletivistas’ do que os Democratas e não exista hoje, a menor possibilidade de algum movimento deste tipo surgir nos EUA. Acredito que há algo mais aí... Como o vínculo judaico com os bancos que os Republicanos perseguem quando põem o livre-comércio em risco, ao contrário dos Democratas, mais chegados num welfare state que amplia os poderes de estado e seus oligopólios. Quem pensou que o presidente negro seria um terceiro-mundista é porque não conhece o mínimo de política interna americana...

6) Para Washington (algo além da querela entre Republicanos e Democratas), Israel é sua fiel escudeira em um tabuleiro com alianças instáveis. Mas, não existe ringue de boxe com um só lutador. Se formos analisar historicamente, da mesma forma que os EUA tiveram os seus aliados regionais, foi a URSS durante a Guerra Fria. Ambos apoiando ditaduras ou monarquias despóticas. Não há santos e não há revolução comunista ou democracia liberal que legitime, teórica ou praticamente, este tipo de desmando. O que ocorre é a velha Realpolitik em que os interesses de estado falam mais alto e mais forte que ideais bonitos no papel.

7) O conceito de lebensraum – espaço vital – foi criado por Friedrich Ratzel, geógrafo alemão muito antes de Adolf Hitler. Não é uma exclusividade nazista, não senhor. Vemos o mesmo princípio atualmente com o nacionalismo hindu ou com o talebã que persegue etnias minoritárias (não pashtun) no Afeganistão. Ainda, na China contra o Tibet ou na Rússia contra o Cáucaso. E, claro, não seria diferente de tribos africanas, cada uma com seu nível de atrocidade. Seja um Idi Amin apoiado pelos britânicos ou um Mugabe apoiado pela antiga URSS. A longa guerra em Angola, p.ex., teve ingerência dos dois impérios, o russo e o americano. E la nave va... E, antes que eu me esqueça, até os cubanos são acusados pelos africanos...

8) O autor acusa as “grandes potências”, mas estas não extraíram petróleo da Palestina e Israel não tem suficiente para suas necessidades. Não há lógica nesta afirmação que poderia ser utilizada com outras regiões próximas, mas não em Israel. Como eu disse, a criação do “estado binacional” foi uma péssima idéia inglesa seguida por uma, igualmente, péssima administração da ONU que, em meio aos ataques árabes, os judeus criaram seu estado só para si acirrando o problema. A questão é o que deveriam fazer? Voltar para a Europa Oriental? Embora, possível, não era viável e, sinceramente, ingênua para um povo que sempre perdeu e estava cansado de apanhar. Eles viram a “janela de oportunidade” se abrir na linha do tempo e a cruzaram. Para não mais voltar.

9) “Os judeus agem tal como os nazistas”... É uma afirmação recorrente, mas se observarmos corretamente foi a Liga Árabe os atacou em 1948, 1956, 1967 e 1973. Em todos estes conflitos, os judeus sobreviveram, resistiram e ganharam, com exceção da primeira em que não foi uma vitória no sentido militar, mas civil, ganha pela resistência. Após o último ataque (externo) em 1973, a OLP passou a ganhar crédito internacional e ser ouvida com honras de corpo de estado. As negociações poderiam evoluir, não fosse pelo radicalismo de ambos os lados. Ambos os lados...

10) Um detalhe importante: se palestinos se estrepavam sempre, os outros árabes não necessariamente. Com a última guerra ganharam uma enorme vantagem econômica se unindo e elevando (triplicando) o preço do barril de petróleo em 1973. Um meio econômico para se atingir um objetivo político tornara um fim em sim mesmo.

11) O livre-comércio não se pauta mais nas “Sete Irmãs” e companhias árabes, através da OPEP são as maiores interessadas no petróleo regional. São elas que mandam hoje. A questão palestina não lhes diz mais respeito diretamente. Elas poderiam muito bem passar sem isto e sem se importar. Se ocorrem manifestações de apoio, não vão além de alguma verba de apoio aos refugiados e nativos que resistem em suas terras. Mas, ocorre que outro aliado importante dos EUA, contra o Irã, é a Arábia Saudita. Grande parte da Guerra do Iraque se explica por isso, divergências entre seitas muçulmanas que dominam estruturas de estado. Nisto, Israel e os palestinos são, para a maioria dos estados árabes, um problema, uma inconveniência que ninguém quer se envolver diretamente, seja a Arábia Saudita, ou os aliados ocidentais Jordânia e Egito, antigos inimigos. E, nesta lista está, nada mais nada menos que o “novo aliado ocidental”, ex-apologista do terrorismo internacional, General Muamar Khadafi. Este, agora premido pelo desenvolvimento interno líbio trocou de lado. Interessante como são as coisas, quem te viu, quem te vê... Estas lideranças são hipócritas, pois não vão além de palavras de ordem, protestos formais e mera diplomacia. E olha que eles têm muito dinheiro se quisessem, realmente, fazer alguma coisa.

12) Ahmadinejad é outro que só ameaça, mas veja que na crise dos britânicos capturados no Golfo, não demorou a devolvê-los. Mais parece um típico caudilho latino-americano que muito fala e não faz nada. Só está em outro continente... E a Turquia ri com isto, pois disputa o poder regional contra os árabes. Nas nascentes do Tigre e Eufrates (que banha o Iraque e a Síria), suas represas servem também para reter a água deixando iraquianos e sírios na seca, caso precisem jogar com este poder contra seus inimigos (árabes). Na primeira Guerra do Golfo (em 1991) chegaram a por veneno nos filetes de água que corriam bacia abaixo para matarem curdos e iraquianos, enquanto estes sob coordenação de Saddam Hussein utilizavam armas químicas e bacteriológicas contra os mesmos curdos. Interessante esta “união muçulmana”... E, moralmente, nem Turquia, nem Irã e nem a Síria têm crédito e superioridade, uma vez que tratam os curdos de modo pior do que israelenses tratam os palestinos. São os dois pesos e duas medidas... Eles exigem dos judeus, algo que eles próprios não dão a suas minorias: terra e autonomia. Se bem que o último quesito, Israel até que deu...

13) Sinceramente, o escândalo da corrupção envolvendo Olmert, caso não tivesse ocorrido não mudaria em nada a atual situação. Não vejo lógica nisto.

14) Mas, o autor, ao final de sua exposição reconhece que o Hamas atacou o sul de Israel, o estopim da atual crise. Só que não desenvolve o argumento a partir do fato. Fatos... Parecem pouco importantes quando se quer puxar a história lá de trás... Só que a história pode ser vista por vários ângulos porque tem vários ângulos. O que une todos nesta insanidade é que ambos os lados têm como premissa algo que deveria estar fora da política, a religião.

Saturday, January 03, 2009

A Mídia, Gaza e Israel


Faixa de Gaza
Luis Milman, jornalista e doutor em Filosofia, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, preocupado e abismado com as reações de governos e da mídia internacional a partir da ação desenvolvida por Israel na Faixa de Gaza, território controlado pela organização terrorista Hamas, desde o ano passado, escreve o artigo a seguir para esclarecer aspectos importantes da questão, que não são considerados. Leia o artigo de Luis Milmam:





“Desde o início da ofensiva de Israel contra o Hamas, na Faixa de Gaza, no último sábado, dia 27 de dezembro, a mídia ocidental vem relatando as operações israelenses com base em pressupostos flagrantemente aparvalhados. Coincidentemente, estes pressupostos são os mesmos que pautaram as primeiras manifestações oficiais de condenação moderada lançadas contra Israel, por governos de nações importantes, logo no primeiro dia ofensiva, quando pouca ou quase nenhuma informação sobre a real dimensão das operações israelenses eram conhecidas. As manifestações da França, Rússia, Japão e China, exortavam Israel a interromper suas ações em Gaza. Ao invés de condenarem os ataques do Hamas, que iniciaram ainda em novembro e quebraram o cessar-fogo, a retórica destes países partia de duas premissas equivocadas: Israel estava respondendo aos ataques de forma desproporcional e, por isso, elevando o número de vítimas civis. Assim, a linguagem protocolar criava o mantra da desproporcionalidade, adotado também pelo Secretário Geral da ONU, o senhor Ban Ki-moon, na última segunda-feira, dia 29. Ki-moon convocou a imprensa mundial para expressar seu repúdio ao uso da “força excessiva” por parte de Israel em seus ataques à Faixa de Gaza. O secretário-geral da ONU foi mais longe: ele apelou “às partes” para que interrompessem as hostilidades e reiniciassem negociações para um novo cessar-fogo. O coro foi reforçado pelo primeiro-ministro inglês Gordon Brown, também no dia 29. “Estou horrorizado (ênfase aqui) com a violência dos bombardeios”, disse. “Reiteramos nosso apelo a Israel e ao Hamas (ênfase aqui) para que declarem o imediato cessar-fogo e previnam a perda de mais vidas inocentes. Não há uma solução militar para esta situação. É preciso redobrar os esforços internacionais para assegurar que tanto Israel quanto a Palestina tenham terra, direitos e segurança para viverem em paz”, finalizou Brown. Ao mesmo tempo, seguiram-se manifestações de repúdio previsivelmente mais radicais, vindas de países muçulmanos e grupos extremistas, como o Hezbollah, que passaram a percorrer o planeta: massacre, genocídio, holocausto, crimes de guerra, crimes contra a humanidade. Enfim, surradas acusações disputavam espaço na mídia internacional com cenas de passeatas e aglomerações de rua pipocando na Europa e no mundo islâmico, em protesto contra a nova “barbárie” cometida por Israel. Enquanto isto, a quantidade de vítimas dos bombardeios parecia dar a impressão de amparar a fórmula da desproporcionalidade: já passam de 150 mortos, muitos deles civis, já ultrapassam os duzentos, entre eles mulheres e crianças; agora são mais de 300, entre os quais inúmeros inocentes. Agora, quando escrevo (terça-feira, 30 de dezembro), os mortos chegavam a 360. Horrível. A mídia apropriou-se do mantra protocolar, tomando-o como axioma para sua cobertura. E, por mídia, não estou nomeando nenhuma abstração. Refiro-me à CNN, à BBC, à SkyNews, à France 24, para não mencionar a Al-Jazirah em Inglês e os diários New York Times, The Guardian e Le Figaro, que podem ser todos acessados on-line. Também não estou me referindo aos analistas de prontidão, sempre rápidos no gatilho quando se trata de comparar o “desproporcional” confronto entre a potência militar israelense e a pobre capacidade de resistência dos palestinos. Restrinjo-me ao que se chama de “noticiário”, aquele texto informativo que, recomenda-se, deve ser feito com imparcialidade e um mínimo de cautela e caldo de galinha. Pois é nele que constato a desproposital incursão, em nome do imediatismo, no domínio da estupidez e da má fé. Ora, o que se espera de um noticiário é que ele informe e não desinforme ou deforme os fatos. E quais são os fatos? Um: no primeiro dia da ofensiva, Israel apenas reiterou publicamente uma decisão que vinha sendo anunciada desde o final do frágil cessar-fogo de seis meses, mediado pelos egípcios, que entrara em vigor em junho último e se encerrara em 19 de dezembro. Por que frágil? Porque o Hamas, há oito anos, vinha despejando diariamente seus foguetes contra Israel. Os ataques diários haviam matado nove pessoas, ferido outras tantas, danificado prédios e vinham configurando uma situação de permanente insegurança nas cidades que se encontram num raio de 20 quilometro da fronteira com Gaza. Durante oito anos, Israel tentou tratar do problema de modo restrito: incursões rápidas de comandos no norte de Gaza para destruir bases de lançamentos de foguetes, bloqueio marítimo para evitar a entrada de armamento enviado pelo Irã e pela Síria ao Hamas e Jihad Islâmica; bloqueio terrestre, para impedir a infiltração de terroristas suicidas nas grandes cidades israelenses; cortes esporádicos no suprimento de energia elétrica para a Faixa de Gaza (70% desta energia é fornecida por Israel até hoje) com a finalidade de retardar a fabricação dos tais foguetes “caseiros” (na verdade, são foguetes produzidos em fábricas erguidas em meio a bairros densamente povoados da Cidade de Gaza, Dayir al Balah, Khan Yunis e Rafah). De qualquer modo, findo o cessar-fogo - e diante das saraivadas diárias dos foguetes contra o sul de Israel-, o governo israelense anunciou que terminaria definitivamente com os ataques que ameaçavam seus cidadãos. Esta decisão foi, inclusive, comunicada, no dia 23 de dezembro, pela ministra do exterior israelense, Tzipi Livni, no Cairo, após um encontro com o presidente Hosni Mubarak. Livni, ainda no Cairo, não deixou dúvidas: Israel desencadearia a operação militar necessária para destruir a capacidade do Hamas de atingir Israel. Nos últimos dez anos, o Hamas construiu, com o apoio logístico e financeiro do Hesbollah, da Irmandade Muçulmana (baseada no Egito), da Síria e, sobretudo do Irã, uma estrutura policial e militar na Faixa de Gaza, a tal ponto organizada, que lhe permitiu, no primeiro semestre de 2007, dizimar completamente as forças do Fatah (o braço armado da Autoridade Palestina) que ainda restavam no território palestino. Com isso, ele consolidou suas instalações militares, estocagem de armas e munição, seus campos de treinamento e suas bases de ataque contra Israel em toda a Faixa de Gaza. Hoje, o Hamas (que é sunita) conta com 15 mil homens no seu “exército regular”, e ainda com cinco mil membros armados da milícia xiita Jihad Islâmica. Esse pequeno exército dispõe, além de armamento pessoal pesado, de mísseis antiaéreos, mísseis antitanques, mísseis de médio alcance do tipo Katiusha e minas espalhadas por toda a fronteira com Israel. Tudo isto é do conhecimento dos chefes de governo que emitiram o mantra protocolar da desproporcionalidade. Os senhores Gordon Brown e Nicholas Sarkozy sabem disto, certamente. Mas a mídia faz de conta que não sabe. Ora, o panorama é bem nítido: Israel desencadeou a ofensiva para defender a integridade de seus habitantes, ameaçados constantemente pelo movimento fundamentalista militarmente organizado que controla toda a Faixa de Gaza desde junho de 2007. Mais ainda, o Hamas e seus associados menores, como a Jihad Islâmica e outros grupelhos, não representam a Autoridade Nacional Palestina (AP). Eles são terroristas, não aceitam a existência do Estado de Israel e estão comprometidos explicitamente com a sua extinção total. Como então podem os líderes da Inglaterra e da França, ou o Secretário-geral da ONU, apelarem para que “as partes” retornem a um cessar fogo. Que partes? Israel, um estado nacional soberano e membro da ONU, por um lado, e o Hamas, um movimento terrorista que usurpou à força, da Autoridade Palestina, o controle sobre a Faixa de Gaza, por outro? Se a China não conversa sequer com o Dalai Lama, líder político e espiritual do Tibet ocupado (exilado, obviamente), por que Israel deve dialogar com o Hamas? Pelo que se sabe, o Dalai Lama defende apenas uma autonomia para o Tibet e jamais pregou a extinção da China. Por que Israel deveria “dialogar” com um movimento que objetiva abertamente a sua destruição? Ou por que o senhor Ban Ki-moon não apela para que a Espanha dialogue com o ETA, a Colômbia dialogue com as FARC, a Turquia dialogue com o PKK curdo, que quer criar um estado independente no Curdistão? Ou para que os Estados Unidos da América deixem o Afeganistão e dialoguem com o Talibã? Ou para que os senhores muçulmanos da guerra que governam o Sudão interrompam imediatamente a carnificina que já matou 300 mil cristãos e animistas e deslocou quase três milhões de refugiados para a zona de Darfour? Onde estão as passeatas na Europa contra esse massacre? Ou os protestos contra a tirania assassina de Ruanda? Onde estão os apelos para o diálogo entre as trezentas tribos que se entredevoram na muçulmana Somália? O termo médio de comparação é suficiente, para quem possui mais de dois neurônios. Talvez, dois neurônios e meio. Por isso paro por aqui. Dois: Israel não está, como apregoa aos berros Hassan Nasrallah (em vídeo e de seu bunker em Beirute), cometendo um “genocídio” em Gaza. Ao contrário, é o líder do Hesbollah (Partido de Deus, em português), hoje quase um segundo exército dentro do Líbano, abastecido e financiado pelo Irã, que repete incansavelmente o objetivo político de seu partido: destruir Israel, sem deixar pedra sobre pedra. A voz de Nasrallah é amplificada nas ruas de todo mundo árabe e encontra acolhida em alguns analistas ocidentais procurados pela mídia para que “possamos (nós, o público) entender o trágico cenário da Faixa de Gaza”. Pensemos: se desejasse destruir a população de Gaza (isto é um despropósito descomunal naturalmente, mas só assim teríamos base para falarmos em genocídio) - e estou admitindo essa possibilidade apenas (ênfase aqui) para argumentar-, Israel o teria feito durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, (lembram, ela ocorreu!), ou durante a Guerra do Yom Kypur, em 1973 (lembram, ela também ocorreu), ou durante a ocupação israelense de Gaza, que se estendeu de 1967 a 2000, ano em que unilateralmente (ou seja, sem qualquer pré-condição) Israel deixou a Faixa de Gaza na sua totalidade. O que é fato: a ofensiva israelense tem objetivos militares e políticos definidos. Os militares estão sendo plenamente atingidos, até agora. E com um baixíssimo custo em termos de vidas humanas. É isso mesmo. Baixíssimo! Afinal, depois de quatro dias de centenas de incursões aéreas e marítimas, depois de ter despejado sobre Gaza mais de 500 toneladas de explosivos, apenas, repito, apenas, 360 pessoas morreram! E destas, cerca de 60, segundo as informações do próprio Hamas e da ONU, são civis. Ora, isto quer dizer que o restante fazia parte do exército terrorista, logo um alvo militar. A operação israelense impressiona, mas não pelas razões do senhor Nasrallah ou dos desavisados apedeutas de boa fé (admitamos), que usam a palavra “genocídio” sem saber o que ela significa. O conceito se aplica quando um governo deliberadamente promove o extermínio de povos ou populações inteiras, encontrem-se elas em seu próprio país ou em outros. Os turcos foram genocidas com relação aos armênios; os nazistas, com relação aos judeus; os comunistas stalinistas com relação aos russos; os maoístas com relação aos chineses; os japoneses com relação aos chineses e, hoje, os sudaneses muçulmanos com relação aos sudaneses não muçulmanos. Nem os cubanos castristas, que nos primeiros cinco anos após a revolução de 59, exterminaram 95 mil pessoas, praticaram um genocídio. Eles cometeram assassinatos em massa, uma ação sem dúvida abjeta e execrável, um crime contra a humanidade. Mas, não cometeram genocídio. E atentarmos para as diferenças ainda é fundamental. Por que a operação israelense impressiona? Por duas constatações que saltam aos olhos. A primeira: a ofensiva está se processando na área mais densamente povoada do planeta (1,5 milhão de habitantes em 360 quilômetros quadrados); a segunda: o Hamas ergueu intencionalmente toda a sua infra-estrutura policial e militar nos centros urbanos, justamente os locais mais densamente povoados deste território já muito densamente povoado (a hipérbole é proposital). Ora, se é para destruir alvos militares, é preciso atingi-los onde se encontram. E Israel está fazendo isto, de forma quase milimétrica, cirúrgica, mesmo correndo o risco, inevitável nesta situação, de atingir civis. Repito: e o faz de forma impressionante, pois as baixas civis, nesse contexto, são aquém de mínimas. Como a aviação e a marinha israelenses conseguem fazer isto? Empregando altíssima tecnologia, mísseis inteligentes e alvos previamente selecionados. Caso contrário, estaríamos diante de um massacre. E é necessário que se reafirme: não estamos sequer a milhões de milhas próximos disto. O Secretário-geral da ONU, que jamais reuniu uma conferência de imprensa para falar sobre a situação no Sudão, deveria saber disto. Ele, desta forma, ficaria calado. Obviamente, eu não esperaria que o senhor Ki-moon aplaudisse a operação de Israel. O Secretário-geral da ONU deve, por princípio, lamentar todas as guerras. Mas ele deveria, também por obrigação, calar-se, porque esta é uma guerra legítima, sobretudo defensiva, com objetivos militares e políticos claros, de um país soberano contra um grupo terrorista que prega o seu aniquilamento e contra os governos que apóiam este grupo. Três: Falei que a guerra possui objetivos políticos claros. Ei-los: Israel quer expulsar o Irã da Faixa de Gaza. O Irã? Isso mesmo, o Irã. O Hamas e a Jihad Islâmica nada mais são do que uma extensão do governo de Teerã e de seu potencial bélico virtualmente no interior de Israel. E todos sabem o quê mais almejam os aiatolás iranianos: destruir o que eles chamam de entidade sionista. Assim, ao eliminar a capacidade do Hamas de atacar seu território, Israel, além de retomar o controle sobre sua segurança imediata, desfere também um golpe mortal nas pretensões iranianas de penetrar em sua fronteira sul. Com isso ainda pretende isolar política e militarmente o Irã, travestido de Hezbollah, na sua fronteira norte. Ao mesmo tempo, forja uma situação mais favorável para negociar com a Síria, também enfraquecida com a derrota do Hamas, um tratado de paz entre os dois paises. Esta é uma meta de médio prazo. Por essa razão o senhor Nasrallah esbraveja contra o Egito de Mubarak e a Autoridade Palestina, de Machmud Abas, chamando-os de traidores do Islã. Nasrallah sabe que, sem o Hamas e a Jihad Islâmica em Gaza, o Hezbollah, ou seja, o Irã, se enfraquece, enquanto o Egito, a Autoridade Palestina e a Jordânia se fortalecem e, pior (para o Irã), Israel recupera a posição geopolítica decisiva para sua existência na região. A ofensiva ainda torna explicita a disposição de Israel de não tolerar que o iranianos consigam obter armamento nuclear. Ou seja, Israel está preparando o terreno para uma intervenção direta no Irã. Como Barak Obama assume a presidência dos Estados Unidos em janeiro, Israel envia uma mensagem inequívoca para Washington: não há diálogo com o Hamas, nem com Teerã. Os Estados Unidos devem se preparar para apoiar irrestritamente a ação militar direta de Israel contra os iranianos. E essa ação não deve tardar, pelo que se depreende do palco desenhado por Jerusalém. Quer dizer: trata-se de uma ação já planejada e montada pela inteligência militar israelense, que deve ser deflagrada em breve. Pergunta oportuna: o que é “breve”? Resposta: Israel certamente sabe. E, creio agora, Barak Obama também. No fim das contas, Israel não está fazendo mais do que colocar seu destino em suas próprias mãos. E isto ele sempre fez, sob o preço de simplesmente deixar de existir. Dúvidas? Consultem a História. Finalizando: e a mídia com relação a esse quadro? Nada informa, nada analisa, nada investiga. Pelo contrário, submete-se ao superficialismo, mistifica, embrulha-se toda no mantra da desproporcionalidade e mergulha de cabeça no noticiarismo demagógico e pretensamente humanitário. É um crime contra a lucidez e a razão. Mas, que diabos, isso lá importa?”


Wednesday, November 19, 2008

Avanço das negociações entre EUA e Irã beneficia Israel



Amos Yadlin, major-general israelense disse que não considera um diálogo entre EUA e Irã como negativo porque “diálogo não é apaziguamento”. Como o Irã está bastante fragilizado com a crise internacional, as sanções podem inclusive recrudescer. Não só se percebe uma mudança na postura israelense sobre o tema, como também o avanço nas negociações e intensificação das conversações da administração Bush com o governo iraniano. E a mudança pode ser duradoura se o aceno de Barack Obama se mantiver neste sentido. Do outro lado interessa aos iranianos que as negociações avancem. Não há nada de proveitoso em se tornar outro “estado-pária”, tal como o Iraque no passado recente ou a Coréia do Norte na atualidade. E, por mais paradoxal que possa parecer, não interessa aos israelenses, um conjunto árabe fortalecido. Para evitar isto, o contrapeso iraniano se faz necessário.

Outro sintoma da guinada iraniana é quanto o apoio a Rússia, inicialmente favorável a guerra na Geórgia, mudou pelo temor de que Moscou procurasse ampliar sua influência vendendo armas a Síria. Se isto ainda não significa uma posição eqüidistante entre Moscou e Washington, ao menos representa uma postura bem mais pragmática e centrada em objetivos que traduzem a necessidade de estabilidade regional.

Saturday, June 21, 2008

Bote ou blefe?

Instalação nuclear iraniana de Natanz.




Análise feita pelo NYT, citando oficiais anónimos dos EUA, relatou no dia 20 de junho passado que Israel conduziu exercício militar como um ensaio posições nucleares iranianas. Mais de 100 aviões de combate israelitas de F-16I e de F-15I participaram nas manobras sobre o mediterrâneo oriental e Grécia na primeira semana de junho. O exercício atingiu cerca de 900 milhas - aproximadamente a mesma distância entre a fábrica de enriquecimento de urânio de Israel e de Irã em Natanz. Um oficial anônimo do Pentágono disse que um objetivo dos vôos da prática era emitir uma mensagem de que o estado judaico esta preparado para atuar militarmente se os esforços diplomáticos não pararam o programa de enriquecimento de urânio de Teerã.

Um país que esteja planejando um ataque de verdade, não o fará assim... Tão publicamente. Estes exercícios e os relatórios subseqüentes estão projetados para amedrontar os iranianos. Teerã sabe que estas são operações psicológicas.

Porém, não convém cutucar onça com vara curta...

Saturday, June 14, 2008

A paz que vem do subsolo





A Conferencia Inter-religiosa na Arábia Saudita, dia 4 mostrou quão dividido é o mundo islâmico atual. Acusações dos xiitas do Irã e Hezbollah contra os sunitas de “fingirem hostilidade aos EUA” estão entre algumas de suas manifestações. Pois, há que considerar que a rivalidade entre sunitas e xiitas força os primeiros a um alinhamento com os EUA – através da possibilidade de defesa militar mesmo – contra a centralização e força dos segundos no governo iraniano. Internamente, os lideres religiosos sunitas na Arábia Saudita consideram a al-Qaeda uma ameaça nem tanto por razoes teológicas, mas pelo “internacionalismo” do agrupamento religioso que põe em cheque a estabilidade regional dessas lideranças. No meio disto tudo, o dinheiro saudita é o meio de comprar a união religiosa entre os conservadores sunitas, o que faz com que se reduza sua oposição ao “ecumenismo islâmico” de Riyadh. Um complicador adicional reside no Irã que não tem se beneficiado da alta do petróleo como os sauditas restando aos aiatolás o reforço ao financiamento de atividades xiitas no Líbano e da insuflação do Hezbollah.

Se há temor de uma guerra também há o desejo de que a situação favorável do petróleo dure com os US$ 130,00 por barril. Os sauditas sabem que isto não é permanente, só não sabem por quanto tempo ficarão lucrando assim. Se a situação de tensão com o Irã parece insustentável para manter tamanha lucratividade, as tensões têm que ser urgentemente afastadas, nem que seja com uma retórica diplomática religiosa unionista.

O aparente paradoxo dos sauditas reside na manutenção de seu alinhamento defensivo com os EUA ao mesmo tempo em que promovem uma união islâmica. A política saudita parece, portanto, ambígua. Internamente, buscam acalmar os ânimos conservadores antixiitas e contrários ao líder religioso Rafsanjani do Irã e, externamente, apóiam os grupos opositores do Hezbollah. Enquanto o Irã não desafiar os interesses de Riyadh com os lucros do petróleo, o que levaria a acionar o “gatilho yankee”, pode se deixar o país dos aiatolás em “banho-maria”.

Entre os planos de pacificação da região estão o envio de recursos à Síria e ao Líbano. Juntamente, com a Turquia, a Arábia Saudita busca uma estabilidade regional. Os sauditas também encorajam acordos entre israelenses e palestinos – o que pode, indiretamente, favorecer Damasco –, assim como há suspeitas de que estejam exercendo pressão sobre o Hamas. Não há nenhum interesse saudita no desequilíbrio e instabilidade entre Síria e Hezbollah com Israel.

Mas, sua estratégia pacificadora não reside apenas na manutenção de forças estabelecidas: cabe evitar ou eliminar que outras surjam... Os sauditas não querem ver o aumento de poder xiita no Iraque e marginalização dos sunitas no país. Assim como também não é bem vindo, o aumento da hegemonia da al-Qaeda entre os iraquianos. A partir de 2003 com exceção da região curda, o Iraque perdeu muito dinheiro devido à redução da exploração petrolífera e neste ponto é que entra a influencia e apoio saudita. Este súbito interesse pacificador saudita para assegurar a estabilidade regional implica em um reposicionamento em relação à política externa americana, o controle dos seus conservadores religiosos sunitas e uma relação de dissuasão com os xiitas iranianos.

Neste contexto de “diálogo inter-religioso”, cujos interesses por certo não são teológicos, é que tem que se entender a visita do presidente egípcio, Hosni Mubarak a Arábia Saudita na semana que passou. E não é de hoje que o Hamas tem no Sinai uma base de operações logísticas para ataques a Israel... Recentemente, dois egípcios, dois palestinos e um beduíno foram presos por carregarem artefatos militares pelo deserto e, após ser encontrado um esconderijo de mísseis terra-ar no Sinai, Mubarak sinalizou com seu interesse nos acordos de paz entre israelenses e palestinos. Cabe a ele evitar que o radicalismo do Hamas não se estenda ao Egito e permaneça retido na Faixa de Gaza. Com certeza, egípcios e sauditas têm muito a discutir.

Não se trata de um novo alvorecer no Oriente Médio, mas se as negociações de paz através do dialogo inter-religioso não tem suficiente poder, o óleo sim. Se uma paz duradoura e desejável não é possível, ao menos uma maior estabilidade pode durar tanto quanto verter o dinheiro do subsolo.

Monday, May 26, 2008

Israel e Líbano


Fouad Siniora, premiê libanês.






O governo libanês pode até querer, mas não tem nenhum poder para aquiescer uma ascensão do Hezbollah. Existe a teoria que os americanos encorajam o Líbano a colocar o Hezbollah na defensiva. O problema com a teoria é que os fatos a têm contradito. Outra explicação é que por trás da pressão contra o Hezbollah estão as negociatas entre Israel, Síria e Turquia. O problema com esta outra teoria é que isto não aconteceu.

Se, por um lado, os cristãos, drusos e sunitas não apreciam o Hezbollah, gostam muito menos da ingerência síria. O nacionalismo e sentimento antiintervencionista fala mais alto que clivagens religiosas. Para o premiê Fouad Siniora interessa aumentar o custo da intervenção síria em seu país, chamando a atenção de forças sírias anti-israelenses. O objetivo implícito é prejudicar os acordos entre Síria e Israel. Só assim pode-se entender a atual complacência para com o Hezbollah que, além de ser anti-israelense é xiita, para desgosto dos sunitas sírios.

Os sírios podem estar acostumados com as guerras na região, mas uma guerra civil seria novidade para eles. Estrategicamente, o que Siniora quer, é dividir ainda mais os sírios. Naqueles pagos, tornar-se independente e soberano significa enfraquecer o vizinho até sangrar.

Israel atravessa uma crise política, com seu premiê Ehud Olmert sob investigação por aceitar suborno. Sua defesa é que tomou o dinheiro sem dar nada em troca. Estranho... Então não seriam “suborno”, mas doações? O clichê adotado por seus defensores é que tudo não passaria de uma sórdida campanha de seus opositores para desacredita-lo. Argumento bastante convencional que não foca no problema, mas no mensageiro... Já que falamos deles, os mensageiros ainda alegam que esta é a ponta do iceberg do dinheiro proveniente de fora de Israel – de judeus americanos, em primeiro lugar.

A verdade é que Israel passa por uma crise política e não há sucessor viável para Olmert no momento. Neste contexto, provavelmente nenhum plano mais abrangente para os assentamentos surgirá. Aos israelenses compete lidar com o Fatah e a Síria, manobrar seus interesses no Líbano e redefinir suas relações com os EUA. O que, se não necessita de um completo consenso, precisa menos ainda do atual caos político. A conjuntura, definitivamente, não é conveniente, muito menos estratégica para o governo israelense.

Procurar entender a realidade geopolítica regional como um jogo de cartas marcadas, sem penetrar no interior dos movimentos políticos nacionais e regionais não possibilita o correto entendimento da situação. Mais que estados como agentes históricos, existem partidos, seitas, grupos e estes são compostos por indivíduos, cujos interesses podem fortalecer aqueles... Ou, o que não é raro, enfraquece-los.

Friday, May 23, 2008

Jogo sírio - 2


Em que pese também o dissenso interno aos sírios, por razões complexas (proximidade étnica, oposição aos EUA e Israel), a Síria apoiou os sunitas na Guerra do Iraque. Se o fundamentalismo sunita se opõe ao secularismo alauita, um fundamentalismo oportunista capitaneado por Damasco seria uma alternativa razoável frente à composição de forças em curso. E aos EUA caberá forçar os sírios a sair do Líbano.

Após os equívocos de Israel no Líbano, os sírios têm se tornado a força dominante no país. A Síria por seu turno criou uma estrutura que estabiliza os arroubos de violência no Líbano, controlando o Hezbollah em seus ataques contra seus aliados no Líbano (muitos dos quais, se opõem ao Hezbollah) e a própria Israel.

Por mais paradoxal que possa parecer, a presença síria no Líbano garante uma estabilidade à Israel e os israelenses não querem a destituição do regime Assad. Ruim com eles, pior sem eles é o que passa na mente dos israelenses. A presença síria no Líbano, apesar de incômoda, é uma garantia a mais pela estabilidade do país. Sim, Israel deseja, sobretudo, o controle do Hezbollah.

Aqui temos, então, um ponto de tensão entre Israel e os EUA, especialmente difícil de entender para aqueles que vêem uma “ligação carnal” entre os dois países, uma dependência e comunhão total de propósitos, o que não passa de mito. Os EUA, por sua vez, preparam-se para punir os Assad por sua interferência no Iraque, o que trará mais instabilidade política à região. Mas, o real perigo na região reside numa possível sucessão síria com fundamentalistas sunitas, uma vez que Damasco os ajudou. Aí é que está o problema.

Para os turcos, este arranjo informal entre Israel e Síria é fraco. Não é a primeira vez que Israel adota esta política. Aliás, já fez o mesmo com o Egito e a Jordânia... No caso específico da Síria, não há como suportar a pressão americana. Para os turcos, o reestabelecimento das antigas tensões é que é desejável. E, novamente outro paradoxo aparente, junto aos EUA contra esta configuração de poder está o Hezbollah e o Irã!

Os EUA vêem a Síria como fator de instabilidade regional, cujo currículo no Líbano a condena. Chutar os Assad poderia ser, militarmente, fácil para Washington, mas os avisos sauditas aos americanos têm que ser, atentamente, levados em consideração... Os lucros do petróleo no Iraque passam, atualmente, pelos sunitas. Por isto, não convém desagradar, mesmo que indiretamente, estes novos sócios.

Apesar da Arábia Saudita, desde os 70, ter os sírios como inimigos e verdadeiro pavor da política iraniana e seu apoio ao Hezbollah, não acredita no controle dos xiitas por Damasco. Mais precisamente, os sauditas acreditam que os sírios controlem o Hezbollah contra Israel, mas não conseguem o mesmo contra os sauditas e demais sunitas. E Washington tem que dançar entre os interesses israelenses e a hostilidade saudita para com Damasco. Não pode se errar o passo, embora haja uma tendência predominante em Washington por “vingar” o governo de Bagdá contra o apoio sírio às milícias sunitas no Iraque.

“Vingança”, como redução de poder de um vizinho inconveniente, bem entendido. Afinal, vingança por vingança não traz poder.

Chega-se, ironicamente, em uma convergência de interesses de Washington, Teerã e o Hezbollah contra Damasco. Quem diria? No entanto, apesar do crescimento da força do Hezbollah sob o dissenso estratégico, ele não consegue se estabelecer como força política convencional e alternativa. Para os sírios, ele é conveniente para ser liberado como cão de guarda no momento oportuno. E, quando este momento chegar, romper as amarras que o prendem a Damasco também jorrará sangue.

Para caminhar nesta selva, urge que acordos com Teerã sejam formados antes que o Hezbollah possa se tornar independente do apoio sírio. Mesmo porque, hoje, o apoio de Teerã ao Hezbollah, passa por Damasco, apesar de todas suas diferenças ideológicas. Depois, para Washington ficará mais fácil jogar com Damasco e Teerã. De preferência, um contra o outro.

Jogo sírio


A Turquia, aliada dos EUA, membro da OTAN não tem interesse nos acordos de paz entre Israel (igualmente aliada americana) e Síria. Não há interesse em uma Síria estável e seu estado fortalecido na fronteira meridional turca. Não há interesse em um novo concorrente regional. Com o crescimento militar turco e a concentração americana no Iraque, um vácuo de poder surgiu na Ásia do Levante, o qual os turcos querem preenchê-lo. E não nos enganemos com justificativas a partir de disputas regionais pretéritas, o envolvimento turco na diplomacia regional é apenas o primeiro passo de uma longa série de ações do que está por vir.

A Síria tem interesse nos planos de assentamentos de Israel. A minoria étnica alauita que governa Damasco é um movimento secular que tem maior afinidade com o Fatah do que com o Hamas (ambos sunitas, porém distintos politicamente) ou com o Hezbollah (xiita). A maioria religiosa sunita do país não determina, portanto, as ações do governo sírio. Não se trata de religião, no sentido etéreo da palavra, mas simples Razão de Estado.

Em que pese a insatisfação geral dos sunitas com o governo sírio, os interesses de Damasco se concentram muito mais na riqueza afluente do Líbano do que em Israel. Dinheiro puro e simples e, não fé é que ditam as regras. Neste contexto, o apoio ao Hezbollah é casual, não uma “ligação carnal”. Damasco joga com todas as fichas disponíveis, não só apoiando os xiitas do Hezbollah, como envia armas aos jihadistas sunitas. Os Assad são políticos habilidosos, mas em que pesem suas táticas para contrabalançar Israel, não têm estratégia visível (ao menos, por enquanto) para lidar com os turcos. E estes não têm uma receita pronta e fácil: se não querem estados fortes, tampouco desejam o caos em sua fronteira sul.

Wednesday, May 21, 2008

Conversa fiada - 2


Os palestinos se distribuem entre West Bank (Cisjordânia) e a Faixa de Gaza no território israelense. Ideologicamente, se dividem em grupos bastante heterogêneos, com o Setor Ocidental (Cisjordânia) controlado pela Aliança Nacional Palestina (ANP), a qual se subdivide em duas facções, o Fatah e o Hamas. O primeiro é, sem dúvida, o mais forte na Cisjordânia e controla as instituições da ANP. Pode-se dizer que o Fatah – na prática – controla o governo palestino oficial. Mesmo em Gaza, onde o Hamas é o grupo hegemônico, o Fatah se mantém com força na disputa.

O Fatah é um movimento secular, originário do esquerdismo árabe dos anos 60 e 70. O Hamas, por sua vez, é guiado por pressupostos religiosos de movimentos sunitas de fins dos 80 e 90. Exceto pela formação do estado palestino, suas visões de estado variam geograficamente. O Fatah mantém seus compromissos com o estado de Israel, o que deriva de certo temor pela expansão da hegemonia política do Hamas entre os palestinos. O Hamas, por sua vez, não tem preparo para um “compromisso geográfico”, isto é, de formação territorial de um estado palestino, exceto em bases temporárias. Estes dados já são suficientes para apontar quem Israel apóia. Não há possibilidade, por parte do estado israelense de travar acordos com aqueles que não aceitam seu direito à existência.

Um dado para contemporização desta relação de forças é que mesmo apresentando divisões internas, Israel não demonstra cisões tão profundas quanto os palestinos. Portanto, a análise do conflito árabe-israelense passa por uma guerra entre três grupos básicos, Israel, Fatah e Hamas, o que torna impossível um acordo definitivo de assentamento entre estas partes levando-se em consideração a crescente aliança entre Israel e Fatah contra o Hamas. O que resta são acordos parciais entre Israel e o Fatah, através da ANP. No entanto, isto não se torna suficiente para estabelecer um pacto interno aos palestinos, ainda mais com o Fatah não fazendo nenhum esforço em negociar com o Hamas. Igualmente, se o presidente palestino Mahmoud Abbas promovesse um amplo assentamento com apoio do Fatah não seria o mesmo que um acordo integral com os palestinos, mas somente com sua facção.

De sua parte, os israelenses têm sinalizado para esmagar lideranças do Hamas em Gaza. Nesta guerra de dissuasão ostensiva e, também psicológica, resta ao Hamas se preparar para operações de contra-insurgência em um ambiente politicamente inóspito. Reduzir a influência do Hamas num primeiro turno pode ser também o início de um processo que aponta para a anulação gradual do próprio Fatah, e de xiitas que apóiam o Hezbollah.

Para Israel pode ser uma vantagem alcançar um acordo de assentamentos com Mahmoud Abbas e lançar ataques em Gaza. O próprio Abbas pode ser o testa-de-ferro de um ataque decisivo ao Hamas, mas isto colocaria a ANP em dificuldades políticas. Por outro lado, os palestinos não mantêm ilusões que um ataque massivo em Gaza eliminaria por completo a capacidade militar do Hamas. Quanto mais mísseis lançados contra Israel, maior se torna a pressão para toda sorte de revides por parte de seu estado.

Realisticamente falando, assentamentos não conduzem, por si só, a nenhum processo de pacificação porque não há plano sustentável de assentamento sem operações de guerra. No horizonte, só se vislumbra a paralisia e uma guerra eliminaria a capacidade do Fatah de atingir seu propalado plano de partilha territorial.

O resto é conversa fiada.

Sunday, May 11, 2008

História mal contada

Vejamos esta matéria do site do Estadão:

(...)
No outono passado, em resposta a ataques com lançamento de foguetes por militantes palestinos, o governo de Israel declarou Gaza uma "entidade hostil" e restringiu o fornecimento de combustível.
A Justiça israelense estabeleceu uma quantidade mínima de combustível que deveria ser entregue, mas organizações como Oxfam dizem que isso não tem sido respeitado.
Autoridades israelenses dizem que a entrega de combustível foi interrompida por questões de segurança e que será retomada logo.
Tem havido uma série de ataques por militantes palestinos em postos da fronteira nas últimas semanas.
A ONU condenou os ataques, mas também classificou a resposta israelense de "injusta", já que os 1,5 milhão de moradores de Gaza enfrentam constante falta de produtos básicos.

Porém...

Hamas vs. Gaza


Qual a razão para um grupo que se diz representante do povo palestino tem para embargar recursos básicos para este mesmo povo?

O combustível em questão seria enviado para hospitais administrados pela ONU em atendimento e à população da Faixa de Gaza. Os pára-brisas dos caminhões foram quebrados por pedras e tiros disparados por dúzias de soldados do Hamas. O envio da carga de 250.000 litros de combustível foi liberado após acordo feito entre a Autoridade Palestina e Israel.

A ação do Hamas prejudicou meio milhão de palestinos que dependiam de seu fornecimento. Quem acusa o Hamas não é um “agente sionista” ou um wasp com o qual sonham os terceiro-mundistas, mas o próprio Ministro da Saúde da Autoridade Palestina que apontou o grupo de prejudicar hospitais e clínicas da Faixa de Gaza.

Não foi um fato ou caso isolado. A tática insana já ocorreu por 4 vezes em poucas semanas. Conseqüentemente, alguns hospitais tiveram que parar com seu serviço de ambulância.

Quem mata seu próprio povo a conta-gotas?

A crise gerada pelo Hamas tem feito com que alguns dos próprios oficiais da Autoridade Palestina em Ramallah têm como única esperança, a intervenção da comunidade internacional.

Esta obstrução do fornecimento cria um mercado negro de combustível que favorece, obviamente, a quem o tem: o Hamas.

Frentistas e donos de postos de gasolina também são ameaçados de morte pelos terroristas do Hamas, diga-se de passagem.

Adaptado de: Hamas disrupts fuel supplies to Gaza

O que se pode dizer de gente assim que faz isto contra seu próprio povo?

Wednesday, December 19, 2007

Terra e dinheiro vs. Fundamentalismos


Os EUA estão intermediando um novo processo de paz entre judeus e palestinos, mas desta vez com a concessão de uma linha de crédito aos segundos. Trata-se de uma ação conjunta entre governo e setor privado americanos que corresponde a US$ 400 milhões ao desenvolvimento da sociedade palestina.


Pragmaticamente se subentende que não há paz possível sem um setor privado forte. No curto prazo são 150 projetos, entre eles, planos de moradia. Isto vai de encontro ao que defende o economista peruano Hernando de Soto em seu excelente O Mistério do Capital, no qual argumenta que só depois de instituída e assegurada a propriedade privada, ela pode deixar de ser um "capital morto" e tornar-se um ativo. A maior garantia ao fluxo de capital mundial reside na propriedade imobiliária e é por aí que deve começar o plano de estruturação para o estado palestino.


O atual acordo visa um público-alvo de jovens em centros de treinamento esportivos e de desenvolvimento de habilidades técnicas, que é uma continuação de outro, anterior voltado para pequenas empresas palestinas no valor de US$ 228 milhões.


Não se pode fazer muito mais. As tentativas de convivência mútua já expiraram. Não há "dono legítimo" como sustenta ambos os lados. Os judeus nunca abandonaram aquela terra de todo. Se houve erro histórico, este foi da Inglaterra, a detentora imperial daquelas terras e da recém-criada ONU à época. Caso as migrações tivessem ocorrido de modo espontâneo, o imbróglio não teria ocorrido daquela forma. Foi um caso de indução ao conflito e agora não adianta reclamar sobre leite derramado. O mesmo se refere ao Tibet ou ao sudoeste dos EUA. São águas passadas. Uma solução ideal estaria na laicização do Estado de Israel e nos casamentos multiétnicos. Mas, de boas intenções há um lugar que está cheio...


A ação britânica também não teve uma tendenciosidade benigna para com os judeus. Não foi o caso... Os britânicos reprimiram duramente ambos grupos, judeus e palestinos. Lembre-mos que foram os próprios judeus que os expulsaram, pondo dois prédios abaixo lotados com oficiais de Sua Majestade.


Não podia dar certo...


Eu realmente não entendo religiões, nem mística... como a dos triângulos. Os amorosos, p.ex., só dão certo em literatura degenerada baiana. Assim também na política, como foi o caso da imigração judaica vs. nacionalismo árabe vs. administração britânica. Culpa? Um estado sempre tem alguma... À época parecia razoável, mas na lógica imperial ninguém tinha relações com tribos. Até hoje é assim... Foi um erro por certo, mas difícil de imaginar onde chegaria.


Os atuais acordos promovidos pelos EUA são uma boa iniciativa, pois solução ideal não é mais possível. Em sua constituição, a idéia de um estado bi-nacional para palestinos e judeus já é tosca. Estado é estado uno. Redundâncias à parte, isto por si só já expõe a falácia geopolítica que levaria a guerra. E o mais forte venceu quatro vezes. Em uma delas de modo exemplar até hoje. Se formos julgar, não por critérios morais, mas dando à César o que é dele, Israel ganhou e merece ter seu quinhão de terra árida. Caso encerrado. Os palestinos remanescentes, no entanto, precisam ser reintegrados à economia israelense, mas assim como os judeus devem colocar seus ídolos em stand-by. Templo deve ficar de fora do business e não o contrário. Rabinos e imãs em banho-maria já.


Antes de 1947, judeus e palestinos visitavam-se, íam às mesmas festas, assim como católicos, protestantes e umbandistas no Brasil. Ninguém lembra de seu deus quando está embebedando-se ou tomando suco de laranja quando dança. Para eles, naquele momento, havia um conceito mais flexível do que "deus queria". O equívoco foi gerado quando o estado mancomunou-se com a religião. Religião de estado foi no que se tornou o judaísmo naquelas plagas e seu contraditório, a religião em busca de um estado pelos palestinos. Enquanto a propriedade não for critério individual, pessoal, mas ligado a uma etnia, não haverá paz.

Se fores um palestino e tiver água embaixo do solo que assenta tua casa, serás enxotado. Isto está além de qualquer fé: é subsistência, básica. A questão é geopolítica, onde a religião é mero expediente para uma desigualdade jurídica. Resolva-se isto, mate-se todo terrorista e a paz vinga. Terrorista merece morte rápida e asséptica, sem ressentimentos... E que se dividam os frutos do trabalho segundo critérios racionais, no sentido weberiano, isto é, não tradicionais. E ajudaria muito algum mix interétnico.


Nesta altura do campeonato querer julgar "quem estava certo" e "quem estava errado" de nada adianta. Sem vitimização, o erro foi mútuo. As primeiras levas de judeus foram rechaçadas. A reação seria lógica. Agora, não se pode culpar os palestinos nem os judeus, mas está fora de cogitação perdoar Hamas i tutti quanti. Eles merecem mísseis na cabeça. Os árabes locais têm que ter grana. Grana, consumo corrompe and I like it!


A Jordânia há muito chutou os palestinos; o Egito também. Razões de Estado... A mesma lógica egoísta move indivíduos, mas tem que haver uma inserção básica no mercado. Com o apartheid étnico e palestinos tratados como zulus em bantustões temos apenas máquinas de reproduzir criminosos, tais quais favelas brasileiras.


Aqui em Florianópolis, nosso prefeito quis deslocar uma famosa favela para nosso bairro. Nossa associação foi terminantemente contra: nem aqui nem lugar nenhum. Dissipação, i.e., misturando o grupo se aprende costumes novos e a troca surge. Quando jovens de diferentes religiões namoram, costumam afrontar seus pais e um salutar conflitos de gerações indica a mudança vindoura. Nada como blasfemar um pouquinho...


Thursday, November 01, 2007

VideVersus, 1º de novembro



Abro este tópico com mais uma newsletter do excelente http://www.videversus.com.br/ do jornalista Vitor Vieira em 1º de novembro de 2007. Meus comentários seguem em itálicos:

Ao lado, um dos resultados da invasão da Fazenda Coqueiros no Rio Grande do Sul pelos meliantes do MST.





Mais de 40 entidades pedem à Justiça que MST possa invadir Fazenda Coqueiros
Na tarde desta quarta-feira, cerca de 40 entidades petistas, como Cpers, Cut, sindicados de bancários e comerciários, entre outros, entraram na Justiça gaúcha com um pedido de habeas corpus para que os militantes paraguerrilheiros da organização clandestina e ilegal MST possam promover a décima invasão da Fazenda Coqueiros, no município de Coqueiros do Sul. Esses sindicatos petistas, ilegítimos para peticionar em benefício dos militantes paraguerrilheiros do MST, querem que a Justiça gaúcha derrube a decisão da juíza de 1º grau, de Carazinho, que proibiu as marchas de ingressarem nas estradas do município, como também de terem crianças em suas colunas armadas. As três colunas de paraguerrilheiros estão paralisadas, impedidas de prosseguir na marcha rumo à invasão violenta da Fazenda Coqueiros, por contingentes da Brigada Militar.

Como se vê, o problemas do Brasil não se resume à organizações como o MST. Os sindicatos são seus fomentadores em nível judicial. E com professores (Cpers) apoiando organizações criminosas, o destino do país está em más mãos.


Tenente-coronel da Brigada Militar é denunciado por furto e formação de quadrilha
Comandante do Batalhão de Polícia de Guardas da Brigada Militar (BM) em Porto Alegre, onde estão detidos policiais militares envolvidos em crimes, o tenente-coronel José Antônio Carvalho de Medeiros, de 49 anos, é acusado de integrar uma quadrilha interestadual que desviou pelo menos R$ 150 mil de contas bancárias pela internet. Em denúncia do Ministério Público acolhida pela 6ª Vara Criminal da Capital, o tenente-coronel José Antonio Carvalho de Medeiros é apontado como autor de furto qualificado e formação de quadrilha com outras nove pessoas. Escutas telefônicas reforçam denúncia de participação do oficial no bando. A notícia da denúncia levou o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Nilson Bueno, a remover o tenente-coronel José Antonio Carvalho de Medeiros do comando do Batalhão de Guardas. Parte do grupo teria ramificações com outras duas quadrilhas identificadas nos últimos dois anos nas operações Pontocom, da Polícia Federal, e Nerd II, do Ministério Público gaúcho. Segundo denúncia assinada pelo promotor Ricardo Herbstrith, da Promotoria Especializada Criminal, o grupo agiu entre o segundo semestre de 2005 e os primeiros dois meses do ano passado. O grupo teria quatro divisões: os que criavam programas para invadir contas bancárias, os que descobriam informações cadastrais das vítimas, os que arregimentavam laranjas e sacavam valores, e os que buscavam "clientes" para ter contas pagas. Segundo a denúncia, o tenente-coronel estava entre os que escolhiam vítimas e informavam aos crackers os números das contas para as quais o dinheiro deveria ser desviado. Um dos crackers denunciados é o paulista Marcos Martins, 42 anos, que vive em Porto Alegre, mas já esteve preso preventivamente em Araucária (PR) por suspeita de estelionato. Outro cracker envolvido no caso é o Romany Cutolo Bonente, 22 anos, de Rondônia. Ele está preso em Curitiba desde 17 de agosto, quando foi capturado durante a Operação Nerd II, do Ministério Público. Investigações da Delegacia de Polícia Regional de Porto Alegre revelam que, em um intervalo de quatro dias, o tenente-coronel José Antonio Carvalho de Medeiros e Martins trocaram 42 telefonemas. A denúncia do MP reúne documentos e extratos bancários que comprovam seis golpes entre 7 e 8 de novembro de 2005. Naquelas 48 horas, foram desviados R$ 112,7 mil de seis contas de empresas e pessoas físicas de Porto Alegre. Há muitos anos há forte desconfiança de que membros da alta-oficialidade da Brigada Militar gaúcha fazem parte do crime organizado, o que agora fica confirmado. A Brigada Militar precisar dar uma grande explicação para a sociedade gaúcha.

E tem "direitista" que criticou o filme Tropa de Elite por mostrar policiais corruptos chamando o filme de "tucano"...


Estados Unidos devolvem US$ 1,6 milhão transferidos ilegalmente do Brasil
O procurador-geral de Nova York, Robert Morgenthau, autorizou nesta quarta-feira a repatriação de US$ 1,6 milhão ao Brasil. O dinheiro havia sido transferido para os Estados Unidos de forma ilícita por doleiros, que utilizaram uma agência do Banco do Estado do Paraná (Banestado). Segundo o Ministério da Justiça, a repatriação de recursos para o Brasil é inédita. "O esquema Banestado foi a maior lavanderia de dinheiro de que se tem conhecimento no Brasil", afirmou o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. "É um caso inédito de repatriação de ativos para o País e certamente apenas o início de uma série de autorizações que vamos obter junto à Justiça de outros governos", completou ele. Tuma disse que tramitam no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) cerca de 200 processos relacionados ao mesmo esquema Banestado. O procurador sinalizou positivamente para novos acordos, que logo possibilitarão a repatriação de mais recursos.

Há quem brade contra a "internacionalização da Amazônia" e temas afins, mas só através da internacionalização (lêia-se pressão, mesmo) é que o país funciona.


TV grava palestinos atirando contra Israel
A TV israelense divulgou nesta quarta-feira imagens gravadas pelo exército que mostram terroristas palestinos disparando com um morteiro de uma escola primária da Faixa de Gaza contra o território de Israel. As imagens foram gravadas na segunda-feira por um avião sem piloto, segundo a TV estatal. A gravação mostra homens no interior de uma escola primária de Beit Hanun que atiram com um morteiro contra o território israelense, antes de fugirem do prédio temendo a resposta israelense. Segundo o Canal 10, os terroristas, membros do movimento islâmico Hamas, foram atacados posteriormente pela aviação israelense fora do perímetro urbano. Desde que o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, mil foguetes e tiros de morteiro foram disparados contra Israel deste território.

Terroristas ou guerrilheiros árabes costumavam utilizar escolas e hospitais como "escudos humanos". Agora, usam-nas como base para ataques, mesmo. Interessante também notar que a maior ação de grupos como o Hamas quando chegam ao poder, é lançar mísseis.


Marinha da Colômbia apreende dois submarinos das Farc
Dois submarinos que seriam usados pela principal guerrilha colombiana para tráfico de drogas foram apreendidos em uma zona selvagem do litoral do Pacífico, informou a Marinha nesta quarta-feira. A descoberta das embarcações, capazes de transformar até 5 toneladas cada, ocorreu no domingo, perto do porto de Buenaventura, Departamento do Valle, por onde passa cerca de 60% do comércio internacional colombiano. Os dois submarinos estavam no que a Marinha chamou de "estaleiro artesanal", capaz de fabricar esses artefatos. Segundo a Marinha, o local e os submarinos pertencem às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), principal narcoguerrilha do país, com cerca de 17 mil combatentes. O grupo é considerado terrorista por Estados Unidos e União Européia, e o governo colombiano o acusa de se financiar com recursos da produção e tráfico de cocaína. Desde 2005, a Marinha colombiana confiscou nove submarinos usados no narcotráfico.

Se esta tática for adotada no Brasil, estaremos fritos com nossa extensa linha costeira.


Jobim diz que governo estuda reajuste de até 34,99% para militares
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta quarta-feira que o governo Lula estuda um reajuste, que pode variar entre 27,62% e 34,99%, para os salários de 609.935 militares ativos e inativos. No total, o impacto deste reajuste pode chegar a R$ 8,3 bilhões na folha de pagamento, entre 2007 e 2008. Segundo ele, o reajuste seria concedido em duas etapas: uma parte este ano, e outra em 2008. O ministro disse que o assunto será tratado na próxima quarta-feira em uma reunião com o presidente Lula e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Estava na hora. Ao invés de sucatear nossas forças armadas, o PT faz bem em minorar o prejuízo que seu governo (e antes disso, o de FHC) fizeram em prejudicar o soldo dos oficiais. Só espero que não fique só nisto, no arranjo financeiro, mas que seu papel e função sejam igualmente resgatados.


Palocci chama CPMF de “imposto mais produtivo”
O deputado federal Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro da Fazenda, defendeu nesta quarta-feira a cobrança da CPMF durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. Palocci disse que a CPMF é o "mais produtivo" dos impostos porque traz a melhor arrecadação ao País com a melhor alíquota à população. "Não há imposto mais produtivo que a CPMF no Brasil. Ela é a mais produtiva, com menor alíquota, traz melhor arrecadação. É seis ou sete vezes mais produtiva que a Cofins. É o imposto que arrecada mais, impondo menos carga aos indivíduos e às empresas", afirmou ele. Palocci admitiu, no entanto, que é possível discutir a redução gradual da alíquota da contribuição ao longo dos próximos anos. O ex-ministro também disse ser possível ao governo debater a redução da carga tributária nacional.

Bem... Nisto, nosso ex-ministro está correto. A CPMF é o mais eficaz dos tributos porque incide sobre a circulação do dinheiro (que movimenta a maior parte dos recursos do país). A "contribuição", EM TERMOS RELATIVOS, é muito menos danosa ao contribuinte do que impostos como o ICMS, por exemplo. O problema é que este "debate" tem sido levado em termos emocionais... A sociedade brasileira faria por bem discutir a questão tributária de forma integrada, i.e., avaliando todos tributos e julgando a partir daí.


Presidente da Fiesp entrega 1,3 milhão de assinaturas contrárias à CPMF ao Senado Federal
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, no final de sua participação na audiência promovida pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, nesta quarta-feira, para discutir a prorrogação da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), entregou um abaixo-assinado com 1,3 milhão de nomes contrários à continuidade do chamado "imposto do cheque". As assinaturas foram coletadas por diversas entidades de vários Estados do País. Durante sua participação na audiência, Skaf condenou a prorrogação da cobrança. Ele afirmou que a reforma tributária não prevê formas eficientes de desoneração fiscal e que a única chance de reduzir efetivamente a carga tributária é por meio da eliminação da CPMF. Skaf disse que em vez de repassar vantagens para a população por meio da elevação da arrecadação, a União usa a receita extra para cobrir gastos. Ele afirmou que não concorda com o argumento de que a CPMF é uma ferramenta de fiscalização e combate à sonegação.

Não concorda... pois bem, a CPMF, infelizmente, é um imposto que não dá para sonegar. Me surpreende a opinião da Fiesp. Se são assim tão contrários à sobre-tributação (no que estão certos) por que não criticam o IPI e o ICMS?? A Fiesp não parece primar pela coerência. São muito bons para livrarem o seu, i.e., direito de criticarem a tributação, mas quando se trata de apoiarem a maior competição (e queda dos preços) através de uma Alca, p.ex., simplesmente se calam.


Justiça condena ex-funcionário de ONG pelo assassinato de franceses no Rio de Janeiro
Társio Wilsom Ramires, de 25 anos, um dos três acusados pelo assassinato de três franceses no Rio de Janeiro no início deste ano, foi condenado pela Justiça a 59 anos e oito meses de prisão. No dia 27 de fevereiro, Christian Pierre Doupes, de 38 anos, a mulher dele, Delphine Douyère, de 36 anos, e Jérôme Faure, de 42 anos, foram mortos a facadas, na sede da ONG Terr'Ativa, em Copacabana (zona sul do Rio de Janeiro), que atendia menores de rua. Ramires tinha sido ajudado pelos franceses a pagar as mensalidades de um curso de administração de empresas em uma universidade particular e, graças ao contato com eles, trabalhava na ONG. Ramires planejou o crime porque os franceses desconfiavam que ele tinha desviado R$ 80 mil da ONG. Para se livrar das suspeitas, ele contratou os também réus Luiz Gonzaga e José Michel Gonçalves e matou os patrões. O filho do casal, de apenas dois anos, só não foi morto porque estava em outro apartamento. Oliveira e Gonçalves irão a júri popular no dia 13 de dezembro. Em sua sentença, o juiz Sidney Rosa da Silva escreveu que Ramires "teve todas as oportunidades na vida, e as jogou no lixo em razão de sua mente criminosa”.

Este caso mostra piamente como o crime não é mero produto "social". Há sim, elementos incorrigíveis que merecem a mais pura forma de "exclusão social" através do encarceramento (já que não temos a forca).


Aécio Neves diz que terceiro mandato não seria bom para Lula e Brasil
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), afirmou nesta quarta-feira que um terceiro mandato do presidente Lula não seria bom para o Brasil nem para o próprio Lula. "O Brasil não é a Venezuela. Acho que temos instituições muito sólidas. Faço até justiça ao presidente. Pode até ser que em seu entorno alguns áulicos ainda alimentem esse sonho. Mas não é bom para o Brasil, não é bom para o presidente Lula e não acredito que ele pessoalmente tenha esse interesse. Acho até legítimo que o presidente, no futuro, volte a se candidatar, mas mudar a Constituição nesse instante é um desserviço à democracia e o Brasil não aceitaria isso de forma alguma”. Um grupo de deputados federais petistas articula para assegurar um terceiro mandato ao presidente Lula. Eles estão dispostos a apresentar uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que faculta aos atuais ocupantes de cargos no Executivo a possibilidade de reeleição, mesmo que já estejam em seu segundo mandato.

O temor do governador parece se justificar, pois...


JÁ ESTÁ TRAMITANDO EMENDA QUE PERMITIRIA VÁRIOS MANDATOS PARA LULA
O presidente da Câmara dos Deputado, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), mandou desarquivar em abril uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permite a reeleição sem limites para cargos majoritários, de presidente da República a prefeitos. Aprovada no Congresso, a proposta abriria caminho para a aprovação de um terceiro mandato para o presidente Lula. O pedido foi feito em fevereiro pelo deputado federal petista Fernando Ferro (PE), que solicitou o desarquivamento de propostas sobre a reeleição. Os deputados federais Devanir Ribeiro (PT-SP) e Carlos Willian (PTC-MG) defendem a possibilidade de um terceiro mandato para Lula, com base em uma emenda que já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara em 2000. O relator na comissão, deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), considerou, na época, a proposta constitucional. O próximo passo é a discussão em comissão especial, que depende de autorização do presidente da Câmara para ser instalada. A proposta do ex-deputado Inaldo Leitão (PR-PB) permite que presidente da República, prefeitos e governadores concorram a infinitas reeleições, desde que se licenciem do cargo seis meses antes da disputa.
Senado Federal pode votar Emenda 29 na próxima semana, diz Tião Viana
O presidente interino do Senado Federal, senador Tião Viana (PT-AC), afirmou nesta quarta-feira que vai tentar votar na próxima semana a proposta de regulamentação da Emenda 29, que destina recursos para a saúde. O senador disse que só aguardará a conclusão da votação dos destaques na Câmara dos Deputados para encaminhar sua sugestão aos líderes partidários. "Eu fui um missionário nessa causa. Estou muito feliz. Foi uma ação construída com o movimento missionário. É uma decisão muito boa para o País", disse Tião Viana, ao ser informado sobre a aprovação pelo plenário da Câmara do texto principal da Emenda 29. Nesta quarta-feira, o plenário da Câmara aprovou o substitutivo apresentado pelo governo federal que promete o repasse de R$ 24 bilhões para a saúde, no período de 2008 a 2011.

É uma boa cifra, mas a questão não se encerra em termos quantitativos. COMO serão gastos estes recursos é que são outras... Com médicos e enfermeiros e medicamentos ou com burocracia?


Petróleo supera US$ 94 por causa do índice das reservas e taxa de juros nos Estados Unidos
O preço do barril do petróleo cru subiu 4,6% nesta quarta-feira e fechou em recorde de US$ 94,53 em Nova York. A divulgação da queda das reservas de petróleo nos Estados Unidos e o corte da taxa básica de juros, em 0,25 ponto percentual, pressionaram a commodity. No final do pregão regular da Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), os contratos do barril do petróleo cru para entrega em dezembro aumentaram US$ 4,15 diante do fechamento anterior e estabeleceram um novo recorde. Próximo ao fim da sessão, o valor do barril do tipo WTI alcançou US$ 94,74.

Presidente da Petrobras avisa que vai subir o preço do gás natural
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta quarta-feira que o preço do gás natural deve subir para os consumidores finais no Brasil. Ele não soube estimar um valor ou um prazo para o preço do gás natural subir, mas disse que a Petrobras não tem condições, "pelo menos no curto prazo", de atender a demanda por gás natural. Segundo dados do governo, o gás natural responde por 8,3% da energia consumida no Brasil em 2006. A previsão da Petrobras é que esse número ultrapasse 12% até 2010. O Brasil tem a segunda maior frota mundial de carros movidos a gás natural, atrás apenas da Argentina. O presidente da Petrobras disse que o fornecimento de gás só foi cortado para as distribuidoras Ceg e Ceg-Rio porque as duas companhias estão consumindo hoje mais gás natural do que o que foi acertado no contrato.



Vale do Rio Doce avisa que não pagará mais caro por equipamentos nacionais
A Companhia Vale do Rio Doce manterá a política de buscar máquinas e equipamentos mais baratos, sem privilegiar o mercado local. A informação é do diretor de Finanças e de Relações com Investidores da empresa, Fábio Barbosa. Ele justificou dizendo que deve atender aos anseios dos acionistas da empresa, tanto brasileiros quanto estrangeiros. "Será que meu acionista quer que eu pague mais caro por um equipamento apenas por ele ser nacional? Não podemos pagar pelas distorções que o sistema tributário brasileiro impõe. Se há distorções, têm que ser corrigidas por quem de direito", afirmou ele. O executivo destacou que o interesse da Vale do Rio Doce é manter alianças com a indústria nacional. Barbosa destacou que as condições para investimentos da indústria de bens de capital no Brasil vêm melhorando, citando como exemplo a queda da taxa de juros e prazos mais alongados e taxas menores por parte do BNDES. Ele sugeriu que a questão relativa a tributos seja mais debatida.

Como disse sobre a questão da CPMF mais acima. Não tem que se debater o imposto em isolado. O diretor está coberto de razão, à propósito. O tosco nacionalismo é a justificativa para a preservação de nossos vícios institucionais que só nos mantêm atrasados como país. Como dizia o falecido (e excelente congressista) Roberto Campos "ser patriota não é ser populista".

Jornal argentino diz que Petrobras ofereceu US$ 900 milhões pela Esso no Cone Sul
O jornal econômico argentino "El Cronista" disse nesta quarta-feira que a Petrobras ofereceu cerca de US$ 900 milhões por ativos da Esso na América do Sul. "A empresa brasileira está a ponto de comprar as operações na Argentina, no Brasil, no Chile e no Uruguai", afirma o diário. "As negociações estão muito avançadas e a compra seria fechada nos próximos dias", acrescenta o El Cronista. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta quarta-feira, em Londres, que a empresa "não pode confirmar, nem negar a informação". Segundo o "El Cronista", a empresa estatal argentina Enarsa, criada no governo do presidente Néstor Kirchner, entraria no negócio assim que fossem concluídas as vendas dos ativos da companhia Exxon Mobil, dona da Esso, para a Petrobras. A Esso possui 90 postos de gasolina no país e outros 500 tercerizados. A companhia da Exxon conta ainda com uma refinaria na localidade de Campana, na província de Buenos Aires, e ativos em outros países da região. Mas sua presença é mais forte no Brasil, onde, de acordo com assessores da Petrobras, a empresa brasileira multiplicaria seu potencial caso a transação comercial com a Esso seja confirmada.

Pena que o comportamento da Petrobras não é similar no plano interno como o faz como global trader. Pena...


Funcionários da Infraero vão entrar em greve na terça-feira
Os funcionários da Infraero no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos (Grande São Paulo), devem entrar em greve na madrugada da próxima terça-feira, de acordo com o diretor do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, Francisco Lemos. O movimento ocorre um dia após o retorno do feriado prolongado de Finados. Nesta quarta-feira, cerca de 500 funcionários decidiram parar de fazer horas extras, o que ocasionou grandes filas no setor de embarque. Segundo o sindicalista, as horas extras são comuns em Cumbica porque o terminal opera no limite de sua capacidade. O sindicalista afirma que a greve ocorrerá porque a Infraero descumpriu um acordo assinado em julho último, às vésperas dos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, que previa reajuste de 6,5% nos salários para o começo deste mês. A empresa não pode dar aumento para seus funcionários porque precisa desviar os recursos para a corrupção. A Infraero é um dos órgãos mais corruptos da administração federal, ao lado da Anvisa e da Funasa.

Caso similar ao relatado pela CVRD... O país não pode deixar de mudar seus vícios estruturais para manter anomalias institucionais. Querem aumento? Façam uma reengenharia de custos primeiro.


Federal Reserve dos Estados Unidos corta sua taxa de juros para 4,5%
O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manteve a orientação do mês passado e reduziu sua taxa de juros em mais 0,25 ponto percentual, para 4,5% ao ano. O banco mais uma vez agiu para evitar que a crise imobiliária em curso no país, agravada a partir de agosto pela crise no mercado de hipotecas de risco, ultrapasse o limite do setor financeiro e atinja a economia como um todo. Com essa diminuição dos juros nos Estados Unidos para ativar a economia, os dólares ingressarão em maior quantia no Brasil, buscando maior remuneração.

Dólar fecha a R$ 1,73 e bate menor nível desde março de 2000
A taxa de câmbio recuou para o seu menor nível desde o dia 24 de março de 2000, nos últimos negócios fechados nesta quarta-feira no mercado financeiro. O dólar comercial foi cotado a R$ 1,737 para venda, em declínio de 0,96%. Os participantes do mercado financeiro operaram à espera da reunião do Federal Reserve, que anunciou às 16h15 a nova taxa básica de juros norte-americana: 4,50% ao ano, ante 4,75%. Para economistas, o distanciamento entre os juros norte-americanos e brasileiros (a taxa básica do País é de 11,25%) pode atrair mais recursos para o País e derrubar ainda mais a taxa de câmbio.

Para mim é uma excelente notícia. Chega de se pautar em exportações beneficiadas pelo dólar alto. Se querem aumentar as exportações, que se faça, de uma vez por todas, uma reforma tributária.