interceptor

Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

Monday, February 18, 2008

Xadrez balcânico*








Tomado isoladamente, o Kosovo não tem maior relevância geopolítica. Claro que em matéria de geopolítica, os efeitos de longo alcance são os que “dizem mais”... Foi através de um ataque de dois meses conduzido pela Otan que se criou ali uma “área quente” no cenário europeu. Formalmente, a investida da aliança atlântica serviu para dissuadir a Sérvia de seus ataques contra kosovares de origem albanesa. Uma vez bem sucedida a operação, com os sérvios expulsos da província, a Otan obrigatoriamente teve que ocupá-la.

As premissas da ação da Otan eram evitar que se repetisse o ocorrido na Bósnia durante os anos 90, quando a Sérvia achincalhou com os muçulmanos da Bósnia provocando um massacre e, para evitar que estados europeus desrespeitassem normas internacionais. A idéia subjacente era respeitar um consenso que tinha nos EUA seu "líder natural". E mesmo sem o consenso da ONU, os EUA mais o apoio de alguns países europeus tomaram as rédeas da situação. Cabe lembrar, no entanto, que os massacres eram perpetrados tanto pelos sérvios contra croatas e muçulmanos quanto estes contra àqueles. Algo comum do Danúbio ao Hindu-Kush. A Iugoslávia do Pós-Guerra sempre foi um "estado artificial" separado do Ocidente por uma tênue linha mantida pelos socialistas (mas, sem a influência soviética observada na Europa Central). Internamente se constituía por três grupos religiosos predominantes, católicos, cristãos ortodoxos e muçulmanos. Devido a sua posição anti-soviética cooperava com os EUA, embora pertencesse ao bloco comunista (a Iugoslávia foi o único país da região a aceitar o incentivo do Plano Marshall).

Com o fim da Guerra Fria e a morte do ditador Tito que comandava com sua mão de ferro as repúblicas constituintes, a "federação iugoslava" também caiu. Não imediatamente, mas após dez anos de sua morte. A democracia, realmente, não funcionou na região.

A missão da Otan visava acabar com o estado multiétnico da Iugoslávia substituindo-o por uma série de pequenos estados independentes e estáveis. O problema é que a maioria desses estados balcânicos tem minorias étnicas expressivas que precisavam ser contempladas com terra e que clamavam por autonomia. Não há nos pequenos estados, grandes maiorias étnicas que permitam tal estabilidade.

Mexer nas linhas fronteiriças do Pós-Guerra tem sido uma tarefa ingrata e perigosa. Do contrário, os húngaros que vivem na Transivâlnia romena, que ainda podem se reintegrar territorialmente à Hungria, turcos do Chipre à Turquia, a Silésia ser retomada pela Alemanha e a Irlanda do Norte separar-se do Reino Unido. Quando a Otan propõe alterar o princípio que contém estes rearranjos, ela está brincando com fogo e induzindo a um efeito-cascata.

Portanto, por melhor que seja a intenção de livrar pequenos estados de um artifício geopolítico chamado "Iugoslávia" implica em mexer em linhas de fronteira historicamente sensíveis. Se o desejo sérvio de agrupar suas porções étnicas na Bósnia foi duramente rejeitado devido às suas atrocidades, deslocando as linhas traçadas ao longo do tempo, por que não outras? Quando os sérvios quiseram repetir seus ataques à Bósnia no Kosovo, os EUA e a Otan se viram na obrigação de intervir.

No entanto, não se chegou no Kosovo ao mesmo nível de atrocidades cometido na Bósnia, apesar do que quer que tenha sido dito pela administração Clinton. Chegou-se mesmo a aventar que centenas de milhares haviam sido mortos para depois se afirmar que foram 10.000, cujos corpos foram dissolvidos em ácido. As análises posteriores nunca revelaram estes números. Mas, o ponto é que no Pós-Guerra Fria, os EUA queriam evitar novos massacres e fazer uma reengenharia dos pequenos estados.

Dois meses de bombardeios sobre o Kosovo serviram para afugentar os sérvios e permitir a ocupação das tropas da Otan. Mas, a força aérea não foi tão eficaz quanto se esperava, assim como a resistência sérvia superou as expectativas. Os EUA tiveram que por termo à guerra e aí entra em cena a Rússia.

Devido à inépcia russa, os EUA iniciaram uma estratégia de isolamento sérvio e persuasão para sua retirada. O acordo consistiu na participação russa na ocupação do Kosovo, os quais caíram direitinho no engodo. O que se configurou numa espécie de traição aos sérvios com a impressão vendida de que os sérvios teriam seus interesses garantidos no Kosovo. Uma força de ocupação Otan-Rússia deveria garantir que o Kosovo permanecesse como parte integrante da Sérvia, o que se sabe, não foi concretizado.

A guerra propriamente dita terminara, mas os russos nunca foram deixados sós neste cenário. Definitivamente, fizeram papel de tolos com uma cenoura amarrada em sua frente sem nunca a alcançarem... Depois, os russos foram excluídos da composição da Força de Kosovo (KFOR) e isolados pela Otan. Quando quiseram examinar o controle do aeroporto em Pristina foram cercados por tropas da Otan.

É importante notar que a ruptura do acordo da Otan e dos EUA com a Rússia significou uma humilhação para Yeltsin, o que ajudou em parte na ascensão de Putin, ex-diretor de política externa deste governo. O empenho atual do ex-presidente Putin no governo significou, também em parte, uma reação ao estado que foi relegada à Rússia. Um país que historicamente se projetou externamente, mas que internamente sempre foi fraco não teria muitas alternativas.

E, particularmente, porque a questão do Kosovo não encontra a mesma guarida teórica dos outros separatismos: trata-se do favorecimento territorial e fronteiriço a uma minoria nacional. Em que pese ser uma maioria local (no Kosovo), no contexto mais amplo é minoria (na Sérvia). Analogamente, seria como endossar um separatismo sérvio na Bósnia também. Outro detalhe não menos importante é que, ao invés de aproveitar a deixa histórica e deixar de mexer no vespeiro, se continua o processo de reengenharia territorial, o que atenta contra os interesses russos. Não há um mandato claro da ONU sobre a questão, apenas os intentos de nações poderosas, porém isoladas como Alemanha e EUA.

O argumento utilizado por Putin, de que esta independência abre um grave precedente ao separatismo checheno, dentre outros, não se sustenta: a Chechenia está acabada. A questão é que tratar o tema com indiferença põe a Rússia em uma posição de complicada desvantagem. A Rússia pode estar se lixando para a Sérvia, mas não admite uma presença mais ostensiva da Otan na região. Esta é a questão.

A posição adotada por Putin foi similar a de um juiz que observa o desrespeito a uma de suas decisões. Além dele, a Lei está sendo desrespeitada. Tal é o caso com o qual Moscou se debate. EUA e Alemanha fazem é desdenhá-lo, o que é inadmissível.

Nesta queda de braço, até agora Moscou está desmunhecando.

Putin se empenhou em alçar a Rússia a mesma esfera de influência que teve a URSS. A Bielo-Rússia está em vias de se reintegrar, a Ucrânia está de sobre-aviso para abandonar qualquer intento de incorporar-se a Otan, o Cáucaso e a Ásia Central estão sendo reafirmados como sua hinterlândia militar, ou seja, não é uma boa hora para testar o poder do gigante das estepes.

Um Kosovo livre fora da alçada da ONU e do poder de veto russo no Conselho de Segurança significa um desafio ao poder de Moscou e uma prova psicológica de sua fraqueza, caso a situação não se reverta. Caindo uma carta, outras podem cair dentro da própria Rússia.

O que é um jogo com possíveis perdas para a aliança atlântica é um jogo de vale-tudo para Moscou. O gás natural que flui para a Alemanha pode ser embargado. Mesmo que parcialmente, isto criaria uma grande crise. Pouco provável, mas isto implicaria em um alto custo aos alemães provando a importância da questão aos russos. Talvez os objetivos de longo alcance sejam estes mesmos, com Moscou levando a melhor num primeiro momento. Posteriormente, seu gás pode ser substituído pelos hidrocarbonetos provenientes do Iraque, parcialmente controlados pelos EUA, o que daria um input significativo a ocupação daquele país no coração do Oriente Médio.

Uma segunda opção é o que chamaríamos de "militarismo light". Suponhamos que Moscou envie para Belgrado, um batalhão ou duas tropas via aérea e depois as mandasse por terra até Pristina. E, para completar, uma esquadra naval pelo Mediterrâneo... Isto não é suficiente para fazer frente às tropas da Otan, mas o que os alemães poderiam fazer contra?

Mesmo que a Rússia não logre retomar o Kosovo para os sérvios ou o retorno à situação original em 1999, uma movimentação assim já seria suficiente para "dar um troco" e ameaçar a reintegração territorial dos estados bálticos. O que a Otan poderia fazer para se opor?

A aventura ocidental nos Bálcãs estaria partindo da premissa que não há um preço (alto) a pagar? Ou a Otan e seus aliados têm algum coringa na manga? A questão no momento é qual o risco visível e substancial envolvido na independência do Kosovo? Sinceramente, o Kosovo não tem lá grande valor, econômico ou mesmo estratégico, mas por a Rússia de joelhos convida Moscou a tentar capitalizar com alguma reação, algum ganho político, como, aliás, já se vem fazendo com outros assuntos há um bom tempo. Neste imbróglio, como ficará a delicada situação da Polônia entre forças opostas e, por extensão, de toda Europa Oriental?

Os alemães não têm cacife para peitar os russos. Não, por enquanto... Os americanos estão focados, como não poderia deixar de ser, no Oriente Médio e nas bordas do mundo islâmico. Para a Rússia, o Ocidente está em dívida com ela desde 1999 devido à traição de princípios e acordos estabelecidos. Por outro lado, uma dura oposição de Moscou levaria a uma, nada interessante, aproximação e fusão de interesses entre Berlim e Washington.

O Ocidente deveria repensar sua posição, mas com a declaração unilateral de independência kosovar, não adianta chorar sobre leite derramado. Uma crise foi deflagrada porque Washington não tem o tema como de grande importância, enquanto que para Moscou é uma oportunidade estratégica. Esta assimetria de percepções é um perfeito caldo de cultura para tensões entre Leste e Oeste. Mais uma vez...





* Traduzido e adaptado de George Friedman. The Asymmetry of Perceptions (just perfect…). http://execoutcomes.wordpress.com/. Acessado em 23 de março de 2008.

Kosovo independente: prós e contras - 2





15 de fevereiro, 2008 - 03h47 GMT (01h47 Brasília)
Tire suas dúvidas sobre a situação em Kosovo

A província sérvia de Kosovo deve declarar sua independência nos próximos dias.


O presidente russo Vladimir Putin afirmou nesta quinta-feira que seria ilegal e imoral a comunidade internacional reconhecer uma eventual declaração de independência da província.
O governo sérvio também já deixou claro que não aceitará uma eventual declaração de independência pelas lideranças albanesas da província.
A BBC compilou uma série de perguntas para ajudar você a entender as principais questões em jogo.

Qual é o atual status de Kosovo?
Apesar de ser formalmente uma Província da Sérvia, Kosovo é administrado pela Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1999. Mas tem seu próprio governo e Parlamento.
A ONU assumiu o poder depois que uma ofensiva da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) forçou a saída de tropas sérvias, que eram acusadas de perseguir a população albanesa, majoritária em Kosovo.
Na época, o governo sérvio alegou que suas forças estavam respondendo a um levante de separatistas albaneses armados.

Por que não se chegou a um acordo?
Os líderes albaneses de Kosovo dizem que não aceitam nada menos do que a independência total. Mas a Sérvia responde que quer oferecer apenas autonomia.

O que a ONU propôs?
Em abril, o enviado especial da ONU, Martti Ahtisaari, apresentou um plano que oferecia a Kosovo uma "independência supervisionada".
Segundo o plano, agências internacionais levariam gradualmente Kosovo à independência completa e à entrada na ONU.
Isso evitaria que Kosovo se anexasse à Albânia ou tivesse suas regiões de predominância sérvia separadas para se tornarem parte da Sérvia.

Algum país se opõe ao plano de Ahtisaari?
A Sérvia e a Rússia são os principais opositores.
A Sérvia rejeita a declaração de independência afirmando que é "um ato de separação evidente e unilateral, de uma parte do território da República da Sérvia e... então sem validade".
O presidente russo Vladimir Putin já deixou claro que o reconhecimento de uma declaração unilateral de independência "seria imoral e ilegal".
A Rússia é, tradicionalmente, uma aliada da Sérvia e teme uma expansão da União Européia na região dos Bálcãs. O bloco ofereceu, recentemente, um acordo interino a Belgrado, o que abriria caminho para a integração à União Européia.
Bósnia-Herzegovina e Montenegro também são contra.

Quando Kosovo deve declarar sua independência?
Ainda não foi estabelecida uma data, mas espera-se que a independência seja proclamada no dia 17 de fevereiro, depois de uma sessão especial no Parlamento de Kosovo.
Os Estados Unidos e a maioria dos membros da União Européia são favoráveis à independência e devem reconhecer o Kosovo como país independente quase imediatamente.
O plano de Ahtisaari prevê um período transitório de 120 dias após a declaração de independência, durante o qual se adotaria uma nova Constituição e medidas para garantir os direitos da minoria sérvia.
A independência de Kosovo seria efetivada depois desse período transitório.

Se Kosovo declarar independência, o que vai acontecer com a minoria sérvia?
Os sérvios são predominantes em Kosovo no norte do território, na região do Rio Ibar. Estima-se que 120 mil pessoas façam parte desta minoria.

Veja o mapa das regiões de Kosovo


Há o risco de os sérvios da região responderem a uma declaração de independência proclamando sua própria autonomia, erguendo barricadas nas estradas principais e criando verdadeiras fronteiras.
Segundo o plano de Ahtisaari, a minoria sérvia teria representação garantida em governos regionais, no Parlamento, na polícia e no funcionalismo público de Kosovo. A Igreja Ortodoxa Sérvia também teria um status especial.

Existe o risco de violência?
Soldados da Otan, que são 16 mil na região, aumentaram o nível de alerta especialmente em áreas onde existe convívio entre as etnias. Comandantes prometem mais patrulhas.
A questão mais importante é se estes militares poderão controlar pontos como a principal cidade do norte, Mitrovica, onde vivem sérvios, ou áreas ao sul, onde vivem membros da etnia albanesa.
A aliança foi fortemente criticada em 2004, quando as tropas de paz não conseguiram reprimir ataques de kosovares albaneses a sérvios.

Até que ponto a violência poderia se espalhar?
Na pior hipótese já imaginada, os 60% de kosovares sérvios que vivem ao sul do Rio Ibar seriam retirados violentamente de suas casas, enquanto os kosovares albaneses que vivem no norte seriam expulsos.
Mas a violência pode ir além. Há grandes comunidades albanesas vivendo na Macedônia e em Montenegro, que poderiam, em teoria, pegar em armas e lutar por uma união com Kosovo.
O primeiro-ministro da Sérvia também já sugeriu que o país poderia responder anexando a parte sérvia da Bósnia a seu território.

A ONU vai sair de Kosovo?
A União Européia deve gradualmente assumir muitas das funções da ONU, mas há a expectativa de que a organização mantenha alguma presença no território no futuro próximo.
O bloco europeu pretende enviar uma missão de 1,8 mil policiais e juízes a Kosovo.
Eles também planejam ter um "escritório internacional civil" no território, cuja função seria supervisionar a implementação do plano de Ahtisaari.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/02/080215_kosovoqandafn.shtml#1

Sunday, February 17, 2008

Kosovo independente: prós e contras


Putin diz ter plano, caso a independência do Kosovo seja reconhecida pela ONU.



[Entenda a disputa nos Bálcãs de fins do século XIX aos dias atuais aqui.]


Kosovares muçulmanos de origem albanesa, que correspondem a 90% da população da região atacaram manifestantes sérvios nos anos 80, o que levou o então presidente sérvio Milosevic a ameaçar a etnia majoritária.



Embora os EUA e a maioria dos países da UE proponham o reconhecimento de um Kosovo independente, alguns países da comunidade européia são contrários: Eslováquia, Espanha, Grécia, Chipre e Romênia.


Reuters
Albaneses do Kosovo exibem bandeiras a dias de província anunciar independência




...



O plano de Putin, provavelmente, consiste no corte de fornecimento de energia da Sérvia ao Kosovo, mas isto também atingiria a Macedônia, país vizinho e ex-república iugoslava. Cerca de 40% da energia da recém auto-declarada república independente nos Bálcãs depende da Sérvia. Isto seria o suficiente para devastar sua economia e fazê-los padecer de frio no inverno daquela região montanhosa.


À Macedônia ainda existem alternativas, como importar energia da Bulgária ou da Grécia. No entanto, a própria Grécia não tem uma fonte de abastecimento estável e, vez por outra, vive às voltas com blackouts. Já a energia da Bulgária teria que passar pelos mesmos ramais sérvios. O Kosovo, por sua vez, poderia importar a sua da Bósnia, mas esta teria que passar pelo Montenegro, república até bem pouco tempo unificada à Sérvia e dominada pelo Republika Serbian - Srpska - e que conta com uma infra-estrutura sofrível. Ainda, tanto as redes de eletricidade kosovar e macedônia não apresentam compatibilidade com outras tendo que criar alguma forma de adaptação em um curto período.


Se a Sérvia não tem, efetivamente, como fazer a roda da história girar para trás, sua expectativa consiste no desgaste ao levar kosovares a migrar para a Albânia. Nuvens negras no front...

Saturday, February 16, 2008

Multinacional

Segundo artigo do The Guardian, o crime organizado movimenta 2 trilhões de dólares anualmente. Estamos falando de um montante equivalente ao PIB da Grã-Bretanha ou duas vezes o orçamento mundial gasto com defesa. Isto seria o suficiente para nos alertar do perigo da falta de legalidade, de estados fracos e incipiência de nossas instituições nos países em desenvolvimento. Mas, as conclusões já se tornam equivocadas quando causas aparentes se tornam o pretexto para as próprias soluções, como quando se constata no referido artigo que as 225 pessoas mais ricas do mundo auferem o mesmo que 2,7 bilhões de indivíduos, os mais pobres do globo, o que equivale a 40% da humanidade. Que propõem? Uma redistribuição socialista dos ganhos individuais? O que estes "225" geram de riquezas, pois devem ser, provavelmente, empresários dentre outros? Nada se comenta, mas se julga de antemão.

Federação Iugoslava

Slobodan Milosevic que levou a morte 200.000 pessoas nos anos 90 e ordenou estupros em massa dentro de seus planos de "limpeza étnica" aos não-sérvios dos Bálcãs.



Em primeiro lugar, se fôssemos nos ater mesmo a quem quer que tenha chegado primeiro como critério para posse e propriedade do Kosovo, então daí mesmo que aqueles pagos teriam que ser devolvidos aos seus primevos detentores, os ilírios, povo do qual muçulmanos da Albânia e do Kosovo são descendentes. Veja, este é um argumento pelo qual estou me baseando, análogo ao que defende a posse do que hoje é Israel pelos palestinos, mas não que eu próprio o endosse. Pois, se fosse o caso, eu acharia que a bandeira da Confederação Australiana devesse mudar por alguma com motivos aborígenes, daquelas pinturas cheias de bolinhas ou que a Reserva Raposa-Serra do Sol em Roraima devesse ser ampliada. E, ao contrário, eu sou terminantemente contra. Deve se ressalvar, no entanto, que qualquer solução, seja para Israel seja para o Kosovo, não deve contemplar a expulsão de nenhum grupo em questão. Simplesmente, isto não é mais viável.
Ocorre que, no século XX, no pós-guerra, nos anos 90, os sérvios atacaram primeiro e o sececcionismo feito por "terroristas" nada mais era do que um legítimo questionamento de independência pelos kosovares, já que estes são formados, em cerca de 90%, por muçulmanos. Cabe ainda lembrar que não tenho simpatia alguma por esta religião, mas estou analisando o contexto em que o conflito surgiu... Veja que este expediente só se tornou legítimo após a política de "limpeza étnica" perpetrada por Milosevic, bem como a demissão em massa (uma vez que o socialismo aos moldes iugoslavos ainda vigorava) feita pelo governo sérvio para combater o desemprego sérvio! Esta nem Stálin tentou... Claro que com uma política econômica digna de um neanderthal, a reação veio e não foi a conta-gotas. Como os sérvios não teriam atacado a Eslovênia por sua independência? Oras! Se o argumento for mesmo o da "integridade territorial" e manutenção da unidade iugoslava, porque não fizeram nada?! Simples, porque não têm fronteira com a mesma. Já, os croatas que também viviam em zona de interfácie com os sérvios foram atacados por estes. Atacaram primeiro nesta conjuntura específica, sim.
Qual "federação" tinha que ser defendida? A feita por mão de ferro por Tito? Isto não é federação nem aqui nem na China... A posição dos kosovar ainda detém legitimidade em seu movimento sececcionista, pois os sérvios declararam guerra aos muçulmanos da Bósnia. Segundo os próprios muçulmanos, todos estavam em guerra contra os sérvios então.
Federação Iugoslava... Que piada! "Federação" como a soviética? Hoje, as nações bálticas estão anos-luz em melhor situação, justamente, porque conseguiram largar aquele pútrido meio de cultura político para se integrarem economicamente ao Ocidente.
E ainda foram os próprios sérvios de oposição que, em massa, protestaram pela saída de seu próprio governante, Milosevic.

Justifica-se?


Assim como os militantes petistas e sua ética de 2 pesos e 2 medidas, quando a guerra na Bósnia iniciou, muito se ouviu dizer que a intervenção da ONU não ocorria porque "não havia interesse", porque "não havia petróleo". Verdade, em parte... Havia também um receio de tomar partido devido a oposição russa. Quatro anos se passaram para que a ONU se prontificasse a algo. Soldados ucranianos entre os "capacetes azuis" da instituição chegaram a ser acusados de traficar armamentos e a ação da ONU foi um retumbante fracasso. Paralelamente, muçulmanos da Bósnia foram coibidos de comprar armas. O contrabando para eles era impedido, mas o mesmo não se via com os sérvios. Vale lembrar que foram eles, os sérvios, quem começaram a guerra contra a Croácia e depois foram eles, novamente, a começar a guerra na Bósnia e depois ainda foram eles, mais uma vez, a atacar os kosovares. Que é isto? Uma "guerra santa"? Bullshit! Só o plano de um déspota que não cedia território aos seus moradores ancestrais. O argumento de que aquilo lá era tudo terra dos eslavos do sul, iugoslavos é o mesmíssimo argumento dos israelenses/judeus contra os palestinos.
O hilário nisto tudo é vermos antiamericanistas ou antiocidentalistas contra Israel, mas defendendo os sérvios por aquilo que condenam nos israelenses! Puta lógica! Puta ética de dois rostos, dois pesos e duas medidas! Chamem os bombeiros porque o cérebro dos terceiro-(i)mundistas pegou fogo e está prestes a fundir!
Slobodan Milosevic
Velho membro do partido comunista defendia políticas socialistas que, diferentemente, do "rodízio étnico" de autoridades na Iugoslávia, optou por uma homogeneização sérvia nos cargos de comando a partir de 1988. Sua sanha nacionalista e segregacionista levou ao conflito civil em 1992 quando croatas se declararam independentes. Antes disso, relutou em adotar qualquer reforma que modernizasse o país (no sentido de uma economia de mercado) e um maior equilíbrio democrático que não se pautasse pela etnicidade - com uma maioria não sérvia na antiga Iugoslávia, essa era sua estratégia para evitar uma perda de maioria relativa no governo. Só cessou o conflito em 1995, mas não satisfeito iniciou ataques aos muçulmanos dois anos depois. Além da retaliação da OTAN, manifestações sérvias (sim dos próprios!) levaram a sua retirada do poder. Foram manifestações com centenas de milhares de sérvios pelo fim de treze anos de tirania. O saldo de mortes perpetrado pelo facínora foi de 200.000. DUZENTOS MIL EM POUCO MAIS DE UMA DÉCADA! Foi morto em 12 de março de 2006, mas para nossos terceiro-mundistas de plantão "alguns genocídios são necessários"...
A Rússia é o verdadeiro alvo ocidental no cenário europeu. Mas, a Rússia hoje mal consegue conter movimentos sececcionistas dentro de suas próprias fronteiras. Se ela estivesse assim, tão bem guardada ao ponto de caçoar das investidas do Ocidente, não temeria a entrada da Ucrânia na OTAN. Mas, os mísseis da organização estão chegando cada vez mais perto das portas do Kremlin. E, economicamente, a Rússia só tem petróleo. Síndrome de "república bananeira" com um único produto de exportação que valha a pena. O resto são cacos da Guerra Fria
Milosevic era privilegiavado com o que, exatamente? No que tinha vantagens com a putrefata Rússia? Os interesses contrários de Moscou eram contra a aproximação bélica ocidental, nada mais, pois a própria máfia russa lucra com o comércio com o Ocidente.
A Alemanha, a França, enfim toda UE avança pela Europa Oriental principalmente por um fator: o desejo das repúblicas centro-orientais de abocanharem um naco de sua riqueza. Quem acusa interesses externos de tirarem proveito aje como se não houvesse recíproco interesse. E quem era ou pensava que era Milosevic para obstar o desejo de eslovenos (que, aliás, estão muito bem obrigado) e dos croatas? Só déspotas desta estirpe é que valem como líderes? Não têm sequer apoio interno, vide as manifestações de populares sérvios contrárias às suas paleo-economias.
"O pragmatismo, desafortunadamente tão necessário em política, não raro nos obriga a optar pelo 'mal menor'", leia-se a morte e estupros, bem como seus corpos jogados em valas comuns ao melhor estilo do 3º Reich feitos por Milosevic.
"Obstáculo" era a UE para o canalha facínora. Ele que não consentiu com auto-determinação de povos vizinhos. Pensar o contrário implica em alternar causa e efeito.
Mas, esquemas mentais, ou melhor, clichês terceiro-mundistas como "reconquista colonial do leste europeu pela UE" são sempre recorrentes e de fácil "digestão". O princípio de organização da união não é o de um COMECON, onde tropas russas podem bater às portas de uma Budapest ou Praga com seu Pacto de Varsóvia, como vinham, historicamente, fazendo.
Retaliações
Sem mais argumentos, a tática terceiro-mundista consiste em desviar o foco para as guerras perpetradas pelos EUA. Mas, a ação no Iraque justificada quando Saddam invade o Kuwait, país livre e soberano que exportava petróleo aos seus parceiros comerciais; justificada também é a ação americana que dividiu o país em três zonas para limitar o poder do regime Baath; justificada, a ação americana quando no 2º conflito se depôs o déspota que foi financiado por vários países, mas se tornou inconveniente ao pretender planos expansionistas. Na Sérvia foi justificada, a ação americana para atacar um criminoso de guerra, Slobodan Milosevic, um facínora que levou 200.000 à morte, ordenou estupros maciços em nome da "limpeza étnica"; no Afeganistão foi justificada, a ação americana ao atacar a al Qaeda legitimadora e apoiadora de ataques terroristas contra civis; justificada, a ação americana que apoiou a Aliança do Norte, legítimos detentores da terra afegã contra os interventores talebans provenientes de escolas paquistanesas que detinham orientação waabita; justificada, a ação americana anterior que conteve a invasão soviética nos estertores do putrefato comunismo sob a éjide de Brejnev para atacar, posteriormente, o Irã e dominar o Estreito de Ormuz.
God Bless America!

Tuesday, February 12, 2008

Recorte jornalístico


A mesma Rússia de sempre ameaça a Ucrânia se esta entrar na OTAN. Nada de novo no front, nem mesmo a sistemática falta de contextualização de nossos jornalistas ao "esquecerem" de comentar eventos recentes, como quando a mesma Rússia finca bandeira no Ártico dizendo que é seu (em território canadense, diga-se de passagem), faz média com o Irã, ameaça vizinhos como a Ucrânia, envenena oposicionistas, mata jornalistas, incentiva a guerrilha na Abkházia apoiando antigos rivais chechenos, FAZ O DIABO!
Isto não é globalização, é imperialismo dos "bons".

Isto não se comenta, apenas inicia a história a partir de uma intenção bélica dos EUA. Isto é o que eu chamo de "recorte"...
Escolha entre a hegemonia russa ou o pacto com a OTAN. Eu fico com o segundo.

Sunday, February 10, 2008

Os Ecochatos

por Alan Neil Ditchfield


Ecologistas não são cientistas; são ativistas políticos com suas próprias agendas de interesses pecuniários, a busca do poder para propósitos nem sempre defensáveis ou confessáveis. Ouvi recentemente, com espanto, a entrevista de representante do movimento Friends of Earth, que condenava com veemência o desmatamento da floresta Amazônica para plantar soja. Ora, seria péssimo negócio derrubar floresta para este fim; o clima da planície amazônica é por demais quente e úmido para cultura de grãos, seu solo não suporta tal atividade, e as pragas são hostis à soja. O tal ecologista talvez ignore em que continente fica o rio Amazonas, mas certamente desconhecia a lavoura sobre o qual estava a falar. Em outra manifestação ecologistas denunciaram a pavimentação de duas rodovias, essenciais ao escoamento de safras produzidas em terras de cerrado do planalto de Mato Grosso do Norte e a construção de um gasoduto para aproveitar reservas de gás natural no oeste da bacia amazônica. São campanhas tão nocivas à coletividade que é hora de investigar, a nível policial ou parlamentar, as possíveis ligações de tais entidades não governamentais com o crime organizado.


Campanhas ecológicas estão a pestear o ambiente como epidemia de amplitude global. Há trinta anos um americano tinha razoável expectativa de ficar fora da cadeia se pautasse sua vida segundo os dez mandamentos. Hoje nem tanto; até a Madre Teresa de Calcutá correria o risco de condenação por crime contra o meio ambiente; sua cidade carece de condições sanitárias. Nos Estados Unidos, neste período, a fúria legiferante sobre o tema trouxe aumento de 50% no número de crimes puníveis com pena de prisão.


Os despropósitos estão a enriquecer o anedotário. Um amigo meu esperou por quase ano pelas formalidades que autorizavam o início de funcionamento de sua firma editora, instalada num canto de seu escritório profissional. Boa parte desta demora passou-se à espera de pronunciamento das autoridades de meio ambiente; após longa deliberação seu douto parecer declarou que firma com o acervo de mesa, cadeira e computador não ofereceria risco à cidade de Curitiba.


O que segue é uma intimação recentemente enviada pelo Departamento de Qualidade Ambiental, do Estado de Michigan, a um homem chamado Ryan DeVries. A resposta do cidadão é gaiata, mas é preciso ler a carta do órgão público para saborear a resposta.


_________________________
INTIMAÇÃO


ASSUNTO: DEQ Processo No.97-59-0023; T11N; R10W, Setor. 20; Município de Montcalm


Prezado Sr. DeVries:


Chegou ao conhecimento do Departamento de Qualidade Ambiental que houve recente atividade não autorizada na propriedade supracitada. Foi apurado que V.Sa. é o proprietário legal e/ou construtor responsável pela seguinte obra não autorizada:


Construção e manutenção de duas represas com entulho de madeira no sangradouro da Lagoa Spring. É exigida licença prévia para iniciar obra deste tipo. Exame dos arquivos do Departamento mostram que nenhuma licença para tanto foi emitida. O Departamento conclui que esta obra viola o disposto no Artigo 301, Lagos Interiores e Riachos, da Lei 451 de Recursos Naturais e Proteção Ambiental, Atos Públicos de 1994 Seções 324.30101 a 324.30113 publicados no Diário Oficial de Michigan.


O Departamento foi informado de que uma ou ambas represas romperam durante recentes chuvas, causando danos e inundação à jusante das localizações. Achamos que represas desta natureza são inerentemente perigosas e sua construção não deve ser permitida. O Departamento então ordena que V.Sa. cesse e desista de todas as obras nesta localização, e restabeleça o fluxo de águas à condição livre removendo toda a madeira e entulho que formam as represas. Todo o trabalho de restauração deverá ser completado o mais tardar até 31 de janeiro de 2003.


V.Sa. deverá notificar este órgão quando a restauração foi completada para que uma vistoria do local possa ser programada por nosso pessoal. A falta de atendimento a este pedido ou qualquer atividade adicional no local, sem autorização, obrigará encaminhamento deste caso à ação em instância superior.


Apreciaremos sua cooperação plena neste assunto.


Sinta-se à vontade para me contactar neste escritório se tiver qualquer dúvida a esclarecer.


Sinceramente, David L. Price

Representante Distrital da Divisão de Administração de Terras e Águas



RESPOSTA DO CIDADÃO
Re: DEQ Processo No. 97-59-0023; T11N; R10W, Setor. 20; Município de Montcalm.


Prezado Sr. Price,


Acuso recebimento de sua carta registrada, com data de 17 de dezembro de 2002. Sou o proprietário do terreno mas não o construtor das obras em 2088 Dagget, Pierson, Michigan.


Sem autorização do governo, um casal de castores está a construir e manter duas represas de “entulho de madeira" no sangradouro de minha Lagoa Spring. Porquanto não tenha pago, autorizado, nem supervisionado as obras de represa, penso que os castores ficariam muito ofendidos ao ouvir seu uso hábil de materiais da natureza designado como entulho. Desafio seu departamento a tentar emular seu projeto de represa a qualquer tempo ou em qualquer lugar de sua escolha. Posso seguramente dizer que de nenhum modo V.Sas. poderão igualá-los em sua habilidade em construção, em sua desenvoltura, engenhosidade, persistência, determinação e dedicação ao trabalho.


Sobre seu pedido, não penso que os castores estejam cientes do imperativo de requerer licença antes de iniciar obra de represa. Minha perguntas são: (1) Se V.Sas. estão a discriminar contra castores na minha Lagoa Spring ou (2) Se V.Sas. têm exigido que todos os castores deste Estado façam requerimento de autorização de obra de represa.


Se V.Sas. não estiverem discriminando contra estes castores em particular peço, nos termos da Lei de Liberdade de Informação, cópias completas de todas essas outras licenças de represas de castor já emitidas. Talvez apuraremos se realmente há violação do Artigo 301, Lagos Interiores e Riachos, da Lei 451 de Recursos Naturais e Proteção Ambiental, dos Atos Públicos de 1994 Seções 324.30101 a 324.30113 do Diário Oficial de Michigan.


Tenho várias indagações a fazer. A primeira é se castores têm direito a assistência jurídica. Os castores da Lagoa Spring são indigentes e impossibilitados de pagar por tal representação, assim o Estado terá que lhes proporcionar um advogado de represa. A alegação do Departamento de que uma ou ambas represas ruíram durante recente chuva causando danos e inundação é prova de que esta é uma ocorrência natural que o Departamento tem obrigação de proteger. Em outras palavras, deveríamos deixar em paz os castores da Lagoa Spring , em lugar de os hostilizá-los e desmerecer suas represas.


Se V.Sas. quiserem o curso d’água restabelecido à condição de livre fluxo comuniquem-se com os castores, e possivelmente prendê-los por não estarem atentos à sua intimação, de vez que não podem ler texto em inglês.


Em minha humilde opinião, os castores da Lagoa Spring têm direito a construir represas sem autorização, enquanto o céu for azul, a grama for verde e a água fluir a jusante. Eles têm mais direito do que eu de viver e desfrutar a Lagoa Spring.


Para fazer jus ao nome, o Departamento de Recursos Naturais e Proteção Ambiental deveria zelar pelos recursos naturais (castores) e pelo ambiente (represas de castores). Os castores e eu aguardamos a ação em instância superior. Por que esperar até 31 de dezembro de 2003? Até lá os castores de Lagoa Spring estarão sob o gelo da represa e de nenhum modo V.Sa. ou seu pessoal poderá contactar ou persegui-los.


Para finalizar, eu gostaria de trazer à sua atenção um real problema ambiental (de saúde) na área. São os ursos!


Os ursos estão a defecar em nossos bosques. Creio que V.Sas. deveriam estar perseguindo os ursos defecadores e deixar em paz os castores. Se V.Sas.quiserem vistoriar as represas de castor, devem olhar onde pisam. (Os ursos não escolhem onde defecam). Estando impossibilitado obedecer seu pedido, e de o contactar via seu sistema automático de atendimento de chamadas telefônicas, encaminho esta resposta a seu escritório.


Agradecidos,

Ryan DeVries & Castores

Friday, February 08, 2008

Enxergando o centro do mundo




Uma pergunta que os estudiosos da cartografia devem se fazer seria "em uma projeção do globo, isto é, em uma de suas representações planas onde ficaria o centro?" A escolha do centro já pode revelar um tanto de pretensão do cartógrafo, sua visão de mundo ou até ideologia se for o caso. Se a forma dos continentes revela o grau de apuro tecnológico disponível em dado momento histórico, o centro revela uma hierarquia de valores dada a quem quer que fique nele, ou o que fique nele. Óbvio constatar que nossa posição inicial, a de quem cria a projeção ou mapa é que é central, pois assim como o desenvolvimento infantil, podemos dizer que em matéria de cartografia somos verdadeiramente egocêntricos.


Para Homero e os antigos gregos, a Grécia ficava no meio de sua representação gráfica (e não poderia ser diferente), cercada por um grande "rio" chamado Oceanus. Eles consideravam a cidade de Delfos, próxima a vertente sul do Monte Parnassus como o centro do mundo e, claro, assim seria considerada o coração do mundo habitado. A fé também tinha seu lugar, lá ficava um dos mais poderosos oráculos da Grécia Antiga.

Monday, February 04, 2008

Great Global Warming Swindle vs. IPCC

1. Favorárveis ao IPCC:

http://portal.campaigncc.org/node/1820

http://www.abc.net.au/science/features/globalwarmingswindle/

http://www.aussmc.org/Global_Warming_Swindle.php

http://www.durangobill.com/Swindle_Swindle.html

http://www.medialens.org/alerts/07/0313pure_propaganda_the.php



2. Contrários ao IPCC:

http://www.resistir.info/climatologia/falsificacao_da_historia_climatica.html

http://resistir.info/climatologia/impostura_cientifica.html

http://www.resistir.info/climatologia/lindzen_rev2.html

http://resistir.info/climatologia/nrsp_02fev07.html

http://www.resistir.info/climatologia/relatorio_stern.html

http://resistir.info/climatologia/rui_moura_jul06.html#asterisco

Dissenso no aquecimento




Em O Ambientalista Cético, Lomborg comenta algumas matérias que estavam em voga nas principais manchetes nos anos 70. Se as lêssemos, sentiríamos grande familiaridade com as atuais sobre o suposto 'aquecimento global'. A única diferença é que falavam em resfriamento global. É um tanto estranho que tudo tenha mudado assim, tão repentinamente.


A guinada que houve partiu daquele gráfico feito num único experimento no Havaí. A partir daí se inferiu que o mesmo valesse para todo o resto! Isto é demais! E os aquecimentistas ainda cobrar seriedade dos céticos...Vejamos isto:


Em sua edição de 26 de outubro (Vol. 318, no. 5850), a tradicional revista científica Science publicou um comentário crítico dos pesquisadores Gerald Roe e Marcia Baker, da Universidade de Washington, em Seattle, sobre a falta de precisão dos modelos climatológicos em vigor para efetuar qualquer prognóstico confiável sobre as tendências climáticas futuras. Segundo eles, "as incertezas nas projeções de futuras mudanças climáticas não diminuíram substancialmente nas últimas décadas". Como sintetizou no título da nota referente ao trabalho a revista britânica New Scientist de 26 de outubro, "o clima é muito complexo para previsões precisas".

É simples assim: a dinâmica climática resulta de uma extremamente complexa interação de fatores extraterrestres e terrestres, que a ciência ainda está longe de entender de forma sistêmica e, mais ainda, de poder transformar em modelos matemáticos minimamente confiáveis para fundamentar decisões políticas de tão grande alcance.


Isto é "sem base" ou é algo digno de ser discutido? Só porque vai contra a corrente em voga, os aquecimentistas desqualificam, jogando no ralo porque não lhes convêm?

Sunday, February 03, 2008

Thursday, January 17, 2008

Ensaiando os primeiros passos



Embora possam ter alcance menor do que o alegado, os mísseis iranianos são suficientemente abrangentes para atacar Israel ou o Iraque.[1] Mas, não deixa dúvidas sobre um possível ataque à Rússia, inclusive Moscou. Como ninguém gosta de ter um vizinho com um rifle com mira telescópica apontada para sua casa, o desconforto russo é notório e a recente viagem de Putin ao Irã é mera diplomacia para jogar com as negociações entre Teerã e Washington.

Alcance dos mísseis Ashura e Shahab-3


Como os iranianos apresentam desvantagem frente o poderio americano há clara intenção de confundir o oponente quanto o alcance de seus mísseis. Uma arma capaz de “desviar do radar e atingir alvos múltiplos” parece um tanto exagerado para a capacidade tecnológica iraniana. Mas, o alvo mais tangível não fica muito longe, se trata do Estreito de Ormuz, principal passagem do petróleo do Golfo Pérsico. Apesar da possibilidade de bloqueio, ela não é duradoura. E tal expediente atiçaria um possível ataque dos EUA endossado pela comunidade internacional.

Com a derrubada do regime do xá Rheza Pahlevi, o Irã ficou defasado militarmente e não encontrou apoio soviético, em parte devido à negativa fundamentalista da própria Revolução Islâmica. Os avanços que o Irã atingiu no setor bélico decorrem de adaptações dos produtos importados dos EUA, como mísseis terra-ar para serem lançados de seus F-14, bem como novas adaptações de antigos helicópteros de serviço público JetRanger. Estes e outros itens têm cerca de 30 anos de uso. O próprio míssil Shahab-2 é uma adaptação do velho Scud-C soviético dos anos 50.

Há algumas boas adaptações, como um torpedo de alta velocidade também derivado do foguete anti-submarino russo VA-111 Shkval, que navega com uma bolha de ar no nariz onde libera bolhas de ar comprimido. A vantagem é o menor atrito que lhe confere maior desempenho. Com mais de 200 milhas por hora quando submerso se torna quase impossível à evasão por um submarino ou navio.

Shahab-2

Quando próximos (quatro milhas), a base do ataque também se torna vulnerável pela força de seu impacto. Portanto, a margem de aplicação no estreito é limitada. Para o caso, armas menos poderosas, como o míssil de médio-alcance Kowsar, similar ao C-801 chinês e ao Exocet francês antibarco serviriam.

Uma arma interessante também foi testada pelos iranianos. Trata-se de uma embarcação que paira sobre o mar, como se fosse um avião, mas com principio de funcionamento semelhante a um hovercraft, que cria um “colchão de ar” entre a superfície da água e suas asas. Tecnologia de origem russa no período soviético, a alegada resistência ao radar pode ser pelo material utilizado, madeira e fibra de vidro. Armado com pequenos mísseis antitanque, o veículo apresenta boa capacidade de resolução em possíveis conflitos no estreito.

Os mísseis ar-terra Noor servem para atacar defesas antimísseis. Também se alega que lançada de longe, “além-horizonte”, o míssil passa a perseguir seu alvo quando próximo. Embora não seja uma nova tecnologia, ela representaria um significativo avanço bélico iraniano.

Se verdadeiras as informações, tais armas conferem ao Irã um poder de dissuasão e ameaça aos vizinhos Omã, E.A.U., Qatar, Arábia Saudita e Kuwait. Frente a este desafio, só há uma potência capaz de obliterar os intentos imperialistas iranianos e ela se chama Estados Unidos da América. Urge que o faça antes que Irã queira ensaiar seus primeiros passos.

[1] The Iranian Missile Program, Stratfor Today » November 27, 2007.

Wednesday, January 16, 2008

Combatendo uma guerrilha rural no Oriente Médio


Eu não sabia da posição paquistanesa favorável ao Talebã. Sei que os "estudantes" (talebans) tiveram sua formação no Paquistão, mas pensei (ingenuamente) que a posição de aliado do Paquistão ajudasse a reverter a guerrilha. E no fulcro disto, o Afeganistão rural onde "democracia é uma abstração" e "deus vale mais que todo o parlamento". Claro, só de reza não vive o vivente, então a defesa da produção de ópio dá o substrato econômico necessário.

Vencer no Afeganistão implica em estratégia firme no agora convulsionado Paquistão. Complicado... Sem um programa contra-revolucionário como foi na Malásia (diferentemente do Vietnã) de apoio aos vilarejos e maior presença ali, isto não terá futuro. Apoio significa a formação de redes de informantes e simpatizantes contrários à guerrilha talebã. Como o diz Kaplan "se você viver e dormir com o povo, ele confia em você". Somente assim o governo Karzai poderá lograr um trunfo frente ao fundamentalismo islâmico na região.


July 20, 2006
Op-Ed Contributor
The Taliban's Silent Partner
By ROBERT D. KAPLAN
Stockbridge, Mass.

WHEN the American-led coalition invaded Afghanistan five years ago, pessimists warned that we would soon find ourselves in a similar situation to what Soviet forces faced in the 1980's. They were wrong — but only about the timing. The military operation was lean and lethal, and routed the Taliban government in a few weeks. But now, just two years after Hamid Karzai was elected as the country's first democratic leader, the coalition finds itself, like its Soviet predecessors, in control of major cities and towns, very weak in the villages, and besieged by a shadowy insurgency that uses Pakistan as its rear base.
Our backing of an enlightened government in Kabul should put us in a far stronger position than the Soviets in the fight to win back the hinterland. But it may not, and for a good reason: the involvement of our other ally in the region, Pakistan, in aiding the Taliban war machine is deeper than is commonly thought.

The United States and NATO will not prevail unless they can persuade Pakistan's president, Pervez Musharraf, to help us more than he has. Unfortunately, based on what senior Afghans have explained in detail to American officials, Pakistan is now supporting the Taliban in a manner similar to the way it supported the Afghan mujahedeen against the Soviets two decades ago.
The Taliban has two leadership cells operating inside Pakistan, presumably with the guidance and logistical support of local authorities. Senior lieutenants to Mullah Muhammad Omar, the Taliban's supreme leader, are ensconced in Quetta, the capital of the Pakistani province of Baluchistan. From there they direct military operations in the south-central Afghan provinces of Helmand, Kandahar, Uruzgan and Zabul.
Meanwhile, one of the Taliban's savviest military commanders, Jalaluddin Haqqani, and his sons operate out of Miramshah, the capital of the North Waziristan Province. From there, they run operations in Kabul and the eastern Afghan regions of Khost, Logar, Paktia and Paktika.
Mr. Haqqani, who was years ago an American ally in the anti-Soviet campaign, has also been long suspected of sheltering Osama bin Laden. He is a crusty warrior with a great deal of credibility in Afghanistan because 20 years ago, rather than sip tea with journalists like some other rebel leaders, he was laying siege to Soviet positions.
Meanwhile, in the Pakistani city of Peshawar and the Bajur region, one finds various headquarters of Gulbuddin Hekmatyar, whose Hezb-i-Islami Party is aligned with the Taliban. Mr. Hekmatyar, another former American ally, runs operations in the Afghan regions of Kapisa, Kunar, Laghman, Nangahar and Nuristan.
These various bases inside Pakistan have assured the Taliban's survival in the years since a democratic government was established in Kabul. Having hung on, the Taliban has recently regained much of its strength — and may now be winning the war of the villages against President Karzai.

In Afghan politics, it is the rural heartland that has always been the pivotal terrain, the place from where the mujahedeen rebellion against a secularized, Marxist-influenced urban regime was ignited in 1978, almost two years before the Soviets actually invaded. Whereas Iraq is two-thirds urban, less than a quarter of Afghans live in cities.
In Afghan villages, God and tribe are more tangible than any elected parliament. And where democracy remains an abstraction, anyone who can provide security and other basic needs — by whatever means — commands respect. Since toppling the Taliban in late 2001, the coalition and Afghan leaders have concentrated too much effort on Afghan cities, many of whose inhabitants, connected as they are to the outside world, are apt to support democracy anyway. The war we are now fighting will be won or lost in the villages.
While government officials from Kabul show up in rural areas for regular visits, the Taliban are setting up permanent presences in them. They are also importing radical, Pakistan-trained clerics to preach against the Kabul authorities. While officials from the capital too often speak in platitudes, the Taliban make concrete offers to protect poppy fields from eradication.
The drug trade is a particular problem because the United States, given its domestic policies, must take a stand against it and the government in Kabul, needing to maintain an upright image with international donors, must follow suit. Thus, the Taliban is free to use our morality against both.
The Taliban even have shadow officials for small areas of Afghanistan, whose top officials live just over the border in Pakistan. Afghan villagers journey to Pakistan to seek justice for one grievance or another from these alternative figures.
The situation is tragically simple: the very people we need to kill or apprehend we can't get at, because they are in effect protected by our so-called ally, Pakistan. All we can do is win tactical battles against foot soldiers inside Afghanistan, who are easily replaced.

It isn't that President Musharraf is doing nothing. He has deployed troops along the border that have somewhat cut down on the activities of Mr. Haqqani. Moreover, many of his troops are busy quelling a separatist rebellion in the border province of Baluchistan.
But he feels himself atop a volcano of fundamentalism. He is among the last of the Westernized, British-style officers in the national army; after him come the men with the beards. The military and Pakistani society are filled with those who do not see the Taliban as a threat: it is an American problem, and one for an Afghan government toward which they feel ambivalence. So President Musharraf must walk a fine line. And he must be as devious with us as he is with any other faction.
Thus Pakistani strategy is to get the Taliban to the point where it can set up secure leadership bases in remote parts of Afghanistan and move across the border. Then Pakistan will claim that it is no longer its problem.
There are two opposing tipping points to watch out for. The first is the moment the Taliban leadership feels safe in bases inside Afghanistan and decides it can mobilize to infiltrate and eventually topple the cities. That is when Presidents Bush and Karzai lose. Mr. Karzai would need to form his own private militia, and perhaps cut a deal with Mullah Omar in order to survive.
The other tipping point is when the Taliban leaders inside Pakistan feel themselves under so much pressure from the local authorities that their energy is spent on survival rather than on running operations. That is when Messrs. Bush and Karzai win. Unfortunately, this seems less likely than the first tipping point.
We can't reverse this drift without a stronger policy toward Pakistan. I say this with extreme trepidation. President Musharraf, for all his faults, may still be the worst person to rule his country except for any other who might replace him. And yet it is necessary to hold his feet to the fire to a greater extent than we have.

Things have reached the point that it was entirely justified for the American ambassador to Islamabad, Ryan Crocker, to say this month that the exiled former Prime Ministers Benazir Bhutto and Nawaz Sharif should be allowed to return and run against Mr. Musharraf. As corrupt as those two leaders were, we need leverage.
IN the end, the battle for Afghanistan will be won in the villages, and the time-tested rules of counterinsurgency will apply. The two most vital goals in this case will be giving the local residents a stake in the outcome through subsidies and development projects; and providing security through the presence of coalition troops embedded with Afghan Army units. Periodic patrols don't cut it. If you live and sleep beside people, they tend to trust you. You don't win these kinds of wars operating out of big bases near the capital.
Finally, while democracy may be an abstraction in the Afghan countryside, it can be a powerful psychological tool if explained in the language of nuts-and-bolts enticements. With our help, President Karzai's rural representatives must articulate a strategy of hope and development, and contrast it with the one of interminable conflict that is all that the Taliban can ultimately offer.
Robert D. Kaplan is a national correspondent for The Atlantic Monthly, and the author of "Soldiers of God: With Islamic Warriors in Afghanistan and Pakistan."

Monday, January 14, 2008

Bush e o Oriente Médio - 2


Esses iranianos são uns estúpidos, mesmo. Com sua ameaça barata no estreito deram um presente a George Walker Bush. A união dos árabes aliados contra os persas ganhou um reforço e tanto. Eu não sabia das versões alegadas, de que a ameaça explícita pelos iranianos veio depois da receptação de um comunicado entre eles aventando um ataque. Tem coisa mal contada aí...
Mas, de qualquer forma, ótimo! Também fica difícil crer que se os barcos iranianos apenas se comunicavam, não iriam querer "dar o seu recado". E se havia a intenção de provocar uma espécie de "ameaça", em que pese a marinha americana chamar isto de "operação disciplinada", me parece mais coisa de moleque. Qual o sentido da ameaça se a mesma não se consumou? E também soa estranho a inexistência de uma "resposta", dado o incidente com o USS Cole no Iêmen.
Só mesmo, se os barcos iranianos não estavam tão próximos assim. Impressionante também é a afirmação do despreparo da frota americana em simulação já feita. Com um cenário destes, parece que torcem para a concretização de um incidente como pretexto para uma forte retaliação. De qualquer forma, a viagem de Bush à região, com intento de orquestrar uma coalizão árabe anti-iraniana parece estar indo de vento em popa. Ainda mais se levarmos em conta que o maior temor árabe era menos com o programa nuclear iraniano do que com um ataque americano ao Irã.
E se entendi bem, um possível bloqueio em Ormuz devido a um ataque ao Irã prejudicaria os exportadores, apesar do encarecimento do óleo. Assim fica claro que o maior objetivo de defesa americano não é Israel, mas a Arábia Saudita. Parece que um recado foi dado, não só para Teerã, mas para todos árabes: não precisa que um porta-aviões da classe Nimitz seja afundado, basta um bloqueio no estreito para que a guerra comece. Um bloqueio para elevação do preço do barril já é suficientemente malvisto e serve como motivo.

Com a mudança do eixo estratégico da aliança EUA-Israel para EUA-exportadores árabes, a coalizão anti-iraniana ganha força e pretexto para um ataque. Da ameaça nuclear iraniana se parte para a defesa algo mais tangível e tático, o fornecimento de petróleo. Bush ganha pontos.
Cf.: The Strait of Hormuz Incident and U.S. Strategy,

Friday, January 11, 2008

Aracruz confirma US$ 3,5 bi para novas fábricas no RS e na Bahia

A Aracruz confirmou nesta sexta-feira que começou a investir US$ 3,5 bilhões, quase R$ 7 bilhões no RS e na Bahia, no decorrer dos próximos cinco anos, para expandir suas florestas e produzir celulose. Em Guaíba, a produção pulará de 430 mil toneladas/ano para 1,8 milhão de toneladas/ano a partir de 2010.
No ano passado, a empresa produziu 3,1 milhões de toneladas em todas as suas fábricas. CLIQUE AQUI para examinar em detalhes os principais dados do balanço da Aracruz.
Porto Alegre, fim de semana, 12 e 13 de janeiro de 2008

Tuesday, January 08, 2008

Lula, o "venezuelano"

[Com meus comentários e seleção de mapas em vermelho.]


08 de janeiro de 2008

Brasil não é uma ditadura -nem mesmo uma protoditadura (como a Venezuela)-, mas uma democracia formal parasitada por um regime neopopulista manipulador, em que um grupo privado que ascendeu ao poder pelo voto, com base na alta popularidade de seu líder, tenta permanecer no poder sem violar abertamente a legalidade democrática, mas pervertendo a política e degenerando as instituições para manipular a opinião pública e as leis a seu favor.

Por Augusto de Franco (*)

São os bolsões de pobreza que garantem a eleição de populistas. Lula quer acabar com a pobreza? Não, o que quer é mantê-la.


Em vermelho, as regiões de menor IDH no país (http://www.brazzilbrief.com/viewtopic.php?t=8436).


SE NOSSO IDH fosse mais próximo de 0,9 (em vez de 0,8), Lula jamais governaria o Brasil. Quem garante seus votos e liderança é a pobreza. É por isso que Lula não ganha eleição para prefeito de São Bernardo. É por isso que não ganha para governador de São Paulo nem de qualquer Estado do Sul (talvez com exceção do Paraná, que só é governado pelo chavista Requião por concentrar a maior pobreza da região).


E a correspondente distribuição do Bolsa-Família (http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1199222-EI6578,00.html).


São os bolsões de pobreza que garantem a eleição de populistas. Lula quer acabar com a pobreza? Não, o que quer é mantê-la, transformando as populações pobres em beneficiárias passivas e permanentes dos programas assistenciais. Ele gosta, sim, do povo, mas como massa informe de pré-cidadãos Estado-dependentes.


Façam uma análise dos levantamentos existentes, resultantes da aplicação de vários indicadores de desenvolvimento. A votação de Lula aumenta nos lugares em que esses indicadores (inclusive o IDH) diminuem. Isso não pode ser por acaso, pode? Só acontece porque Lula é um "venezuelano". Em Caracas, nosso presidente viveria feliz como pinto no lixo.

O PIB da Venezuela vem crescendo a taxas próximas de 10% nos últimos anos. Apesar disso, a Venezuela tem muitos pobres. Seu IDH é 0,784 (72º lugar no ranking mundial). Com o dinheiro do petróleo, Lula poderia fazer um super "bolsa-esmola" para economista-áulico nenhum botar defeito.

A noção de democracia de Lula casa perfeitamente com o regime político venezuelano. Lá, não vigora mais essa besteira de rotatividade (ou alternância) democrática. Autorizado, como Chávez, por uma "lei habilitante" (muito melhor do que medida provisória), Lula poderia criar, numa penada, não uma, mas meia dúzia de TVs governamentais. Poderia tirar a Globo do ar e empastelar a revista "Veja".

E, sobretudo, poderia continuar no poder indefinidamente, convocando plebiscitos e referendos para dizer que não está fazendo nada mais do que obedecer à vontade da maioria.

No dia 20/4/2005, Lula discursou em um congresso de trabalhadores: "É importante saber o que nós éramos há três anos e o que nós somos agora... O que aconteceu no Brasil... o que aconteceu no Equador, o que aconteceu na Venezuela, que foi já um pouco mais para frente (sic), e o que pode acontecer na evolução política de outros países do continente...".

No dia 29/9/2005, em outro discurso, este no Palácio do Planalto, disparou: "Eu não sei se a América Latina teve um presidente com as experiências democráticas colocadas em prática na Venezuela. Um presidente que ganha as eleições, faz uma Constituição e propõe um referendo para ele mesmo; faz um referendo e ganha as eleições outra vez. Ninguém pode acusar aquele país de não ter democracia. Poder-se-ia até dizer que tem excesso".

No dia 7/6/2007, numa entrevista a esta Folha, na embaixada do Brasil em Berlim, Lula disse: "O fato de ele (Chávez) não renovar a concessão (da RCTV) é tão democrático quanto dar. Não sei por que a diferença entre dois atos democráticos".

E no dia 14/11/2007, em outra entrevista, no Itamaraty, ele reafirmou: "Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventem uma coisa para criticar. Agora, por falta de democracia na Venezuela, não é".

Seria preciso dizer mais? Muita atenção, porém: Lula é um "venezuelano" que quer, mas não pode se comportar como Chávez. Se tentasse "chavecar" por aqui, o problema estaria resolvido. Nossa sociedade, bem mais complexa, rejeitaria de pronto o tiranete. Lula é o Chávez possível nas condições do Brasil.

Dizendo de outro modo, o Brasil não é uma ditadura -nem mesmo uma protoditadura (como a Venezuela)-, mas uma democracia formal parasitada por um regime neopopulista manipulador, em que um grupo privado que ascendeu ao poder pelo voto, com base na alta popularidade de seu líder, tenta permanecer no poder sem violar abertamente a legalidade democrática, mas pervertendo a política e degenerando as instituições para manipular a opinião pública e as leis a seu favor.

Não ter entendido a natureza desse governo e o caráter do seu líder foi a desgraça das nossas oposições.

Até Fernando Henrique, o mais lúcido dos oposicionistas partidários, alimentou a estranha crença de que "o conteúdo simbólico da sua liderança (de Lula) é um patrimônio do país que não deve ser destruído". Pois é. Não destruíram mesmo. Preservaram, blindando Lula, infelizmente, contra a democracia.


(*) AUGUSTO DE FRANCO , 57, analista político, é autor, entre outras obras, de "Alfabetização Democrática". Foi membro do comitê executivo do Conselho da Comunidade Solidária durante o governo FHC (1995-2002).





E o resultado lógico de nossa "democracia plebiscitária e redistributiva" (http://www.duplipensar.net/diario/passado/2006_10_01_registro.html).

Monday, January 07, 2008

A ganância dos irlandeses


07/01/2008

John Murray Brown*


Há vinte anos, se podia contar nos dedos de uma das mãos quais eram os irlandeses autenticamente ricos. Hoje em dia, existem tantos ricos que nem mesmo os profissionais que administram fortunas conseguem acompanhar. O país tem tido um desempenho incrível.


Uma das conseqüências disso é que agora os irlandeses estão vendo a si próprios de uma forma diferente. A imagem de católicos humildes, mas poéticos vivendo à sombra dos empolados e esnobes protestantes ingleses não tem mais sentido para nenhum dos lados, nem mesmo como caricatura. O país de "santos e eruditos" mostrou na década passada que tem vocação também para os negócios.


Os irlandeses ganharam dinheiro em gerações anteriores, mas eles geralmente precisavam sair da Irlanda para isso. Os Conselhos de Administração de empresas nos Estados Unidos estão cheios de nomes irlandeses. Na Inglaterra também, várias das maiores empresas são dirigidas por irlandeses de primeira ou segunda geração, tais como Terry Leahy da Tesco ou Niall FitzGerald, ex-presidente da Unilever. Mas a próspera economia reverteu o fluxo de imigrantes e permitiu que esta geração de homens e mulheres irlandeses explorasse em casa seus talentos de empreendedores.


Quando a economia decolou no início da década de 1990, estava bem situado quem estivesse nos setores de imóveis e construção. O aumento dos empregos e a elevação das rendas, associado a custos muito baixos para empréstimos, ao mesmo tempo em que a Irlanda se preparava para aderir ao euro, incentivou a demanda por moradias e imóveis comerciais, pressionando alta ainda maior nos preços. No campo, os controles de planejamento eram mínimos, estimulando uma onda de pequenos projetos de construção, enquanto proprietários agrícolas com terra perto das grandes cidades tornaram-se instantaneamente milionários, e as cadeias familiares de varejo tiveram uma drástica alta em seu valor, com a chegada das grandes varejistas britânicas. Mas quem mais ganhou foram os construtores e empreiteiros que tiveram a visão de adquirir grandes bancos imobiliários antes que os preços disparassem em 1994.


Alguns críticos comparam os magnatas imobiliários da Irlanda aos oligarcas russos. Segundo uma estimativa, seis ou sete empresários possuem quase todos os imóveis comerciais em Dublin. Uma concentração como essa na propriedade provavelmente foi vista pela última vez nos dias antes da independência irlandesa. Naqueles dias a terra na Irlanda valia uma fração do que valia na Inglaterra, mas hoje em dia tem preços superiores, apesar de uma densidade populacional bem menor na Irlanda. Durante os anos de grande crescimento, os produtores agrícolas foram muito bem compensados, pois o governo deu continuidade aos programas de rodovias e infra-estrutura financiados pela União Européia. E em áreas próximas a Dublin e outras cidades, os preços da terra foram inflados, pois os conselhos municipais competiam para atrair empregos e empresas.


Essa base doméstica de imóveis valiosos lançou uma nova geração de investidores imobiliários irlandeses em direção ao mercado internacional, particularmente na antiga capital do império, Londres. Hoje, poucos negócios imobiliários em Londres são feitos sem alguma presença irlandesa. Conta-se que metade da Bond Street é irlandesa agora.


Não é de se surpreender que a emergência dos novos ricos da Irlanda não seja em geral bem-vinda. Embora a Irlanda moderna jamais tenha tido um forte movimento trabalhista ou um eixo nítido esquerda-direita em sua política, existe um pendor de igualdade social e nivelação de classes na auto-imagem nacional que não está completamente à vontade com uma grande classe endinheirada.


Mas desde que a maioria dos eleitores irlandeses continue a se beneficiar do sucesso do país, haverá pouca hostilidade orquestrada em relação aos magnatas. Os irlandeses parecem ter um apego emocional à propriedade e mais visceralmente à terra, uma atitude que alguns dizem ser um legado direto do colonialismo britânico.


"Nós temos sido pobres há tanto tempo, que qualquer forma de desenvolvimento... é bem-vinda. Não existe disposição da parte da opinião pública de ser muito crítica," diz Garret FitzGerald, primeiro-ministro na década de 1980 para o partido conservador Fine Gael. E as pessoas comuns estão se beneficiando, pelo menos da prosperidade no setor imobiliário: a proporção de riqueza nacional associada à propriedade residencial é de 74% contra a média européia de 57%. Isso está refletido na taxa de 77% de irlandeses que são donos de seus imóveis, em comparação com 71% no Reino Unido, 56% na França e apenas 43% na Alemanha.


A demanda por moradias também registra um ritmo muito mais acelerado, com 88 mil novas casas construídas em 2006, em comparação com 155 mil na Inglaterra e País de Gales, uma área como 13 vezes mais pessoas. Em 2004, a revista The Economist classificou a qualidade de vida na Irlanda como a melhor do mundo, dizendo que a Irlanda "combina os elementos mais desejáveis do novo, tais como baixo desemprego e liberdades políticas, com a preservação de certos elementos acolhedores do antigo, tais como estabilidade familiar e vida em comunidade."


Os partidos mais de esquerda, como o Trabalhista e o Sinn Fein, queixam-se do aumento das desigualdades de renda e do fato de a infra-estrutura social não se ter equiparado à riqueza privada, mas nenhum dos dois partidos tem tido bom desempenho nos últimos anos. E embora a desigualdade tenha crescido e ainda exista uma grande quantidade de pobres, que podem ser vistos nas ruas das grandes cidades, não se ouvem protestos. Uma das razões disso é que o modelo econômico e social da Irlanda sempre foi mais próximo do laissez-faire dos Estados Unidos que da Europa continental ("mais para Boston que para Berlim").


Um grupo que muitas vezes desdenha dos novos ricos da Irlanda é a venha elite irlandesa, formada principalmente por importantes funcionários públicos de Dublin, advogados, jornalistas e artistas. Segundo David McWilliams, o comentarista econômico irlandês, esse grupo está retomando o interesse pelo idioma irlandês e mandando seus filhos para escolas celtas de Dublin, onde o aprendizado é em irlandês, como forma de se diferenciar dos presunçosos recém-chegados.


Garret FitzGerald acredita que a rapidez e a escala da mudança econômica não têm paralelo em nenhum outro lugar da Europa. Entre alguns cidadãos existe, inevitavelmente, uma sensação de desorientação frente às mudanças sociais - incluindo a chegada de imigrantes em massa (10% da população atual nasceu no exterior). Além disso, a instituição que persistiu em se distanciar da adoção do "hipercapitalismo" pela Irlanda - a Igreja Católica - está mais fraca e mais marginalizada que nunca, graças em parte aos escândalos de pedofilia.


A desorientação no tigre pós-Celta foi resumida por muitos na construção de uma alta torre de aço na rua O'Connell em Dublin para marcar o milênio. Para alguns, o monumento é apenas um mastro de bandeira sem bandeira. Mas para outros, o marco - construído no lugar da antiga Coluna de Nelson, explodida pelo IRA em 1966 - traz uma mensagem provocativa a respeito da nova Irlanda, com sua nova riqueza podendo finalmente escapar da sombra de seu vizinho.


No século 19, e grande parte do século 20, os irlandeses foram à Grã-Bretanha para construir canais, estradas e outra infra-estrutura. Hoje, os empreiteiros irlandeses adquirem bens de grande importância na cidade de Londres e em outras partes da capital. Uma das conseqüências dessas mudanças no status relativo, assinala FitzGerald, é que pode ser mais difícil de se conseguir a reunificação da ilha - um projeto ainda de interesse da nacionalista Irlanda. "O norte é muito mais pobre. Eles não poderiam se dar ao luxo de se unir a nós e nós não temos como subsidiá-los," ele diz.


Ao mesmo tempo, as relações entre a Irlanda e a Grã-Bretanha, e particularmente entre os irlandeses e os ingleses, provavelmente jamais tenham sido tão boas. Enquanto os irlandeses cada vez mais olham para além da Grã-Bretanha, eles se tornaram menos irascíveis a respeito do relacionamento com seu gigante, mas em geral insensível vizinho. "O complexo de inferioridade irlandês desapareceu e o complexo de superioridade britânico se enfraqueceu," diz FitzGerald. Claro, ele acrescenta, as relações jamais serão realmente iguais e os britânicos continuam a ter uma considerável influência cultural sobre a Irlanda - a televisão britânica, por exemplo, está em toda parte. "Não se pode ter igualdade entre quatro metros e 60 metros. Mas certamente existe menos desigualdade."


O clássico ensaio de Roy Foster sobre as relações culturais anglo-irlandesas no período vitoriano recebeu o título "Marginal Men and Micks on the Make" (livremente, "Homens marginais e irlandeses tentando tirar vantagem"), descrevendo os irlandeses que se deram bem na Grã-Bretanha naquela época. Mas em seu livro mais recente sobre a Irlanda moderna, "Luck & the Irish" ("Sorte e os irlandeses"), ele descreve como a nova fartura transformou a imagem que a Irlanda tinha de si mesma. "A Irlanda é como a terceira república francesa," ele disse recentemente. "Temos a corrupção irresponsável. Temos a instabilidade política. Há uma enxurrada de dinheiro em volta e um grande momento de vigor cultural... É uma combinação interessante e de certa forma, dado o histórico da Irlanda, sem dúvida alguma libertadora."



*John Murray Brown é correspondente do The Financial Times na Irlanda

Tradução: Claudia Dall'Antonia