interceptor

Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

Sunday, June 20, 2010

O desencanto esquerdista


Nos anos 70 e 80 cansei de ouvir que "a direita é vitoriosa porque lê a esquerda", enquanto que o contrário não ocorre. Bem, acho que estamos numa situação distinta, mas não oposta: na verdade, ninguém está lendo o rival como devia. Esta entrevista que me dei ao trabalho de ler e pontuar é esclarecedora de como o modelo político da esquerda está distante para os próprios parâmetros desta. O que não quer dizer, bem entendido, que estejamos em uma posição confortável... Não, longe disto! Mas, sim que o que ocorre é algo distinto dos tipos-ideais de direita e esquerda. Então, nossos marcos teóricos têm que ser revistos para que possamos entender o que se passa.

Minhas notas seguem abaixo.

a.h
...
 
Vitória da direita no Chile, crescimento conservador na Argentina, fortalecimento da oposição e crise do chavismo na Venezuela. A isso, soma-se o aumento da intervenção dos Estados Unidos na América Latina. Esse é o cenário complicado que o venezuelano Edgardo Lander, professor de Ciências Políticas da Universidade Central da Venezuela (UCV) e membro do Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais (Clacso) enxerga para o futuro do continente: "Não há uma situação de otimismo para os próximos anos na América Latina", explica. "As promessas do que foi o momento de deslocamento progressista rumo à esquerda, e o que se supunha que, como conseqüência disso, ia acontecer no continente, numa importante medida, saíram frustrados".
Apesar das enormes conquistas sociais e democráticas dos mais de dez anos de chavismo, o sociólogo também vê, na Venezuela, centralismo de poder e poucas definições do modelo socialista proposto pelo governo de Hugo Chávez. "Vem se reiterando que o modelo socialista venezuelano não é um modelo de estatização total da economia, e por isso há um setor privado que seguirá funcionando. Mas não houve uma definição sobre o que consiste o setor privado. Então, em conseqüência, há uma permanente indefinição a respeito de até onde vai esse processo", comenta[A1] .
Caros Amigos- Como o senhor vê o atual momento político da América Latina?
Edgardo Lander- Muito complicado. As promessas do que foi o momento de deslocamento progressista rumo à esquerda, e o que se supunha que, como conseqüência disso, ia acontecer no continente, numa importante medida, saíram frustrados. Há uma recuperação significativa da direita, uma direita muito agressiva, um tipo de liberalismo conservador muito duro, em diferentes terrenos. Provavelmente vamos olhar com nostalgia a ausência de George Bush porque ele tinha duas virtudes: uma é que era tão absolutamente grotesco, que unificava todo mundo contra ele. A outra é que estava demasiadamente ocupado fazendo guerras pelo mundo para se ocupar da América Latina. O governo Obama já deu demonstrações de que não será assim. O que representa Honduras, as bases militares na Colômbia, as frotas, Haiti.. Há uma intervenção. Em relação à América Latina, nesse pouco tempo, o governo Obama tem sido muito mais negativo do que os 10 anos de governo Bush. Não creio que deve-se desperdiçar demasiadas lágrimas com o governo de la consertacion no Chile, mas de qualquer maneira é a vitória final de Pinochet. O que ele se propôs, como projeto político, a transformação da sociedade chilena, a transformação cultural profunda da sociedade e chegou a tal nível que conseguiu que 20 anos depois as pessoas votassem por um projeto que representa, em boa medida, a continuidade de muita gente dura de Pinochet... É uma coisa bastante forte, com impacto na América Latina. As perspectivas eleitorais na Argentina não são nada boas. Talvez, não haja na América Latina uma direita hoje tão direitosa e facistóide como na Argentina, onde se questiona todos os temas culturais, dos direitos sexuais reprodutivos, o aborto, o papel da Igreja, o questionamento das políticas sociais, toda a política de redistribuição. A direita ganhou as eleições na cidade de Buenos Aires e não há segurança de que um projeto medianamente progressista, pelo menos social democrata tenha continuidade. Na América Latina, o ciclo em direção à esquerda pode estar chegando a seu fim[A2] .
E Brasil e Venezuela?
Os resultados eleitorais do Chile nos demonstram que é possível haver um presidente em exercício com 80% de popularidade e seu partido perder as eleições. Isso poderia acontecer no Brasil. As pesquisas continuam indicando uma extraordinária popularidade de Lula, mas não há garantia que haverá continuidade do governo do PT no Brasil. E isso obviamente tem conseqüências geopolíticas importantes para o resto da América Latina, porque se a direita ganha no Brasil, a situação na Venezuela, Equador e Bolívia se coloca em extremo perigo. Não há uma situação de otimismo para os próximos anos na América Latina[A3] .
Quais são as perspectivas para as eleições na Venezuela neste ano?
As eleições parlamentares na Venezuela são em setembro deste ano. São eleições que se dão em uma conjuntura muito pouco favorável para o governo porque esse ano será muito difícil economicamente. Por vários motivos, mas fundamentalmente porque, como conseqüência da desvalorização do bolívar, haverá um impacto inflacionário importante. A inflação na Venezuela não foi controlada. Temos a inflação mais alta da América Latina, no ano passado foi de 25%, e a desvalorização seguramente vai significar um impacto inflacionário, o qual obviamente tem impactos sobre a capacidade de consumo da população. E isso tem custo político para o governo como para todas as partes. A isso se agrega o fato de que há uma severa crise de eletricidade que, em termos imediatos, explica-se pela seca. 70% do consumo elétrico na Venezuela é gerado por hidroeletricidade. E houve uma severa seca como conseqüência do Niño e as represas estão em um nível alarmante e vão a reduzir o volume de geração de eletricidade para não consumir toda a água que é retida. Isso deu força à oposição venezuelana, que acusa o governo de ser o responsável de não ter feito a manutenção de quadros, não ter feito investimentos em energias geotérmicas, em plantas de geração de eletricidade de outro tipo... E por outra parte, há os problemas não resolvidos, sendo o principal deles a insegurança. Na Venezuela, a insegurança é um problema sério em termos estatísticos e de percepção social de insegurança, que são problemas relacionados, mas diferentes. A taxa de homicídios no país aumentou durante esses anos de forma significativa e a percepção e paranóia em torno da insegurança ocupa um lugar muito importante no cenário do país. E esse é um problema que o governo também não teve capacidade de resolver. Estamos numa conjuntura particularmente complicada para o governo. Se o governo perder as eleições, na assembléia nacional isso seria realmente catastrófico. Isso significa um parlamento que passaria a estar em mãos da oposição[A4] .
Qual a sua avaliação das recentes medidas econômicas de Chávez?
A medida econômica mais importante até agora, neste ano, foi a desvalorização. Como conseqüência de ser um país petroleiro, a Venezuela tem tido, historicamente, uma moeda supervalorizada, porque tem como conseqüência um mercado grande para sua principal produção que é o petróleo, e preços que historicamente tendem a crescer. Desde a década de 30 do século passado temos uma moeda sobrevalorizada, e isso gera conseqüências. É muito mais barato comprar coisas no exterior que no país. E é muito difícil exportar, porque o custo de produção internos são, dado a paridade da moeda, muito altos em relação aos preços internacionais. Isso faz com que o país seja altamente dependente de seu único setor efetivamente competitivo que é o petróleo. Houve uma deterioração continuada da capacidade de produção interna. A Venezuela, que foi um país agrícola até a segunda ou terceira década do século passado, passou a ser um país totalmente dependente da importação de alimentos. Hoje, segue importando 70% dos alimentos que consome. Essa paridade da moeda era absolutamente insustentável. Então uma desvalorização era necessária há bastante tempo[A5] . O problema é se a desvalorização está ou não acompanhada de outras políticas que façam com que a desvalorização não se converta simplesmente um mecanismo acelerador de inflação.
As medidas que foram e estão sendo tomadas não mudam a situação da economia interna?
Até agora não. E não está anunciado. Está anunciado um fundo para financiar a produção interna, mas eu pessoalmente acho que há um desequilíbrio entre o impacto dessa medida, que é muito forte, e a relativa debilidade das políticas de impulso da produção. Por outro lado, no modelo de socialismo que se constrói na Venezuela, desde uma proposta social democrata avançada do começo do governo Chávez, a agora, quando ele acaba de se declarar marxista, há uma transição política e ideológica importante, na medida em que o modelo de sociedade e o modelo de socialismo tem sido uma coisa que vem mudando com o tempo[A6] .
O que muda na economia da Venezuela sob o modelo do socialismo do século 21, nos marcos da chamada revolução bolivariana?
A constituição do ano de 99, que é a constituição vigente, não define a sociedade venezuelana como socialista e sim como capitalista social democrata, de Estado de Bem Estar. Dá um peso importante ao Estado, que garante os direitos básicos e gratuidade da educação e da saúde. O Estado é o dono das empresas básicas, é o Estado regulador etc. Mas, além do Estado, define áreas econômicas do setor privado, que fundamentalmente engloba o setor de produção de insumos, de serviços, da economia social, de cooperativas. Sobre a base desse desenho constitucional, vem se modificando o discurso na medida em que se assinala que o modelo é socialista, que é outra coisa diferente. Esse modelo socialista tem obviamente poucas definições. E se vem reiterando que não é um modelo de estatização total da economia, e por isso há um setor privado que seguirá funcionando. Mas não houve uma definição sobre o que consiste o setor privado, quais áreas da economia ficam em mãos do setor privado, quais as relações entre setor publico e privado... Então, em conseqüência, há uma permanente indefinição a respeito de até onde vai esse processo. Quando se propõe um modelo de sociedade sem o setor privado na produção, isso significa um tipo de sociedade. Se, pelo contrário, se propõe que haja um modelo de sociedade mista, isso significa que esse mercado e essas propriedades tem que ter algumas regras do jogo. O que temos nesse momento é que parece que nem está proposto a estatização de tudo nem há um reconhecimento de qual é o papel do setor privado. Então, não há nem uma coisa nem outra. Temos um setor privado que tenta fazer maior negócio possível a curto prazo porque não sabe o que vai acontecer. Especula, especula, tira o maior lucro possível, mas não o investe. Então é uma situação ou de especulação, ou de escassez, não geração de novos empregos. E o setor privado tem sido isso durante esses anos. Diante das medidas de desvalorização e as tentativas de especulação por parte do setores importadores e comerciantes, o governo respondeu dizendo que os negócios que especulem serão expropriados. Então, se aprova uma nova lei que faz isso possível. Uma nova lei que não passa por procedimentos judiciais, nem por procedimentos de uma primeira sanção, segunda sanção, que passa diretamente no momento que o Executivo decida que um negócio está especulando pode proceder diretamente com a expropriação. Baseados nessa lei, expropriaram uma importante cadeia de supermercados, cadeia Exito, de capital colombiano francês. E isso se supõe que é uma espécie de efeito demonstrador: "já sabem o que vai lhes acontecer se não tiverem cuidado e se tentam especular". É um terreno de indefinições. Obviamente todo processo de mudanças tem indefinições, isso é inevitável. Mas se a expectativa é que exista um setor privado produtivo que gere emprego, o Estado tem que dar alguns sinais de que isso existirá. Se o setor privado interpreta que o Estado a qualquer momento vai mudar as regras do jogo, vai expropriar, ele não vai ter uma visão a médio prazo, e muito menos a longo prazo[A7] .
Caros Amigos - O que é o socialismo do século 21 e quais são as diferenças do socialismo do século 20?
Eu não posso ter senão uma perspectiva muito crítica. Se alguém olha para o que foi a experiência do socialismo do século 20, fundamentalmente pensa na experiência soviética e eu creio que pode-se identificar duas áreas principais de fracasso retumbante. O fracasso prático, ou seja, não conseguiram uma sociedade mais democrática, mas sim, uma menos democrática. O fato de que a democracia liberal seja uma democracia manejada por dinheiro não faz com que sua eliminação em si mesma seja mais democrática. E a experiência soviética obviamente terminou em uma experiência não só não democrática, mas de caráter autoritário. Mas, por outro lado, desde o ponto de vista dos desafios que hoje confrontamos como a crise do modelo civilizatório, os limites do planeta, as mudanças climáticas, ou seja, o desafio de construção de um outro padrão civilizatório, é obvio que o socialismo do século 20 não foi a busca de um padrão civilizatório diferente, mas sim a reprodução de um padrão produtivista. Achavam que a União Soviética chegaria ao comunismo no momento em que ultrapassasse os Estados Unidos nos milhões de toneladas de aço e de cimento que produzia. Para mim, as duas perguntas que devem ser feitas a um modelo que se propõe como alternativo ao socialismo do século 20, que se reclama como socialismo do século 21, que supõe-se que quer ser diferente do século 20, são: onde está a democracia e onde estão as transformações civilizatórias[A8] .
Sem isso, não creio que seja possível construir uma alternativa pós capitalista melhor, não sei se socialista ou não. Na Venezuela, lamentavelmente, ocorreu uma brecha geracional muito importante entre a época em que a esquerda viveu a crise do socialismo e o colapso da União Soviética e o questionamento da experiência socialista; e a chegada de Chávez. Ocorreu um vazio histórico, o debate da esquerda desapareceu praticamente e agora chegamos a uma nova situação onde se tenta construir o socialismo do século 21 sem memória, sem história, sem voltar a refletir criticamente sobre o que aconteceu antes e porque passou. E, em consequência, tende a repetir os mesmos erros de estatismo e centralização de poder.
Caros Amigos - E passada mais de uma década de governo Chávez, quais são os principais avanços do seu governo?
O mais importante, sem dúvida, é uma transformação da cultura política, a auto estima, a dignidade popular do povo venezuelano. Isso é uma coisa extraordinariamente importante, e isso aconteceu como consequência de políticas públicas, de promoção de mobilização, de políticas educativas, de saúde, de água, de incentivo de participação popular, e isso é o mais importante. Ocorreu uma melhora nos níveis de vida, de alimentação e saúde do setor popular. Hoje, a Venezuela é o país menos desigual da América Latina, segundo a Cepal. E isso não é pouca coisa. Hoje, o Estado venezuelano recuperou o controle fundamental sobre as reservas petroleiras que estavam em processo de entrega massiva ao capital internacional. Um informe do escritório geológico dos EUA afirma que a Venezuela tem as reservas petroleiras maiores do mundo que chegam ao dobro da Arábia Saudita. Isso é obviamente uma das razões pelas quais há uma agressividade tão grande contra o governo Chávez a nível internacional e por parte das políticas dos Estados Unidos. Então essa área de políticas diretas em relação aos setores populares, o que foram as missões em termos de políticas de alfabetização massiva. O impacto sobre a América Latina, nos processos de Equador e Bolívia, dificilmente poderia ocorrer sem a experiência anterior de Chávez e o apoio político e experiência da reforma constitucional. Isso é algo que faz parte da herança da América Latina hoje. Eu diria que por aí aponta o fundamental.
Os processos de politização ampla dos setores populares. Antes, o tema principal de conversa em qualquer transporte popular ou de classe média era a novela brasileira, e hoje é a política. No entanto, há muitas ameaças de precariedade, de centralismo de poder, de caudilhismo. O fato de que há uma contradição entre as dinâmicas democratizadoras de base e o processo de tomadas de decisões acima. Se as pessoas estão organizadas democraticamente e falam de democracia, ligam a televisão e veem que o presidente diz "está decidido", então, elas pensam "o que nós estávamos discutindo aqui, para que servia? Se na hora da verdade quem decide é outra pessoa e nos inteiramos pela televisão? ". Essa tensão atravessa a sociedade venezuelana hoje. É uma contradição que não está resolvida[A9] .
Caros Amigos - Quais são os principais desafios da chamada revolução bolivariana?
Em primeiro lugar, a democratização. Se não houver processos de institucionalização do processo. Se não há processos nos quais existam dinâmicas coletivas de tomada de decisão que permitam o debate, a confrontação, debates públicos... Chávez declarou que exige lealdade total, porque ele não é um homem, é um povo. Vamos pensar o que significa isso. Quem não está de acordo com Chávez, não está de acordo com o povo. Está negada, de antemão, toda a possibilidade de desacordo, de discussão, de debate, porque ele representa o povo, unitariamente, a totalidade. Então, os problemas de produção, de confrontação com as ameaças imperiais, a subversão da oposição, essas coisas estão aí, e o problema é se há capacidade de responder democraticamente, aprofundando a democracia ou se, pelo contrário, a lógica da ameaça leva a responder com o encerramento do processo de tomada de decisões, que creio que é o pior que pode se acontecer, porque isso mata o processo internamente. Por isso eu acho que a ameaça maior é interna, é do chavismo e não da oposição. Há ameaça da oposição, há ameaça dos Estados Unidos, há a base militar na Colômbia, tudo isso é certo. Mas a principal ameaça é o desgaste do processo como consequência das pessoas irem perdendo a confiança democrática[A10] .
Tatiana Merlino é jornalista
Edgardo Lander: "O ciclo em direção à esquerda pode estar chegando a seu fim"
 
Fonte: Caros Amigos

 [A1]Isto é interessante: enquanto que a direita vê um ininterrupto avanço da esquerda no continente americano, em especial nos países andinos, o que a própria esquerda aqui nota é uma indefinição deste processo de acordo com seus parâmetros utópicos.
 [A2]Quando um analista chega a dizer que alguém como Pinochet ou simplesmente alguém, um indivíduo ocasionou uma “transformação cultural profunda” se percebe o peso do mito nas falsas consciências. Ninguém tem tamanho poder, o que há de fato é um processo de racionalização econômica (que é resultante da ação de vários indivíduos e não apenas um ou um grupo) em torno de um núcleo de propostas pragmáticas.
 [A3]Eh eh, os bonecos estão apavorados. Realmente, eu não tenho esta certeza que acomete muitos direitistas de que as eleições presidenciais no Brasil já estão definidas com Dilma. Um fator de “irracionalidade política” ainda pode sobrevir com a antipatia que causa a candidata em muitos eleitores. Deixando claro que o que eu entendo por ‘racionalidade’ significa a perpetuação do atual assistencialismo brasileiro que eu, pessoalmente, desaprovo. Logo, ‘racional’ para mim não significa o melhor.
 [A4]Muitos liberais e conservadores deveriam ler isto. Mas, como “não perdem tempo lendo o inimigo” ficam criando bonecos de palha que dão uma dimensão errada de seus rivais, como se a esquerda não estivesse degringolando por sua congênita incompetência. E para quem acha que a esquerda se utiliza das mudanças climáticas para disseminar o alarmismo poderia aproveitar para ver como, no caso, o El Niño não foi nada proveitoso para Hugo Chávez... Mas, como um amigo já me alertou, não devo ser muito otimista, pois caudilhos como Chávez costumam se perpetuar no poder às expensas da situação econômica desfavorável. Bem... Basta vermos o que é Cuba...
 [A5]Esta medida permite um aumento das exportações, mas o consumo interno é prejudicado. Ingenuamente, o entrevistado crê que isto baste para se desenvolver uma produção autóctone dos bens importados, como se fosse possível uma substituição de importações de alimentos competitiva, barata sem que se invista numa economia de escala do setor que é, tradicionalmente, feita pelo setor privado.
 [A6]Se confunde muito marxismo com leninismo. Se Chávez fosse o primeiro se empenharia em desenvolver o capitalismo para depois alçar uma revolução. Como ele se aproveita das chamadas “vantagens do atraso” está mais para o segundo caso.
 [A7]Acho que este foi o parágrafo mais inteligente do professor: se o estado venezuelano é social-democrata, as regras devem ser claras para o setor privado investir se sentindo seguro; se for socialista, estatal mesmo, não deve deixar espaço para o capital privado (sob constante ameaça) como o faz.
 [A8]Estão definitivamente fora do marco socialista, mas dizer isto a socialistas é difícil, então o melhor é deixá-los que descubram através de seus fracassos mesmo.
 [A9]E que, acredito, levará a sua derrocada. É uma questão de gerações, quando as próximas não cairão no engodo das antigas. O hiato entre o desenvolvimento de vários países contra o estado fossilizado venezuelano só aumentará e trará problemas aos países fronteiriços.
 [A10]“Perdendo a confiança democrática” ou melhor, criando a necessidade de democracia, coisa que inexiste na Venezuela de hoje se tomarmos por princípio a existência do dissenso.

Desespero



O Irã está desesperado. Alto funcionário de Teerã advertiu que o país não tolerará a inspeção a suas embarcações em mar aberto, sob pretexto de implementar a última rodada de sanções impostas pelo CSNU. Contra-medidas iranianas seriam adotadas no Estreito de Ormuz, segundo declaração de Kazem Jalali, ca Comissão de Segurança Nacional.

Não será a primeira vez que uma reação dessas provocará uma outra dos EUA, que não permitirá a interferência no fluxo livre de petróleo do Golfo.

A situação agora, com apoio de Rússia e China é bastante diferente de quando os EUA estavam relativamente sós quanto às sanções ao Irã. E nesta última rodada, as frentes externa e interna iranianas estão divididas podendo levar o país a capitulação.

Embora o Irã possa pressionar regionalmente (Iraque, Líbano, Afeganistão), as disputas internas no país apontam para um enfraquecimento de Ahmadinejad que deve dar o próximo passo.


Dispatch: Expanding Reach of Mexico's Drug Cartels | STRATFOR




Dispatch: Expanding Reach of Mexico's Drug Cartels | STRATFOR

O Emirado do Cáucaso

The Caucasus Emirate


Dirty Bombs Revisited: Combating the Hype

By Scott Stewart and Ben West
On April 9, a woman armed with a pistol and with explosives strapped to her body approached a group of police officers in the northern Caucasus village of Ekazhevo, in the southern Russian republic of Ingushetia. The police officers were preparing to launch an operation to kill or capture militants in the area. The woman shot and wounded one of the officers, at which point other officers drew their weapons and shot the woman. As she fell to the ground, the suicide vest she was wearing detonated. The woman was killed and the man she wounded, the head of the of the Russian Interior Ministry’s local office, was rushed to the hospital where he died from his wounds.
Such incidents are regular occurrences in Russia’s southernmost republics of Chechnya, Ingushetia, Dagestan, Kabardino-Balkaria and North Ossetia. These five republics are home to fundamentalist separatist insurgencies that carry out regular attacks against security forces and government officials through the use of suicide bombers, vehicle-borne improvised explosive devices (VBIEDs), armed assaults and targeted assassinations. However, we have noted a change in the operational tempo of militants in the region. So far in 2010, militants have carried out 23 attacks in the Caucasus, killing at least 34 people — a notable increase over the eight attacks that killed 17 people in the region during the same period last year. These militants have also returned to attacking the far enemy in Moscow and not just the near enemy in the Caucasus.

History of Activity

Over the past year, in addition to the weekly attacks we expect to see in the region (such as the one described above), a group calling itself the Caucasus Emirate has claimed five significant attacks against larger targets and, notably, ventured outside of the northern Caucasus region. The first of these attacks was a suicide VBIED bombing that seriously wounded Ingushetia’s president, Yunus-bek Yevkurov, and killed several members of his protective detail in June 2009 as Yekurov was traveling along a predictable route in a motorcade from his residence to his office. Then in August of that year, CE militants claimed responsibility for an explosion at the SiberianSayano-Shushenskaya hydroelectric dam that flooded the engine room, disabled turbines, wrecked equipment and killed 74 people (the structure of the dam was not affected). In November 2009, the group claimed responsibility for assassinating an Orthodox priest in Moscow and for detonating a bomb that targeted a high-speed train called the Nevsky Express that runs between Moscow and St. Petersburg and killing 30 people. Its most recent attack outside of the Caucasus occurred on March 29, 2010, when two female suicide bombers detonated IEDs in Moscow’s underground rail system during morning rush hour, killing 40 people.
The group’s claim of responsibility for the hydroelectric dam was, by all accounts, a phony one. At the time, STRATFOR was not convinced at all that the high level of damage we saw in images of the site could be brought about by a very large IED, much less a single anti-tank mine, which is what the Caucasus Emirate claimed it used in the attack. STRATFOR sources in Russia later confirmed that the explosion was caused by age, neglect and failing systems and not a militant attack, confirming our original assessment. While the Caucasus Emirate had emerged on our radar as early as summer 2009, we were dubious of its capabilities given this apparent false claim. However, while the claim of responsibility for the dam attack was bogus, STRATFOR sources in Russia tell us that the group was indeed responsible for the other attacks described above.
So, although we were initially skeptical about the Caucasus Emirate, the fact that the group has claimed several attacks that our Russian sources tell us it indeed carried out indicates that it is time to seriously examine the group and its leadership.
Russian security forces, with the assistance of pro-Moscow regional leaders such as Chechen President Ramzan Kadyrov and Ingush President Yunus-bek Yevkurov, are constantly putting pressure on militant networks in the region. Raids on militant hideouts occur weekly, and after major attacks (such as the assassination attempt against Yevkurov or the Moscow metro bombings), security forces typically respond with fierce raids on militant positions that result in the arrests or deaths of militant leaders, among others. Chechen militant leaders such as Shamil Basayev (who claimed responsibility for the attack that killed pro-Russian Chechen PresidentAkhmad Kadyrov and the Beslan school siege, both in 2004) was killed by Russian forces in 2006. Before Basayev, Ibn Al-Khattab (who was widely suspected of being responsible for the 1999 apartment bombings in Russia) was killed by the Russian Federal Security Service in a 2002. The deaths of Basayev, Khattab and many others like them have fractured the militant movement in the Caucasus, but may also have prompted its remnants to join up under the Caucasus Emirate umbrella.
It is impressive that in the face of heavy Russian pressure, the Caucasus Emirate not only has continued operations but also has increased its operational tempo, all the while capitalizing on the attacks with public announcements claiming responsibility and criticizing the Russian counterterrorism response. Between March 29 and April 9, the group coordinated three different attacks involving five suicide operatives (three of which were female) in Moscow, Dagestan and Ingushetia. This is a substantial feat indicating that the Caucasus Emirate can manage several different teams of attackers and influence when they strike their targets.

Doku Umarov: A Charismatic (and Resilient) Leader

The Caucasus Emirate was created and is led by Doku Umarov, a seasoned veteran of both thefirst and second Chechen wars in which he was in charge of his own battalion. By 2006, Umarov had become the self-proclaimed president of the Chechen Republic of Ichkeria, an unrecognized secessionist government of Chechnya. He has been declared dead at least six times by fellow militants as well as Chechen and Russian authorities, most recently in June 2009. Yet he continues to appear in videos claiming attacks against Russian targets, including a video dated March 29, 2010, in which he claimed responsibility for the Moscow metro attacks.
In October 2007, Umarov expanded his following by declaring the formation of the Caucasus Emirate as the successor to the Chechen Republic of Ichkeria and appointing himself emir, or leader. In his statement marking the formation of the Caucasus Emirate, Umarov rejected the laws and borders of the Russian state and called for the Caucasus region to recognize the new emirate as the rightful power and adopt Shariah. The new emirate expanded far beyond his original mandate of Chechnya into Dagestan, Ingushetia, North Ossetia and other predominantly Muslim areas farther to the north. He called for the creation of an Islamic power that would not acknowledge the current boundaries of nation-states. Umarov also clearly indicated that the formation of this emirate could not be done peacefully. He called for the “Islamic” entity to be created by forcefully driving out Russian troops. The policy of physically removing one political entity in order to establish an Islamic emirate makes the Caucasus Emirate a jihadist group.
Later, in April 2009, Umarov released another statement in which he justified attacks against Russian civilians (civilians in the Caucasus were largely deemed off-limits by virtually all organized militant groups) and called for more attacks in Russian territory outside of the Caucasus. We saw this policy start to take shape with the November 2009 assassination of Daniil Sysoev, the Orthodox priest murdered at his home in Moscow for allegedly “defaming Islam,” and continue with the train bombing later that month and the Moscow metro bombing in March 2010.
Umarov has made it clear that he is the leader of the Caucasus Emirate and, given the effectiveness of its attacks on Russian soil outside of the Caucasus, Russian authorities are rightfully concerned about the group. Clearly, however, there is more there than just Umarov.

A Confederacy of Militant Groups

The Caucasus Emirate appears to be an umbrella group for many regional militant groups spawned during the second Chechen war (1999-2009). Myriad groups formed under militant commanders, waged attacks (sometimes coordinated with others, sometimes not) against Russian troops and saw their leaders die and get replaced time and again. Some groups disappeared altogether, some opted for political reconciliation and gave up their militant tactics and some produced leaders like the Kadyrovs who formed the current Chechen government. All in all, the larger and more organized Islamist groups seen in the first and second Chechen wars are now broken and weak, their remnants possibly consolidated within Umarov’s Caucasus Emirate.
For example, the militant group Riyadus Salihin, founded by Basayev, seems to have been folded into the Caucasus Emirate. Umarov himself issued a statement confirming the union in April 2009. When Basayev was killed in 2006, he was serving as vice president of the Chechen Republic of Ichkeria under Umarov. Significantly, Riyadus Salihin brought Basayev together with Pavel Kosolapov, an ethnic Russian soldier who switched sides during the second Chechen war and converted to Islam. Kosolapov is suspected of being an expert bombmaker and is thought to have made the explosive device used in the November 2009 Moscow-St. Petersburg train attack (which was similar to an August 2007 attack in the same location that used the same amount and type of explosive material) as well as devices employed in the March 2010 Moscow metro attack.
The advantage of having an operative such as Kosolapov working for the Caucasus Emirate cannot be understated. Not only does he apparently have excellent bombmaking tradecraft, but he also served in the Russian military, which means he has deep insight into how the forces working against the Caucasus Emirate operate. The fact that Kosolapov is an ethnic Russian also means that the Caucasus Emirate has an operator who is able to more aptly navigate centers such as Moscow or St. Petersburg, unlike some of his Caucasian colleagues. While Kosolapov is being sought by virtually every law enforcement agency in Russia, altering his appearance may help him evade the dragnet.
In addition to inheriting Kosolapov and Riyadus Salihin, the Caucasus Emirate also appears to have acquired the Dagestani militant group, Shariat Jamaat, one of the oldest Islamist militant groups fighting in Dagestan. In 2007, a spokesman for the group told a Radio Free Europe interviewer that its fighters had pledged allegiance to Doku Umarov and the Caucasus Emirate. Violent attacks have continued apace, with the last attack in Dagestan conducted as recently as March 31, a complex operation that used a follow-on suicide attacker to ensure the death of authorities responding to an initial blast. In all, nine police officers were killed in the attack, including a senior police commander, which occurred just two days after the Moscow metro attacks. The March 31 attack was only the second instance of a suicide VBIED being used in Dagestan, the first occurring in January 2010. This tactic of using a secondary IED to attack first responders is fairly common in many parts of the world, but it is not normally seen in Dagestan. The timing of the attack so close to the Moscow metro bombing and the emergence of VBIEDs in Dagestan opens the possibility that the proliferation of this tactic may be linked to the expansion of the Caucasus Emirate.

In the Crosshairs

The Caucasus Emirate appears to have managed to centralize (or at least take credit for) the efforts of previously disparate militant groups throughout the Caucasus. Russia announced that it would start withdrawing troops from Chechnya in April 2009, but some 20,000 Russian troops remain in the region, and the start of withdrawal has likely led to a resurgence in local militant activity. Ultimately, Moscow will have to live with the threat, but it will work hard to ensure that militant groups stay as fragmented and weak as possible. While the Caucasus Emirate seems to demonstrate a relatively high level of organization, as well as an ability to strike at Russia’s heartland, STRATFOR sources say Russian Prime Minister Vladimir Putin was outraged by the Moscow attacks. This suggests that people will be held accountable for the lapse in security in Moscow and that retribution will be sought in the Caucasus.
Umarov’s founding statement for the Caucasus Emirate, in which he called for the region to recognize the emirate as the rightful regional power and adopt Shariah, marked a shift from the motives of many previous militant leaders and groups, which were more nationalistic than jihadist. This trend of regional militants becoming more jihadist in their outlook increases the likelihood that they will forge substantial links with transnational jihadists such as al Qaeda — indeed, our Russian sources report that there are connections between the group and high-profile jihadists like Ilyas Kashmiri.
However, this alignment with transnational jihadists comes with a price. It could serve to distance the Caucasus Emirate from the general population, which practices a more moderate form of Islam (Sufi). This could help Moscow isolate and neutralize members of the Caucasus Emirate. Indeed, key individuals in the group such as Umarov and Kosolapov are operating in a very hostile environment and can name many of their predecessors who met their ends fighting the Russians. Both of these men have survived so far, but having prodded Moscow so provocatively, they are likely living on borrowed time.
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"This report is republished with permission of STRATFOR"

The Caucasus Emirate | STRATFOR



Um oficial do Serviço de Segurança Russo foi morto em Kaspiysk no norte do Daguestão na madrugada de 18 de junho.

As mortes parecem estar ligadas ao Emirado do Cáucaso – movimento islâmico do Daguestão – responsável por vários ataques na região nos últimos tempos, que reivindicou a autoria do ataque.

Cf.: Russia: A Death in Dagestan

...

Veja mais em:

Wednesday, June 16, 2010

Americanos descobriram reservas minerais de quase US$ 1 trilhão no Afeganistão - O Globo


Sobre:

Americanos descobriram reservas minerais de quase US$ 1 trilhão no Afeganistão - O Globo

Embora não tenha sido a tônica do artigo, já me adianto, o argumento da busca por recursos minerais por ocasião da ocupação no Afeganistão é típico de quem ainda não superou a teoria do Metalismo vigente na época das colonizações. E, tal qual o mito que embasava o mercantilismo das antigas metrópoles européias que caíram por causa dele, quem defende o mesmo como uma espécie de leitmotiv do estado imperialista apresenta uma mentalidade embrutecida como um peso de chumbo jogado nas profundezas do mar da ignorância.


Tuesday, June 15, 2010

The Kyrgyzstan Crisis and the Russian Dilemma | STRATFOR


Em The Kyrgyzstan Crisis and the Russian Dilemma | STRATFOR um interessante artigo sobre como a Rússia cria uma crise, na verdade, aproveita a crise do Quirguistão para atingir o Uzbequistão. Mas, como está explicado, as cartas disponíveis para o Kremlin são poucas. Os uzbeques têm auto-suficiência a partir de seu Vale de Fergana, alta densidade demográfica e, no longo prazo, a Rússia não detém crescimento populacional satisfatório para bancar uma ocupação na região. Analogamente ao que foi o Vietnã para os EUA, os interesses russos na região são indiretos, como a passagem de gás do Turcomenistão pelas terras uzbeques que se quiserem, cortam a transmissão. Assim como para os EUA ganhar a guerra contra o Talebã no Afeganistão e derrubar Saddam no Iraque foi fácil, o difícil é manter a ocupação, o mesmo se daria em uma guerra da Rússia contra o Uzbequistão: manter a região ocupada e condicionada aos interesses russos, já que uma guerra seria num primeiro momento fácil para Moscou, mas somente isto.

Thursday, June 10, 2010

A Primer on Situational Awareness | STRATFOR


Interessante como referencia as situações do "terceiro-mundo" como instáveis e inseguras. Acontece, no entanto, que vivemos com esta "estabilidade" e não percebemos que somos regularmente ameaçados. Acostumamo-nos ao caos:


A Primer on Situational Awareness | STRATFOR

Tuesday, June 01, 2010

Report: Hamas Members Switch Loyalties to Al-Qaeda - Defense/Middle East - Israel News - Israel National News


Os informes que nos chegam sobre o Oriente Médio são muito fragmentados e, não raro, desatualizados. O link abaixo indica a perda de influência do Hamas na Faixa de Gaza e seu conflito com outros grupos terroristas fundamentalistas que o acusam, inclusive, de não seguir a Jihad.
Cf.: Report: Hamas Members Switch Loyalties to Al-Qaeda - Defense/Middle East - Israel News - Israel National News

Geografia Conservadora: English sub - Mavi Marmara Passengers Attacking IDF Soldiers and almost ...

Sobre:


Se a busca por legimitidade ainda valer alguma coisa, Israel agiu errado. O que suas forças de defesa deveriam ter feito é interceptado a frota na entrada de seu território (como já disse alguém por aqui...). Quanto às intenções dos militantes era essa mesma, causar alvoroço, chamar atenção, isolar Israel atraindo simpatias de até então neutros e, claro, passar mais do que mantimentos pela "ajuda humanitária". Mas, não se julgam intenções e sim ações. Até não ter entrado em águas israelenses, a frota não infringiu as leis israelenses.

Em outras palavras, mesmo que tu saiba a intenção do moleque skatista em deslizar até ti, tu espera pacientemente chegar ao ponto de contato para desviá-lo, empurrando-o ao chão para, cinicamente, dizer "tudo bem contigo?" Mas, se há alguns metros tu o atinge com uma "voadora", tu foste o atacante, aquele que perdeu a moral (embora, ambos lados no Mediterrâneo estivessem se lixando para a moral). O que Israel propiciou a estes meliantes foi um crédito internacional indevido.

English sub - Mavi Marmara Passengers Attacking IDF Soldiers and almost ...



Para um ponto de vista israelense. Os tripulantes atacam os soldados que abordam. A questão que me serve para determinar o certo e errado é se as embarcações estavam ou não em águas internacionais.

Sunday, May 30, 2010

Soft Power Brasileiro






"Brasil se ha vuelto tan pero tan popular, que Estados Unidos quiere instalar una de sus bases militares en Rio de Janeiro."

Hay algo de cierto en este chiste, basado en un rumor que surgió en las vísperas de la firma de un acuerdo de cooperación militar entre Washington y Brasilia. Porque, pese a las avalanchas y a los comandos armados en las favelas, Rio, además de São Paulo, es la ciudad en la que hay que estar. Razones no faltan: enormes campos petroleros a tiro de piedra, suculentos negocios de energía, Mundial de Fútbol y Juegos Olímpicos ad portas, industria de cine, playas maravillosas, confianza, creatividad, optimismo. Un lugar en que el futuro ha vuelto a ser lo que era: un espacio donde todo será y todos estarán mejor.

Para muchos, el atractivo y presencia cada vez mayor de Brasil en los asuntos globales es una señal del aumento espectacular de su soft power o poder blando: la capacidad de generar liderazgo por admiración e imitación, sin amenazas militares ni incentivos económicos. Algunos analistas indican que, en el caso brasileño, esto no es menor, porque será su principal fuente de poder real hasta mediados de este siglo. Para otros, ya hoy resulta insuficiente. De lo que no hay duda es que -sin desastres a la vista- seguirá aumentando.

Em Brasil: soft power o el aura del gigante feliz


Interessante na medida que distancia o Brasil das análises comuns como a de ser um parceiro preferencial (na política externa) da Venezuela em detrimento dos EUA... Mas, obviamente, contestável em vários pontos.



Coca


Um padrão que se repete: quando extinguiram o Cartel de Medellín matando Pablo Escobar, o narcotráfico se pulverizou na Colômbia e agora com o combate às Farc na Colômbia, a produção de cocaína cresce na Bolívia podendo ser superada pelo Peru.
-- 

Thursday, May 20, 2010

Arnaldo Jabor: Lula fez o PAC do Irã


Não gosto do Arnaldo Jabor, mas neste comentário, ele foi perfeito:


Tuesday, May 18, 2010

Diplomatizzando...: Why Brazil is a Broker with Iran (Matias Spektor - CFR)

Tenho minhas dúvidas se toda esta encenação com fins distantes (um assento no CS da ONU) será assim tão bem sucedida. 

Acho que estamos servindo apenas de "idiotas úteis".

E a matéria também é ingênua na medida que crê ou parte do princípio de que há um sistema internacional mais justo ou estável. A estabilidade, quando existe, é revelada pela força.

Cf.: Diplomatizzando...: Why Brazil is a Broker with Iran (Matias Spektor - CFR)

Thursday, May 06, 2010

Embroma Agrária

Após a divulgação da pesquisa, o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart, contestou o resultado do Ibope e prometeu divulgar, até o fim do ano, "dados confiáveis" sobre a realidade produtiva em assentamentos.
Em Ibope: 37% dos assentados não produzem nada em suas terras



Ahãm... "Até o final do ano"!! Absurdo! Como que o instituto já não os possui?



Que alquimia será adotada???



Tuesday, May 04, 2010

Entrevista: George Friedman

Ele sabe mais que a CIA

O criador do primeiro serviço privado
mundial de inteligência tem mais de
10 000 olheiros e uma invejável
taxa de acerto


Murilo Ramos
Jack Plunkeh/AP
"O mundo não está mais inseguro após os ataques aos americanos. Mas ficou a sensação de que podemos ser vítimas a qualquer hora"

O cientista político americano George Friedman, 52 anos, criou em poucos anos uma organização mundial de informações. Em amplitude geográfica, só tem paralelo na CIA, a Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos. Com a eclosão da guerra ao terror, a empresa de Friedman, a Stratfor, foi subitamente guindada ao estrelato. Suas análises e previsões sobre o desenrolar da guerra mostraram um grau de acerto que em alguns casos superou o da própria CIA. "Não gostamos de ser comparados à agência governamental. Ela trabalha para o governo, visa a defender o interesse nacional. Nós trabalhamos por dinheiro", diz Friedman. Ele se orgulha de ter criado a primeira agência internacional de inteligência privada e prevê que esse tipo de serviço, graças às facilidades de comunicação da internet, tende a ser um promissor campo de negócios. Seus clientes pagam até 40.000 dólares por mês para receber informações especializadas. A Stratfor vende via internet um serviço de alerta e análises mais gerais que custa 79 dólares por ano. Casado e pai de quatro filhos, Friedman vive em Austin, no Texas, de onde falou a VEJA.
Veja – O Afeganistão está praticamente dominado do ponto de vista militar e político. A Al Qaeda está desmantelada no país onde tinha toda a liberdade de movimento. O senhor acredita que atacar o Iraque será o próximo passo da guerra ao terror?
Friedman – 
Não acredito que o Iraque seja o próximo alvo. Atacar o país de Saddam Hussein é uma alternativa muito forte entre os poderosos do governo de George W. Bush. Mas não creio que a coalizão internacional tenha firmeza suficiente para dar esse passo em conjunto. Além disso, é altamente improvável que o Iraque sirva de apoio territorial ao que sobrou da Al Qaeda. Os iraquianos escravizam todas as facções internas, e a Al Qaeda acabaria sendo feita refém pelo governo de Saddam. Essa situação não serve a seus objetivos. A Somália e o Iêmen são refúgios mais prováveis e, portanto, alvos em potencial de operações militares, abertas ou não, da aliança ocidental depois do Afeganistão.
Veja – O Oriente Médio incendiou-se de novo. Agora com o aumento das desconfianças a respeito do papel que poderá ser desempenhado por Yasser Arafat na contenção do terror palestino. O senhor suspeita das intenções de Arafat?Friedman – Arafat muda de posição em função de sua tática. Não é fácil, portanto, defini-lo. Agora, por enquanto, ele está vendo alguma utilidade em se mostrar moderado. Obviamente, para que ele pareça moderado, é preciso que existam os extremistas. Eles existem, e Arafat aproveita-se deles. Como não poderia eliminar o Hamas nem o grupo Jihad Islâmica mesmo que quisesse, ele os usa politicamente para extrair o máximo de apoio dos Estados Unidos.
Veja – John Walker, o jovem americano que se juntou aos talibãs no Afeganistão, mostra que o islamismo pode ser uma ideologia atraente para a juventude ocidental? Friedman – De maneira alguma. Esse caso é um incidente isolado que se esgota em si mesmo.
Veja – A sensação de insegurança aumentou muito no mundo ocidental depois de 11 de setembro. Esse risco é real? Friedman – Não exatamente. A idéia de que se pode proteger de todos os perigos sempre foi perseguida em vão pela humanidade. O ataque às torres em Nova York e ao Pentágono não tornou o mundo mais inseguro. O que aumentou brutalmente foi a sensação cada vez mais nítida de que a qualquer momento podemos ser vítimas de algum mal. Essa possibilidade sempre existe, mas, como tendemos a nos deixar influenciar pela memória recente, ficamos pensando que o desastre está esperando ali na frente. O ataque de setembro passado nos Estados Unidos poderia ter ocorrido um ano antes. Não ocorreu. Ou seja, passamos um ano inteiro nos imaginando seguros quando não estávamos. Agora é natural que nos sintamos mais inseguros do que realmente estamos.
Veja – Por que os serviços secretos dos Estados Unidos e de seus aliados falharam tão miseravelmente em prever o ataque de setembro?Friedman – Certamente não foi por falta de informação. Os serviços secretos lidam com um volume enorme de informações, mas muitas vezes não sabem o que fazer com elas. Infinitamente mais difícil que recolhê-las é interpretá-las. Dar-lhes um sentido e produzir uma ação defensiva é um trabalho extremamente complexo. O segredo está em saber filtrar a montanha de indicações e informações que chega. É nesse ponto que os serviços secretos costumam falhar de forma grotesca. Os atentados nos Estados Unidos ocorreram sem aviso prévio em virtude dessa incompetência.
Veja – Que informação atualmente pode ser considerada a mais valiosa? Friedman – Sem dúvida alguma é aquela a respeito do próximo ataque terrorista de alguma grande organização, em especial da Al Qaeda, de Osama bin Laden. Ou as informações que levem a uma avaliação segura sobre até que ponto chegou a infiltração da Al Qaeda no Ocidente, na sociedade e nos governos orientais amigos dos Estados Unidos. Os governos ocidentais certamente dariam fortunas a quem lhes dissesse com segurança o que sobrou da equipe de Laden no Ocidente e como suas células preparam novas operações. Quais são os principais alvos da Al Qaeda agora e como ela se estrutura? São perguntas que não calam. Infelizmente, não existe uma fonte única em que tais informações estejam estocadas. Muito provavelmente nem na própria cabeça de Laden. Essa informação é escorregadia, fragmentada e muito difícil de ser encontrada em segmentos que façam sentido.
Veja – Osama bin Laden é o inimigo mais esperto dos Estados Unidos em todos os tempos? Friedman – Não sei se Laden tem tanta inteligência e poder. Mas em seu grupo com certeza há estrategistas brilhantes. Eles sabem usar os recursos com muita competência. O fato é que colocaram os Estados Unidos em uma posição delicada, como poucas vezes o país se viu anteriormente. E olha que os Estados Unidos têm o péssimo hábito de subestimar seus inimigos. Fizeram isso com o Vietnã e com o Japão. Os resultados dessa atitude são conhecidos.
Veja – O que efetivamente se sabe sobre Laden e sua organização? Friedman – Sabe-se que são especialistas que agem dentro de suas competências específicas. São muito racionais. Não atuam por impulso ou emoção. Antes da ação militar americana e da ofensiva da Aliança do Norte, eles recebiam treinamento durante um ou dois anos no Afeganistão. Em seguida, infiltravam-se no exterior. Agiam como qualquer imigrante árabe. De repente, sumiam dentro do país. Comunicavam-se muito pouco com a base no intervalo de suas ações. Por isso, os serviços de inteligência americanos tiveram dificuldade em identificá-los e impedir suas ações. Algumas dessas células, chamadas "dormentes", podem ainda existir nos Estados Unidos.
Veja – Sua empresa, a Stratfor, tem sido chamada de "a CIA paralela", por ter armado uma rede mundial de informantes. Como funciona sua organização? Friedman – Não gostamos de ser comparados à CIA. O que nos leva a ter uma atuação eficiente é justamente sermos pequenos. Não temos uma organização hierarquizada. Nossos agentes não recebem treinamento. São pessoas absolutamente convencionais mas muito bem-informadas sobre as sociedades onde vivem. Isso é importante porque os especialistas, que estão acostumados a trabalhar como informantes profissionais, já não se surpreendem com mais nada. Tudo para eles é lógico, comum e pouco atraente. Os jovens e os novatos no ramo não são assim. Eles ficam surpresos. Vêem algo diferente e valioso nas menores coisas. Quem trabalha com isso há trinta anos não se entusiasma nem faz perguntas básicas que podem levar a informações preciosas. A curiosidade é fundamental em nosso trabalho.
Veja – Como o senhor faz para receber as informações coletadas em campo por seus informantes? Friedman – Pela maneira mais segura, rápida e eficiente de que se tem notícia, a internet. Foi graças a esse mecanismo universal, cujo custo beira zero, que conseguimos captar as informações de nossos milhares de associados no mundo. A internet nos permite agir de modo revolucionário. Nossos leitores logo se tornam também nossos informantes. Alguns por puro diletantismo. Outros porque querem influir em nossa maneira de pensar e analisar o mundo e porque sabem que temos clientes poderosos. Outros o fazem por dinheiro mesmo. Regularmente, recebemos informes muito preciosos de regiões distantes e áreas remotas do Paquistão e da Arábia Saudita.
Veja – Numa reportagem do Wall Street Journal, a Stratfor é descrita como tendo o mesmo papel que a CNN teve na Guerra do Golfo em 1991. Ou seja, como fonte de informações estratégicas para o governo e os militares americanos. Isso é verdade?Friedman – Nós somos os melhores no que nos propomos, que é juntar informações que fazem algum sentido quando colocadas lado a lado. Temos vantagens enormes sobre a CNN. A maior é que a CNN tem de dar as notícias em trinta segundos. É muito pouco tempo para aprofundar algum assunto. Não temos essa urgência. Nós conseguimos falar com maior propriedade e apresentar diferentes versões sobre o mesmo assunto ao mesmo tempo que informamos qual a vertente que achamos mais sólida.
Veja – Como o senhor formou sua rede de informantes? Friedman – A idéia original era cobrir todo o mundo sem gastar muito dinheiro. Chegamos à conclusão evidente de que o serviço teria de se basear fortemente na internet. Esse foi o primeiro passo. Começamos então com uma turma de quinze amigos que se propuseram a missão de apresentar todos os dias pelo menos uma informação sobre determinado país ou evento que não poderia ser obtida em nenhum outro veículo de comunicação. Foi assim que começamos. Hoje temos milhares de informantes espalhados por todos os países do mundo. Há pouco mais de dois anos, sentimos que o negócio estava ficando sério. Naquele ano notamos que nosso site registrava diversas entradas originadas no Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Eles freqüentemente acessavam o site e pegavam informações sobre a região do Kosovo. Daí em diante atingimos um nível de credibilidade e de acerto muito grande. Nós previmos a guerra em Kosovo um mês antes de ela começar de fato. Provamos nossa eficiência.
Veja – Como o senhor controla tanta gente espalhada pelo mundo? Friedman – Por e-mail. Há trinta anos, para colocar agentes infiltrados no solo da União Soviética, a CIA enfrentava uma dificuldade absurda. Mais difícil ainda era fazer as informações chegar aos Estados Unidos. Usava-se toda uma gama de equipamentos de alta tecnologia e preços impagáveis. Hoje é possível comunicar-se com alguém na Sérvia sem dificuldade. O custo da comunicação instantânea caiu vertiginosamente. Você pode se comunicar com o mundo tendo uma assinatura gratuita de correio eletrônico no Hotmail, por exemplo. Foi esse avanço que tornou possível ao setor privado, onde me incluo, entrar no ramo do serviço de inteligência. Antigamente, somente os governos podiam bancar uma estrutura como a que temos na Stratfor.
Veja – O senhor já foi espião?Friedman – Nunca fui espião. Fui professor de ciências políticas. Tenho doutorado na área de temas governamentais. Uma coisa que estudei com muito cuidado foi política de segurança nacional e como as organizações de inteligência trabalham.
Veja – Qual foi seu maior erro? Friedman – O euro. Nunca acreditamos que a moeda única européia pudesse vingar. Em 1996 fizemos uma avaliação muito negativa do papel do euro na economia européia. Ao contrário do que prevíamos, não houve recessão em razão da adoção da moeda única. O euro ainda está de pé. Se vai sobreviver por muito tempo é outra questão. Mas o fato é que erramos.
Veja – Qual a previsão da qual o senhor mais se orgulha? Friedman – Anunciamos um ano antes a eclosão da crise asiática de 1997. Aquela foi uma das crises mais danosas para a economia global. Poucas pessoas acreditaram no alerta que fizemos. A verdade é que pouca gente até hoje entende como o mercado asiático funciona. Mas tínhamos certeza. Nossas análises dos balanços dos bancos não deixavam dúvidas. Muitos acessaram as mesmas informações mas simplesmente não tiveram a coragem necessária para admitir que a situação era negra. Nós, ao contrário, adotamos como regra dizer o que achamos correto. Freqüentemente falamos coisas que assustam.
Veja – Qual é a informação mais cara? Friedman – Isso depende de quem se interessa por ela. A informação mais valiosa não interessa a todos. É uma informação muito específica e serve a uma empresa num determinado período de tempo. Isso pode custar algumas dezenas de milhares de dólares. Depende do grau de dificuldade que enfrentamos para obter a informação correta. Pode ser um simples "sim" ou "não".
Veja – O senhor está ficando rico com esse serviço? Friedman – Não tanto quanto queria. Mas tenho conseguido acumular uma razoável quantia de dinheiro. O nosso site é um modelo. Enquanto outras empresas pontocom começaram a cair, a nossa está em plena ascensão.
Veja – Os atentados do dia 11 de setembro mudaram o mundo? Friedman – O mundo não mudou. Sempre tivemos crises econômicas e guerras. O dia 11 de setembro só veio nos lembrar que o mundo é um lugar bastante complexo e perigoso, onde as ações drásticas não são motivadas apenas por questões políticas e econômicas. O mundo sempre foi assim. Onze de setembro foi uma lembrança disso.

http://veja.abril.com.br/121201/entrevista.html

Clippings de ARTIGOS: A farra da antropologia oportunista

Clippings de ARTIGOS: A farra da antropologia oportunista

Sunday, April 18, 2010

Secessão no Pará


Proposta de sesseção do estado do Pará em três: 

A dimensão territorial do Pará, com a distância do centro de decisão, é apontada pelos defensores dos novos Estados como um fator do fraco desenvolvimento das regiões. Queiroz atribui à ausência do Estado os diversos problemas na Amazônia, como regularização fundiária, falta de promoção social para a população e existência de madeireiras ilegais. "O Estado não se antecipa com ações", avaliou.
A área de Tapajós ocupa 58% do Estado do Pará. Menos extenso, mas com a maior reserva de minério e a represa de Tucuruí em seu território, a região conhecida por Carajás tem tamanho semelhante ao Equador e um pouco maior do que a Inglaterra. 
(...)
http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,carajas-e-tapajos-podem-ser-os-novos-estados-do-brasil,539406,0.htm



Sou a favor, em princípio... 
SE... isto não implicasse em maior repasse de verbas, como ainda ocorre há estados que não têm receita própria.

Mas, a administração mais próxima do cidadão e condizente com sua realidade local, se não fossem esses percalços administrativos e institucionais seria, claro, muito bem vinda.