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O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

Thursday, March 29, 2007

PROPRIEDADE

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O mundo atual não cessa de nos surpreender. E não se trata apenas do mundo lulista, em que os antigos partidários e ministros do ex-presidente Fernando Henrique se tornaram fervorosos defensores do governo petista. Os fernandistas se tornaram lulistas de carteirinha. Refiro-me, na verdade, a outro tipo de metamorfose, particularmente intrigante, pois produz uma reviravolta no imaginário político que guiara, durante décadas, um certo tipo de mentalidade. Os herdeiros do maoísmo, na China comunista, se tornaram francos adeptos da economia de mercado, inscrevendo na Constituição a defesa da propriedade privada. Enquanto isto, na Venezuela, na contramão da história, a propriedade privada começa a ser destruída em nome de uma suposta “propriedade social” administrada pelo Estado. No universo petista mais radical, junto com os seus adeptos do MST e organizações similares, a China estaria traindo a “causa”, enquanto a Venezuela estaria no “bom” caminho.
A China deve ser compreendida desde uma perspectiva história. De um Estado totalitário, liderado por Mao, ela está abrindo o caminho para uma economia de mercado, estando atualmente no estágio de liberalização econômica conduzida por um governo autoritário. A etapa atual é a do autoritarismo, herdeiro de uma transição do totalitarismo para uma nova forma de organização sócio-econômica. Em sua estrutura totalitária anterior, os maoístas, que chegaram a ser incensados por Sartre, que distribuía nas ruas de Paris o jornal maoísta/totalitário “La cause du Peuple”, dizimaram 60 milhões de pessoas, em campos ditos eufemisticamente “Campos de reeducação”. Reeducar o cidadão, formar o novo homem, significava, na verdade, eliminar todo aquele que se opunha ao regime, ou melhor, aquele que era considerado enquanto tal pelos detentores do poder.
No entanto, no lado de cá do planeta, na América Latina, observamos um processo que percorre o sentido contrário. Na Venezuela, sob o comando do ditador-presidente Hugo Chávez, a propriedade privada está sendo questionada, e fortemente. Sob o signo de uma suposta desapropriação de terras improdutivas, o tão propalado latifúndio, foi promulgada uma nova lei, relativa à “propriedade social”. Embora o palavreado seja pomposo, como se se estivesse reparando uma injustiça histórica, como se o social fosse enfim prioritário, o governo está estatizando a propriedade. Em vez da propriedade privada, surge uma forma de propriedade estatal, que se apresenta sob a bandeira do coletivo. O alvo mais imediato, evidentemente, é a propriedade privada, associada ao lucro, à ambição e à ganância. Na verdade, o objetivo perseguido consiste em fazer voltar a roda da história, rumo ao socialismo que caracterizou o século XX, batizado, agora, de socialismo do século XXI. O seu corolário já se faz sentir no sufocamento das liberdades individuais, manifesto, por exemplo, na lei que coíbe a livre expressão e a liberdade de imprensa. Na esteira da estatização que se faz igualmente presente nos setores das telecomunicações e do petróleo, a independência dos Poderes é abolida, com a sua subordinação ao Poder Executivo e, mais especificamente, a um ditador-presidente que legisla por decretos.
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1 comment:

Ernesto Ribeiro said...

Foi o que eu notei na comparação: a China como o pior país do mundo em todos os tempos, saindo do inferno máximo do comunismo maoísta para o inferno mínimo do escravismo travestido de capitalismo. O Brasil faz o movimento contrário.

Como sempre, o velho esgoto do mundo há 500 anos macaqueando o que de pior se produziu lá fora, consumindo a bosta que a escória da Humanidade cagou há décadas. Consumindo os dejetos ideológico que já fedem demais para os comunas estrangeiros suportarem.

Nosso futuro é o passado que os outros povos rejeitaram unaninemente.

O destino do país-caranguejo é só se arrastar para trás.

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