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O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

Thursday, February 15, 2007

Entrevista sobre aquecimento global

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Obrigado pela ajuda Anselmo. Eis as perguntas:
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1) Qual a sua visão sobre o aquecimento global?

Há três vertentes teóricas sobre o aquecimento global:
1. A de que é induzido por causas antrópicas, isto é, humanas mesmo, como as emissões de gás carbônico e metano, por exemplo;
2. A de que é natural. Devido aos ciclos de resfriamento - eras glaciais - e seus intermezzos, que são de aquecimento. Estaríamos, neste sentido, vivendo um período de aquecimento por que acabamos de sair (em termos geológicos) de uma Era Glacial;
3. A de que é natural, porém incrementada pela ação humana. Ou seja, os dois fatores em conjunto estariam atuando neste sentido.
Uma quarta visão seria possível, a da causa humana com incremento natural, mas não conheço defensores desta. Mesmo por que, ao que me consta, a força das mudanças naturais é mais abrangente que os indícios de influência humana.
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2) Como você prevê o futuro do planeta no caso de um aumento do problema?

A cada sete anos, a ONU promove o Painel Internacional de Mudanças Climáticas, no qual são aventados vários cenários possíveis para o futuro. Não só nossa mídia, como a estrangeira mesmo prima por divulgar justamente as "imagens" mais catastróficas. Por quê? Ora! Por que notícia ruim e desgraça vendem! Quando da erupção do Monte Pinatubo nas Filipinas em 1992, uma nuvem de partículas bastante espessa foi formada em baixas latitudes, o que reduziu substancialmente as médias térmicas globais. A partir de então, os cientistas começaram a introduzir novas variáveis em seus modelos e previsões, como a nebulosidade. Vejamos como o raciocínio funcionaria: com o aquecimento aumentariam as taxas de evapo-transpiração. Num primeiro momento, teríamos aumento da temperatura para depois vir a queda da mesma. Em suma, ninguém sabe ao certo o que virá...
Qualquer informação com certezas neste campo é fruto de "achismos" e especulações proto-religiosas de quem confunde previsão com profecia.
O que eu acho? Que a nova idade do gelo ou era glacial poderá ser retardada ou ter efeito diminuído minimizando a perda de biodiversidade. Por isto desejo o aquecimento? Claro que não! Apenas desejo e torço para que cientistas e governantes não se deixem seduzir pelo catastrofismo ambientalista de políticos com interesses em maior controle estatal sobre a economia (como Al Gore) e de ONGs que amedrontam o cidadão comum para deter maior influência política e ganhos econômicos com subsídios e doações. Detalhe: sem pagar qualquer tipo de imposto definido democraticamente. Seriam como estas seitas religiosas que cobram de seus crentes prometendo o paraíso, só que, no caso, afirmando o inferno. E, pior ainda, criticam o que fazem os empresários e propõem tributos nos quais ganhariam cotas sem, necessariamente, fazer nada.
O pior cenário seria a elevação do nível dos oceanos e a retenção da vazão dos rios tropicais, nos quais grande parte da agricultura dos pobres é praticada. Daí, não restaria alternativa senão a fome e o controle populacional natural, i.e., via aumento da mortalidade no curto e médio prazos. O melhor cenário seria a adaptação tecnológica no longo prazo (um século, p.ex.) em que novas matrizes energéticas seriam popularizadas. E a não popularização de alternativas como hidroelétricas na África de hoje em dia é culpa de ONGs como o Greenpeace que, distantes dos povos subdesenvolvidos e no conforto de seus lares de primeiro mundo, condenam sua adoção devido a formação dos lagos das represas. Em suma, o Greenpeace não está nem aí para a espécie humana, particularmente em regiões como a África Subsaariana onde até 90% da população não têm acesso à eletricidade! Se seguíssemos seus conselhos no Brasil, voltaríamos ao lampião e ao desmatamento para obtenção de lenha...
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3) Quais as soluções práticas para o aquecimento global?

Hoje são os "sumidouros de carbono". Medidas propostas pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (M.D.L.) do Protocolo de Kyoto, nas quais o crescimento da biomassa absorveria o excesso de carbono na atmosfera, o que já está sendo aplicado em larga escala no Brasil (assim, como já foi na Europa Oriental).
Não confundir isto com o equivocado conceito de "pulmão do mundo"...
Não há consenso científico sobre os tais "sumidouros", mas eu os endosso pois são grandes fontes de negócio e influxos de investimentos externos. A Campanha Gaúcha tem sido um laboratório vivo para este tipo de ação que, além do compromisso ambiental com recursos do Bird via Bndes, tem dado uma alternativa à pecuária estagnada.
Novas tecnologias, como o tão propalado veículo a hidrogênio (http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2003/12/031227_carrosolarss.shtml) são extremamente promissoras; além disto, a flexibilização da matriz energética, prioritariamente baseada no petróleo em nível mundial e em hidroelétricas em termos nacionais. Não que uma, como a eólica, possa suprir toda nossa demanda, mas quanto mais diversificação houver, melhor será para se evitar o consumo desenfreado de um único recurso e também (o que não é menos importante) evitar blackouts econômicos, como ocorreu no Brasil e (bata na madeira) estamos prestes a ter novamente devido a incompetência do Ibama em autorizar a construção de mais de 40 novas usinas hidroelétricas.
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4) O que você diria para aqueles que possuem uma visão mais apocalípticado futuro do planeta?

Estudem. Não para pensar como eu, mas para poder propor algo. "Ecologismo" e não ecologia é o que tem sido feito, meramente. Há mais gente vivendo da ecologia do que para a ecologia. Como dizia o historiador Paul Veyne "crenças baseadas na paixão prestam mau serviço à própria paixão". Quer dizer que se você tem uma paixão, projeto, ambição não adianta, simplesmente, propor mudanças, ainda mais drásticas, sem conhecer em detalhe o que almeja mudar. Quem é ambientalista radical, se verdadeiramente ama a ecologia, deveria começar por ler, pelo menos isto, os missivistas da teoria do aquecimento global tal como é evidenciada hoje em dia.
Gente como o geógrafo inglês Philip Stott (http://greenspin.blogspot.com/); diplomatas como Paul K. Driessen que conhecem o Greenpeace e seus desmandos na África (http://www.eco-imperialism.com/main.php); Richard S. Lindzen, físico e meteorologista do MIT que é um dos mais severos críticos da teoria do aquecimento (http://www.cato.org/pubs/regulation/regv15n2/reg15n2g.html); Howard J. Herzog, pesquisador de alternativas energéticas do MIT que disponibiliza informações (http://web.mit.edu/catalogue/overv.chap6-lfee.shtml); Willie Soon, físico de Harvard (http://www.marshall.org/experts.php?id=44); e, a obra magistral de Lomborg (http://www.lomborg.com/) O Ambientalista Cético, já publicada no Brasil é obrigatória;
ou o básico sobre estas questões em páginas de divulgação científica (http://www.ncdc.noaa.gov/oa/climate/globalwarming.html#Q3), pois até hoje há quem confunda "aquecimento global" com "efeito estufa", p.ex., são passos iniciais básicos para adentrar em uma temática apaixonante com propostas e não, visões hollywoodianas apocalípticas de gente que enriquece espalhando o medo. (Não sou contra filmes de ação, mas não dá para levar a sério quem utiliza como argumento para o debate, thrillers como O dia depois de amanhã.
(Seus erros, por si só, já renderiam outra entrevista...)
O mínimo que se pode pedir, é que sempre se atente para dois pontos de vista ou mais para formar o seu. Tomemos um exemplo que são os incentivos para o reflorestamento e o florestamento (plantio de árvores onde não havia tal ecossistema): http://www.alerta.inf.br/index.php?news=532 que se opõe (através da proposta de criação de um fundo internacional de incentivo para a redução do desmatamento em países em desenvolvimento) e http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./natural/index.html&conteudo=./natural/artigos/mogno_cites.html que conclui de modo distinto. Se queremos mesmo nos aparelhar para entender qualquer problema, devemos conhecer o problema e seus oportunistas de "direita" e "esquerda" que pretendem capitalizar poder com o mesmo.
Hoje em dia, em tempos de internet, não há mais desculpas para a perenidade da ignorância. Só é ignorante quem quer. Basta clicar em dissidentes aquecimento global no Google e pronto, há farto material para começar uma pesquisa.
Amar a natureza e lutar por ela não significa ser um derrotista a priori que acha que o mundo é errado devido a nossa espécie, fruto de uma fantástica evolução que... também é natural.
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2 comments:

Ernesto Ribeiro said...

Magnífico.

O mais importante numa entrevista é o que ela acrescenta ao debate, o conteúdo. E essa foi a que mais recolocou minhas opiniões.

Você levantou tantas novas abordagens sobre um assunto que considerava-se já definido, que agora o próprio debate sobre o aquecimento terá que ser repensado.

Parabéns também pela atitude civilizada, de recomendar aos contendores que estudem, até mesmo para debaterem melhor.

Anselmo, você é um herói. Já divulguei essa entrevita por e-mail pra todo mundo, interessados ou não. Todo mundo devia se interessar.

João Thomas said...

Parabéns pelo exelente texto. Juro q mudei meu ponto de vista, há muitos interesses políticos e econômicos no aquecimento global.

um grande abraço

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