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O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

Tuesday, February 27, 2007

Brasil, país do passado

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Quando o alemão Stefan Zweig escreveu Brasil, país do futuro, ele não se cansava de elogiá-lo. Muitos dirão hoje que esse discurso ufanista já é batido demais e que, justamente, ele impediu que se criasse uma visão crítica acertada sobre nossos problemas no passado. Isto não deixa de ter certa razão. Certa... Não total. Pois, quando deixamos de fazer uma contabilidade dos fatos sociais e passamos a enfatizar apenas um de seus aspectos acabamos por não perceber onde o país acerta e para onde continuar rumando.

Esta análise pode ser transposta para o plano estadual. O Estado do Pará é um “Estado do passado”? Novas formas político-administrativas se imporão exigindo uma nova repartição do território, seus recursos etc.? Repartir algo que em si exige mudanças e adaptações institucionais irá resolver alguma coisa? Bem, como gaúcho que passou quase 1/3 de sua existência em São Paulo e, atualmente, reside em Florianópolis creio que tenho algumas observações pertinentes.

Saí do Rio Grande do Sul justo no momento em que mais se falava em separatismo e havia todo um revival da música gaudéria e suas tradições (em parte, forjadas artificialmente). Eu era o que se poderia chamar de uma “ovelha negra” entre meus amigos que defendiam e/ou simpatizavam com a causa separatista. Para mim, o espírito separatista era provinciano demais. Acaso o estado também não tinha seus bolsões de pobreza e carências específicas? Não só tinha como tem até hoje. Ora, se há regiões mais pobres no país, nada justifica que a situação como tal melhorará para todos, uma vez independentes. Pois, a estrutura que os mantêm pobres em seus estados perdurará se mudanças institucionais internas não forem feitas.

Também se alegava como razão dos separatistas, a transferência de renda entre estados via orçamento da União. Mas, isto é outro problema. A separação em si não é o caminho adequado para resolver isto e sim, a discussão sobre o pacto federativo. Estas são a meu ver as verdadeiras questões: a necessidade de uma reengenharia interna aos estados que avalie, entre outros quesitos, o grau de produtividade de suas burocracias; a funcionalidade e eficácia do pacto federativo e de agências de desenvolvimento regionais.

Apesar de não ser natural do Estado do Pará, como brasileiro devo questionar se a simples separação sequer tangencia os reais problemas que alego. Separar mantendo os mesmo vícios como um ICMS que tolhe atividades produtivas reduzindo a oferta de empregos não me parece solução alguma. Assim como esta, se o objetivo é a melhoria da qualidade de vida da população, outra questão que urge discutir é a mudança de leis trabalhistas que engessam o emprego e, estas não se resolvem sem uma discussão em nível federal. São inúmeras as questões práticas e realmente pertinentes à população, muito superiores em necessidade aos projetos que levariam, em primeiro lugar, a criação de mais e mais cargos públicos bem como a paquidérmica criação de mais sinecuras estaduais para novos políticos e seus apaniguados. Ou pensamos em mudar algo de verdade, vislumbrando o futuro ou mantemos os mesmos vícios do passado ao acreditar que mudanças de limites políticos, por si só, farão alguma diferença.

Em tempo, Zweig e sua esposa decidiram se recolher em Petrópolis/RJ esperando pelo fim da guerra, uma vez que odiavam o racismo e totalitarismo dos nazistas. Impacientes e desesperados se suicidaram em 1942. Só espero que a impaciência em analisar e solucionar problemas econômicos e financeiros em um Estado tão rico como o Pará, não leve seu povo a abortar verdadeiras soluções que sequer estão em fase embrionária.

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2 comments:

Thiago said...

Sou totalmente a favor da separação do sul. Não é só questão de dinheiro e recursos federais(que você sabe que recebemos menos) mas é de cultura. Me sinto mais sulista que brasileiro. Me sinto mais fiel e orgulho e próximo aos meus colegas sulistas do que do Brasil.

Sou de Santa Catarina para constar.

Aliás interessante seu blog, apesar de sua cruzada anti-conservadora

a.h said...

Não vou questionar teu desejo, ele é subjetivo e como tal merece respeito. Embora eu discorde.

Mas, aos fatos. O Sul empata. Não envia mais do que recebe, na média. Quem mais perde, política e economicamente - devido ao número de representantes federais e pela transferência de renda para outros estados, respectivamente -, é São Paulo, a locomotiva do Brasil.

Minha posição não tem nada a ver com minha naturalidade. Sou gaúcho e resido em Florianópolis.

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