interceptor

Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

Wednesday, December 19, 2007

Canto da sereia - 2

Diz Reinaldo Azevedo em seu blog da Veja nesta quarta-feira:

(...)

O Banco Mundial resolveu empregar um critério de arredondamento — mesmo para a medição do PIB PPP, que é mais generoso com os países emergentes — que se usava antigamente nas escolas quando as notas eram dadas por números. Tudo o que estiver abaixo de meio ponto, eles arredondam para baixo; o que estiver acima, para cima. Assim, vejam só: segundo esse critério, o Brasil detém 2,88% do PIB mundial. Puxaram o número para cima: ficamos com 3%. O Reino Unido detém 3,46%: puxaram para baixo: ficou com 3% também.
Eu não quero que vocês acreditem em mim. Quero que vocês acreditem nos números. A tabela está aqui, com os países agrupados por regiões. O PIB PPP é a terceira coluna. Vejam lá: Brasil: 2,88%; Reino Unido: 3,46%; França: 3,39%; Rússia: 3,09%; Itália: 2,96%. DE FATO, O BRASIL ESTÁ EM 10º LUGAR. Mas isso não é tudo: caiu uma posição.
Vejam só: em 2005, o PIB mundial, diz o Bird, foi de US$ 55 trilhões. Se o Brasil tem 2,88% desse valor, estamos falando de US$ 1,584 trilhão. Se fosse 3%, US$ 1,65 trilhão, o que implicaria produzir US$ 66 bilhões a mais. Se o Reino Unido detém 3,46 dos US$ 55 trilhões, seu PIB PPP é de US$ 1,903 trilhão. Para que o Brasil realmente estivesse em pé de igualdade com este país, teria de produzir US$ 319 bilhões a mais, um crescimento no PIB de imodestíssimos 20%. Ademais, quando se trata de verificar o PIB per capita, saibam que o Brasil está abaixo da média da América Latina e da média mundial.No mais, estou feliz como todo mundo, é claro (mais informações aqui).

Tuesday, December 18, 2007

Canto da sereia

O PIB PPC (Poder de Paridade de Compra), 1 REAL = 1 DÓLAR, dá uma noção melhorada da economia nacional. Mas...

É o mesmo estratagema utilizado pelo Regime Militar brasileiro nos anos 70 ao divulgar o Brasil como 8ª economia mundial, sem dar relevo à renda per capita, que é, afinal de contas, o PIB per capita.

Esta diferença é de suma importância, pois costumamos nos esquecer do brutal tamanho de nossa população e nos encantamos facilmente com o canto da sereia dos números isolados de seu contexto social. Afinal, somos a 5ª maior população mundial e nosso PIB, grande em termos absolutos, em termos relativos ainda é anão.

Outrossim, a renda per capita que já é um índice mais depurado é apenas uma média. Algo "ideal" para os socialistas, caso verdadeiro, pois dá o valor por habitante ao ano como se todos ganhassem o mesmo. Se eu como duas galinhas por mês, o fulano nenhuma, nós comemos cada um, uma em média. A média é necessária como aproximação, mas ainda assim insuficiente para se ter uma noção da riqueza enquanto circulação do capital.

Depois ainda poderíamos aventar a renda per capita PPC, mais realista. E ainda o índice de Gini que mede a desigualdade. Veja que os países mais desiguais são os que não tiveram suas "revoluções liberais" e ainda sofrem com suas heranças mercantilistas de seus períodos coloniais. Notadamente a África está no topo do mapa da desigualdade e o Brasil , vez por outra , próximo dos piores países do mundo em desigualdade (já chegou a ser o 3º mais desigual).

Mais: temos o IDH, índice mais depurado. Este sim um índice mais apropriado que faz uma média envolvendo educação, saúde e renda. Não obstante, trata apenas de efeitos econômicos e não revela as causas. Indico para o tratamento destas o Índice de Liberdade Econômica (ILE) do Heritage Foundation que avalia o grau de liberdade econômica. Os países com melhores cotações neste índice estão entre os mais desenvolvidos do mundo.

Bem, se trata ede uma boa notícia, muito embora tão ufanista quanto dizer que o Brasil é o 2º em atração de investimentos estrangeiros, deixando de lado a face relativa do mesmo, i.e., por habitante no que o Peru tem mais que o Brasil...

Sunday, December 16, 2007

Estratégia contra os curdos

Segundo a BBC, os turcos atacaram os curdos do PKK (Partido Trabalhista Curdo) no norte do Iraque com o apoio dos EUA. A questão que me chama a atenção é que o Curdistão também tem o apoio dos EUA, bem como de outro países como o Canadá para a exploração de petróleo. Do que se deduz então, que o ataque aos curdos em questão favorece outros, provavelmente de partidos rivais. Ainda mais se levarmos em consideração que o PKK é um partido com idéias socialistas, a opção por outras vertentes fica mais fácil de entender.


Mas, para além das ideologias, há que se considerar que o PKK desestabilizava a fronteira norte do Iraque, ao adotar uma política claramente sececcionista no território turco (os curdos na região também se espalham pela Turquia). O norte do Iraque que é ocupado pelas forças americanas também se constitui numa de suas poucas áreas de maior estabilidade, bem como o fato de que a Turquia é aliada da OTAN. Neste sentido, apoiar a Turquia numa ação menor e mais rápida significa também dissipar o temor de um ataque maciço que poderia unir curdos contra invasores por terra. E, conseqüentemente, favorecer conflitos em cascata com sunitas ao sul, ansiosos por meter a mão no óleo dos curdos.


Portanto, nunca é demais lembrar que o que acontece naqueles pagos pode prescindir dos efeitos de uma guerra religiosa, como aventam analistas dominados pela idéia de 'guerras santas'. Se ao grosso da população esta idéia pode parecer sedutora, seus generais têm ambições menos etéreas e muito mais estratégicas.

Wednesday, December 12, 2007

Abrindo os Andes em meio à névoa latino-americana



Nesta semana, Carlos Heitor Cony em seu comentário na BandNews disse que como quase metade do eleitorado venezuelano não foi votar é porque a população “está se lixando” para a política e que, afinal, “a Venezuela não é tão politizada assim...” E que Chávez encontrará outro jeito para se perpetuar no poder. Ora, então a política é que “está se lixando” para a população e não o contrário. Ou melhor, o fato de haver grande abstenção significa desinteresse ou desesperança?

O fato é que a América Latina não aponta para um unívoco sentido das mudanças. Há poucos dias, o congresso peruano aprovou ontem o Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA. A partir de agora poderemos contar com outro país latino-americano, além do Chile, a trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável. E, apesar das críticas corriqueiras e sistemáticas que conhecemos a este tipo de acordo como “vão faltar alimentos ao mercado interno, pois vão preferir exportar” ou “alguns agricultores não resistirão à mudança, pois nem tudo será exportado”, o que vi em matéria da CNN Internacional foi animador... Os peruanos estão otimistas com o acordo. E, de mais a mais, se nem todos os agricultores terão suas commodities exportadas, parece óbvio que continuarão a vender ao mercado interno. Como pode se falar então em desabastecimento? Os argumentos antiliberais dão voltas e mais voltas e repetem seus ilógicos mantras.

Em meio a uma América Latina efervescente onde um Chávez não vai descansar em tentar amarrar a Constituição venezuelana aos seus intentos de perenidade no poder, uma Bolívia em dilaceração, uma galopante carga tributária brasileira, os desvios de bilhões de reais a milhares de ONGs sem critério de transparência, os desmandos de ‘movimentos sociais’, um narcotráfico que se enraíza nos poros da sociedade, nosso governo acaba de aprovar o totalitário Projeto de Lei 29/2007 que obriga as TVs por assinatura a terem metade de sua programação com o conhecido lixo da programação nacional.

Realmente, há várias razões para rejeitar, in limine, o mais recente PL votado por este governo que obriga os canais de TV por assinatura a veicularem 50% de programação nacional. Entre outras por ficarmos reféns obnubilados dos Conys da vida...

Senado estadounidense aprueba Tratado de Libre Comercio con Perú

Miércoles 5 de diciembre, 2007

(Dow Jones Newswires)


Con una votación final por el Senado 77-18, el Congreso estadounidense concluyó el martes el proceso de ratificación del tratado de libre comercio con Perú.


La votación se hizo nominalmente por voz con una secretaria pronunciando el nombre de cada uno de los senadores presentes para que estos respondieran "sí" o "no".


Este es el primer tratado que pasa exitosamente las exigencias de la nueva mayoría legislativa demócrata, que desde que asumió el control de ambas cámaras en enero ha exigido la inclusión en el texto de severas provisiones laborales y medioambientales.


El tratado será enviado ahora al presidente George W. Bush para su conversión en ley, posiblemente la próxima semana, en una ceremonia que al parecer contaría con la presencia del presidente peruano Alan García.


"Perú no es un país ordinario", dijo el senador demócrata Max Baucus, presidente del Comité de Finanzas. "Este acuerdo con Perú no es tampoco un acuerdo ordinario de libre comercio".



Criar juízo é rasgar Kyoto

José Eli da Veiga

Se você quiser fundamentar opinião sobre o aquecimento global, não poderá deixar de ler o sumário da síntese do quarto relatório de avaliação do IPCC (Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas), divulgado há dez dias em Valência. De suas 23 páginas, apenas metade é de texto, a outra ocupada por soturnos gráficos, figuras e tabelas ( www.ipcc.ch ).
A primeira coisa que poderá lhe incomodar é a forma utilizada para tentar transmitir ao leitor o grau de incerteza, ou de confiança, que condiciona cada afirmativa. De modo algum no tocante às margens de erro das estimativas, pois estas são intrínsecas a quaisquer avaliações do gênero. Mas sim no que se refere ao abuso de formas adverbiais - "provavelmente", "muito provavelmente", "muito improvavelmente" - ou comparativas tipo "mais provável do que improvável". Estão todas em itálicos e ocorrem 95 vezes ao longo de uma dúzia de páginas de texto.
Claro, nada disso poderá perturbar quem já esteja plenamente convencido de que são inquestionáveis os resultados das pesquisas revisadas pelo painel. Pode-se pensar, por exemplo, que não passam de 95 as manifestações de recalcitrantes resistências políticas, ou, no máximo, de 95 sinais do excessivo rigor dos 40 componentes da equipe de redação. Nesta linha, o que mais importa é tirar de tão importante documento as decorrências que deveriam nortear as conversações internacionais sobre o modo mais efetivo de combater o aquecimento global. E, para debater tal orientação, não há necessidade de se examinar mais do que duas tabelas que aparecem no final do texto: SPM.6 e SPM.7 (págs. 21 e 23).
A primeira apresenta seis cenários de elevação da temperatura média global em relação ao que deve ter sido o "equilíbrio pré-industrial", indicando os correspondentes patamares de concentração de gases estufa, medidos em equivalentes de dióxido de carbono (CO2). Escancara que o único cenário admissível é o primeiro, no qual um aumento de temperatura situado entre 2 e 2,4 graus centígrados (ºC) exigirá que a concentração seja contida no intervalo de 445 a 490 partes por milhão (ppm).
Admitir qualquer dos outros cinco cenários seria o cúmulo da irresponsabilidade. Afinal, se a temperatura global aumentar mais de 2º C, estima-se que entre 0,7 e 4,4 bilhões de pessoas sofrerão de crescente falta de água; que haverá queda de rendimentos agrícolas em muitos países pobres; que as florestas amazônicas serão irreversivelmente comprometidas; que de 15 a 40% das espécies se extinguirão; que geleiras desaparecerão; que o derretimento da placa de gelo da Groenlândia acelerará a elevação do nível do mar; e que o permafrost siberiano exalará seu imenso estoque de metano (CH4), gás-estufa bem mais furioso que o CO2.
O suficiente para mostrar a profunda incoerência dos que elogiam simultaneamente o IPCC e o Protocolo de Kyoto.
Se o IPCC estiver mesmo certo, então esse protocolo deve ser imediatamente denunciado e substituído com máxima urgência por um sério entendimento entre os 20 países que são responsáveis por 90% das emissões de carbono. Não há outra maneira de se obter uma redução das emissões superior a 50% até 2050, condição sine-qua-non da estabilização da concentração no intervalo 445-490 ppm e, portanto, de um aquecimento máximo que fique entre 2 e 2,4 ºC.
Além da fixação de metas de emissão nacionais muito mais drásticas para esses vinte principais emissores, as cotações resultantes dos chamados "mercados de carbono" precisariam aumentar, e muito. Seja mediante leilões dos direitos de emissão, ou pela adoção de impostos para cada tonelada de carbono emitida, semelhantes ao que já são pagos quando se consome um maço de cigarros, ou uma dose de bebida alcoólica. E ainda faltaria o principal: intensa cooperação científica voltada à descoberta de saídas realmente capazes de descarbonizar as matrizes energéticas.
Qual seria o custo macroeconômico desse trevo do conseqüente combate ao aquecimento global? É o que procura responder a última tabela do sumário do IPCC. Todavia, quem chegar até ela, notará que, para esse primeiro cenário, as estimativas não estão disponíveis ("not available"). Por quê? Pergunte ao IPCC. O que pode ser dito aqui é que tais custos já foram calculados por pelo menos dezenove complexos modelos, entre os quais se destacam o "Dice", de Nordhaus, e o "Page", de Stern. A principal diferença entre os dois é de natureza ética, pois depende da parcela de responsabilidade que será transferida às futuras gerações. Segundo o Nordhaus, o custo social da tonelada de carbono deveria se aproximar nos próximos anos de US$ 60. Já para Stern, esse custo deveria ser cinco vezes maior (US$ 305), já que seu pressuposto ético é de que as gerações presentes é que devem assumir a maior parte do sacrifício.
A percepção de que o aquecimento global é a maior ameaça que o mundo enfrenta avançou bastante em 2007. As outras - terrorismo, armas nucleares, Oriente Médio - até parecem bem menores. Então, é absurdo dizer que o pós-Kyoto poderá ser mero aprofundamento do protocolo, além de esperar 2013 para entrar em vigor. Tal postura só pode ser assumida por quem pretenda ganhar tempo. Por quem não queira encarar os próximos anos como momento decisivo. Talvez por ter dúvidas sobre os resultados validados pelo IPCC. E é essa a atitude da maioria dos corpos diplomáticos, aí incluído o do Brasil, país que já aparece como sexto principal emissor (caso a União Européia seja considerada em bloco na terceira posição).
Enfim, como o leitor deve ter notado desde a primeira linha deste artigo, o aquecimento global envolve sérias controvérsias, tanto do âmbito das ciências naturais, quanto no das econômicas e políticas. E é muito ruim que permaneçam subestimadas, ou mesmo ignoradas. Daí porque deve ser enfático o convite à leitura do relatório "Aquecimento global: um balanço das controvérsias", redigido em co-autoria com Petterson Vale, disponível em www.zeeli.pro.br.
José Eli da Veiga é professor titular do departamento de economia da FEA/USP e autor de "A Emergência Socioambiental" (Ed. Senac, 2007), escreve mensalmente às terças. Página web: www.zeeli.pro.br
Publicado originalmente no jornal Valor Econômico do dia 27 de novembro de 2007.
...
Quem lê este blog com certa freqüência conhece minha posição (contrária) à teoria aquecimentista. Não obstante, não deixo de me interessar por posições contrárias e análises bem fundamentadas ou, se não suficientemente fundamentadas, ao menos esforçadas do ponto de vista lógico. Meu intuito foi fornecer mais subsídios a este necessário debate.
a.h

Monday, December 10, 2007

Construtora paralisa obras no Pará após invasão por integrantes do MAB

A construtora Camargo Corrêa, responsável pelas obras das eclusas de Tucuruí, no Pará, paralisou as atividades no local depois que cerca de 300 militantes do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) ocuparam na madrugada de quarta-feira o canteiro das obras. Segundo nota da construtora, a invasão coloca em risco a saúde dos invasores e a evolução do projeto. A Camargo Corrêa informou que os integrantes do MAB estão ocupando a central de concreto da obra e ameaçam destruir a fábrica de gelo, que possui um reservatório com 7.500 quilos de amônia, produto tóxico que pode levar à morte. De acordo com a construtora, os invasores queimaram cinco equipamentos da empresa (duas motoniveladoras, um ônibus, um caminhão e um rolo compactador) e mantêm em seu poder outros equipamentos. As eclusas de Tucuruí estão sob responsabilidade do Dnit (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes), com a participação da Eletronorte.
Porto Alegre, 10 de dezembro de 2007 - www.Videversus.com.br - nº 853
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a.h.
Há vários anos que a esquerda paraense vem atrasando o desenvolvimento do estado, com alegados argumentos "científicos", contra as represas na Amazônia. Lembro bem que em 1988 (+-) um auto-denominado "cientista" do Museu Goeldi, chamado Gorayeb - dito membro do PCB - liderou uma rebelião dos ribeirinhos de Tucurui, contra o plano da Eletronorte de combater com DDT os mosquitos causados pela vegetação na represa. Alegava que o DDT destruiria "gerações e gerações" daquela população, que sofria com o ataque dos mosquitos.
Ocorre que a Eletronorte tinha construido casas para aquelas pessoas, até de alto padrão para a região. As casas tinha telas nas janelas, e portas de tela também, dando proteção total contra os insetos. Porém, como as mesmas estavam a dois ou três km do lago, as pessoas foram aconselhadas, pelo "cientista", a não aceitá-las, pois era um desaforo fazê-los morar "tão longe de onde ganhavam a vida" como pescadores.
Ocorre que o lago estava coberto com uma vegetação que serve de habitat para os mosquitos, e por isso a companhia queria levar a população para longe daquele ambiente, e usar o DDT para limpar a área de insetos. A esquerda porém criou problema, convencendo a população de não arredar o pé dali.
Estive lá, com um grupo do Ministério do Interior, examinando o que ocorria. Os mosquitos eram tantos que até as galinhas tinham dificuldade de sobreviver aos mesmos. Exceto que Gorayeb não propunha nenhuma solução, apenas criava um problema, aconselhando a população a não se mudar. A única solução possível, sugeria, era derrubar a barragem!

O mesmo ocorreu, tempos depois, quando da da proposta da barragem de Cararaô, perto de Altamira (que depois teve o nome mudado, por exigência dos índios). Houve uma reunião de todos os índios da Amazônia, promovida pelo CIMI e por ONG's só Deus sabe de onde. Muito dinheiro foi gasto nesse carnaval, quando a india Taira ameaçou de morte, com um facão, o diretor da Eletronorte. Até índios de outros países latinos vieram, e também do Canada e do Alasca (ditos "índios" canadenses e do Alasca tinham pele branca e olhos azuis, batiam tambores e cantavam um bando de bobagens, em lígua que ninguém entendia).
Foi nesse momento quando o roqueiro Sting entrou nessa dança, levando um índio para a Europa, e passeando com ele por lá, fazendo campanha contra o desenvolvimento da Amazônia, que "pertence ao mundo", de acordo com o roqueiro cientista.
Aliás é o mesmo argumento de Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA, que agora ganhou o Prêmio Nobel, pelo alerta "científico" de que o mundo está aquecendo através da ação do homem. Pelo menos o idiota do Museu Goeldi era um pesquisador, ainda que de menos importância. Já Al Gore, esse levou pau em todos os cursos de ciência que tomou nas universidades que freqüentou, e sabe tanto de ciência quanto eu sei do chinês mandarim.
Provavelmente essa tal de MAB deve ser uma organização advinda do grupo de Gorayeb, que cresceu ao longo dos anos. Anteriomente não passava de uma meia dúzia de descontentes, liderados pelo "cientista" do Goeldi.
A Amazônia é um saco de gatos, e sempre foi um problema para o Brasil. Não digo que a mesma seja devolvida aos índios, pois esses não têm capacidade de administrá-la. Mais ainda, se isso acontecesse as ONGS estrangeiras entrariam lá com toda a força, o que aliás já estão fazendo, mandando e desmandando no lugar, como se fossem donos dele.
A solução seria parecida com o que proponho para a França, esculhambada pelos islamitas: "Ou est Charles Martel?"
Ou seja, a Amazônia precisa de uma mão forte, como a França precisa de um outro Charles Martel. Isso só os militares brasileiros poderiam fazer, mas eles hoje estão amedrontados e com o rabinho entre as pernas. Quem os salvará?
dgv

Friday, November 30, 2007

Uma ditadura consentida


A Venezuela não é uma democracia
Coluna - Sérgio Ribeiro da Costa Werlang
Valor Econômico
26/11/2007

É muito curiosa a discussão recente sobre se a Venezuela é ou não uma democracia. Por várias razões, a organização político-institucional da Venezuela não contém elementos básicos que qualificariam o país como uma democracia. Desta forma, pelo Protocolo de Uchuaia de 1998, onde impõe-se "a plena vigência das instituições democráticas" como "condição essencial para o desenvolvimento dos processos de integração dos Estados partes", que faz parte dos documentos que constituíram o Mercosul, hoje a Venezuela não pode ser integrante do bloco.

A palavra democracia tem diferentes acepções ao longo da história. Mais ainda, o uso indevido desta qualificação é muito comum. Por exemplo, a parte oriental da Alemanha era oficialmente denominada República Democrática Alemã. Certamente nada havia de democrática na antiga república alemã oriental, que era uma ditadura comunista.
Vários países ditatoriais têm eleições. Mas nem por isso são democracias. Em 2002, no Iraque, em plena ditadura Saddam Hussein, houve eleições diretas para presidente e o tirano foi eleito com 100% dos votos. Por outro lado, há várias monarquias modernas que são totalmente democráticas, como a Inglaterra, Espanha, Suécia, Bélgica, Dinamarca, Japão etc, embora o rei não seja eleito.
Além disso, os Estados Unidos, que são a democracia mais vibrante de nosso tempo, têm eleições indiretas para presidente: os eleitores escolhem um colégio eleitoral e, este, o presidente. Houve algumas ocasiões, como na primeira eleição de George Bush (filho), em que a maioria da população votou a favor de um candidato (Al Gore), mas o colégio eleitoral escolheu outro (George Bush). Nem por isso os norte-americanos quiseram alterar seu sistema de votação, ou se sentiram menos democratas.
A palavra democracia tem usos muito distintos. Não basta que um país autodenomine-se democrata. Não basta que haja eleições diretas para presidente. Por outro lado, muitas monarquias modernas são democracias e há democracias republicanas em que o presidente não é eleito por voto direto.
Assim, o que caracteriza uma democracia? Vai-se ver que é um certo conjunto de regras bem estabelecidas, aceitas e respeitadas por todos, que permita a alternância de poder e dê voz às minorias políticas. Mas para entender isso é útil fazer uma rápida retrospectiva histórica da democracia moderna e de suas características fundamentais.
Para que todas as idéias possam ser analisadas por aqueles que vão exercer seu voto, é fundamental que haja liberdade de expressão e de imprensa A democracia iniciou-se em algumas cidades-Estado gregas. O caso mais conhecido foi o de Atenas. Todos os cidadãos homens e livres, maiores de 18 anos, eram parte da assembléia, a instituição política mais importante. No Século IV A. C., a assembléia reunia-se quatro vezes a cada 36 dias. E, nelas, todos os membros podiam falar, propor emendas e votar. É claro, tal sistema só funcionava nas pequenas comunidades formadas pelas cidades-Estado (Finlay estima que em Atenas, por volta de 430 A. C., existiam de 40 a 45 mil pessoas que seriam integrantes da assembléia). Esta democracia direta mostrou-se incapaz de unificar a Grécia e muito pouco ágil para os tempos que estavam por vir.
Os romanos aperfeiçoaram a democracia, tornando-a representativa (os cidadãos elegem um representante periodicamente que faz o trabalho legislativo para eles). Este sistema mostrou-se muito eficaz e, com o tempo, desde o fim do primeiro reinado em 507 A. C., Roma acabou por conquistar todo o Mediterrâneo. A partir de 44 A. C., quando Júlio César foi indicado ditador vitalício, a democracia começou a perder ímpeto no mundo.
A primeira grande reviravolta aconteceu em 1215, na Inglaterra, quando João Sem Terra assinou a Carta Magna que instituiu que o rei só poderia aumentar impostos se o parlamento aprovasse. Além disso, seu artigo 29 garantiu que os homens livres não poderiam ter confiscados seus bens ou suas liberdades, nem o rei poderia baixar decreto condenando-o sem julgamento.
Mas, é claro, não é suficiente estar "na lei"! É preciso que todas as pessoas ajam e comportem-se de acordo com a lei. E, para que os preceitos da Carta Magna fossem realmente respeitados, foram necessárias duas revoluções na Inglaterra, a de Cromwell e a Revolução Gloriosa, de 1688, que pôs fim aos monarcas absolutistas ingleses. Já nesta época Locke observou a importância da independência dos poderes Legislativo e Executivo (na verdade, antes de Locke, Maquiavel também notou isto). Mais tarde, Montesquieu e Madison (este o primeiro a utilizar a expressão sistema de "pesos e contrapesos" para referir-se ao tema) divulgaram a teoria da independência dos poderes como hoje a conhecemos. A importância da independência é crítica na estabilidade das regras de qualquer democracia, como Tsebellis demonstrou mais recentemente.
Adicionalmente, para que todas as idéias possam ser analisadas por aqueles que vão exercer seu voto, é fundamental que haja liberdade de expressão e sua companheira indissociável, a liberdade de imprensa. Estes ideais foram todos introduzidos na Constituição norte-americana, de 1787, que se manteve inalterada em sua essência desde então. Por fim, regras não valem nada se o respeito às mesmas não estiver arraigado na população.
Em suma, uma democracia moderna exige: (I) eleições livres para o chefe do Executivo (que é o primeiro-ministro no caso das monarquias modernas); (II) existência de um Legislativo que também deve ser livremente eleito pela população; (III) independência do Legislativo e do Judiciário entre si e em relação ao Executivo; (IV) liberdade de expressão e de imprensa.
A Venezuela de hoje não passa pelo teste dos itens (III) e (IV). Além disso, com a mudança da Constituição que está sendo proposta (uma vez que o Executivo controla os outros poderes) e a possibilidade de reeleição permanente, as eleições para chefe do Executivo não serão livres. Definitivamente, não é uma democracia no momento, de modo que não deveria fazer parte do Mercosul.
Por último, o argumento de que deve ser membro do Mercosul pois é um parceiro comercial estratégico para o Brasil é também falho. Sua participação nas exportações brasileiras é de 2,8%, muito próxima a de Japão (2,8%), Chile (2,7%) e México (2,6%), e muito inferior à da União Européia (24,8%), Estados Unidos (15,9%), Argentina (8,9%) e China (7,0%).
Sérgio Ribeiro da Costa Werlang, diretor-executivo do Banco Itaú e professor da Escola de Pós-graduação em Economia da FGV, escreve mensalmente às segundas-feiras.

Wednesday, November 28, 2007

Será possível?! O Vitor Vieira deve ter errado a data...




Um estudo elaborado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, divulgado nesta terça-feira, aponta que 53% da população brasileira não possui saneamento básico e que, no que depender do retrospecto da área, o problema só estará totalmente resolvido no ano de 2.122. O relatório apresentado nesta terça-feira foi feito pelos técnicos da Fundação Getúlio Vargas a pedido do instituto Trata Brasil, entidade sem fins lucrativos que reúne empresas que visam incentivar medidas de responsabilidade socioambiental. De acordo com os pesquisadores, as populações mais afetadas pela ausência de boas condições de saneamento básico são crianças de um a seis anos de idade e as grávidas. O estudo da Fundação Getúlio Vargas cruza várias fontes de dados para avaliar as condições de saneamento básico da população brasileira. Uma delas é a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).










Mas, o jornalista não errou...


São Paulo, quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Saneamento para todos só em 2122, diz FGV

Estimativa foi feita com base na taxa de crescimento do nível de coleta de esgoto no país, que atualmente está em 1,59% por ano
Fundação calculou que, em 2006, apenas 46,77% da população brasileira possuía rede de coleta de dejetos domésticos
DA SUCURSAL DO RIO
Com o atual nível de investimento em saneamento básico, só em 2122, daqui a 115 anos, a totalidade da população brasileira terá acesso à rede de coleta de esgoto, revela pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgada ontem. Mais da metade dos brasileiros não tem esgoto recolhido.
Encomendada pelo Instituto Trata Brasil, organização sem fins lucrativos fundada em julho deste ano em São Paulo, a pesquisa "Trata Brasil: Saneamento e Saúde" foi feita com base nos dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) do IBGE.A FGV calculou que, em 2006, somente 46,77% da população brasileira era beneficiada por rede de recolhimento de dejetos domésticos. Há 14 anos, era de 36,02% o percentual dos brasileiros com acesso a rede de esgoto.
Coordenador da pesquisa, o economista Marcelo Néri estimou que, a se manter o nível de crescimento das redes coletoras em todo o país observado a partir de 1992, somente daqui a, no mínimo, 56 anos, metade da população terá acesso a esgoto encanado. A atual taxa de crescimento da rede de esgoto nacional é de 1,59% por ano.
Mortalidade infantil
Ainda de acordo com a pesquisa, a mortalidade infantil na faixa de um a seis anos de idade é maior nas regiões do país onde não há esgoto coletado. Ao analisar os dados da Pnad, Néri concluiu que a falta de saneamento básico tem responsabilidade direta na mortalidade registrada nessa faixa etária.
A incidência de morte entre um ano e seis anos decorre do contato direto das crianças com as aglomerações de esgoto, afirma o pesquisador. Antes de completar o primeiro ano, o bebê ainda permanece mais tempo sob os cuidados de adultos.
Segundo Marcelo Néri, depois disso, os meninos, mais do que as meninas, passam a ficar mais soltos, pois começam a andar e a brincar fora de casa. Muitas vezes descalços e nus, circulam em meio à imundície acumulada em poças e valões. A maioria deles até bebe a água contaminada por coliformes fecais. Acabam vitimados por diarréias e outras doenças relacionadas à carência de saneamento básico.
Baixo investimento
Conforme divulgou o Instituto Trata Brasil, sete crianças brasileiras morrem por dia em conseqüência da falta de saneamento básico no local onde vivem. O instituto considera que o ideal seria investir em saneamento o equivalente a 0,63% do PIB (Produto Interno Bruto). Hoje, o investimento na área é de 0,22%.
Outras vítimas em potencial da ausência de rede coletora de esgoto são as gestantes, pois a falta de saneamento aumenta as chances de os filhos nascerem mortos. De acordo com a pesquisa, em áreas sem saneamento, aumenta em cerca de 30% a possibilidade de grávidas virem a parir natimortos.
A pesquisa mostra ainda que, apesar da gravidade da situação constatada nos índices oficiais do governo federal, a velocidade da expansão do saneamento básico é inferior à oferta de outros serviços públicos, como rede de distribuição de água, coleta de lixo e eletricidade.
O levantamento da FGV indica também que São Paulo é o Estado brasileiro com maior cobertura em saneamento básico -84,24% da população paulista é atendida por rede de esgoto. O Amapá convive com situação oposta. É o pior Estado brasileiro em termos de recolhimento de esgoto. Só 1,42% dos habitantes têm o benefício.

Tuesday, November 27, 2007

Enquanto as ações da ESTATAL Petrobras caíram 21% neste ano...

Ações da Vale sobem mais de 86% em 2007
A Companhia Vale do Rio Doce comemora hoje, em Paris, seu dia na bolsa local, onde também negocia papéis. A empresa fez comemoração semelhante na Bolsa de Nova York, em 16 de outubro. A ações ordinárias da companhia brasileira na Bovespa registram valorização superior a 86% ao longo deste ano. Na Bolsa de Nova York, onde tem ADRs listados, a empresa acumula retorno de 107% ao longo de 2007. No mês de novembro, entretanto, os papéis da Vale estão com queda de mais de 10% na bolsa paulista. Ainda assim, continuam entre as melhores opções de investimentos para 2008.

Inferno nos Andes

»» Se há risco com a Bolívia, o governo brasileiro deveria se interar melhor do que se passa em nosso vizinho. Já não é de hoje que uma movimentação secessionista toma curso no leste boliviano. A "Nação Camba" se vê diferente dos seus concidadãos dos altiplanos e chega a defender um estado binacional.
a.h
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Manifestação contra constituição obtida por golpe reúne 40 mil em Santa Cruz de la Sierra
Manifestantes queimaram um boneco representando o presidente cocaleiro Evo Morales e gritaram palavras de ordem contra o ditador cantinflesco da Venezuela, Hugo Chavez, em uma grande manifestação contra a assembléia que elabora a nova Constituição boliviana. A aprovação do texto básico foi obtida por meio de um golpe, Evo Morales fez apenas os seus seguidores se reunirem em um quartel, em Sucre, para alcançar o resultado que desejava. A manifestação parou o centro de Santa Cruz de la Sierra, no leste do país, e reuniu pelo menos 40 mil pessoas. A cidade é a mais rica do país, centraliza uma região responsável por 47% do PIB boliviano, e é dos principais redutos da oposição ao governo. O ato foi organizado pelo Comitê Cívico de Santa Cruz, por sindicatos patronais e por políticos que fazem oposição ao governo nacional. Os discursos tiveram em comum a crítica à nova Constituição e à influência do presidente Chávez, e a cobrança por mais autonomia para os departamentos (o equivalente a Estados) em relação a La Paz. Em todos os discursos o presidente cocaleiro Evo Morales foi responsabilizado pela morte de quatro pessoas durante os distúrbios de rua ocorridos no final de semana em Sucre, no sudoeste boliviano, onde a Assembléia Constituinte aprovou o texto-base da nova Carta dentro de um quartel. "Queremos uma Constituição para todos os bolivianos, não uma Constituição para o MAS", criticou o médico Germán Antelo, integrante do Comitê Cívico, referindo-se ao partido do presidente, o trotskista “Movimento ao Socialismo” (MAS). Ele afirma que os partidários do presidente instigam o ódio racial entre os indígenas que vivem no Altiplano e os brancos da porção oriental do país. Três marchas partiram de locais distintos e se encontraram na Praça Central, a principal da cidade. Até um shopping center fechou as portas durante a passagem dos manifestantes. Embora não tenha havido violência, a manifestação dá uma idéia do clima de aprofundamento da divisão interna no país. O manifestantes chamaram Evo Morales de “prostituta” de Chavez.


Ditador Hugo Chávez ameaça varrer oposição “se houver violência”
O presidente da Venezuela, o cantinflesco ditador Hugo Chávez, reagiu ao assassinato de um trabalhador, nesta segunda-feira, supostamente morto por opositores a seu governo, e afirmou que "varrerá" a oposição “se ela optar pelo caminho da violência”. "Aqui está o povo organizado para impedir desestabilizações", disse. "Se eles buscam o caminho da violência, tenham certeza de que saberemos enfrentá-los nas ruas e varrê-los como já fizemos em 13 de abril de 2002", acrescentou ele, em referência à tentativa de golpe de Estado quando a população saiu às ruas para restituir o poder ao presidente. Faltando seis dias do referendo consultivo da polêmica reforma constitucional, com o qual Chavez quer institucionalizar a ditadura, o presidente venezuelano disse que "os setores enlouquecidos e desesperados da oposição começaram com um plano de violência". Na manhã desta segunda-feira, um trabalhador de 19 anos da fábrica Petrocasa foi assassinado com dois tiros quando pretendia romper o bloqueio de um grupo de manifestantes que protestavam contra a reforma constitucional, na cidade de Valência. De acordo com o vice-presidente Jorge Rodríguez, 80 pessoas foram detidas no incidente. Chávez descreveu os manifestantes como grupos "enlouquecidos, envenenados pela campanha midiática e pela cartilha norte-americana". "São estes os que querem roubar-nos a pátria", disse o líder venezuelano, em um ato público de lançamento dos primeiros carros fabricados no país com tecnologia iraniana. Ainda nesta segunda-feira, milhares de camponeses venezuelanos provenientes de vários Estados do país chegaram a Caracas com tratores e cavalos para participar de uma manifestação em apoio à reforma constitucional. "Apoiamos a reforma porque temos que colocar o campo para produzir e acabar com o desabastecimento", disse um manifestante a um canal de televisão estatal. Nos últimos meses, o país (que importa 70% dos alimentos) tem sofrido com uma crise de abastecimento. Para o governo, trata-se de um ato de sabotagem da oposição. Os produtores se defendem e dizem que o ajuste de preços torna o mercado pouco competitivo. Entre as propostas que recebem apoio popular está a proibição do latifúndio, a redução da jornada de trabalho de oito para seis horas e o pagamento de seguridade social aos trabalhadores informais. Os pontos mais polêmicos são a reeleição para presidente sem limite de candidaturas, o fim da autonomia do Banco Central e a ampliação do poder presidencial. O mandatário venezuelano, que deverá enfrentar uma disputa acirrada no próximo domingo, afirmou que esta semana será definitiva para o futuro da Venezuela. "Há que estar bastante atento ao que poderá acontecer", disse ele. Diferente dos nove processos eleitorais anteriores em que o governo ganhou com ampla margem de votos, o cenário pode não se repetir neste referendo. De acordo com a última pesquisa de intenção de voto divulgada pela empresa Hinterlaces, há um empate técnico entre o sim e o não às reformas. Os números indicam que 46% dos eleitores votariam contra a reforma e 45% votariam a favor. Do total de pessoas entrevistadas, 9% ainda estão indecisos. No sábado, o Instituto Datanalisis divulgou uma pesquisa em que apontava uma vitória do não com 44,6 % da intenção de votos contra 30,8% dos que votariam pelo sim. Para o presidente venezuelano, as pesquisas pretendem manipular a realidade e preparar o cenário para que a oposição possa reclamar fraude no próximo domingo.


Chávez chama Uribe de “porta-voz da oligarquia anti-bolivariana”
O presidente da Venezuela, o cantinflesco ditador Hugo Chávez, voltou suas baterias nesta segunda-feira contra seu colega colombiano, Alvaro Uribe, a quem chamou de "porta-voz da oligarquia anti-bolivariana" durante uma reunião com o alto comando militar. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou no domingo que colocou em "um congelador" as relações bilaterais com a Colômbia, depois que Bogotá decidiu suspender sua mediação sua no processo de liberação de reféns das Farc em troca de rebeldes presos. "Vocês sabem o que aconteceu nestes últimos dias na Colômbia. Uma oligarquia que não quer a paz e acredita que vai brincar conosco. Não vão brincar conosco, uma oligarquia colombiana nem nenhuma outra. A Venezuela deve ser respeitada", afirmou Chávez, em discurso transmitido pela emissora estatal VTV. O líder venezuelano se referia a declarações de Uribe, nas quais o presidente colombiano o acusou de ter "planos expansionistas" na América Latina e criticou sua visão da história da independência da América, principalmente sobre o libertador Simón Bolívar. Chavez não tem o menor pudor em se intrometer na política interna de um país vizinho, colocando-se vergonhasamente ao lado da guerrilha das Farc composta por traficantes de cocaína. Venezuela e Colômbia compartilham uma fronteira de mais de 2.000 quilômetros e o volume de negócios entre os dois países deve chegar a 5 bilhões de dólares até o fim deste ano.


Conferência Episcopal da Igreja Católica exige de Chávez direito à divergência
A Conferência Episcopal da Venezuela exigiu do cantinflesco ditador presidente Hugo Chávez o direito de discordar sobre a reforma constitucional que ele promove e se mostrou contrária "aos ataques difamatórios e ofensivos" contra o cardeal Jorge Urosa e outros religiosos. Em um documento apresentado nesta segunda-feira, a Conferência Episcopal afirmou que "todos os cidadãos têm o direito de ter uma opinião sobre a proposta de reforma e de expressá-la democraticamente. Conseqüentemente, ninguém tem o direito de oprimir ou insultar quem discordar dela". Na noite de sexta-feira, o presidente venezuelano chamou os membros da hierarquia da Igreja católica de "vagabundos", "meliantes", "puxa-sacos", "estúpidos", e "retardados mentais". Eles haviam criticado a proposta para modificar a Constituição de 1999. "São o demônio, defensores dos interesses mais podres, são verdadeiros vagabundos. Todos, do cardeal para baixo", disse Chávez. Sobre a reforma constitucional, que será submetida a um referendo no próximo domingo, a Conferência Episcopal insistiu que "é desnecessária, moralmente inaceitável e inconveniente para o país". Segundo o documento, a reforma "além de restringir muitos direitos humanos, civis, sociais e políticos, cria motivos de discriminação política e introduz novos campos de enfrentamento e polarização entre os venezuelanos". A reforma constitucional defende a reeleição presidencial ilimitada, maiores atribuições para o Poder Executivo, e solidifica as bases para a construção do socialismo. A proposta também contempla a possibilidade de uma nova divisão político-territorial, com autoridades nomeadas pelo presidente.


Chinaglia deixa votação de entrada da Venezuela no Mercosul para 2008
O presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), descartou nesta segunda-feira votar ainda este ano no plenário da Casa o projeto que autoriza a entrada da Venezuela no Mercosul. A matéria foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça na semana passada. Chinaglia explicou que já há acordo para votar outras três matérias neste último mês de trabalhos legislativos. "Não creio que se consiga votar isso, a entrada da Venezuela no Mercosul, ainda este ano. Mesmo porque ainda temos pendente a votação do Orçamento e outras três matérias", disse ele. Pelo acordo, as outras três propostas que devem ser votadas antes do recesso são a proposta de emenda à Constituição dos vereadores, um projeto sobre defensoria pública e a conclusão da reforma política, além de medidas provisórias que trancam a pauta. O novo líder do governo na Câmara dos Deputados, o deputado federal Henrique Fontana (PT-RS), também acredita que a votação da entrada da Venezuela no Mercosul não deva acontecer este ano, mas disse que a proposta é uma das prioridades para a base aliada de apoio ao governo do PT e do presidente Lula. Fontana, no entanto, disse que não fará disso "uma sangria desatada". "A questão está andando bem, a proposta foi aprovada na CCJ na semana passada. A relação do Brasil com a Venezuela está bem. Não precisamos correr contra o tempo, se não for esse ano, aprovamos no começo do ano que vem", disse Fontana. Depois de passar pela aprovação do Plenário na Câmara dos Deputados a proposta deverá seguir para tramitação no Senado Federal.


Porto Alegre, 27 de novembro de 2007 - Videversus nº 844

Sunday, November 25, 2007

Apagão mental



Nas duas últimas semanas, o Brasil este às voltas com um revival nacional-desenvolvimentista. A descoberta do Campo de Tupi, uma reserva de petróleo gigante incrustada abaixo de espessa camada de sal submerso, trouxe novamente as esperanças de “independência energética” ao país.

Ao comentar o salto da posição brasileira em reservas mundiais, a Carta Capital não poupou elogios à estatal e pretensões à entrada no seleto clube dos produtores (e exportadores) mundiais:

“É como se o sonho de Monteiro Lobato se realizasse com juros – ainda que ele jamais imaginasse que o petróleo pudesse ser extraído de um local como esse. Seu modelo eram os EUA (...)”

Ocorre que Monteiro Lobato, quem viveu nos EUA de 1927 a 1931, nutria admiração pelo modelo americano não apenas pela posse de jazidas petrolíferas, mas pela sua política em relação aos combustíveis fósseis. Em outras palavras, não é a simples posição em um ranking mundial que garantirá uma melhor qualidade de vida e consumo aos brasileiros, mas sim o acesso aos seus derivados em melhores condições de mercado.

Sem a concorrência que caracteriza a produção petrolífera interna nos EUA, os atrasos na produção brasileira têm uma causa objetiva: falta de competição. Como relatou o jornalista Vitor Vieria do site VideVersus.com.Br:

“O aumento previsto da produção da Petrobras foi afetado pelos atrasos na entrada de plataformas e pela queda de produção dos campos mais antigos da estatal, informou a companhia. A produção média de petróleo em campos nacionais no terceiro trimestre foi de 1,797 milhão de barris/dia, resultado 1% acima dos 1,779 milhão de barris/dia verificados de julho a setembro de 2006. O gerente de Exploração e Produção da companhia, Francisco Nepomuceno, admitiu que os atrasos na entrada de novos sistemas vêm contribuindo para o baixo crescimento da produção ao longo deste ano.”

Ainda neste ano, o lucro líquido da Petrobrás teve queda de 21% e, a tirar por sua dependência e influência da base sindical da CUT, a solução e medida lógicas que consistiriam na venda da parte do estado, dificilmente ocorrerão em nossa “pátria dos sindicatos”. O modus operandi da estatal ainda persiste no monopólio (real, não mais, apenas legal) da produção de petróleo no país. Para que este quadro de estagnação sofra alguma reviravolta, sem as medidas liberalizantes necessárias, só mesmo com achados fornecidos por nosso subsolo. Ademais, as declarações proféticas de nossa Ministra-Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff de que o país virá a se tornar um exportador de petróleo foram flagrantemente desmentidas por Fernando Siqueira, diretor da Associação de Engenheiros da Petrobrás (AEPET):

“O Brasil não pode exportar petróleo porque não tem reservas para isso. O País tem que guardar as reservas que tem e procurar investir maciçamente em fontes alternativas. O Brasil é o País do mundo que tem mais condição de substituir petróleo por energias renováveis”.

A bem da verdade, toda esta campanha de marketing político (provavelmente, para capitalizar apoio a um terceiro mandato) serve também para desviar atenção do problema energético atual, o “apagão do gás”. Em 13 de junho de 2005, informava o Valor Econômico:

“Na reunião com a Fiesp, Dilma Rousseff também informou que a Petrobras deverá focar seu objetivo na antecipação de 2009 para 2007 da produção de gás do campo de Mexilhão, na Bacia de Santos, disponibilizando 12 milhões de metros cúbicos diários do insumo; e de outros 10 milhões de metros cúbicos por dia da Bacia do Espírito Santo também em 2007 (...)”.

Bem, o ano de 2007 está se indo e nada de gás. Pelo contrário, nosso presidente teve que, recentemente, mendigar a Evo Morales que mantenha o fornecimento de gás ao Brasil, por ocasião da XVII Cúpula Ibero-Americana.

Quando o próprio diretor da ANEEL, Jerson Kelman diz que o IBAMA obstaculiza as obras que seriam necessárias para o desenvolvimento nacional ao interferir em seara que não é da sua competência, indo muito além da exigência de licenciamento ambiental[1], vemos que a burocracia, bem como a ameaça ao status jurídico da propriedade privada e o populismo desenfreado de nosso Executivo corroboram para que retornemos à época das lamparinas. Antes de um apagão energético, o que temos é um verdadeiro “apagão mental” de nossa elite política.


[1] Cf.: “Uma luz no fim do apagão” em http://www.ilhacap.com.br/ - edição 38, novembro de 2007.

Thursday, November 22, 2007

'Aquecimento global' entra numa fria...


Editoria on 12 Novembro, 2007 06:28:00

09/nov/07 (AER) – O já abalado ‘aquecimenismo’ antropogênico sofreu mais um duro golpe com o alerta feito essa semana, durante o Carbon Fórum Ásia, pelo oficial de mudanças climáticas da ONU Yvo de Bôer que, sem um acordo internacional pós-2012 para substituir o Protocolo de Kyoto, o mercado de carbono "pode desaparecer mais rápido do que apareceu." Concomitantemente, foi revelado que a Ecosecurities, uma das maiores empresas do mundo que atua no gasoso mercado de créditos de carbono, não conseguirá gerar a quantidade de RCEs (Redução Certificada de Emissões) originalmente prevista. [1]

O fato é que uma série de evidências sugere que a bucha do balão da fraudulenta campanha do aquecimento global antropogênico já se apagou e que a sua queda é uma questão de tempo. Recentemente, argumentos incessantemente repetidos pelos críticos da não comprovada teoria que atribui o aquecimento atmosférico às emissões de carbono provenientes das atividades humanas têm ganhado espaço em publicações científicas e órgãos midiáticos que, até há pouco, raramente davam atenção e espaço a eles, bem como aos cientistas que têm procurado colocar a busca da verdade à frente de uma agenda política (os assim chamados "céticos"). Aos poucos, o peso dos fatos observados vai se impondo sobre as projeções dos modelos climatológicos computadorizados, ao mesmo tempo em que se amplia a percepção das enormes implicações socioeconômicas da adoção dos pretendidos limites para o consumo de combustíveis fósseis, como ressaltou no Senado dos EUA o senador James Inhofe. Um dos mais severos críticos do catastrofismo "aquecimentista", Inhofe acredita que 2007 marcará o início de uma reviravolta na percepção do fenômeno.
Em sua edição de 26 de outubro (Vol. 318, no. 5850), a tradicional revista científica Science publicou um comentário crítico dos pesquisadores Gerald Roe e Marcia Baker, da Universidade de Washington, em Seattle, sobre a falta de precisão dos modelos climatológicos em vigor para efetuar qualquer prognóstico confiável sobre as tendências climáticas futuras. Segundo eles, "as incertezas nas projeções de futuras mudanças climáticas não diminuíram substancialmente nas últimas décadas".
Como sintetizou no título da nota referente ao trabalho a revista britânica New Scientist de 26 de outubro, "o clima é muito complexo para previsões precisas".
É simples assim: a dinâmica climática resulta de uma extremamente complexa interação de fatores extraterrestres e terrestres, que a ciência ainda está longe de entender de forma sistêmica e, mais ainda, de poder transformar em modelos matemáticos minimamente confiáveis para fundamentar decisões políticas de tão grande alcance.
Em um comentário que acompanha o artigo original, Miles R. Allen e David J. Frame afirmam, sem meias palavras:
Um limite superior para a sensibilidade climática se transformou no santo graal das pesquisas climatológicas. Como mostram Roe e Baker, isto é inerentemente difícil de se atingir. Promete fama duradoura e felicidade ao descobridor, mas pode não existir e resulta que não será de grande utilidade se for encontrado. É hora de encerrar a busca.
[Nisto, eu discordo. A pesquisa pura, i.e., aquela que não sucumbe às prerrogativas políticas e suas agendas sempre é positiva. Buscar respostas pode ter, inclusive, outros efeitos não previstos que terão utilidade para fins que por ora não imaginamos.]
Dois dias depois, o New York Times, cuja seção de ciências sempre foi uma das principais caixas de ressonância do catastrofismo climático (desde a década de 1970, quando ele se referia à iminência de uma "nova era glacial"), publicou uma interessante reportagem com o auto-explicativo título "Aquecimento revive a flora e a fauna na Groenlândia". De autoria da jornalista Sarah Lyall, o texto descreve os pouco alardeados efeitos positivos do aquecimento atmosférico, em uma região do planeta tradicionalmente apontada como uma das mais vulneráveis a ele:
Agora que o clima está esquentando, não são apenas velhas árvores que estão crescendo. Um supermercado groenlandês está estocando couves-flores, brócolis e repolhos, que pela primeira vez estão sendo cultivados ali. Oito fazendas de criação de ovelhas estão produzindo batatas comercialmente. Outras cinco estão fazendo experiências com verduras. E Kenneth Hoeg, o principal assessor agrícola da região, diz que não vê motivos para que o Sul da Groenlândia não possa, eventualmente, se encher de plantações de verduras e florestas viáveis.
"Se esquentar, uma grande parte do Sul da Groenlândia poderá ficar assim", diz o sr. Hoeg... Se ficar um pouco mais quente, podemos falar de uma floresta produtiva com madeira suficiente para ser explorada em toras... O fator limitante para a sobrevivência humana aqui é a temperatura, e há um monte de benefícios com um clima mais quente", afirma ele. "Nós estamos na fronteira da agricultura e até mesmo uns poucos graus podem fazer a diferença."
Nada mal, para uma ilha do tamanho da Europa Ocidental com apenas 56 mil habitantes, que recebeu o sugestivo nome "Terra Verde" dos seus descobridores vikings, no século X, durante o chamado Período Quente Medieval, quando as temperaturas no Hemisfério Norte chegaram a ser 1,5-2 graus centígrados superiores às atuais - mais de seis séculos antes da Revolução Industrial.
Para os editores deste Alerta, que há anos têm se empenhado em expor a fraude "aquecimentista", essa mudança na direção dos ventos representa um alento e um incentivo a mais para prosseguir com o trabalho.
Notas:[1]ONU alerta que mercado de carbono pode entrar em colapso, Envolverde, 09/11/2007

Wednesday, November 21, 2007

Tupi


All this and oil too
The Economist


God may indeed be Brazilian after all

WHEN Francisco Suares, a Portuguese explorer, wrote home to his brother in Lisbon about Brazil's natural bounty in 1596, he declared himself "ashamed to write it, fearing that I shall not be believed." And so it remains today. Brazil's forests are bigger than anywhere else's. Its soil is so fertile that some trees grow to full maturity quicker than people do. Beneath the soil lie huge mineral deposits that are raw material for China's double-digit growth. Brazil is already on its way to becoming an alternative-energy superpower. And as if to prove a popular saying that "God is Brazilian", it now seems that there are billions more barrels of oil than previously thought lying beneath deep waters off the country's coastline.



Just how many billions is unclear, but Petrobras, Brazil's state-controlled oil company, announced earlier this month that it reckons the Tupi oilfield contains between 5 billion and 8 billion barrels. That may not quite yet put Brazil in the same league as Venezuela and Saudi Arabia, as Dilma Rousseff, President Luiz Inácio Lula da Silva's chief of staff who also chairs Petrobras's board, excitedly proclaimed. But the higher estimate would make the Tupi field alone equal to all of Norway's reserves. It contains light crude, which is less expensive to refine and therefore worth more. And there may be other big deposits to be found nearby.

José Sergio Gabrielli, Petrobras's chief executive, refuses to speculate about how big an oil power Brazil might become. But he does concede that there is the potential for many more discoveries on the scale of Tupi—which itself is the world's second-biggest strike in 20 years, after Kazakhstan's 12 billion-barrel Kashagan field, discovered in 2000.



Most of Brazil's oil comes from the Campos basin, in the waters off Rio de Janeiro. It is typically found at depths of 1,000-2,000 metres below the seabed. Below that lies a huge layer of salt, at some points more than a mile thick. This stretches both north and south to the hitherto less prolific basins of Espirito Santo and Santos. It is below the salt, in the Santos basin, that Petrobras discovered Tupi. The company has also found "sub-salt" oil in Espirito Santo, although it has not yet assessed the scale of this. Mr Gabrielli believes that the two basins have yielded relatively little oil to date not because it is not there, but because it lies deeper underground, below the salt.

Tupi's oil will be hard to extract. Petrobras is a world leader in deep-water oil production, but Tupi is farther down than any of its existing fields. Drilling through the salt layer and the hard rock beneath brings further technical difficulties. The first test-well alone cost $240m. Moreover, there is a shortage of skilled labour and equipment throughout the oil industry at the moment—although Mr Gabrielli says Petrobras can transfer staff and resources from other projects if necessary.



Despite these caveats, it is reasonable to assume that Brazil's economy and currency will get a boost when the oil starts flowing, it is hoped, in 2010. The discovery might also tip the balance of power in South America further in Brazil's favour. Already self-sufficient in oil, Brazil is now likely to become a significant exporter. That may reduce the clout of Venezuela's oil-rich president, Hugo Chávez, in the region. As if to underline this, Petrobras announced on November 13th that it was pulling out of a joint venture in Venezuela.

Brazil's drive towards oil self-sufficiency follows the opening up of the industry to foreign investment in the 1990s, when the government also floated some 40% of Petrobras's shares on the stockmarket. Britain's BG Group has a 25% stake in the Tupi field, and Portugal's Galp Energia holds 10%.



The government followed up the announcement of the Tupi field by withdrawing neighbouring blocks from an auction of exploration rights due later this month. That might signal rising petro-nationalism. But it also looked prudent, since those blocks may be worth much more as more becomes known about Tupi.

Amid the euphoria, which included an instant leap of 26% in Petrobras's share price, came suspicion about the timing of the announcement. Less than a week after it was made, the company announced a poor set of results, with operating profit down 22% compared with the same quarter last year.



Petrobras has also faced mounting difficulties in supplying natural gas to thermal power plants, especially since its fields in Bolivia were quasi-nationalised last year. Some see the Tupi announcement as an attempt to distract attention from this. "It is like throwing a second ball onto a football pitch when the game is going against you," says Alexandre Marinis of Mosaico, a political consultancy.

Electricity rationing under the previous government in 2001-2 helped Lula to win office. One solution now would be to raise the price of gas, but officials are worried that this would feed into inflation, and jeopardise the scope for further cuts in interest rates. Mario Pereira, an energy consultant, reckons that the risk of electricity shortages should wane after 2008, if Petrobras completes a planned liquefied natural-gas terminal on time.



That may be a big if. Lula and Ms Rousseff, a former Trotskyist who is sometimes touted as a potential presidential candidate for the ruling Workers' Party, were keen to associate the government with Petrobras's strike. But the oil may not start flowing until after the next presidential election in 2010. Energy may be an electoral headache rather than a boon for the government, if not for the country.

Source: The Economist

[Para uma tradução rápida, clique aqui.]






Revista Veja
O governo anuncia que a Petrobras achou muito petróleo à profundidade de quase um Everest abaixo da superfície
Ronaldo França



Geraldo Falcão/divulgação


Plataforma de exploração: nova área pode conter mais da metade das reservas do país


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Exclusivo on-line• Em profundidade: Petróleo



Com o petróleo custando quase 100 dólares o barril, a busca pelo combustível fóssil está levando as empresas a abrir fronteiras antes apenas sonhadas. Uma delas é o Ártico, cujas reservas estão mapeadas e até assinaladas com bandeiras por países cobiçosos das riquezas de suas entranhas geladas. Na semana passada, o mundo soube que a Petrobras conseguiu extrair petróleo de uma profundidade de 7.000 metros, algo tão descomunal que equivaleria quase ao Monte Everest abaixo da linha d'água – e em mar alto. A empresa petrolífera brasileira foi a primeira a dominar a tecnologia de prospecção em profundidade – 2.000 metros – e agora caminha para ser líder mundial também em superprofundidade arrancando petróleo de depósitos lacrados a sete chaves pela natureza. "Existem poucos lugares no mundo em que se consegue extrair petróleo de águas profundas. O Brasil é um deles e, por isso, tem sorte. Como só a Petrobras desenvolveu a competência para extrair desse tipo de reserva, os brasileiros merecem colher os benefícios disso", disse o geólogo Colin J. Campbell, Ph.D. da Universidade de Oxford e um dos maiores especialistas em petróleo do mundo, ao repórter Victor De Martino, de VEJA.


O que brotou das profundezas, por enquanto, são amostras de petróleo de alta qualidade vindas de poços de teste de uma área de prospecção conhecida como Tupi, localizada a 180 quilômetros da costa perto da Bacia de Santos, no litoral paulista. Mas para os experimentados geólogos da Petrobras é indício suficiente para comemorar. "Essa descoberta muda o país de patamar no mercado internacional. Provavelmente teremos de reavaliar e até ampliar nosso plano de investimentos", diz Sergio Gabrielli, presidente da Petrobras. Para chegar ao petróleo, as sondas da empresa furaram enormes camadas de rocha e atravessaram uma gigantesca barreira subterrânea formada de sal. Por isso se diz que o óleo foi achado no pré-sal. As pesquisas na região continuam e, dentro de dois anos, será conhecida a real extensão dos depósitos. Depois disso, serão necessários mais quatro anos para que o petróleo pré-sal brasileiro possa ser bombeado em volume comercial a um custo competitivo. Isso é um ponto vital. Mesmo com o barril a 100 dólares, será preciso ainda muito aprimoramento tecnológico para extraí-lo de 7.000 metros de modo competitivo. Quando a profundidade de exploração duplica, por exemplo, de 2.000 para 4.000 metros, o custo da operação triplica. Mas os especialistas são unânimes em dizer que, ainda assim, vale muito a pena. O primeiro poço dessa profundidade custou à Petrobras 240 milhões de dólares e levou um ano para ser concluído. O custo caiu para 60 milhões e o prazo de conclusão para dois meses. Podem cair mais. Além disso, os custos são rateados com as sócias da Petrobras naquela área, a inglesa BG Group (25%) e a portuguesa Galp Energia (10%).


Jamil Bittar/Reuters


Plataforma de exploração: nova área pode conter mais da metade das reservas do país



A área de Tupi abrigaria reservas de 5 bilhões a 8 bilhões de barris de petróleo. Isso mudaria a posição do Brasil no mercado mundial de importador a exportador. Parece um volume estrondoso. Mas o mundo é sedento por petróleo, e ao ritmo atual de consumo global de 86 milhões de barris por dia toda a reserva de Tupi seria consumida em apenas três meses. A grande aposta de todos é que exista petróleo naquela rocha abaixo da camada de sal não apenas em Tupi, mas em toda a região que vai da costa de Santa Catarina à costa do Espírito Santo. Se Tupi for apenas uma amostra das riquezas dessa enorme região, então haverá motivos para o otimismo típico e legítimo que domina os governantes quando se encontra petróleo – mesmo que seja o mais pálido sinal dele. "Modificamos o paradigma geológico do país. É uma descoberta que terá importância para todas as gerações do Brasil", disse a ministra Dilma Rousseff.


Mas pode-se tomar o todo pela parte? Se tem petróleo fino brotando dos poços na área de Tupi, haverá em toda aquela região? É uma aposta. Nesse cenário positivo, a região estaria produzindo daqui a seis ou sete anos mais de 70 bilhões de barris. Isso levaria o Brasil da 24ª posição entre os países produtores para o nono lugar, à frente da Nigéria e dos Estados Unidos. É preciso ir devagar com o andor. A história mostra que nesse ramo nem sempre tudo sai conforme o figurino. Em 1978, a British Petroleum, então com um contrato de risco com o governo Geisel, anunciou ter encontrado petróleo na Bacia de Santos em rocha pré-sal, a 5.000 metros de profundidade... Será o mesmo petróleo que se anuncia agora? Melhor que não.


A exploração de um campo de petróleo obedece a um árduo cronograma que pode levar até dez anos entre a prospecção e o óleo jorrando na plataforma. Para que se possa contabilizar cada barril de petróleo debaixo do solo como reservas provadas – o que muda a posição do país no ranking dos produtores – é necessário percorrer as seguintes etapas:


• A perfuração exploratória, quando se obtêm informações sobre a estrutura geral do poço. No caso de Tupi, essa descoberta foi feita em 2005.
• A avaliação do volume de petróleo recuperável. Ou seja, quanto daquele poço é possível ser extraído de acordo com as características gerais do óleo encontrado. É nessa fase que se encontra a Petrobras agora. E é devido a esse grau de incerteza que a empresa informou que pode haver ali entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris, uma diferença considerável.

• A elaboração do plano de desenvolvimento, a partir do qual as reservas começam a se tornar mais palpáveis.


É aí que se sabe quanto vai custar a operação, o nível de produção, a pressão com que o petróleo pode jorrar e tudo mais que sinaliza a viabilidade econômica do poço. Essa fase ainda demora pelo menos dois anos.


A descoberta veio acompanhada de um travo um tanto amargo de regresso a um tempo em que a mão do estado era dominadora na economia. A começar por uma reunião do Conselho Nacional de Política Energética, que ocorreu nas dependências da Petrobras. Embora seja estatal, ela é apenas mais uma das empresas do setor. O presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, explicou que somente ali havia as condições para a apresentação dos gráficos, filmes e todo o material produzido em três dimensões que comprovam a extensão da descoberta. O mal-estar no mercado também ocorreu quando se anunciou que o CNPE retiraria da próxima rodada de licitações de áreas de exploração de petróleo os blocos vizinhos do campo de Tupi. Estão habilitadas 66 empresas, entre as quais investidores pesos-pesados como a Vale do Rio Doce e a OGX, do empresário Eike Batista. "Problemas como esse criam uma expectativa desfavorável dos investidores em relação ao Brasil", diz o advogado Paulo Valois, especialista em energia e infra-estrutura. Essa questão deverá se resolver ao cabo de uma guerra de interpretações das regras. Mas a briga para participar de prospecção na área contígua a Tupi é mais um sinal de que ali tem mesmo petróleo explorável. Seria bom para todos.


O SIGNIFICADO DAS RESERVAS

O petróleo espalha-se de forma desigual pelo subsolo do planeta. Vem daí apenas parte da dificuldade de estabelecer ao certo a quantidade disponível em cada campo que se descobre. Tanto é assim que a informação mais segura que se pode alcançar, como por exemplo o total de petróleo garantido para exploração no mundo, tem apenas 90% de certeza. São as chamadas reservas provadas. É com base nessa informação que se fazem os planejamentos energéticos e se pode deduzir por quanto tempo a humanidade ainda poderá aplacar sua sede por combustíveis fósseis.


A reserva que se descobriu agora estava há bilhões de anos intocada abaixo da camada de rochas salinas que começou a se formar no momento em que a África e a América se separaram. Ao contrário do que aconteceu em outros locais do litoral brasileiro, naquele ponto não houve um deslocamento de placas que abrisse brechas pelas quais o petróleo pudesse subir a níveis mais próximos da superfície. Nos próximos anos será possível confirmar sua real extensão.


Jaime Gimenez Jr
São Paulo SP Brasil

Ruppenthal reaparece e diz que culpa do desastre ambiental no rio dos Sinos é da população


O empresário Luiz Ruppenthal, dono da Utresa, empresa que opera aterro industrial que causou o maior desastre ambiental das últimas décadas no Rio Grande do Sul, em outubro do ano passado, quando seus despejos em afluentes do rio dos Sinos provocaram a mortandade de 84 toneladas de peixes, reapareceu nesta terça-feira, em Estância Velha, cidade onde fica localizada a Utresa. Ele se apresentou no Fórum da cidade, às 15 horas, acompanhado por seu advogado, Nereu Lima. No cartório ele deu seu endereço e oficializou sua apresentação. Ruppenthal esteve foragido por quase um ano, para escapar da prisão decretada no primeiro processo instaurado contra ele e sua empresa, no dia 28 de novembro do ano passado. Ele é acusado pela prática de mais de 50 crimes ambientais. Luiz Ruppenthal disse que permaneceu durante todo o tempo no Rio Grande do Sul, zombando do aparato policial que não conseguiu encontrá-lo. No seu retorno à vida civil, Luiz Ruppenthal disse que a grande responsabilidade pela poluição da Bacia do Rio dos Sinos é das populações das cidades situadas as suas margens, que jogam seus esgotos direto em suas águas, sem tratamento. É uma tese fantástica.
Porto Alegre, 21 de novembro de 2007 - www.Videversus.com.br - nº 840
»» A tese não é 'fantástica', é real. Mas, esta é uma falsa questão... para que servem os poderes constituídos, senão para fiscalizar e punir, então? O dono da Utresa se utilizou do clássico 'toma que o filho é teu' e, já que estou usando ditos populares 'quem não tem culpa, não nega' ou, mais apropriado ao caso não se esconde.

BID aprova financiamento de US$ 144 milhões para terminal portuário em Santa Catarina


O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou nesta terça-feira um financiamento de US$ 144 milhões para a empresa Itapoá Terminais Portuários, para a construção e operação de um terminal de contêineres em Santa Catarina. O projeto, conhecido como "TECON Santa Catarina", consiste na elaboração, construção e operação do porto conforme uma autorização do governo, segundo assinalou um comunicado do BID. A obra inclui um cais e uma ponte de acesso, pátio de contêineres e prédios administrativos, instalações gerais, como serviços de infra-estrutura, "e todos os demais equipamentos necessários para construir e operar um terminal de contêineres moderno". O comunicado do BID assinalou que o projeto aumentará em 300 mil unidades por ano a capacidade portuária. Segundo John Graham, chefe da equipe do BID, o projeto contribuirá para reduzir o tempo de espera e permitirá uma maior especialização entre os portos existentes para atender o tipo de carga que lhes seja mais apropriado.
Porto Alegre, 21 de novembro de 2007 - www.Videversus.com.br - nº 840

Lula decide investir US$ 2 bi em Garabi, a mega-usina do rio Uruguai

O compromisso do presidente Lula de que o projeto de construção da usina hidrelétrica binacional de Garabi, no rio Uruguai, sairá do papel, foi comemorado pelo ex-secretário de Energia, Minas e Comunicações, Valdir Andres, atual diretor administrativo do Banrisul.
O editor desta página falou com Andress durante o almoço desta terça-feira com o presidente da Anfavea, no Plaza de Porto Alegre.. Lula disse para apresidenta eleita da Argentina, Cristina Kirchner, que o cronograma da obra da megausina será definido até fevereiro. "É a realização de um sonho", declasrou Andress.
Foi Andres quem resgatou o projeto da Usina Garabi no governo Rigotto, quando foi secretário de Energia. O que ele informou sobre os grandes números da usina: "Garabi mudará a vida da região Noroeste do Estado para sempre. O investimento inicial previsto é de US$ 2 bilhões para a geração de 1.800 megawatts (MW) de energia, com a construção de duas barragens. A geração de empregos diretos e indiretos pode atingir a incrível marca de 50 postos de trabalho. A previsão de término da obra é de seis anos”.
Andres sempre enfrentou o pessimismo das pessoas, sobretudo na sua região, as Missões, que criticavam o empenho do então secretário numa "obra utópica", como era chamada Garabi. Ele, contudo, nunca se deixou abalar, reunindo estudos já realizando e promovendo a realização de marcos regulatórios entre o Brasil e a Argentina. A iniciativa privada tem grande interesse em participar da construção de Garabi, que aumentará em 50% a produção de energia do Rio Grande do Sul.
www.polibiobraga.com.br - Porto Alegre, quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Sunday, November 18, 2007

Mas daqui a seis anos


Por: Carlos Alberto Sardenberg
12 de Novembro de 2007.


Então ficamos assim: hoje, falta gás se não chover ou se o presidente Evo Morales engrossar com o Brasil. Mas daqui a cinco, seis anos, estaremos estufados de gás, dando bananas para a Bolívia.
Hoje, o Brasil ainda é deficitário no comércio externo de petróleo, combustíveis e lubrificantes; mas daqui a cinco, seis anos, o País será grande exportador líquido e cartola na Opep.
Hoje, há risco de faltar energia elétrica; mas daqui a cinco, seis anos, vai sobrar.
Hoje, os preços de energia estão subindo, já que o produto é escasso; mas daqui a cinco, seis anos...
Esse é o discurso do governo Lula no momento. A reação aos “probleminhas” atuais é uma fuga para o futuro. Trata-se de óbvia estratégia de mídia - e o presidente Lula é um craque nisso -, mas é preciso admitir que as expectativas não são vazias.
Há bons projetos nos diversos setores que, se realizados conforme as melhores expectativas, de fato produzirão uma situação energética confortável no futuro. Isso remete o debate ao ponto mais importante: quais as chances de esses projetos serem realizados a tempo?
Esse novo campo de petróleo anunciado pela Petrobrás, o Tupi, por exemplo, é uma boa esperança, mas para levar o Brasil a entrar na Opep, como diz o governo, será preciso superar muitas etapas complexas. Será preciso desenvolver nova tecnologia, pois, embora a Petrobrás seja competente na exploração em águas profundas, esse campo impõe outros desafios. Trata-se de uma situação geológica diferente, que exige um novo tipo de know-how a ser desenvolvido durante os trabalhos de prospecção. É não é simples avançar nisso.
Há desde problemas técnicos até econômicos, relacionados à cotação do petróleo. A US$ 100 o barril, qualquer exploração é econômica. Mas, se houver uma desaceleração da economia global, o preço vai cair.Além disso, a Petrobrás, que, pelo movimento inicial do governo, deverá ficar com o novo campo, precisará adquirir estações, máquinas e equipamentos atualizados, o que também não é simples. Hoje, com o petróleo a US$ 100, o mundo todo está explorando óleo. Logo faltarão equipamentos.Outro dia, o presidente Lula, defendendo a decisão de seu governo de obrigar a Petrobrás a encomendar navios e estações no Brasil, disse que essa era uma escolha política, não “matemática”, quer dizer, não econômica. Produzir no Brasil custa mais caro e demora mais, porque faltam capitais e tecnologia a companhias aqui instaladas ou por instalar. Mas gera emprego aqui, diz Lula. No entanto, continua sendo custo. Por isso mesmo outras plataformas de exploração da Petrobrás estão atrasadas.
Pelo modo como está desenhado o setor, no modelo que vem da era FHC, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deveria licitar os blocos de exploração, incluindo os próximos dos novos campos, numa competição aberta a companhias nacionais e estrangeiras. As vencedoras explorariam o negócio comprando os equipamentos onde bem entendessem.
Mas, pelo jeitão do governo Lula - e pela decisão de excluir blocos próximos da nova reserva da rodada de licitação da ANP -, tudo sugere que se vai levar todo o negócio para o controle da Petrobrás. E, se for assim, uma decisão política e ideológica, vai atrasar o processo. Por maior que seja e por mais associações que faça, a Petrobrás tem limitações de capital, pessoal e tecnologia para tocar todo o serviço. E mais atrasos (e custos) haverá, se for mantida a orientação para adquirir equipamentos no País.
Repetindo: o grande projeto de auto-suficiência está atrasado por todos aqueles fatores.Mesmo que não se imponham essas restrições nacionalistas e estatizantes aos novos projetos, o risco de atraso continua no cenário, pois há escassez no mercado mundial de navios e equipamentos petrolíferos.
Tudo isso vale para os projetos do gás. O governo conta com prazos curtos para desenvolver a produção local e a importação de outros países. Idem para a energia elétrica. Neste último caso, por exemplo, o governo conta com a construção das megahidrelétricas do Rio Madeira não apenas em prazo rápido, mas em tempo recorde.
E tem mais um detalhezinho, como diria o presidente. Todos esses prazos vencem depois de 2010, quando Lula já não será presidente. Ele poderá dizer: deixei tudo arrumado, os outros é que não souberam tocar... E com a capacidade que Lula tem de virar histórias pelo avesso, não será fácil para o presidente do momento.
A outra questão é a seguinte: mesmo que não ocorram os piores cenários, como uma seca longa e severa, haverá problemas no abastecimento de energia. No mínimo, preços em geral vão subir e há grande probabilidade de escassez aqui e ali.Isso tem efeitos políticos e poderá desmoralizar o discurso das grandes promessas. Um prato cheio para a oposição, se houvesse uma oposição de verdade.
Por outro lado, a emergência poderá levar Lula a optar por caminhos mais rápidos, como abrir a exploração de novos campos a companhias privadas, nacionais e estrangeiras, de modo a multiplicar os investimentos.
De todo modo, já houve uma quebra das regras. Os blocos foram retirados na véspera do leilão. Uma quebra inútil. A Petrobrás tem sido a grande vencedora dos leilões, inclusive associada a gigantes internacionais, que não acham bom negócio brigar com uma megacompanhia quase monopolista. Aliás, foi num leilão, em 2000, que a Petrobrás comprou os direitos de exploração do Campo de Tupi (e por apenas R$ 15 milhões).
Mas também é possível que o presidente Lula deixe tudo como está, inclusive com o viés nacional-estatizante, e confie no seu taco para... 2014, ano da Copa. Prospecção de petróleo pode dar errado, mas também pode sair melhor que a encomenda.
(O Estado de SP - 12/11/2007)