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a.h

Friday, November 11, 2005

Equívocos de Washington?

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Diplomacia inconseqüente

por Editoria MSM em 08 de novembro de 2005
Resumo: Os conservadores americanos precisam entender que a política latino-americana em geral, salvo talvez Chile e Colômbia, deve ser entendida à luz de uma única instituição: Foro de São Paulo.
© 2005 MidiaSemMascara.org

Enquanto Lula não vociferar contra Bush, a economia brasileira estiver razoavelmente sob controle e empresas privadas não forem sistematicamente perseguidas pelo Estado, a estratégia diplomática americana continuará tratando o Brasil como aliado na América Latina.

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A atitude dócil do presidente George W. Bush para com o Brasil é facilmente compreensível quando se sabe que a diplomacia americana, despida de seus instintos de sobrevivência mais básicos, vive à mercê do hedonismo de mercado, cegando-se para as estratégias políticas e entregando-se a um economicismo que beira o risível. São posturas assim permitem o surgimento de tipos como Hugo Chávez, que nunca escondeu suas pretensões revolucionárias e anti-americanas mas foi tratado a pão-de-ló pela direita americana até mostrar a que veio.

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Os conservadores americanos precisam entender que a política latino-americana em geral, salvo talvez Chile e Colômbia, deve ser entendida à luz de uma única instituição: Foro de São Paulo. A tentativa ingênua de comprar consciências via acordos comerciais e concessões diplomáticas unilaterais é suicida e apenas alimenta o inimigo.

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Somente agora, 15 anos após a fundação do Foro de São Paulo, é que jornalistas da FoxNews e do Washington Times começam, ainda que timidamente, a admitir a formação de um “Eixo do Mal” Latino-Americano gravitando em torno de Castro, Chávez e Lula. Mas os relatos do falecido Constantine Menges e de Bill Gertz a respeito da América do Sul, dissolvem-se em meio a questões geopolíticas mais importantes para os americanos: Iraque, Israel, Europa, Irã, China, Coréia do Norte, Bálcãs, Rússia etc.

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Contudo, o presidente Bush não quer outro problema além dos muitos que já tem, e vai levar a questão latino-americana em banho-maria até onde puder. Se possível, deixará o abacaxi para o sucessor. Enquanto isso, os conservadores brasileiros, pressionados de um lado pela estratégia continental da esquerda e abandonados do outro pela ingênua postura economicista pró-Lula da direita americana, ficam acuados e impotentes.

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Quais os equívocos da análise acima?

Eu discordo do editorial pelos seguintes motivos:

O que é um “economicismo que beira o risível”? Isto não passa de uma metáfora, pois a economia não segue independente de uma política. Quem acha que o Depto. De Estado americano tenta dar ponto sem nó nesta questão está completamente equivocado. A sedução feita pela economia – ainda mais com o incremento da economia de mercado via Alca – abortará, isto sim, qualquer movimento de base totalitária de ser bem sucedido. Ademais, um Kirschner da Argentina tem muito pouco a ver com um Chávez. O primeiro está mais para alguém que tenta evitar a tormenta que se avizinha no horizonte devido as suas falcatruas financeiras internacionais que consistem na moratória Argentina. O que não se percebeu no editorial é que ao cooptar o Brasil, num determinado momento de fragilidade política do governo do PT, Washington tentará quebrar a ligação que tem com a Venezuela e, por extensão a conexão Venezuela-Argentina. Washinton tira sua força justamente da alta capacidade (e efetivo) grau de corrupção latino-americano.

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A América Latina só não pode ser considerada tão importante para Washington como são o Oriente Médio, o leste asiático e Europa por que estes têm objetivos de curto prazo. Mas, se a questão é geopolítica vejamos um mapa: tomando a América Latina como aliada econômica através da Alca – e após ela dificilmente os latino-americanos deixarão se seduzir por populismos sem crescimento econômico sustentável -, o que falta é isolar o Oriente Médio tornado-se um aliado mais efetivo da China. E este caminho está sendo trilhado. Em que pese as aparentes discordâncias entre Washington e Pequim há toda uma dependência entre os dois gigantes há todo vapor. São dezenas de milhões de chineses incorporados a economia de mercado todos os anos e nunca na história da humanidade, uma classe econômica poderosa ficou alijada do poder político por muito tempo (que é a situação do empresariado chinês frente ao PCCh). É uma questão de tempo para que o Partido Comunista Chinês seja diluído em opiniões e dissensões que levem a democratização. Ademais, já existem divergências regionais em relação a Pequim que burlam o poder central facilitando a vida de empresas estrangeiras. O que importa, como dizia Deng Xiao-Ping, não é a cor do gato, desde que cace ratos...

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Alguém acredita piamente que Washington não tem várias cartas na manga para o Brasil e a América Latina? Isto tem sido concebido meticulosamente. A questão não será levada “em banho-maria” sem estratégia de longo alcance. Diferentemente do que a imposição pela simples força das armas, o que quer o governo americano é comprar os governos latino-americanos. E abre-se uma brecha política importante com a fragilidade do PT. E, se o próximo presidente brasileiro for o Alckmin, que eu particularmente prefiro, o problema será o possível atraso da Alca, já que este conta com o apoio da oligopolista Fiesp...

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Esta é minha critica a candidatura peessedebista. Entretanto, não há mais como conviver com o desgoverno petista. Teremos que escolher o “melhorzinho” e para mim ele reside hoje no PSDB.

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O melhor exemplo de “conservador brasileiro” que conheço é José Sarney, um homem que trouxe mais malefícios ao Brasil que o atual PT. A prática neopatrimonial e a péssima situação internacional que tem o Brasil têm nesta figura, seu exemplo mais acabado. Não há muito o que conservar em se tratando de política interna e externa brasileiras. Então, que venha o novo, que venha a Alca, mas de preferência, sem o PT. Esta que é, como diria Hamlet, a questão.
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