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Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
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Friday, October 05, 2007

Etanol nos EEUU


Engraçado como os críticos ao etanol e os biocombustíveis procedem. Quando se trata de um comentário ambientalista, “o etanol é poluidor, pois a queima da cana libera gases na atmosfera”. Óbvio, mas e a queima de hidrocarbonetos, não? E o etanol é tão poluidor quanto a gasolina e diesel puro? Também não. Outra crítica recorrente é que “a monocultura da cana impacta o meio ambiente esgotando os solos”. Mas, e a monocultura do arroz, do eucalipto, do trigo, do café, também não? Claro que sim. Assim faz toda e qualquer monocultura. Incansáveis, seus detratores continuam ao dizer que a cana impacta mais ainda. Então, a solução é a seguinte: meçam os impactos e os custos necessários para a reconversão dos solos em férteis novamente. É simples. E não vale o argumento de que isto não é feito pelo estado... Ora, não é o estado que deve faze-lo, mas a própria iniciativa privada, já que é ela que produz o etanol, catzo! Não faz? Se me disserem que não, então estão me dizendo, igualmente, que os empresários são burros porque jogam contra si mesmos. Claro que há reconversão dos solos que garante a perenidade da produção. Trata-se de uma curva, um “V” invertido de lucratividade que, quando começa a cair, destina-se aquele solo a outra cultura mais resistente ou barata. Ou ainda, se for o caso se busca algum tipo de compensação, gastando mais em adubos, cujas indústrias e comércio geram empregos.

Como a miopia não é privilégio da esquerda vejamos como os críticos de direita americanos também estão mais perdidos que cuscos em dia de procissão:



The ethanol boom of recent years appears to be slowing as the chaotic expansion of the industry hits multiple bottlenecks. Ethanol prices declined 30 percent in May, and the rate of decline has accelerated.

The federal government (with President Bush at the forefront) has been promoting ethanol for several years, primarily in order to curb dependence on foreign oil. Congress encouraged the expansion of the industry by requiring it as a fuel additive and by restricting other additives for “environmental reasons.” Corn growers benefited from skyrocketing prices, but then the law of unintended consequences came into play. The promotion of ethanol in fuel affected the poor most directly: Food prices rose rapidly, as nearly everything in the grocery store seemingly has some sort of connection with corn.

The pro-ethanol legislation triggered massive expansion and investment, which has now produced a flooded market, causing prices to plummet. Everything hinges on what Congress will do next—perhaps deregulation, but in an election year, candidates (with the exception of Ron Paul) are bound to be pledging more government involvement. In all of this, there is a frightening similarity to scenarios that played out repeatedly in the Soviet Union. Aside from what the few benefits of ethanol may be, Congress has no business meddling in the market.



AP
A no-brainer in Missouri



“Dependência do óleo estrangeiro”… Será que estes americanos que escreveram isto são americanos de fato, para serem assim, tão antiglobalização, tão anticomércio externo? Para mim, este é o típico argumento nacional-desenvolvimentista. Mais parece ter sido escrito para algum discurso de um Vargas ou Perón. A queda dos custos do etanol tende a fomentar indústrias de veículos nos EUA, bem como uma variante de distribuidores e comércio. E, por falar em “dependência”, a do petróleo árabe é, por acaso, mais estável?

Quando os socialistas travestidos de “ambientalistas” nos alegam que é preciso “superar o capitalismo” para por fim aos problemas ambientais, vozes sensatas nos dizem que o capitalismo se auto-supera, que suas crises induzem ao salto tecnológico etc., no que estou de acordo. Daí, quando Washington incentiva o etanol (também) por “razões ambientais” vêm estes americanos antiamericanos fazer escárnio de soluções neste sentido? É tosco demais.

Outro argumento a la Chávez, Fidel e MST é de que o incentivo ao etanol faz subir o preço de alimentos derivados da cana (no Brasil) e milho (nos EUA). Digamos que, por uma infundada hipótese, não haverá reacomodação futura destes preços graças à demanda interna e importações. Tomemos um flash do presente para replicar... E os empregos gerados pela indústria e setor comercial e de serviços derivada, não contam? Este argumento assemelha-se muito àquele dos sindicatos que, uma vez informatizados os serviços e com a entrada de computadores em repartições públicas, o desemprego aumentou. Alguém, a exceção dos próprios sindicatos, já utilizou uma metodologia ampla para ver o que aumentou em ofertas de postos de trabalho em outros setores, sem falar na criação de um setor totalmente novo e dinâmico da informática? Por suposto que não! É fácil criticar um objeto selecionando variáveis para satisfação de um wishful thinking paranóico e destrutivo. Difícil é ser objetivo.

Mais um pouquinho... Se os preços dos alimentos sobem, a renda familiar necessariamente cai. Mas, mesmo quando os próprios críticos americanos dizem que “Ethanol prices declined 30 percent in May, and the rate of decline has accelerated”? Se os preços declinaram 30% em apenas um mês (!), o etanol é um sucesso não apenas para as empresas, mas para todo o mercado consumidor e a renda familiar, ora bolas!

A maior participação (indutora, bem lembrado) do governo é maléfica. Isto é argumento fundamentalista, o que importa é o resultado final. Se concordarmos com este disparate, então a indústria da informática em seus primórdios também seria prejudicial, assim como a da aviação, uma vez que estas tiveram fortes incentivos governamentais. Afinal, os americanos têm estados, não têm? Se há alguma semelhança com a União Soviética, como sugere maliciosamente o texto, esta não é a dos mecanismos que promovem a indústria, mas sim o do tipo de argumento utilizado por estes “patriotas”.

Thursday, August 23, 2007


Gringos não perdem tempo. A expansão da atividade de produção de biodiesel pode encontrar no continente africano, uma alternativa à produção brasileira >>>
Americanos apostam em biodiesel feito de pinhão manso(JATROPHA)
Um grupo de representantes da empresa americana Blue Planet se reuniu nesta quinta-feira (16) com o secretário de Agricultura, Leonardo Veloso, para tratar da implantação de uma usina para produção de biodiesel no estado de Goiás. O projeto prevê a construção de uma indústria cuja...


A produção estatal também investe na possibilidade dos combustíveis alternativos >>>
Moçambique já produz biodiesel
Será inaugurado, hoje, na cidade da Matola, uma unidade de produção de biodiesel a partir de copra. A mesma unidade pertence à Petróleos de Moçambique (PETROMOC) e tem uma capacidade instalada para a produção de 40 milhões de litros de biosiesel por ano. A construção...


E a multinacional brasileira lança seus tentáculos no Índico >>>
Petrobras sonda entrada no mercado da energia e biocombustíveis
A Companhia petrolífera brasileira Petrobras pretende investir nas áreas de petróleo em Moçambique, devendo proximamente iniciar o processo de prospecção e distribuição de biocombustíveis. Essa pretensão foi manifestada recentemente pelo director para a área internacional da Petrobras, Nestor Cervero, e o director executivo, Luís da...

Wednesday, August 22, 2007

Enquanto que no Brasil, os investimentos em energia do biodiesel vão de vento em popa, na vizinha Bolívia, empresas são obrigadas a fazerem investimentos de pouca rentabilidade. Me parece que as ações do cocalero são uma bomba-relógico para a falência.


Brasil:
Inauguran fábrica de biodiésel más grande del mundo
Con una inversión de más de US$ 20 millones, el grupo Bertin puso en operaciones la planta que tendrá una capacidad de producción de 110 millones de litros de biocombustible al año.Leer Artículo


América del Sur:
Petroleras que operan en Bolivia priorizarán mercado interno
El gobierno de Evo Morales llegó a un acuerdo con las 12 empresas transnacionales que producen crudo y gas en el país, como Petrobras, Repsol-YPF y British Gas, para que privilegien el consumo boliviano.Leer Artículo

Monday, July 16, 2007

Êta, nóis!


Por Anselmo Heidrich Geral , Economia

Não faz absolutamente nenhum sentido. É loucura, e definitivamente não é do interesse dos consumidores.
Arnold Schwarzenegger, governador da Califórnia sobre o subsídio americano ao etanol doméstico.

“Diga não a venda do etanol! O etanol é nosso.” É só o que falta ouvirmos sobre este combustível e sobre a possibilidade de efetuarmos um acordo com os EUA que contemple a maioria dos interessados. “Segredo nacional” que não pode ser dividido com os gringos, dizem os protecionistas que já perderam o bonde da história. Quem expropria a riqueza nacional não é o comércio externo, mas o próprio estado através de seus tributos acachapantes. A carga tributária incluída na energia corresponde a 43,7% em média da conta paga pelos consumidores. Se as estatais que controlam a produção energética no país não abrem seu capital para investimentos, qual afluxo de capital pode ser garantido? É da governança corporativa e da transparência, que fogem as estatais.

Por outro lado, a obtenção de licenças ambientais, no caso as prévias que não garantem a licença de operação, podem levar até dois anos. Isto muito embora o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) preveja sua obtenção em, no máximo, 12 meses. Estes são alguns obstáculos reais, ameaças reais ao nosso desenvolvimento e não um paranóico “interesse externo”. Quem dera houvesse mais e mais interessados em produzir e comprar o que é nosso.

Planejamento também parece ser uma palavra ausente no dicionário de nossos ministérios. Contar com a alta do preço do petróleo para o sucesso do etanol é, no mínimo, medíocre. A perspectiva tem que ser outra, a do rebaixamento dos custos de produção. Nunca é demais lembrar que se para uma OPEP as reservas de petróleo estão “sempre em vias de se esgotar”, esta mentira que tem um propósito definido, o de inflacionar o preço do barril. Para a Agência Internacional de Energia (AIE) se estima a oferta do óleo para, pelo menos, mais um século.[1] O problema envolvendo o petróleo não é de oferta, nem tecnologia, mas sim político regional. São os conflitos e guerras locais que tendem a manter a oferta reduzida. Sempre que se falou que um poço tem capacidade para mais dez anos, ele acabou produzindo por mais algumas décadas.

Por outro lado, uma vertente crítica acusa a produção de etanol como causa da inflação do preço dos grãos. Como sempre, é a retrógrada ONU, com suas agências como a FAO e a OCDE, cujas premissas protecionistas e sedução tarifária enfatizaram em relatório um aspecto decorrente da produção. Esta maneira de analisar a realidade é singular: isola-se um setor econômico dos outros, se analisa o reflexo da produção de etanol no preço dos alimentos sem considerar os reflexos na produção em regiões que serão incorporadas à fronteira agrícola como produtoras, nem no campo do emprego que será largamente beneficiado pela estruturação de toda uma cadeia produtiva. Aspectos positivos para que? São “irrelevantes”... Não se os analisa porque afetam pouco os aspectos negativos ou porque o saldo final seria positivo? Silêncio, a ONU, a OCDE e o livro do destino se fecham para nós.

Mas, seu custo não se compara ao atual do petróleo. Se há algo que onera a qualidade de vida dos consumidores no mundo, é a escassez energética e no Brasil, o peso do estado. Se os Estados Unidos desejam reconstruir sua matriz produtora de energia, mesmo que parcialmente, aí está uma “égua selada passando debaixo de nossos narizes”. É uma oportunidade única que, independente de quem quer que seja que esteja no nosso governo, não podemos desperdiçar. O preço dos alimentos aumentará? So what? Isto é temporário, pois criará uma demanda que induzirá outras regiões a produzirem alimentos, redistribuindo oportunidades de produção para outras regiões no mundo. Ao final das contas, a maioria ganha e a minoria acomodada terá que se adaptar. Capitalismo sem crises e reestruturação não é capitalismo. Ao final das contas, isto é que torna este sistema tão criativo e dinâmico.

Imagine se, realmente, os Estados Unidos conseguirem reduzir sua dependência de petróleo em 20% em dez anos, como quer George W. Bush? Nada melhor para tirarmos a vaca do brejo, seríamos uma espécie de Arábia Saudita tropical, com o benefício de não termos como subproduto, as brigas pelo monopólio da produção que existem entre as oligarquias árabes.

E seria uma miopia se vislumbrássemos apenas os EUA. No rico interior paulista, japoneses projetam a construção de mais de 40 destilarias para a produção de combustível para exportação. Negociar com gringo inclui o respeito aos contratos, diferente do que se viu com o “império inca” recentemente. Qual o problema disso? Negociar com “líder bolivariano” implica em se sujeitar às mudanças nas regras do jogo no meio do campeonato. Deve ser efeito da altitude... O que estes novos caudilhos latino-americanos não percebem é que há um grande leque de opções energéticas, dentre as quais a nuclear é a grande vedete e outras, como a eólica têm crescido em demanda.

O Brasil já suplantou os EUA como maior exportador de soja. Já atingiu a primeira colocação na produção de carne bovina e agora tem a possibilidade de dobrar sua produção de cana de açúcar. Não nos deixemos levar pelo pessimismo que, confundindo política de estado com governo, nos leva a uma oposição infantil ao etanol só porque parte de um governo do qual podemos discordar em outros (vários) quesitos. O que o Brasil deve ter em mente é que tem, momentaneamente, a faca e o queijo nas mãos. Mas, só por enquanto... Assim como a China fez com as suas Zonas Econômicas Especiais atraindo capitais do mundo inteiro e oferecendo mão de obra barata e desburocratização, o Brasil deveria fazer de modo similar aproveitando-se de sua tecnologia no setor, infra-estrutura (a desenvolver) e fatores naturais favoráveis como o maior período de insolação, por exemplo. Mas, se ficarmos “de frescura” discutindo a “essência do colonialismo agrário” ou qualquer outra bobagem, nos suplantarão fácil, fácil. Vários produtores mundiais estão se adiantando neste quesito e não será por falta de diligência que pecarão. A própria China prepara seu zoneamento agrícola para alavancar a produção de etanol nacional.[2] Se houver sinal de vida inteligente no Planalto, acordos de transferência de tecnologia deverão ser implementados. Mas, “sentar em cima da mina”, como se fazia nos anos 60 e 70 com a exportação de minérios obrigando que cada empresa portasse capital nacional majoritário, só deslocará investimentos e produção para outras paragens.

Não só a China, mas também, quem sempre joga para ganhar está mudando a face de parte de sua paisagem rural. O estado do Iowa, por exemplo, não está beneficiando apenas os produtores locais. Já há centenas de pequenos investidores, e outras de porte como a John Deere. Ao invés de tributar “atividades poluidoras”, Washington enxergou nisto a possibilidade de reduzir poluentes gerando mais empregos. E que o Brasil apresenta como vantagem? Solos, clima, mão de obra? Na verdade, uma combinação que faz com que nossa produção tenha metade dos custos da UE e 2/3 nos EUA.

Temos mais algumas vantagens. O subsídio ao etanol doméstico pelos EUA é insano, como diz o “governator” Arnold Schwarzenegger. A produção deles é próxima da nossa, mas diferentemente, sua demanda é muito maior. Enquanto que alguns de nossos obstáculos são emissões de “selos verdes” para produção ambientalmente sustentável, de acordo com normas ambientais brasileiras e européias, a produção americana tem reflexos no preço do milho que é sua matéria-prima para etanol e está na base de sua dieta. Há ainda algumas vantagens ambientais, pouco comentadas aqui, como subproduto do bagaço de cana, ainda é possível produzir biocombustível do lixo urbano. E, dá um gostinho especial saber que no longo prazo, os governos que usam e abusam de seus estoques de hidrocarbonetos, como a Bolívia de Morales, o Irã de Ahmadinejad, a Rússia de Putin, a Venezuela de Chávez terão seu poder de barganha diminuído.

O problema brasileiro fundamental é outro. A Bahia apresenta excelentes condições para a produção, mas a falta de infra-estrutura e logística, obriga a trazer 80% do álcool consumido de estados vizinhos. E, pior do que isto, sempre cabe a lembrança de que o que traz benefícios ao Brasil a partir do exterior, nem sempre é devidamente aplicado no mercado interno. Não devido a torpe visão terceiro-mundista de que adquirimos “dependência” com a globalização, mas sim porque, internamente, há sempre um “atravessador” que monopoliza tradicionalmente a produção. Seu nome: Petrobras. É a ela que devemos temer. Imagine os estoques de etanol sendo controlados por esta empresa. Alguém duvida que os preços não seguirão sua lógica monopolista ou sofrerão manipulação política?

O que falta aos críticos do etanol é perceber que este não será a salvação na substituição do petróleo (longe disto), nem o fruto maldito (através de um suposto neocolonialismo), mas uma entre tantas das formas de se produzir energia. Tal como na globalização se obtém alternativas de comercializar com diversos parceiros, as diferentes fontes energéticas somadas, diversificam a matriz energética retendo altas ou até reduzindo seus custos. A baliza que temos que adotar é o interesse dos consumidores. Isto serve tanto a nós brasileiros, quanto a qualquer povo. Mais do que do interesse de grupos específicos alojados em setores específicos, o planejamento estatal tem que visar a demanda do mercado. É nela que deve residir o foco para contratos e políticas.



[1] “ ‘Todo dia surgem notícias de que as reservas têm um limite ou que são muito maiores do que se imagina. Não parece ser isso que vai definir por quanto tempo vamos usar o petróleo’, argumenta o professor Celso Lemme, do Instituto Coppead de Administração da UFRJ. O que deve determinar até quando o petróleo será utilizado é a velocidade com que os combustíveis alternativos ganharão competitividade no mercado – vale dizer, escala e preços compensadores.” (http://amanha.terra.com.br/edicoes/232/capa01.asp).

[2] “Mas a introdução do biocombustível não será tão fácil como os próprios chineses esperavam. ‘Fizemos estudos e notamos que não podemos simplesmente passar a produzir no campo matéria-prima para combustível sem ver o impacto que isso poderá ter no fornecimento de alimentos. Com 1,3 bilhão de pessoas, nosso equilíbrio entre terras destinadas ao cultivo de alimentos e garantir que a fome não aumente é algo fundamental’ (...) Segundo o chinês, a falta de terras aráveis na China é um sério obstáculo para o etanol.” (Jamil Chade) Newsletter diária n.º 992 - 09/07/2007 - http://amanha.terra.com.br/. Esta dificuldade alheia deveria ser aproveitada por nós. Até onde nosso Itamaraty enxerga, em termos de visão estratégica, eu não sei, mas se isto não se contempla e, por contraposição, se visa reforçar laços com governos decrépitos como os de Chávez e Morales é alarmante.

Monday, July 09, 2007

Debate alcoolizado

9/7/2007
Há muito porre no debate sobre etanol
Artigos / Entrevistas

Marco Antonio Rocha é jornalista. E-mail: marcoantonio.rocha@grupoestado.com.br

Por O Estado de São Paulo

EU, Brazil: Sustainability Standards and Biofuels


By the end of 2007, the European Commission aims to devise environmental standards for biofuels -- standards that will be of particular interest to Brazil, and ultimately, to the agriculture sector globally. While so-called sustainability standards will likely come under close scrutiny as a potential non-tariff trade barrier, the commission has a narrow intent in mind for them which could prove acceptable to Brazil, the world's emerging biofuels leader.
If these standards catch on beyond the EU's borders, they could set a precedent for the future development of other codes of conduct for industrial agriculture. Such standards could also lead to a further rise in already-high agriculture commodity prices -- which is good news for Latin America's Southern Cone.
The EU will require 10 percent of automotive fuels sold within the union to comprise alternative fuels (not fossil-fuel-based) by 2020. The EU's interest in biofuels is part of a larger energy strategy recently devised to secure three objectives: efficiency, carbon emission reduction and -- most important to German Chancellor Angela Merkel, who devised the policy -- energy security.
Importing Brazil's sugar-cane-based ethanol currently is the most appealing way, in terms of price and supply, to meet the 10 percent requirement, but critics have warned that in its pursuit of cleaner-burning fuels, Europe ironically risks funding ecological destruction. The poster child for this concern is the Amazon rainforest, which has been reduced at alarming rates in the past decade, in part to allow for soya crop expansion. Therefore environmental certification is being proposed to accomplish two specific objectives: to make sure less carbon dioxide is released in the production of biofuels than will be conserved by burning them in place of gasoline, and to make sure that valuable wildlife is not destroyed to make room for plantations. The second goal aims to preserve biodiversity but also links back to the carbon concern; destruction of the Amazon forest, wetlands or other similar areas would constitute the destruction of natural carbon sinks -- usually by burning, which releases more carbon into the atmosphere.
From this perspective, Europe's demand is entirely reasonable; it is merely requesting that the policy goal leading it to purchase the biofuels in the first place not be subverted. As long as the certification's focus remains on the greenhouse gas balance of biofuels production, objections by Brazil or other would-be suppliers likely will not be perceived as legitimate.
There are two groups that would like to see the certification scheme become much more extensive, however: environmentalists and European farmers. If they get their way, the minimal "sustainability criteria" attached to biofuels will address a much wider array of topics -- from pesticide and fertilizer use to water intensity, genetically modified organisms, labor standards and community impact. For environmental groups such as WWF these are matters of principle; for the farmers, they are a matter of competitive advantage. Few European interest groups are more jealously guarded than farmers -- remember, the rigidity of Europe's Common Agricultural Policy is a significant obstacle to the Doha round of WTO negotiations.

Brazil will be consulted in the course of forming the standards, and there is a chance the requirements will be mutually acceptable. As Doha sputters out, the EU is reviving its interest in a stalled EU-Mercosur trade agreement and needs Brazil as an enthusiastic broker to have any chance of success. Europe is not likely to bend on its standard agriculture protectionist measures for Mercosur any more than it did for the Doha negotiations as a whole. Thus, it will have to offer Brazil something appealing in exchange for a reduction in Brazil's industrial tariffs, a more rigorous intellectual property rights regime, and greater access to Brazil's financial, insurance, government procurement and maritime transportation sectors. Favorable ethanol import conditions are one of the best carrots the EU has to offer.
Of course, the EU structure requires unanimous consent for important trade-related decisions. Hence, even though EU Trade Commissioner Peter Mandelson has made it clear that he does not believe local farmers can produce enough biofuels to meet the EU's objectives, and he explicitly said he does not want to see protectionist barriers against ethanol imports, it is quite possible that the environmental requirements will have to be beefed up to pass muster with all of the EU's constituents.
Brazilian President Luis Inacio "Lula" da Silva is also already taking steps to head off not only European environmental critics but also Cuba's Fidel Castro and Venezuela's Hugo Chavez, who perceive Brazil's ethanol push as an affront to Venezuela's Petrocaribe program and other oil diplomacy initiatives, and have warned that the expansion of biofuels production could raise food prices for the poor. Brazil has clamped down on forced plantation labor and is phasing out the burning off of the foliage in sugar cane fields -- a process used to facilitate manual harvesting -- in favor of mechanized harvesters. These measures will not be enough to satisfy Europe, however. While da Silva's confrontation with Castro and Chavez has been mostly rhetorical, Europe will require actual guarantees that its demands will be met. Ultimately, the result is likely to be increased standards for Brazilian agriculture, but not enough to fully open the gates of the European market for most producers.
The sustainability criteria that Europe eventually decides upon will need some form of accountability tied to certification. Enforcement mechanisms have been a central problem for the credibility of environmental and social codes of conduct in a wide range of industries, and the solutions that are proposed for the biofuel question -- as well as some of the specific standards imposed -- could become a model for further certification efforts aimed at other industrial agriculture crops.
Environmental and social requirements will further drive up the price of agriculture commodities. Agriculture prices have risen steadily for the past few years, driven in part by growing Chinese demand for soya, and corn and wheat prices have already risen in the United States as corn-based ethanol competes for farmland. These rising prices have helped buttress economic growth for the past few years in Brazil, Argentina, Paraguay, Uruguay and Bolivia.
Commodity prices tend to rise and fall cyclically, and Latin American countries often face political crises during the troughs. Thus, while Brazil's ethanol expansion gives it a chance to gain clout as a world leader, it will also indirectly help maintain high agriculture prices -- and, therefore, regional stability.

Thursday, July 05, 2007

VideVersus

Comentando o http://www.videversus.com.br/ -
Porto Alegre, 5 de julho de 2007 - Videversus nº 746


CONSTRUTORA PAULISTA GAFISA FECHA PARCERIA COM BANCO ITÁU PARA FINANCIAR IMÓVEIS
A incorporadora Gafisa lançou um financiamento, em parceria com o Itaú, de imóveis na planta. O acordo vai permitir que os compradores parcelem a entrada de 10% e financiem 90% do preço do imóvel com o banco, em 25 anos, antes da construção. De acordo com a empresa, compradores sem histórico de crédito estabelecido obterão qualificação à medida que pagarem em dia suas prestações mensais. leiamais

Enfim, uma boa notícia. Em um país que o estado prefere (através de seu governo) garantir bolsas, eufemismo para esmolas, o financiamento de moradia vai passando para a iniciativa privada.



CUBA ANALISA ESTIMULAR INVESTIMENTO ESTRANGEIRO EM SETORES ESTRATÉGICOS
Cuba está analisando a possibilidade de promover a presença de investidores estrangeiros em setores estratégicos. O governo cubano buscaria aumentar o investimento estrangeiro "de forma seletiva" em setores que possam contribuir para o crescimento e para reduzir a excessiva dependência do país em relação às importações. Estariam entre esses setores o turismo, a mineração e a construção. leiamais

Do jeito que vai a economia (e sociedade) cubana, não vai demorar muito para que digam que todos os setores são "estratégicos"...



LULA DIZ QUE, PARA SAIR DO MERCOSUL, É SÓ QUERER
O presidente Lula afirmou nesta quarta-feira, em Lisboa, que, se o presidente-ditador Hugo Chávez não quiser entrar no Mercosul, basta manifestar isso oficialmente. Questionado sobre a ameaça do presidente-ditador venezuelano de retirar sua candidatura ao bloco econômico caso o Senado brasileiro não aprove a entrada do país em três meses, Lula disse: "Obviamente que para entrar tem que ter a aprovação dos quatro membros do Mercosul leiamais


Até que enfim, uma resposta merecida. Mas, na política externa são necessárias as respostas diplomáticas:


"Não quer, não fica", diz Lula sobre ultimato de Chávez
04.07, 17h48
O presidente Lula comentou nesta quarta-feira o ultimato dado por Chávez ao Congresso brasileiro para aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul até setembro. "Para entrar tem de ter as regras. Para sair, não tem regra. Se não quiser ficar, não fica", disse o presidente, em viagem a Portugal.Depois Lula amenizou as declarações, dizendo que é "difícil" fazer política externa comentando declarações de terceiros. Ele ainda reafirmou que é amigo de Chávez. "Não faltarão momento nem oportunidade para uma boa prosa", disse.




RELATÓRIO DIZ QUE PRODUÇÃO DE BIOCOMBUSTÍVEIS PODE ENCARECER ALIMENTOS
A crescente demanda por biocombustíveis no mundo vem provocando mudanças nos mercados agrícolas mundiais e podem levar a aumentos de preços dos alimentos, segundo o relatório "Panorama Agrícola 2007-2016", elaborado pela OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) e pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação) e divulgado nesta quarta-feira. leiamais


PETROBRAS E PORTUGUESA GALP ASSINAM ACORDO PARA PRODUZIR BIODIESEL
A Petrobras e a empresa portuguesa Galp Energia assinaram nesta quarta-feira, em Lisboa, um acordo que irá resultar na produção de 600 mil toneladas por ano de óleos vegetais no Brasil e a comercialização e distribuição do biodiesel resultante no mercado português e europeu. Segundo comunicado da Petrobras, para a condução do projeto será criada uma sociedade com participação de 50% de cada uma das empresas. leiamais


Enquanto que os derrotistas de plantão choram a possibilidade de efetivação de uma nova matriz energética, o capital estatal se alia a outros grupos internacionais. Quem vai perdurar? Parece óbvio que a energia é um setor muito mais difícil de incrementar que o alimentício e se áreas serão perdidas para a produção de cana, isto criará uma demanda pela produção de alimentos em outras. Nenhum problema, na verdade, mas sim soluções.



INVASORES DAS OBRAS DE TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO SAEM DA ÁREA
Após uma semana de ocupação, invasores de diversos movimentos sociais começaram a deixar nesta quarta-feira o canteiro de obras da transposição das águas do rio São Francisco, no quilômetro 29 da BR-428, em Cabrobó (PE). A desocupação ocorre após o juiz Georgius Luis Argentini Principe Credidio, da 20 Vara Federal em Salgueiro (PE), determinar na sexta-passada a devolução da área ocupada à União.
leiamais



MATO GROSSO DESMONTA ESQUEMA DE FRAUDE DE MADEIREIRAS
A Polícia Civil de Mato Grosso cumpriu na terça-feira 32 mandados de prisão contra integrantes de uma quadrilha que explorava e vendia madeira ilegalmente no Estado. Ao menos 101 madeireiras foram fechadas na ação, batizada Operação Guilhotina. Ao todo, 75 mandados de prisão temporária foram expedidos. Três servidores da Secretaria Estadual de Meio Ambiente estão entre os suspeitos de envolvimento no esquema. leiamais


ATORES DA GLOBO ACUSADOS DE AGREDIR UMA GAROTA DE PROGRAMA
Rômulo Arantes Neto e Lui Mendes, atores da Rede Globo, são acusados de terem roubado e agredido uma prostituta. Eles podem ser indiciados ainda por exposição a perigo de vida, já que a moça contou que foi jogada do carro por Mendes. O caso ocorreu na madrugada desta quarta-feira, na zona sul do Rio de Janeiro. leiamais


Parece que o recente caso dos meliantes que agrediram uma empregada doméstica no Rio de Janeiro serviu de exemplo para alguém...



CPIs DO APAGÃO AÉREO SUGEREM ATÉ PRIVATIZAÇÃO DE AEROPORTOS
As duas CPIs do Apagão Aéreo, da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, apresentaram nesta quarta-feira sugestões para solucionar os atuais problemas enfrentados por passageiros nos aeroportos. O relatório do Senado Federal ainda defendeu a privatização dos 11 principais aeroportos do País leiamais


Mas, já não era sem tempo!


ALUNOS INVADEM CASA E INCENDEIAM CARRO0 DE DIRETORA
Dois alunos adolescentes da Escola Estadual Prefeito Quinzinho Camargo, em Piraju, cidade localiza a 330 quilômetros de São Paulo, invadiram a casa da diretora e atearam fogo em seu automóvel. As chamas destruíram o carro, um Logus, e queimaram as madeiras do telhado e da janela da residência. Os bombeiros impediram que o fogo se alastrasse por toda a casa. Os menores, de 15 e 16 anos, confessaram a ação leiamais

O que dirão os advogados do ECA?



PRODUÇÃO BRASILEIRA DE SOJA PODE SUPERAR A DOS ESTADOS UNIDOS
O Brasil tem condições para se tornar o maior produtor mundial de soja a partir de 2009, afirmou o diretor de Logística e Gestão Empresarial da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Sílvio Porto. Com a redução do plantio de soja nos Estados Unidos, o Brasil e a Argentina são os países com mais condições para alcançar a dianteira na produção da oleaginosa, explica Porto. leiamais


Isto sem o apoio da intelligentzia ambiental brasileira, claro!



AVIONETAS ROUBADAS NO BRASIL SÃO TROCADAS POR DROGA NA BOLÍVIA
Pequenos aviões roubados no Brasil são levados para a Bolívia para serem trocados por droga ou comprados a preços baixos, informou nesta quarta-feira o jornal "La Razón". Joadel Bravo, coordenador da promotoria antinarcótico de Santa Cruz, leste da Bolívia, revelou que vários aviões roubados no Brasil "são trazidos para a Bolívia para serem trocados por droga ou vendidos por US$ 10.000 ou US$ 15.000" leiamais

ENTRADA DE DÓLARES NO PAÍS SOMA US$ 42 BILHÕES E SUPERA 2006
O saldo da entrada de dólares no Brasil até o dia 15 de junho atingiu US$ 42,887 bilhões, contra US$ 26,376 bilhões nos seis primeiros meses de 2006. Além disso, o volume já supera todo o valor registrado ao longo do ano passado, quando o saldo do ingresso de dólares no País ficou positivo em US$ 37,27 bilhões. leiamais


1+1=...

Wednesday, June 27, 2007

British Petroleum vai construir fábrica de biocombustíveis


























Por Folha OnLine



...

Mercado de biodiesel ainda depende da adição de 2% ao diesel comum

Notas Quentes
Biodiesel: cadê a demanda?

Que o mercado de biodiesel é promissor, ninguém discute. Mas o fato é que o setor ainda está longe de atingir seu potencial. Prova disso é a Oleoplan SA – Óleos Vegetais Planalto. Neste ano, o grupo inaugurou uma usina de biodiesel em Veranópolis, no interior do Rio Grande do Sul. Até agora, porém, o empreendimento opera bem abaixo de sua capacidade. “Estamos funcionando em ritmo bastante lento porque não há demanda a não ser aquilo que vendemos para a Petrobras nos leilões da Agência Nacional do Petróleo”, reclama Irineu Boff, presidente do grupo Oleoplan. Até agora, a usina forneceu 10 milhões de litros de biodiesel à Petrobras – o que equivale a apenas 15% da produção prevista até o final deste ano. Por enquanto, a estatal é a única empresa disposta a comprar o biocombustível. Até porque, segundo Boff, o produto é cerca de 35% mais caro do que o diesel tradicional.


Ao investir no mercado de biodiesel, a Oleoplan mirou em três mercados: o obrigatório; o de empresas de transporte coletivo e de cargas; e o de exportação. Todos eles são problemáticos. O primeiro é um mercado que surgirá apenas em 2008, quando se tornará obrigatória a adição de 2% de biodiesel ao diesel comum. Os produtores querem que esse índice suba logo para 5% – o que, na agenda do governo, só aconteceria em 2013. “Para melhorar a situação ainda neste ano, reivindicamos que a Petrobras adquira maiores volumes”, informa o presidente da Oleoplan. Com relação às empresas de transporte, Boff acredita que elas só não utilizam o combustível por causa do preço. Quanto ao mercado externo, que hoje se concentra na União Européia, a exportação brasileira esbarra no protecionismo do bloco. “A União Européia está com o pensamento voltado para o fortalecimento das indústrias dos países membros, mas acredito que eles serão forçados a importar em meados do ano que vem”, antevê Boff, que acaba de voltar da conferência Clean Fuel Summit 2007, realizada em Barcelona. De acordo com o executivo, a meta é que os biocombustíveis representem 5,7% do total de combustíveis consumidos na UE até 2010. Atualmente, o índice é de apenas 1,4%.

(Luiza Piffero)


Links relacionados:

Oleoplan

Clean Fuel Summit 2007

http://amanha.terra.com.br/ - Newsletter diária n.º 983 - 26/06/2007