interceptor

Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

Showing posts with label geopolítica. Show all posts
Showing posts with label geopolítica. Show all posts

Monday, October 07, 2013

Monday, September 23, 2013

EUA: uma superpotência em greve - Opinião e Notícia

Tenho a impressão de que se a vertente não intervencionista vencer, acusarão os EUA de fecharem os olhos a uma grave tragédia humanitária...

EUA: uma superpotência em greve - Opinião e Notícia

Wednesday, June 26, 2013

Rússia após Putin [Stratfor]


Russia After Putin: Inherent Leadership Struggles http://shar.es/xFyUi via @sharethis
Russia After Putin: Inherent Leadership Struggles
Part 1 of this special series explores the succession problems created by a power balance with layers whose collective loyalty is ultimately to a single figure at the apex.

Friday, April 26, 2013

Teoria dos Jogos

"Quanto mais você conhece seu adversário e prevê suas reações, maior a possibilidade de não se confrontarem no chamado jogo de soma zero, no qual um ganha e outro perde. No jogo positivo, o embate destruidor não ocorre porque a retaliação é crível. Se antevemos a retaliação, agimos para evitá-la, (...)"

Saturday, April 06, 2013

Tuesday, November 06, 2012

Thursday, December 16, 2010

Alguma novidade



Nesta concisa e sincera nota WikiLeaks, diplomacy and geopolitics, a avaliação do impacto do vazamento de informações do Departamento de Estado Americano é colocada em seu devido lugar:

"In the practice of diplomacy, no one should be surprised that a country behaves one way and says another."

Qualquer um que já tenha se aprofundado minimamente em qualquer assunto na esfera da política internacional sabe disso. Portanto, novidade nenhuma. Que os árabes, notadamente os sauditas, conspiram para que o Irã não se transforme em uma potência regional, já era de se imaginar. Atribuir este movimento, única e exclusivamente, aos americanos fará parte da perene persecutoriedade de todo idiota mundial, notadamente o latino-americano. A ‘novidade’ por assim dizer do vazamento é colocar a questão em termos mais realistas possíveis. Agora se sabe, por escrito, do que já se intuía.
...

Wednesday, November 17, 2010

Faltam geógrafos no Google


Duas em um mês? Tá aí um bom campo de trabalho para nós, só falta sabermos nos promover, antes que algum arquiteto o faça...

O Google assumiu nesta quinta, 11, que serviço de mapas errou duas vezes ao atribuir uma pequena ilha do norte da África primeiro ao Marrocos e depois à Espanha. A ilha é disputada pelos dois países e a posição da empresa é se manter neutra.

Os dois países, vizinhos próximos propensos a desentendimentos, estiveram à beira de um conflito militar no verão de 2002 por causa da formação rochosa. A ilhota era habitada apenas por cabras quando os militares marroquinos a ocuparam, mas a Espanha prontamente enviou navios de guerra para retirá-los.

Ambos países reivindicam a posse da ilha, que é chamada na Espanha de Perejil, ou "salsa", e que os marroquinos chamam de Leila, que significa "noite". Mas depois de um acordo mediado pelos EUA o status da ilha foi declarado como "em revisão".

A porta-voz do Google na Espanha, Marisa Toro, disse que a empresa descobriu em julho que o Google Maps erroneamente havia assinalado a ilhota como território do Marrocos. Ela fica a aproximadamente 250 metros da costa do país, separado da Espanha pelo Estreito de Gibraltar.

A equipe de geopolítica do Google na sede em Mountain View, Califórnia, consultou organismos internacionais, incluindo as Nações Unidas, e recentemente decidiu declarar a ilha como território disputado que não pertence a nenhum dos países, disse a porta-voz. Os engenheiros estão trabalhando para corrigir o mapa, afirmou.

Porém, desde segunda-feira, 8, o Google Maps também está atribuindo a ilha à Espanha dependendo como o nome dela é digitado na busca de mapas. A porta-voz disse que não pode identificar a causa. "Foi um erro nosso e estamos trabalhando para resolvê-lo", ela afirmou.

Recentemente, o Google também foi colocado no meio de um conflito territorial do outro lado do Atlântico. A Nicarágua está fazendo a dragagem de um rio na fronteira disputada com a Costa Rica, e um oficial nicaraguense que comanda o projeto disse ter usado o Google Maps para decidir a localização dos trabalhos. 

Monday, June 28, 2010

Agora 'guenta o tufo!


Nelson Düring
O Palácio do Planalto através da domesticada imprensa nacional lançou a versão de que o Presidente Luiz Inácio não viajaria às reuniões do G-8 e G20, realizadas na cidade de Toronto, Canadá, para acompanhar os esforços dos auxílios aos atingido pelo “tsunami de águas doces”, que afligiu vários estados do Nordeste.

A viagem prevista para o dia 25 (sexta-feira) não aconteceu. Ao verificar-se a agenda presidencial emitida pelo próprio Palácio do Planalto, para os dias 25, 26 e 27, temos para a sexta ver o jogo do Brasil contra Portugal e no fim de semana “Nenhum Compromisso Oficial”.

Assim, o não comparecimento à reunião do G20, em Toronto, tem outra explicação. É a fuga ao protagonismo internacional em apoio ao Irã. A retirada dos últimos dias do chanceler Celso Amorim do affair iraniano não é o bastante para a comunidade internacional.

O Itamaraty liderado por Celso Amorim e agora secundado pelo Secretário-Geral Antonio de Aguiar Patriota, que mostram um irrealismo diplomático que muito custará ao Brasil.

O ônus já acontece. Na recente exposição EUROSATORY (14-18 Junho), empresários brasileiros ligados ao setor de defesa foram comunicados por fornecedores ou parceiros, que seus governos estavam reavaliando as licenças de exportação de componentes sensíveis para o Brasil.
Motivos, a posição do Brasil em apoio ao Programa Nuclear Iraniano e também dúvidas sobre a própria ação das políticas nucleares do Brasil.

O Ministro da Defesa e a troika Militar poderão ter em futuro próximo muitos programas de equipamentos militares afetad
os por embargos tanto por países europeus, como Estados Unidos e até a Rússia.
Boletim DN - Increva-se para receber o DN que é enviado sem custo
http://www.defesanet.com.br/cadastro.htm

Thursday, March 25, 2010

Mitomania eurasiática



As observações ao artigo abaixo estão no fim deste post.
a.h


A Idéia Eurasiana*
. Dugin
O que é hoje o Eurasianismo? Que tipos de conceitos de Eurásia existem? — Sete sentidos da palavra Eurasianismo — A evolução da noção de Eurasianismo
map-1-small

Mudanças no significado original de Eurasianismo
Diferentes termos perdem seu significado original ao longo dos anos, apesar de seu uso cotidiano. Noções tão fundamentais quanto socialismo, capitalismo, democracia, fascismo mudaram profundamente. Na verdade, eles se tornaram banais.
Os termos “Eurasianismo” e “Eurásia” possuem também certas inseguranças por serem novos, eles pertencem a uma nova linguagem política e contexto intelectual cuja criação está apenas no início.
A idéia eurasiana reflete um processo dinâmico muito ativo. Seu significado tem se tornado mais claro ao longo da História, mas necessita de desenvolvimento adicional.
Eurasianismo como uma luta filosófica
A idéia eurasiana representa uma revisão fundamental da história política, ideológica, étnica e religiosa da humanidade, e oferece um novo sistema de classificação e de categorias que suplantará os clichês estabelecidos. A teoria eurasiana se formou em duas etapas — um período de formação do eurasianismo clássico no início do século XX por intelectuais emigrantes (Trubeckoy, Savickiy, Alekseev, Suvchinckiy, Iljin, Bromberg, Hara-Davan etc.) seguido pelos trabalhos históricos de Leonid Gumilev e, finalmente, a constituição do neo-eurasianismo (a partir da segunda metade da década de 1980).
Rumo ao neo-eurasianismo
A teoria eurasiana clássica pertence indubitavelmente ao passado e pode ser corretamente classificada como parte das ideologias do século XX. O eurasianismo clássico pode ter passado, mas o neo-eurasianismo lhe proporcionou um segundo nascimento, um novo sentido, escala e significado. Quando a idéia eurasiana emergiu das cinzas, tornou-se menos óbvia, mas já revelou seu potencial oculto.
Por meio do neo-eurasianismo, toda a teoria eurasiana ganhou uma nova dimensão. Não podemos ignorar hoje o grande período histórico do neo-eurasianismo e devemos tentar compreendê-lo em seu contexto. A seguir, descreveremos os vários aspectos deste conceito.
map-2-small

Eurasianismo como uma tendência global
A Globalização como a estrutura principal da história moderna
Em sentido amplo, a idéia eurasiana e até mesmo a Eurásia enquanto conceito não correspondem estritamente às fronteiras geográficas do continente eurasiano. A idéia eurasiana é uma estratégia de escala global que reconhece a objetividade da globalização e o fim dos “estados-nações”  (Etats-Nations), mas ao mesmo tempo oferece um cenário de globalização que não implica em um mundo unipolar ou em um governo global unificado. Em vez disso, ela oferece várias zonas globais (pólos). A idéia eurasiana é uma alternativa ou versão multipolar da globalização, mas a globalização é no presente o processo mundial mais fundamental decidindo o vetor principal da história moderna.
Paradigma da globalização — o paradigma do Atlantismo
O estado-nação hodierno está sendo transformado em um estado global; estamos diante da constituição de sistemas de governo planetário no interior de um único sistema econômico-administrativo. É um erro acreditar que todas as nações, classes sociais e modelos econômicos devem repentinamente começar a cooperar nas bases desta nova lógica planetária. A globalização é um fenômeno unidimensional e unilateral que tenta universalizar o ponto de vista ocidental (anglo-saxão, americano) de como melhor gerenciar a história humana. É a unificação em um só sistema (frequentemente associada à supressão e à violência) de diferentes estruturas nacionais, sócio-políticas, étnicas e religiosas. É uma tendência histórica da Europa ocidental que alcançou seu auge através do domínio dos Estados Unidos da América.
A globalização é a imposição de um paradigma atlantista. A globalização enquanto atlantismo busca evitar esta definição de todas as formas. Os proponentes da globalização argumentam que quando não houver mais alternativa ao atlantismo, ele cessará de existir. O filósofo político americano F. Fukuyama escreveu sobre o “fim da História”, que significa na verdade o fim da história geopolítica e  do conflito entre atlantismo e eurasianismo. Isto significa a arquitetura de um novo sistema mundial sem nenhuma oposição e com um único pólo — o pólo do atlantismo. Podemos também nos referir a esta arquitetura como Nova Ordem Mundial. O modelo de oposição entre dois pólos (Leste-Oeste, Norte-Sul) se transforma no modelo de centro-periferia (centro — Ocidente, “norte rico”; periferia — sul).  Esta variante de arquitetura mundial está em desacordo completo com o conceito de eurasianismo.
Há uma alternativa à Globalização Unipolar
Atualmente, a Nova Ordem Mundial é nada mais do que um projeto, um plano, ou uma tendência. É muito grave, mas não fatal. Os adeptos da globalização negam qualquer alternativa para o futuro, mas vemos hoje um fenômeno anti-globalista em larga escala, e a idéia eurasiana coordena de um modo construtivo todos os oponentes da globalização unipolar. Mais ainda, oferece a idéia concorrente de globalização multipolar (ou alter-globalização).
Eurasianismo como pluriverso
O eurasianismo rejeita o modelo mundial de centro-periferia. Em vez disso, a idéia eurasiana defende que o planeta consiste de uma constelação de espaços vivos parcialmente autônomos e abertos uns aos outros. Estas áreas não são as dos estados-nacionais, mas as de uma coalizão de Estados, reorganizados em federações continentais ou “impérios democráticos” com um largo grau de auto-governo interno. Cada uma destas áreas é multipolar, incluindo um complicado sistema de fatores administrativos, religiosos, culturais, e étnicos.
Em um sentido global, o eurasianismo está aberto a todos, independente do lugar de nascimento, residência, cidadania e nacionalidade. O eurasianismo providencia a oportunidade de escolha de um futuro diferente do clichê do atlantismo e um sistema de valor para toda a humanidade. O eurasianismo não se limita à busca do passado ou à preservação do presente status quo, mas luta pelo futuro, reconhecendo que a estrutura atual do mundo precisa de mudanças radicais, que as sociedades industriais e estados-nacionais exauriram todos os seus recursos. A idéia eurasiana não vê a criação de um governo mundial fundamento nos valores liberal-democráticos como o único caminho para a humanidade. Em seu sentido mais fundamental, o eurasianismo se define no século XXI pela adesão à alter-globalização, sinônimo de um mundo multipolar.
O atlantismo não é universal
O eurasianismo rejeita por completo o universalismo do atlantismo e do americanismo. A configuração da Europa ocidental e da América possuem elementos muito atraentes, que podem ser adotados e prezados, mas em sua totalidade  é meramente um sistema cultural que tem o direito de existir em seu próprio contexto histórico, ao lado de outros sistemas culturais e civilizacionais.
A idéia eurasiana protege não apenas os sistemas de valores anti-atlantistas, mas a diversidade das estruturas de valor. É um tipo de “poliverso” que providencia espaços vitais a todos, incluindo os Estados Unidos e o atlantismo ao lado de outras civilizações, pois o eurasianismo também defende as civilizações da África, de ambos os continentes americanos, e da área do Pacífico paralela à Terra Mãe eurasiana.
A idéia eurasiana promove uma idéia revolucionária global
A idéia eurasiana, numa escala global, é um conceito revolucionário que clama por uma nova base de entendimento mútuo e cooperação entre um grande conglomerado de poderes distintos: os Estados, nações, culturas, e religiões que rejeitam a versão atlantista da globalização.
Se analisarmos as declarações e afirmações de vários políticos, filósofos e intelectuais veremos que a maioria deles é adepta (alguns inconscientemente) da idéia eurasiana.
Se pensarmos em todos estes que discordam do “fim da História”, nossos ânimos se elevam, e torna-se mais realista o fracasso da visão estratégica americana de segurança coletiva para o século XXI, ligada à constituição de um mundo unipolar.
O eurasianismo é a soma dos obstáculos naturais, artificiais, objetivos e subjetivos no caminho da globalização unipolar; oferece uma oposição construtiva e positiva ao globalismo em vez de simples negação.
Estes obstáculos, no entanto, permanecem descoordenados, e os proponentes do atlantismo estão aptos a administrá-los. Mas, se estes obstáculos puderem de alguma maneira ser integrados em uma força unificada, a possibilidade de vitória se tornará maior.
Eurasianismo enquanto Velho Mundo (Velho continente)
O Novo Mundo é uma parte do antigo Velho Mundo, ou um sentido mais especifico e estrito de eurasianismo aplicável ao que chamamos de Velho Mundo. O conceito de Velho Mundo (tradicionalmente aplicado à Europa) pode ser considerado em um contexto muito mais amplo. É um super-espaço multi-civilizacional, habitado por nações, estados, culturas, etnicidades e religiões ligadas umas às outras histórica e geograficamente por um destino dialético. O Velho Mundo é um produto orgânico da história humana.
O Velho Mundo é frequentemente colocado em oposição ao Novo Mundo, o continente americano descoberto pelos europeus e transformado em base para uma civilização artificial, no qual os projetos europeus de modernismo foram criados. O Novo mundo foi construído a partir de ideologias humanamente produzidas como uma civilização de puro modernismo.
Os Estados Unidos são a mais bem sucedida criação da “sociedade perfeita”, formada por intelectuais da Inglaterra, Irlanda e França, enquanto os países da América Central e do Sul permaneciam colônias do Velho Mundo. A Alemanha e a Europa Oriental foram menos influenciadas pela concepção de “sociedade perfeita”.
Nos termos de Oswald Spengler, o dualismo entre o Velho e o Novo Mundo pode ser resumido nas seguintes oposições: cultura-civilização, orgânico-artificial, histórico-técnico.
O Novo Mundo como Messias
Como um produto histórico da evolução da Europa Ocidental, o Novo Mundo muito cedo se conscientizou de seu destino “messiânico”, em que os ideais liberal-democráticos do Iluminismo foram combinados com as idéias escatológicas de seitas protestantes radicais. Esta foi a teoria do Destino Manifesto, que se tornou o novo símbolo de crença para gerações de americanos. De acordo com esta teoria, a civilização americana suplantou todas as culturas e civilizações do Velho Mundo e em sua forma presente é obrigatória para todas as nações do planeta.
Com o tempo, esta teoria confrontou diretamente não apenas as culturas do Oriente e da Ásia, mas entrou em conflito com a Europa, que pareceu aos americanos arcaica e repleta de preconceitos e tradições antiquadas.
Por sua vez, o Novo Mundo se afastou da herança do Velho Mundo. Imediatamente após a II GM, o Novo Mundo se tornou líder indisputável na própria Europa e “critério de veracidade” para os outros. Isto inspirou uma onda correspondente de domínio americano e, paralelamente, o início de um movimento que buscava libertação geopolítica do controle político brutal, transoceânico, estratégico e econômico do “Irmão mais velho”.
A integração do continente eurasiano
No século XX, a Europa se tornou consciente de sua identidade comum e, passo a passo, começou a se mover rumo à integração de todas suas nações em uma união capaz de garantir soberania completa, segurança e liberdade para si mesma e para todos os seus membros.
A criação da União Européia foi o mais importante auxílio à restauração do status da Europa como potência mundial ao lado dos Estados Unidos da América. Esta foi a resposta do Velho Mundo ao desafio do Novo Mundo.
Se considerarmos a aliança entre USA e Europa Ocidental como o vetor atlantista do desenvolvimento europeu, a integração européia sob a égide dos países continentais (Alemanha, França) pode ser chamada de eurasianismo europeu. Isto se torna ainda mais óbvio se levarmos em consideração a idéia de que a Europa vai do Oceano Atlântico aos Urais (S. de Goll) ou até Vladivostok. Em outras palavras, a integração do Velho Mundo inclui o vasto território da Federação Russa.
Desse modo, o eurasianismo neste contexto pode ser definido como um projeto de integração estratégica, geopolítica e econômica do norte do continente eurasiano, considerado o berço da história européia e a matriz de suas nações.
Paralela à Turquia, a Rússia (assim como os ancestrais dos europeus) está historicamente ligada à nações turcas, mongóis e caucasianas. A Rússia dá à integração européia uma dimensão eurasiana tanto no sentido geográfico quanto no simbólico (identificação do eurasianismo com o continentalismo).
Durante os últimos séculos, a idéia da integração européia tem sido proposta pelas facções revolucionárias das elites européias. Em tempos antigos, tentativas similares foram feitas por Alexandre o Grande (integração do continente eurasiano) e Genghis Khan (fundador do maior império da história).
Eurásia como três grandes espaços vitais, integrados ao longo do meridiano
Três cinturões eurasianos (zonas meridianas).
O vetor horizontal de integração é seguido por um vetor vertical.
Os planos eurasianos para o futuro supõem a divisão do planeta em quatro cinturões geográficos verticais (zonas meridianas) de Norte a Sul.
Ambos os continentes americanos formarão o espaço comum orientado e controlado pelos EUA dentro dos moldes da doutrina Monroe. Esta é a zona meridiana atlântica.
Em adição à zona acima, três outras estão planejadas. Elas são as seguintes:
· Euro – África, com a União Européia em seu centro;
· A zona Rússia-Ásia Central;
· Zona do Pacífico.
No interior destas zonas terá lugar a divisão regional do trabalho e a criação de áreas de desenvolvimento e corredores de crescimento.
Estes cinturões (zonas meridianas) contrabalançam uns aos outros, e todos juntos contrabalançam a zona meridiana atlântica. No futuro, estes cordões podem ser a fundação sobre a qual se erguerá um mundo multipolar: o número de pólos será maior do que dois; entretanto, o número será muito menor do que o de estados-nações atuais. O modelo eurasiano propõe quatro pólos.
map-3-small

Grandes espaços
As zonas meridianas no projeto eurasiano consistem de vários “grandes espaços” ou “impérios democráticos”. Cada um deles possui liberdade relativa e independência mas está estrategicamente integrado em uma zona meridiana correspondente.
Os grandes espaços correspondem às fronteiras das civilizações e incluem vários estados-nações ou união de Estados.
A União Européia e o grande espaço árabe, que integra a África do norte e trans-saariana e o Oriente Médio, formam a Euro – África.
A zona Rússia-Ásia Central é formada por três grandes espaços que às vezes se imbricam. O primeiro é a Federação Russa ao lado de diversos países da CEI [Comunidade dos Estados Independentes] – membros da União Eurasiana. O segundo é o grande espaço do Islã continental (Turquia, Irã, Afeganistão, Paquistão). Os países asiáticos da CEI interseccionam esta zona.
O terceiro grande espaço é o Hindustão, que é um setor civilizacional autônomo.
A zona meridiana do Pacífico é determinada por um condomínio de dois grandes espaços (China e Japão)  e também inclui Indonésia, Malásia, as Filipinas, e Austrália (alguns pesquisadores a associam com a zona meridiana americana). Esta região geopolítica é um grande mosaico e pode ser diferenciada por diversos critérios.
A zona meridiana americana consiste nos grandes espaços da América do Norte, Central e canadense-americano.
Importância da quarta zona
O modelo de mundo baseado em zonas meridianas é aceito pela maior parte dos geopolíticos americanos, que buscam a criação de uma Nova Ordem Mundial e a globalização unipolar. Entretanto, a existência do espaço meridiano da Rússia-Ásia Central é um grande obstáculo: a presença ou ausência deste cinturão muda radicalmente a figura geopolítica do mundo.
Os futurólogos atlantistas dividem o mundo nas três zonas que se seguem:
· Pólo americano, com a União Européia como sua periferia próxima (Euro – África como um dependente) e
· as regiões asiáticas e do Pacífico como sua periferia distante.
· Rússia e Ásia Central são fracionados, mas sem que se constituam numa zona meridiana independente, o mundo se torna unipolar.
Esta última zona meridiana contrabalança a pressão americana e providencia às zonas européia e do pacífico a capacidade de agir como pólos civilizacionais auto-centrados.
O equilíbrio multipolar real, e a independência dos cinturões meridianos, grandes espaços, e estado-nações depende do sucesso da criação de uma quarta zona. Mais ainda, não é suficiente ser pólo em modelo bipolar do mundo: o rápido progresso dos Estados Unidos da América só pode ser contrabalançado por uma sinergia das três zonas meridianas.
O projeto eurasiano propõe o super projeto desta quarta zona em um nível estratégico geopolítico.
Eurasianismo como integração russo-centro asiática
Eixo Moscou-Teerã
Quarta zona meridiana — integração russo-asiática. A questão central deste processo é a implementação de um eixo Moscou-Teerã. O processo interno depende do sucesso do estabelecimento de uma parceria de médio e longo prazo com o Irã. A união dos potenciais econômico, militar e político de Rússia e Irã aumentará o processo de integração da zona, tornando-a irreversível e autônoma.
O eixo Moscou-Teerã será a base para uma integração posterior. Tanto Moscou quanto o Irã são potências auto-suficientes, aptas a criar seu próprio modelo organizacional para a região.
O plano eurasiano para o Afeganistão e o Paquistão
O vetor de integração com o Irã tem importância vital para que a Rússia ganhe acesso a portos de águas quentes e também para a reorganização político-religiosa da Ásia Central (países asiáticos da CEI, Afeganistão e Paquistão). Uma cooperação próxima com o Irã implica na transformação da área afegão-paquistanesa em uma confederação islâmica livre, leal tanto a Moscou quanto ao Irã. A razão desta necessidade é que os Estados independentes de Afeganistão e Paquistão continuarão a ser fonte de desestabilização, ameaçando os países vizinhos. A luta geopolítica providenciará a capacidade para implementar uma nova federação central-asiática e transformar esta região complicada em uma área de cooperação e prosperidade.
Eixo Moscou-Deli
A cooperação russo-indiana é o segundo mais importante eixo meridiano de integração no continente eurasiano e em seus sistemas de segurança coletiva. Moscou terá um papel importante, diminuindo as tensões entre Deli e Islamabad (Kashmir). O plano eurasiano para a Índia, patrocinado por Moscou, é a criação de uma federação que refletirá a diversidade da sociedade indiana com suas numerosas minorias étnicas e religiosas, incluindo sikhs e muçulmanos.
Moscou-Ankara
O principal parceiro regional no processo de integração da Ásia Central é a Turquia. A idéia eurasiana está se tornando popular por lá atualmente devido ao entrelaçamento das tendências ocidentais e orientais. A Turquia reconhece suas diferenças civilizacionais com a União Européia, seus interesses e objetivos regionais, a ameaça da globalização, e a posterior perda de soberania.
É imperativo para a Turquia estabelecer uma parceria estratégica com a Federação Russa e o Irã. A Turquia só será capaz de manter suas tradições dentro do modelo multipolar de mundo. Certas facções da sociedade turca entendem esta situação — de elites políticas e socialistas a religiosas e militares. Assim, o eixo Moscou – Ankara pode se tornar uma realidade geopolítica apesar do longo período de hostilidade mútua.
Cáucuso
O Cáucuso é a região mais problemática para a integração eurasiana dado seu mosaico de culturas e etnias que facilmente leva a tensões entre as nações. Esta é uma das principais armas usadas por aqueles que buscam parar o processo de integração do continente eurasiano. A região do Cáucuso é habitada por nações que pertencem a diferentes Estados e áreas civilizacionais. A região deve ser um polígono de testes de diferentes métodos de cooperação entre os povos, pois o que for bem sucedido ali poderá sê-lo ao longo do continente eurasiano. A solução eurasiana para este processo jaz não na criação de Estados étnicos ou estritamente associados a uma só nação, mas no desenvolvimento de uma federação flexível fundamentada nas diferenças étnicas e culturais no interior de um contexto estratégico comum da zona meridiana.
O resultado deste plano é um sistema de um semi-eixo entre Moscou e os centros do Cáucuso (Moscou-Baku, Moscou-Erevan, Moscou-Tbilisi, Moscou-Mahachkala, Moscou-Grozni etc.) e entre os centros do Cáucusos e os aliados da Rússia no interior do projeto eurasiano (Baku-Ankara, Erevan-Teerã etc.).
O plano eurasiano para a Ásia Central
A Ásia Central deve se mover rumo à integração com a Federação Russa em um bloco unido, estratégico e econômico no interior da estrutura de união eurasiana, a sucessora da CEI. A principal função dessa área específica é a reaproximação da Rússia com os países do Islã continental (Irã, Paquistão, Afeganistão).
Desde o início, o setor da Ásia Central deve possuir vários vetores de integração. Um plano tornará a Federação Russa o principal parceiro (similaridades de cultura, interesses econômicos e energéticos, uma estratégia comum de sistema de segurança). O plano alternativo é colocar o foco em semelhanças étnicas e religiosas: mundos turcos, iranianos e islâmicos.
Integração eurasiana de territórios pós-soviéticos
map-4-small

União Eurasiana
Um significado mais específico de eurasianismo, parcialmente similar às definições dos intelectuais eurasianos dos anos 1920-30, está associado ao processo de integração dos territórios pós-soviéticos.
Diferentes formas similares de integração podem ser vistas na história: dos hunos e outros impérios nômades (mongóis, turcos, e indo-europeus) ao império de Gênghis Khan e seus sucessores. Uma integração mais recente foi liderada pelo império russo dos Romanov e, mais tarde, pela URSS. Hoje, a união eurasiana dá continuidade a estas tradições de pensamento de integração por meio de um modelo ideológico único que leva em consideração procedimentos democráticos, respeito aos direitos das nações, e dá atenção às características culturais, linguísticas e étnicas de todos os membros da união.
Eurasianismo é a filosofia de integração do território pós-soviético em uma base democrática, não-violenta, e voluntária, sem dominação de nenhum dos grupos étnicos ou religiosos.
Astana, Dushanbe, e Bishkek como as forças principais da integração
Diferentes repúblicas asiáticas da CEI ameaçam de maneira desigual o processo de integração pós-soviética. O mais ativo aliado da integração é o Cazaquistão. O presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, é um aliado firme da idéia eurasiana. O Quirguistão e o Tadjiquistão igualmente dão suporte ao processo de integração, apesar de sua adesão ser menos tangível em comparação com a do Cazaquistão.
Tashkent e Ashabad
O Uzbequistão e especialmente o Turcomenistão se opõe ao processo de integração, buscando conquistar o máximo de resultados positivos de sua recém adquirida soberania nacional. Entretanto, em breve, devido ao crescimento dos índices de globalização, ambos os Estados enfrentarão um dilema: perder a soberania e se dissolver no mundo unificado global com a dominação dos valores liberais americanos ou preservar sua identidade religiosa e cultural no contexto de uma União Eurasiana. Em nossa opinião, uma comparação imparcial destas duas opções levará à segunda delas, continuidade natural de ambos os países e de suas histórias.
Os Estados trans-caucasianos
A Armênia continua gravitando rumo à União Eurasiana e considera a Federação Russa um firme aliado e conciliador que ajuda a administrar as relações com seus vizinhos muçulmanos. É notável que Teerã prefira estabelecer uma parceria com os etnicamente próximos armênios. Este fato nos permite considerar dois semi-eixos, Moscou-Erevan e Erevan-Teerã, como pré-requisitos positivos da integração.
Baku permanece neutro, mas esta situação mudará drasticamente com o contínuo movimento de Ankara rumo ao eurasianismo (que imediatamente afetará o Azerbaijão). A análise do sistema cultural do Azerbaijão mostra que este Estado é mais próximo da Federação Russa pós-soviética e das repúblicas pós-soviéticas do Cáucuso e da Ásia Central do que do religioso Irã e até mesmo da moderada Turquia.
A Geórgia é o problema chave da região. O mosaico característico do Estado georgiano é a causa de sérios problemas para a construção de um novo estado nacional que é fortemente rejeitado por suas minorias étnicas: Abkhazia, Ossétia do sul, Adjaria,etc. Além disso, o Estado georgiano não tem nenhum parceiro forte na região e é forçado a buscar parceria com os EUA e a OTAN para contrabalançar a influência russa. A solução deste problema se encontra na cultura ortodoxa da Geórgia, com suas características e tradições eurasianas.
Ucrânia e Belarus — países eslavos da CEI
Para o sucesso da criação da união eurasiana é suficiente a conquista do apoio do Cazaquistão e da Ucrânia. O triângulo geopolítico Moscou-Astana-Kiev é um modelo capaz de garantir a estabilidade da união eurasiana, o que torna a negociação com Kiev urgentes como nunca. A Rússia e a Ucrânia possuem muito em comum: similaridades culturais, religiosas, linguísticas e étnicas. Estes aspectos precisam ser enfatizados, pois desde o início da recente soberania da Ucrânia, a russo fobia e a desintegração têm sido promovidas.
Muitos países da UE podem influenciar positivamente o governo ucraniano, pois eles estão interessados na harmonia política da Europa Oriental. A cooperação de Moscou e Kiev vai mostrar as atitudes pan-européias de ambos os países eslavos.
Os fatores acima mencionados estão presentes em Belarus, onde as intenções de integração são muito mais evidentes. Entretanto, o status estratégico e econômico de Belarus é menos importante para Moscou do que aqueles de Kiev e Astana. Mais ainda, a dominação de um eixo Moscou-Minsk prejudicará a integração com a Ucrânia e o Cazaquistão, o que faz com que a integração com Belarus deva fluir sem nenhum incidente repentino — ao lado de outros vetores do processo de integração eurasiana.
Eurasianismo como Weltanschauung
A última definição de eurasianismo caracteriza uma Weltanschauung específica: uma filosofia política que combina tradição, modernidade, e até elementos do pós-modernismo. Esta filosofia tem como sua prioridade uma sociedade tradicional; reconhece o imperativo da técnica e da modernização social (sem separá-la da cultural tradicional); e luta pela adaptação de seu programa ideológico à sociedade de informação e pós-industrial que é chamada de pós-modernismo.
O Pós modernismo formalmente remove as contraposições entre a tradição e o modernismo, despojando-os e tornando-os iguais. O pós-modernismo eurasiano, pelo contrário, promove a aliança de tradição e modernismo como um impulso construtivo, otimista e energético orientado à criação e ao crescimento.
A filosofia eurasiana não nega as realidades descobertas pelo Iluminismo: a religião, a nação, o império, a cultura etc. Ao mesmo tempo, as melhores aquisições do modernismo são usadas amplamente: os avanços tecnológicos e econômicos, as garantias sociais, a liberdade de trabalho. Os extremos se encontram, dissolvendo-se em uma teoria harmônica e original, inspirando um pensamento refrescante e soluções novas para os eternos problemas encarados pelos povos ao longo da História.
O eurasianismo é uma filosofia aberta
O eurasianismo é uma filosofia aberta, não-dogmática, que pode ser enriquecida com novos conteúdos: religião, as descobertas etnológicas e sociológicas, geopolítica, economia, geografia nacional, a pesquisa política e estratégica etc. Mais ainda, a filosofia eurasiana oferece soluções originais em contextos linguísticos e culturais específicos: o eurasianismo russo não será o mesmo das versões francesa, alemã ou iraniana. No entanto, a estrutura principal da filosofia permanecerá invariável.
Os princípios do Eurasianismo
Os princípios básicos do eurasianismo são os seguintes:
· diferencialismo, o pluralismo de sistemas de valores contra a convencional dominação obrigatória de uma dada ideologia (a democracia liberal americana em primeiro e mais importante lugar);
· tradição contra a supressão de culturas, dogmas e descobertas das sociedades tradicionais;
· os direitos das nações contra os “bilhões de ouro” e a hegemonia neocolonial do “norte rico”; 
· as etnias como valores e sujeitos da história contra a despersonalização das nações, aprisionadas em construções sociais artificiais;
· justiça social e solidariedade humana contra a exploração e humilhação do homem pelo homem.
* Texto traduzido e revisado por André Luiz.
http://encontronacionalevoliano.com.br/?p=48


...






Os modelinhos acima são uma revisão das panregiões de Karl Haushofer, antes que eu me esqueça... O general traído pelos nazistas que apregoava a criação de grandes áreas de influência que detivessem um equilíbrio entre Alemanha e Rússia. 
Não é possível que a utopia acima se concretize sem uma participação hegemônica da Rússia no Hemisfério Oriental. Mas, o que quer a Rússia?





O plano russo


A princípio parece que a Rússia objetiva reestabelecer as fronteiras do espaço soviético conquistando rapidamente o que acabou de perder. Não é essa a questão... A estratégia russa opera com seus vizinhos de quatro formas basicamente:

·                          Os países que a Rússia pretende reestabelecer plenamente sua influência são: Bielorrússia, Geórgia, Ucrânia e Cazaquistão. Ao mesmo tempo em que seus territórios servem para proteger a Rússia da Ásia e da Europa (Central), também lhes dão acesso ao Mar Negro e Cáspio, essenciais para a sua navegação marítima. Eles também são elos importantes de ligação com o coração industrial e agrícola nacional. Até agora, com exceção da Geórgia que está ocupada militarmente, eles já foram cooptados. Provavelmente, neste ano de 2010, a Rússia centrará esforços sobre esses países.
·                          Após os quatro primeiros países, prioritários, há outros seis com os quais se deseja uma maior aproximação. Não que sejam essenciais para sua geopolítica, mas se o Ocidente se aproximar deles ficará muito próximo da zona de segurança russa. São Lituânia, Letônia, Estônia, Azerbaidjão, Turcomenistão e Uzbequistão. Alguns estrategistas russos ainda entendem que, particularmente, a Estônia deveria ser enquadrada no primeiro grupo devido a sua proximidade ao importante porto de São Petersburgo. Tão logo, o primeiro grupo esteja todo fechado, a atenção se intensificará sobre este.
·                          O terceiro grupo é composto por países sem grande importância política, econômica ou geográfica, mas que devido a suas instabilidades podem se tornar alvos fáceis de competidores internacionais. São Armênia, a Moldávia, o Quirguistão e o Tadjiquistão. O ponto positivo para Moscou é que devido a sua instabilidade também se tornam fáceis de serem cooptados.
·                          O outro grupo de países não se refere às nações do extinto espaço soviético, mas países que a Rússia acha que poderá influenciar no futuro: Alemanha, França, Polônia e Turquia. Por mais difícil que isto possa ser não dá para estabelecer uma estratégia eurasiática de longo prazo sem considerá-los. São poderes regionais e, porventura, futuramente globais que colocarão severos óbices à expansão hegemônica russa. Lembrando que todos são membros da OTAN e apresentam uma relação complexa com os EUA. Portanto, apenas a distração conjuntural dos EUA com o mundo islâmico não será suficiente para que a Rússia obtenha alguma vantagem nestas futuras negociações e não os transforme em seus inimigos.

E também não haverá mundo multipolar sem expansão do mercado, sem dinheiro e mercadorias. Do contrário, tudo que restará serão ideologias tão consistentes quanto o vento. O que ocorre de fato é a expansão de uma estrutura sobre outra. Nada de clubinhos de amiguinhos. 
A nova seita dos evolianos e duginotes é muito perspicaz para apontar falhas na segurança american e suas implicações externas. Mas, quando se trata de utilizar o mesmo tirocínio para seus times, não. São como aqueles comentaristas cariocas de futebol, totalmente entusiastas que mais torcem do que vêem qualquer coisa.
Meu deus, como unificar uma EURÁSIA?! Se nem uma parte da Europa conseguem direito, se nem um Obama consegue fazer o que quer em um país?! Se nem um Lula consegue comandar direito um país centralizado e com oposição apática?! Se nem um Chávez consegue governar sem oposição em seu pé?!
Mais um sonho de virgem.


Thursday, December 10, 2009

Prêmio Nobel para enxadristas




Melhor ler o texto abaixo, primeiro...

a.h

-------------------------





"Quando há genocídio em Darfur; estupros sistemáticos no Congo; ou repressão em Myanmar - deve haver consequências. E quanto mais unidos estivermos, menos ficaremos fragilizados ante a escolha entre a intervenção armada e a cumplicidade com a opressão".


"Eu entendo por que a guerra não é popular. Mas também sei de uma coisa: a crença de que a paz desejável é raramente alcançada. A paz requer responsabilidade. A paz implica sacrifício. É por isso que a Otan continua a ser indispensável. É por isso que devemos fortalecer as Nações Unidas e as forças de paz regionais, e não deixar a tarefa para alguns poucos países".


"O compromisso dos Estados Unidos com a segurança global nunca esmaecerá. Mas num mundo no qual as ameaças são mais difusas e as missões mais complexas, os Estados Unidos não podem agir sozinhos".





07/07/2009

Ex-secretário compara Obama com um jogador de xadrez

Der Spiegel
Jan Fleischhauer e Gabor Steingart

O ex-secretário de Estado, Henry Kissinger, 86, fala sobre as dolorosas lições aprendidas com o Tratado de Versalhes, o idealismo na política e a oportunidade que Obama tem de forjar uma política externa norte-americana pacífica





Spiegel: Doutor Kissinger, 90 anos atrás, ao final da Primeira Guerra Mundial, o Tratado de Versalhes foi assinado. Este tratado é um evento do passado que só interessa aos historiadores ou ele ainda influi nas políticas contemporâneas?


Kissinger: O tratado tem um significado especial para a atual geração de políticos, porque o mapa da Europa que emergiu do Tratado de Versalhes é, mais ou menos, o mapa da Europa que existe atualmente. Nenhum dos indivíduos responsáveis pela redação do tratado entendeu as implicações das suas ações. Eles tampouco entenderam que o mundo que emergiu do Tratado de Versalhes foi substancialmente contrário às intenções que o produziram. Quem desejar aprender com erros passados precisa entender o que ocorreu em Versalhes.




Spiegel: O objetivo do Tratado de Versalhes era acabar com todas as guerras. Era esse o objetivo do presidente Woodrow Wilson quando este chegou em Paris. Mas, apenas 20 anos mais tarde, a Europa mergulhou em uma guerra mundial ainda mais devastadora. Por que?


Kissinger: Para funcionar, qualquer sistema internacional precisa de dois elementos fundamentais. Primeiro, ele precisa contar com um certo equilíbrio de poder que faça com que a derrubada do sistema seja difícil e cara. Segundo, ele precisa ter um senso de legitimidade. Isso significa que a maioria dos Estados precisa acreditar que o acordo é essencialmente justo. Versalhes fracassou quanto a ambos os elementos. As reuniões de Versalhes excluíram as duas maiores potências continentais: a Alemanha e a Rússia. Quem entender que um sistema internacional precisa ser preservado da ação de um dissidente insatisfeito verá que a possibilidade de obter um equilíbrio de poder dentro do acordo era intrinsecamente fraca. Portanto, ele carecia tanto de equilíbrio quanto a um senso de legitimidade. 




Spiegel: Em Paris nós presenciamos o choque de dois princípios de política externa: o idealismo encarnado por Wilson, que chocou-se com um tipo de realpolitik representada pelos europeus, que baseava-se, acima de tudo, na lei do mais forte. Você pode explicar o fracasso da abordagem norte-americana?


Kissinger: A visão norte-americana era de que a paz é a condição normal entre os Estados. Para garantir uma paz duradoura, seria preciso organizar um sistema internacional com base nas instituições domésticas de todas as regiões, que refletiriam o desejo do povo. O desejo do povo era sempre considerado contrário à guerra. Infelizmente, não existem evidências históricas de que isso seja verdade.




Spiegel: Segundo o seu ponto de vista, a paz é a condição normal entre os Estados? 


Kissinger: As pré-condições para uma paz duradoura são muita mais complexas do que a maioria das pessoas acredita. Não se tratava de uma verdade histórica, mas sim da declaração da visão de um país composto de imigrantes que havia voltado as costas para um continente e que tinha ficado imerso durante 200 anos nas suas políticas domésticas.




Spiegel: Você diria que os Estados Unidos involuntariamente criaram uma guerra ao tentarem criar a paz?


Kissinger: A causa básica da guerra foi Hitler. Mas, até o ponto em que o sistema de Versalhes desempenhou um papel, é inegável que o idealismo norte-americano das negociações de Versalhes contribuiu para a Segunda Guerra mundial. O apelo de Wilson pela autodeterminação dos Estados teve o efeito prático de fracionar alguns dos maiores Estados da Europa, e isso criou uma dificuldade dupla. Primeiro, descobriu-se que era tecnicamente difícil separar aquelas nacionalidades que haviam convivido juntas durante séculos e transformá-las em entidades nacionais segundo a definição de Wilson, e, segundo, o tratado teve a consequência prática de deixar a Alemanha estrategicamente mais poderosa do que era antes da guerra. 




Spiegel: Por que? A Alemanha estava desarmada e geograficamente dizimada.


Kissinger: Expansão territorial e poder são fatores relativos. A Alemanha estava menor, porém mais poderosa. Antes da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha enfrentava três grandes países nas suas fronteiras: Rússia, França e Reino Unido. Depois de Versalhes, a Alemanha enfrentava um conjunto de Estados menores nas suas fronteiras orientais. Ela estava altamente insatisfeita com cada um deles, mas nenhum daqueles Estados era, sozinho, capaz de resistir à Alemanha, e provavelmente nenhum deles seria capaz de resistir aos alemães mesmo se contassem com a ajuda da França. Assim, sob um ponto de vista geoestratégico, o Tratado de Versalhes não atendeu nem às aspirações dos principais protagonistas nem à possibilidade estratégica de defender o que foi criado, a menos que a Alemanha fosse mantida permanentemente desarmada. Teria sido correto incluir a Alemanha no sistema internacional, mas foi precisamente isso o que as potências vitoriosas omitiram-se de fazer ao desmilitarizarem e humilharem o país.




Spiegel: Apesar do fracasso de Versalhes, esta ideia de Wilson é notavelmente prevalente. Será que a nossa afinidade pelos ideais da democracia é ingênua?


Kissinger: A crença na democracia como um remédio universal reaparece regularmente na política externa norte-americana. O seu ressurgimento mais recente deu-se com os chamados neoconservadores do governo Bush. Na verdade, Obama está muito mais próximo de uma política realista do que Bush.




Spiegel: Você vê Obama como um adepto da realpolitik?


Kissinger: Deixe-me falar uma coisa sobre realpolitik, apenas para esclarecer. Eu sou regularmente acusado de empregar a realpolitik. Eu não creio que jamais tenha usado esse termo. Este é um dos rótulos que os críticos gostam de aplicar em mim, para depois dizerem: "Vigiem-no. Ele é de fato alemão. Ele não tem uma visão norte-americana das coisas". 




Spiegel: Então, esta é uma maneira de pintá-lo como um cínico, não?


Kissinger: Os cínicos lidam com os valores como sendo equivalentes e instrumentais. Os estadistas baseiam as decisões práticas nas convicções morais. É sempre fácil dividir o mundo entre idealistas e pessoas orientadas pelo poder. Espera-se que os idealistas sejam os indivíduos nobres, e que as pessoas orientadas pelo poder sejam aquelas que causam todos os problemas do mundo. Mas eu acredito que mais sofrimento foi provocado por profetas do que por estadistas. Para mim, uma definição razoável de realpolitik consiste em dizer que existem circunstâncias objetivas sem as quais a política externa não pode ser conduzida. Tentar lidar com o destino das nações sem levar em consideração as circunstâncias com as quais elas têm que conviver é escapismo. A boa arte da política externa consiste em entender e em levar em consideração os valores de uma sociedade, em concretizá-los no limite extremo do possível. 




Spiegel: E se os valores não puderem ser levados em consideração por serem desumanos ou demasiadamente caros?


Kissinger: Em tal caso, a resistência é necessária. No Irã, por exemplo, é necessário perguntar se é preciso ter uma mudança de regime antes que se possa pensar em um conjunto de circunstâncias no qual cada parte que mantém os seus valores chegaria a algum entendimento. 




Spiegel: E a sua resposta?


Kissinger: É muito cedo para dizer. Neste momento eu tenho mais perguntas do que respostas. O povo iraniano aceitará o veredicto dos líderes religiosos? Os líderes religiosos estarão unidos? Eu não sei as respostas, e ninguém sabe. 




Spiegel: Você dá a impressão de ser muito cético.


Kissinger: Vejo duas possibilidades. Ou nós chegaremos a um entendimento com o Irã, ou nos chocaremos com aquele país. Com uma sociedade democrática, nós não podemos justificar tal choque ao nosso próprio povo, a menos que possamos demonstrar que tentamos seriamente evitar esse choque. E eu não quero dizer com isso que teremos que fazer concessões quanto a tudo que eles exigem, mas sim que temos a obrigação de apresentar idéias que o povo norte-americano possa apoiar. A convulsão social em Teerã precisa seguir o seu curso antes que essas possibilidades possam ser exploradas. 




Spiegel: Então você está propondo uma espécie de idealismo realista?


Kissinger: Exatamente. Não existe realismo sem um elemento de idealismo. A ideia de poder abstrato só existe para acadêmicos, e não na vida real. 




Spiegel: Você acha que o fato de Obama ter feito um discurso ao mundo muçulmano no Cairo foi útil? Ou ele criou muitas ilusões a respeito do que a política é capaz de realizar?


Kissinger: Obama é como um enxadrista que está fazendo jogos simultâneos e que iniciou o seu jogo com uma abertura incomum. Agora ele tem que usar a sua estratégia enquanto joga com os vários oponentes. Ainda não fomos além da jogada de abertura. Não tenho nada contra a jogada inicial.




Spiegel: Mas o que vimos da parte dele até o momento constitui-se em realpolitik?


Kissinger: É muito cedo para dizer tal coisa. Se o que ele deseja é afirmar ao mundo muçulmano que os Estados Unidos têm uma postura aberta em relação ao diálogo e não estão determinados a manter a confrontação física como única estratégia, então a atitude dele poderá desempenhar um papel muito útil. Mas se a ideia for continuar agindo com base na crença de que toda crise pode ser administrada por meio de um discurso filosófico, ele tropeçará em problemas wilsonianos. 




Spiegel: Mas Obama não se limitou a fazer um discurso. Ao mesmo tempo, ele pressionou Israel no sentido de que pare de construir assentamentos na Cisjordânia e reconheça um Estado palestino independente.


Kissinger: O resultado disso só pode ser uma solução de dois Estados, e parece haver uma concordância substancial quanto às fronteiras de tal Estado. Mas não é possível deduzir do discurso como fazer que tal cenário se concretize ou com que questão começar. 




Spiegel: Conceitos como "bem" e "mal" fazem sentido no contexto da política externa?


Kissinger: Sim, mas geralmente em gradações. Raramente de forma absoluta. Eu creio que existem duas formas de mal que precisam ser condenadas e destruídas, não se devendo pedir desculpas por isso. Mas não se deve usar a existência do mal para permitir que aqueles que representam o bem insistam que têm um direito ilimitado de impor a definição dos seus valores.




Spiegel: O que a palavra "vitória" significa para você? Após a Primeira Guerra Mundial, havia um vitorioso e uma vítima, os alemães; e o Tratado de Versalhes foi uma tentativa de conter a potência que perdeu a guerra. Você acha que é uma boa ideia declarar vitória sobre um outro país?


Kissinger: O importante após uma vitória militar é lidar com a nação derrotada de uma maneira generosa.




Spiegel: Você quer dizer com isso que não se deve subjugar a nação derrotada?


Kissinger: Você pode ou enfraquecer uma nação derrotada até um ponto em que as convicções dela não tenham mais importância, e a partir disto impor a ela tudo o que quiser, ou então trazê-la de volta para o sistema internacional. Sob o ponto de vista de Versalhes, o tratado foi muito leniente com a ideia de manter a Alemanha subjugada, e ficou muito difícil trazer a Alemanha para o novo sistema. Assim, o tratado fracassou duplamente.




Spiegel: O que faria um vencedor inteligente?


Kissinger: Um vitorioso inteligente tenta inserir a nação derrotada no sistema internacional. Um negociador inteligente procura encontrar uma base a partir da qual o acordo será mantido. Quando se chega a um ponto no qual nenhuma dessas possibilidades existe, as únicas opões são aumentar a pressão sobre o adversário, isolá-lo, ou talvez fazer as duas coisas. 




Spiegel: Os países ocidentais foram inteligentes no que diz respeito a forma como lidaram com a antiga União Soviética após a sua implosão?


Kissinger: Houve um excesso de triunfalismo no lado ocidental. Houve ainda um excesso de descrições dos soviéticos como derrotados em uma Guerra Fria e talvez uma certa dose de arrogância. 




Spiegel: Não apenas em relação à Rússia?


Kissinger: Em outras situações também. 




Spiegel: Qual a diferença entre os conflitos na Europa no início do século 20 e os conflitos que estamos enfrentando no mundo atual?


Kissinger: Nos períodos anteriores, o vitorioso podia prometer a si próprio algum benefício. Sob as atuais circunstâncias, isso não se aplica mais. Um choque entre a China e os Estados Unidos, por exemplo, enfraqueceria ambos os países.




Spiegel: Você chegaria ao ponto de dizer que o que estamos presenciando é o fim das guerras de grande dimensão?


Kissinger: Eu acredito que Obama conta com uma oportunidade única de aplicar uma política externa norte-americana pacífica. Não vislumbro nenhum conflito entre os países de maior importância, China, Rússia, Índia e Estados Unidos, que justificasse uma solução militar. Portanto, existe uma oportunidade para um esforço diplomático. Além do mais, a crise econômica não permite que os países dirijam uma percentagem histórica dos seus recursos para o conflito militar. Eu estou estruturalmente mais otimista do que estava dois anos atrás. 




Spiegel: Você não tem medo da situação no Irã?


Kissinger: O medo não é uma boa motivação para a política de Estado. Pode ser que algum tipo de conflito, pelo menos local, ocorra, mas isso não precisa acontecer. O Irã é um país relativamente fraco e pequeno, que enfrenta limites inerentes à sua capacidade. A relação da China com o resto do mundo é bem mais importante em termos históricos do que as questões iranianas em si.




Tradução: UOL






-------------------------------------


Missão de Gates é administrar retirada 
Tirar soldados do Iraque é tudo que se espera do substituto de Rumsfeld, diz analista. 'Ninguém está pedindo que ele pense'


LOURIVAL SANT’ANNA
Enviado especial

Domingo, 12 de novembro de 2006

RIO



A derrota do governo de George W. Bush na eleição de terça-feira e a queda do secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, marcam mais uma volta no pêndulo americano entre o intervencionismo e o recolhimento. Embalado no sucesso no Afeganistão, Rumsfeld acreditou que podia fazer o mesmo no Iraque. Não ouviu pela segunda vez os comandantes militares, mas dessa vez se deu muito mal. Agora, os americanos esperam que outras potências regionais assumam suas responsabilidades em seu entorno - como o Brasil já faz no Haiti, aliás, tão insolúvel quanto o Iraque.

A análise é de Edward Luttwak, especialista em assuntos de defesa, consultor do Pentágono e integrante do movimento de reforma militar, do qual Rumsfeld foi o expoente. Luttwak, de 63 anos, um analista singular, com vasta experiência no terreno - volta e meia ainda participa de operativos militares -, autor de livros importantes (Golpe de Estado - um Manual Prático, A Grande Estratégia do Império Romano e Turbo-Capitalismo), veio ao Rio para duas palestras no 6º Encontro Nacional de Estudos Estratégicos, na Escola de Guerra Naval. E concedeu esta entrevista ao Estado.

O que muda com Robert Gates no comando do Pentágono?

Gates remove um obstáculo à mudança. Rumsfeld era muito pragmático. Ao removê-lo, Bush também remove suas próprias objeções a uma mudança de política. Rumsfeld não era o obstáculo real a essa mudança. Mas foi uma forma simbólica de o presidente dizer: 'Mudei de opinião.'


Rumsfeld elaborou a doutrina de um Exército menor e mais leve?

Sim. Rumsfeld já tinha sido secretário de Defesa em 1976. Depois disso, fez muitas coisas, foi executivo de companhias. Mas sempre atuou no chamado movimento de reforma militar, do qual faço parte. Nenhum ministro da Defesa do mundo foi tão bem informado sobre temas militares quanto Rumsfeld. Ele conhecia todos os sistemas de armas, sabia como funcionavam e quanto custavam. Conhecia todos os esquadrões da Força Aérea, a estrutura e todas as unidades das Forças Armadas. E não tinha nenhum respeito pela tradição. Queria mudar tudo. Enfrentando muita resistência, ele fez muitas mudanças no formato do poder militar. Então, o que aconteceu foi que, em vez de uma guerra moderna, ele teve o Afeganistão. Os comandantes militares disseram: 'Precisamos de seis meses para construir uma base no Paquistão, e depois invadimos o Afeganistão.' Ele disse: 'Não. Vamos amanhã.' Os comandantes: 'Não temos nenhum Exército, nenhuma base, nenhum porto, nenhuma logística.' Os chefes do Estado-Maior queriam fazer uma invasão do Afeganistão ao estilo americano. Rumsfeld os forçou a fazer uma guerra de operação de comando completamente não-americana, do tipo que os britânicos e israelenses fizeram, mas que os americanos nunca tinham feito. Os americanos acreditam em poder de fogo, em logística, material. Eles esperavam uma luta dura no Afeganistão. Todo mundo, incluindo O Estado de S. Paulo, sabe que o Afeganistão é longe, não tem porto, eles são fanáticos, derrotaram os russos, há o inverno, o Ramadã... Os americanos foram lá e destruíram o Taleban.


Esse sucesso comprovou as teses de Rumsfeld?

O sucesso no Afeganistão tornou Rumsfeld inteiramente irrealista quanto ao Iraque. Não quanto a invadir o Iraque, que obviamente é muito fácil, mas quanto a ocupá-lo. Antes da guerra, os comandantes militares foram unânimes em dizer que, se você quer ocupar o Iraque, precisa de 500 mil soldados. Portanto, antes de ir, você terá que aumentar o Exército, que tem apenas 700 mil, e o Corpo de Fuzileiros Navais, que são só 300 mil. Porque, com um total de 1 milhão de soldados, você não pode ter meio milhão no Iraque. Para isso, precisa de outro meio milhão de soldados preparando-se para ir ao Iraque substituí-los. E precisamos da estrutura nos Estados Unidos, e temos a Coréia, o Oriente Médio, a Europa etc. Rumsfeld disse: 'Não, vamos invadir com muito poucas forças e não vamos adotar um padrão de ocupação.' A força total enviada para o Iraque é um pouco mais que o dobro da força policial de Nova York, que tem 37,5 mil integrantes. Foram 100 tanques. Eu estava como consultor do Corpo de Fuzileiros Navais na época. Eles foram em veículos de praia do Kuwait a Tikrit (ao norte de Bagdá). Deviam andar 50 quilômetros com esses veículos, andaram mil. Eu estive em Mossul (norte do Iraque) um mês depois da conquista de Bagdá. É uma cidade de 3 milhões de habitantes. Não vi nenhum soldado americano. Que espécie de invasão é essa?


Rumsfeld queria economizar?

Não. Rumsfeld saiu convencido do Afeganistão de que as Forças Armadas sempre pedem tropas demais. Ele estava certo em relação ao Afeganistão e errado em relação ao Iraque. Mas o presidente o acompanhou, porque estava impaciente, queria uma invasão rápida, não queria esperar um ou dois anos.


Por que Bush foi tão afoito em invadir o Iraque, ignorando tantas evidências contrárias?

Fundamentalmente, por causa do momentum, a energia e o impulso do 11 de Setembro. Os americanos foram atacados, invadiram o Afeganistão e o Taleban entrou em colapso. Aí, as pessoas disseram: 'Vamos nos livrar desse ditador (Saddam Hussein).' Os neoconservadores achavam que os iraquianos estavam prontos para a democracia. Apenas eram oprimidos pela ditadura. Removendo o ditador, a democracia floresceria.


Qual a missão de Gates?

Robert Gates foi um homem muito tolo. Se você voltar a 1990 (quando Gates era analista da União Soviética na CIA), verá que ele acreditou que a perestroika não era para valer, e sim uma armação de (Mikhail) Gorbachev para desarmar a América. Mas ele é um administrador muito competente, e o próximo secretário de Defesa só terá que administrar o desengajamento (no Iraque). Ninguém está pedindo que ele pense.


Quanto tempo demorará o desengajamento, e como será?

O prazo é o que resta do mandato do presidente (dois anos). Mas o desengajamento não significa abandonar o Iraque à própria sorte. Nem os democratas mais críticos da guerra defendem isso. Não se fará o que se fez com o Vietnã. Significa retirar-se das cidades e povoados, parar o patrulhamento, e ficar apenas nas bases remotas do deserto, das quais se protegerá o governo iraquiano, impedindo países como o Irã, a Síria e mesmo a Turquia de invadir o Iraque. Existem vastas áreas do Iraque onde não há ninguém. Pode-se operar de lá.


E o Iraque mergulhará na guerra civil?

Guerras civis são boas para separar populações e estabelecer a paz civil. Os americanos e britânicos tiveram sua guerra civil. Agora, os iraquianos vão ter a sua. Mas os americanos não vão mais participar dela. E vão entregar o Afeganistão à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte, cujas forças já atuam no país, junto com as dos EUA). Vamos continuar no Oriente Médio, na Coréia, em Okinawa (base no Japão). Mas não vamos mais estar indo para os lugares.


É o fim do intervencionismo?

A política americana balança num pêndulo entre intervencionismo e não-intervencionismo, entre ativismo internacional e concentração nos temas internos. Com o fim da Guerra Fria, na primeira metade dos anos 90 os Estados Unidos decidiram ficar em casa. Os europeus pediram ajuda na guerra da Bósnia e no genocídio em Ruanda. Bill Clinton, o então presidente, negou. Ele achava que os europeus tinham de resolver esses problemas. Os americanos não estavam intervindo no Oriente Médio, na Ásia nem na África. Então, houve enorme pressão internacional para que os Estados Unidos interviessem. Em função dessas pressões, Clinton, um presidente muito não-intervencionista, bombardeou os sérvios e liderou a guerra em Kosovo, porque os europeus diziam que se ele não fizesse isso os sérvios matariam 1 milhão de pessoas. E quem dizia isso? O presidente Jacques Chirac, da França, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, toda a opinião pública européia. Todos diziam: você tem que ser intervencionista. Em 2000, os americanos sofreram uma decepção no Oriente Médio, com o fracasso de Camp David (negociações de paz entre o então primeiro-ministro israelense, Ehud Barak, e o líder palestino, Yasser Arafat), Então, em 2001, o presidente George Bush disse: 'Vamos ficar em casa.' E isso acabou no dia 11 de setembro de 2001. Vieram o sucesso no Afeganistão e o fracasso no Iraque. Agora, os americanos estão prontos para mais um balanço no pêndulo. Querem ficar em casa de novo. E esperam que outros países intervenham. O Brasil, por exemplo, assumiu a responsabilidade pelo Haiti, que na verdade é um problema insolúvel. O que os Estados Unidos estão dizendo agora é: se tem um problema na sua parte do mundo, resolva você.


Como fica a 'guerra contra o terror'?

Todos sabem que essa expressão está errada. Não é uma guerra e o terrorismo não é um inimigo, mas uma técnica, um método. Na realidade, trata-se de uma luta contra o extremismo islâmico, contra os jihadistas. E essa luta vai muito bem. Antes do 11 de Setembro, muitos Estados patrocinavam os terroristas. A Arábia Saudita, o Kuwait e os Emirados Árabes Unidos os financiavam abertamente. Outros países árabes, como o Egito e a Síria, lhes forneciam bases. O presidente Pervez Musharraf, do Paquistão, ajudava o Taleban. Outros encorajavam politicamente a Al-Qaeda, o Hamas e o Hezbollah. Agora, nenhum Estado patrocina o terrorismo, com exceção do Irã. O mundo ficou muito difícil para os terroristas. Os americanos foram muito bem-sucedidos em persuadir todos os governos muçulmanos, do Marrocos à Indonésia, a lutar contra o terrorismo.


A Coréia do Norte representa uma ameaça?

Os norte-coreanos têm sido passivos. Eles ladram, mas não mordem. São teatrais. E a resposta americana é completamente diferente daquela em relação ao Oriente Médio: o multilateralismo.


E o Irã?

O Irã será uma história diferente. Se os iranianos não pararem, vão ser bombardeados. Não vão ser invadidos, não haverá uma democracia iraniana. Mas se eles não forem contidos politicamente, o serão fisicamente. É questão de destruir 70 edifícios em dois dias de bombardeios aéreos. Mesmo que o próximo presidente americano seja do Partido Pacifista, se os iranianos insistirem no seu programa nuclear, ele vai bombardeá-los.