interceptor

Novas mensagens, análises etc. irão se concentrar a partir de agora em interceptor.
O presente blog, Geografia Conservadora servirá mais como arquivo e registro de rascunhos.
a.h

Sunday, February 01, 2009

Saturday, January 31, 2009

Guerra de Propaganda

Texto rico e interessante sobre a mídia na guerra e a chamada “guerra psicológica” comparando os casos do Pós-Guerra na Alemanha com o Iraque:
Ou seja, faltou a boa e velha Realpolitik aos neocons. Ou, em outras palavras, como disse Winston Churchill "A verdade é um bem tão precioso que, às vezes, precisa ser protegida por uma escolta de mentiras".

Wednesday, January 28, 2009

Teerã e Washington*



Na proporção direta às bandeiras americanas queimadas em Teerã avançam as negociações com Washington. Assim como o Irã pretende afirmar a influência xiita no Oriente Médio, os EUA têm o Iraque como centro de suas preocupações na manutenção da estabilidade. Uma posição cooperativa mútua se delineia mais claramente. No horizonte das negociações, o Dept. de Estado Americano já tem um aceno de boas-vindas dos aiatolás mais extremistas à administração Obama. Simultaneamente a formação da equipe diplomática, o Irã terá suas eleições presidenciais em junho. Como sinal de confiança acenado por Washington está a redução da atividade militar americana no Iraque, mas não sua eliminação completa.

Só com a contrapartida de redução de apoio iraniano aos xiitas no Iraque isto se tornou possível. Como externalidade positiva nesta geopolítica, os EUA podem focar seus esforços no combate a al-Qaeda e ao Talebã no Afeganistão também. Uma dupla vitória em curso e a perda de um aliado para os jihadistas. De sua parte, os EUA terão reduzidas suas operações na fronteira com o Irã. O Pentágono já faz planos para redução dos efetivos no Iraque e previsão de retirada para o fim de 2010 – um ano antes do estipulado pelos EUA. Segundo o General David Petraeus, governador geral iraquiano, o Afeganistão é o ponto central do acordo com o Irã e a mudança da política do Corpo da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) que permite a livre passagem da al-Qaeda e dos talebãs pelo território nacional.

Outro teste para os EUA reside na cooperação ao e-Khalq Mujahideen (MeK), grupo marxista que atua com cerca de 3.000 membros baseados em Ashraf, na província de Diyala no Iraque. Teerã teme que os EUA os apoiassem contra sua teocracia e agora querem garantias de que não poderão se reorganizar. Se os EUA de Obama não quiserem um novo escândalo internacional contra os Direitos Humanos não poderão extraditar os membros do MeK ao Irã ou liberá-los aos iraquianos que, provavelmente, os matariam após torturá-los. A alternativa óbvia será encontrar asilo político na União Européia, o refugo de foras-da-lei que já os retirou da lista de organizações terroristas internacionais. Mas, úteis eles são. São coringas nas mãos da U.E. e dos EUA contra Teerã que quer sua eliminação política (sic) em troca da traição a al-Qaeda e ao Talebã. Yes, we can... Ou Yes, we have terrorists, too!

Nem os árabes nem Israel poderão ver o Irã como eliminado do jogo, mas um entendimento deste com os EUA parece ter saído da mera retórica. Nada como uma boa troca de ameaças.

Tuesday, January 27, 2009

Ingestão diária de calorias per capita



Países Desenvolvidos (PD);
Mundo (M);
Países Em Desenvolvimento (PED).

1960

PD: 2.900

M: 2.200-2.300

PED: 1.900

2000

PD: 3.200-3.300

M: 2.800

PED: 2.600-2.700

Fonte: FAO, DATABASE acessada em 2001, http://apps.fao.org/ apud O Ambientalista Cético de B. Lomborg, Campus, 2002, p. 76.

Monday, January 26, 2009

Obamis - 2


Acho que o DaMatta resumiu bem o que penso sobre o fenômeno Obama aqui. No fundo, eu queria que Obama ganhasse mesmo, embora minhas idéias e noções básicas sobre comércio internacional (tendo em foco o Brasil) se afinem muito mais com McCain... Acontece que o significado da vitória do ‘negro’ seria importante em termos mundiais e, politicamente, estratégico. Afinal, não é pouca coisa termos um ‘Hussein’ na presidência dos EUA.

Economicamente, consideradas as propostas de Obama, como detalhes que levem a um maior protecionismo das empresas nacionais vejo como um desastre. Não que eu seja um liberal tout court, pois não sou, mas assim como Bush (em seu primeiro mandato) estipulou cotas de importação de aço europeu, ao que foi confrontado pelos empresários que necessitavam de matéria-prima a preços competitivos e recuou, penso que Obama agradará a muitos com suas propostas demagógicas e “latino-americanas” ao estilo de “perfeito-idiota” nos primeiros meses para depois ver as taxas de crescimento declinarem relativamente. Enquanto que muitos louvam suas propostas de taxação do carvão e incentivo ao biodiesel de milho esquecem que poderá haver barreiras ao biodiesel brasileiro e cotas de importação dentre outras estratégias inibidoras para nossas exportações. Neste quesito, exceção feita ao combate ao narcotráfico, os EUA são campeões por que aplicam princípios de mercado que encorpam a economia no longo prazo. O velho McCain também tinha uma proposta para a imigração e a previdência social que combinava dois problemas com uma solução: legalizar cerca de 20 milhões de imigrantes incorporando-os ao fisco para financiamento de aposentadorias e benefícios sociais. Isto é, crescer o bolo para distribuir. Ao passo que Obama só pensa na faca para cortar o bolo e esquece seu fermento...

Quanto a Guantánamo, mesmo que extinga o centro prisional, não sei como será o realocamento de seus presos. Por certo que apenas soltá-los seria um desastre. Afinal, dezenas de presos soltos voltaram ao terrorismo e não seria exagero pensar que uma liberação em massa traria mais prejuízos ainda. No entanto, se isto significar uma aproximação ao país de Raúl Castro e extinção gradual do totalitarismo pela adoção da democracia e da economia de mercado na “ilha-cárcere”, talvez o sacrifício valha a pena.

Agora, as questões mais candentes estão no leste, como não poderia deixar de ser: Irã, Iraque e Israel. Alinhavar um acordo com Israel pode ser o mais difícil, mas isto não pode significar um trunfo para Ahmadinejad se seu prestígio crescer ao ponto de fortificar seus intentos sanguinários e fundamentalistas, como tentar aliciar países como a Arábia Saudita em uma nova jihad.

Entre Israel e Irã está o Iraque. Tirar as tropas agora, sem um bom e alinhavado plano seria temerário. A questão do Iraque envolve negociações com o Irã que, graças a presente crise serviu para baixar os preços do barril de petróleo e também a bola dos aiatolás. Com isto, Teerã voltou à mesa de negociações e a violência no sul do Iraque (Basra) diminuiu. Estão mais mansos, é verdade. Tanto que o Irã não deu apoio (não, explicitamente) à aventura russa na Geórgia. E, embora a campanha russa tenha parecido uma derrota da Otan penso que serviu de pretexto a um avanço tático no Mar Negro. Com o posicionamento da marinha americana e demais aliados da Otan ao norte somadas às tradicionais posições no Golfo Pérsico, o Iraque está cercado. Isto, sem contar com o apoio da peça-chave que representa a Turquia. Perde-se uma Geórgia para ameaçar (ou ganhar) um Irã/Iraque.

Resta saber se Obama saberá manter o jogo.


Tuesday, January 13, 2009

Quem foi que disse

... que "deve se mudar algo para que tudo fique como está"?

Obama diz que não cumprirá promessa sobre Guantánamo
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou neste domingo que não acredita que poderá cumprir sua promessa de campanha de fechar a prisão da base de Guantánamo (em Cuba) em seus primeiros 100 dias de governo, embora reiterou sua intenção de fazê-lo em algum momento. “É muito mais difícil do que muita gente acredita”, declarou Obama em entrevista pelo canal ABC. Na prisão de Guantánamo estão cerca de 250 suspeitos de terrorismo, a maioria sem julgamento, acusação nem acesso a advogados.

Sunday, January 11, 2009

Entorpecimento global


2008 foi o ano mais frio desde 2000. O secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (W.M.O., na sigla em inglês) diz que “não devemos nos confundir”, pois está havendo aquecimento global mesmo. Mas, no inverno europeu, a pesada neve não tem caído apenas em países como a Alemanha. A ensolarada Marselha, no sul francês teve temperaturas de 0 graus celsius por oito dias seguidos. Enquanto isto, os aquecimentistas insistem que a temperatura média global aumentou em ¾ desde o século XIX.

Dois dados interessantes são que apesar de 2008 ter registrado uma queda na média em relação a 2007, foi o 10º ano mais quente desde que os registros iniciaram [http://uk.reuters.com/article/environmentNews/idUKTRE5082S720090109]. Interessante, pois isto pode significar que, apesar de relativamente quente, indica uma queda em relação aos outros anos quentes. Ou seja, isto pode significar um arrefecimento da tendência. É cedo para dizer, mas algo está, mesmo momentaneamente, contradizendo as previsões mais alarmistas do IPCC.

http://icecap.us/index.php

O gráfico acima mostra uma discrepância entre a média ascendente da temperatura global com a redução do número de estações monitoradas – indicando um claro viés nas pesquisas do IPCC, das quais caíram de 6.000 para menos de 4.000. Muitas dessas estações se localizam em áreas antes rurais ou de cidades sem sistemas de aquecimento que, depois passaram a se modernizar induzindo a um “aquecimento artificial” por “ilhas de calor” devido ao uso local de combustíveis fósseis em maior escala.

Hadley, Temp. vs. CO2 - http://icecap.us/index.php


As temperaturas mensais registradas pelo Centro de Hadley (UAH e MSU) mostram arrefecimento térmico de cerca de 0,2 graus celsius, enquanto que o Centro de Mauna Loa registra incremento do CO2. Uma correlação negativa.

Contradizendo a afirmação de que o ano de 2008 foi o 10º mais quente desde 1850 [http://icecap.us/images/uploads/MSU_Satellite_Temperatures_Continue_to_Diverge_from_Global_Data_Bases.pdf].

Friday, January 09, 2009

Gaza e alhures





Em O genocídio de Gaza e a natureza expansionista de Israel, Pedro Porfírio faz uma defesa implícita do Hamas (sem o dizer claramente) ao criticar a política e ação militar israelense.

Vamos por partes:

1) Naquelas paragens havia judeus e palestinos. Os dois grupos antes da fundação do Estado de Israel em 1948. No meu modo de entender a coisa, ambos os grupos mereciam ter seu chão naquele semi-árido. Mas, por diversas razões, a coisa degringolou. Se for lícito apontar culpados, em primeiro lugar está a Inglaterra que começou o processo de ocupação e transferência judaica e não o terminou. Em menor medida, a França que mais ao norte detinha a Síria e o Líbano. Estes dois países traíram os árabes, com falsas promessas de terras e a formação de seus estados em troca do apoio na luta contra os turcos, aliados alemães na I Guerra Mundial.

2) O sionismo foi um movimento nacionalista judaico, mas nossa bem pensante e politicamente correta mídia ‘esquece’ de lembrar que os árabes também tinham no período seus movimentos nacionalistas. Que assim como todo ‘nacionalismo’, porta fortes ingredientes xenófobos.

3) O Likud é uma agremiação fundamentalista, isto é, o pior tipo de política que se mistura com religião. Acontece que é a outra face de um movimento oposto, o do fundamentalismo islâmico que seja com o Hamas ou o Hezbollah consegue apoio dos árabes palestinos ou libaneses e sírios. O último com claro apoio do Irã que busca uma união muçulmana. Parece bonito e legítimo, mas ampliando o espectro de análise, este mesmo “bem intencionado” Irã apóia xiitas contra sunitas no Iraque muito antes dos americanos ocuparem o país, como estratégia expansionista. Só que diferentemente dos americanos, Teerã visa incorporação territorial no Iraque...

4) Diferentemente do autor do texto não vejo os israelenses como um “todo-harmônico-judaico”. Há uma parcela moderada que, em outras épocas levou Shimon Perez ao poder contra Benjamin Netanyahu. Ocorre que com a intensificação dos ataques, o sectarismo do lado conservador teve sua chance e se impôs, mesmo após tantas tentativas – orientadas por Clinton entre Itzhak Rabin e Yasser Arafat, o primeiro foi morto por um radical judeu. Ou seja, não haverá paz enquanto os radicais, de ambos os lados reitero, não forem perseguidos e presos, para dizer o mínimo.

5) Óbvio que Obama ajudará Israel. Mais do que os Republicanos, os Democratas estão no partido mais apoiado pela elite judaica. Os judeus não gostam de Ronald Reagans, Bushes e Cia. Estes são muito “de direita” e, para eles e o temor de algo como os movimentos nacionalistas, a la, “nacional-socialistas” (nazis) é um espectro que os ronda suas consciências. Embora, os Republicanos sejam menos ‘coletivistas’ do que os Democratas e não exista hoje, a menor possibilidade de algum movimento deste tipo surgir nos EUA. Acredito que há algo mais aí... Como o vínculo judaico com os bancos que os Republicanos perseguem quando põem o livre-comércio em risco, ao contrário dos Democratas, mais chegados num welfare state que amplia os poderes de estado e seus oligopólios. Quem pensou que o presidente negro seria um terceiro-mundista é porque não conhece o mínimo de política interna americana...

6) Para Washington (algo além da querela entre Republicanos e Democratas), Israel é sua fiel escudeira em um tabuleiro com alianças instáveis. Mas, não existe ringue de boxe com um só lutador. Se formos analisar historicamente, da mesma forma que os EUA tiveram os seus aliados regionais, foi a URSS durante a Guerra Fria. Ambos apoiando ditaduras ou monarquias despóticas. Não há santos e não há revolução comunista ou democracia liberal que legitime, teórica ou praticamente, este tipo de desmando. O que ocorre é a velha Realpolitik em que os interesses de estado falam mais alto e mais forte que ideais bonitos no papel.

7) O conceito de lebensraum – espaço vital – foi criado por Friedrich Ratzel, geógrafo alemão muito antes de Adolf Hitler. Não é uma exclusividade nazista, não senhor. Vemos o mesmo princípio atualmente com o nacionalismo hindu ou com o talebã que persegue etnias minoritárias (não pashtun) no Afeganistão. Ainda, na China contra o Tibet ou na Rússia contra o Cáucaso. E, claro, não seria diferente de tribos africanas, cada uma com seu nível de atrocidade. Seja um Idi Amin apoiado pelos britânicos ou um Mugabe apoiado pela antiga URSS. A longa guerra em Angola, p.ex., teve ingerência dos dois impérios, o russo e o americano. E la nave va... E, antes que eu me esqueça, até os cubanos são acusados pelos africanos...

8) O autor acusa as “grandes potências”, mas estas não extraíram petróleo da Palestina e Israel não tem suficiente para suas necessidades. Não há lógica nesta afirmação que poderia ser utilizada com outras regiões próximas, mas não em Israel. Como eu disse, a criação do “estado binacional” foi uma péssima idéia inglesa seguida por uma, igualmente, péssima administração da ONU que, em meio aos ataques árabes, os judeus criaram seu estado só para si acirrando o problema. A questão é o que deveriam fazer? Voltar para a Europa Oriental? Embora, possível, não era viável e, sinceramente, ingênua para um povo que sempre perdeu e estava cansado de apanhar. Eles viram a “janela de oportunidade” se abrir na linha do tempo e a cruzaram. Para não mais voltar.

9) “Os judeus agem tal como os nazistas”... É uma afirmação recorrente, mas se observarmos corretamente foi a Liga Árabe os atacou em 1948, 1956, 1967 e 1973. Em todos estes conflitos, os judeus sobreviveram, resistiram e ganharam, com exceção da primeira em que não foi uma vitória no sentido militar, mas civil, ganha pela resistência. Após o último ataque (externo) em 1973, a OLP passou a ganhar crédito internacional e ser ouvida com honras de corpo de estado. As negociações poderiam evoluir, não fosse pelo radicalismo de ambos os lados. Ambos os lados...

10) Um detalhe importante: se palestinos se estrepavam sempre, os outros árabes não necessariamente. Com a última guerra ganharam uma enorme vantagem econômica se unindo e elevando (triplicando) o preço do barril de petróleo em 1973. Um meio econômico para se atingir um objetivo político tornara um fim em sim mesmo.

11) O livre-comércio não se pauta mais nas “Sete Irmãs” e companhias árabes, através da OPEP são as maiores interessadas no petróleo regional. São elas que mandam hoje. A questão palestina não lhes diz mais respeito diretamente. Elas poderiam muito bem passar sem isto e sem se importar. Se ocorrem manifestações de apoio, não vão além de alguma verba de apoio aos refugiados e nativos que resistem em suas terras. Mas, ocorre que outro aliado importante dos EUA, contra o Irã, é a Arábia Saudita. Grande parte da Guerra do Iraque se explica por isso, divergências entre seitas muçulmanas que dominam estruturas de estado. Nisto, Israel e os palestinos são, para a maioria dos estados árabes, um problema, uma inconveniência que ninguém quer se envolver diretamente, seja a Arábia Saudita, ou os aliados ocidentais Jordânia e Egito, antigos inimigos. E, nesta lista está, nada mais nada menos que o “novo aliado ocidental”, ex-apologista do terrorismo internacional, General Muamar Khadafi. Este, agora premido pelo desenvolvimento interno líbio trocou de lado. Interessante como são as coisas, quem te viu, quem te vê... Estas lideranças são hipócritas, pois não vão além de palavras de ordem, protestos formais e mera diplomacia. E olha que eles têm muito dinheiro se quisessem, realmente, fazer alguma coisa.

12) Ahmadinejad é outro que só ameaça, mas veja que na crise dos britânicos capturados no Golfo, não demorou a devolvê-los. Mais parece um típico caudilho latino-americano que muito fala e não faz nada. Só está em outro continente... E a Turquia ri com isto, pois disputa o poder regional contra os árabes. Nas nascentes do Tigre e Eufrates (que banha o Iraque e a Síria), suas represas servem também para reter a água deixando iraquianos e sírios na seca, caso precisem jogar com este poder contra seus inimigos (árabes). Na primeira Guerra do Golfo (em 1991) chegaram a por veneno nos filetes de água que corriam bacia abaixo para matarem curdos e iraquianos, enquanto estes sob coordenação de Saddam Hussein utilizavam armas químicas e bacteriológicas contra os mesmos curdos. Interessante esta “união muçulmana”... E, moralmente, nem Turquia, nem Irã e nem a Síria têm crédito e superioridade, uma vez que tratam os curdos de modo pior do que israelenses tratam os palestinos. São os dois pesos e duas medidas... Eles exigem dos judeus, algo que eles próprios não dão a suas minorias: terra e autonomia. Se bem que o último quesito, Israel até que deu...

13) Sinceramente, o escândalo da corrupção envolvendo Olmert, caso não tivesse ocorrido não mudaria em nada a atual situação. Não vejo lógica nisto.

14) Mas, o autor, ao final de sua exposição reconhece que o Hamas atacou o sul de Israel, o estopim da atual crise. Só que não desenvolve o argumento a partir do fato. Fatos... Parecem pouco importantes quando se quer puxar a história lá de trás... Só que a história pode ser vista por vários ângulos porque tem vários ângulos. O que une todos nesta insanidade é que ambos os lados têm como premissa algo que deveria estar fora da política, a religião.

Tuesday, January 06, 2009

Israel não poderá mais tolerar os ataques de foguetes do Hamas

Sobre as chuvas em SC

Tamanho desastre poderia ter sido menor. Bem menor. É consenso entre os analistas ouvidos por AMANHÃ que o principal responsável pelas enchentes e pelos deslizamentos de terra é o próprio homem. Um homem imprudente, como adjetiva Adalberto Marcondes, especialista em Ciência Ambiental e diretor de redação da revista digital Envolverde. Marcondes diz que pouco ou nada se aprendeu com os acontecimentos do passado. Em uma crítica direta aos governantes, ele afirma que quando são autorizadas construções em encostas entra em cena o risco iminente e uma tragédia. "O poder público acaba sendo leniente com a ocupação desordenada
do solo. Só porque a pessoa já construiu sua casa, não se tira mais ela de lá", pondera. A cobrança encontra eco em Fernando Almeida, presidente-executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds): "É preciso uma política pública que impeça a ocupação de áreas inadequadas sob o ponto de vista geológico, mantendo a cobertura vegetal intacta", diz.



Não se trata apenas de "áreas de risco" que foram ameaçadas ou plenamente atingidas. A média pluviométrica para a região Norte, p.ex., é de 2500 mm/a.a e estas chuvas em SC chegaram a mais de 500 mm em um só dia! No entanto, é um fenômeno cíclico com regularidade de pouco mais de uma década. Por isto mesmo, previsível e contornável se tomarmos o longo período que leva para repetir. Mas, culpar governos é fácil e tão engajado... A própria população (de diferentes estratos sociais) mantém sua preferência por áreas com declive acentuado e não respeita a legislação ambiental (com um mínimo de 30 m a partir das margens fluviais). Assim, apenas se colhe o que se planta.

Russia's next flash point



.
.
.
By Denis Corboy, William Courtney and Kenneth Yalowitz
Tuesday, January 6, 2009





Russia's coercion of its neighbors is a looming flash point for Europe and the United States, and President-elect Barack Obama. Autocratic Russia is bent on exploiting weak neighbors and reversing perceived humiliations since the breakup of the Soviet Union.


The tragic war with Georgia last August showed that Russia is ready to use military power. International criticism and a plunging economy have apparently not swayed it.


On Dec. 24 President Dmitri Medvedev declared that his nation's "interests must be secured by all means available." Earlier he warned that Russia may deploy nuclear missiles against Poland, and has "privileged interests" in surrounding countries.


On Dec. 31 Prime Minister Vladimir Putin upped the ante. Ukrainian interference with Russian gas exports to Europe would lead to "serious consequences for the transit country."


Moscow is signaling a readiness to use hard power against smaller neighbors. Which ones might be next?


Since August, Russia has doubled its forces in Georgia's separatist regions of Abkhazia and South Ossetia. Troops are only two dozen miles from Tbilisi and hover near Caspian energy pipelines and railways. Russian forces could take them at will.


If Kiev does not satisfy Moscow, Russia's military could move in to "protect" Ukraine's pipeline to Europe. Moreover, Russia is questioning Crimea's legal status, distributing passports to ethnic Russians there, and demanding retention of its naval base at Sevastopol, after the lease expires in 2017. Moscow seems to be developing pretenses for intervention.


Other potential flash points cannot be overlooked. Millions of Russians live in Kazakhstan, which has exceptional natural resources wealth. The country's leaders try hard not to displease Moscow, but they annoy the Kremlin by exporting some energy via the South Caucasus. Azerbaijan and Turkmenistan also have vast energy wealth but regimes that might be ineffective against a Russian challenge. Ominously, Russia recently announced formation of a new "international" military force for Central Asia.


Dependent on Russian markets and subsidized energy, Belarus seeks more aid from Moscow but may have to cede further autonomy. Moscow would intervene if another "color revolution" swept aside Aleksandr Lukashenko, the country's authoritarian ruler, and might annex Belarus, ending years of inconclusive discussions on union.


Russian use of force could threaten important U.S. and European interests. Gaining control over Caspian energy would jeopardize tens of billions of dollars of Western investment and heighten Europe's energy dependence on Russia. U.S. and European forces in Afghanistan will increasingly depend on ground-based logistics through Central Asia and the South Caucasus.


The West needs a two-part hedging strategy: a dialogue to encourage Russia to channel ambitions in less threatening ways, and steps to enhance the security of Russia's neighbors.


An economic dialogue should assist Russia to: mitigate the damage from economic crisis and facilitate recovery, enhance productive trade and investment, and seek fair energy relationships with others. In this context, Europe and the U.S. should encourage Georgia and Russia to negotiate restoration of transport and economic links, which would also benefit Armenia.


A security dialogue should address: full compliance with the armistice in Georgia, how Russia can protect its security while reassuring neighbors, and regional cooperation to counter transnational threats, such as nuclear terrorism and pandemic disease. This dialogue would complement U.S.-Russian strategic arms talks and the NATO-Russia Council.


Second, the U.S. and Europe should help Russia's neighbors develop defenses and protect critical infrastructure. Assistance should be conditioned on commitments not to invade separatist regions or project force abroad.


More frequent U.S. and NATO defense presence will also be critical. This may not require permanent basing, but should include more joint field exercises, secure and interoperable command and control, intelligence sharing, and pre-positioning of matériel. Neighbors alone cannot stop the Russian military. Moscow must come to fear all of the costs and doubt the success of any contemplated aggression.


Dialogue with Russia and better defenses in neighboring countries will help avert another war - and a flash point with the West.


Denis Corboy is director of the Caucasus Policy Institute at King's College London and a former European Commission ambassador to Georgia. William Courtney was U.S. ambassador to Kazakhstan and Georgia. Kenneth Yalowitz was U.S. ambassador to Belarus and Georgia.


http://www.iht.com/articles/2009/01/06/opinion/edcourtney.php

This is why Israel attacks Gaza Watch this!

Monday, January 05, 2009

Putin corta


Europe faces energy crisis as Vladimir Putin cuts Russian gas supply
Europe has been plunged into an energy crisis after Vladimir Putin ordered Russia's state-run gas company to cut supplies by 20 per cent.

By Miriam Elder in Moscow and Bruno Waterfield in Brussels
Last Updated: 10:38PM GMT
05 Jan 2009


Russian Prime Minister Vladimir Putin at the opening ceremony of the Gas Exporting Countries Forum in Moscow. Photo: EPA


As temperatures dropped below zero across much of Europe, the Russian prime minister instructed the head of Gazprom: "Cut it - starting today."
The cut was ordered to punish neighbouring Ukraine, which Russia accuses of topping up its own gas supply by siphoning off energy meant for European consumers and sent through its pipelines.
But Naftogaz, Ukraine's state-run gas company, said that it was European Union countries, including Britain, that would feel the effects of an increasingly bitter East-West energy row.
"Gazprom has in fact cut volumes of transit gas to European customers. The Russian company has therefore placed under threat the delivery of gas to European countries," Naftogaz said in a statement.
The EU meanwhile dispatched an emergency fact-finding mission to Ukraine after eight European countries reported a disruption of gas supplies following a smaller Russian cut last week.
The taskforce of senior officials from the European Commission and the Czech Republic, which has just taken over the EU's rotating presidency, will also hold crisis talks with Gazprom on Tuesday.
EU foreign ministers, meeting in Prague on Thursday, will then assess levels of gas supply disruption and discuss possible action to prevent energy shortages amid sub-zero temperatures in most European capitals.
EU countries are dependent for one quarter of their gas supplies on Russia, of which 80 per cent comes via pipelines that cross the Ukraine.
Some, such as Poland, depend on Gazprom for over three quarters of their gas supply. Britain receives up to 15 per cent of its supply from Russian sources, mainly channelled through French pipelines.
The Czech Republic, Poland, Greece, Romania, Bulgaria, Slovakia, Croatia and Hungary have already reported problems with their supply.
The Commission has insisted that "there is no immediate danger of disruption for European citizens". But officials are worried that the latest wave of freezing weather, in one of the coldest winters for years, will push the EU into a full blown energy crisis by fuelling demand for Russian gas as people seek to heat their homes across Europe.

"The situation is changing. We are seeing a cold week ahead," said the Commission
spokesman."Cold weather has an immediate effect on demand.
The supply of gas has to be higher or complemented with more use of storage."
At a meeting at Mr Putin's luxury dacha, he backed demands by Alexei Miller, the CEO of Gazprom, for a daily reduction to Ukraine's pipeline gas flow of 65.3 million cubic metres, energy that Russia claims that the Kiev has stolen during a price dispute.
Gazprom first started to cut gas supplies to Ukraine on New Year's Day, after talks over a supply contract broke down amid accusations that Kiev had failed to pay its full bill for 2008. Naftogaz denies allegations it has siphoned off gas without paying Russia.



Saturday, January 03, 2009

Paralelismos: Rússia e Iraque


Mesmo tipo de argumento que Saddam Hussein se utilizou para invadir o Kuwait na década de 90...


02-01-2009 Política
Rusia acusa a Ucrania de robar gas a
Europa


Según la rusa Gazprom, se trataría de volúmenes pequeños. Sin embargo, Moscú no toleraría que se repitieran las interrupciones de suministro a la UE ocurridas en 2006.

por Reuters

Moscú/Kiev. Rusia acusó el viernes a Ucrania de robar gas destinado al resto de Europa, un día después de que Moscú cortó el suministro a su vecino por una disputa sobre contratos de abastecimiento.

Los volúmenes que Ucrania está desviando son pequeños, según el monopolio ruso Gazprom, pero la acusación sugiere que Moscú no está dispuesto a que se repita la disputa del 2006 que provocó interrupciones de suministro a la Unión Europea (UE).

Gazprom dijo que estaba respondiendo a las acciones de Ucrania aumentando las exportaciones a través de rutas alternativas como Bielorrusia. Firmas de energía europeas dijeron que no habían observado bajas en el suministro.

"La parte ucraniana admite abiertamente que está robando gas y no está avergonzada de eso", dijo el portavoz de Gazprom, Sergei Kupriyanov.


(...)


Mais em
http://www.americaeconomia.com/199956-Rusia-acusa-a-Ucrania-de-robar-gas-a-Europa.note.aspx#

A Mídia, Gaza e Israel


Faixa de Gaza
Luis Milman, jornalista e doutor em Filosofia, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, preocupado e abismado com as reações de governos e da mídia internacional a partir da ação desenvolvida por Israel na Faixa de Gaza, território controlado pela organização terrorista Hamas, desde o ano passado, escreve o artigo a seguir para esclarecer aspectos importantes da questão, que não são considerados. Leia o artigo de Luis Milmam:





“Desde o início da ofensiva de Israel contra o Hamas, na Faixa de Gaza, no último sábado, dia 27 de dezembro, a mídia ocidental vem relatando as operações israelenses com base em pressupostos flagrantemente aparvalhados. Coincidentemente, estes pressupostos são os mesmos que pautaram as primeiras manifestações oficiais de condenação moderada lançadas contra Israel, por governos de nações importantes, logo no primeiro dia ofensiva, quando pouca ou quase nenhuma informação sobre a real dimensão das operações israelenses eram conhecidas. As manifestações da França, Rússia, Japão e China, exortavam Israel a interromper suas ações em Gaza. Ao invés de condenarem os ataques do Hamas, que iniciaram ainda em novembro e quebraram o cessar-fogo, a retórica destes países partia de duas premissas equivocadas: Israel estava respondendo aos ataques de forma desproporcional e, por isso, elevando o número de vítimas civis. Assim, a linguagem protocolar criava o mantra da desproporcionalidade, adotado também pelo Secretário Geral da ONU, o senhor Ban Ki-moon, na última segunda-feira, dia 29. Ki-moon convocou a imprensa mundial para expressar seu repúdio ao uso da “força excessiva” por parte de Israel em seus ataques à Faixa de Gaza. O secretário-geral da ONU foi mais longe: ele apelou “às partes” para que interrompessem as hostilidades e reiniciassem negociações para um novo cessar-fogo. O coro foi reforçado pelo primeiro-ministro inglês Gordon Brown, também no dia 29. “Estou horrorizado (ênfase aqui) com a violência dos bombardeios”, disse. “Reiteramos nosso apelo a Israel e ao Hamas (ênfase aqui) para que declarem o imediato cessar-fogo e previnam a perda de mais vidas inocentes. Não há uma solução militar para esta situação. É preciso redobrar os esforços internacionais para assegurar que tanto Israel quanto a Palestina tenham terra, direitos e segurança para viverem em paz”, finalizou Brown. Ao mesmo tempo, seguiram-se manifestações de repúdio previsivelmente mais radicais, vindas de países muçulmanos e grupos extremistas, como o Hezbollah, que passaram a percorrer o planeta: massacre, genocídio, holocausto, crimes de guerra, crimes contra a humanidade. Enfim, surradas acusações disputavam espaço na mídia internacional com cenas de passeatas e aglomerações de rua pipocando na Europa e no mundo islâmico, em protesto contra a nova “barbárie” cometida por Israel. Enquanto isto, a quantidade de vítimas dos bombardeios parecia dar a impressão de amparar a fórmula da desproporcionalidade: já passam de 150 mortos, muitos deles civis, já ultrapassam os duzentos, entre eles mulheres e crianças; agora são mais de 300, entre os quais inúmeros inocentes. Agora, quando escrevo (terça-feira, 30 de dezembro), os mortos chegavam a 360. Horrível. A mídia apropriou-se do mantra protocolar, tomando-o como axioma para sua cobertura. E, por mídia, não estou nomeando nenhuma abstração. Refiro-me à CNN, à BBC, à SkyNews, à France 24, para não mencionar a Al-Jazirah em Inglês e os diários New York Times, The Guardian e Le Figaro, que podem ser todos acessados on-line. Também não estou me referindo aos analistas de prontidão, sempre rápidos no gatilho quando se trata de comparar o “desproporcional” confronto entre a potência militar israelense e a pobre capacidade de resistência dos palestinos. Restrinjo-me ao que se chama de “noticiário”, aquele texto informativo que, recomenda-se, deve ser feito com imparcialidade e um mínimo de cautela e caldo de galinha. Pois é nele que constato a desproposital incursão, em nome do imediatismo, no domínio da estupidez e da má fé. Ora, o que se espera de um noticiário é que ele informe e não desinforme ou deforme os fatos. E quais são os fatos? Um: no primeiro dia da ofensiva, Israel apenas reiterou publicamente uma decisão que vinha sendo anunciada desde o final do frágil cessar-fogo de seis meses, mediado pelos egípcios, que entrara em vigor em junho último e se encerrara em 19 de dezembro. Por que frágil? Porque o Hamas, há oito anos, vinha despejando diariamente seus foguetes contra Israel. Os ataques diários haviam matado nove pessoas, ferido outras tantas, danificado prédios e vinham configurando uma situação de permanente insegurança nas cidades que se encontram num raio de 20 quilometro da fronteira com Gaza. Durante oito anos, Israel tentou tratar do problema de modo restrito: incursões rápidas de comandos no norte de Gaza para destruir bases de lançamentos de foguetes, bloqueio marítimo para evitar a entrada de armamento enviado pelo Irã e pela Síria ao Hamas e Jihad Islâmica; bloqueio terrestre, para impedir a infiltração de terroristas suicidas nas grandes cidades israelenses; cortes esporádicos no suprimento de energia elétrica para a Faixa de Gaza (70% desta energia é fornecida por Israel até hoje) com a finalidade de retardar a fabricação dos tais foguetes “caseiros” (na verdade, são foguetes produzidos em fábricas erguidas em meio a bairros densamente povoados da Cidade de Gaza, Dayir al Balah, Khan Yunis e Rafah). De qualquer modo, findo o cessar-fogo - e diante das saraivadas diárias dos foguetes contra o sul de Israel-, o governo israelense anunciou que terminaria definitivamente com os ataques que ameaçavam seus cidadãos. Esta decisão foi, inclusive, comunicada, no dia 23 de dezembro, pela ministra do exterior israelense, Tzipi Livni, no Cairo, após um encontro com o presidente Hosni Mubarak. Livni, ainda no Cairo, não deixou dúvidas: Israel desencadearia a operação militar necessária para destruir a capacidade do Hamas de atingir Israel. Nos últimos dez anos, o Hamas construiu, com o apoio logístico e financeiro do Hesbollah, da Irmandade Muçulmana (baseada no Egito), da Síria e, sobretudo do Irã, uma estrutura policial e militar na Faixa de Gaza, a tal ponto organizada, que lhe permitiu, no primeiro semestre de 2007, dizimar completamente as forças do Fatah (o braço armado da Autoridade Palestina) que ainda restavam no território palestino. Com isso, ele consolidou suas instalações militares, estocagem de armas e munição, seus campos de treinamento e suas bases de ataque contra Israel em toda a Faixa de Gaza. Hoje, o Hamas (que é sunita) conta com 15 mil homens no seu “exército regular”, e ainda com cinco mil membros armados da milícia xiita Jihad Islâmica. Esse pequeno exército dispõe, além de armamento pessoal pesado, de mísseis antiaéreos, mísseis antitanques, mísseis de médio alcance do tipo Katiusha e minas espalhadas por toda a fronteira com Israel. Tudo isto é do conhecimento dos chefes de governo que emitiram o mantra protocolar da desproporcionalidade. Os senhores Gordon Brown e Nicholas Sarkozy sabem disto, certamente. Mas a mídia faz de conta que não sabe. Ora, o panorama é bem nítido: Israel desencadeou a ofensiva para defender a integridade de seus habitantes, ameaçados constantemente pelo movimento fundamentalista militarmente organizado que controla toda a Faixa de Gaza desde junho de 2007. Mais ainda, o Hamas e seus associados menores, como a Jihad Islâmica e outros grupelhos, não representam a Autoridade Nacional Palestina (AP). Eles são terroristas, não aceitam a existência do Estado de Israel e estão comprometidos explicitamente com a sua extinção total. Como então podem os líderes da Inglaterra e da França, ou o Secretário-geral da ONU, apelarem para que “as partes” retornem a um cessar fogo. Que partes? Israel, um estado nacional soberano e membro da ONU, por um lado, e o Hamas, um movimento terrorista que usurpou à força, da Autoridade Palestina, o controle sobre a Faixa de Gaza, por outro? Se a China não conversa sequer com o Dalai Lama, líder político e espiritual do Tibet ocupado (exilado, obviamente), por que Israel deve dialogar com o Hamas? Pelo que se sabe, o Dalai Lama defende apenas uma autonomia para o Tibet e jamais pregou a extinção da China. Por que Israel deveria “dialogar” com um movimento que objetiva abertamente a sua destruição? Ou por que o senhor Ban Ki-moon não apela para que a Espanha dialogue com o ETA, a Colômbia dialogue com as FARC, a Turquia dialogue com o PKK curdo, que quer criar um estado independente no Curdistão? Ou para que os Estados Unidos da América deixem o Afeganistão e dialoguem com o Talibã? Ou para que os senhores muçulmanos da guerra que governam o Sudão interrompam imediatamente a carnificina que já matou 300 mil cristãos e animistas e deslocou quase três milhões de refugiados para a zona de Darfour? Onde estão as passeatas na Europa contra esse massacre? Ou os protestos contra a tirania assassina de Ruanda? Onde estão os apelos para o diálogo entre as trezentas tribos que se entredevoram na muçulmana Somália? O termo médio de comparação é suficiente, para quem possui mais de dois neurônios. Talvez, dois neurônios e meio. Por isso paro por aqui. Dois: Israel não está, como apregoa aos berros Hassan Nasrallah (em vídeo e de seu bunker em Beirute), cometendo um “genocídio” em Gaza. Ao contrário, é o líder do Hesbollah (Partido de Deus, em português), hoje quase um segundo exército dentro do Líbano, abastecido e financiado pelo Irã, que repete incansavelmente o objetivo político de seu partido: destruir Israel, sem deixar pedra sobre pedra. A voz de Nasrallah é amplificada nas ruas de todo mundo árabe e encontra acolhida em alguns analistas ocidentais procurados pela mídia para que “possamos (nós, o público) entender o trágico cenário da Faixa de Gaza”. Pensemos: se desejasse destruir a população de Gaza (isto é um despropósito descomunal naturalmente, mas só assim teríamos base para falarmos em genocídio) - e estou admitindo essa possibilidade apenas (ênfase aqui) para argumentar-, Israel o teria feito durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, (lembram, ela ocorreu!), ou durante a Guerra do Yom Kypur, em 1973 (lembram, ela também ocorreu), ou durante a ocupação israelense de Gaza, que se estendeu de 1967 a 2000, ano em que unilateralmente (ou seja, sem qualquer pré-condição) Israel deixou a Faixa de Gaza na sua totalidade. O que é fato: a ofensiva israelense tem objetivos militares e políticos definidos. Os militares estão sendo plenamente atingidos, até agora. E com um baixíssimo custo em termos de vidas humanas. É isso mesmo. Baixíssimo! Afinal, depois de quatro dias de centenas de incursões aéreas e marítimas, depois de ter despejado sobre Gaza mais de 500 toneladas de explosivos, apenas, repito, apenas, 360 pessoas morreram! E destas, cerca de 60, segundo as informações do próprio Hamas e da ONU, são civis. Ora, isto quer dizer que o restante fazia parte do exército terrorista, logo um alvo militar. A operação israelense impressiona, mas não pelas razões do senhor Nasrallah ou dos desavisados apedeutas de boa fé (admitamos), que usam a palavra “genocídio” sem saber o que ela significa. O conceito se aplica quando um governo deliberadamente promove o extermínio de povos ou populações inteiras, encontrem-se elas em seu próprio país ou em outros. Os turcos foram genocidas com relação aos armênios; os nazistas, com relação aos judeus; os comunistas stalinistas com relação aos russos; os maoístas com relação aos chineses; os japoneses com relação aos chineses e, hoje, os sudaneses muçulmanos com relação aos sudaneses não muçulmanos. Nem os cubanos castristas, que nos primeiros cinco anos após a revolução de 59, exterminaram 95 mil pessoas, praticaram um genocídio. Eles cometeram assassinatos em massa, uma ação sem dúvida abjeta e execrável, um crime contra a humanidade. Mas, não cometeram genocídio. E atentarmos para as diferenças ainda é fundamental. Por que a operação israelense impressiona? Por duas constatações que saltam aos olhos. A primeira: a ofensiva está se processando na área mais densamente povoada do planeta (1,5 milhão de habitantes em 360 quilômetros quadrados); a segunda: o Hamas ergueu intencionalmente toda a sua infra-estrutura policial e militar nos centros urbanos, justamente os locais mais densamente povoados deste território já muito densamente povoado (a hipérbole é proposital). Ora, se é para destruir alvos militares, é preciso atingi-los onde se encontram. E Israel está fazendo isto, de forma quase milimétrica, cirúrgica, mesmo correndo o risco, inevitável nesta situação, de atingir civis. Repito: e o faz de forma impressionante, pois as baixas civis, nesse contexto, são aquém de mínimas. Como a aviação e a marinha israelenses conseguem fazer isto? Empregando altíssima tecnologia, mísseis inteligentes e alvos previamente selecionados. Caso contrário, estaríamos diante de um massacre. E é necessário que se reafirme: não estamos sequer a milhões de milhas próximos disto. O Secretário-geral da ONU, que jamais reuniu uma conferência de imprensa para falar sobre a situação no Sudão, deveria saber disto. Ele, desta forma, ficaria calado. Obviamente, eu não esperaria que o senhor Ki-moon aplaudisse a operação de Israel. O Secretário-geral da ONU deve, por princípio, lamentar todas as guerras. Mas ele deveria, também por obrigação, calar-se, porque esta é uma guerra legítima, sobretudo defensiva, com objetivos militares e políticos claros, de um país soberano contra um grupo terrorista que prega o seu aniquilamento e contra os governos que apóiam este grupo. Três: Falei que a guerra possui objetivos políticos claros. Ei-los: Israel quer expulsar o Irã da Faixa de Gaza. O Irã? Isso mesmo, o Irã. O Hamas e a Jihad Islâmica nada mais são do que uma extensão do governo de Teerã e de seu potencial bélico virtualmente no interior de Israel. E todos sabem o quê mais almejam os aiatolás iranianos: destruir o que eles chamam de entidade sionista. Assim, ao eliminar a capacidade do Hamas de atacar seu território, Israel, além de retomar o controle sobre sua segurança imediata, desfere também um golpe mortal nas pretensões iranianas de penetrar em sua fronteira sul. Com isso ainda pretende isolar política e militarmente o Irã, travestido de Hezbollah, na sua fronteira norte. Ao mesmo tempo, forja uma situação mais favorável para negociar com a Síria, também enfraquecida com a derrota do Hamas, um tratado de paz entre os dois paises. Esta é uma meta de médio prazo. Por essa razão o senhor Nasrallah esbraveja contra o Egito de Mubarak e a Autoridade Palestina, de Machmud Abas, chamando-os de traidores do Islã. Nasrallah sabe que, sem o Hamas e a Jihad Islâmica em Gaza, o Hezbollah, ou seja, o Irã, se enfraquece, enquanto o Egito, a Autoridade Palestina e a Jordânia se fortalecem e, pior (para o Irã), Israel recupera a posição geopolítica decisiva para sua existência na região. A ofensiva ainda torna explicita a disposição de Israel de não tolerar que o iranianos consigam obter armamento nuclear. Ou seja, Israel está preparando o terreno para uma intervenção direta no Irã. Como Barak Obama assume a presidência dos Estados Unidos em janeiro, Israel envia uma mensagem inequívoca para Washington: não há diálogo com o Hamas, nem com Teerã. Os Estados Unidos devem se preparar para apoiar irrestritamente a ação militar direta de Israel contra os iranianos. E essa ação não deve tardar, pelo que se depreende do palco desenhado por Jerusalém. Quer dizer: trata-se de uma ação já planejada e montada pela inteligência militar israelense, que deve ser deflagrada em breve. Pergunta oportuna: o que é “breve”? Resposta: Israel certamente sabe. E, creio agora, Barak Obama também. No fim das contas, Israel não está fazendo mais do que colocar seu destino em suas próprias mãos. E isto ele sempre fez, sob o preço de simplesmente deixar de existir. Dúvidas? Consultem a História. Finalizando: e a mídia com relação a esse quadro? Nada informa, nada analisa, nada investiga. Pelo contrário, submete-se ao superficialismo, mistifica, embrulha-se toda no mantra da desproporcionalidade e mergulha de cabeça no noticiarismo demagógico e pretensamente humanitário. É um crime contra a lucidez e a razão. Mas, que diabos, isso lá importa?”


Monday, December 29, 2008

Mitologia sobre a defesa nacional



Em um interessante artigo, “Dez Mitos sobre a Defesa Nacional no Brasil”, o diplomata João Paulo Soares Alsina Jr. trata dos argumentos contrários a um legítimo plano de defesa nacional. O autor dividiu-os em 10. Tentei resumi-los e, claro, adicionar minha própria visão em trechos comentados, no que exime qualquer um, especialmente o autor do artigo, por eventuais erros ou opiniões de minha parte:


1) Nosso país não precisaria de forças armadas. Na verdade isto parte tanto de setores mais à esquerda, com heranças pacifistas que não viram suas utopias se concretizarem em décadas passadas, como de setores ultra-liberais que acreditam que a força dos mercados é a única capaz de sedimentar instituições duradouras. Não há muito que comentar neste quesito. Basta ver os acontecimentos mundiais que sucederam a Guerra Fria para se ter uma vaga noção da importância da defesa nacional e de que a paz tem que ser, constantemente, vigiada. A cidade com seu mercado, desde fins da Idade Média precisou dos muros e forças de prontidão para garantir a defesa de seus negócios, inclusive da possibilidade do livre-comércio, frágil e dependente dos que se arriscam pela paz civil.

2) Quando se diz que os recursos aplicados na reestruturação ou manutenção das forças armadas seriam “melhor empregados” em atividades ou fins sociais parte-se do pressuposto que a defesa nacional não contempla um objetivo ou bem social.
(i) Isto se relaciona a posição ‘apaziguadora’ do Itamaraty, especialmente, no século XX que vê na hegemonia brasileira na América Latina, um fator de desequilíbrio frente seus vizinhos mais pobres e instáveis. É como se declarasse um mea culpa por estes serem, nitidamente, mais fracos;
(ii) Também ocorrem sinais contraditórios dos próprios militares que temerosos da expansão do establishment militar teriam que se adaptar institucionalmente revendo sua política de cargos, salários e pensões.
(iii) Modificações organizacionais também desestruturam ou ameaçam a estabilidade do modelo vigente, como ocorre com a criação de um Ministério da Defesa, por exemplo.
(iv) Demandas civis contra os militares, como a necessidade de desenvolvimento científico-tecnológico ou uma reestruturação interna também não são bem vistas, justamente, por partirem de civis.

3) O incremento do poder militar brasileiro forçaria uma corrida armamentista desestabilizando a América Latina. Este mito é particularmente falacioso, pois parte da premissa de que existe, realmente, um equilíbrio do poder latino-americano quando, na verdade, a posição (hegemônica) brasileira subsiste devido a fraqueza de seus vizinhos. Desconsidera ainda, de modo ‘autista’, que não cabe o incremento da defesa nacional quando se trata de novos (ou já descobertos e explorados) recursos, como o caso do petróleo em nosso mar territorial. Também podemos considerar como necessária a defesa hemisférica que tem sido ausente por parte do Brasil, ou deficiente como no caso amazônico, entre outros.

4) As forças armadas brasileiras já têm investimento suficiente. A premissa que embasa este mito se baseia nos problemas internos como mais urgentes. Se observarmos os países que mais investem em suas forças veremos que também têm graves problemas internos, mas nem por isto se eximem de sua tarefa básica na defesa externa. Este derrotismo advém da mais ingênua percepção de como a política externa é traçada. Na verdade coloca os brasileiros na posição de “idiotas úteis” quando se trata de marcar posição em prol de seus interesses.

5) As forças armadas devem se dedicar a papéis de ordem cívico-social e assegurar o alistamento militar obrigatório. O problema com este mito é que ele desdenha da legalidade: a de que a função das forças armadas, garantida pela Constituição é a de assegurar a defesa externa brasileira e sua integridade territorial. Insistir que Exército, Marinha e Aeronáutica devem ter objetivos filantrópicos implica em admitir que a Lei está errada, que não passa de um papel rasurado sem valor e que não serve como estrutura edificadora para o país. De modo análogo, obrigar todo jovem a se alistar quando faz 18 anos parte de dois princípios:
(i) De que a imensa maioria dos jovens não tem vontade própria nem predileção pela carreira castrense e ainda, deve odiá-la.
(ii) De que as forças armadas prescindem de um jovem qualificado que vê na carreira um atrativo suficientemente interessante para seguir adiante, com vocação e empenho. Em outras palavras, o jovem que segue carreira militar é nivelado por baixo neste tipo de mito.

6) O orçamento militar do Brasil é baixo. Depende. Em termos absolutos, não, mas em termos relativos (a seu PIB), realmente, é baixo. Ocorre que enquanto os EUA gastam cerca de 40% do orçamento destinado aos militares com pagamento de pessoal, pensões e saúde, no Brasil, esta soma supera os 80%.

7) Seria mais útil que as forças armadas combatessem o crime organizado. Além das questões institucionais envolvendo a atuação do Exército no combate ao tráfico de entorpecentes, p.ex., como quem definiria estratégias e a hierarquia entre as forças armadas e as polícias estaduais há a falta de treinamento de soldados para atuação frente aos civis. Além disto, existe o risco, não desprezível de contaminação das forças militares pela corrupção que se não é mitigada pelas próprias polícias, não há garantia de que não seja pelo Exército. Se algo tem que ser feito, tem que ser por quem conhece o problema de perto e vive, diariamente, com ele. Outro dado importante é que seria uma questão de tempo para o crime organizado se adaptar, voltando às ruas tão logo a situação se normalizasse, impondo assim a necessidade de um permanente Estado de Sítio.

8) As forças armadas deveriam se voltar para projetos duradouros e de prazo incerto, como o desenvolvimento científico-tecnológico. Este mito parte do princípio de que as forças armadas não precisam de armas de dissuasão imediatas. Se o ciclo de desenvolvimento do enriquecimento de urânio não foi capaz de se concretizar após 30 anos de seu início, o que dizer de outros que ainda podem ser aventados? Tais projetos têm que ser paralelos à substituição de armamentos, mas não substitutos da importação de armamento convencional e estratégico.

9) Nossa política externa de um “país periférico” tem que ter a paz por objetivo e o uso das forças armadas deve garanti-la. Por mais dignas que sejam as ações militares em missões de paz, não bastam para ocupar as funções militares. E se almeja com isto garantir um assento no Conselho de Segurança da ONU está se descartando a importância da força dissuasiva que só compete às forças armadas. Há neste mito, um link bastante evidente com o outro mito de combate interno ao crime. Só que este tipo de função, quando corriqueira enfraquece a especialização militar na defesa do território e o objetivo de equilíbrio militar continental.

10) As questões militares não são urgentes nem prioritárias. Não são opositores anti-militaristas que propagam este mito, mas de alguns militares que rejeitam a criação de um Ministério da Defesa e não querem nenhum tipo de interferência civil em seu estamento. A própria concepção atual de “guerra em redes” demanda uma maior integração dos serviços de inteligência para operacionalização da defesa. Quando grupos como MST, MAB e braços externos como a Via Campesina e instituições como a ONU ameaçam a soberania nacional, se faz urgente uma ampla estratégia de dissuasão que combine a diplomacia e a força bruta.

Tuesday, December 23, 2008

Ao vencedor, as batatas



Sem abrir licitação, o Iraque deverá fechar contratos para a exploração de petróleo com quatro empresas internacionais, a americana Exxon Mobil, a anglo-holandesa Shell, a francesa Total e a britânica BP.
O "New York Times", que traz a informação, nota que esses quatro gigantes do setor
energético eram os sócios originais da Iraq Petroleum Company, estatizada há 36 anos pela ditadura de Saddam Hussein.
Os contratos, que deverão ser anunciados no próximo dia 30, foram o resultado de cartas-convites do Ministério do Petróleo, cujos responsáveis as quatro empresas assessoram há dois anos, fornecendo gratuitamente treinamento técnico. Foi por essa razão que se dispensou o procedimento de concorrência pública.
Não está clara a motivação que levou o Iraque a excluir 42 outras companhias petrolíferas, entre elas as gigantes da China, índia e Rússia, empenhadas em tarefas semelhantes. O Iraque possui cerca de 80 campos petrolíferos e com eles obtém 89% de suas receitas.
Segundo a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), em 1989, antes que passasse a vigorar o embargo comercial contra o regime de Saddam, o Iraque exportava 2,9 milhões de barris diários, mesmo volume que o Irã e atrás, dentro do cartel, apenas da Arábia Saudita. No ano passado, o país informou estar produzindo 2 milhões de barris ao dia, pretendendo voltar ao patamar de 2,9 milhões em 2010. Há dois anos, últimos dados divulgados, a receita iraquiana foi de US$ 28,8 bilhões.

Aumento da produção
Informantes iraquianos citados pelo "New York Times" dizem que as quatro empresas contratadas permitirão a produção, ao dia, de ao menos 500 mil barris suplementares.
Os contratos com as quatro grandes empresas não esperaram pela aprovação da Lei do Petróleo, hoje emperrada no Parlamento iraquiano. As divergências estão em torno da definição de critérios para distribuir a renda do petróleo pelos governos
regionais.
Os xiitas, ao sul, e os curdos, ao norte, têm a maioria significativa das reservas, deixando desprotegidos os sunitas, que formavam a elite civil e militar do regime deposto pelos Estados Unidos em 2003. As quatro companhias obterão os chamados "no-bid contracts", ou contratos sem licitação, que os governos em geral assinam com empresas que são as únicas capacitadas a fornecer certo tipo de produto ou serviços. Não é o caso das quatro petrolíferas favorecidas.
Elas não terão a concessão a longo prazo para a exploração das reservas. Serão contratadas por dois anos como prestadoras de serviço. A renda do óleo extraído será do governo. Mas os quatro grupos, pelos investimentos a serem feitos, estarão em condições privilegiadas no momento em que a Lei do Petróleo, quando aprovada, fixar as normas de concorrência.
Comentando a informação, o blogueiro Daniel Altman, especialista em globalização, notou a falta de critérios para que fossem escolhidas essas empresas. Mas ele também diz que, mesmo por um período relativamente curto, o equipamento a ser investido precisará de proteção. Foi por não consegui-la que a Shell abandonou um campo de 200 mil barris ao dia que explorava na Nigéria.

Iraque distribui sem concorrência licença de petróleo
Data: 20/06/2008 - Fonte: Folha de SP


Qual deveria ser o procedimento de contratação de empresa petrolífera se não havia lei para licitação? Ou havia tal lei?

Se as companhias formavam um consórcio, cuja estatização (roubo) ocorreu no governo de Saddam, não é justo (do ponto de vista de quem ganhou a guerra) que recebam uma forma de ressarcimento ou indenização por danos sofridos pelo governo que caiu?

China, Índia e Rússia apoiaram a guerra ao Iraque? Se não, não têm do que chiar. A guerra tem custos. Assim como qualquer negócio, a guerra tem custos necessários se alguém acha que pode lucrar com ela. Só o que falta é abrir as portas para quem, justo, criticou a coalizão que fez tudo sozinha. Só o que falta é legitimar “caronas” como chineses, indianos e russos.

Se a matéria pretendeu criticar o embargo, comete um rotundo equívoco. O embargo (governo Clinton) foi adotado como medida paliativa para pressionar o governo de Saddam ao invés de uma ação mais enérgica. Tem que se decidir, ou a guerra ou o embargo e este não estava sendo eficaz devido ao programa da ONU – Óleo por Comida – que permitia o contrabando pela fronteira jordaniana.

Se os governos regionais estão divergindo, ao ponto de emperrar a aprovação da lei, as empresas têm que fazer algo mesmo: do contrário, a economia iraquiana padece.

Sim, os curdos e os xiitas detêm maiores reservas, mas, a reportagem erra, pois os sunitas também têm (embora menos) e não é pouco:



Veja vários campos “em produção” (azuis) no centro do país, a área sunita.

Isto, no entanto, é muitíssimo mais justo que a situação pretérita, na qual os lucros apenas iam para os sunitas, etnia de Saddam. Curdos e xiitas eram freqüentes alvos de limpeza étnica.

Como as companhias citadas sem capacidade de prestar certos serviços ou produtos (não citados, apenas aventados... imaginariamente na reportagem) estariam em condições vantajosas com a promulgação de uma lei de concorrência se a própria matéria diz que as empresas citadas não se enquadram dentro da situação de prestadoras capacitadas? Se uma futura lei for aprovada, como executarão os serviços (não descritos)? Algo não fecha e a matéria não explica, apenas acusa.

Como uma reportagem tão fraca da Falha de São Paulo com opinião de um “blogueiro (sic) especialista em globalização” pode ter coerência em acusar privilégios corporativos de empresas incapazes de garantir a segurança (caso da Shell), enquanto que esta mesma segurança é feita diretamente pelo Exército dos EUA?!

Os documentos do Deptº de Defesa dos EUA[1] descrevem as operações, inclusive os dispositivos de segurança, que já estão garantidos.



[1] Em http://www.mnf-iraq.com/images/CGs_Messages/strategic_framework_agreement.pdf , Seção I: Princípios de Cooperação; Seção V: Cooperação Econômica e Energética; Seção VI: Cooperação Ambiental e de Saúde; dentre outros.
Em
http://www.mnf-iraq.com/images/CGs_Messages/security_agreement.pdf , Artigo 5: Propriedade Comum; Artigo 6: Acordos sobre Instalações e Áreas; Artigo 8: Proteção Ambiental; Artigo 12: Jurisdição; Artigo 15: Importação e Exportação; Artigo 16: Taxas; Artigo 17: Licenças ou Autorizações; Artigo 20: Moeda e Câmbio; Artigo 30: Período de Efetividade do Acordo; dentre outros.

Monday, December 22, 2008

Planejamento Urbano


O Estatuto da Cidade – Lei 10.257/2001 – saudado como apanágio urbanístico brasileiro da ‘esquerda’ e demonizado pela ‘direita’ vem de uma tradição de planejamento local e aberto, isto é, baseado na comunidade, vilarejo, cidade e com participação social através de referendos ou grupos de trabalho de composição mista (governos, empresários e associações civis). Quanto aos socialistas que enxergam no planejamento urbano, uma forma de inocular sua agenda estatista e totalizante, eu não me bato, pois seu modelo já se mostrou falido frente à dinâmica e caos produzidos na grande cidade. Mas, justamente por esta visão é que os liberais (econômicos) mantêm preconceitos contra o ato de planejar, especialmente, nas necessitadas urbes. Seria bom, no entanto, lembrar o pragmatismo que marcou o desenvolvimento urbano dos países desenvolvidos como algo que beneficiou as próprias sociedades abertas.[1]

Ao enfatizarmos qualquer proposta ou norma sem partir das condições iniciais, isto é, seu diagnóstico é que produzimos o maior erro. O mais comum e corriqueiro nestas discussões que apenas tangenciam o tema em si – planejamento urbano – é a imposição de um modelo de planejamento (ou negação de qualquer modelo) a partir de premissas puramente ideológicas e não técnicas porque a técnica é vista como ‘viciada’, isto é, como subserviente a um dado modelo político.

A discussão séria simplesmente trava sob a retórica de que “nada é neutro”.

O ponto polêmico com relação à idéia de planejamento se dá porque este envolve um grupo de especialistas, logo, de um domínio tecnocrático, de de uma primazia da minoria sobre a maioria, não sujeita ao escrutínio democrático de avaliação após um processo eleitoral.

Neste ponto, geralmente, o debate se acirra entre as diversas tendências políticas, normalmente dentro do espectro da ‘esquerda’. Pois, a “direita-liberal-econômica” não se afeiçoa à idéia de uma centralização da decisão econômica a ditar-lhe regras de usufruto de sua propriedade privada.

Portanto, não é fácil imaginar o planejamento urbano como uma política pública, algo tão importante quanto uma política de saúde ou educacional. Para que isto se tornasse efetivo seria necessária, a maior disponibilidade de informação sobre modelos de desenvolvimento urbano ao cidadão comum. Especialmente, se considerarmos que o planejamento atual tem na “participação social”, uma premissa. Contudo, isto se torna particularmente difícil quando a discussão escorrega dentro de um ringue de premissas ideológicas.

A diversidade de situações já deveria, por si só, ser suficiente para abortar sectarismos. O planejamento urbano para a realidade local de um país imenso, continental como o Brasil teria que ser bem mais que girar a roleta de opções com bulevares franceses, cidades-jardim britânicas, planos urbanísticos alemães ou o sistema de parques e cidades americano.

O que parece assustar muitos liberais (econômicos) é o populismo que o conjunto de instrumentos jurídicos da legislação urbanística propicia aos governantes oportunistas e suas câmaras de vereadores. E mesmo que tenhamos melhores quadros, com gente melhor qualificada, a chance de se perverterem com tamanha disponibilidade de concentração de poder é tanta que afasta quem mais precisaria do planejamento para regular e mitigar externalidades negativas do crescimento econômico na realidade urbana.

Neste sentido, o mote do “pai do planejamento urbano”, Patrick Geddes, Place, Work, Folk!, ao não levar em conta ou destacar a propriedade (privada) ou fazer qualquer menção ao espírito individual afasta ao invés de atrair, possíveis interessados de cunho liberal. Seu lema lembra, claramente, um apelo nacional-socialista ou algo do tipo... Porém, se nos aprofundarmos na obra de Geddes e entendermos o que ele, realmente, quis dizer, veremos que não apresenta tais traços totalitários, ‘sorelianos’, como os que podemos encontrar com maior freqüência nos “primos-irmãos” dos liberais (econômicos), os conservadores.

Com o fim da Idade Média e a constituição dos estados-nacionais, o modelo fundiário europeu-ocidental pautado na pequena propriedade tornou-se tão bem sucedido que parecia ser uma “obra da natureza”. Ao analisarmos o perfil econômico de um vale europeu com as terras aradas e um vilarejo central, a composição econômica de agricultores, artesãos e comerciantes parecia ser o “embrião natural” do que viria a ser uma pequena cidade e sua hinterlândia. No entanto, não temos nada de ‘natural’ aí... Se observarmos outros vales, bem mais a leste, precisamente na Índia notaremos que a cultura irrigada de arroz não pode prescindir de canalizações hidráulicas feitas por seu governo. O que, em determinado caso, pode ser totalmente obra de ações individuais somadas, noutro é conseqüência de uma obra coletiva induzida por um órgão governamental ou instituição formal. Podemos ter, portanto, fenômenos similares, cujas gêneses são totalmente distintas.

E o que os distingue a primeira vista os vales europeus dos indianos? A densidade demográfica. Se isto, por si só, não determina o desenvolvimento, ao menos impõe uma condição... Severa. Simplesmente, não dá para falar em propriedade privada e ausência do estado em condições de escassez de recursos naturais, no caso, a água.
(...)

[1] O início formal da teorização acerca do planejamento urbano vem com Patrick Geddes antes da I Guerra Mundial e com a primeira lei britânica sobre planejamento em 1909-10.

Elástico Térmico



Como afirmar o aquecimento térmico se em um país tão estreito como o Chile temos aumento no interior e estabilização no litoral?

Segundo Patrício Aceituno, meteorologista da Universidade do Chile, a “fase temperada” do clima mundial vai acabar. Como o ano de 2008 foi considerado o 10º mais quente desde o século XIX e agora estamos em fase de resfriamento pelo terceiro ano consecutivo, o pesquisador considera que entraremos num ciclo de aumento da temperatura marcada por avanços e retrocessos.

Indícios neste sentido estariam sendo observados com altas temperaturas na Europa e um inverno pouco rigoroso na Escandinávia. Na América do Sul também estaríamos assistindo a um avanço térmico consistente com médias, três graus maiores em grande parte da Argentina, Uruguai, Paraguai, sudeste boliviano e sul brasileiro.

Porém, no mesmo período, a Escandinávia sofreu com frio extremo e se, desde os anos 80, uma tendência de aumento de 0,5 a 0,7 graus foi registrada no interior chileno, o mesmo não se observou em sua zona costeira.

Saturday, December 20, 2008

O que significa a vitória?




Áreas jihadistas no Afeganistão e fronteira paquistanesa.
Se o sentido de ‘sucesso’ puder ser relativizado, então a "derrota americana" em suas recentes operações no Afeganistão e no Iraque não são o que parecem. Depois do ataque ao Afeganistão, a Aliança do Norte retomou áreas que estavam sob domínio talebã, embora se diga que esta esteja “ganhando terreno” agora. E a idéia que temos de ‘domínio’ não se aplica ao Afeganistão. Mesmo quando os Talebãs não tinham sido derrubados, sua perpetuação dependia de acordos com líderes tribais. Por exemplo: o esporte nacional (pólo com um crânio inimigo) não fora abolido, apesar da determinação da política moral talebã. Se insistissem nisto, as tribos se revoltariam. Trata-se de um “domínio relativo”, ceder para ganhar.

Agora, me diga: se relativizamos para entender o que ocorre com estes grupos e situações, por que nos soa estranho fazer o mesmo com os ‘imperialistas’? Por que vitórias parciais e avanços de terreno não são compreendidos como ‘sucesso’ no cômputo final?

Não será por que:

1) Superestimamos o poder imperial?
2) Ou lhe cobramos maior eficácia? (Porque ainda o superestimamos...)
3) Ou porque não toleramos a idéia de que, ao final das contas, ganhem mais uma vez?

O que temos no fundo é uma análise assimétrica para quem julgamos. Para uma Talebã somos misericordiosos no cálculo de suas investidas. Qualquer ação, por mais pífia ou performática que seja rende exageros na conclusão; já para os EUA, mesmo que dominem a maior parte do Afeganistão (construindo rotas de abastecimento, instalando acampamentos, impondo lideranças aliadas, influenciando em governos vizinhos como o do Paquistão etc.), tudo parece ‘pouco’ por que não é tudo!

Podemos dizer que “os EUA perderam” por que seu investimento de alto custo não tem trazido os benefícios esperados? Mas, alguém aqui sabe exatamente quais são estes? Já fizeram uma análise apurada e equilibrada destes?

Quanto ao Iraque, eu acho que a realidade já mostra que:

1) Ganharam a guerra;
2) Instalaram uma cúpula de aliados;
3) Estabeleceram vínculos econômicos (empresas de extração) no norte curdo;
4) Diminuíram substancialmente o número de insurgências e ataques das hostes inimigas;
5) Baixaram a virulência do apoio iraniano aos xiitas do sul (em parte devido a este benfazeja crise que reduziu a demanda por petróleo) etc. Tanto que Ahmadinejad voltou à mesa de negociações e não se posicionou favoravelmente a invasão russa na Geórgia (que pode ser um problema bem maior a Teerã).

Há maneiras e maneiras de avaliarmos “quem ganhou”. Agora, se nos basearmos em que uma crítica (e oposicionista) mídia diz, a administração Bush saiu derrotada.

Num certo sentido, a claque de Bush perdeu mesmo: nas eleições presidenciais americanas. Mas, é só uma questão de tempo para vermos que Barack Hussein Obama também ‘perderá’ ao rasgar sua retórica pacifista e responder a crises como a que foi deflagrada em Mumbai, dentre outras.

Perde a ingenuidade e vence a realidade. Neocons e críticos da guerra perderão para dar lugar ao eterno retorno do interesse de estado.