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O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

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Monday, February 18, 2008

Xadrez balcânico*








Tomado isoladamente, o Kosovo não tem maior relevância geopolítica. Claro que em matéria de geopolítica, os efeitos de longo alcance são os que “dizem mais”... Foi através de um ataque de dois meses conduzido pela Otan que se criou ali uma “área quente” no cenário europeu. Formalmente, a investida da aliança atlântica serviu para dissuadir a Sérvia de seus ataques contra kosovares de origem albanesa. Uma vez bem sucedida a operação, com os sérvios expulsos da província, a Otan obrigatoriamente teve que ocupá-la.

As premissas da ação da Otan eram evitar que se repetisse o ocorrido na Bósnia durante os anos 90, quando a Sérvia achincalhou com os muçulmanos da Bósnia provocando um massacre e, para evitar que estados europeus desrespeitassem normas internacionais. A idéia subjacente era respeitar um consenso que tinha nos EUA seu "líder natural". E mesmo sem o consenso da ONU, os EUA mais o apoio de alguns países europeus tomaram as rédeas da situação. Cabe lembrar, no entanto, que os massacres eram perpetrados tanto pelos sérvios contra croatas e muçulmanos quanto estes contra àqueles. Algo comum do Danúbio ao Hindu-Kush. A Iugoslávia do Pós-Guerra sempre foi um "estado artificial" separado do Ocidente por uma tênue linha mantida pelos socialistas (mas, sem a influência soviética observada na Europa Central). Internamente se constituía por três grupos religiosos predominantes, católicos, cristãos ortodoxos e muçulmanos. Devido a sua posição anti-soviética cooperava com os EUA, embora pertencesse ao bloco comunista (a Iugoslávia foi o único país da região a aceitar o incentivo do Plano Marshall).

Com o fim da Guerra Fria e a morte do ditador Tito que comandava com sua mão de ferro as repúblicas constituintes, a "federação iugoslava" também caiu. Não imediatamente, mas após dez anos de sua morte. A democracia, realmente, não funcionou na região.

A missão da Otan visava acabar com o estado multiétnico da Iugoslávia substituindo-o por uma série de pequenos estados independentes e estáveis. O problema é que a maioria desses estados balcânicos tem minorias étnicas expressivas que precisavam ser contempladas com terra e que clamavam por autonomia. Não há nos pequenos estados, grandes maiorias étnicas que permitam tal estabilidade.

Mexer nas linhas fronteiriças do Pós-Guerra tem sido uma tarefa ingrata e perigosa. Do contrário, os húngaros que vivem na Transivâlnia romena, que ainda podem se reintegrar territorialmente à Hungria, turcos do Chipre à Turquia, a Silésia ser retomada pela Alemanha e a Irlanda do Norte separar-se do Reino Unido. Quando a Otan propõe alterar o princípio que contém estes rearranjos, ela está brincando com fogo e induzindo a um efeito-cascata.

Portanto, por melhor que seja a intenção de livrar pequenos estados de um artifício geopolítico chamado "Iugoslávia" implica em mexer em linhas de fronteira historicamente sensíveis. Se o desejo sérvio de agrupar suas porções étnicas na Bósnia foi duramente rejeitado devido às suas atrocidades, deslocando as linhas traçadas ao longo do tempo, por que não outras? Quando os sérvios quiseram repetir seus ataques à Bósnia no Kosovo, os EUA e a Otan se viram na obrigação de intervir.

No entanto, não se chegou no Kosovo ao mesmo nível de atrocidades cometido na Bósnia, apesar do que quer que tenha sido dito pela administração Clinton. Chegou-se mesmo a aventar que centenas de milhares haviam sido mortos para depois se afirmar que foram 10.000, cujos corpos foram dissolvidos em ácido. As análises posteriores nunca revelaram estes números. Mas, o ponto é que no Pós-Guerra Fria, os EUA queriam evitar novos massacres e fazer uma reengenharia dos pequenos estados.

Dois meses de bombardeios sobre o Kosovo serviram para afugentar os sérvios e permitir a ocupação das tropas da Otan. Mas, a força aérea não foi tão eficaz quanto se esperava, assim como a resistência sérvia superou as expectativas. Os EUA tiveram que por termo à guerra e aí entra em cena a Rússia.

Devido à inépcia russa, os EUA iniciaram uma estratégia de isolamento sérvio e persuasão para sua retirada. O acordo consistiu na participação russa na ocupação do Kosovo, os quais caíram direitinho no engodo. O que se configurou numa espécie de traição aos sérvios com a impressão vendida de que os sérvios teriam seus interesses garantidos no Kosovo. Uma força de ocupação Otan-Rússia deveria garantir que o Kosovo permanecesse como parte integrante da Sérvia, o que se sabe, não foi concretizado.

A guerra propriamente dita terminara, mas os russos nunca foram deixados sós neste cenário. Definitivamente, fizeram papel de tolos com uma cenoura amarrada em sua frente sem nunca a alcançarem... Depois, os russos foram excluídos da composição da Força de Kosovo (KFOR) e isolados pela Otan. Quando quiseram examinar o controle do aeroporto em Pristina foram cercados por tropas da Otan.

É importante notar que a ruptura do acordo da Otan e dos EUA com a Rússia significou uma humilhação para Yeltsin, o que ajudou em parte na ascensão de Putin, ex-diretor de política externa deste governo. O empenho atual do ex-presidente Putin no governo significou, também em parte, uma reação ao estado que foi relegada à Rússia. Um país que historicamente se projetou externamente, mas que internamente sempre foi fraco não teria muitas alternativas.

E, particularmente, porque a questão do Kosovo não encontra a mesma guarida teórica dos outros separatismos: trata-se do favorecimento territorial e fronteiriço a uma minoria nacional. Em que pese ser uma maioria local (no Kosovo), no contexto mais amplo é minoria (na Sérvia). Analogamente, seria como endossar um separatismo sérvio na Bósnia também. Outro detalhe não menos importante é que, ao invés de aproveitar a deixa histórica e deixar de mexer no vespeiro, se continua o processo de reengenharia territorial, o que atenta contra os interesses russos. Não há um mandato claro da ONU sobre a questão, apenas os intentos de nações poderosas, porém isoladas como Alemanha e EUA.

O argumento utilizado por Putin, de que esta independência abre um grave precedente ao separatismo checheno, dentre outros, não se sustenta: a Chechenia está acabada. A questão é que tratar o tema com indiferença põe a Rússia em uma posição de complicada desvantagem. A Rússia pode estar se lixando para a Sérvia, mas não admite uma presença mais ostensiva da Otan na região. Esta é a questão.

A posição adotada por Putin foi similar a de um juiz que observa o desrespeito a uma de suas decisões. Além dele, a Lei está sendo desrespeitada. Tal é o caso com o qual Moscou se debate. EUA e Alemanha fazem é desdenhá-lo, o que é inadmissível.

Nesta queda de braço, até agora Moscou está desmunhecando.

Putin se empenhou em alçar a Rússia a mesma esfera de influência que teve a URSS. A Bielo-Rússia está em vias de se reintegrar, a Ucrânia está de sobre-aviso para abandonar qualquer intento de incorporar-se a Otan, o Cáucaso e a Ásia Central estão sendo reafirmados como sua hinterlândia militar, ou seja, não é uma boa hora para testar o poder do gigante das estepes.

Um Kosovo livre fora da alçada da ONU e do poder de veto russo no Conselho de Segurança significa um desafio ao poder de Moscou e uma prova psicológica de sua fraqueza, caso a situação não se reverta. Caindo uma carta, outras podem cair dentro da própria Rússia.

O que é um jogo com possíveis perdas para a aliança atlântica é um jogo de vale-tudo para Moscou. O gás natural que flui para a Alemanha pode ser embargado. Mesmo que parcialmente, isto criaria uma grande crise. Pouco provável, mas isto implicaria em um alto custo aos alemães provando a importância da questão aos russos. Talvez os objetivos de longo alcance sejam estes mesmos, com Moscou levando a melhor num primeiro momento. Posteriormente, seu gás pode ser substituído pelos hidrocarbonetos provenientes do Iraque, parcialmente controlados pelos EUA, o que daria um input significativo a ocupação daquele país no coração do Oriente Médio.

Uma segunda opção é o que chamaríamos de "militarismo light". Suponhamos que Moscou envie para Belgrado, um batalhão ou duas tropas via aérea e depois as mandasse por terra até Pristina. E, para completar, uma esquadra naval pelo Mediterrâneo... Isto não é suficiente para fazer frente às tropas da Otan, mas o que os alemães poderiam fazer contra?

Mesmo que a Rússia não logre retomar o Kosovo para os sérvios ou o retorno à situação original em 1999, uma movimentação assim já seria suficiente para "dar um troco" e ameaçar a reintegração territorial dos estados bálticos. O que a Otan poderia fazer para se opor?

A aventura ocidental nos Bálcãs estaria partindo da premissa que não há um preço (alto) a pagar? Ou a Otan e seus aliados têm algum coringa na manga? A questão no momento é qual o risco visível e substancial envolvido na independência do Kosovo? Sinceramente, o Kosovo não tem lá grande valor, econômico ou mesmo estratégico, mas por a Rússia de joelhos convida Moscou a tentar capitalizar com alguma reação, algum ganho político, como, aliás, já se vem fazendo com outros assuntos há um bom tempo. Neste imbróglio, como ficará a delicada situação da Polônia entre forças opostas e, por extensão, de toda Europa Oriental?

Os alemães não têm cacife para peitar os russos. Não, por enquanto... Os americanos estão focados, como não poderia deixar de ser, no Oriente Médio e nas bordas do mundo islâmico. Para a Rússia, o Ocidente está em dívida com ela desde 1999 devido à traição de princípios e acordos estabelecidos. Por outro lado, uma dura oposição de Moscou levaria a uma, nada interessante, aproximação e fusão de interesses entre Berlim e Washington.

O Ocidente deveria repensar sua posição, mas com a declaração unilateral de independência kosovar, não adianta chorar sobre leite derramado. Uma crise foi deflagrada porque Washington não tem o tema como de grande importância, enquanto que para Moscou é uma oportunidade estratégica. Esta assimetria de percepções é um perfeito caldo de cultura para tensões entre Leste e Oeste. Mais uma vez...





* Traduzido e adaptado de George Friedman. The Asymmetry of Perceptions (just perfect…). http://execoutcomes.wordpress.com/. Acessado em 23 de março de 2008.

Kosovo independente: prós e contras - 2





15 de fevereiro, 2008 - 03h47 GMT (01h47 Brasília)
Tire suas dúvidas sobre a situação em Kosovo

A província sérvia de Kosovo deve declarar sua independência nos próximos dias.


O presidente russo Vladimir Putin afirmou nesta quinta-feira que seria ilegal e imoral a comunidade internacional reconhecer uma eventual declaração de independência da província.
O governo sérvio também já deixou claro que não aceitará uma eventual declaração de independência pelas lideranças albanesas da província.
A BBC compilou uma série de perguntas para ajudar você a entender as principais questões em jogo.

Qual é o atual status de Kosovo?
Apesar de ser formalmente uma Província da Sérvia, Kosovo é administrado pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1999. Mas tem seu próprio governo e Parlamento.
A ONU assumiu o poder depois que uma ofensiva da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) forçou a saída de tropas sérvias, que eram acusadas de perseguir a população albanesa, majoritária em Kosovo.
Na época, o governo sérvio alegou que suas forças estavam respondendo a um levante de separatistas albaneses armados.

Por que não se chegou a um acordo?
Os líderes albaneses de Kosovo dizem que não aceitam nada menos do que a independência total. Mas a Sérvia responde que quer oferecer apenas autonomia.

O que a ONU propôs?
Em abril, o enviado especial da ONU, Martti Ahtisaari, apresentou um plano que oferecia a Kosovo uma "independência supervisionada".
Segundo o plano, agências internacionais levariam gradualmente Kosovo à independência completa e à entrada na ONU.
Isso evitaria que Kosovo se anexasse à Albânia ou tivesse suas regiões de predominância sérvia separadas para se tornarem parte da Sérvia.

Algum país se opõe ao plano de Ahtisaari?
A Sérvia e a Rússia são os principais opositores.
A Sérvia rejeita a declaração de independência afirmando que é "um ato de separação evidente e unilateral, de uma parte do território da República da Sérvia e... então sem validade".
O presidente russo Vladimir Putin já deixou claro que o reconhecimento de uma declaração unilateral de independência "seria imoral e ilegal".
A Rússia é, tradicionalmente, uma aliada da Sérvia e teme uma expansão da União Européia na região dos Bálcãs. O bloco ofereceu, recentemente, um acordo interino a Belgrado, o que abriria caminho para a integração à União Européia.
Bósnia-Herzegovina e Montenegro também são contra.

Quando Kosovo deve declarar sua independência?
Ainda não foi estabelecida uma data, mas espera-se que a independência seja proclamada no dia 17 de fevereiro, depois de uma sessão especial no Parlamento de Kosovo.
Os Estados Unidos e a maioria dos membros da União Européia são favoráveis à independência e devem reconhecer o Kosovo como país independente quase imediatamente.
O plano de Ahtisaari prevê um período transitório de 120 dias após a declaração de independência, durante o qual se adotaria uma nova Constituição e medidas para garantir os direitos da minoria sérvia.
A independência de Kosovo seria efetivada depois desse período transitório.

Se Kosovo declarar independência, o que vai acontecer com a minoria sérvia?
Os sérvios são predominantes em Kosovo no norte do território, na região do Rio Ibar. Estima-se que 120 mil pessoas façam parte desta minoria.

Veja o mapa das regiões de Kosovo


Há o risco de os sérvios da região responderem a uma declaração de independência proclamando sua própria autonomia, erguendo barricadas nas estradas principais e criando verdadeiras fronteiras.
Segundo o plano de Ahtisaari, a minoria sérvia teria representação garantida em governos regionais, no Parlamento, na polícia e no funcionalismo público de Kosovo. A Igreja Ortodoxa Sérvia também teria um status especial.

Existe o risco de violência?
Soldados da Otan, que são 16 mil na região, aumentaram o nível de alerta especialmente em áreas onde existe convívio entre as etnias. Comandantes prometem mais patrulhas.
A questão mais importante é se estes militares poderão controlar pontos como a principal cidade do norte, Mitrovica, onde vivem sérvios, ou áreas ao sul, onde vivem membros da etnia albanesa.
A aliança foi fortemente criticada em 2004, quando as tropas de paz não conseguiram reprimir ataques de kosovares albaneses a sérvios.

Até que ponto a violência poderia se espalhar?
Na pior hipótese já imaginada, os 60% de kosovares sérvios que vivem ao sul do Rio Ibar seriam retirados violentamente de suas casas, enquanto os kosovares albaneses que vivem no norte seriam expulsos.
Mas a violência pode ir além. Há grandes comunidades albanesas vivendo na Macedônia e em Montenegro, que poderiam, em teoria, pegar em armas e lutar por uma união com Kosovo.
O primeiro-ministro da Sérvia também já sugeriu que o país poderia responder anexando a parte sérvia da Bósnia a seu território.

A ONU vai sair de Kosovo?
A União Européia deve gradualmente assumir muitas das funções da ONU, mas há a expectativa de que a organização mantenha alguma presença no território no futuro próximo.
O bloco europeu pretende enviar uma missão de 1,8 mil policiais e juízes a Kosovo.
Eles também planejam ter um "escritório internacional civil" no território, cuja função seria supervisionar a implementação do plano de Ahtisaari.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/02/080215_kosovoqandafn.shtml#1

Saturday, February 16, 2008

Federação Iugoslava

Slobodan Milosevic que levou a morte 200.000 pessoas nos anos 90 e ordenou estupros em massa dentro de seus planos de "limpeza étnica" aos não-sérvios dos Bálcãs.



Em primeiro lugar, se fôssemos nos ater mesmo a quem quer que tenha chegado primeiro como critério para posse e propriedade do Kosovo, então daí mesmo que aqueles pagos teriam que ser devolvidos aos seus primevos detentores, os ilírios, povo do qual muçulmanos da Albânia e do Kosovo são descendentes. Veja, este é um argumento pelo qual estou me baseando, análogo ao que defende a posse do que hoje é Israel pelos palestinos, mas não que eu próprio o endosse. Pois, se fosse o caso, eu acharia que a bandeira da Confederação Australiana devesse mudar por alguma com motivos aborígenes, daquelas pinturas cheias de bolinhas ou que a Reserva Raposa-Serra do Sol em Roraima devesse ser ampliada. E, ao contrário, eu sou terminantemente contra. Deve se ressalvar, no entanto, que qualquer solução, seja para Israel seja para o Kosovo, não deve contemplar a expulsão de nenhum grupo em questão. Simplesmente, isto não é mais viável.
Ocorre que, no século XX, no pós-guerra, nos anos 90, os sérvios atacaram primeiro e o sececcionismo feito por "terroristas" nada mais era do que um legítimo questionamento de independência pelos kosovares, já que estes são formados, em cerca de 90%, por muçulmanos. Cabe ainda lembrar que não tenho simpatia alguma por esta religião, mas estou analisando o contexto em que o conflito surgiu... Veja que este expediente só se tornou legítimo após a política de "limpeza étnica" perpetrada por Milosevic, bem como a demissão em massa (uma vez que o socialismo aos moldes iugoslavos ainda vigorava) feita pelo governo sérvio para combater o desemprego sérvio! Esta nem Stálin tentou... Claro que com uma política econômica digna de um neanderthal, a reação veio e não foi a conta-gotas. Como os sérvios não teriam atacado a Eslovênia por sua independência? Oras! Se o argumento for mesmo o da "integridade territorial" e manutenção da unidade iugoslava, porque não fizeram nada?! Simples, porque não têm fronteira com a mesma. Já, os croatas que também viviam em zona de interfácie com os sérvios foram atacados por estes. Atacaram primeiro nesta conjuntura específica, sim.
Qual "federação" tinha que ser defendida? A feita por mão de ferro por Tito? Isto não é federação nem aqui nem na China... A posição dos kosovar ainda detém legitimidade em seu movimento sececcionista, pois os sérvios declararam guerra aos muçulmanos da Bósnia. Segundo os próprios muçulmanos, todos estavam em guerra contra os sérvios então.
Federação Iugoslava... Que piada! "Federação" como a soviética? Hoje, as nações bálticas estão anos-luz em melhor situação, justamente, porque conseguiram largar aquele pútrido meio de cultura político para se integrarem economicamente ao Ocidente.
E ainda foram os próprios sérvios de oposição que, em massa, protestaram pela saída de seu próprio governante, Milosevic.

Justifica-se?


Assim como os militantes petistas e sua ética de 2 pesos e 2 medidas, quando a guerra na Bósnia iniciou, muito se ouviu dizer que a intervenção da ONU não ocorria porque "não havia interesse", porque "não havia petróleo". Verdade, em parte... Havia também um receio de tomar partido devido a oposição russa. Quatro anos se passaram para que a ONU se prontificasse a algo. Soldados ucranianos entre os "capacetes azuis" da instituição chegaram a ser acusados de traficar armamentos e a ação da ONU foi um retumbante fracasso. Paralelamente, muçulmanos da Bósnia foram coibidos de comprar armas. O contrabando para eles era impedido, mas o mesmo não se via com os sérvios. Vale lembrar que foram eles, os sérvios, quem começaram a guerra contra a Croácia e depois foram eles, novamente, a começar a guerra na Bósnia e depois ainda foram eles, mais uma vez, a atacar os kosovares. Que é isto? Uma "guerra santa"? Bullshit! Só o plano de um déspota que não cedia território aos seus moradores ancestrais. O argumento de que aquilo lá era tudo terra dos eslavos do sul, iugoslavos é o mesmíssimo argumento dos israelenses/judeus contra os palestinos.
O hilário nisto tudo é vermos antiamericanistas ou antiocidentalistas contra Israel, mas defendendo os sérvios por aquilo que condenam nos israelenses! Puta lógica! Puta ética de dois rostos, dois pesos e duas medidas! Chamem os bombeiros porque o cérebro dos terceiro-(i)mundistas pegou fogo e está prestes a fundir!
Slobodan Milosevic
Velho membro do partido comunista defendia políticas socialistas que, diferentemente, do "rodízio étnico" de autoridades na Iugoslávia, optou por uma homogeneização sérvia nos cargos de comando a partir de 1988. Sua sanha nacionalista e segregacionista levou ao conflito civil em 1992 quando croatas se declararam independentes. Antes disso, relutou em adotar qualquer reforma que modernizasse o país (no sentido de uma economia de mercado) e um maior equilíbrio democrático que não se pautasse pela etnicidade - com uma maioria não sérvia na antiga Iugoslávia, essa era sua estratégia para evitar uma perda de maioria relativa no governo. Só cessou o conflito em 1995, mas não satisfeito iniciou ataques aos muçulmanos dois anos depois. Além da retaliação da OTAN, manifestações sérvias (sim dos próprios!) levaram a sua retirada do poder. Foram manifestações com centenas de milhares de sérvios pelo fim de treze anos de tirania. O saldo de mortes perpetrado pelo facínora foi de 200.000. DUZENTOS MIL EM POUCO MAIS DE UMA DÉCADA! Foi morto em 12 de março de 2006, mas para nossos terceiro-mundistas de plantão "alguns genocídios são necessários"...
A Rússia é o verdadeiro alvo ocidental no cenário europeu. Mas, a Rússia hoje mal consegue conter movimentos sececcionistas dentro de suas próprias fronteiras. Se ela estivesse assim, tão bem guardada ao ponto de caçoar das investidas do Ocidente, não temeria a entrada da Ucrânia na OTAN. Mas, os mísseis da organização estão chegando cada vez mais perto das portas do Kremlin. E, economicamente, a Rússia só tem petróleo. Síndrome de "república bananeira" com um único produto de exportação que valha a pena. O resto são cacos da Guerra Fria
Milosevic era privilegiavado com o que, exatamente? No que tinha vantagens com a putrefata Rússia? Os interesses contrários de Moscou eram contra a aproximação bélica ocidental, nada mais, pois a própria máfia russa lucra com o comércio com o Ocidente.
A Alemanha, a França, enfim toda UE avança pela Europa Oriental principalmente por um fator: o desejo das repúblicas centro-orientais de abocanharem um naco de sua riqueza. Quem acusa interesses externos de tirarem proveito aje como se não houvesse recíproco interesse. E quem era ou pensava que era Milosevic para obstar o desejo de eslovenos (que, aliás, estão muito bem obrigado) e dos croatas? Só déspotas desta estirpe é que valem como líderes? Não têm sequer apoio interno, vide as manifestações de populares sérvios contrárias às suas paleo-economias.
"O pragmatismo, desafortunadamente tão necessário em política, não raro nos obriga a optar pelo 'mal menor'", leia-se a morte e estupros, bem como seus corpos jogados em valas comuns ao melhor estilo do 3º Reich feitos por Milosevic.
"Obstáculo" era a UE para o canalha facínora. Ele que não consentiu com auto-determinação de povos vizinhos. Pensar o contrário implica em alternar causa e efeito.
Mas, esquemas mentais, ou melhor, clichês terceiro-mundistas como "reconquista colonial do leste europeu pela UE" são sempre recorrentes e de fácil "digestão". O princípio de organização da união não é o de um COMECON, onde tropas russas podem bater às portas de uma Budapest ou Praga com seu Pacto de Varsóvia, como vinham, historicamente, fazendo.
Retaliações
Sem mais argumentos, a tática terceiro-mundista consiste em desviar o foco para as guerras perpetradas pelos EUA. Mas, a ação no Iraque justificada quando Saddam invade o Kuwait, país livre e soberano que exportava petróleo aos seus parceiros comerciais; justificada também é a ação americana que dividiu o país em três zonas para limitar o poder do regime Baath; justificada, a ação americana quando no 2º conflito se depôs o déspota que foi financiado por vários países, mas se tornou inconveniente ao pretender planos expansionistas. Na Sérvia foi justificada, a ação americana para atacar um criminoso de guerra, Slobodan Milosevic, um facínora que levou 200.000 à morte, ordenou estupros maciços em nome da "limpeza étnica"; no Afeganistão foi justificada, a ação americana ao atacar a al Qaeda legitimadora e apoiadora de ataques terroristas contra civis; justificada, a ação americana que apoiou a Aliança do Norte, legítimos detentores da terra afegã contra os interventores talebans provenientes de escolas paquistanesas que detinham orientação waabita; justificada, a ação americana anterior que conteve a invasão soviética nos estertores do putrefato comunismo sob a éjide de Brejnev para atacar, posteriormente, o Irã e dominar o Estreito de Ormuz.
God Bless America!

Friday, June 15, 2007

Kosovo: Merkel vs. Putin




A história sempre tem 2 lados. No mínimo...



Putin and Merkel Face Off Over Kosovo

Russian Foreign Minister Sergei Lavrov lambasted Western leaders on Thursday for holding "secret talks" on the future of the Serbian province of Kosovo. Representatives from the United Kingdom, the United States, Italy, Germany and the United Nations met in Paris on June 12 for unscheduled talks to hammer out a common position on the issue. Notably absent from this meeting of the Contact Group on the Balkans were, of course, the Russians.

Moscow is outraged at the possibility of an independent Kosovo, not because it considers Serbia an ally but because a successful Western effort to impose its will upon Serbia against Russian wishes would signal the end of Russia's influence in Europe. It also would signal that Europe believes Russian objections can be easily swept under the rug.

Russia will attempt to convince the Europeans this is not the case. In Moscow's mind, if all it takes to become an independent state is for a local minority to agitate, then that rule could be applied elsewhere. If Kosovo can be independent, why not an independent Northern Ireland, or Basqueland, or Transylvania? For that matter, why shouldn't the Russians of Estonia and Latvia -- both members of the European Union and NATO -- be allowed to chart their own destiny (under Russian tutelage, of course)?

Put another way, Russian President Vladimir Putin feels he has little to lose in fomenting a crisis of confidence among both NATO and the European Union over the Kosovo issue. But another rising regional leader also sees some benefit in stoking the flames of the Kosovo crisis.

German Chancellor Angela Merkel is preparing for the end of her term as EU president. She has won a series of victories, largely in foreign policy, culminating in a successful G-8 summit last week. Merkel is seeking to help Germany re-emerge as a major European power, and what better way to do that than to publicly force the Russians into a confrontation and then make them retreat?

It was Merkel, not U.S. President George W. Bush, who said bluntly at the summit -- with a none-too-pleased Putin standing nearby -- that Kosovo will be independent. (Bush later echoed this statement during his trip to Albania.) Merkel, not Bush, has been steadily working European leaders to ensure that, when the time comes, Europe is on the same page about this issue. And it is Merkel, not Bush, who within the next two weeks will need to convince a recalcitrant Polish leadership that her vision for Europe is one worth agreeing to -- and what better way to impress the Poles than to show that Berlin can and will face down Moscow.

Merkel clearly believes that Russia will back down, since Kosovo is really not one of Moscow's core national interests, while Putin is convinced no one in their right mind would sacrifice anything of substance for the Kosovar Albanians. In other words, Kosovo will evolve into a crisis not because of the merits of the case but because both Putin and Merkel desire a crisis -- and Kosovo is conveniently on the table, with both sides convinced the other is not serious. The last time Germany and Russia faced off over an issue with this little effect on their national interests -- the assassination of an archduke in Sarajevo 93 years ago -- resulted in World War I.

There is still ample time for both sides to step down, but if this goes on much longer, they will not be able to do so without losing a great deal. Putin would lose the ability to impress Russia's desires upon Europe, and Merkel could lose legitimacy as the preeminent leader of both Germany and the European Union.

http://www.stratfor.com/


Kosovo

Source: Carol Guzy, Michael Williamson andLucian Perkins/ Washington Post


Kosovo, a southern province of Serbia and Montenegro, has seen deep conflict between its Serbian and ethnic Albanian population. In 1974, the Yugoslav constitution granted Kosovo, then part of the Federal Republic of Yugoslavia, autonomous status. In 1989, amid rising breakaway movements throughout Yugoslovia, Yugoslav President Slobodan Milosevic revoked Kosovo's autonomy, a step that deepened Serb-Kosovar differences. The majority Kosovar movement favored non-violent political action, but a separatist movement called Kosovo Liberation Army (KLA) came to the fore, receiving arms and funds from Albania and (later) from the US and German intelligence services, while the Russians backed the Serbs. The KLA attacked police and government installations as well as Serb civilians. As Serbian government forces struck back, they committed atrocities and the Kosovar population began to flee in large numbers. Several international efforts to broker a peace plan failed. Western nations demanded major concessions from Belgrade, including free passage of NATO military forces into Kosovo. When Milosevic rejected these demands, NATO bypassed the UN and began a 78-day bombing campaign, leading to an increase in the flow of Kosovar refugees. This "humanitarian intervention" was marred by NATO's inability to ensure the safety of innocent civilians. The NATO bombardment eventually forced Milosevic to withdraw troops from Kosovo in June 1999. The UN established a Kosovo Peace Implementation Force (KFOR) and an Interim Administration Mission in Kosovo (UNMIK), asserting administrative control over the province. In 2003, the UN established a set of basic conditions for the political future of the territory and insisted that the Kosovo administration meet these benchmarks before discussing the territory's "final status" - that is, would it achieve independence or would it become an autonomous region within Serbia and Montenegro. Renewed ethnic violence in 2004 raised concerns over UNMIK's ability to maintain peace in the province. Talks to determine Kosovo's future remain stalled.


See also our pages on Peacekeeping , International Criminal Tribunal for Yugoslavia and Emerging States


http://www.globalpolicy.org/security/issues/ksvindx.htm