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O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Saturday, June 23, 2007

O São Francisco e a pobreza


22 de Junho de 2007.

Cantado em prosa e verso, o São Francisco, o “Velho Chico”, é dos mais pródigos rios nacionais. Com 2800 quilômetros, nascendo na Serra da Canastra, em Minas Gerais, desemboca no Atlântico, entre Alagoas e Sergipe, depois de passar por Bahia e Pernambuco. É naturalmente navegável entre Pirapora (MO) e Juazeiro (BA), passando pela barragem e eclusa de Sobradinho. Interrompida a navegação pela barragem de Paulo Afonso, sem eclusa, retoma a navegação em Piranhas (AL), até a foz, no Atlântico. Além da navegabilidade, o São Francisco empresta suas águas para bem sucedidos projetos de irrigação, como na região de Petrolina (PE), que é hoje excelente pólo frutífero de exportação, produzindo até vinhos. Isso mostra como o solo do Nordeste pode ser bem aproveitado quando convenientemente irrigado.
Mas o grande projeto ligado ao São Francisco é o uso do excedente de suas águas jogadas fora, sem aproveitamento, no Oceano Atlântico. E não é pouca quantidade. Depois de passar as hidroelétricas em seu caminho – hidroelétricas não “comem” água – despeja no oceano cerca de 2.100m³/seg de água doce. O projeto conhecido como transposição das águas do São Francisco – que melhor chamaria de desvio de águas - não é novo. Já em 1847 o engenheiro cearense Marcos de Macedo apresentava ao imperador Pedro II o plano desse desvio para resolver o problema da seca do Nordeste. Nada se fez.
Mas em que consiste o projeto e quais as suas conseqüências e benefícios? Começa com uma tomada d’água à altura da cidade de Cabrobó (PE), pouco abaixo da barragem de Sobradinho. Pretende-se que uma quantidade ínfima das águas, 80m³/seg, menos de 10% (dez por cento de um total de 2100m³/seg de água doce jogadas ao mar, sejam elevadas à altura de 170 metros por sistemas de elevatórias, adutoras, canais e túneis, para transpor a Chapada do Araripe, na divisa de Pernambuco com o Ceará. Não há nenhuma dificuldade, sob o ponto de vista da engenharia nacional, para a execução. A partir daí, as águas passam a correr por gravidade nas calhas dos rios Salgado e Jaguaribe, atingindo o açude do Castanhão, em construção, com capacidade de acumulação maior que a Baía de Guanabara. Várias derivações estão projetadas desta calha principal para atender Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Alguns números: a população beneficiada será de mais de 10 milhões de habitantes, com geração de mais de 1,5 milhão de empregos, propiciando uma superfície irrigada de 600 mil hectares. A produção anual com esse reforço hídrico, só na agricultura, será da ordem de 4 bilhões de dólares. Quanto ao custo, que se estima na primeira fase de R$ 1,5 bilhão, é plenamente compensatório, uma vez que o governo gasta anualmente, com verbas assistenciais de combate à seca, mais de R$ 2 bilhões. Não cabe no escopo deste artigo o detalhamento desse grande projeto, verdadeira redenção para milhares de nossos irmãos nordestinos, morrendo anualmente de fome e de sede.
Projeto semelhante há na Califórnia. Lá, o desvio do Rio Colorado transformou a Baixa Califórnia – região em que chove menos do que no Nordeste – no pomar da América.
Quando se fala neste país em combater a pobreza cogita-se sempre de medidas assistencialistas que, necessárias em emergências, combatem apenas os efeitos e não as causas da pobreza. O projeto de desvio de parte das águas do São Francisco, este sim, vai direto às causas, levando a milhares de irmãos nordestinos a certeza de uma vida com dignidade e fixação em seu hábitat, prevenindo o êxodo em direção às regiões mais ricas do país. Este projeto é o maior de todos os de combate à pobreza e diminuição dos desníveis regionais entre o Nordeste e o Sul.
Não acredito que quem esteja realmente preocupado com a pobreza no Brasil possa ser contra este projeto. Quanto à vazão do Rio São Francisco, se água faltar para suas necessidades normais, é só desligar bombas da elevatória. Simples programa de computador pode controlar isso. Não há razão para temores por parte de nenhum Estado.

Monday, May 28, 2007

Agora, a seção "estupidificação"...





Assim como a movimentação de grupos uruguaios, argentinos protestam e bloqueiam estradas que dão acesso entre as cidades argentinas de Concordia, Colón e Gualeguaychú a, respectivamente, Salto, Paysandu e Fray Bentos, no Uruguai.




Em nosso país, MST, Via Campesina e MAB "fazem a festa" no clima de desgoverno total que tomou conta do país. Alegam, dentre outras sandices, ausência de estudo de impacto ambiental (EIA):


O MAB denuncia as conseqüências da falta de um estudo dos impactos ambientais antes da construção da hidrelétrica. Entre elas, o deslocamento da população na área de inundação e o desaparecimento da pescaria que tradicionalmente sustentava a região.




Sim, obviamente que a população teve que ser deslocada. Afinal, não poderia viver embaixo d'água! Ao lado, uma visualização do plano urbanístico às margens do lago formado pela barragem.




E aqui, uma vaga idéia da região produtiva que pode ser afetada e desestabilizada com esta estupidez. Estupidez dos invasores e estupidez decorrente da falta de pulso de nossos representantes públicos. Detalhe: a região Nordeste foi salva do apagão energético de 2001, graças à esta hidroelétrica, a 2a maior do país e 4a maior mundial.

Monday, February 12, 2007

Economias do Nordeste crescem – e as do Sul encalham

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Da Agência Estado
O contraste que sempre marcou as economias do Sul e Nordeste do país prosseguiu em 2006 – mas a novidade é que, dessa vez, foram os nordestinos que exibiram melhor desempenho. Dados do IBGE sobre a produção industrial nas diferentes regiões no ano passado mostram que, enquanto os Estados do Nordeste cresceram acima da média nacional, o Sul amargou desempenhos medíocres, prejudicado pela crise na agricultura.
A economista da coordenação de indústria do IBGE, Isabella Nunes, sublinha que os resultados do Nordeste foram impulsionados pelos crescimentos significativos em segmentos produtores de commodities, como siderúrgicos, metalúrgicos e celulose, além de segmentos mais vinculados à renda – beneficiando-se dos programas de transferência de renda do governo –, como o de minerais não metálicos, voltado para construção civil.
Os Estados da Região Sul, por sua vez, foram prejudicados pela crise agrícola que persistiu no ano passado e, ainda, pelos problemas da gripe aviária. O Rio Grande do Sul foi a única região, entre as 14 pesquisadas pelo IBGE, a registrar em 2006 a segunda queda anual consecutiva na produção, com recuo de 2,0%, após uma queda de 3,6% apurada em 2005. A indústria gaúcha sofreu os efeitos das quedas registradas em máquinas e equipamentos (-16,3%, especialmente voltados para o setor agrícola), além de calçados e artigos de couro (-8,9%). Já no Paraná, houve queda de -1,6%, com efeitos do câmbio em veículos automotores (-20,5%) e madeira (-12,7%). O Estado de Santa Catarina resultou crescimento de 0,2% na produção no ano passado, bem abaixo da média nacional e considerado como "estagnação" pelo Iedi.
Segundo Isabella, o desempenho de minerais não metálicos reflete com clareza como os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, beneficiaram o Nordeste, enquanto não tiveram o mesmo efeito no Sul. A produção desses itens, voltados para construção civil, cresceu 7,3% na região Nordeste; 5,1% em Pernambuco e 4,8% na Bahia. Por outro lado, caiu 4,8% no Paraná e recuou 3,5% em Santa Catarina no ano passado. Ela ressalta que não é possível afirmar se o contraste entre os desempenhos do Nordeste e do Sul pode sinalizar uma mudança estrutural na indústria do país. Segundo a economista, é preciso esperar resultados anuais das regiões para checar essa tendência nos próximos anos. (Jacqueline Farid, da Agência Estado)
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Newsletter diária n.º 891 - 12/02/2007
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