interceptor

Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

Monday, November 05, 2007

Constituição do Brasil e meio ambiente



O problema causado pelo falso ambientalismo não é exclusividade nossa. Neste mapa consta um projeto da ONU que inviabiliza a ocupação e produção no território dos EUA. O que sobra, efetivamente, além da aniquilição do espaço para os seres humanos?


“Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

Cansei de discutir sobre isto em comunidades liberais infestadas por anarco-capitalistas. Para estes, o trecho acima caracteriza permissiva “interferência do estado”. Ocorre que a deturpação depende do juiz e não da letra da lei. Também não se deve confundir um genuíno temor pela poluição ou dano ambiental com uma “estratégia ambientalista anticapitalista”. Um ambiente saudável protege a própria propriedade, mas outra coisa é se isto é utilizado para barrar empreendimentos ou extorquir empreendedores... Na verdade, a “interferência” que há se refere à conduta individual, que deveria ser seguida por liberais. Só posso dizer que nossos “liberais” deixam a desejar em relação ao próprio liberalismo.

Que entre os “ambientalistas” haja uma miríade de socialistas travestidos, eu não tenho dúvidas. Aliás, venho asseverando isto já há um bom tempo, mas não podemos confundir o joio com o trigo ou jogar fora o bebê com a água suja do banho... Uma das primeiras legislações sobre o meio ambiente data do regime militar, o Código Florestal de 1965. O que isto tem a ver com o atual “ecologismo” ou manipulação esquerdista pelo meio ambiente? Nada. Inclusive, a legislação feita pelos militares visava adequar o cuidado com o ambiente físico em prol da produção: preservar margens de rios com a mata ciliar serve para evitar a erosão dos barrancos mantendo a fertilidade dos solos em áreas agrícolas adjacentes, bem como a piscosidade dos rios.

Tenho clara noção de que as atribuições de estado no que tange ao meio ambiente devem ser muito bem definidas, para que não se tornem medidas e expedientes de táticas para extorsão ou suborno. Aliás, isto realmente é feito da forma errada. Abundam em nosso país decisões judiciais eivadas de esquerdismo, ancoradas em ações civis públicas orientadas pelo Ministério Público que tem uma visão anticapital. O resultado disto são os chamados TACs (Termo de Ajuste de Conduta) onde, normalmente, ao invés de definir o que pode e o que não pode, onde pode e onde não pode construir, se aplica um termo desses que significa o pagamento a título de ressarcimento. Quem deve ressarcir e quem é ressarcido? O primeiro, normalmente, cabe ao empresário e o segundo a “população” onde, rotineiramente, uma ONG que a diz representar mete a mão na barafunda. Agora, se o “povo” comete um equívoco, erro, crime, não há Ministério Público nenhum entrando com ação contra, nem uma ONG querendo punir. Nada.

O problema é que nossa Lei pode até ter uma ou outra falha, mas mesmo onde ela não está errada se dá um jeito de deturpa-la porque a cultura judicial brasileira é, antes de tudo, parte da cultura brasileira. E onde for possível se procura tributar e multar, indevidamente, o produtor. A questão não é a Lei, mas o sistema jurídico.

Isto, no entanto, não deveria confundir nossos liberais e, os mais extremados anarco-capitalistas (libertarians), mas confunde. Que socialistas vejam a genuína preocupação ambiental como “perfumaria” eu entendo, pois em suas cacholas só cabe a luta de classes e o totalitarismo como panacéia, mas dos liberais eu esperava mais... Esperava que eles não vissem a genuína preocupação ambiental como pretexto ao estatismo. Nossos liberais estão confundindo lei com cultura. Digo isto porque por mais impecável que fosse nossa legislação, com a corja que temos, ela seria deturpada de um jeito ou de outro pelas “interpretações” e pelo chamado “direito alternativo”. Junte-se o estado obeso e assistencialista, nossos vícios patrimonialistas, o tributarismo com a atual coqueluche ambientalista e temos genuínos geradores de emprego como a CVRD, a ARACRUZ tendo que pagar TACs para os vagabundos. TACs estes que em meu puído dicionário tem outro nome: EXTORSÃO.

Friday, November 02, 2007

Interesses de estado





Em Major Interests of the State, Michael S. Rozeff afirma que o estado não é uma “organização humanitária”, o que cá entre nós não é nenhum achado fantástico. Dizendo o óbvio, mostra como a lógica estatal difere da corporação privada. Enquanto esta depende de sua competitividade e agradar o cliente objetivando o lucro, o estado se mantém pela força da lei, pelo monopólio e pelas taxações. Seu poder opressivo se perpetua intacto dentro de um país.

Embora, o estado seja imbuído por uma retórica humanitária, os custos dos programas assistenciais, por exemplo, vêm mais tarde. Em 1935, Franklin Delano Roosevelt endossava uma estrutura que previsse depressões assegurando a estabilidade das futuras administrações. O despotismo dos estados não garante sua rejeição. A URSS duraram mais de 70 anos, os EUA antes de sua independência ficaram sob jugo inglês por um século e meio, o Império Otomano por mais de seis séculos. E mesmo que se advogue os benefícios de um governo local, mais próximo do povo, isto não exclui a tirania como se viu nos Bálcãs. E mesmo em casos mais restritos como este, a separação e fragmentação são uma realidade tangível, como foi o caso entre Sérvia e Montenegro em 2006.

O estado se pretende uma estrutura rígida, mas movimentos de caráter subversivo sempre são realidade com a mobilidade do mundo (antigo e moderno) dada pelas migrações. Seja de curta duração histórica, como foi o caso soviético que se fragmentou em quinze repúblicas, seja de longa duração como foi o fim do Império Britânico que manteve suas colônias por três séculos, nenhum estado pode permanecer intacto e permanente.

Apesar de sua efusiva, embora tautológica argumentação não acredito em sociedade sem estado. Uma maneira de reduzir seu poder consiste justamente em controlar o que alimenta, ou seja, o nível e aplicabilidade de seus impostos.

As cinzas do charuto





Retrieving the Irretrievable: The Clinton Foreign Policy Legacy – Neste artigo, é feita uma análise da política externa de Bill Clinton. Seu aclamado sucesso em prol da democracia e do livre-mercado é tido como falso. Após uma década transcorrida da administração, seu sucessor continua se apoiando na mesma como se a propaganda equivalesse à verdade.

O fim do comunismo forçado pelo governo conservador de Ronald Reagan e George Bush (pai) teve conseqüências que não foram meramente aleatórias. Ela derivou de uma ideologia que grassa nos EUA através de quatro pontos:

Com exceção dos estados governados por regimes tirânicos, o livre-mercado é a opção natural e certeira.

Mesmo os regimes autocráticos tendem a adotar premissas liberais por uma questão de benefícios trazidos e, com isto, há uma óbvia tendência a democratização.

Como corolário da democratização, as sociedades afetadas por esta tenderão, igualmente, a reforçar os conceitos de livre-mercado e os direitos humanos. E estes, por sua vez, tendem a se reforçar mutuamente.

Não há razão para países liberais e democráticos serem concorrentes uns dos outros. Neste sentido, os riscos seriam maiores que os benefícios.

Neste ponto de vista, a política externa americana apoiou-se, ingenuamente, que a liberalização e conseqüente democratização da China e da Rússia tornariam estes países, aliados naturais dos EUA. Mas, não pensemos que todos americanos se orientaram ideologicamente neste sentido. Quem mais forçou a implementação de políticas externas que apoiassem Pequim ou Moscou ganhou com este movimento. A força corporativa falou mais alto que o “ideologuês”. Durante um tempo, a política externa robusta que deve se pautar por interesses de estado parece ter sido esfriada. Não que ninguém ganhasse no período, mas uma visão de conjunto faltou ou, na “melhor das hipóteses” foi insuficiente para garantir a efetivação de “interesses nacionais” ou melhor, da Razão de Estado.

Se for verdadeiro que ao longo dos séculos, capitalismo e democracia se reforçam, no curto prazo não foi o que se viu. Na verdade, interesses de velhas oligarquias na Rússia e de uma cúpula partidária na China tiraram proveito da política externa americana. Para o estabelecimento do livre mercado e para que este resulte em benefícios à população como um todo, um sistema legal tem que ser erigido. Veja que mesmo liberais radicais (como Rothbard e Hoppe) não compreendem bem isto... Na Rússia, a democracia foi simplesmente desacreditada pelo próprio sistema econômico e sua congênita corrupção. Reformas econômicas como as feitas pelo ex-presidente russo Boris Yeltsin ajudaram a fortalecer uma oligarquia econômica pautada pela corrupção. Na China, todos conhecemos a história: intentos democráticos foram abortados em seu nascedouro. Onze anos após o início de suas reformas econômicas, Pequim reprimiu cerca de 5.000 jovens na Praça da Paz Celestial levando seus manifestantes à “paz dos cemitérios”. Democracia econômica não prescinde de democracia de fato, como poderia pensar um liberal ideologizado...

A liberalização econômica não levou, inevitavelmente, à democracia. O crescimento econômico continuado dos anos 90 beneficiou as oligarquias políticas que investiram na própria indústria bélica às expensas da população que ficou a ver navios na esperança de que o mercado lhe trouxesse benefícios. Como se sabe, o duradouro ciclo foi afetado, como se sabe, pela Crise das Bolsas Asiáticas em 1997. Enfim, a orientação que Washington imaginou, não ocorreu de fato. Para os EUA, a orientação própria de Pequim ou Moscou aponta como rivais de peso no campo militar. Esta foi a principal conseqüência da política externa americana nos últimos anos: um tiro no próprio pé.

O que as administrações de Clinton e, mais recentemente, de Bush parecem ignorar é que:

Se for previsível a mudança econômica num dado estado através de gerações, não é igualmente viável planejar alterações objetivas em regimes despóticos.

As reformas de mercado, por si só, não alteram regimes tirânicos, mas os reforça através da intensificação da corrupção. E, pior, incrementa o grau de repressão dos estados.

Sem sucedâneas reformas políticas, as crises econômicas reforçam o sentimento nacionalista. E as compensações econômicas de falhas na direção de partidos únicos ou elites militares não apontam, necessariamente, para soluções vias mercado por quem clama pelos “interesses nacionais”. Assim como se crê na capacidade de sucesso de reformas liberalizantes, tendências estatizantes têm peso, no mínimo, equivalente.

O efeito esperado é justamente oposto do que se esperava há uma década. Após o período de esperança nas instituições democráticas, que deveriam vir “naturalmente”, assistimos a um ciclo reverso. Na atual conjuntura, Clinton achar que o desenvolvimento econômico seria suficiente para mudar estratégias belicistas de momento da Rússia ou China, assim como os estrategistas do Pentágono quanto à pressão de Pequim em Taiwan ou de Moscou em sua periferia é perfeitamente compreensível. Mas, se faz necessário pensar como se evoluiu para a atual situação.

No entanto, compreender razões não significa acreditar nas mesmas. A modernização pelo mercado não é obra de czares regionais. Trata-se de uma mera mudança de beneficiários dos planos de reformas. Seja Karl Marx ou Milton Friedman, a maioria dos economistas ou cientistas sociais acredita que “o capital não tem pátria”. Mas, crer que o mesmo reforme sociedades do ponto de vista político e cultural só se dá sob circunstâncias muito especiais. A crença na velha teoria pelos acadêmicos ou businessmen parte de um wishful thinking mais do que a avaliação dos fatos.

A integração da Rússia ou da China ao sistema de mercado com os EUA só se dará se os próprios regimes oligárquicos ou ditatoriais tiverem benefícios, o que significa sua perpetuação. A verdade é que Clinton e os Democratas se deixaram seduzir por uma teoria. É difícil crer que a insistência nesta perspectiva da política externa dará resultados quando a história recente provou o contrário. Talvez seja cedo para se perceber o erro, mas se for realmente erro, sua evolução só acentuará os defeitos de origem.

Thursday, November 01, 2007

VideVersus, 1º de novembro



Abro este tópico com mais uma newsletter do excelente http://www.videversus.com.br/ do jornalista Vitor Vieira em 1º de novembro de 2007. Meus comentários seguem em itálicos:

Ao lado, um dos resultados da invasão da Fazenda Coqueiros no Rio Grande do Sul pelos meliantes do MST.





Mais de 40 entidades pedem à Justiça que MST possa invadir Fazenda Coqueiros
Na tarde desta quarta-feira, cerca de 40 entidades petistas, como Cpers, Cut, sindicados de bancários e comerciários, entre outros, entraram na Justiça gaúcha com um pedido de habeas corpus para que os militantes paraguerrilheiros da organização clandestina e ilegal MST possam promover a décima invasão da Fazenda Coqueiros, no município de Coqueiros do Sul. Esses sindicatos petistas, ilegítimos para peticionar em benefício dos militantes paraguerrilheiros do MST, querem que a Justiça gaúcha derrube a decisão da juíza de 1º grau, de Carazinho, que proibiu as marchas de ingressarem nas estradas do município, como também de terem crianças em suas colunas armadas. As três colunas de paraguerrilheiros estão paralisadas, impedidas de prosseguir na marcha rumo à invasão violenta da Fazenda Coqueiros, por contingentes da Brigada Militar.

Como se vê, o problemas do Brasil não se resume à organizações como o MST. Os sindicatos são seus fomentadores em nível judicial. E com professores (Cpers) apoiando organizações criminosas, o destino do país está em más mãos.


Tenente-coronel da Brigada Militar é denunciado por furto e formação de quadrilha
Comandante do Batalhão de Polícia de Guardas da Brigada Militar (BM) em Porto Alegre, onde estão detidos policiais militares envolvidos em crimes, o tenente-coronel José Antônio Carvalho de Medeiros, de 49 anos, é acusado de integrar uma quadrilha interestadual que desviou pelo menos R$ 150 mil de contas bancárias pela internet. Em denúncia do Ministério Público acolhida pela 6ª Vara Criminal da Capital, o tenente-coronel José Antonio Carvalho de Medeiros é apontado como autor de furto qualificado e formação de quadrilha com outras nove pessoas. Escutas telefônicas reforçam denúncia de participação do oficial no bando. A notícia da denúncia levou o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Nilson Bueno, a remover o tenente-coronel José Antonio Carvalho de Medeiros do comando do Batalhão de Guardas. Parte do grupo teria ramificações com outras duas quadrilhas identificadas nos últimos dois anos nas operações Pontocom, da Polícia Federal, e Nerd II, do Ministério Público gaúcho. Segundo denúncia assinada pelo promotor Ricardo Herbstrith, da Promotoria Especializada Criminal, o grupo agiu entre o segundo semestre de 2005 e os primeiros dois meses do ano passado. O grupo teria quatro divisões: os que criavam programas para invadir contas bancárias, os que descobriam informações cadastrais das vítimas, os que arregimentavam laranjas e sacavam valores, e os que buscavam "clientes" para ter contas pagas. Segundo a denúncia, o tenente-coronel estava entre os que escolhiam vítimas e informavam aos crackers os números das contas para as quais o dinheiro deveria ser desviado. Um dos crackers denunciados é o paulista Marcos Martins, 42 anos, que vive em Porto Alegre, mas já esteve preso preventivamente em Araucária (PR) por suspeita de estelionato. Outro cracker envolvido no caso é o Romany Cutolo Bonente, 22 anos, de Rondônia. Ele está preso em Curitiba desde 17 de agosto, quando foi capturado durante a Operação Nerd II, do Ministério Público. Investigações da Delegacia de Polícia Regional de Porto Alegre revelam que, em um intervalo de quatro dias, o tenente-coronel José Antonio Carvalho de Medeiros e Martins trocaram 42 telefonemas. A denúncia do MP reúne documentos e extratos bancários que comprovam seis golpes entre 7 e 8 de novembro de 2005. Naquelas 48 horas, foram desviados R$ 112,7 mil de seis contas de empresas e pessoas físicas de Porto Alegre. Há muitos anos há forte desconfiança de que membros da alta-oficialidade da Brigada Militar gaúcha fazem parte do crime organizado, o que agora fica confirmado. A Brigada Militar precisar dar uma grande explicação para a sociedade gaúcha.

E tem "direitista" que criticou o filme Tropa de Elite por mostrar policiais corruptos chamando o filme de "tucano"...


Estados Unidos devolvem US$ 1,6 milhão transferidos ilegalmente do Brasil
O procurador-geral de Nova York, Robert Morgenthau, autorizou nesta quarta-feira a repatriação de US$ 1,6 milhão ao Brasil. O dinheiro havia sido transferido para os Estados Unidos de forma ilícita por doleiros, que utilizaram uma agência do Banco do Estado do Paraná (Banestado). Segundo o Ministério da Justiça, a repatriação de recursos para o Brasil é inédita. "O esquema Banestado foi a maior lavanderia de dinheiro de que se tem conhecimento no Brasil", afirmou o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. "É um caso inédito de repatriação de ativos para o País e certamente apenas o início de uma série de autorizações que vamos obter junto à Justiça de outros governos", completou ele. Tuma disse que tramitam no Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) cerca de 200 processos relacionados ao mesmo esquema Banestado. O procurador sinalizou positivamente para novos acordos, que logo possibilitarão a repatriação de mais recursos.

Há quem brade contra a "internacionalização da Amazônia" e temas afins, mas só através da internacionalização (lêia-se pressão, mesmo) é que o país funciona.


TV grava palestinos atirando contra Israel
A TV israelense divulgou nesta quarta-feira imagens gravadas pelo exército que mostram terroristas palestinos disparando com um morteiro de uma escola primária da Faixa de Gaza contra o território de Israel. As imagens foram gravadas na segunda-feira por um avião sem piloto, segundo a TV estatal. A gravação mostra homens no interior de uma escola primária de Beit Hanun que atiram com um morteiro contra o território israelense, antes de fugirem do prédio temendo a resposta israelense. Segundo o Canal 10, os terroristas, membros do movimento islâmico Hamas, foram atacados posteriormente pela aviação israelense fora do perímetro urbano. Desde que o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, mil foguetes e tiros de morteiro foram disparados contra Israel deste território.

Terroristas ou guerrilheiros árabes costumavam utilizar escolas e hospitais como "escudos humanos". Agora, usam-nas como base para ataques, mesmo. Interessante também notar que a maior ação de grupos como o Hamas quando chegam ao poder, é lançar mísseis.


Marinha da Colômbia apreende dois submarinos das Farc
Dois submarinos que seriam usados pela principal guerrilha colombiana para tráfico de drogas foram apreendidos em uma zona selvagem do litoral do Pacífico, informou a Marinha nesta quarta-feira. A descoberta das embarcações, capazes de transformar até 5 toneladas cada, ocorreu no domingo, perto do porto de Buenaventura, Departamento do Valle, por onde passa cerca de 60% do comércio internacional colombiano. Os dois submarinos estavam no que a Marinha chamou de "estaleiro artesanal", capaz de fabricar esses artefatos. Segundo a Marinha, o local e os submarinos pertencem às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), principal narcoguerrilha do país, com cerca de 17 mil combatentes. O grupo é considerado terrorista por Estados Unidos e União Européia, e o governo colombiano o acusa de se financiar com recursos da produção e tráfico de cocaína. Desde 2005, a Marinha colombiana confiscou nove submarinos usados no narcotráfico.

Se esta tática for adotada no Brasil, estaremos fritos com nossa extensa linha costeira.


Jobim diz que governo estuda reajuste de até 34,99% para militares
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta quarta-feira que o governo Lula estuda um reajuste, que pode variar entre 27,62% e 34,99%, para os salários de 609.935 militares ativos e inativos. No total, o impacto deste reajuste pode chegar a R$ 8,3 bilhões na folha de pagamento, entre 2007 e 2008. Segundo ele, o reajuste seria concedido em duas etapas: uma parte este ano, e outra em 2008. O ministro disse que o assunto será tratado na próxima quarta-feira em uma reunião com o presidente Lula e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Estava na hora. Ao invés de sucatear nossas forças armadas, o PT faz bem em minorar o prejuízo que seu governo (e antes disso, o de FHC) fizeram em prejudicar o soldo dos oficiais. Só espero que não fique só nisto, no arranjo financeiro, mas que seu papel e função sejam igualmente resgatados.


Palocci chama CPMF de “imposto mais produtivo”
O deputado federal Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro da Fazenda, defendeu nesta quarta-feira a cobrança da CPMF durante audiência na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal. Palocci disse que a CPMF é o "mais produtivo" dos impostos porque traz a melhor arrecadação ao País com a melhor alíquota à população. "Não há imposto mais produtivo que a CPMF no Brasil. Ela é a mais produtiva, com menor alíquota, traz melhor arrecadação. É seis ou sete vezes mais produtiva que a Cofins. É o imposto que arrecada mais, impondo menos carga aos indivíduos e às empresas", afirmou ele. Palocci admitiu, no entanto, que é possível discutir a redução gradual da alíquota da contribuição ao longo dos próximos anos. O ex-ministro também disse ser possível ao governo debater a redução da carga tributária nacional.

Bem... Nisto, nosso ex-ministro está correto. A CPMF é o mais eficaz dos tributos porque incide sobre a circulação do dinheiro (que movimenta a maior parte dos recursos do país). A "contribuição", EM TERMOS RELATIVOS, é muito menos danosa ao contribuinte do que impostos como o ICMS, por exemplo. O problema é que este "debate" tem sido levado em termos emocionais... A sociedade brasileira faria por bem discutir a questão tributária de forma integrada, i.e., avaliando todos tributos e julgando a partir daí.


Presidente da Fiesp entrega 1,3 milhão de assinaturas contrárias à CPMF ao Senado Federal
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, no final de sua participação na audiência promovida pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, nesta quarta-feira, para discutir a prorrogação da cobrança da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), entregou um abaixo-assinado com 1,3 milhão de nomes contrários à continuidade do chamado "imposto do cheque". As assinaturas foram coletadas por diversas entidades de vários Estados do País. Durante sua participação na audiência, Skaf condenou a prorrogação da cobrança. Ele afirmou que a reforma tributária não prevê formas eficientes de desoneração fiscal e que a única chance de reduzir efetivamente a carga tributária é por meio da eliminação da CPMF. Skaf disse que em vez de repassar vantagens para a população por meio da elevação da arrecadação, a União usa a receita extra para cobrir gastos. Ele afirmou que não concorda com o argumento de que a CPMF é uma ferramenta de fiscalização e combate à sonegação.

Não concorda... pois bem, a CPMF, infelizmente, é um imposto que não dá para sonegar. Me surpreende a opinião da Fiesp. Se são assim tão contrários à sobre-tributação (no que estão certos) por que não criticam o IPI e o ICMS?? A Fiesp não parece primar pela coerência. São muito bons para livrarem o seu, i.e., direito de criticarem a tributação, mas quando se trata de apoiarem a maior competição (e queda dos preços) através de uma Alca, p.ex., simplesmente se calam.


Justiça condena ex-funcionário de ONG pelo assassinato de franceses no Rio de Janeiro
Társio Wilsom Ramires, de 25 anos, um dos três acusados pelo assassinato de três franceses no Rio de Janeiro no início deste ano, foi condenado pela Justiça a 59 anos e oito meses de prisão. No dia 27 de fevereiro, Christian Pierre Doupes, de 38 anos, a mulher dele, Delphine Douyère, de 36 anos, e Jérôme Faure, de 42 anos, foram mortos a facadas, na sede da ONG Terr'Ativa, em Copacabana (zona sul do Rio de Janeiro), que atendia menores de rua. Ramires tinha sido ajudado pelos franceses a pagar as mensalidades de um curso de administração de empresas em uma universidade particular e, graças ao contato com eles, trabalhava na ONG. Ramires planejou o crime porque os franceses desconfiavam que ele tinha desviado R$ 80 mil da ONG. Para se livrar das suspeitas, ele contratou os também réus Luiz Gonzaga e José Michel Gonçalves e matou os patrões. O filho do casal, de apenas dois anos, só não foi morto porque estava em outro apartamento. Oliveira e Gonçalves irão a júri popular no dia 13 de dezembro. Em sua sentença, o juiz Sidney Rosa da Silva escreveu que Ramires "teve todas as oportunidades na vida, e as jogou no lixo em razão de sua mente criminosa”.

Este caso mostra piamente como o crime não é mero produto "social". Há sim, elementos incorrigíveis que merecem a mais pura forma de "exclusão social" através do encarceramento (já que não temos a forca).


Aécio Neves diz que terceiro mandato não seria bom para Lula e Brasil
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), afirmou nesta quarta-feira que um terceiro mandato do presidente Lula não seria bom para o Brasil nem para o próprio Lula. "O Brasil não é a Venezuela. Acho que temos instituições muito sólidas. Faço até justiça ao presidente. Pode até ser que em seu entorno alguns áulicos ainda alimentem esse sonho. Mas não é bom para o Brasil, não é bom para o presidente Lula e não acredito que ele pessoalmente tenha esse interesse. Acho até legítimo que o presidente, no futuro, volte a se candidatar, mas mudar a Constituição nesse instante é um desserviço à democracia e o Brasil não aceitaria isso de forma alguma”. Um grupo de deputados federais petistas articula para assegurar um terceiro mandato ao presidente Lula. Eles estão dispostos a apresentar uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que faculta aos atuais ocupantes de cargos no Executivo a possibilidade de reeleição, mesmo que já estejam em seu segundo mandato.

O temor do governador parece se justificar, pois...


JÁ ESTÁ TRAMITANDO EMENDA QUE PERMITIRIA VÁRIOS MANDATOS PARA LULA
O presidente da Câmara dos Deputado, o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), mandou desarquivar em abril uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permite a reeleição sem limites para cargos majoritários, de presidente da República a prefeitos. Aprovada no Congresso, a proposta abriria caminho para a aprovação de um terceiro mandato para o presidente Lula. O pedido foi feito em fevereiro pelo deputado federal petista Fernando Ferro (PE), que solicitou o desarquivamento de propostas sobre a reeleição. Os deputados federais Devanir Ribeiro (PT-SP) e Carlos Willian (PTC-MG) defendem a possibilidade de um terceiro mandato para Lula, com base em uma emenda que já foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara em 2000. O relator na comissão, deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), considerou, na época, a proposta constitucional. O próximo passo é a discussão em comissão especial, que depende de autorização do presidente da Câmara para ser instalada. A proposta do ex-deputado Inaldo Leitão (PR-PB) permite que presidente da República, prefeitos e governadores concorram a infinitas reeleições, desde que se licenciem do cargo seis meses antes da disputa.
Senado Federal pode votar Emenda 29 na próxima semana, diz Tião Viana
O presidente interino do Senado Federal, senador Tião Viana (PT-AC), afirmou nesta quarta-feira que vai tentar votar na próxima semana a proposta de regulamentação da Emenda 29, que destina recursos para a saúde. O senador disse que só aguardará a conclusão da votação dos destaques na Câmara dos Deputados para encaminhar sua sugestão aos líderes partidários. "Eu fui um missionário nessa causa. Estou muito feliz. Foi uma ação construída com o movimento missionário. É uma decisão muito boa para o País", disse Tião Viana, ao ser informado sobre a aprovação pelo plenário da Câmara do texto principal da Emenda 29. Nesta quarta-feira, o plenário da Câmara aprovou o substitutivo apresentado pelo governo federal que promete o repasse de R$ 24 bilhões para a saúde, no período de 2008 a 2011.

É uma boa cifra, mas a questão não se encerra em termos quantitativos. COMO serão gastos estes recursos é que são outras... Com médicos e enfermeiros e medicamentos ou com burocracia?


Petróleo supera US$ 94 por causa do índice das reservas e taxa de juros nos Estados Unidos
O preço do barril do petróleo cru subiu 4,6% nesta quarta-feira e fechou em recorde de US$ 94,53 em Nova York. A divulgação da queda das reservas de petróleo nos Estados Unidos e o corte da taxa básica de juros, em 0,25 ponto percentual, pressionaram a commodity. No final do pregão regular da Nymex (Bolsa Mercantil de Nova York, na sigla em inglês), os contratos do barril do petróleo cru para entrega em dezembro aumentaram US$ 4,15 diante do fechamento anterior e estabeleceram um novo recorde. Próximo ao fim da sessão, o valor do barril do tipo WTI alcançou US$ 94,74.

Presidente da Petrobras avisa que vai subir o preço do gás natural
O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta quarta-feira que o preço do gás natural deve subir para os consumidores finais no Brasil. Ele não soube estimar um valor ou um prazo para o preço do gás natural subir, mas disse que a Petrobras não tem condições, "pelo menos no curto prazo", de atender a demanda por gás natural. Segundo dados do governo, o gás natural responde por 8,3% da energia consumida no Brasil em 2006. A previsão da Petrobras é que esse número ultrapasse 12% até 2010. O Brasil tem a segunda maior frota mundial de carros movidos a gás natural, atrás apenas da Argentina. O presidente da Petrobras disse que o fornecimento de gás só foi cortado para as distribuidoras Ceg e Ceg-Rio porque as duas companhias estão consumindo hoje mais gás natural do que o que foi acertado no contrato.



Vale do Rio Doce avisa que não pagará mais caro por equipamentos nacionais
A Companhia Vale do Rio Doce manterá a política de buscar máquinas e equipamentos mais baratos, sem privilegiar o mercado local. A informação é do diretor de Finanças e de Relações com Investidores da empresa, Fábio Barbosa. Ele justificou dizendo que deve atender aos anseios dos acionistas da empresa, tanto brasileiros quanto estrangeiros. "Será que meu acionista quer que eu pague mais caro por um equipamento apenas por ele ser nacional? Não podemos pagar pelas distorções que o sistema tributário brasileiro impõe. Se há distorções, têm que ser corrigidas por quem de direito", afirmou ele. O executivo destacou que o interesse da Vale do Rio Doce é manter alianças com a indústria nacional. Barbosa destacou que as condições para investimentos da indústria de bens de capital no Brasil vêm melhorando, citando como exemplo a queda da taxa de juros e prazos mais alongados e taxas menores por parte do BNDES. Ele sugeriu que a questão relativa a tributos seja mais debatida.

Como disse sobre a questão da CPMF mais acima. Não tem que se debater o imposto em isolado. O diretor está coberto de razão, à propósito. O tosco nacionalismo é a justificativa para a preservação de nossos vícios institucionais que só nos mantêm atrasados como país. Como dizia o falecido (e excelente congressista) Roberto Campos "ser patriota não é ser populista".

Jornal argentino diz que Petrobras ofereceu US$ 900 milhões pela Esso no Cone Sul
O jornal econômico argentino "El Cronista" disse nesta quarta-feira que a Petrobras ofereceu cerca de US$ 900 milhões por ativos da Esso na América do Sul. "A empresa brasileira está a ponto de comprar as operações na Argentina, no Brasil, no Chile e no Uruguai", afirma o diário. "As negociações estão muito avançadas e a compra seria fechada nos próximos dias", acrescenta o El Cronista. O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, disse nesta quarta-feira, em Londres, que a empresa "não pode confirmar, nem negar a informação". Segundo o "El Cronista", a empresa estatal argentina Enarsa, criada no governo do presidente Néstor Kirchner, entraria no negócio assim que fossem concluídas as vendas dos ativos da companhia Exxon Mobil, dona da Esso, para a Petrobras. A Esso possui 90 postos de gasolina no país e outros 500 tercerizados. A companhia da Exxon conta ainda com uma refinaria na localidade de Campana, na província de Buenos Aires, e ativos em outros países da região. Mas sua presença é mais forte no Brasil, onde, de acordo com assessores da Petrobras, a empresa brasileira multiplicaria seu potencial caso a transação comercial com a Esso seja confirmada.

Pena que o comportamento da Petrobras não é similar no plano interno como o faz como global trader. Pena...


Funcionários da Infraero vão entrar em greve na terça-feira
Os funcionários da Infraero no aeroporto internacional de São Paulo, em Guarulhos (Grande São Paulo), devem entrar em greve na madrugada da próxima terça-feira, de acordo com o diretor do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, Francisco Lemos. O movimento ocorre um dia após o retorno do feriado prolongado de Finados. Nesta quarta-feira, cerca de 500 funcionários decidiram parar de fazer horas extras, o que ocasionou grandes filas no setor de embarque. Segundo o sindicalista, as horas extras são comuns em Cumbica porque o terminal opera no limite de sua capacidade. O sindicalista afirma que a greve ocorrerá porque a Infraero descumpriu um acordo assinado em julho último, às vésperas dos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, que previa reajuste de 6,5% nos salários para o começo deste mês. A empresa não pode dar aumento para seus funcionários porque precisa desviar os recursos para a corrupção. A Infraero é um dos órgãos mais corruptos da administração federal, ao lado da Anvisa e da Funasa.

Caso similar ao relatado pela CVRD... O país não pode deixar de mudar seus vícios estruturais para manter anomalias institucionais. Querem aumento? Façam uma reengenharia de custos primeiro.


Federal Reserve dos Estados Unidos corta sua taxa de juros para 4,5%
O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manteve a orientação do mês passado e reduziu sua taxa de juros em mais 0,25 ponto percentual, para 4,5% ao ano. O banco mais uma vez agiu para evitar que a crise imobiliária em curso no país, agravada a partir de agosto pela crise no mercado de hipotecas de risco, ultrapasse o limite do setor financeiro e atinja a economia como um todo. Com essa diminuição dos juros nos Estados Unidos para ativar a economia, os dólares ingressarão em maior quantia no Brasil, buscando maior remuneração.

Dólar fecha a R$ 1,73 e bate menor nível desde março de 2000
A taxa de câmbio recuou para o seu menor nível desde o dia 24 de março de 2000, nos últimos negócios fechados nesta quarta-feira no mercado financeiro. O dólar comercial foi cotado a R$ 1,737 para venda, em declínio de 0,96%. Os participantes do mercado financeiro operaram à espera da reunião do Federal Reserve, que anunciou às 16h15 a nova taxa básica de juros norte-americana: 4,50% ao ano, ante 4,75%. Para economistas, o distanciamento entre os juros norte-americanos e brasileiros (a taxa básica do País é de 11,25%) pode atrair mais recursos para o País e derrubar ainda mais a taxa de câmbio.

Para mim é uma excelente notícia. Chega de se pautar em exportações beneficiadas pelo dólar alto. Se querem aumentar as exportações, que se faça, de uma vez por todas, uma reforma tributária.

Tuesday, October 30, 2007

Toma que o filho é teu


O espectro de Malthus ainda ronda a consciência dos países subdesenvolvidos em torno da escassez de recursos.


Muitos dos representantes de ONGs e centros de pesquisa universitários no Brasil são menos hipócritas do que ignorantes, mesmo. O não reconhecimento de focos de criminalidade em áreas específicas pressupõe a não discriminação, mas na realidade não assume o crime enquanto crime, não lhe atribui causalidade tangível. O jargão marxista de que por trás das aparências existe uma essência, assim como a matéria tem uma estrutura molecular serve, na realidade, de salvo-conduto para não dizer nem apontar o que qualquer morador de periferia sabe. Nossos acadêmicos e militantes forjam sua própria falsa consciência ao tapar o Sol com uma peneira. Vejamos o caso da pesquisadora Adriana Gragnani, descrito por Janer Cristaldo. Sua crítica a declaração do governador fluminense que defendeu a contracepção como expediente para combater a miséria e a criminalidade, se dá com base em que o “direito ao próprio corpo” das mulheres não deve incluir o “direito ao próprio corpo com o intuito de não proliferar a miséria e outros ‘subprodutos’ indesejáveis”. Embora, a moça não o afirmasse, sua proposição de que o direito ao corpo não se relaciona a um fim relacionado, passa a idéia de uma agenda vinculada a uma causa. Parece que se trata de um “direito” para se cobrar um dever do estado em financiar sua prole, isto sim. O que também é corroborado pela ongueira, Camilla Ribeiro ao lamentar a falta de um “estado protetor” aos pobres.

A tal Gragnani está certa em dizer que o desenvolvimento é conseqüência da elevação do nível de vida tanto quanto se pode abusar da tautologia porque, no contexto em que foi dito, são as mesmíssimas coisas. Esta controvérsia entre o que deve vir primeiro, o desenvolvimento ou a contracepção, o ovo ou a galinha é a que embasou, em passado recente, anti-malthusianos (que defendem o “desenvolvimento” como política) contra os neomalthusianos que, como herdeiros de Malthus[1], defendem métodos contraceptivos. Estes mais práticos e rápidos em seu resultado: de não aumentar o tamanho da miséria.

Evidente que a mera contracepção não acaba com a miséria e a criminalidade, por si só. Mas, tem o efeito benfazejo de diminuir o crescimento do problema permitindo com isto, tornar os custos para soluções significativamente menores. O argumento do desenvolvimento social como panacéia sempre foi usado para refutar a contracepção, vista como expediente “imperialista” já que advogado pelos representantes dos países ricos. A crítica dos anti-malthusianos tinha um tom revolucionário como se fosse possível, numa tacada só, resolver todas deficiências sociais na área da educação, segurança, saúde e emprego em uma estratégia conjunta através da distribuição de renda. A velha cantilena da revolução totalitária como libertação humana...
Se formos compelidos a optar por uma única alternativa, claro que a anti-malthusiana que prega o desenvolvimento através da geração de empregos e escolarização é a melhor. Mas, não é tão simples assim, ainda mais quando se sabe que a bi-polaridade destas posições é uma falsa questão... Onde quer que tenha ocorrido a adequação demográfica às condições de subsistência, as massas adaptaram-se sozinhas na busca pela melhoria da qualidade de vida. “Massas” aqui se constituem de indivíduos, que provocaram esta transição demográfica, rumo à redução da natalidade simultânea à queda dos índices de mortalidade. Menos filhos e maior expectativa de vida.
A migração rural-urbana chegou a levar uma centena de anos em alguns países europeus na passagem do século XIX ao XX. Não foi um governo ou “política social” que ensinou aos europeus a vantagem de ter menos filhos, foi a necessidade em um meio no qual ter muitos filhos não era um “bom negócio”. Ao contrário da realidade rural, na qual, filhos são mão de obra, na cidade são, antes de tudo, custos. O motivador foi determinante para se moldar uma cultura com tons administrativos em prol da unidade familiar. Não se trata de “economicismo”. Se fosse este o caso, regiões que demandam tal desenvolvimento e se encontram em franco processo de urbanização como a África Subsaariana e o Sudeste Asiático já estariam no mesmo caminho. O veredicto sobre a transição demográfica – quando ambas taxas de natalidade e mortalidade caem em sintonia --, não prescinde do chamado “capital cultural”. É necessário perceber que isto vai além das variáveis econométricas, se constituindo em uma resposta apreendida que procede de uma dada sociedade à pressão econômica, mas que nem todas foram, historicamente, capazes de efetivar.
A urbanização acelerada de décadas na conjuntura do pós-guerra nas sociedades latino-americanas, no entanto, não garantiu um aprendizado e transições auto-sustentáveis do ponto de vista do núcleo familiar. O que não significa que isto não esteja, tardiamente, ocorrendo. As taxas de crescimento vegetativo (crescimento populacional exclusive as imigrações) estão caindo em países como o Brasil que passou de 3% nos anos 60 para os atuais 1,3%. Em grande medida, as melhorias sociais que ocorrem em nosso país não derivam de políticas públicas, mas sim da resposta e adequação que os próprios indivíduos são capazes de dar.
A elevação do nível de vida não é, portanto, obra de um governo ou política de estado neste sentido. A interferência estatal, quando ocorreu, se limitou à distribuição de preservativos e anticoncepcionais. Há uma diferença entre estas e o fornecimento de bolsas-família nas quais não se cobra por nada em troca. A contracepção parte, antes de tudo, de uma decisão sobre a projeção de um problema futuro. O planejamento familiar e a contracepção são heranças do empenho a partir do legado de um capital cultural antiestatal contra a prática assistencialista endossada pelas “ações afirmativas”. Portanto, o direito ao próprio corpo pelas mulheres não deve servir de meio para inoculação de agendas ideológicas com o que deve ou não se relacionar. Isto só cabe aos indivíduos decidirem. Não importam quais sejam seus motivos (como a redução da criminalidade devido à parca subsistência), se seus efeitos, como uma melhor administração de recursos escassos dizerem respeito a quem mais sofre com a responsabilidade última de criar os filhos.
“Eles se preocupam quando nossos índices de natalidade aumentam, mas não dizem nada quanto às altas taxas de mortalidade infantil...” Era um mantra constantemente repetido em minhas aulas na faculdade. Os anti-malthusianos eram bem representados por socialistas, terceiro-mundistas, especialmente os nacionalistas que viam na força de trabalho em crescimento, um recurso necessário ao desenvolvimento do seu idolatrado, estado-nação. A idéia de que técnicas contraceptivas pudessem ser adotadas como parte de um programa de alfabetização e educação globais só viria a fazer parte, infelizmente, bem mais tarde no ideário comum das delegações que se reuniam em torno do tema em conferências internacionais.
Enquanto neomalthusianos tinham como premissa que “se é pobre porque se têm muitos filhos”, os “politicamente corretos” anti-malthusianos diziam que “se tem muitos filhos porque se é pobre”. Só que a receita como corolário destes era tomada por vias tortas, isto é, com aumento de gastos estatais.
Os neo geralmente se constituíam por delegações de países ricos e os anti pelas de países pobres. Nunca chegavam a um denominador comum e os debates não eram nada profícuos nas décadas de 70 e 80. Mas, décadas de sucesso de políticas antinatalistas (mais bem sucedidas devido ao acato individual que qualquer imposição governamental) sem controle compulsório da natalidade ao estilo chinês, foram bem sucedidas onde adotadas. Nos anos 90, os anti se renderam a força dos fatos, tanto quanto os neo também tiveram sua contribuição ao considerar cada vez mais a necessidade de educar quem utilizaria tais métodos, ou seja, as mulheres.
Devido à opressão e submissão a que são submetidas nos países subdesenvolvidos, até os anos 90, 80% dos analfabetos no mundo era do sexo feminino. Não há como usar pílulas anticoncepcionais nos rincões rurais do III Mundo sem saber ler... Sem alfabetização (anti-malthusianismo) não se pode adotar com eficácia um método contraceptivo (neomalthusianismo).
Como conseqüência da mudança desta alteração de curso, em 1994 foi realizada no Cairo, a Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento (C.I.P.D.) que agregava pressupostos de ambos grupos numa tentativa de ação sinérgica. Parecia que o bom senso, finalmente, havia chegado. Mas, um grupo de delegações irresponsáveis se opôs. Adivinhe quem? Quem acha que procriar feito coelho é “louvar a obra divina”? Dou-lhe uma, dou-lhe duas... O VATICANO, os MUÇULMANOS e a ARGENTINA[2] se opuseram a C.I.P.D.

Quando reclamarem do número de crianças nos semáforos, de esquálidas figuras humanas na Etiópia e Somália, e quiserem encontrar co-responsáveis, olhem em direção ao Crescente e o Crucifixo.



[1] Thomas Robert Malthus mesmo, como pastor que foi, defendia a abstinência sexual como solução para o problema da superpopulação. Mesmo para religiosos como ele, a medida deve ser relativizada, pois teve vários filhos, o que não devia ser lá nenhum absurdo em fins do século XVIII…

[2] A delegação argentina foi orientada pelo governo de Carlos Menem para não se opor ao Vaticano por razões nitidamente eleitoreiras: para não alimentar a crítica de setores católicos conservadores contra o governo do presidente argentino, de ascendência árabe.

Artigos sobre a propriedade privada

O valor da propriedade privada - Neste excelente artigo, Mailson da Nóbrega avalia a impotância da propriedade privada e os riscos de uma equivocada legislação que relativiza seu conceito. Através do expediente da "função social" pode se levar à sua desapropriação, não sendo mais do que um pretexto para a mera apropriação indevida de recursos.


A Propriedade e sua Função - Neste interessante ensaio, Klauber Cristofen Pires tráz o debate sobre a propriedade em contraposição à idéia de sua "função social" para uma avaliação judídica, filosófica, econômica, praxeológica e, para mim, a mais importante das questões, a moral.


Embora os supracitados artigos não toquem no tema ambiental, a noção geral que se tem, é de que o movimento ambientalista seja, essencialmente, antiliberal porque sua militância odeia o capitalismo. Mas, esta confusão é o primeiro passo para a ignorância e, conseqüentemente, para darmos força aos detratores do liberalismo ao não resgatarmos o que há de bom e salutar no próprio ambientalismo. Embora haja leis que relativizem o conceito de propriedade privada ao permitir sua regulação em prol de “uma distribuição eqüitativa da riqueza pública e para cuidar de sua conservação”[1], o que se entende por “legislação ambiental” é bastante genérico podendo servir, contrariamente a tendência, para a defesa da propriedade privada ao evitar danos à mesma e a destruição de elementos que a constituem. Trata-se de uma faca de dois gumes.


O tom jurídico do que se chama “lei ambiental” vai depender do contexto social no qual a dita lei esteja inserida. Enquanto que em paises como o Brasil, falar em direito ambiental geralmente atenta contra o direito individual de propriedade em outros paises é exatamente o contrário. Há exemplos de países na qual a defesa que se fez da propriedade se dá consoante da própria defesa do meio ambiente. Seria o caso de pensarmos, não contra, strictu sensu, o ambientalismo, mas de harmoniza-lo aos interesses dos indivíduos enquanto indivíduos. O problema é que “direito ambiental” hoje no Brasil não é visto como co-partícipe da propriedade privada, mas como “direito coletivo” ou “difuso”.


[1] FREITAS, Vladimir Passos de. A Constituição Federal e a Efetividade das Normas Ambientais. 3ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2005, p. 26.

Wednesday, October 24, 2007

O Passado é a Chave para o Presente: Aquecimento e Resfriamento através do Tempo*


Ao longo do tempo

O planeta Terra condensou-se há 4,5 bilhões de anos de poeira de estrelas recicladas. Desde então, os continentes têm se movido, os materiais da terra se reciclado constantemente e todos seus ecossistemas têm evoluído dinamicamente. A Terra não deixou de ser um sistema dinâmico em desenvolvimento apenas porque os seres humanos vivem agora, de forma permanente, em quase todos os continentes.

Desde que houvesse água na forma líquida nos continentes, havia possibilidade de vida. As bactérias diversificaram-se lentamente e, com o envelhecimento do planeta, um grupo de bactérias emitiu grandes quantidades de oxigênio, cuja menor proporção ficou retida na atmosfera. O excesso de oxigênio foi preso nas rochas e uma quantidade maior dissolvida nos oceanos tendo como resultado a precipitação de óxidos de ferro. São estes óxidos de ferro que formaram os grandes campos de minério de ferro do planeta (como, por exemplo, a Serra de Carajás no Pará). A vida, a atmosfera, os oceanos e as rochas interagiram em um processo que levou, pelo menos, 2,5 bilhões de anos em nosso dinâmico planeta.


* Adaptado de IAN PLIMER, The Past is the Key to the Present: Greenhouse and Icehouse over Time.

Comércio e Técnica


http://www.freepatentsonline.com/6658568.html

A evolução das técnicas empregadas pela humanidade se confunde com esta própria e, especificamente, com a administração pública ou privada. Os estados modernos que estenderam seus domínios ao final do feudalismo não prescindiram do aumento de seus corpos burocráticos, cada vez mais especializados. Mas, isto é apenas parte do conjunto. Se formos avaliar o que impulsionou a técnica, aí está o comércio que cresceu a partir dos burgos. Não raro, a burguesia nascente se aliou com monarquias para reduzir o poder das oligarquias, o que, por sua vez, também levou ao crescimento da própria acumulação capitalista e poderes estatais.

Separado do comércio e de sua decorrente competitividade, a técnica não encontrou solo fértil. É o caso lapidar da 3ª Roma, mais conhecida como URSS. Como uma nação que levou o primeiro satélite artificial ao espaço, que desenvolve até os dias atuais uma moderna indústria aeroespacial com seus acrobáticos MIGs não obteve, no setor de bens de consumo, fazer algo melhor do que um Lada?

Globalização e Gordura

Ué?! A globalização não causa empobrecimento?! Então, como se explica o aumento do peso na maioria das pessoas em 63 países?!?! Algo, simplesmente, não bate com as "informações" divulgadas pela mídia de esquerda, anti-globalização. O que será que os vagabundos que protestam em Davos ou no Fórum Social Mundial de Porto Alegre teriam a dizer sobre este evidente exemplo de sucesso do capitalismo???
METADE DA POPULAÇÃO MUNDIAL ESTÁ ACIMA DO PESO
Mais de metade da população mundial está obesa ou acima do peso, apontou pesquisa global publicada nesta terça-feira na revista científica norte-americana Circulation Journal. O estudo, que analisou dados de 182.970 pessoas de 63 países nos cinco continentes, mostrou que 50% das mulheres e 60% dos homens analisados estão acima do peso ou obesos. Os pesquisaores, liderados pelo médico Beverley Balkau, do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisas Médicas da França, utilizaram o Índice de Massa Corporal (IMC) para avaliar o grau de obesidade dos voluntários. O IMC é um padrão internacional e é calculado dividindo-se o peso pela altura ao quadrado. O país com maior número de obesos (entre os analisados) foi o Canadá (36%) e as regiões com os menores índices de obesidade foram o leste e o sul asiático (7%). Os Estados Unidos não foram analisados na pesquisa.

Porto Alegre, 24 de outubro de 2007 - www.Videversus.com.br - nº 822

Monday, October 22, 2007

Turcos vs. Curdos vs. Curdos


"A guerra educa os sentidos, concita a vontade para a ação, aperfeiçoa a constituição física."
- Emerson, Miscellanies: War.

Apesar das diferenças entre o Governo Regional Curdo (KRG) e o Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK) é do interesse do primeiro manter o PKK contra os turcos preservando assim seus interesses no óleo regional, bem como os investimentos externos.

21 de outubro passado, rebeldes curdos mataram 17 soldados turcos. Com a promessa de um cessar-fogo no dia 22, o PKK conseguiu conter uma incursão turca, ao menos temporariamente. Se a Turquia esperava uma justificativa para a invasão, agora ela a tem. A Turquia tem enorme interesse em arrefecer os ânimos autonomistas do Curdistão, especialmente agora que influxos de investimentos externos têm criado a base para seu fortalecimento. Os planos de Ancara visam criar uma “zona tampão” que assegure a fronteira turca de possíveis entradas inimigas.

Para atingir seu intento, os turcos pretendem insuflar ainda mais o divisionismo interno curdo, especialmente entre dois partidos, a União Patriótica do Curdistão (PUK) de Talabani, que controla o Curdistão no sudeste iraquiano e o Partido Democrático do Curdistão (KDP) de Barzani, que controla o noroeste.

O núcleo da região curda compreende as montanhas entre a Turquia, Irã, Síria e Iraque defendendo sua etnia de uma ocupação e integração, mas que através dos séculos também ajudou a fomentar profundas rivalidades internas. Uma guerra civil envolvendo o PUK e o KDP já ocorreu em 1994. E o Partido Democrático (KDP) já apoiou o ataque turco contra o PKK em 1997, assim como a União Patriótica (PUK) recebeu alguma ajuda do Irã para lutar contra o KDP durante a Guerra Civil Curda.

Com um espírito de união desses, não é à toa que Ancara e Bagdá (nos tempos de Saddam Hussein) tenham tirado vantagens no afã de consolidar seus projetos hegemônicos ao norte e ao sul, respectivamente. Os líderes Talabani do PUK e Barzani do KDP mantiveram uma aliança conjuntural apenas por ocasião da invasão americana no Iraque para maximizarem seus benefícios. Foi a partir de então que companhias americanas e canadenses, principalmente, sentiram o terreno propício a suas incursões para o desgosto turco. E lembremos que a Turquia é uma tradicional aliada da OTAN...

No entanto, todo investimento externo é bem dividido entre o PUK e o KDP, o que revela uma frágil união entre Talabani e Barzani. Não há, portanto, um esteio econômico comum... Ancara sabe disto e não vacilará em explorar a diferença deles. Além disto, Kirkuk é uma cidade-pólo para o Curdistão, da qual tanto um quanto outro a disputam como legítimos líderes. Por trás disto tudo, a Turquia se concentra em quebrar a unidade que o Governo Regional (KRG) almeja. Ao final das contas ou a Turquia invade o Curdistão impondo um regime de força ou explora alianças regionais com Talabani, visto como mais pragmático contra Barzani, um típico guerrilheiro tribal. Com 74 anos de idade, este talvez seja o coringa que resta na manga de Talabani...

Baseado em Iraq: New Strategies. May 17, 2004 23 59 GMT. By George Friedman – www.stratfor.com

Mídia não opinativa




Críticos da mídia apontam o esquerdismo como principal “desvio” da função da mídia e de seu dever de bem informar. Penso que é mais do que isto, bem como anterior a isto tudo. Conversando com jornalistas que criticam a “mídia opinativa”, em especial os que se pautam pelo “politicamente correto” vejo que defendem uma “mídia isenta”, a qual exerceria o verdadeiro jornalismo. Anos atrás li um livrinho sobre a Inglaterra, Um Canal Separa o Mundo ou algo assim, já nem me recordo direito do título. Havia uma seção que comentava sobre a mídia britânica, muito interessante. Argumentava que na Inglaterra não há o que se chama no Brasil de “furo jornalístico”. A agência que fornece informações é comum a vários jornais. A função precípua destes era de opinar mesmo. Quem compra um jornal X sabe que tem opinião diferente de um jornal Y e o faz por desejar uma avaliação singular. Não se procura o fato em si (este já está implícito), mas a opinião (ou opiniões se se tratar de compará-las) de um meio de comunicação.

Agora eu me pergunto se a montanha de informações distribuída sobre o desempenho do Brasil nos índices de credibilidade econômica tomadas como algo factual ou “isenta” têm alguma credibilidade no sentido de bem informar após a notícia abaixo?

Muralhas da China
Os analistas financeiros vivem momentos incômodos, um estudo, aponta que cerca de dois terços dos analistas de Wall Street recebem favores profissionais de executivos.
VER INFO >>
América Economia
, 7 de outubro de 2007. Edição 347.


Mídia isenta ou não opinativa não passa de outro sonho de virgem...

Sunday, October 21, 2007

A César o que é de César


A efígie de Che Guevara virou um ícone para os desavisados, tolos e hipócritas ou, na melhor das hipóteses, uma mercadoria para biquinis e camisetas manchadas com o sangue das vítimas do assassino que a história se encarregou de mistificar.



No dia 17 passado, Carlos Heitor Cony comentou os 40 anos da morte de Che Guevara na BandNews. Começou “bem” lembrando os “50 anos de sua morte” e terminou “melhor ainda” dizendo que foi um herói que cometeu erros, pequenas falhas como assassinar quem discordasse dos seus propósitos revolucionários. Detalhes para quem o definiu como “maior herói do século XX”! Eu não compreendo mesmo o conceito de herói...

Para o site Vermelho: a esquerda bem informada em Goebbels inspira Veja, a revista faz parte de uma “rede mundial de comunicação neomacartista”, cuja matéria histórica “Che: há quarenta anos morria o homem e nascia a farsa” põe uma pá de cal no facínora. O site dos fosseis vivos comunistas também critica a analise de Cony porque o mesmo teria chamado Che de um “péssimo administrador”, no que está coberto de razão. Alçado ao posto de Ministro da Economia após a Revolução Cubana, Che não se adaptou e deixou Cuba para fazer o que sabia: matar ameaçando populações a adotar o modelo comunista no Congo e depois na Bolívia onde foi finalmente e, merecidamente morto.

Mas, ouvindo Cony hoje notei que sua constatação não tem boa justificativa. Che teria continuado sua sanha guerrilheira porque era um adepto da “revolução permanente” não aceitando a influência (e direção) soviética, tampouco a de Fidel. Não é bem assim, a teoria da “revolução permanente” de Trotsky não era apenas de continuar a revolução em outros paises, mas de avança-la também nos que já tinham derrubado a burguesia. Caminhando do socialismo e de sua “ditadura do proletariado” ao comunismo, a teoria original marxista, compreenderia a própria extinção do estado. Apenas lembremos que Trotsky, então Comissário de Guerra da revolução teve em seu currículo de revolucionário, a repressão à Revolta de Kronstadt em 1921, na qual milhares foram executados. Nada mais irreal, portanto, para a práxis que adotava Guevara pinta-lo como um “libertário”, antiestatista ou coisa que o valha. Ele se afinava mais com Lênin na busca pelo poder a qualquer custo do que entrega-lo as massas subordinadas pelo totalitarismo comunista. Cony erra porque é mal informado; os vermelhos do Vermelho, por sua vez, erram porque são deturpadores ou fanáticos (o que dá no mesmo).

Entre fatos e deturpações existem interpretações. Vi muitas opiniões sobre o filme Tropa de Elite, mas há algo que penso ter escapado entre os que viram a ascensão neofascista no apelo por um justiciamento e a brutalidade policial como panacéia.

O filme tem o grande mérito de tomar posição em uma sociedade, cujas opiniões costumam ser insípidas. E é disto que o filme trata, das diferentes posições assumidas e suas conseqüências, inclusive da posição de não se posicionar, do “deixa estar” estudantil justificado de modo generalizante pela corrupção policial. No filme, a idiotia esquerdófila da “vitimização social” me pareceu bem ironizada pelo debate sobre Foucault em um curso de Direito. Hilário...

Só tenho duas observações a fazer sobre opiniões recorrentes sobre o panorama tratado no filme:

1ª) A legalização das drogas acabaria com o trafico. Isto, por si só, não basta. Sei que o filme não trata, explicitamente, desta questão, mas gostaria de chamar a atenção para que ninguém interprete mal achando que se sugere que a liberação seja suficiente para conter o crime. Conter o tráfico é uma coisa, conter o crime é outra... Imagine como seria uma simples legalização em nosso país, no qual adolescentes que participam de “rachas” e matam aleatoriamente... Apesar da obrigatoriedade do teste do bafômetro ter entrado em vigor com o Código de Trânsito em 1998, quem se recusar a faze-lo pode optar por pagar uma multa. O que não ocorreria se o consumo de maconha ou cocaína for legalizado? E se tratar de “celebridades”, a coisa fica pior ainda. Se a lei é permissiva com os erros de alguns, se abre um precedente para todos.

Mesmo na referenciada Holanda, onde o consumo de maconha é permitido, não se pode faze-lo em qualquer lugar de modo incondicional. O consumo fora de casa ou dos cafés é crime há mais de oito anos e, além disto, o país assiste há uma tendência inversa, de fechamento deste tipo de estabelecimento. É disto que nossa sociedade se exime. Assim como quase ninguém pensa sobre o que seria a ação contumaz de uma polícia correta e ordeira. Ou os cariocas e brasileiros em geral querem uma polícia dando batida em quem dá uma cheiradinha na Zona Sul carioca e bairros nobres de nossas metrópoles? A corrupção policial não existe no vácuo, ela é produto nosso. Se realmente queremos mudar as coisas, tem que se ir muito além da liberalização. Parafraseando o velho mestre Adam Smith “the inhabitant of the breast, the man within, the great judge and arbiter of our conduct”, a liberdade compreende grandes doses de responsabilidade ausentes em nossa cultura.

2ª) Outro dado que acho importante frisar é que com uma polícia tendo que torturar, para obter informações urgentes, o caso do protagonista do filme, o Capitão Nascimento é sintomático. Não foi a tortura que o levou a uma momentânea perturbação, mas o fato de ter libertado um informante que, sob coação, denuncia comparsas levando-o ao inevitável destino de cruzar o Hades. Sua crise se agrava com a acusação feita por uma mãe de que eles, os policiais mataram seu filho ao liberta-lo. Dentro do raciocínio do policial, a avaliação da mãe corrobora o que pensa sobre ser conivente com o tráfico: em uma das ações retratadas, o mesmo capitão esfrega o rosto de um consumidor no peito aberto de um dos traficantes pelas balas do BOPE acusando-o de ser responsável por sua morte. Outro mérito do filme é este, não cria heróis, mostra valentia mesclada com brutalidade convivendo com o erro.

Nossa sociedade não prescinde da tortura como método recorrente, infelizmente, porque se trata de uma guerra. Mas, é disto que se trata. A guerra é anarquia, falta de lei e império da corrupção. Com uma esquerda hipócrita (redundante, não?) e uma direita obtusa que vê o combate à corrupção como “perfumaria” estamos em maus lençóis.

Em nosso fantástico país, a morte de policiais não rende paginas de jornal nem consideração nenhuma por parte de jornalistas ou membros da elite cultural, artistas, personalidades ou celebridades. Em paises civilizados, por mais que se desgoste da policia, pelo menos subsiste um certo pensamento utilitarista quando um policial é morto: “se um bandido tem a audácia de assassinar um policial, imagine o que ele não faria comigo!” Por outro lado, a morte de um verme sanguinolento há 40 anos atrás na Bolívia provoca um rosário de lamúrias de tontos e imbecis que não são capazes sequer de entender o que significa defender a vida alheia. Cultuam assassinos, mas quando seus bens ou vida são ameaçados não titubeiam em clamar pelas “forças de repressão”.

Se o mérito pelos policiais desviarem as balas que seriam destinadas a nós ainda não encontra consenso por alguns, o mérito de Che já foi devidamente assegurado com um tiro de misericórdia no peito.

Tuesday, October 16, 2007






Se lhe pedissem para nomear o maior dos vilões do aquecimento global dos últimos 30 anos, eis aqui um nome que provavelmente não viria à mente: Jane Fonda. Mas será que deveria vir?

No filme "Síndrome da China" ("The China Syndrome", EUA, 1979), Fonda fez o papel de uma repórter de televisão da Califórnia que filmava uma otimista série sobre o futuro da energia naquele Estado. Ao visitar uma usina nuclear, ela vê os engenheiros entrarem subitamente em pânico devido àquilo que mais tarde foi chamado de "rápida contenção de um acontecimento potencialmente caro". Quando o dono da usina tenta acobertar o acidente, a personagem interpretada por Fonda convence um engenheiro a denunciar a possibilidade de um meltdown (derretimento do núcleo de um reator nuclear devido a resfriamento insuficiente) capaz de "tornar permanentemente inabitável uma área do tamanho do Estado da Pensilvânia".

"Síndrome da China" estreou em 16 de março de 1979 nos Estados Unidos. Com o movimento antinuclear no seu apogeu, o filme foi atacado pela indústria nuclear como sendo um ato irresponsável de esquerdistas semeadores de pânico. Mas 12 dias mais tarde ocorreu um acidente na usina nuclear de Three Mile Island, na região centro-sul da Pensilvânia.

Michael Douglas, produtor e ator do filme - ele fez o papel do cinegrafista de Fonda - viu o acidente em Three Mile Island no noticiário real da televisão, que sobrepôs cenas ao vivo da Pensilvânia a outras assustadoramente similares de "Síndrome da China". Ao contrário de Fonda, que era uma inimiga convicta da energia nuclear antes de fazer o filme, Douglas não era tão dogmático. Mas ele se converteu naquele momento. "Foi um despertar religioso", recordou ele em uma recente entrevista por telefone. "Senti que foi a mão de Deus".

Enquanto isso, Fonda tornou-se uma paladina total da causa. Em uma entrevista para a edição em DVD de "Síndrome da China" ela observa com satisfação que o filme ajudou a persuadir pelo menos dois outros homens - o pai do seu então marido, Tom Hayden, e o seu futuro marido, Ted Turner - a se voltarem contra a energia nuclear. "Fiquei fascinada pelo fato de o filme ter sido um grande sucesso comercial", disse ela. "Conhece a expressão 'Tínhamos pernas'? Pois transformamo-nos em uma lagarta após Three Mile Island".

O acidente em Three Mile Island, segundo um relatório da comissão presidencial de 1979, "teve início devido a defeitos mecânicos na usina, e tornou-se pior devido a uma combinação de erros humanos". Embora alguma radiação tenha sido liberada, não houve nenhum derretimento do núcleo do reator até o outro lado da Terra - nenhuma "Síndrome da China" - e tampouco o acidente de Three Mile Island causou mortes, ferimentos ou danos significativos, a não ser na própria usina.

O que ele produziu, com a ajuda de "Síndrome da China", foi um pânico generalizado. A indústria nuclear, que já não ia bem das pernas devido a pressões econômicas, públicas e regulamentações, cancelou os projetos para expandir-se. E, assim, em vez de termos nos tornado uma nação de energia nuclear limpa e barata, como antes parecia ser inevitável, os Estados Unidos continuaram construindo usinas de geração de energia que queimam carvão e outros combustíveis fósseis. Atualmente estas usinas respondem por 40% das emissões de dióxido de carbono vinculadas à produção de energia do país. Qualquer um que esteja buscando um vilão do aquecimento global não pode deixar de culpar essas usinas de energia à base de combustíveis fósseis - e também não pode deixar de questionar quais foram as conseqüências involuntárias do ativismo de Jane Fonda.

Mas a boa notícia é que a energia nuclear pode estar retornando nos Estados Unidos. Existem projetos para mais de 24 novos reatores e bilhões de dólares em potenciais garantias federais de empréstimos. Será que o medo do meltdown acabou, ou ele apenas foi substituído pelo temor do aquecimento global?

A resposta pode estar em uma tese de doutorado de 1916 do lendário economista Frank Knight. Ele fez uma distinção entre dois fatores-chaves para o processo decisório: risco e incerteza. A diferença fundamental, declarou Knight, é que o risco - por maior que seja - pode ser medido, enquanto a incerteza não.

Como é que as pessoas calculam risco e incerteza? Vejamos uma famosa experiência que ilustra aquilo que é conhecido como Paradoxo de Ellsberg. Existem duas urnas. A primeira, segundo lhe dizem, contém 50 bolas vermelhas e 50 pretas. A segunda também contém 100 bolas vermelhas e pretas, mas o número de bolas de cada uma das cores é desconhecido. Se a sua tarefa for pegar uma bola vermelha em uma das duas urnas, que urna você escolheria?

A maioria das pessoas escolheria a primeira urna, o que sugere que elas preferem um risco mensurável a uma incerteza imensurável (esta condição é conhecida pelos economistas como aversão à ambigüidade). Será que a energia nuclear, com os riscos e tudo o mais, é tida agora como preferível às incertezas do aquecimento global?

A França, que gera quase 80% da sua eletricidade a partir da energia nuclear, parece achar que sim. E também a Bélgica (56%), a Suécia (47%) e mais de uma dúzia de outros países que geram pelo menos um quarto da sua eletricidade a partir da energia nuclear. E qual é o maior produtor mundial de energia nuclear?

Por mais improvável que pareça, a resposta é... os Estados Unidos. Ainda que a construção de novas usinas nucleares tenha sido cancelada no início da década de 1980, os 104 reatores atuais do país produzem quase 20% da eletricidade consumida pelo país. Essa porcentagem na verdade aumentou com o passar dos anos, juntamente com o nosso consumo, desde que a energia nuclear tornou-se mais eficiente. Embora os custos fixos de uma nova usina nuclear sejam superiores ao de uma usina movida a carvão ou gás natural, a produção de energia nos reatores nucleares é mais barata: a Exelon, a maior companhia nuclear dos Estados Unidos, alega produzir eletricidade a 1,3 centavo de dólar por kilowatt-hora, contra 2,2 centavos no caso do carvão.

O entusiasmo pela energia nuclear pode estar em alta, mas ele sempre será contido pela menção de uma única palavra: Chernobyl. O desastre ucraniano de 1986 matou diretamente pelo menos algumas dezenas de pessoas e expôs milhões de outras à radiação. Um novo estudo feito pelos economistas Douglas Almond, Lena Edlund e Marten Palme revelam que em países tão distantes quanto a Suécia, nas áreas para as quais o vento carregou a nuvem radioativa de Chernobyl, os bebês que à época estavam no útero das mães apresentaram mais tarde um desempenho significativamente pior na escola do que as outras crianças suecas.

Mas o carvão também tem os seus custos, que não se restringem apenas àqueles relativos à ameaça do aquecimento global. Nos Estados Unidos, uma média de 33 operários de minas de carvão morrem a cada ano em acidentes. E na China, somente no ano passado, mais de 4.700 operários de minas de carvão morreram - uma estatística da qual o governo chinês se gabou como sendo uma grande melhora.

O acidente em Three Mile Island destruiu um dos reatores da usina. O outro, operado pela Exelon, continua silenciosamente a fornecer eletricidade para 800 mil pessoas. Em frente ao centro de treinamento da usina há uma pequena horta cercada com tela de arame: lá dentro há pés de milho, tomate e beterraba. A produção é monitorada para detectar a presença de radiação. Em uma recente visita, embora tivéssemos constatados que as plantas estão precisando bastante de água, elas vão, tirando isso, muito bem.

Lá dentro, Christopher Crane, o diretor de operações da Exelon Generation, falou sobre as barreiras que a indústria nuclear precisa enfrentar antes de ter permissão para construir novos reatores. Entre elas: a antiga questão referente a como se livrar do combustível usado e determinar se a população superou o seu medo dos novos reatores nucleares. Crane senta-se em uma sala de conferência dentro do complexo de Three Mile Island. A paisagem lá fora é sinistra: prédios grandes e sem janelas; cercas que trazem no topo espirais de arame dotado de lâminas afiadas; atiradores vestidos com coletes à prova de balas a postos. A segurança em todas as usinas nucleares aumentou desde o 11 de setembro. Se um visitante não soubesse onde se encontrava, acreditaria estar vendo uma prisão de segurança máxima.

Essa similaridade sugere uma resposta à questão levantada por Crane a respeito da aceitação pública de novas construções de usinas nucleares. Houve época em que as pessoas não queriam que novas prisões fossem construídas em seus quintais - até que decidiram que o risco era relativamente baixo, e que os benefícios, em empregos e dólares advindos de impostos, eram substanciais. Será que com as usinas nucleares acabará acontecendo a mesma coisa? O mercado parece acreditar que sim - as ações da Exelon triplicaram nos últimos cinco anos -, mas no fim das contas tudo poderá depender do tipo de filmes-desastres que Hollywood estiver planejando produzir.


Friday, October 05, 2007

Etanol nos EEUU


Engraçado como os críticos ao etanol e os biocombustíveis procedem. Quando se trata de um comentário ambientalista, “o etanol é poluidor, pois a queima da cana libera gases na atmosfera”. Óbvio, mas e a queima de hidrocarbonetos, não? E o etanol é tão poluidor quanto a gasolina e diesel puro? Também não. Outra crítica recorrente é que “a monocultura da cana impacta o meio ambiente esgotando os solos”. Mas, e a monocultura do arroz, do eucalipto, do trigo, do café, também não? Claro que sim. Assim faz toda e qualquer monocultura. Incansáveis, seus detratores continuam ao dizer que a cana impacta mais ainda. Então, a solução é a seguinte: meçam os impactos e os custos necessários para a reconversão dos solos em férteis novamente. É simples. E não vale o argumento de que isto não é feito pelo estado... Ora, não é o estado que deve faze-lo, mas a própria iniciativa privada, já que é ela que produz o etanol, catzo! Não faz? Se me disserem que não, então estão me dizendo, igualmente, que os empresários são burros porque jogam contra si mesmos. Claro que há reconversão dos solos que garante a perenidade da produção. Trata-se de uma curva, um “V” invertido de lucratividade que, quando começa a cair, destina-se aquele solo a outra cultura mais resistente ou barata. Ou ainda, se for o caso se busca algum tipo de compensação, gastando mais em adubos, cujas indústrias e comércio geram empregos.

Como a miopia não é privilégio da esquerda vejamos como os críticos de direita americanos também estão mais perdidos que cuscos em dia de procissão:



The ethanol boom of recent years appears to be slowing as the chaotic expansion of the industry hits multiple bottlenecks. Ethanol prices declined 30 percent in May, and the rate of decline has accelerated.

The federal government (with President Bush at the forefront) has been promoting ethanol for several years, primarily in order to curb dependence on foreign oil. Congress encouraged the expansion of the industry by requiring it as a fuel additive and by restricting other additives for “environmental reasons.” Corn growers benefited from skyrocketing prices, but then the law of unintended consequences came into play. The promotion of ethanol in fuel affected the poor most directly: Food prices rose rapidly, as nearly everything in the grocery store seemingly has some sort of connection with corn.

The pro-ethanol legislation triggered massive expansion and investment, which has now produced a flooded market, causing prices to plummet. Everything hinges on what Congress will do next—perhaps deregulation, but in an election year, candidates (with the exception of Ron Paul) are bound to be pledging more government involvement. In all of this, there is a frightening similarity to scenarios that played out repeatedly in the Soviet Union. Aside from what the few benefits of ethanol may be, Congress has no business meddling in the market.

…


AP
A no-brainer in Missouri



“Dependência do óleo estrangeiro”… Será que estes americanos que escreveram isto são americanos de fato, para serem assim, tão antiglobalização, tão anticomércio externo? Para mim, este é o típico argumento nacional-desenvolvimentista. Mais parece ter sido escrito para algum discurso de um Vargas ou Perón. A queda dos custos do etanol tende a fomentar indústrias de veículos nos EUA, bem como uma variante de distribuidores e comércio. E, por falar em “dependência”, a do petróleo árabe é, por acaso, mais estável?

Quando os socialistas travestidos de “ambientalistas” nos alegam que é preciso “superar o capitalismo” para por fim aos problemas ambientais, vozes sensatas nos dizem que o capitalismo se auto-supera, que suas crises induzem ao salto tecnológico etc., no que estou de acordo. Daí, quando Washington incentiva o etanol (também) por “razões ambientais” vêm estes americanos antiamericanos fazer escárnio de soluções neste sentido? É tosco demais.

Outro argumento a la Chávez, Fidel e MST é de que o incentivo ao etanol faz subir o preço de alimentos derivados da cana (no Brasil) e milho (nos EUA). Digamos que, por uma infundada hipótese, não haverá reacomodação futura destes preços graças à demanda interna e importações. Tomemos um flash do presente para replicar... E os empregos gerados pela indústria e setor comercial e de serviços derivada, não contam? Este argumento assemelha-se muito àquele dos sindicatos que, uma vez informatizados os serviços e com a entrada de computadores em repartições públicas, o desemprego aumentou. Alguém, a exceção dos próprios sindicatos, já utilizou uma metodologia ampla para ver o que aumentou em ofertas de postos de trabalho em outros setores, sem falar na criação de um setor totalmente novo e dinâmico da informática? Por suposto que não! É fácil criticar um objeto selecionando variáveis para satisfação de um wishful thinking paranóico e destrutivo. Difícil é ser objetivo.

Mais um pouquinho... Se os preços dos alimentos sobem, a renda familiar necessariamente cai. Mas, mesmo quando os próprios críticos americanos dizem que “Ethanol prices declined 30 percent in May, and the rate of decline has accelerated”? Se os preços declinaram 30% em apenas um mês (!), o etanol é um sucesso não apenas para as empresas, mas para todo o mercado consumidor e a renda familiar, ora bolas!

A maior participação (indutora, bem lembrado) do governo é maléfica. Isto é argumento fundamentalista, o que importa é o resultado final. Se concordarmos com este disparate, então a indústria da informática em seus primórdios também seria prejudicial, assim como a da aviação, uma vez que estas tiveram fortes incentivos governamentais. Afinal, os americanos têm estados, não têm? Se há alguma semelhança com a União Soviética, como sugere maliciosamente o texto, esta não é a dos mecanismos que promovem a indústria, mas sim o do tipo de argumento utilizado por estes “patriotas”.